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O projeto da reforma do Código de Processo Penal (CPP) será votado amanhã

O Senado Federal poderá dar um importante passo na terça-feira (23) para agilizar a tramitação de processos na Justiça brasileira. 

Em sessão extraordinária, prevista para a noite, discute e vota em segundo turno o projeto da reforma do Código de Processo Penal (CPP), elaborado e debatido até agora por diferentes mãos do Judiciário e do Legislativo.

No bojo do projeto há uma proposta para a redução do número de recursos, atualmente uma ferramenta para postergar julgamentos e beneficiar réus endinherados que podem pagar advogados poderosos e com excelente trânsito nos escaninhos da Justiça O texto, no entanto, ainda pode receber emendas.

Quando existe um ponto obscuro ou omisso no processo, os advogados recorrem ao embargo de declaração para esclarecer as questões. Não há nenhuma restrição contra a apresentação sucessiva de embargos de declaração, o que pode prorrogar o processo até a sua prescrição. Para evitar isso, o relatório limita a apenas um o embargo declaratório em cada instância.

A assessoria do relator do projeto, senador Renato Casagrande (PSB), informou nesta segunda-feira (22) que o parlamentar acredita na aprovação do texto da forma como se encontra. Ele foi aprovado em primeiro turno no último dia 9. Outro ponto destacado pelo senador é a implantação da figura do juiz de garantias. Atualmente, o mesmo juiz que atua na fase de inquérito profere a sentença. Pelo novo CPP, caberá ao juiz de garantias atuar na fase de investigação, enquanto outro magistrado julgará o processo. A justificativa é para evitar que o juiz, ao proferir a sentença, seja influenciado pela fase processual.

A matéria também define medidas cautelares como alternativas à prisão ou à libertação do investigado. No lugar de conceder liberdade provisória ou decretar prisão preventiva do acusado, o juiz poderá optar por outras ações, como a prisão domiciliar; o monitoramento eletrônico; a suspensão do exercício da profissão, atividade econômica ou função pública; a suspensão das atividades da pessoa jurídica e a suspensão da carteira de habilitação. As medidas ajudar a melhorar o problema da superlotação de presídios.

No texto aprovado também consta a possibilidade de os bens de uma pessoa investigada serem alienados ou vendidos para evitar que eles se deteriorem. Atualmente, isso só ocorre quando os bens são provenientes do tráfico de drogas. Os recursos ficam depositados em juízo até o fim do julgamento. Já em relação à prisão preventiva, fica proibido o uso de força, como a utilização de algemas, exceto em casos indispensáveis, como tentativa de fuga ou resistência dos presos. Hoje, o uso de algemas é permitido. O texto também inclui o fim da prisão especial para quem tem curso superior ou foro privilegiado.

Fonte: Ucho.Info

Comissão do Congresso aprova outra proposta absurda : Horário sindical gratuito no rádio e na TV

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou nesta quarta-feira proposta que assegura às centrais sindicais 10 minutos semanais de transmissão gratuita em emissoras rádio e televisão.

Ora ora, o que que é isto minha gente? República sindicalista agora? Querem fazer a cabeça do povo mesmo e advinhem com qualideologia. Sim, se você pensou na ideologia marxista apregoada pelo PT, acertou.

Com tantos projetos espurios, querem impor o regime bolivariano, de qualquer forma.

Vide matéria abaixo:


A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou nesta quarta-feira proposta que assegura às centrais sindicais 10 minutos semanais de transmissão gratuita em emissoras rádio e televisão. As transmissões deverão ser em bloco ou em inserções de 30 segundos a um minuto, no intervalo da programação normal das emissoras. O texto estabelece também que os programas produzidos pelas centrais sindicais deverão ser transmitidos entre as 6 horas e as 22 horas das terças-feiras, com a finalidade exclusiva de:

- discutir matérias de interesse de seus representados;
- transmitir mensagens sobre a atuação da associação sindical;
- divulgar a posição da associação em relação a temas político-comunitários.

A proposta inclui a regra no Código Brasileiro de Telecomunicacões (Lei 4.117/62) - que estabelece as obrigações das radiodifusoras - e estabelece que as emissoras de rádio e televisão terão direito a compensação fiscal pela cessão do horário gratuito.

Substitutivo

O texto aprovado na comissão é o substitutivo do deputado Roberto Santiago (PV-SP) ao Projeto de Lei 6257/09, do deputado Vicentinho (PT-SP), que tramitava apensado ao projeto principal (PL 6104/09), da deputada Manuela D’ávila (PCdoB-RS). O projeto da parlamentar gaúcha previa 10 minutos diários de programação sindical em rádio e TV, sete vezes mais que o texto aprovado.

Já o projeto do deputado Vicentinho estabelecia que a transmissão deveria ser feita entre as 20 horas e 22 horas das terças-feiras. Também assegurava a realização de um programa anual de dois minutos em cadeia nacional para cada central sindical.

Tramitação

A proposta, que tramita em caráter conclusivo. Ainda será analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e Constituição e Justiça e de Cidadania.

Mais detalhes / Josias de Souza


Avança na Câmara um projeto de lei que concede às centrais sindicais dez minutos por semana nas emissoras de televisão e rádio de todo país.

O texto foi aprovado nesta quarta (17) pela comissão de Trabalho da Câmara. Prevê o seguinte:

1. As peças produzidas pelas centrais sindicais irão ao ar entre 6h e 22h todas as terças-feiras.

2. A veiculação pode ser feita em bloco de dez minutos ou subdividida em inserções de 30 segundos a um minuto.

3. As centrais sindicais poderão tratar em seus programas de três temas: A) Matérias de interesse de seus representados...

...B) Mensagens sobre sua atuação sindical; e C) Divulgação da posição das centrais em relação a assuntos “político-comunitários”.

4. A exibição não será facultativa, mas obrigatória. O horário das centrais será inscrito no Código Brasileiro de Telecomunicacões.

5. O código foi sancionado em 1962 (lei número 4.117). Fixa as obrigações das emissoras de rádio e TV.

6. O contribuinte brasileiro pagará a conta da veiculação dos programas das centrais sindicais.

7. A exemplo do que ocorre com o horário eleitoral e com os programas anuais dos partidos políticos, as emissoras poderão abater os custos de seus tributos.

O texto referendado pela comissão de Trabalho foi redigido pelo deputado Roberto Santiago (PV-SP). Dá-se ao documento o nome de “substitutivo”.

A peça resulta da fusão de outros dois projetos. Um de autoria de Vicentinho (PT-SP). Outro de Manuela D’Ávila (PCdoB-RS).

Manuela propunha que os programas sindicais fossem diários –dez minutos para cada central, de domigo a domingo.

Vicentinho sugeria a veiculação semanal, às terças. Mas queria obrigar as emissoras a levar as peças das centrais ao ar em horário nobre –entre 20h e 22h.

De resto, além das inserções semanais, o deputado petista desejava instituir um programa anual para as centrais –dois minutos para cada uma em rede nacional.

O substitutivo de Roberto Santiago tramita pelas comissões da Câmara em caráter “conclusivo”.

Significa dizer que, se aprovado pelas comissões, vai direto para o Senado, sem passar pelo plenário da Câmara.

Vencida a etapa da comissão de Trabalho, restam mais duas votações: uma na comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação. Outra na comissão de Justiça.

Há no Brasil seis centrais sindicais formalmente reconhecidas pelo Ministério do Trabalho.

Considerando-se que cada uma disporá de dez minutos, o brasileiro corre o risco de ter de ouvir e assistir a uma hora de lero-lero sindical por semana.

Era só o que faltava!


Fonte: Agência Cãmara de Notícias

Maluf é considerado 'ficha suja' pela Justiça Eleitoral de SP e tem candidatura barrada

Por quatro votos a dois, os juízes do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo decidiram enquadrar o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) na Lei da Ficha Limpa e vetar sua candidatura à reeleição. 


Por quatro votos a dois, os juízes do TRE decidiram enquadrar o deputado Paulo Maluf (PP-SP) na Lei da Ficha Limpa/Luiz Carlos Murauskas/Folhapress

A assessoria de Maluf informou que a defesa do candidato vai recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Se tiver recurso negado nesta instância, ainda terá o STF (Supremo Tribunal Federal).

Os magistrados consideraram que a condenação no TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo pelo suposto envolvimento em uma compra de frangos superfaturada pela prefeitura da capital paulista à época em que Maluf era prefeito serve como argumento para barrá-lo.

O presidente do tribunal, Walter de Almeida Guilherme, que votou contra Maluf, disse no julgamento que a Lei da Ficha Limpa "é um avanço para a moralização dos hábitos políticos", pouco antes de votar pelo indeferimento.

Em nota enviada à imprensa, a assessoria do deputado diz: "Paulo Maluf teve dois votos a favor, no julgamento do TRE, de dois eminentes juizes. A matéria, portanto, é controversa. Os advogados de Maluf vão recorrer ao TSE, conforme determina a lei. Paulo Maluf é candidato a deputado federal."

IMPUGNAÇÂO

O julgamento da candidatura de Maluf nesta segunda começou às 16h20, com a manifestação do advogado Adib Abdouni. Ele apresentou uma impugnação ao registro de Maluf com base na Lei da Ficha Limpa, enquanto outra impugnação foi apresentada pela Procuradoria Eleitoral.

Abdouni, que também defende o delegado Protógenes Queiroz (PC do B), candidato a deputado federal, fez uma comparação entre os dois: "é a caça e o caçador".

Na última sexta-feira (20), o juiz do TRE-SP Mário Devienne Ferraz suspendeu a propaganda de Protógenes a pedido de Maluf. A propaganda mostrava a prisão de Maluf em 2005, que aconteceu durante uma investigação conduzida pelo delegado da Polícia Federal.

FICHA LIMPA

Maluf foi impugnado pela lei aprovada neste ano, que considera "fichas-sujas" os políticos condenados por órgãos colegiados da Justiça, em geral cortes estaduais.

A impugnação foi motivada pela condenação no Tribunal de Justiça de São Paulo por suposta participação em uma compra de frangos superfaturada. Ao todo, ele responde a quatro procedimentos criminais no STF --um inquérito e três ações penais.

O mais antigo deles, a ação penal 458, começou na Justiça de São Paulo em 2001 e poucos se arriscam a dizer quando será concluído. Refere-se à acusação do Ministério Público de São Paulo de que Maluf, à frente da prefeitura paulistana (1993-1996), fraudou o orçamento para gastar mais no seu último de governo, deixando para o seu sucessor um rombo de R$ 1,2 bilhão.

Os outros casos tiveram origem em investigações do Ministério Público que apontaram desvios de recursos públicos da construção do túnel Ayrton Senna e da avenida Roberto Marinho.

Um deles levou à prisão preventiva de Maluf por 40 dias em 2005.

FRANGOS

No último dia 27 de julho, o TJ-SP rejeitou um recurso da defesa de Maluf, que buscava cassar a condenação do congressista pela suposta participação no caso dos frangos.

Os advogados alegaram em juízo que a condenação teve por base um cálculo incorreto e que no caso da aquisição de frangos não houve prejuízo aos cofres públicos.

Os desembargadores da 7ª Câmara de Direito Público, porém, entenderam que essa questão não poderia ser discutida por meio do tipo de recurso apresentado pelo deputado-- tecnicamente chamado embargos de declaração-- e rejeitaram o pedido dos advogados de Maluf sem discutir sobre a correção do cálculo do suposto prejuízo ao município.

Minha ficha é a mais limpa do Brasil, diz Paulo Maluf

Tido como um dos candidatos que terão problemas com a aprovação da Lei da Ficha Limpa, o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), afirmou hoje não temer que sua candidatura seja barrada pela Justiça Eleitoral.

"A minha ficha é a mais limpa do Brasil. De trabalho, de realização e 43 anos sem nenhuma condenação", disse ele após a convenção estadual do PP paulista, que oficializou a candidatura do deputado federal Celso Russomano ao governo do Estado.

Apesar de ter uma condenação por decisão colegiada, na segunda instância da Justiça estadual de São Paulo, Maluf afirmou que não está enquadrado nas inelegibilidades da Ficha Limpa. "É bom que se diga: sou elegível, sou candidato a deputado federal e não tenho nenhuma condenação. Tenho 43 anos de ficha limpa de trabalho", disse.

Em abril deste ano o TJ-SP (Tribunal de Justiça) condenou Maluf, por 2 votos a 1, a devolver mais de 21 mil reais aos cofres públicos pela compra superfaturada, feita pela prefeitura de São Paulo à época em que ele era prefeito, de mais de uma tonelada de frango.

Os advogados de Maluf fizeram um embargo à declaração do tribunal, o que, na prática, significa pedir esclarecimentos por alguma dúvida, omissão ou contradição na decisão. O embargo impede o trânsito em julgado da sentença, mas não anula a decisão colegiada.

Questionado pela reportagem da Folha sobre o fato, o deputado afirmou que era uma "mentira". "Não é verdade. Fui inocentado em primeira instância e o caso está agravado, portanto não tenho condenação. É mentira que eu tenho uma condenação".

Fonte: FOLHA/FLÁVIO FERREIRA e FERNANDO GALLO

Lei da Ficha Limpa leva golpe fatal

Projeto PEC 89 vai matar Ficha Limpa e impedir que promotores investiguem políticos corruptos. Vergonha!!

Na prática, ao que tudo indica, a Lei da Ficha Limpa deverá ter curta existência. O Congresso Nacional dá com uma mão para tirar com a outra. Primeiro, aprova uma lei que cria severos efeitos concretos contra os políticos condenados judicialmente para, logo depois, por outra lei, engessar a atuação das autoridades que os poderiam processar ou julgar.

Era mesmo estranho que políticos potencialmente sujeitos aos impedimentos da Lei da Ficha Limpa (muitos já condenados em primeira instância judicial) quisessem aprová-la. Pois é. O Senado acaba de aprovar a antilei da Ficha Limpa — a PEC 89/2003, amarrando definitivamente as mãos de juízes, procuradores e promotores de Justiça.

Trata-se da mais pesada ameaça contra a independência funcional (garantia de isenção) de juízes e representantes do Ministério Público, até aqui enfrentadas.

As tentativas de edição das chamadas Leis da Mordaça e da Algema contra promotores de Justiça atuantes na apuração de crimes e atos de improbidade administrativa de agentes políticos, na última década, não chegaram a esse ponto.

É que membros do Judiciário e Ministério Público, pelo texto original da CF/88, depois de passarem pelo estágio probatório (vitalícios), só podem perder o cargo por sentença judicial transitada em julgado, em caso de crime incompatível com a função, improbidade administrativa, exercício da advocacia, atividade político-partidária, recebimento de honorários ou custas, cumulação ilegal de funções, abandono do cargo por mais de trinta dias corridos. Outras condutas e faltas funcionais, aliás, não ficam sem sanção, passíveis que são de advertência, censura, suspensão, remoção.

Entretanto, se aprovada a PEC 89, poderão ser demitidos por deliberação do órgão a que estão sujeitos (Tribunal ou Conselho Superior, conforme o caso), em processo administrativo. E o pior, se antes se exigia, para a demissão, a prática de condutas tipificadas de forma expressa e precisa na CF ou na Lei Orgânica, pela PEC 89 bastará a caracterização de procedimento incompatível com o decoro de suas funções (conduta aberta a julgar-se ou não enquadrada conforme o critério subjetivo de quem estiver no comando institucional).

Só para exemplificar o grande e inaceitável risco para o regime republicano e a democracia, os promotores de Justiça paulistas que, no final da década de 1980 e começo da de 90, denunciaram à imprensa a chamada República dos Promotores, estariam sujeitos à perda do cargo por deliberação do Conselho Superior, à época composto por integrantes ou simpatizantes da citada República dos Promotores, que diziam: esses promotores de oposição estão contra a instituição, lavando roupa suja fora de casa. À época, aqueles que estavam no comando institucional editavam normas proibindo a entrevista com a imprensa sem autorização superior.

E é bom lembrar que as administrações superiores do Poder Judiciário e do Ministério Público, por puro e censurável preconceito, até muito pouco tempo atrás, não admitiam o ingresso de mulheres em seus concursos públicos e definiam como reprováveis condutas normais. Ainda recentemente, mulheres eram impedidas de fazer a prova de ingresso da magistratura se trajadas com calça comprida. Sentença de Corregedoria anotava que não convinha ao promotor de Justiça comparecer a festas públicas. Sob esse raciocínio, a luta contra a discriminação poderia ser considerada também conduta incompatível com as funções.

Hoje, com a possibilidade de a administração do Poder Judiciário ou do Ministério Público, por meio da rede digital, mesmo de forma questionável, rastrear o correio eletrônico de seus integrantes, se aprovada a referida PEC 89, poderia o juiz ou o promotor perder o cargo pelo simples fato de ter recebido (ainda que involuntária e ocasionalmente) um e-mail de conteúdo impróprio (e-mail com este teor, por exemplo, poderia ser causa de exoneração), especialmente se fizesse oposição política à cúpula institucional do momento.

Juízes e promotores, por conta da natureza de seu trabalho, já vivem permanentemente na corda bamba. De se imaginar como ficarão inseguros se e quando aprovada a PEC 89. Coragem nenhuma será suficiente para fazer um promotor instaurar um inquérito contra um prefeito do mesmo partido do governador.

Vitaliciedade e inamovibilidade, entre outras prerrogativas do cargo, não pertencem aos juízes e promotores, mas à sociedade que, como pagadora e destinatária de seus serviços, não pode aceitar que Poder Judiciário e Ministério Público percam sua necessária independência e se submetam a ingerências de qualquer natureza.

A civilização demorou milênios para concluir que certas autoridades precisam de tais prerrogativas, como condição indispensável para a correta atuação. Tanto é assim que não há país civilizado na história contemporânea que não adote os mesmos princípios. O legislador brasileiro, todavia, sem qualquer suporte científico, e numa penada, arvora-se em asseverar o contrário.

A sociedade brasileira, em razão dos sucessivos governos autoritários que enfrentou, aprendeu infelizmente a se omitir. Disso decorre o fato de que, entre as autoridades públicas, quem quer fazer não tem alçada e quem tem alçada não quer fazer.

Só fortes e estáveis prerrogativas do cargo, especialmente a independência funcional, a inamovibilidade e a certeza de que a demissão não ocorrerá sem motivo inequivocamente sério e justo, podem assegurar que determinada autoridade não sofrerá represálias externas ou de sua própria corporação se tiver que perseguir poderosos.

Não é sem motivo, então, que, no país, só se viram poderosos agentes públicos processados, julgados e condenados por atos de improbidade, tanto na esfera civil como na criminal, depois da CF/88, que não pode ser agora alterada, nesse ponto, sob pena de enorme, danoso e lamentável retrocesso.

De fato, sem saberem previamente se sua conduta será considerada incompatível com a função e, por consequência, com a perda da independência funcional, órgãos de instância inferior só investigarão, processarão ou julgarão poderosos agentes quando se sentirem autorizados pelos órgãos de instância superior.

Em outras palavras, a PEC 89, para a glória exclusiva dos maus políticos, concentrará a decisão acerca da instauração de uma investigação ou de seu resultado nas mãos dos órgãos superiores do Ministério Público ou do Poder Judiciário, conforme o caso. Funcionará certamente como um foro privilegiado. Que criminoso não gostaria de escolher o juiz de sua causa? Os mortais serão processados e julgados pelo promotor e juiz de primeiro grau. Os não iguais, os acima da lei, estes só se sujeitarão a outras instâncias.

Cem por cento das decisões de primeira instância, determinando, em Ação Civil Pública, a remoção de presos em excesso de cadeias públicas, tendo em vista o notório estado de calamidade em que se encontram, num verdadeiro atentado aos direitos humanos, têm os seus efeitos suspensos por decisão da presidência e do pleno dos tribunais estaduais. Esse é apenas um exemplo de que a cúpula do poder cede mais a pressões políticas do que as instâncias inferiores.

Que governador não gostaria de poder remover de seu cargo o promotor ou o juiz que lhe vem incomodando ou perseguindo seus correligionários? Depois de aprovada a referida PEC, é de pasmar, terá força até para fabricar sua demissão.

A história recente do país bem demonstrou no que deram atos ditatoriais como o que se pretende instituir.

Fonte: Consultor Jurídico/Airton Florentino de Barros

Cães e gatos poderão ser castrados, em vez de mortos, ao serem capturados

Uma política de controle de natalidade de cães e gatos para substituir a prática atual de matá-los quando capturados (mesmo que sejam saudáveis), é o que pretende criar o projeto de lei da Câmara 4/05, em tramitação no Congresso.

A proposição tem objetivo de, além de evitar o sacrifício, estimular a posse responsável dos bichos, e é o tema da enquete do mês de agosto da Agência Senado.

O texto cria um programa de esterilização para controlar o crescimento desordenado da população canina e felina em todo o território nacional, com o emprego de métodos de castração cirúrgica, que é permanente, ou qualquer outro disponível e eficiente do mesmo modo, segundo a versão do projeto aprovada no Plenário do Senado. Por essa modificação, ele precisou ser enviado para reavaliação da Câmara.

Atualmente, o controle populacional de cachorros e gatos é feito com a captura e a chamada eutanásia de animais errantes, apanhados pela popular "carrocinha", segundo regras da Organização Mundial de Saúde (OMS) ainda de 1973, já em desuso na maior parte do mundo.

O autor da proposta, deputado Affonso Camargo (PSDB-PR) afirmou que a própria OMS já reconheceu o sacrifício como um método caro e ineficaz para controlar a superpopulação e a propagação do vírus da raiva e de outras zoonoses - doenças transmitidas por animais. Ele lembrou-se do surto de leishmaniose que afetou cachorros recentemente em Brasília.

O programa de esterilização a ser criado com a aprovação do PLC 4/05 também prevê a realização de campanhas educativas para propiciar a assimilação, pelos cidadãos, de noções de ética sobre a posse responsável de animais domésticos. Essas campanhas, além de mostrar que é desumano e perigoso abandonar os bichos, devem também incentivar a adoção, trabalho que já vem sendo feito, ainda de forma incipiente e sem o devido alcance, por associações protetoras dos animais, principalmente nas grandes cidades do Brasil.

Para o deputado Affonso Camargo, as campanhas de adoção, com ampla divulgação pela mídia, são essenciais para evitar que, após castrados, os cães e gatos fiquem confinados nos canis do governo. Por isso, aposta nas parcerias com entidades protetoras de animais e organizações não-governamentais para estimular e viabilizar a adoção. Ele citou, como exemplo de sucesso, lei municipal semelhante já em vigor na cidade de Curitiba (PR). Lá, acrescentou, esses institutos são bem atuantes e o número de pessoas que adotam animais é elevado.

Cães abandonados/Divulgação: Prefeitura do Rio de Janeiro-RJ

Recursos

De acordo com o texto em tramitação, a esterilização dos bichos ficará a cargo das unidades de controle de zoonoses de cada cidade ou município, que atualmente já os captura e sacrifica. Ou seja, os Centros de Controle de Zoonoses (CCZs) precisariam ser equipados para a realização de cirurgias, já que outro método, como a castração química, não é viável em gatos, por exemplo.

Os recursos para implantar o programa serão provenientes da seguridade social da União (que tem arrecadação de impostos específicos, direcionada para saúde e previdência), pois o controle de zoonoses é um serviço de saúde pública, e serão administrados pelo Ministério da Saúde, através do Fundo Nacional de Saúde.

Affonso Camargo lembrou ainda que, nas cidades que não contam com um centro de controle, o projeto prevê a possibilidade de se firmar parcerias com universidades e faculdades de veterinária e até mesmo com clínicas veterinárias que dispõem dos meios necessários. Ele sugeriu ainda que, para atender municípios muito pequenos sem um CCZ, seja escolhida uma cidade pólo para receber um deles, equipado para a realização do procedimento.

Pelo projeto, é necessário estudo das localidades, com o levantamento do quantitativo de animais a ser esterilizados ou que aponte para a necessidade de atendimento prioritário ou emergencial, seja por causa da superpopulação ou por quadro epidemiológico. Isso balizaria também a distribuição de recursos. A lei a ser aprovada prevê ainda tratamento prioritário aos animais pertencentes ou localizados nas comunidades de baixa renda.

Zoonoses

Para o gerente de controle de zoonoses de Brasília, o médico veterinário Rodrigo Menna Barreto Rodrigues, a política de controle de natalidade é possível, mas difícil de ser colocada em prática. O custo para equipar os CCZs será elevado, ressalta.

Para aplicar a lei, caso o PLC 4/05 seja aprovado, será necessário preparar uma estrutura física para realizar a cirurgia; outra de pós-operatório, para aplicar medicação, deixar os bichos em observação e fazer curativas; e um lugar adequado para manter os bichos que já se recuperaram da cirurgia. Além disso, são necessários insumos, medicamentos e pessoal treinado, tanto para operar quanto para ajudar os cães e gatos operados a convalescer.


- Mas é importante lembrar que o foco dos centros de controle de zoonoses é a preservação à saúde humana, e não a assistência à saúde animal - salientou.

Outros pontos que virão a se tornar prática, caso o projeto seja aprovado, precisam ser considerados, como o fato de, costumeiramente, apenas os filhotes serem procurados para adoção. O veterinário questionou, por exemplo, como ficará a situação dos animais de idade, saudáveis e castrados, que não forem adotados, pois mantê-los é caro, assim como é elevado o custo cirúrgico da esterilização e a própria recuperação clínica. A destinação de recursos precisará ser elevada.

Outro ponto polêmico, para Rodrigo, é a perda que as clínicas veterinárias terão com as castrações sendo feitas pelo governo, já que perderão receita com a diminuição da demanda. Ele lembrou ainda que o projeto não evitará a eutanásia de alguns animais que oferecem risco para a saúde ou que sejam portadores de raiva, leishmaniose e outras zoonoses.

Hoje, cães e gatos capturados nas ruas ficam à disposição de seus donos por três dias úteis, e para recuperá-los, é necessário pagar uma multa de R$ 9. Depois disso, seguem para sacrifício ou adoção. Os violentos, doentes ou que atacaram alguma pessoa, passam 10 dias em observação para, no período, eliminar a possibilidade de desenvolver raiva e depois são devolvidos aos donos ou sacrificados. Cães e gatos não permanecem muito tempo no CCZ porque o espaço é inadequado para mantê-los. Os bichos são mortos por um coquetel de medicamentos que causa parada cardiorrespiratória.

Proteção

As entidades de proteção aos animais comemoraram a possibilidade de o programa de esterilização, e principalmente, de incentivo à prática de guarda responsável, se tornarem políticas de governo. Para os integrantes da ProAnima de Brasília, é o poder público que tem os instrumentos, recursos, competência e o alcance ideal para implantar uma política de controle populacional.

O diretor geral da instituição, Erick Brockes e a médica veterinária Renata Guina frisaram que o sacrifício de animais, além de cruel, já mostrou não resolver o problema da superpopulação, e só a educação para a guarda responsável, a execução das leis e a esterilização são o caminho para resolver o problema da superpopulação e, consequentemente, do abandono de animais. Eles alertaram ainda para a falta de estudos aprofundados para avaliar os efeitos colaterais da castração química, como o risco de desenvolvimento de câncer.

Fonte: Agência Senado/Elina Rodrigues Pozzebom

Projeto sobre crimes hediondos divide senadores

Falta de quórum ou de acordo para votação?

Senador Suplicy e Senador Demóstenes Torres/Fotos:José Cruz

Talvez ambos tenham levado ao adiamento, mais uma vez, da análise do projeto de lei (PLS 249/05) do senador Hélio Costa (PMDB-MG) que aumenta o período mínimo de cumprimento da pena de prisão para condenados por crime hediondo terem direito a livramento condicional.

A proposta figurou como primeiro item da pauta do esforço concentrado da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), semana passada, quando recebeu voto em separado do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) pela rejeição.

O teor do voto em separado de Suplicy é diametralmente oposto ao do parecer do relator, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que recomenda a aprovação do PLS 249/05. Presidente da CCJ, Demóstenes informou, nesta quarta-feira (11), que o projeto volta à pauta da comissão na reunião do dia 1º de setembro - quando acontece mais um esforço concentrado de votações no Senado - e garantiu que seu parecer vai prevalecer sobre o voto em separado do senador petista.

Antes de apresentar esse "parecer paralelo" ao PLS 249/05, Suplicy já havia pedido vista da matéria, junto com o senador Antonio Carlos Júnior (DEM-BA), na reunião da CCJ do dia sete de julho. De lá para cá, formulou o voto em separado onde argumenta que, "na sua concepção, o projeto procura combater a criminalidade, mas não alcança esse objetivo, pois se volta unicamente à repressão, não levando em conta a necessária reintegração social do apenado".

Outros elementos são reunidos por Suplicy para justificar seu voto pela rejeição da proposta. Além de ferir os princípios constitucionais da individualização da pena e da proporcionalidade das penas, o senador por São Paulo considerou que o PLS 249/05 viola o objetivo de ressocialização dos presos - previsto no Código Penal e na Lei de Execução Penal - em favor do "aumento injustificado" da repressão penal. Ao ampliar as exigências para a concessão do livramento condicional a condenados por crime hediondo, também atuaria como desestímulo à disciplina carcerária, agravando a situação do sistema prisional brasileiro.

Em contrapartida, Demóstenes avaliou como "pertinente" a sugestão de Hélio Costa de alterar o Código Penal para elevar de dois terços (cerca de 60%) para quatro quintos (80%) o tempo de permanência na prisão exigido para condenados por crime hediondo, prática de tortura, tráfico de drogas e terrorismo poderem gozar do livramento condicional. O direito ao benefício está condicionado ainda ao fato de o condenado não ser reincidente em crimes da mesma natureza.

"Realmente, é um tempo muito pequeno o cumprimento de apenas dois terços da pena imposta a alguém pela prática de crimes tão graves para a concessão do benefício penal", afirmou Demóstenes no parecer ao PLS 249/05.

É importante ainda deixar claro, conforme já ressaltou Demóstenes, que o livramento condicional não se confunde com a progressão de regime. No primeiro caso, o juiz libera o condenado, com base em seu bom comportamento, para deixar a prisão e passar a estudar ou trabalhar com o compromisso de permanecer em casa à noite e nos dias de folga. Além disso, o condenado precisa comparecer periodicamente à Justiça. A progressão de regime também possibilita ao condenado trabalhar ou estudar fora, mas em muitos casos - especialmente no regime semi-aberto - o obriga a passar a noite no estabelecimento prisional.

Comentário

Penas leves para crimes hediondos alimentam a reprodução do crime. A sociedade pede socorro e está farta dos defensores de bandidos. A sociedade clama por leis duras e o político deve atender ao anseio da sociedade e não aos interesses de foras da lei.



Fonte: Agência Senado/Simone Franco

Obama promulga lei que protege jornalistas americanos contra processos judiciais fora dos EUA

Jornalistas e autores americanos terão agora maior proteção

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, promulgou nesta terça-feira uma lei destinada a proteger melhor os jornalistas e escritores americanos de perseguições em países onde as leis sobre difamação podem expô-los a condenações, como é o caso do Brasil, anunciou a Casa Branca.

As duas câmaras do Congresso haviam adotado este texto no fim de julho, em reação ao fenômeno chamado de "turistas da difamação": os políticos consideram que os sistemas judiciários de Inglaterra, Brasil, Austrália, Indonésia ou de Cingapura, entre outros, permitem condenações injustas de jornalistas ou autores americanos.

A nova lei impede também que os tribunais federais americanos reconheçam ou apliquem uma pena pronunciada por uma jurisdição estrangeira por difamação. Ela protege os bens de pessoas processadas, evitando que paguem por perdas e danos.

Os defensores do texto alegaram que ele segue a filosofia da primeira emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão e torna mais difícil ser processado por difamação nos Estados Unidos do que em outros países.

Comentário

Enquanto isto, no Brasil, a Constituição garante a liberdade de imprensa, e mesmo assim,  tribuinais a descosideram  e proibem publicação de matérias e até a venda de determinados livros. VERGONHA



Fonte: FOLHA - Efe

Senado aprova poder de polícia para Forças Armadas nas fronteiras

Proposta dá ao ministro da Defesa poder de indicar chefes militares. Projeto de iniciativa do Executivo segue para sanção presidencial.

Sessão do Senado que aprovou nesta quarta (4) o patrulhamento de áreas de fronteira pelas Forças Armadas (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (4) um projeto que dá poder de polícia para as Forças Armadas nas regiões de fronteiras. O projeto segue agora para sanção presidencial. A proposta foi enviada pelo Executivo ao Congresso em dezembro do ano passado.

Pelo texto, será permitido às Forças Armadas fazer patrulhamento, revista de pessoas, veículos, embarcações e aeronaves e prisões em flagrante. Essas atividades são permitidas tanto nas fronteiras terrestres quanto nas águas intermas e marítimas.

O texto do projeto não estabelece a área de patrulha de fronteira. De acordo com a Constituição, porém, a área de fronteira terrestre equivale a uma faixa de 150 quilômetros de largura.

A possibilidade de patrulhamento em rios, lagos e no mar também dá poderes às Forças Armadas para coibir o tráfico de drogas. Segundo o Ministério da Defesa, desde que a Lei do Abate entrou em vigor, traficantes trocaram o transporte de drogas em pequenos aviões na Amazônia por embarcações nos rios Solimões e Negro, por exemplo.

A Lei do Abate permite a derrubada de qualquer aeronave que entre no espaço aéreo brasileiro e não obedeça às orientações de pouso dos pilotos da Força Aérera Brasileira nos casos de abordagem.


Terras indígenas

Ainda na Câmara, que aprovou o projeto em março, os deputados incluíram uma emenda de Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) enfatizando que o poder de polícia independe da “posse, propriedade ou finalidade” da terra. Com isso, Pannunzio acredita estar autorizado o patrulhamento de terras indígenas pelas Forças Armadas.

O projeto faz outras alterações na estrutura nacional de Defesa do país e aumenta o poder do ministro da Defesa. Caberá a ele e não mais ao presidente da República a indicação dos comandantes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha. O texto aprovado pelo Senado é o mesmo votado pela Câmara.

Fonte: G1

Presidente Lula sanciona lei que prevê fim dos lixões

O presidente Lula sancionou nesta segunda-feira o projeto de lei que cria a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que traz regras para manejo de lixo e resíduos.

A lei tramitou no Congresso Nacional por 21 anos. O objetivo da nova lei é acabar, a longo prazo, com os lixões e obrigar municípios e empresas a criarem programas de manejo e proteção ambiental.

"A lei trata não só de preservação ambiental, como de saúde pública", disse Lula.

A lei dos resíduos sólidos proíbe a existência de lixões e determina a criação de aterros para lixo sem possibilidade de reaproveitamento ou de decomposição (matéria orgânica). Nos aterros, que poderão ser formados até por consórcios de municípios, será proibido catar lixo, morar ou criar animais.

As prefeituras poderão ter recursos para a criação de aterros, desde que aprovem nas câmaras de vereadores uma lei municipal criando um sistema de reciclagem dos resíduos. Estados e municípios terão dois anos para apresentar um plano de manejo de resíduos sólidos e, só depois, receber recursos da União para obras nessa área.

Haverá obrigações para consumidores, comerciantes e fabricantes. Todos estarão sujeitos a penalidades da Lei de Crimes Ambientais caso não destinem corretamente os produtos após o consumo.

As fábricas, por exemplo, terão de recolher os "resíduos remanescentes" após o uso. Os fabricantes de produtos com maior degradação ambiental (agrotóxicos, pilhas, lâmpadas fluorescentes, baterias, pneus e eletroeletrônicos) ficam obrigados a implementar sistemas que permitam o recolhimento dos produtos após o uso pelos consumidores.

O texto cria a chamada "logística reversa" para coleta de produtos descartados pelos consumidores. Comerciantes e distribuidores serão os principais pontos de receptação dos produtos descartados, que depois devem ser enviados aos fabricantes ou importadores. Estes últimos darão o destino final ao lixo.

Mais cedo, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse acreditar que a legislação poderá mudar o padrão de consumo, diminuindo a produção de resíduos e formalizando o trabalho dos catadores que era voluntário.

RECICLAGEM

A professora e pesquisadora do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB) Izabel Zaneti afirma que o trabalho de coleta e reciclagem é cada vez mais importante.

"Os resíduos estão crescendo em quantidade e complexidade", disse, lembrando dos resíduos de aparelhos eletrônicos, como as baterias dos telefones celulares e outros materiais que contém metais pesados de alto impacto ambiental.

A sanção da lei também é comemorada pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) que espera que os trabalhadores possam ser remunerados pela prestação de serviços às prefeituras pela coleta, separação e reciclagem do lixo.

O movimento espera que a lei aumente a renda dos recicladores. Atualmente a renda média de um catador é de cerca de um salário mínimo (R$ 510).


Fontes: FOLHA - Agência Brasil

Celulares ganham carregador universal na UE

A partir de 2011 todos os aparelhos de celulares vendidos na União Europeia deverão funcionar com o mesmo carregador, informou nesta sexta-feira (30) a Comissão Universal.


"O desenvolvimento de normas técnicas para garantir a compatibilidade e a segurança dos novos carregadores avança bem", assinalou um porta-voz do executivo comunitário.

Lula sanciona lei que criminaliza violência nos estádios

O novo texto também pune venda ilegal de ingressos e manipulação de resultados


Lula sancionou a nova lei para disciplinar os eventos/Ed Ferreira/AE

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira, em cerimônia fechada no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, a lei que modifica o Estatuto do Torcedor e criminaliza a violência nos estádios brasileiros.

O texto também pune a venda ilegal de ingressos e a manipulação do resultado das partidas. "É importante não apenas para o torcedor conhecer as regras, mas para a economia do futebol", disse o ministro do Esporte, Orlando Silva.

Aprovada pelo Congresso Nacional, a nova lei determina que as torcidas organizadas realizem cadastro atualizado de seus integrantes, passando a responder pelos seus atos. Além disso, estádios com capacidade superior a 10 mil pessoas terão de manter uma "central técnica de informações", para monitorar o público por imagem - antes, a obrigação era apenas para as arenas com capacidade acima de 20 mil lugares.

O texto também estabelece condições de acesso e permanência do torcedor nos estádios, como não portar cartazes com mensagens ofensivas, não utilizar fogos de artifício e não entoar "cânticos discriminatórios, racistas ou xenófobos". Caso essas condições não sejam respeitadas, haverá a "impossibilidade de ingresso do torcedor ao recinto esportivo, ou, se for o caso, o seu afastamento imediato do local, sem prejuízo de outras sanções administrativas, civis ou penais eventualmente cabíveis".

Caso a torcida organizada promova tumulto, poderá ser impedida de acompanhar os jogos por até três anos. A pena para o torcedor que provocar tumulto ou portar instrumentos que possam servir para a prática de violência varia de um a dois anos de reclusão e multa. Já os casos de fraude do resultado das competições estão submetidos à pena de dois a seis anos de reclusão e multa. E o fornecimento, desvio ou facilitação da distribuição de ingresso para venda por preço superior ao estampado no bilhete também passa a ser crime, com pena de dois a quatro anos de reclusão e multa.

Fonte: O ESTADO DE S PAULO/RAFAEL MORAES MOURA

Juíza pode decidir sobre lei de imigração do Arizona

Uma juíza federal no Estado americano do Arizona deve decidir nesta quinta-feira sobre a implementação de uma nova lei estadual de imigração que tem causado polêmica nos Estados Unidos.

A polêmica lei de imigração deveria entrar em vigor na próxima semana. A juíza Susan Bolton deve julgar nesta quinta-feira se a implementação da lei será suspensa enquanto o caso é decidido na Justiça.

A nova lei torna crime estadual a presença de imigrantes ilegais e prevê que a polícia do Estado, ao parar alguma pessoa por determinada infração, possa exigir documentos caso considere o suposto infrator suspeito de ser imigrante ilegal.

A lei também exige que estrangeiros carreguem sempre documentos de imigração, mesmo quando são residentes legais no país.

DISPUTA LEGAL

Desde que foi anunciada, a lei tem sido alvo de polêmica em todo o país. O próprio presidente americano, Barack Obama, já fez várias críticas públicas à lei. Os opositores dizem que a nova lei do Arizona é discriminatória e vai afetar especialmente a população hispânica.

A nova legislação foi aprovada em abril e virou alvo de uma disputa judicial entre o governo federal e o Estado do Arizona.

O departamento de Justiça dos Estados Unidos entrou com um processo contra a lei, afirmando que ela é inconstitucional já que decisões sobre imigração caberiam ao governo federal, e não aos Estados.

Políticos do Arizona dizem que foram obrigados a criar a lei, já que a legislação federal não dá conta dos problemas do Estado, que é o maior ponto de entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos.

Apesar das críticas do governo federal e de grupos de direitos humanos, pesquisas de opinião mostram que a maioria dos americanos é a favor da lei. A polícia do Estado do Arizona já começou a ser treinada para aplicar a nova legislação.

A juíza Susan Bolton ouvirá os argumentos contra e a favor da lei em um tribunal na cidade de Phoenix às 9h (13h no horário de Brasília).

Governadora diz que Arizona está "sob ataque" do governo dos EUA

A governadora Jan Brewer afirmou que o Arizona está "sob o ataque" de traficantes e, agora, do governo dos Estados Unidos, que processou nesta terça-feira (6) o estado por sua lei que transforma em crime a presença de um imigrante ilegal no país.

"O estado do Arizona está sob o ataque de violentos cartéis mexicanos e de traficantes de humanos e agora está sob o ataque na Corte Federal do presidente dos EUA, Barack Obama, e seu Departamento de Justiça", afirmou Jan, em um comunicado de imprensa.

A governadora qualificou de "equívoco" o processo contra o estado, por querer "ajudar" a reforçar as leis federais de imigração e disse que a aprovação da lei que permite à polícia deter pessoas suspeitas de serem ilegais é resultado do fracasso do governo federal por proteger a fronteira com o México.

"O processo apresentado hoje é uma perda de recursos. Esses fundos deveriam ser utilizados contra os violentos cartéis mexicanos e não contra o povo do Arizona", disse Jan, em seu comunicado.

A governadora do Arizona reafirmou que a lei estadual, a primeira aos EUA a criminalizar os imigrantes ilegais, é "razoável" e "constitucional".

"É um reflexo do que foi a lei federal nos EUA durante décadas. A lei do Arizona foi está desenhada para complementar e não suplantar a aplicação das leis federais de imigração", disse a governadora.

Jan assegurou que lutará na Corte Federal para defender os cidadãos do Arizona e disse estar convencida de que o estado sairá vitorioso dos seis processos contra a lei.

Já em comunicado conjunto, os senadores pelo estado do Arizona John McCain e Jon Kyl criticaram o governo por não fazer o possível para proteger o estado da violência e do crime que a imigração ilegal traz.

"Enquanto o governo federal não fizer seu trabalho não deveria processar o Arizona, já que a aplicação das leis de imigração são responsabilidade única do Governo federal", afirmaram os senadores.

Fontes: FOLHA - Agências

Conselho de Medicina defende testamento vital

Documento registra vontade do paciente sobre a assistência no caso de doença incurável

O Conselho Federal de Medicina (CFM) quer instituir no Brasil o testamento vital, documento que registra a vontade do paciente em relação à assistência médica no caso de uma doença incurável. Por exemplo, a decisão de não receber tratamentos dolorosos, que não trarão mudança significativa do quadro. Para isso, o órgão prepara um amplo fórum sobre o assunto no fim de agosto, de onde pretende retirar uma resolução sobre o tema.


"É um ponto de partida no sentido de amadurecer uma posição nacional", diz Carlos Vital Correa Lima, primeiro-vice-presidente do CFM, que prefere o termo "diretriz antecipada de vontade" para o testamento. "Precisamos de um documento que dê amparo ao médico, que dê orientação", afirma José Eduardo de Siqueira, especialista em Bioética da Universidade Estadual de Londrina e integrante da câmara de terminalidade do CFM. O fórum ocorrerá em São Paulo.

Instituído em 1971 na Califórnia (EUA), no início da década passada na Espanha e prestes a ser aprovado em Portugal, o documento foi utilizado por figuras históricas como a ex-primeira-dama dos EUA, Jaqueline Kennedy, diante do diagnóstico de um linfoma (um tipo de câncer) em estágio avançado.

No Brasil, ninguém é impedido de registrar sua vontade em um cartório em relação à assistência médica no caso de doença sem cura, mas não há legislação que garanta que o médico vá cumprir o desejo do doente. Por isso, o direito é pouco exercido.

Alguns Estados têm legislações específicas sobre o direito a uma morte digna, sem terapias inúteis. Em São Paulo, em 1999, vítima de câncer, o ex-governador Mário Covas promulgou uma lei dos direitos do paciente - ele mesmo, antes de morrer, recusou tecnologias que só prolongassem o sofrimento.

Ética médica. 

Somente em abril deste ano o CFM ratificou em seu novo código de ética médica que os profissionais não devem mais praticar tratamentos desnecessários em doentes terminais, reconhecendo a importância dos cuidados paliativos. Na época, o CFM afirmou que não havia dado tempo de incluir o testamento vital. De acordo com Siqueira, era preciso uma norma específica.

Também ficou de fora a ortotanásia, que permitiria o desligamento de aparelhos, como respiradores artificiais em casos incuráveis, proposta em 2006, mas suspensa por ordem judicial a pedido do Ministério Público.

Segundo Siqueira, será preciso construir resolução sobre o testamento vital que não colida com a legislação nacional. Por exemplo, jamais um paciente poderá registrar que não quer que o alimentem em caso de doença terminal porque isso colide com a lei brasileira, explica.

Também não é descartada a possibilidade de a proposta necessitar de aprovação não só no conselho, mas no Congresso. Atualmente a Câmara Federal avalia projeto que define e autoriza a ortotanásia no País, já aprovado no Senado.

Direito de morrer

Doenças terminais

Em vez de ações "inúteis ou obstinadas", o código de ética dos médicos brasileiros diz que é aconselhada a adoção de cuidados paliativos, que reduzem o sofrimento do doente.

Ortotanásia

A cessação do uso de máquinas, como respiradores artificiais, proposta pelo CFM em 2006, foi vetada no Brasil por força de ordem judicial obtida pelo Ministério Público.

Eutanásia

O uso, pelo médico, de recursos para abreviar a vida de um paciente terminal, como a injeção de uma droga, não é permitido nem defendido pelo conselho.


Fonte: O ESTADO DE S PAULO/Fabiane Leite

Congresso promulga emenda que acelera divórcio

Projeto acaba com separação judicial e permite divórcio imediato. Proposta deve facilitar tramitação de processos de guarda de filhos.

O Congresso Nacional promulgou nesta terça-feira (13) uma emenda constitucional que reduz a burocracia e permite acelerar o processo de divórcio. Com a promulgação, a nova regra entra em vigor quando for publicada no "Diário Oficial", o que deve ocorrer nesta quarta (14).

A emenda acaba com a figura da separação judicial. Antes, para se divorciar o casal precisava ter pelo menos um ano de separação judicial – decretada por um juiz – ou dois anos na separação de fato, em que marido e mulher já vivem separados mas são considerados casados perante a Justiça. A partir de agora, o divórcio acontecerá de imediato, assim que o casal decidir.

A proposta deve facilitar a tramitação de processos de guarda de filhos, além de permitir aos divorciados se casar com outras pessoas sem nenhum problema judicial.

O relator da proposta, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), argumenta que nenhuma norma legal pode obrigar as pessoas a continuarem casadas. “Não há sentido manter por um tempo pessoas que não querem ficar juntas”, afirmou.

O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) foi um dos poucos que criticou a proposta quando da aprovação. “Vai ser uma coisa de casa e descasa e eu não sei de que maneira isso vai contribuir para a nossa sociedade”, afirmou. Ele chegou a dizer que recorreria da aprovação, mas desistiu. Crivella pretende apresentar agora um projeto de lei para debater o tema.

Emenda da Juventude

Além da emenda sobre o divórcio, o Congresso promulgou também outra mudança na Constituição, que inclui o termo juventude em vários artigos da carta.

O objetivo é permitir a formulação de políticas públicas específicas para a juventude. Entre as mudanças promovidas pela emenda está a inclusão do termo “jovem” na parte em que se dá prioridade à criança e ao adolescente em direitos fundamentais, como à vida, à saúde, à alimentação, entre outros.


Fonte: G1/Eduardo Brescian

CAE deverá votar isenção para empresa que contratar jovens e pessoas com mais de 50 anos

Incentivos fiscais na contratação de pessoas acima de 50 anos poderia ser aprovada

Em sua reunião da próxima terça-feira (13), às 10 horas, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) deverá analisar a possibilidade de o governo conceder benefício fiscal para empresas que contratarem pessoas com 50 anos ou mais de idade, ou jovens entre 18 e 24 anos.

O relator dessa matéria, senador João Vicente Claudino (PTB-PI), adaptou seu parecer para acolher projeto do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), o PLS 220/00, e parte do PLS 185/03, do então senador Sibá Machado (AC).

O projeto de Sibá cria incentivo fiscal para microempresas e empresas de pequeno porte, inscritas no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), que contratarem jovens para o primeiro emprego. A proposta de Mozarildo incentiva com redução de imposto a contratação de trabalhadores a partir de 50 anos. As duas matérias tramitam em conjunto, a pedido do senador Romero Jucá (PMDB-RR).

João Vicente Claudino, em seu parecer, optou por aprovar o texto de Mozarildo, na forma de um substitutivo, e pela rejeição do projeto de Sibá Machado. Sua proposta permite aos empregadores deduzirem em dobro, até o limite de 6% do lucro operacional da empresa, as despesas com salários de empregados entre 18 e 24 anos ou com mais de 50 anos.

Para ter direito ao benefício, escreveu João Claudino em seu parecer, a empresa precisará comprovar não ter realizado demissões nos três meses anteriores a essas contratações. Ela também deverá manter controle em separado das despesas vinculadas a esse incentivo fiscal e respeitar a exigência de que essa dedução do IR não irá ultrapassar 15% de sua folha de pagamento. A matéria é terminativa na comissão.

Minas Gerais

Outra matéria incluída na pauta da CAE é o parecer do relator, senador Cícero Lucena (PSDB-PB), favorável à mensagem 203/10 através da qual o estado de Minas Gerais pede autorização para contratar empréstimo ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no valor de US$ 50 milhões. O dinheiro tem a finalidade de financiar parcialmente o Programa de Acesso ao Município (Proacesso II).

Fonte: Agência Senado/Roberto Homem

CCJ dificulta livramento condicional para quem comete crimes hediondos

O tempo de prisão do condenado por crimes hediondos poderá aumentar.

É o que prevê o projeto (PLS 249/05), que será analisado na próxima quarta-feira (14), a partir das 10h, em decisão terminativa, pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). A proposta aumenta de dois terços para quatro quintos o tempo mínimo de cumprimento da pena desses criminosos, em regime fechado, para terem direito ao livramento condicional.

O inciso V do artigo 83 do Código Penal determina que o juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado à pena privativa de liberdade igual ou superior a dois anos, desde que "cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza".

A legislação específica que dispõe sobre crimes hediondos (Lei 8.464/07) estabelece que o condenado cumpra inicialmente a pena em regime fechado, tendo depois direito ao livramento condicional. Essa redação alterou a Lei 8.072/90, que obrigava os condenados por crimes hediondos ao cumprimento integral da pena. Em 2006, o Supremo Tribunal Federal declarou esse dispositivo inconstitucional, por desrespeitar o princípio da "individualização da pena".

Em sua justificativa, o autor do projeto, senador Hélio Costa (PMDB-MG), classifica como "inadmissível que um homicida, depois de executar a vítima com requintes de crueldade, possa ganhar a liberdade ao cumprir apenas dois terços da pena". Hélio Costa apresentou o projeto em 2005, antes, portanto, da derrubada, pelo STF, de parte da Lei dos Crimes Hediondos, em 2006. A partir daí a hipótese de cumprimento integral obrigatório da pena para os condenados por crimes hediondos foi desconsiderada.

De todo modo, o projeto de Hélio Costa assegura o livramento condicional para esses detentos, mas somente depois do cumprimento mínimo de quatro quintos da pena. Por exemplo, se a pena for de 20 anos, o condenado terá de cumprir 16 anos, restando apenas os quatros anos finais para a progressão do regime. Pelas regras atuais, ele poderia ter direito a abrandar a pena depois de cumprir 13 anos e três meses, restando-lhe, portanto, seis anos e seis meses fora da prisão.

O relator da proposta, Demóstenes Torres (DEM-GO), apresentou relatório que recomenda a aprovação do projeto.

Fonte: Agência Senado/Laércio Franzon

Comissão da Câmara conclui votação sobre mudança no Código Florestal

Aldo Rebelo (PC do B-SP) diz que intenção é legalizar propriedades rurais. Líder do PV, Edson Duarte (BA), fala em retrocesso ambiental.

Reunião da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a reforma do Código Florestal, nesta terça-feira (6) (Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr)

A comissão especial que analisa mudanças no Código Florestal aprovou nesta terça-feira (6) o projeto que trata do tema mantendo o texto do relator, Aldo Rebelo (PC do B-SP). Os destaques foram rejeitados e o projeto está agora pronto para votação em plenário, mas isso deverá acontecer apenas após o período eleitoral.

Aldo afirma que seu relatório tem a intenção de regularizar a situação de 90% dos produtores rurais brasileiros, que estariam atualmente na ilegalidade. A idéia é fazer uma consolidação das áreas que já estão em uso na agricultura e proibir o desmatamento nos cinco anos posteriores à promulgação da lei.

O texto afirma que nas pequenas propriedades, com até quatro módulos rurais, não é preciso fazer a recomposição das áreas já desmatadas de sua reserva legal. Nas áreas maiores, a recomposição florestal tem que ser feita em áreas do mesmo bioma e no prazo de 20 anos.

Uma das polêmicas é que a pessoa que regularizar sua propriedade terá uma espécie de “anistia” das multas que sofreu por causa do desmatamento ou da não preservação da área de reserva legal.

Outra mudança feita por Aldo nessa semana flexibiliza a possibilidade de desmatamento de florestas que tenham autorização ou tenham licenciamento ambiental. Pelo relatório anterior, só poderia desmatar quem obteve essa permissão até 22 de julho de 2008. Com o novo texto, o desmatamento será permitido para quem conseguir a permissão até a promulgação da lei. O argumento de Aldo é que a data anterior poderia provocar “problemas jurídicos”.

Outro tema controverso é sobre a possibilidade de flexibilização do tamanho da área de preservação permanente na margem dos rios. Aldo retirou de seu texto a permissão de que os estados reduzam pela metade essa reserva. O relatório, no entanto, abre a possibilidade que algum órgão do Sistema Nacional de Meio Ambiente faça alterações no tamanho das áreas de preservação permanente. Entre os órgaõs do sistema existem conselhos estaduais.

Para críticos do projeto, as mudanças feitas pelo relator nos últimos dias não resolveram o problema. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) é um dos mais exaltados contra o projeto. Para ele, a proposta beneficia principalmente os grandes produtores e é um risco para o meio ambiente.


“Podemos estar cometendo aqui um grande retrocesso na questão ambiental. Estamos mudando aqui para atender a interesses pequenos, isolados. A questão ambiental é de todos”, protestou o líder do PV, Edson Duarte (BA).

A votação aconteceu depois de muito debate e sob forte obstrução dos parlamentares ligados à causa ambientalista. Eles tentaram de toda a forma adiar a votação, mas não conseguiram.

A sessão foi acompanhada por dezenas de militantes a favor e contra a mudança no código. A segurança foi reforçada na sala em que se realizou a reunião, mas mesmo assim manifestantes do Greenpeace conseguiram entrar na frente da mesa da presidência com faixas contra o relatório de Aldo.

Após a votação, defensores do código comemoraram gritando “Brasil” enquanto os adversários respondiam com o grito de “retrocesso”.


Fonte: G1/Eduardo Bresciani

Câmara dos EUA aprova versão final da reforma do sistema financeiro

A maior reforma na regulação do sistema financeiro norte-americano em décadas ganhou a aprovação final pela Câmara dos Deputados dos Estados Unidos nesta quarta-feira.

Por outro lado, não se espera que o Senado dê seu veredicto até meados de julho.

Após um ano de debates, a Câmara aprovou a legislação que prevê restringir a tomada de risco e investimentos por parte de bancos, definir um órgão para supervisionar companhias de cartão de crédito e hipotecas e aperfeiçoar o modo como o governo lida com firmas financeiras em falência.

Desenvolvido para evitar uma repetição da crise financeira entre 2007 e 2009, que arrastou a economia para uma profunda recessão, o projeto deve pressionar os lucros de bancos e potencialmente forçar mudanças estruturais em algumas das maiores instituições de Wall Street.

A reforma afeta todos os âmbitos do setor financeiro, pois inclui medidas de proteção ao consumidor, maior poder de supervisão ao Governo, regula pela primeira vez os mercados de derivados e limita a possibilidade dos bancos, como ocorreu em anos anteriores, arriscarem seus fundos.

A aprovação da lei, amplamente esperada, também deve somar-se à reforma do sistema de saúde e dar ao Partido Democrata uma importante vitória legislativa antes das eleições parlamentares em novembro.

Agência adverte sobre inconsistências da reforma financeira nos EUA

O presidente da agência de classificação de risco Standard & Poor's, Deven Sharma, advertiu nesta quarta-feira sobre as "inconsistências" da reforma financeira no Estados Unidos.

Ele afirmou ainda que para Wall Street recuperar a confiança é preciso regulação e transparência, mas também é necessário ter capital disponível.

"Acreditamos que é necessário aumentar a regulação do setor, a disciplina dos mercados, a concorrência e a transparência com que fazemos as coisas, porque isso aumenta a confiança dos investidores, mas é imprescindível que não se corte o capital", assegurou Sharma na primeira edição do Fórum de Nova York -- que estreia este ano em sua primeira edição na cidade.

A proposta do fórum é mediar um de debate similar ao que ocorre anualmente em Davos (Suíça), embora dedicado única e exclusivamente à economia.

As agências de classificação foram muito criticadas nos últimos anos por não terem sido capazes de prever a derrubada da dívida vinculada às hipotecas nos Estados Unidos, que foi a origem da crise financeira.

Fontes: FOLHA - REUTERS - Efe

Suprema Corte dos EUA estende direito de posse de armas a todo o país

A Suprema Corte decidiu que a maioria das garantias da Bill of Rights servem como um parâmetro para as legislações estaduais, locais e federais. 

A Suprema Corte dos Estados Unidos determinou nesta segunda-feira que a Segunda Emenda da Constituição, que determina "direito de manter e possuir armas", se aplica a todo o país e anulou a habilidade dos governos federal, estaduais e locais de limitar seu alcance.

Em uma votação apertada, com cinco a favor e quatro contra, a Corte determina que apenas restrições menos severas ao porte de armas devem sobreviver a questionamentos legais.

O juiz Samuel Alito disse em declaração que a Segunda Emenda "se aplica igualmente ao governo federal e aos Estados".

A votação foi marcada por divisões entre as linhas ideológicas dos juízes, mas obteve os cinco votos dos conservadores-moderados pró-porte de armas. Os quatro liberais se opuseram à medida.

Há dois anos, a Corte declarou que a Segunda Emenda protege o direito individual de porte de armas para propósitos de autodefesa na residência. Ela derrubou ainda a proibição de armas de pequeno calibre e a exigência de trava do gatilho para outras armas no Distrito de Colúmbia, uma cidade federal com um sistema legal único.

Ao mesmo tempo, a Corte teve o cuidado de não pôr em debate outros regulamentos de armas de fogo em outros locais.

Defensores do porte de armas quase imediatamente entraram com um processo federal contra as legislações do tema em Chicago e no seu subúrbio de Oak Park, onde as armas de fogo são banidas há quase 30 anos. O Centro Brady para Prevenção de Violência por Armas disse que esta legislação era a última a banir armas no país.

A Suprema Corte já disse que a maioria das garantias da Bill of Rights servem como um parâmetro para as legislações estaduais, locais e federais.

Fontes: FOLHA - AP

Congresso dos EUA alcança acordo sobre a reforma do sistema financeiro

Acordo deverá ser votado na terça e sancionado pelo presidente Obama. Texto busca, entre outras coisas, uma reestruturação em Wall Street

O Congresso americano anunciou nesta sexta-feira (25) ter alcançado um acordo para uma reforma financeira depois de um longo debate. O acordo deverá agora ser votado na terça-feira e sancionado pelo presidente Barack Obama. A medida, segundo ele, protegerá os consumidores e a economia de crises como a de 2008 e fortalecerá o sistema financeiro.

Depois de uma sessão de cerca de 20 horas, que se prolongou madrugada adentro, os delegados do Senado e da Câmara de Representantes chegaram a um acordo sobre a reforma financeira mais importante dos Estados Unidos desde a crise de 1929, que busca, entre outras coisas, uma reestruturação em Wall Street e uma transparência nas operações bancárias, para evitar outra crise financeira.

O projeto de lei, de 1.400 páginas, inclui grande parte das medidas propostas pelo Governo de Obama e representa uma grande reforma das normas financeiras do país, para tentar tapar as lacunas descobertas durante a grande crise financeira iniciada em 2008.

A reforma tem o objetivo de alterar a regulação do mercado hipotecário, das companhias financeiras e dos cartões de crédito, além de reforçar a supervisão bancária, para sanar os erros que levaram à crise.

Antes que Obama possa sancioná-la, a reforma ainda precisa ganhar a aprovação de ambas as câmaras do Congresso, dando a Wall Street uma última chance de organizar seu exército de lobistas no Capitólio. É esperada uma ação rápida do Parlamento, e a lei pode ir para assinatura de Obama até 4 de julho.

Congressistas conversam no intervalo de debates sobre a reforma financeira, em Washington, nesta quinta-feira (24) (Foto: Jonathan Ernst/Reuters)

Mas a lei ficou realmente mais rígida na jornada que já dura anos pelos corredores do Congresso norte-americano. Os democratas lideraram uma onda de irritação pública contra a indústria que se presenteava com bônus abundantes enquanto grande parte do país passava por dificuldades durante a profunda recessão causada por suas ações.

"Nós nos preocupamos sobre as grandes quantias de dinheiro. Eu me preocupo com as grandes quantias de dinheiro que têm influência corruptiva, mas é tranquilizador saber que quando a opinião pública está engajada, ela ganha", disse o deputado democrata Barney Frank, que presidiu o painel.

A reforma mais abrangente das leis financeiras desde os anos 1930 pretende evitar a repetição da crise financeira de 2007-2009, que iniciou a recessão econômica e levou a resgates de gigantes financeiros com dinheiro público. As instituições financeiras teriam de pagar US$ 19 bilhões para cobrir seus custos.

Os democratas correram para completar seu trabalho antes de Obama viajar nesta sexta-feira ao Canadá para a cúpula do G20. O presidente poderá falar sobre a reforma como modelo para outros países, que tentam coordenar seus esforços para a reforma.

A aprovação da lei, amplamente esperada, também deve somar-se à reforma do sistema de saúde e dar ao Partido Democrata uma importante vitória legislativa antes das eleições parlamentares em novembro.

Objetivos

Há pouco mais de um mês, Obama assegurou que a medida não tinha o objetivo de castigar os bancos, mas de proteger as pessoas de crises como a de 2008 e disse ainda que a medida discutida no Senado inclui "as maiores proteções" para o consumidor vistas até hoje.

Obama disse que, ao longo do processo, o setor financeiro tentou bloquear a medida por meio de grupos de pressão. "O setor financeiro e seus grupos de pressão seguirão lutando" para impor limites ao projeto de lei, disse o presidente.

O que pode mudar

O acordo foi alcançado depois que os legisladores firmaram compromissos sobre a controversa linguagem a respeito de derivativos; os novos limites para a capacidade dos bancos de investir em fundos de hedge e usar seu capital próprio para operações nos mercados; os contornos de uma nova agência de proteção ao consumidor; e a capacidade do governo para lidar com a falência de grandes instituições financeiras.

No fim, a chamada Regra Volcker mostrou ser uma questão menos controversa, após semanas de especulações sobre quais limites os legisladores iriam aprovar para os investimentos dos bancos em fundos de hedge.

A legislação mais ampla vai tratar de todos os aspectos da indústria de serviços financeiros, estabelecendo novas regras para empréstimos hipotecários, ditando o risco que os bancos podem reter em seus balanços financeiros quando concederem empréstimos e dando aos acionistas votos não obrigatórios sobre pagamentos a executivos e benefícios.

Mais poder para o FED

A legislação também vai dar mais poder ao Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) para supervisionar empresas financeiras grandes e complexas e vai se ajustar à criação do Conselho de Supervisão da Estabilidade Financeira, formado por órgãos reguladores financeiros federais.

Além disso, a legislação vai, pela primeira vez, dar aos órgãos reguladores a autoridade para confiscar a dividir grandes empresas financeiras que estejam perto de declarar falência. Isso vai estabelecer uma nova estrutura para desativar empresas que representem um risco para a economia.

Outras decisões incluem um aumento permanente no nível do seguro de depósito federal, uma exigência de que fundos de hedge e de private equity se registrem na Securities and Exchange Comission (SEC) e a criação de um novo Escritório de Seguro Federal dentro do Departamento do Tesouro.


Líderes empresariais dos EUA criticam reforma financeira de Obama

Líderes de algumas das companhias mais importantes do mundo criticaram hoje a reforma financeira promovida pelo Governo do presidente americano, Barack Obama, que, segundo eles, diminuirá a capacidade de inovação e de crescimento do país e o aproximará à situação vivida na Europa.

"Menos Governo e menos impostos", resumiu o magnata da comunicação Rupert Murdoch no primeiro Fórum de Nova York, similar ao realizado todos os anos em Davos, na Suíça, mas dedicado exclusivamente à economia internacional.

Nesta primeira edição, na qual todos os participantes ganharam um iPad de brinde, muitas reuniões se centraram na reforma financeira tramitada nos EUA e no temor do setor privado de que o aumento de regulação e de impostos tire o incentivo à criação de empresas e à inovação.

Murdoch, proprietário da News Corporation, disse que "Washington parece considerar necessário castigar os bancos de uma maneira que não tem a ver com as causas da crise. Reduzir seus lucros é provocar um absoluto caos. O Governo deve garantir que continuarão emprestando dinheiro".

Por sua parte, James Tisch, executivo-chefe da Loews, pediu "uma regulação que represente uma verdadeira solução, não uma solução desenhada por relações públicas".

Já um dos principais magnatas do setor imobiliário internacional, Jerry Speyer, afirmou que "um dos maiores perigos dos EUA é a regulação, porque fará com que as empresas vão embora para o exterior".

"É difícil acreditar que as pessoas que dirigem os grandes bancos de Wall Street não estejam pensando que poderiam fazer o mesmo trabalho da China, de Hong Kong ou de Cingapura", acrescentou o fundador da Tishman Speyer, empresa que controla o Rockefeller Center e o Chrysler Building, em Nova York.


Fontes: G1- Efe

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