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Vaticano chama Saramago de "populista extremista" e "ideólogo antirreligioso"

Saramago provocou a ira do Vaticano e da Igreja Católica com sua obra "O Evangelho segundo Jesus Cristo" (1992)

O "L'Osservatore Romano", o jornal oficial do Vaticano, ataca duramente o escritor português José Saramago, que morreu na sexta-feira aos 87 anos na Espanha, chamando-o de "populista extremista" e de "ideólogo antirreligioso" em sua edição deste domingo.

Com o título "O grande (suposto) poder do narrador", o órgão oficial do Vaticano critica com virulência o Prêmio Nobel de Literatura, que era marxista e ateu.

O "L'Osservatore Romano" o definiu como"um ideólogo antirreligioso, um homem e um intelectual que não admitia metafísica alguma, aprisionado até o fim em sua confiança profunda no materialismo histórico, o marxismo".

O jornal considera ainda que o escritor "colocou-se com lucidez ao lado das ervas daninhas no trigal do Evangelho".

"Ele dizia que perdia o sono só de pensar nas Cruzadas ou na Inquisição, esquecendo-se dos gulags, das perseguições, dos genocídios e dos samizdat (relatos de dissidentes da época soviética) culturais e religiosos", indica ainda o jornal do Vaticano em seu editorial.

No editorial divulgado com antecedência, o "L'Osservatore Romano" considera Saramago "um populista extremista", que se referia "de forma muito cômoda" a "um Deus no qual jamais acreditou por se considerar todo-poderoso e onisciente".

Saramago provocou a ira do Vaticano e da Igreja Católica com sua obra "O Evangelho segundo Jesus Cristo" (1992) no qual considerava que Jesus perdeu a sua virgindade com Maria Madalena.

Ele suscitou novamente a cólera dos católicos em 2009 com "Caim", onde a personificação bíblica do mal, assassino de seu irmão Abel, é descrito como um ser humano nem melhor nem pior do que os outros, enquanto Deus é apresentado como injusto e invejoso.

Durante a apresentação desse livro, Saramago havia alimentado a polêmica, classificando a bíblia de "manual de maus costumes".



Comentário

A Igreja Católica tem razão em boa parte de suas declarações, contudo, há de se considerar não apenas as idéias de Saramago, mas também suas qualidades literárias e o que ele fez pela língua portuguesa.


Seria bom se a Igreja combatesse com a mesma dureza,as ações de sacerdotes católicos pedófilos.


Fontes: FOLHA - AFP

Velório de José Saramago começa em Portugal

Escritor morreu nesta sexta, aos 87 anos, em Lanzarote, na Espanha. Cerimônia deve se estender até o domingo, quando corpo será cremado.

De luto, parentes chegam para o velório/ Vitor Sorano

O funeral do escritor português José Saramago foi aberto ao público por volta das 16h em Lisboa (12h de Brasília). O primeiro-ministro português, José Sócrates, compareceu à cerimônia, e o presidente do país, Cavaco Silva, também deve prestar homenagem. Uma fila de fãs está formada em frente à Câmara Municipal de Lisboa, onde o autor está sendo velado.

O corpo de Saramago está no Salão Nobre da Câmara. Os familiares acompanham o velório. A mulher, Pilar do Rio, estava no local e saiu quando a maior parte da imprensa começou a chegar. Também estavam presentes o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (equivalente ao prefeito), António Costa, o escritor e ensaísta português Eduardo Lourenço e maestro português António Vitorino de Almeida

Como era esperado, não há signos religiosos no velório. Sobre o peito, Saramago tem um cravo, flor símbolo da revolução de 25 de abril de 1974, que derrubou a ditadura de António Salazar. Os fãs, uns poucos em lágrimas, passam em fila.

O corpo do escritor, morto nesta sexta-feira (19) aos 87 anos, chegou por volta das 14h40 locais deste sábado (19) (10h40 de Brasília) à Câmara Municipal de Lisboa, onde será velado até domingo (20) no salão nobre.

O caixão estava coberto por uma bandeira de Portugal. As cerca de 200 pessoas que aguardavam o momento aplaudiram quando ele foi levado para o interior do edifício.

 O funeral de Saramago/Vitor Sorano

A mulher de Saramago, a jornalista Pilar del Río, acompanhou o corpo do marido, junto com parentes e amigos. Estavam presentes o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (equivalente ao prefeito no Brasil), António Costa, os membros do Partido Comunista Português (do qual Saramago foi filiado) Jerónimo de Sousa e Ruben de Carvalho, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, além de outras autoridades.

O governo português decretou luto oficial de dois dias pela morte de Saramago. O prefeito de Lisboa, Antonio Costa, declarou que é um "orgulho para a cidade receber mais uma vez Saramago.


Fonte: G1/ Vitor Sorano

Corpo de José Saramago chega a Lisboa acompanhado por mulher e filha

Cerca de 200 pessoas aguardavam o caixão do Nobel de Literatura. Escritor morreu na véspera, aos 87 anos, em Lanzarote, na Espanha.

O escritor José Saramago e a sua mulher, Pilar Del Río; português morreu em sua casa nesta sexta-feira, aos 87 anos/Martínez de Cripán/EFE

O corpo do escritor português José Saramago, morto na véspera aos 87 anos, chegou por volta das 14h40 locais deste sábado (19) (10h40 de Brasília) à Câmara Municipal de Lisboa, onde será velado até domingo no salão nobre.

O caixão estava coberto por uma bandeira de Portugal. As cerca de 200 pessoas que aguardavam o momento aplaudiram quando ele foi levado para o interior do edifício.

Militares carregam caixão com corpo de José Saramago na chegada ao local do velório neste sábado (19) em Lisboa. (Foto: Vitor Sorano/Especial para o G1, em Lisboa)

A mulher de Saramago, a jornalista Pilar del Río, acompanhou o corpo do marido, junto com parentes e amigos. Estavam presentes o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (equivalente ao prefeito no Brasil), António Costa, os membros do Partido Comunista Português (do qual Saramago foi filiado) Jerónimo de Sousa e Ruben de Carvalho, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, além de outras autoridades.

O governo português decretou luto oficial de dois dias pela morte de Saramago. O prefeito de Lisboa, Antonio Costa, declarou que é um "orgulho para a cidade receber mais uma vez Saramago.

Ele lembrou em comunicado que Lisboa foi "uma causa que Saramago abraçou" quando presidiu a assembleia municipal em 1990 e assegurou que seu "legado é inestimável".

Faixa na Câmara de Lisboa (Foto: Vitor Sorano/G1)

O corpo de Saramago chegou ao aeroporto de Figo Maduro, nos arredores da capital, em um avião da Força Aérea Portuguesa.

O funeral está previsto para ir até a meia-noite. No domingo, a cerimônia será retomada às 9h e segue até as 11h. O público poderá entrar, mas a família pode decidir quando fechar as portas.

Depois, o corpo será cremado. Parte das cinzas deve ficar em Azinhaga do Ribatejo, onde o escritor nasceu e o restante deve seguir para Lanzarote, nas Ilhas Canárias, onde ele vivia com a esposa, a jornalista e tradutora Pilar del Río.

A Câmara de Lisboa ainda não tem estimativa de quantos visitantes deverão passar pelo funeral. Um policial estima o número em "milhares". A escritora Nélida Piñon, que está na Espanha, representará a Academia Brasileira de Letras na homenagem ao escritor.

Na sexta, o corpo de Saramago foi velado em uma biblioteca que leva o seu nome na cidade de Tías, em Lanzarote. O prefeito de Tías, José Juan Cruz, decretou três dias de luto pelo escritor de "Ensaio sobre a cegueira", que estava com 87 anos e sofria de leucemia e problemas respiratórios.

Expectativa é de um grande público para o velório do escritor José Saramago na capital portuguesa (Foto: Vitor Sorano Pereira/G1)

A igreja perde um crítico

José Saramago pelas lentes do fotógrafo Sebastião Salgado, que lamentou a perda:'Ele sempre foi um militante, comprometido com as causas sociais'

A notícia da morte de José Saramago repercutiu imediatamente em todo o mundo, inclusive entre representantes da Igreja Católica em Portugal, com quem o escritor mantinha uma relação conturbada por abordar de forma polêmica temas religiosos em obras como "O evangelho segundo Jesus Cristo", de 1991, e "Caim", seu romance mais recente, de 2009.

O diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Conferência Episcopal Portuguesa, Padre José Tolentino, e o porta-voz da conferência, Padre Manuel Morujão, disseram que o país perde um "expoente" e que a igreja perde um crítico com o qual soube dialogar constantemente. "Seja como for, o diálogo nunca foi cortado e sempre foi possível", disse padre Manuel Morujão, sobre o escritor, que se declarava um ateu.


"[Saramago] combatia as religiões com fúria, dizia que elas nos embaçam nossa visão. Mesmo assim não consigo deixar de pensar que adoraria que neste momento ele estivesse tendo que dar o braço a torcer ao ser surpreendido por algum outro tipo de vida depois desta que teve por aqui", declarou o cineasta brasileiro Fernando Meirelles, que adaptou "Ensaio sobre a cegueira" para o cinema em 2008.

Leucemia e problemas respiratórios

Segundo sua mulher, Saramago passou mal após tomar o café da manhã e recebeu auxílio médico, mas não resistiu e morreu. Ele sofria de leucemia e, nos últimos anos, havia sido hospitalizado em várias oportunidades devido a problemas respiratórios.

"Hoje, sexta-feira, 18 de junho, José Saramago faleceu às 12h30 horas [horário local] na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila", diz uma nota assinada pela Fundação José Saramago e publicada na página do escritor na internet.

O escritor vivia na ilha de Lanzarote, nas Canárias, desde 1993 com sua esposa, com quem se casou aos 63 anos.

Fontes: G1/ Vitor Sorano

Veja a repercussão da morte do escritor português José Saramago

Prêmio Nobel e autor de 'Ensaio sobre a cegueira' morreu aos 87 anos. 'Sua morte foi uma grande perda para a literatura mundial', diz Moacyr Scliar.

A morte do escritor português José Saramago, nesta sexta-feira (18), aos 87 anos, mexeu com colegas de profissão e admiradores famosos. O escritor Moacyr Scliar, membro da Academia Brasileira de Letras, foi um dos que prestou uma última homenagem ao Prêmio Nobel de Literatura.



Depoimentos

Moacyr Scliar, escritor:
"Eu recebi com muito pesar a notícia da morte do Saramago, de quem eu era leitor, admirador e colega na Academia Brasileira de Letras, local em que ele foi eleito membro correspondente mas não chegou a tomar posse. Fui muito amigo dele, convivi com ele quando ele visitou Porto Alegre. Sua morte foi uma grande perda para a literatura de lingua portuguesa e também para a literautura mundial."


Luiz Schwarcz, editor no Brasil e amigo de Saramago:
"No Brasil, o lançamento de 'Jangada de pedra' foi uma festa interminável. Filas enormes na livraria Timbre e a efusão de beijos e abraços no escritor fizeram-no exclamar, 'Luiz, esta gente quer me matar de amor'. Daí para frente, esse amor dos brasileiros por José Saramago só cresceu, suas visitas se tornaram mais frequentes, e vários dos últimos livros lhe ocorreram em viagens pelo país, nas quais estávamos juntos. (...) Agora só quero me despedir mais uma vez de José. Com as melhores lembranças, o amor, e minha saudade. Maldita palavra, tão portuguesa, que agora ficará associada ao meu amigo. Mas saudade não tem remédio, não é, José?" (texto integral aqui).

Zeferino Coelho, editor das obras de Saramago em Portugal:
“Saramago deixou um monumento literário imponente. Do ponto de vista de Portugal, podemos comparar sua obra com a de Fernando Pessoa. Saramago sempre teve linhas próprias. Não há diferença entre o Saramago escritor e o cidadão.”


Juca Ferreira, ministro da Cultura:
“A sua perda é recebida com muita tristeza, particularmente pelos que têm apreço pela língua portuguesa e por sua importância cultural em tantos continentes. O Ministério da Cultura do Brasil se soma aos que lamentam e manifestam a dor pela perda desse grande escritor.”

Fotógrafo Sebastião Salgado:
"O Saramago foi um amigo, uma pessoa que eu respeitava demais. Fizemos muitas coisas juntos, inclusive o livro 'Terra', que foi lançado no Brasil (...) Ele sempre foi um militante, um homem de esquerda, comprometido com todas as causas sociais, principalmente de Portugal e do Brasil. Sinto profundamente. É uma perda muito grande."


Nicole Witt, agente internacional de José Saramago nos últimos três anos:
"Para nós é uma notícia muito triste porque sentimos o Saramago muito próximo. Tanto por sua obra, como por sua orientação. Foi um amigo de muitos anos. De corpo ele estava bastante frágil, mas, ao mesmo tempo, tinha muita serenidade, sempre nas mãos de sua mulher Pillar.”


Sérgio Rodrigues, escritor:
"A língua portuguesa perde um grande mestre. É chato saber que, como vem ocorrendo há anos, muita gente voltará a se lembrar agora de Saramago apenas por suas posições políticas meio extemporâneas ou por simples oposição a Lobo Antunes, que seria este sim o verdadeiro bambambã, nesse Fla x Flu besta da literatura portuguesa. Em tempos midiáticos, é isso que dá audiência e permite a qualquer um entrar na conversa, conhecendo ou não a obra dele. Mas é chato porque Saramago é um escritor estupendo, dono de uma prosa bela e viciante e de uma voz narrativa só dele, situada a meio caminho entre o realista, o alegórico e o satírico, com algo de atemporalidade mítica. Incomparavelmente mais acessível que Lobo Antunes, é verdade - mas só os pedantes igualam acessibilidade a inferioridade estética."

Cecilia Giannetti, escritora:
Entrevistei Saramago em 2004 e guardo dessa conversa (...) duas frases dele que ainda me dizem muito (...): 'Eu não sou pessimista, o mundo é que é péssimo.' (...) 'Encaremos os fatos e decidamos que papel queremos desempenhar na tragédia do mundo'. Me pareceu um homem cansado de injustiças, sim, mas também da falta de iniciativa, ação de quem - indivíduo ou povo, como um todo - apenas se recolhe e vitimiza. 'Ensaio sobre a lucidez' é um excelente livro para nós, brasileiros, lermos em ano de eleições. Saramago se faz presente aqui."


João Paulo Cuenca, escritor:
"'O ano da morte de Ricardo Reis' é um dos melhores livros escritos na língua portuguesa. (....) Adoro também o último livro dele, 'Caim', por causa do vigor e do senso de humor. Imagino que agora, com a sua morte, esteja se repetindo a cena final do livro, com Saramago pedindo para Deus prestar contas."

Ivana Arruda Leite, escritora:
"Comecei por um livro de contos pouco conhecido chamado 'Objecto Quase'. Genial. Dentre os romances, o meu preferido é 'O Evangelho segundo Jesus Cristo', o relato mais apaixonante de Jesus Cristo já feito na literatura."


Arthur Dapieve, escritor e jornalista:
"Acho que a riqueza da prosa do Saramago de certa forma deu um novo status à língua portuguesa. O Nobel foi apenas um reconhecimento a isso. Nosso idioma ainda é muito subestimado, claro, mas ele foi fundamental para ao menos o português sair do ostracismo. Além disso, ele estabeleceu novos desafios para quem quer que se disponha a escrever bem no nosso idioma."


Fábio Fernandes, escritor e tradutor:
"Dizer que Saramago foi um dos maiores escritores da língua portuguesa vai ser, claro, a frase-clichê do ano. Porque é verdade. Mas as provas estão aí, para quem tiver olhos de ler: "Ensaio sobre a cegueira", "História do cerco de Lisboa", "A jangada de pedra", "Memorial do convento"... a lista é imensa, e certamente cada um terá seu favorito. Eu tenho vários. Hoje mesmo vou tirar um livro de Saramago da estante e reler. Se as lágrimas deixarem."


Cassiano Elek Machado, editor:
"Questionei-o em uma entrevista sobre a questão da morte, da idade, ele me falou uma frase sobre a velhice, em 2005. ‘Pela idade, há muito tempo que sou um velho. Mas só pela idade. Trabalho com a mesma vontade de sempre, a imaginação ainda não desertou de mim, compreendo melhor o mundo em que vivo, sou consciente do valor da vida, e, quanto à morte, ela chegará no seu dia, nem antes nem depois. Quem morre aos 20 anos, morre na sua velhice e não o sabia. Pense

Veja repercussão da morte de Saramago na imprensa internacional

A imprensa internacional noticia nesta sexta-feira (18) a morte do escritor português José Saramago. Os jornais porugueses 'Correio da manhã' e 'Diário de notícias' trazem a biografia do autor de 'Ensaio sobre a cegueira' em suas capas de sites. O espanhol 'El País' também deu destaque para o fato, dizendo que a obra do Saramago foi marcada pela união de preocupação social e com uma exigencia estética.

O site do jornal português 'Publico' destacou a morte do escritor nesta sexta (18) (Foto: Reprodução/Publico)

O jornal americano 'New York Times' destaca o estilo "austero e seco" do português, "que descrevia a globalização como o novo totalitarismo e lamentava a impotência da nova democracia para evitar que as coorporações internacionais ganhassem mais poderes".

Os sites dos jornais ingleses 'Daily Mail', "Guardian' e 'Independent' não deram nenhum destaque para morte do escritor. Os franceses 'Le Monde' e 'Le Figaro' também não noticiaram o tema em suas capas de sites.

O diário italiano 'Corriere della Sera' destacou em seu site a morte do escritor português; no título: 'Adeus a Saramago, o escritor incômodo' (Foto: Reprodução / Corriere della Sera)

O site do jornal 'El País' trazia na manhã desta sexta a notícia da morte de Saramago na capa (Foto: Reprodução/El País)

Veja também:



Fontes: G1 - TV Globo - Agências

Saramago estreou na literatura em 1947 e foi reconhecido nos anos 1980

Escritor português ganhou o Nobel de Literatura em 1998. Consciente da idade, ele produziu com frequência nos últimos anos.

Prêmio Nobel de Literatura de 1998, o português José Saramago, morto nesta quinta-feira aos 87 anos, nasceu em 16 de novembro de 1922, na pequena aldeia portuguesa de Azinhaga, no Ribatejo.

Sua família, de origem humilde, mudou-se para Lisboa, capital de Portugal, quando ele tinha dois anos. Mas ele nunca romperia os laços com a cidade natal.

Aluno brilhante, ele teve de abandonar o ensino secundário por causa da falta de recursos de seus pais Antes de se dedicar plenamente à literatura, ele foi serralheiro, mecânico, editor e jornalista.

Ele publicou seu primeiro romance, "Terra do pecado", em 1947. Em 1969, sob a ditadura salazarista, ele filiou-se ao Partido Comunista português.

Depois de 47, ele ficou quase 20 anos sem publicar, argumentando que "não tinha nada a dizer".

Entre 1966 e 1975, publicou poesia, apesar de depois ter dito mais tarde que se considerava apenas um "bom poeta". Em 1977, publicou o romance "Manual de pintura e caligrafia".

Mas o reconhecimento mundial só chegou com "Memorial do convento", de 1982, a que se seguiu "O ano da morte de Ricardo Reis", dois anos depois.

Seu romance "O Evangelho segundo Jesus Cristo", de 1991, provocou polêmica com a Igreja Católica e foi proibido em Portugal em 1992.

Um ano depois disso, ele decidiu se mudar para a ilha de Lanzarote, no arquipélago espanhol das Canárias, onde ficou até morrer, sempre acompanhado pela sua segunda mulher, a jornalista e tradutora espanhola Pilar del Río.

Em 1995, ganhou o Prêmio Camões pelo conjunto da obra e publicou "Ensaio sobre a cegueira", que ganharia versão cinematográfica, dirigida pelo brasileiro Fernando Meirelles, em 2008.

O escritor português, durante visita ao Brasil, em 2008 (Foto: Mauricio Lima)

Em 1998, ele ganhou o Nobel de Literatura. Na justificativa da premiação, a academia afirmou que o português criou uma obra em que, "mediante parábolas sustentadas com imaginação, compaixão e ironia, nos permite captar uma realidade fugitiva".

Nos últimos anos, ele produziu com frequência, consciente de sua idade avançada e de que "tinha ainda algo a dizer".

Seu último romance foi "Caim", de 2009.

Ele planejava um romance sobre a indústria armamentista e o fato de que este setor da economia não tem greves, como disse em entrevistas no lançamento de "Caim", em novembro de 2009.

Mais Informações

O escritor português José Saramago morreu aos 87 anos em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, nesta sexta-feira (18). A informação foi divulgada pela família do escritor de "Ensaio sobre a cegueira" e confirmada em seu site oficial.

"Hoje, sexta-feira, 18 de junho, José Saramago faleceu às 12h30 horas [horário local] na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila", diz uma nota assinada pela Fundação José Saramago e publicada na página do escritor na internet.

O autor de "O evangelho segundo Jesus Cristo" e "Ensaio sobre a cegueira" vivia em Lanzarote desde 1993 com sua esposa, a jornalista Pilar del Río. Nos últimos anos foi hospitalizado em várias oportunidades, principalmente devido a problemas respiratórios.

Expoente da literatura mundial

O escritor português era um dos maiores nomes da literatura contemporânea e vencedor de um prêmio Nobel de Literatura no ano de 1998 e de um prêmio Camões - a mais importante condecoração da língua portuguesa.

Entre seus livros mais conhecidos estão "Memorial do convento", "O ano da morte de Ricardo Reis", "O Evangelho segundo Jesus Cristo", "A jangada de pedra" e "A viagem do elefante". O mais recente romance publicado pelo escritor foi "Caim", de 2009. Seu estilo de escrita era caracterizado pelos parágrafos muito longos e escassez de pontuações.

"Ensaio sobre a cegueira", que conta a história de uma epidemia branca que cega as pessoas, metáfora da cegueira social, foi levado às telas em um produção hollywoodiana filmada pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles (de "Cidade de Deus") em 2008. O autor, normalmente avesso a adaptações de suas obras, aprovou o trabalho de Meirelles.

Saramago era considerado como o criador de um dos universos literários mais pessoais e sólidos do século XX e uniu a atividade de escritor com a de homem crítico da sociedade, denunciando injustiças e se pronunciando sobre conflitos políticos de sua época. Em 1997, escreveu a introdução para o livro de fotos "Terra", em que o fotógrafo Sebastião Salgado retratava a rotina do movimento dos sem-terra no Brasil.

Biografia

Prêmio Nobel de Literatura de 1998, o português José Saramago nasceu em 16 de novembro de 1922, na pequena aldeia portuguesa de Azinhaga, no Ribatejo, região central do país. José de Sousa era conhecido pelo apelido de sua família paterna, Saramago, que o funcionário do Registro Civil acrescentou após seu nascimento.

Sua família mudou-se para Lisboa quando José tinha dois anos. Aluno brilhante, ele teve de abandonar o ensino secundário aos 12 anos, por causa da falta de recursos de seus pais.

Ateu, cético e pessimista, Saramago sempre teve atuação política marcante e levantava a voz contra as injustiças, a religião constituída e os grandes poderes econômicos, que ele via como grandes doenças de seu tempo.

"Estamos afundados na merda do mundo e não se pode ser otimista. O otimista, ou é estúpido, ou insensível ou milionário", disse em dezembro de 2008, durante apresentação em Madri de "As Pequenas Memórias", obra em que recorda sua infância entre os 5 e 14 anos.

Saramago: romance 'O Evangelho segundo Jesus Cristo' gerou polêmica com Igreja Católica. (Foto: AFP)

Filiado ao Partido Comunista português

Autodescrito como um "comunista libertário", ele também provocou polêmica ao chamar a Bíblia de "manual de maus costumes". Ao longo de seis décadas de carreira literária, publicou cerca de 30 obras, entre romances, poesia, ensaios, memórias e teatro.

Saramago publicou seu primeiro romance, "Terra do pecado", em 1947. Em 1969, sob a ditadura salazarista, ele filiou-se ao Partido Comunista português. Depois de 47, ele ficou quase 20 anos sem publicar, argumentando que "não tinha nada a dizer". Na época, teve empregos públicos e trabalhou como editor e jornalista.

Entre 1966 e 1975, publicou poesia: "Os Poemas Possíveis", "Provavelmente alegria" e "O ano de 1993". Em 1977, publicou o romance "Manual de pintura e caligrafia". Depois, vieram os contos de "Objeto quase" (1978) e a peça "A noite" (1979).

Mas o reconhecimento mundial só chegou com "Memorial do convento", de 1982, a que se seguiu "O ano da morte de Ricardo Reis", dois anos depois. Os dois romances receberam o prêmio do PEN Clube Português.

Nobel e Camões ao desafeto da Igreja

Seu romance "O Evangelho segundo Jesus Cristo", de 1991, provocou polêmica com a Igreja Católica e foi proibido em Portugal em 1992.

O romance mostrava um Jesus humano, com dúvidas, fraquezas e conversando com um Deus cruel. Em um dos episódios, Jesus perdia sua virgindade com Maria Madalena.

Um ano depois disso, ele decidiu se mudar para a ilha de Lanzarote, no arquipélago espanhol das Canárias, onde ficou até morrer, sempre acompanhado pela sua segunda mulher, a jornalista e tradutora espanhola Pilar del Río.


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Em 1995, ganhou o Prêmio Camões pelo conjunto da obra e publicou "Ensaio sobre a cegueira", que ganharia versão cinematográfica, dirigida pelo brasileiro Fernando Meirelles, em 2008.

Em 1998, ele ganhou o Nobel de Literatura. Na justificativa da premiação, a academia afirmou que o português criou uma obra em que, "mediante parábolas sustentadas com imaginação, compaixão e ironia, nos permite captar uma realidade fugitiva".

Seu último romance foi "Caim", de 2009, também bastante criticado pela Igreja Católica por conta de sua visão pouco ortodoxa do Velho Testamento.


Fontes: G1 - Agências

Morre, aos 87, o escritor português José Saramago

Autor de 'Ensaio sobre a cegueira' morreu nesta sexta nas Ilhas Canárias. Informação foi passada à agência de notícias EFE pela família do escritor

O autor José Saramago, morto aos 87 anos nesta sexta-feira (18), em foto novembro de 2009 (Foto: AFP)

O escritor português José Saramago morreu aos 87 anos em sua casa em Lanzarota, nas Ilhas Canárias, nesta sexta-feira (18).

A informação foi passada à agência de notícias EFE pela família do escritor de "Ensaio sobre a cegueira".

O escritor português era um dos maiores nomes da literatura contemporânea e vencedor de um prêmio Nobel de Literatura.

O autor era tido como o criador de um dos universos literários mais pessoais e sólidos do século XX e uniu a atividade de escritor com a de homem crítico da sociedade, denunciando injustiças e se pronunciando sobre conflitos políticos de sua época.

Entre seus livros mais conhecidos estão "O evangelho segundo Jesus Cristo", "A balsa de pedra" e "A viagem do elefante".

"Ensaio sobre a cegueira" foi recentemente filmado pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles (de "Cidade de Deus").

Em 2008, uma exposição sobre o trabalho de Saramago foi exibida no Brasil. "José Saramago: a consistência dos sonhos" trazia cerca de 500 documentos originais e outros tantos digitalizados, reunidos em um formato que, misturando o tradicional e a tecnologia moderna, levavam o visitante a uma agradável e rara viagem pela vida e pela obra do escritor português.

Veja, abaixo, uma lista de romances escritos por Saramago

"Terra do pecado", de 1947
"Manual de pintura e caligrafia", de 1977
"Levantado do chão", de 1980
"Memorial do convento", de 1982
"O ano da morte de Ricardo Reis", de 1984
"A jangada de pedra", de 1986
"História do cerco de Lisboa", de 1989
"O Evangelho segundo Jesus Cristo", de 1991
"Ensaio sobre a cegueira", de 1995
"Todos os nomes", de 1997
"A caverna", de 2000
"O homem duplicado", de 2002
"Ensaio sobre a lucidez", de 2004
"As intermitências da morte", de 2005
"A viagem do elefante", de 2008
"Caim", de 2009

A morte de Saramago foi confirmada à imprensa portuguesa pelo seu editor, Zeferino Coelho. "Aconteceu há pouco", disse em entrevista à emissora de televisão RTP. "Estava doente há algum tempo, às vezes melhor outras vezes pior."


Fontes da família confirmaram a agências internacionais que Saramago estava em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, onde morava há vários anos.

A morte ocorreu por volta das 13h no horário local (8h de Brasília), quando o escritor estava em casa, acompanhado da mulher e tradutora, Pilar del Río, informa a agência "Efe".

José Saramago havia passado uma noite tranquila. Após o desjejum de costume e de ter conversado com a mulher, começou a sentir-se mal e pouco depois morreu.


Fontes: G1- Efe - TV Globo - FOLHA

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