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Yanukovich vence eleição na Ucrânia

Segundo três pesquisas de boca de urna, Viktor Yanukovich é novo presidente do país


O oposicionista Viktor Yanukovich venceu neste domingo (7) a eleição presidencial na Ucrânia/Reuters

O oposicionista pró-russo Viktor Yanukovich venceu neste domingo (7) a eleição presidencial na Ucrânia com 3% a 5% de vantagem sobre sua adversária Julia Timoshenko, segundo três pesquisas de boca de urna.

Yanukovich obteve 49,8% dos votos, contra 45,2% para Timoshenko, de acordo com o instituto GfK Ucrânia. Segundo a mesma pesquisa, 5% dos eleitores votaram "contra todos", uma opção prevista pela lei eleitoral do país.

De acordo com outras duas pesquisas, encomendadas por uma coalizão de institutos independentes, entre os quais a Fundação de Iniciativas Democráticas, e a companhia Savik Schuster Studios, Yanukovich venceu com 48,7% dos votos, contra 45,5% para Timoshenko.

Yanukovich, um "puro produto" do Leste da Ucrânia

Viktor Yanukovich, apontado pelas pesquisas como o vencedor da eleição presidencial deste domingo na Ucrânia, é um "puro produto" do Leste industrial, coletivista e pró-russo.

Yanukovich, de 54 anos, é um gigante de quase dois metros, gestos rígidos e linguagem pouco elaborada.

Ele fala pausadamente, com frases curtas, e comete gafes que fazem a alegria de seus adversários, como durante a campanha, quando chamou o dramaturgo russo Anton Tchekov de poeta ucraniano.


"Ele não gosta de falar, não fala muito bem, mas o país não precisa disso", minimizou uma de suas partidárias, a deputada e ex-jornalista Ganna German.

Nascido em 1950 em uma família operária de Donbass (leste) e órfão de mãe aos dois anos, Yanukovich teve uma infância difícil e uma juventude agitada. Também confessou que sonhava em sair da pobreza.

Ele foi condenado em 1968 e 1970 por roubo e agressões. Segundo sua biografia oficial, foram penas "infundadas", anuladas pela justiça soviética.

Depois de começar como um simples operário, subiu na profissão até chegar a diretor-geral de uma empresa de transporte.

Nomeado governador de Donetsk, uma rica região do país, em 1997, Yanukovich assumiu o governo ucraniano pela primeira vez em novembro de 2002, por indicação do então presidente, Leonid Kuchma.

O poderoso empresário local Rinat Akhmetov, que acabaria se tornando o homem mais rico da Ucrânia - é dono do clube de futebol Shakthar Donetsk -, parece ter desempenhado um papel crucial na repentina ascenção de Yanukovich.


"Akhmetov precisava de pessoas confiáveis no poder para proteger e desenvolver seus negócios, e usou de sua influência para que Yanukovich fosse nomeado governador", afirmou Sergui Garmach, redator-chefe do jornal on-line Ostrov.

Como na época soviética, política e indústria continuam muito presentes em Donbass, onde Yanukovich ainda é muito popular: ele reuniu 75% dos votos no primeiro turno da presidencial.

Paternalista e autoritário, Yanukovich lembra os dirigentes da época soviética, dois dos quais - Nikita Khrushchev e Leonid Brejnev - também nasceram no leste da Ucrânia.


"É um dirigente da velha guarda, um homem rígido, de convicções conservadoras", assinalou Yuri Iakymenko, analista do Razumkov, um centro internacional de estudos políticos e econômicos.

No entanto, com a ajuda de conselheiros americanos, Yanukovich modernizou sua imagem, insistindo nos valores democráticos e aprimorando seu inglês.

Grande derrotado na disputa eleitoral de novembro de 2004, Yanukovich deu a volta por cima e aproveitou a ampla desilusão com o governo "laranja", pró-ocidental.

Ele reassumiu o cargo de primeiro-ministro em 2006, aproveitando a incapacidade de união de seus inimigos, aliados pró-ocidentais da Revolução Laranja.

Para não repetir o erro de 2004, em que foi considerado o "candidato do Kremlin", ele passou a pregar uma política de equilíbrio entre a Rússia e a União Europeia.

Fontes: R7 - Reuters - AFP - UOL

Candidatos votam no 2º turno das presidenciais ucranianas

Disputa é entre Yanukovich, pró-Rússia, e a premiê Timoshenko, pró-UE.
Comissão eleitoral registra baixos índices de participação.

Teve início neste domingo (7) o segundo turno da eleição presidencial ucraniana, disputada pela primeira-ministra Yulia Timoshenko, e pelo opositor Viktor Yanukovich. Os dois já compareceram às suas respectivas seções eleitorais para votar.

Enquanto Timoshenko afirmou ter votado "por uma nova Ucrânia", seu adversário disse tê-lo feito "pela estabilidade" do país.

"Votei por uma nova Ucrânia, uma Ucrânia maravilhosa e europeia, onde o povo viverá feliz", disse Timoshenko após votar em sua cidade natal, Dnepropetrovsk. Acompanhada do marido, Olexandr, e da filha, Eugenia, a candidata à Presidência prometeu "servir à Ucrânia com toda a alma".

Mulheres protestam em Kiev, na Ucrânia, durante o segundo turno. (Foto: Sergei Supinsky/AFP)

Yanukovich, que emitiu seu voto em Kiev, disse que, além da estabilidade, luta "por uma Ucrânia forte". "Estou convencido de que o povo ucraniano merece uma vida melhor, por isso votei em mudanças boas, pela estabilidade e por uma Ucrânia forte", afirmou ao deixar o posto eleitoral.

Ao contrário da adversária, Yanukovich votou sem a companhia família e cercado de deputados de seu partido. O líder opositor venceu o primeiro turno com 35,32% de apoio, contra 24,36% de Timoshenko.

O atual presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, que já havia anunciado a intenção de não votar em nenhum dos dois candidatos, disse também hoje que o país "terá vergonha dessa eleição".

Nas primeiras horas de votação, verificou-se uma baixa participação. Segundo a comissão eleitoral local, verificou-se um comparecmento de apenas 13,67% até as 11 horas locais. Na parte oriental do país, habitada por uma população pró-Rússia, e que apoia Yanukovich, os índices de participação são bem elevados. O contrário ocorre na parte ocidental, onde Timoshenko é favorita.

O único incidente de destaque registrado até agora foi de um grupo de mulheres que tiraram a roupa em uma seção eleitoral pedindo boicote ao pleito.


Fontes: G1 - Efe

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