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Canadá encontra navio que explorou Ártico há 157 anos

Encontrados os restos do navio HMS Investigator, desparecido em 1853

O Canadá anunciou nesta quarta-feira (28) a descoberta de destroços de um navio britânico desaparecido há 157 anos no Ártico e que teve um papel maior na história da exploração desta região do país, no século 19.

Trata-se dos restos do HMS Investigator, navio que havia sido enviado por Londres em 1850, para tentar encontrar a equipe do explorador Sir John Franklin, desaparecido alguns anos antes nesta mesma região.

As partes do Investigator foram localizadas domingo com a ajuda de um sonar, declarou à imprensa um funcionário do serviço de parques nacionais canadenses, Marc-André Bernier.

Ilustração de 1851 mostra o navio britânico de exploração do Ártico HMS Investigator, achado pelo Canadá/AP

Os restos estão a 11 metros de profundidade numa baía da ilha de Banks, a oeste do arquipélago Ártico, perto do local onde a tripulação abandonou o navio em 1853, após passar três invernos presa no gelo, explicou Bernier, encarregado da arqueologia submarina a serviço dos parques.

"É verdadeiramente um drama humano, uma história de sobrevivência incrível, e podemos imaginar as esperanças e o desepero desta tripulação até ser socorrida pelo HMS Resolute [outro navio britânico]", disse ele, por telefone, a partir do local da descoberta, em Mercy Bay, norte da ilha Banks, a 75 graus de latitude norte.

"O navio foi o primeiro a navegar no último trecho da passagem Noroeste", via marítima procurada durante séculos, de ligação do Atlântico ao Pacífico pelo norte, informou Bernier.

Fonte: FOLHA - AFP

Descendentes de confederados celebram em SP o fim da Guerra Civil dos EUA

Festa em Santa Bárbara d’Oeste tem cenário do sul dos EUA do século XIX. Saiba como alguns americanos vieram ao Brasil pós-Guerra da Secessão.


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Mapa localiza as cidades de Americana e Santa Bárbara d'Oeste/Google Maps

Senhores trajando uniformes típicos dos veteranos da Guerra de Secessão americana conversam numa roda, alguns em inglês com forte sotaque sulista, enquanto moças vestidas como a personagem Scarlett O’hara (a protagonista do clássico filme ‘...E o Vento Levou’) dançam a square dance (espécie de quadrilha americana) ao som de jazz, country ou folk tocados por uma banda.

Ali perto, barracas ornadas com as cores da bandeira americana vendem hambúrgueres e hot dogs. Todo o cenário remete a uma típica festa do sul dos Estados Unidos, não estivessem os personagens a apenas 130 quilômetros de São Paulo, entre as cidades de Americana e Santa Bárbara d’Oeste.

Mulheres dançam na festa confederada de 2009. (Foto: Divulgação)

É na região paulista que se concentra uma das maiores e organizadas comunidades de norte-americanos no Brasil, muitos descendentes diretos dos primeiros imigrantes que desembarcaram por aqui no final do século XIX. A “Festa Confederada” (ou “Confederate Party”) teve este ano, sua 24ª edição e lembra também os145 anos do fim do conflito.

Mas por que comemorar o fim de uma guerra considerada uma das mais sangrentas da história americana, que deixou mais de 600 mil mortos e arrasou com a economia do sul dos Estados Unidos?

Participantes da festa posam a caráter e com a bandeira confederada. (Foto: Divulgação)


“O Cemitério do Campo virou um lugar marcante que evoca lembranças da história dessas famílias, que saíram de uma situação dramática e vieram para o Brasil. Marca a experiência histórica dessas pessoas, um lugar de revitalização de laços e da própria vida da comunidade”, diz o antropólogo John Dawsey, um dos organizadores da coletânea de artigos “Americans: Imigrantes do Velho Sul no Brasil” (Ed. Unimep, 2005), cuja história familiar está ligada à imigração americano no Brasil.

No cemitério fundado em 1868, local da festa, estão enterrados os primeiros imigrantes, tratados como heróis nas homenagens em inglês nas lápides. “Fizemos a festa para poder manter o cemitério. Com isso, a gente cobre esse custo e também faz a confraternização dos descendentes”, conta Nancy Padoveze, membro da Fraternidade Descendência Americana, que realiza o evento.

O cemitério que serve de palco para a festa. (Foto: Divulgação)

Tetraneta do coronel William Hutchinson Norris, considerado pela fraternidade o pioneiro da colônia paulista, ela conta que até hoje só são enterrados no campo os descendentes diretos dos confederados. Mais que uma atitude discriminatória, trata-se de uma reparação histórica: na época dos primeiros imigrantes, os cemitérios católicos brasileiros se recusavam a enterrar os protestantes americanos mortos.

“Não se sabe o que pesou mais: se o fato de serem protestantes ou de serem da maçonaria, mas o cemitério começou no local onde foi fundada a primeira igreja batista do Brasil, que está na terceira construção devido ao solo ruim”, conta Nancy Padoveze (o sobrenome é herdado do marido italiano).

Dança durante a edição da festa em 2009. (Foto: Divulgação)

Nascido na Georgia, o coronel Norris chegou a ser senador pelo Texas antes que os exércitos do industrializado norte dos EUA devastassem econômica e militarmente os estados confederados do sul latifundiário, na guerra entre 1861 e 1865. Veio para o Brasil, segundo a fraternidade, graças ao contato que tinha com a maçonaria (da qual o imperador Dom Pedro II fazia parte) e do interesse brasileiro nas técnicas agrícolas sulistas, principalmente o cultivo do algodão.

“O que nossos antepassados contavam é que a região de Santa Bárbara, principalmente, tem um clima e uma terra muito parecidos com o sul dos Estados Unidos. Este foi o motivo para escolher essa região. Os americanos então trouxeram o algodão e o arado.Os italianos vieram e desenvolveram o arado. Em seguida, chegaram os alemães e montaram as fábricas de tecido. E assim Americana se tornou esse grande pólo têxtil”, afirma a tetraneta do pioneiro.

Além das técnicas então desenvolvidas de agricultura, os descendentes dos confederados orgulham-se do sistema americano de educação - considerado modelo pelo governo brasileiro - que deu origem a escolas americanas até hoje em atividade no país, como a Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), o Mackenzie, na capital, e o Benedict, no Rio, entre outras. Isso sem falar nos descendentes renomados, como a cantora Rita Lee e a ministra do Supremo Ellen Gracie Northfleet.

Boa parte desta história está exposta no Museu da Imigração, em Santa Bárbara d’Oeste, que tem no acervo desde documentos históricos até as primeiras máquinas para o arado trazidas pelos americanos e utensílios domésticos considerados modernos para os padrões do império brasileiro, como moedores de café.


“É interessante ver como nos Estados Unidos o sul ficou associado com as forças do atraso, enquanto que no Brasil [os sulistas] foram associados ao progresso”, diz o antropólogo John Dawsey. Segundo ele, americanos que vão à festa paulista se assustam ao ver a bandeira dixie confederada - nos EUA ainda associada a escravidão e racismo.

Para dona Nancy, responsável pelas apresentações artísticas da Festa Confederada, graças à integração cultural, o evento acabou ganhando sabores brasileiros. “A gente tenta fazer o típico, mas o típico, típico americano mesmo é complicado. Então a gente abrasileirou um pouco algumas coisas para agradar o público. Temos churrasco, hambúrguer, cachorro quente, frango frito. Mas o sabor é bem brasileiro”, diz, rindo.

Garotas vestidas 'à Scarlett O'Hara posam na festa de 2009. (Foto: Divulgação)


Fonte: G1/Amauri Arrais

Arqueólogos acham pinturas mais antigas dos apóstolos de Jesus

Arqueólogos e restauradores de arte usando nova tecnologia a laser descobriram o que acreditam ser as pinturas mais antigas dos rostos dos apóstolos de Jesus Cristo.

As imagens, encontradas em um trecho das catacumbas de Santa Tecla, perto da Basílica de São Pedro, do lado de fora das muralhas da Roma antiga, foram pintadas no fim do século 4º ou início do século 5º.

Arqueólogos acreditam que essas imagens podem estar entre as que mais influenciaram os retratos feitos por artistas posteriores dos mais importantes entre os primeiros seguidores de Cristo.


Afrescos em catacumba na Itália contêm as mais antigas imagens conhecidas dos apóstolos de Jesus/Tony Gentile /Reuters


"São as primeiras imagens que conhecemos dos rostos desses quatro apóstolos", disse o professor Fabrizio Bisconti, diretor de arqueologia das catacumbas de Roma, que pertencem ao Vaticano e são administradas por ele.

Os afrescos eram conhecidos, mas seus detalhes vieram à tona durante um projeto de restauração iniciado dois anos atrás e cujos resultados foram anunciados nesta terça-feira (22) em coletiva de imprensa.

Os ícones de rosto inteiro incluem as faces de São Pedro, Santo André e São João, que fizeram parte dos 12 apóstolos originais de Jesus, e São Paulo, que se tornou apóstolo após a morte de Cristo.

As pinturas possuem as mesmas características de imagens posteriores, como a testa enrugada e alongada, a cabeça calva e a barbicha pontuda de São Paulo, o que indica que podem ter sido as imagens nas quais os retratos posteriores se basearam.

Os quatro círculos, com cerca de 50 centímetros de diâmetro, estão no teto do local do sepultamento subterrâneo de uma mulher nobre que se acredita que tenha se convertido ao cristianismo no fim do mesmo século em que o imperador Constantino legalizou a religião.

Bisconti explicou que as pinturas mais antigas dos apóstolos os mostram em grupo, com rostos menores cujos detalhes são difíceis de distinguir.

"Trata-se de uma descoberta muito importante na história das comunidades cristãs primitivas de Roma", disse Bisconti.

CIRURGIA A LASER

Os afrescos dentro do túmulo, medindo cerca de 2 metros por 2 metros, estavam recobertos de uma pátina espessa de carbonato de cálcio pulverizado, provocada pela umidade extrema e a ausência de circulação de ar.

"Fizemos análises extensas e demoradas antes de decidir qual técnica empregar", disse Barbara Mazzei, que chefiou o projeto. Ela explicou como usou um laser como 'bisturi ótico' para fazer o carbonato de cálcio cair sem prejudicar a tinta.

"O laser criou uma espécie de miniexplosão de vapor quando interagiu com o carbonato de cálcio, levando este a se destacar da superfície."

O resultado foi a clareza espantosa das imagens, antes opacas e sem nitidez.

As rugas na testa de São Paulo, por exemplo, estão nítidas, e a brancura da barba de São Pedro ressurgiu.

"Foi uma descoberta de forte impacto emocional", disse Mazzei.

Outras cenas da Bíblia, como a de Jesus convocando Lázaro a levantar-se dos mortos ou Abraão preparando-se para sacrificar seu filho, Isaac, também ficaram muito mais claras e nítidas.


"No que diz respeito a pinturas no interior de catacumbas, estamos acostumados a ver pinturas muito pálidas, geralmente brancas, com poucas cores. No caso das catacumbas de Santa Tecla, a grande surpresa foram as cores extraordinárias. Quanto mais avançamos, mais surpresas encontramos", disse Mazzei.

Situado num labirinto de catacumbas sob um prédio moderno, o túmulo ainda não está aberto ao público devido às obras que continuam, à dificuldade de acesso e ao espaço limitado. Bisconti disse que as novas descobertas serão abertas por enquanto apenas à visitação de especialistas.

Fontes: FOLHA - REUTERS

Morre aos 97 anos o último sobrevivente de fuga de campo nazista na Polônia

Jack Harrison foi um dos três que conseguiu escapar do campo Stalag Luft III em 1944

Jack Harrison, um escocês considerado o último sobrevivente da façanha que inspirou o filme Fugindo do Inferno (1963), morreu nesta segunda-feira, 7, aos 97 anos em Renfrewshire, na Escócia, informou a imprensa britânica.

Harrison foi um dos participantes da fuga do campo de concentração nazista Stalag Luft III, situado em uma floresta da cidade polonesa Zagan, em março de 1944 e que em 1963 inspirou o filme dirigido por John Sturges e protagonizado por Steve McQueen (foto abaixo).




O escocês era professor de latim em Sutherland, na Escócia, quando foi recrutado pela força aérea britânica para ser piloto na Segunda Guerra Mundial.

Sua primeira missão, em novembro de 1942, era bombardear navios destinados a transferir abastecimentos de um porto holandês à Alemanha, mas seu avião caiu devido aos disparos inimigos e Harrison foi enviado a um campo de concentração.

Na noite de 24 de março de 1944, cerca de 200 prisioneiros do campo protagonizaram uma grande fuga através de um túnel.

Espírito de equipe: Jack, a direita, e amigos durante a Segunda Guerra Mundial

Harrison ainda estava em seu barraco, esperando sua vez de sair pelo túnel, quando a fuga foi percebida pelos soldados que vigiavam o campo.

O veterano teve que queimar sua documentação e trocar sua roupa pela de um engenheiro da companhia Siemens, para se tornar um dos 76 homens que conseguiram escapar e um dos três que conseguiram completar a fuga e chegar sãos e salvos no Reino Unido.

Após a guerra, Harrison voltou a Glasgow e retomou a carreira de professor. Ele passou seus últimos anos em uma casa para ex-militares.

Fonte: EFE via Estadão - Fotos: The Sun / Mail Online via Notícias Sobre Aviação

Livro defende que Hitler não se suicidou, mas fugiu para a Argentina

 Adolf Hitler não se matou. Fugiu para Espanha e depois para a Argentina. 

É essa a tese de um novo livro, publicado pelo jornalista Abel Basti (foto), que divulga o que diz ser um documento secreto alemão.

“O Exílio de Hitler” (El exilio de Hitler), assim se chama o livro, mostra um documento onde o nome de Hitler aparece como um dos passageiros do voo Áustria-Barcelona a 26 de Abril de 1945.

A história oficial diz que Hitler se recusou a fugir de Berlim quando perdeu a II Guerra Mundial, suicidando-se, juntamente com Eva Braun, num bunker. Isso teria ocorrido em 30 de Abril de 1945. No entanto, os corpos do casal nunca foram encontrados, dando origem a várias especulações.

Abel Basti defende que esta história foi inventada para proteger Hitler, que era visto como uma peça fundamental na luta contra o comunismo do pós-guerra. “Não tenho dúvidas de que, quando acabou a II Guerra Mundial, Hitler fugiu da Alemanha debaixo de um escudo protetor por parte de setores de poder anglo-norte-americano”, disse o jornalista citado pelo site do “El Mundo”.

Para Basti, o grande segredo da fuga de Hitler foi a chegada de um de seus sósias ao bunker na noite de 22 de abril de 1945.


"Naquele dia o Hitler real voou do Aeroporto Hörsching, próximo a cide de Linz, na Áustria, com oito pessoas, incluindo Eva Braun". O autor salienta a coincidência desta versão com o testemunho de Heinrich Müller, chefe da Gestapo, durante um interrogatório realizado pela CIA.

O jornalista argentino alega que Hitler e sua comitiva passaram quatro dias na Áustria e se refere a um fato ocorrido em Linz - que considera uma espécie de "pagamento de imunidade" -, que foi o abandono de um trem repleto de ouro roubado da Hungria pelos nazistas.


"Mais do que uma coincidência impressionante, dá a impressão de que se tratava de uma entrega previamente acertada", ressalta.

Como Müller, que revelou à CIA que o Führer tinha fugido para Espanha, Abel Basti afirma que Hitler foi para Barcelona em 26 de Abril.

Werner Baumbach
Nesse sentido, foi publicado em seu livro uma comunicação secreta oficial no sentido de que Hitler lidera a lista de passageiros de um avião que viajou do Aeroporto Hörsching para Barcelona, pilotado por Werner Baumbach (foto), que morreu na Argentina em 1953.

"A presença de Hitler na Espanha me foi confirmada por um velho padre jesuíta, cuja família era amiga do líder nazista. E eu tenho testemunhas que fazem alusão às reuniões que Hitler teve com sua comitiva em uma pousada chamada 'Las Quebrantas', na Cantábria (no norte de Espanha)", diz.

O livro inclui também um documento do serviço secreto britânico que revela que um comboio de submarinos nazistas partiram da Espanha dias depois e, após uma escala técnica nas ilhas Canárias, ele continuou sua viagem até o sul da Argentina, com a concordância do Estados Unidos.

"Em uma desses submarinos iam Hitler e Eva Braun", enfatiza Basti, convencido de que o casal desembarcou na Patagônia, entre julho e agosto de 1945, sob a proteção do então presidente da Argentina, Edelmiro Farrell, e de seu Ministro da Guerra, Juan Domingo Perón.


"A fuga de Hitler foi um sucesso. Desta forma, eles puderam salvaguardar dos comunistas o dinheiro e o pessoal nazista. Depois de executada a fuga, enquanto todo tipo de conjecturas sobre o seu destino eram feitas, o Führer já podia dormir tranquilo em um remoto país da América do Sul chamado Argentina", conclui.

Fontes: Carlos Werd (EFE) via EPA / i-online (Portugal) -  Notícias Sobre Aviação -  Fotos: Wikipédia / EFE -

Geneticistas vão verificar se os ´´pashtuns´´ são parte das tribos perdidas de Israel

Em busca das tribos perdidas de Israel

Dois geneticistas tentarão identificar pela primeira vez se o principal grupo étnico que forma o grupo islâmico Taleban, os pashtuns, tem "origens bíblicas" e se seus membros são possíveis descendentes de uma das tribos perdidas de Israel.

O israelense Karl Skorecki e a indiana Shahnaz Ali tentarão descobrir se existe algum vínculo entre os pashtuns e a tribo bíblica de Efraim, informou nesta terça-feira (12) o jornal "Yedioth Ahronoth".

Essa tribo era uma das dez que formavam o reino de Israel, conquistado pelos assírios por volta do ano 722 a.C. e cujos habitantes foram deportados por toda a região.

Antigas crenças indicam que algumas dessas tribos chegaram até a Índia, onde conservaram suas tradições durante centenas de anos, mas acabaram integrados à cultura local.

Por sua vez, os pashtuns, povo que vive no leste e no sul do Afeganistão e em diversas áreas do Paquistão, surgiram da região de Uttar Pradesh, no noroeste da Índia, não longe de onde supostamente foram assentados os israelitas deportados.

Entre os pashtuns existem lendas que remontam sua origem ao Egito faraônico, ao sustentar que são descendentes de egípcios que fugiram com Moisés e se integraram entre os israelitas.


Familiares, convidados e religiosos durante o ritual "Nikah", cerimônia de noivado pashtun, no Afeganistão

Parceria acadêmica

Para confirmar a possível relação, Ali comparará as provas genéticas que conseguiu no noroeste da Índia com as do israelense Skorecki, subdiretor do Hospital Rambam de Haifa e o maior especialista mundial em genética judaica.

Trata-se do primeiro estudo científico para tentar confirmar ou rejeitar as lendas e tradições mediante a busca de concordâncias genéticas.

A investigação, pedida pelo Ministério Israelense de Assuntos Exteriores, durará de três meses a um ano.

Uma funcionária do hospital Rambam confirmou à Agência Efe a chegada de Ali, mas não forneceu mais informações sobre a investigação porque o diretor da equipe, Skorecki, está no exterior.

Reconhecimento de tribo

Em 2005, o Rabinato de Israel reconheceu a origem judaica de outra tribo de origem indiana, Lu-Shi, que se concentra em uma região próxima a Uttar Pradesh.

Seu nome significa literalmente "Dez Tribos", e o Rabinato considerou, com base em provas científicas, culturais e religiosas, que seus membros são os descendentes da tribo de Menashe --também conhecido como Manassés--, o irmão de Efraim.

Os dois seriam os únicos descendentes de José, filho favorito do patriarca Jacó, neto por sua vez de Abraão e que deu dupla herança territorial na Terra Prometida.

Sem que exista nenhuma prova, o estreito parentesco entre as duas tribos poderia explicar em princípio a proximidade geográfica que seus descendentes acabaram elegendo para o exílio, ao contrário das outras oito tribos das quais nunca mais se soube notícia.

A Lu-Shi, uma tribo com entre 750 mil a 1,2 milhão de pessoas radicadas nas regiões de Mizoram e Manipur (nordeste da Índia), foi descoberta em 1979 por um rabino que se surpreendeu com seus rituais judeus.

Entre estes rituais destaca o direito de uma viúva sem filhos exigir do irmão de seu marido morto que lhe dê descendentes.

Além disso, possuem uma bênção coletiva que declara: "Nós, os filhos de Menashe, ainda levamos o legado".

Graças à decisão do Rabinato, mais de 1 mil dos agora chamados "Filhos de Menashe" foram amparados nos últimos anos pela Lei do Retorno ao Estado de Israel, em processo de nacionalização automática habilitada no início para judeus e seus descendentes até a terceira geração.

Fonte: FOLHA - Agências

Trabalhadores das pirâmides 'não eram escravos', dizem arqueólogos

Túmulos descobertos ao lado do de faraó seriam de homens livres.



Cientistas apresentaram no Egito tumbas cuja localização, próxima das principais pirâmides, reforça a teoria de que esses grandes monumentos foram construídos por trabalhadores livres, e não por escravos.

Os túmulos, construídos cerca de 4,5 mil anos atrás, contêm os restos mortais dos trabalhadores que morreram enquanto levantavam as pirâmides de Quéops e Quéfren.

"Essas tumbas foram construídas ao lado da pirâmide do faraó, o que indica que essas pessoas não eram, de forma alguma, escravos", disse o arqueólogo que chefiou os trabalhos de escavação, Zahi Hawass.

"Se fossem escravos, eles não poderiam ter construído suas tumbas ao lado da do faraó."

Ele disse que a descoberta "pode ser a mais importante do século 21" em relação à civilização egípcia.

Os túmulos são feitos de argila seca, semelhante a outras covas descobertas em 1990, e datam das 4ª e 5ª dinastia (2649-2374 AC).

Tradicionalmente, as autoridades do Egito refutam a teoria de que as pirâmides foram construídas por escravos, alegando que essa hipótese - um "mito", em suas palavras - ignora as habilidades necessárias na construção e a sofisticação da civilização egípcia.

Evidências colhidas no sítio arqueológico indicam que 21 vacas e 23 cordeiros eram enviados diariamente para alimentar cerca de 10 mil pessoas que trabalharam na construção das pirâmides.

Segundo Hawass, é possível que os fornecedores da carne, fazendeiros no Delta do Rio Nilo e no sul do Egito, não estivessem pagando impostos ao governo, e sim fazendo parceiras com o governo nesses grandes projetos nacionais da época.

Novas tumbas recontam história das pirâmides do Egito

O Egito colocou em exposição, hoje, tumbas recém descobertas que pertenciam a trabalhadores da construção das pirâmides de Gizé. As tumbas, com mais de 4 mil anos, sugerem que essas grandes obras foram levantadas por trabalhadores livres ao invés de escravos, como os historiadores acreditavam.

A série de poços de 2,7 metros de profundidade revelou 12 esqueletos perfeitamente conservados pela areia seca do deserto, além de jarros que continham cerveja e pão para a vida após a morte dos trabalhadores.

As tumbas feitas de tijolos de barro foram descobertas na semana passada, na parte de trás das pirâmides de Gizé, além do local de sepultamento descoberto nos anos 1990. Elas pertencem à 4ª Dinastia (2.575 a.C a 2.467 a.C), quando as grandes pirâmides foram construídas nas extremidades da capital atual do país, Cairo.

Histórica recontada

O historiador grego Heródoto descreveu os construtores das pirâmides como escravos, criando o que os egiptólogos dizem ser um mito que mais tarde foi propagado pelos filmes de Hollywood. Tumbas dos construtores das pirâmides foram descobertas na área nos anos 1990, quando um turista a cavalo tropeçou numa parede que era uma tumba.

O arqueólogo chefe do Egito, Zahi Hawass, disse que a descoberta e as tumbas encontradas na semana passada mostram que os trabalhadores eram assalariados e não os escravos da imaginação popular.

Hawass disse aos jornalistas que o local da descoberta, divulgado ontem lança mais luzes sobre o estilo de vida e as origens dos construtores das pirâmides. Segundo ele, os trabalhadores não eram recrutados dentre os escravos, comuns no Egito durante a época dos faraós.

O arqueólogo chefe disse que os construtores eram provenientes da famílias egípcias pobres do norte e do sul e que eram respeitados por seu trabalho. Tanto que, aos mortos durante a construção, foi concedida a honra de ser enterrados em tumbas perto das sagradas pirâmides dos faraós.

A proximidade com as pirâmides e a forma como seus corpos foram preparados para a vida após a morte dá suporte a esta teoria, disse Hawass. "De forma alguma eles seriam enterrados com tantas honras se fossem escravos", afirmou.

As tumbas não continham objetos de ouro ou de valor, o que as protegeu de arrombadores de tumbas durante a antiguidade. Os esqueletos foram encontrados em posição fetal, a cabeça apontando para o oeste e os pés para o leste, de acordo com as antigas crenças egípcias, cercados por jarros que continham suprimentos para a vida após a morte.

Os homens que construíram a única das maravilhas dos mundo antigo a sobreviverem até os dias de hoje comiam carne regularmente e trabalhavam em turnos de três meses, disse Hawass. Foram necessários 10 mil trabalhadores e mais de 30 anos para construir uma única pirâmide, afirmou Hawass, um décimo da força de trabalho de 100 mil que Heródoto descreveu após visitar as pirâmides por volta de 450 a.C.

Hawass disse que as evidências locais indicam que aproximadamente 10 mil trabalhadores das pirâmides consumiam 21 bois e 23 ovelhas, que eram enviadas diariamente para eles.

Embora não fossem escravos, os construtores das pirâmides tinham uma vida de trabalho duro, afirmou Adel Okasha, supervisor das escavações. Seus esqueletos têm sinais de artrite e as vértebras inferiores indicam uma vida passada com dificuldade. "Seus ossos nos contam a história de como eles trabalhavam duro", disse Okasha.

Fontes: O ESTADO - BBC

Navio afundado durante Segunda Guerra é encontrado

Embarcação funcionava como hospital até ser bombardeada pelos japoneses

Submarino robô de pesquisadores americanos e australianos achou a embarcação a mais de 2.000 m de profundidade na costa da Austrália. O Centauro foi bombardeado em 1943 por militares japoneses e 268 pessoas morreram no naufrágio.




Fonte: R7

Morre embaixador dos EUA no Brasil na época do golpe de 64

O diplomata e acadêmico americano Lincoln Gordon, embaixador dos Estados Unidos no Brasil entre 1961 e 1966, morreu no último sábado, aos 96 anos de idade, em uma casa de repouso perto de Washington.



Gordon (em foto de 1970) morreu em uma casa de repouso perto de Washington

Durante os primeiros anos do regime militar, Gordon e o governo americano mantiveram uma relação próxima com as autoridades no poder no Brasil, mas o embaixador sempre negou as acusações de que teria ajudado a promover o golpe de 1964, que derrubou o então presidente João Goulart.

Apesar disso, o diplomata admitiu em 1976 que o governo americano do presidente Lyndon Johnson - que assumiu o poder em 1963, após o assassinato de John F. Kennedy - chegou a se preparar para uma intervenção militar com o objetivo de impedir que um governo de esquerda assumisse o poder no Brasil.

No documento "Um Plano de Contingência para o Brasil", datado de 11 de dezembro de 1963 e liberado para consulta pelo governo americano apenas em 2007, Gordon e o então secretário-executivo do Departamento de Estado americano, Benjamin Head, analisavam os possíveis cenários que poderiam surgir a partir da crise política que atingia o Brasil na época.

Uma das possibilidades previstas pelo texto era a de que João Goulart fosse afastado do poder "por forças construtivas" e que houvesse no Brasil uma "tomada militar interina". O documento sugeria que, caso isso ocorresse, o governo americano deveria adotar uma "atitude construtiva e amistosa" em relação aos militares.

Dias antes do golpe militar, em março de 1964, Gordon também enviou ao governo americano um telegrama em que pedia que fossem adotadas "o quanto antes medidas para preparar um fornecimento clandestino de armas que não sejam de origem americana para os que apoiam Castello Branco em São Paulo".

"Deveríamos também nos preparar sem demora para a eventualidade de uma intervenção aberta que se faça necessária em uma segunda fase, e também para a possibilidade de ação soviética de apoio ao lado de inclinação comunista", dizia o telegrama do embaixador.

Vida acadêmica

Economista com doutorado na Universidade de Oxford, Lincoln Gordon foi professor de negócios e assuntos internacionais na Universidade de Harvard por muitos anos.

Já como funcionário do governo americano, Gordon trabalhou em Paris e Londres como administrador do Plano Marshall para a recuperação da Europa depois da Segunda Guerra Mundial.

Depois de atuar como embaixador americano no Brasil, voltou para a vida acadêmica e foi presidente da Universidade Johns Hopkins de 1967 a 1971 - período tumultuado pelos protestos de estudantes e professores contra o envolvimento americano no Vietnã.

Lincoln Gordon também escreveu diversos livros sobre o governo americano, economia, energia e segurança nacional, política externa na Europa e na América Latina e sobre o Brasil.

Em A Segunda Chance do Brasil - A Caminho do Primeiro Mundo (2001), o diplomata e acadêmico apresenta sua visão sobre os motivos que levaram o Brasil a não se tornar uma potência mundial no início dos anos 1960.

Fonte: BBC

União Soviética guardou parte do corpo de Hitler, diz autoridade russa

KGB destruiu restos mortais de Hitler.

Os restos mortais do ditador nazista Adolf Hitler foram destruídos por ordem dos dirigentes soviéticos, mas foram preservados fragmentos do crânio e da mandíbula, afirmou nesta segunda-feira o Serviço Federal de Segurança russo (FSB, ex-KGB).

Yuri Jristoforov, chefe do Arquivo do FSB, detalhou que em 13 de março de 1970, o então presidente da KGB, Yuri Andropov, pediu ao Politburo comunista autorização para destruir os restos de Hitler e de outras pessoas sepultadas em 21 de fevereiro de 1946, em local secreto em uma base militar soviética na Alemanha.

Nesse lugar, no número 36 da rua Westendstrasse da cidade de Magdeburgo, estavam enterrados os restos de Hitler, de sua mulher Eva Braun, assim como do ministro de Propaganda nazista Joseph Goebbels e a família deste.

Após serem encontrados pelas tropas soviéticas em maio de 1945 e estudados pelos serviços secretos, os restos de Hitler, Braun e os Goebbels tinham permanecido provisoriamente enterrados desde junho daquele ano em uma floresta próxima da cidade alemã de Rathenow.

O plano de Andropov era de "exumar e destruir os restos dos criminosos de guerra" enterrados em Magdeburgo para evitar que no caso da divulgação de sua localização, se transformasse em lugar de peregrinação dos fanáticos de Hitler.

A exumação e destruição dos restos ocorreram em 4 de abril de 1970 por uma equipe operacional do departamento da KGB do Grupo de Tropas Soviéticas da então Alemanha do Leste, disse o general Jristoforov à agência de notícias russa Interfax.

"A destruição dos restos foi realizada por meio de uma incineração em uma fogueira em um descampado próximo da cidade de Schönebeck, a 11 quilômetros de Magdeburgo. Os restos queimados com o carvão foram esmiuçados até o estado de cinzas, que foram recolhidas e jogadas no rio Biederitz", conforme o ato oficial.

O general russo confirmou que no Arquivo do FSB estão guardados parte da mandíbula de Hitler e no Arquivo estatal da Rússia permanecem fragmentos do crânio do "führer".

"À parte dos materiais, recolhidos em maio de 1945, não existem outros fragmentos do corpo de Hitler, pelo menos não há nenhuma informação a respeito. Tudo o que restava de Hitler foi queimado em 1970", ressaltou o historiador.

Segundo Jristoforov, "estes materiais são únicos em seu gênero e não têm comparação. São os únicos testemunhos documentários filmes da morte de Hitler, e por isso se guardam no Arquivo central do FSB como mostras de especial importância".

Questionado sobre as dúvidas de cientistas americanos da Universidade de Connecticut que questionam a autenticidade dos restos russos de Hitler, o historiador ressaltou que aqueles jamais tinham pedido para investigar as mostras do FSB.

"Investigadores norte-americanos não apresentaram nenhuma solicitação com relação ao Arquivo central do FSB".

Ele disse ainda que, no final de 2002, o FSB deixou a produtora americana Hoggard Films filmar os documentos sobre a morte de Hitler para um documentário.

Com o mesmo fim, acrescentou, o FSB permitiu a um médico legista americano investigar o material ósseo a um, quem chegou à conclusão de que os fragmentos da mandíbula guardados em Moscou realmente pertenceram a Hitler.

Os supostos cadáveres queimados de Hitler e de Eva Braun foram encontrados por agentes do serviço de contra-espionagem soviético em 5 de maio de 1945 perto da Chancelaria do Terceiro Reich em Berlim, onde se encontrava o bunker do "führer".


fontes: FOLHA - Efe

Após 20 anos da queda do Muro, divisões persistem na Alemanha

20 anos após a reunificação

Milhares de alemães tomam conta do Muro de Berlim após anúncio de sua queda/Barbara Klemm-10nov.89/Divulgação

O governo alemão preparou uma grande celebração para o dia 9 de novembro, data que marca os 20 anos da queda do Muro de Berlim --considerado o marco reunificação do país após 40 anos dividido em um regime capitalista --ao oeste-- e um regime socialista--ao leste.

As diferenças entre as duas metades alemãs, contudo, ainda são visíveis na economia, nas relações e até mesmo na paisagem marcada, de um lado, pela reconstrução, e, de outro, pelos prédios destruídos pela Segunda Guerra (1939-1945), que levou à divisão do país.

"Embora mais amenas, as diferenças ainda são visíveis. O PIB [Produto Interno Bruto] é muito maior no ocidente, a imigração é maior do leste para o oeste", cita o historiador Jürgen Kocka, presidente do Centro de Pesquisa em Ciência Social em Berlim.

Cinzas de última sobrevivente do Titanic são jogadas no mar

As cinzas de Millvina Dean, última sobrevivente do naufrágio do Titanic, foram jogadas neste sábado ao mar no porto de Southampton (Inglaterra), de onde zarpou o lendário transatlântico antes do acidente.

Millvina, que morreu em 31 de maio, era apenas um bebê de nove semanas de vida quando o Titanic afundou após colidir com um iceberg no meio do Atlântico, em 15 de abril de 1912.

As cinzas foram jogadas pelo companheiro de Millvina Dean, Bruno Nordmanis, que estava junto de amigos e familiares.

Millvina foi uma dos 706 sobreviventes do naufrágio, que deixou 1.517 pessoas mortas, entre eles seu pai. A família Dean viajava para os Estados Unidos para recomeçar a vida e abrir uma loja de tabaco.

Depois da tragédia, a família voltou a Southampton, onde Millvina passou praticamente o resto de sua vida.

Fonte: FOLHA

Encontrada única foto da primeira expedição ao Pólo Sul

A fotografia será cedida nas próximas semanas à Noruega, que em 2011 celebrará o centenário do feito


Foto: Divulgação/ Biblioteca Nacional de Australia

Einstein : Há 100 anos, Einstein apresentava sua teoria da relatividade

Teoria da Relatividade faz 100 anos

Cem anos atrás, no dia 21 de setembro de 1909 --que se completam exatamente nesta segunda-feira--, o jovem Albert Einstein apresentou pela primeira vez em público, em Salzburgo (oeste da Áustria), sua revolucionária teoria da relatividade, que havia sido publicada em 1905.

Seu estudo, que inaugurou uma nova era nas ciências exatas, foi recebido friamente por seus colegas na época.

O físico Albert Einstein, em foto de 1955; há cem anos, o cientista apresentou pela primeira vez em público sua teoria da relatividade

A célebre fórmula E=Mc² --significando que a energia é igual à massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado-- não causou muito impacto nos pesquisadores das ciências naturais que estavam reunidos no ginásio da escola Andrae, onde acontecia a reunião científica.

Após a intervenção de Einstein, que havia discorrido detalhadamente sobre a natureza da matéria e da radiação, o físico alemão Max Planck, um dos mais respeitados da época, deu início a uma animada discussão em meio à plateia de futuros ganhadores do Prêmio Nobel.

Planck conhecia o trabalho de Einstein --que viria, ele mesmo, a ganhar um Nobel em 1921--, pois havia analisado sua teoria, na época da publicação, há quatro anos, em Berlim.

Apesar das discussões, Einstein, que então contava apenas 30 anos e participava de seu primeiro congresso, permaneceu à margem do reconhecimento internacional.

Naquele tempo, o jovem cientista trabalhava em um escritório de patentes em Berna, capital suíça, onde acabara de ser nomeado professor. Pouco depois, foi chamado para dar aulas em Zurique, também na Suíça, de onde voltou para Berlim para continuar seus estudos. Em 1933, imigrou para os Estados Unidos para escapar da perseguição nazista.

Fonte: FOLHA - France Presse

Rússia, China e Brasil defenderam moeda global em cúpula do G8


China, Rússia e Brasil usaram a cúpula do G8 desta semana na Itália para defender sua visão de que o mundo precisa começar a procurar uma nova moeda de reserva global como alternativa ao dólar.

A Rússia, membro do G8,o Brasil --potência emergente que, como China e Índia, é integrante do G5-- repetiram os pedidos da China para que um debate sobre a moeda global seja abraçado por líderes mundiais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que está bastante interessado em explorar "a possibilidade de novas relações comerciais não dependentes do dólar" e a Índia também se colocou aberta à discussão.

Alemanha, França e Canadá, no entanto, descartaram um debate detalhado sobre moeda global na cúpula. Uma fonte do gabinete do presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que o G8 "não é de maneira geral o fórum... para discussão das taxas de câmbio".

O ministro de Finanças da Alemanha, Peer Steinbrueck, afirmou na segunda-feira que o dólar tende a continuar como moeda de reserva global, mas que o iuan e o euro devem ganhar importância aos poucos.

O debate é bastante delicado nos mercados financeiros, que se preocupam com os valores de ativos norte-americanos. China e outros países, apesar de insistirem na discussão, agem com cautela para não derrubar o dólar e Lula disse que a moeda será vital "por décadas".

A China, que detém até 70 por cento de suas reservas de 1,95 trilhão de dólares em moeda norte-americana, ressalta que o dólar ainda é a mais importante moeda de reserva.

Mas o país acredita que uma confiança exagerada no dólar potencializou a crise financeira e vê o Direito Especial de Saque (SDR, na sigla em inglês) do Fundo Monetário Internacional (FMI), baseado em uma cesta de moedas, como alternativa viável para o futuro.

G8 PEDE AÇÃO SOBRE POBREZA

Com uma Itália ávida por evitar a repetição do tumulto e da brutalidade policial que marcou a reunião do G8 no país em 2001, a segurança era intensa na cidade de L'Aquila, recentemente atingida por um terremoto, onde líderes globais serão hospedados em uma escola de treinamento da polícia.

A polícia prendeu cinco franceses encontrados com instrumentos nocivos em seus veículos e pequenos grupos manifestantes que entraram em conflito com a polícia perto de Roma.

"Nós queremos mais uma vez nos mostrar contrários ao que o G8 representa", disse uma estudante que se identificou como Maria Teresa.

O papa Bento 16 divulgou uma carta para coincider com o encontro do G8, pedindo que os líderes criem regras duras para o sistema financeiro.

Na encíclica, ele clamou por "uma autoridade política mundial verdadeira... para administrar a economia global" e evitar mais "abuso" do livre mercado.

Com nove líderes da África participando da cúpula, os Estados Unidos podem prometer de 3 bilhões a 4 bilhões de dólares para o desenvolvimento agrícola de países pobres. O país quer o apoio de parceiros para que esse comprometimento chegue a 15 bilhões de dólares, de acordo com comunicado preliminar do G8.

Veja como o dólar se tornou a moeda de referência mundial

O dólar passou a ser referência em todo o mundo ainda na primeira metade do século XX, quando o padrão-ouro, adotado até então, fracassou. Até o início da Primeira Guerra Mundial, as instituições financeiras de cada país adotavam uma taxa fixa para suas moedas em relação ao outro. As negociações comerciais eram feitas respeitando esse preço fixo, impedindo que alguns países mexessem em sua taxa de câmbio para aumentar suas exportações e reverter déficits comerciais, e, assim, garantindo a estabilidade da economia.

"Qualquer desequilíbrio nas economias deveria ser revertido com política monetária (aumento ou queda de juros) ou fiscal (alterações de impostos), e não através do câmbio", explica o professor de História Econômica da FEA-USP, Renato Colistete. Nos anos em que esse padrão vigorou, os países mantinham grande parte de suas reservas internacionais em ouro.

Com o início da Primeira Guerra, em 1914, o padrão-ouro caiu, refletindo os grandes desequilíbrios causados por ela nas economias ao redor do mundo. Começou, então, um difícil período de transição. "Houve um período de transição sofrido, doloroso, complexo, muito conflituoso entre a Primeira Guerra até a Segunda Guerra, quando começa a gestão novo padrão monetário", diz Colistete.

As discussões sobre o novo modelo começaram ainda durante a Segunda Guerra Mundial, e consolidou-se, nesse período, a visão de que a melhor estratégia seria algo similar à adotada durante o padrão-ouro, com uma taxa de câmbio fixa, baseada em uma moeda forte. "A moeda seria obviamente do país que fosse considerado capaz de ser o regente da orquestra, naquela época, os Estados Unidos", afirma.

Ainda em meio ao conflito mundial, 730 delegados de 44 países se reuniram em julho de 1944 em Bretton Woods, nos Estados Unidos, para definir uma nova ordem econômica mundial, que ajudaria a restabelecer o capitalismo mundial. Os líderes partiram de duas propostas iniciais, uma norte-americana, do oficial do Tesouro dos Estados Unidos Harry White, e uma britânica, do conhecido economista John Keynes.

Mais abrangente, segundo Colistete, a proposta de Keynes tinha como centro criação do International Clearing Union (ICU), que teria o papel de gerar e regular o crédito com o objetivo de evitar flutuações econômicas muito grandes, como ocorreram no período entre as guerras. Além disso, seria criada uma nova unidade monetária, o bancor.

A proposta de White mantinha a vinculação do câmbio com o ouro, mas o dólar seria a única moeda com valor diretamente fixado em ouro (US$ 35 por onça de ouro). A partir daí, todos os outros países teriam um valor fixo para a sua moeda frente à divisa norte-americana.

As ideias norte-americanas acabaram prevalecendo, devido à importância dos Estados Unidos no cenário pós-guerra. "A economia americana se fortaleceu pela guerra, se beneficiou das encomendas. A rigor, foi aí que os Estados Unidos saíram da Grande Depressão", afirma o historiador.

Além disso, as conclusões de Bretton Woods incluíam a criação do Fundo Monetário Internacional (FMI), que administraria o sistema de pagamentos internacional e determinaria as cotações das moedas de outros países frente ao dólar. A cota de participação de cada país no fundo dependia de seu poder econômico, o que fez com que os Estados Unidos tivesse, naquela época, e até hoje, grande parcela do poder decisório.

Um outro órgão de supervisão, o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (International Bank for Reconstruction and Development, ou Bird), hoje conhecido como Banco Mundial, também foi criado na conferência de Bretton Woods.

O fim do acordo

Esse regime de câmbio fixo vinculado ao dólar que, por sua vez, era ligado ao ouro, durou até o início da década de 1970, quando alguns países como Canadá, Inglaterra e Japão começam uma onda de fuga dessa paridade.

Um dos problemas do sistema de Bretton Woods, de acordo com Colistete, era que ele era dependente da situação econômica dos Estados Unidos. Após a Segunda Guerra, houve uma escassez grande de dólares no mundo, e os países precisavam da moeda para adquirir os principais produtos que gostariam de importar, que eram norte-americanos. Para gerar dólar, os países precisavam gerar receitas com exportações para os Estados Unidos.

Com a recuperação mundial, os países começam a ter superávits crescentes com os EUA, o que significa uma inundação de dólares no mundo. Isso acaba fazendo com que a moeda perca seu poder de se tornar um meio de pagamento internacional confiável.

"Os agentes começaram a apostar na possibilidade de que o dólar pudesse ser desvalorizado, porque os EUA estavam com um déficit tão grande que seria fatal que tivessem que corrigi-lo desvalorizando a moeda no futuro. Desvalorizar o dólar significava o fim do regime de câmbio fixo. Já nos anos 60 a situação era potencialmente explosiva e ela degringola completamente nos anos 70", explica o professor da USP.

Em 1971, o presidente norte-americano Richard Nixon rompeu unilateralmente o acordo, sob pressão internacional. Com o Choque do Petróleo, em 1973, o sistema de Bretton Woods é deixado oficialmente de lado, e passa a vigorar o regime de câmbio flutuante que conhecemos hoje.

A partir daí o mercado, a intervenção do governo e os interesses diante de suas contas externas, são quem determinam a cotação das moedas frente ao dólar. "Se o país está com déficit comercial, a tendência é que eles adotem políticas mais agressivas para desvalorizar suas moedas, para exportar mais e corrigir esse déficit. Começa a haver uma situação de disputa potencial entre os países para corrigir seu desequilíbrios comerciais e no balanço de pagamentos por meio da desvalorização da moeda, que era exatamente o que se procurava evitar antes", diz Colistete.

Fonte: Estadão / Giuliana Vallone

Imortalizado por Eça de Queiroz e Byron, hotel luso completa 245 anos

Imortalizado pela literatura de Lorde Byron e Eça de Queiroz, o hotel mais antigo da península Ibérica continua a ser palco de reuniões literárias que ainda hoje respiram a história e a tradição romântica de Sintra.

Próximo ao centro da vila que é patrimônio mundial da Unesco, o Lawrence's Hotel, inaugurado em 1764, mantém hoje o ambiente familiar descrito em detalhes, no século 19, pela escritora inglesa Lady Jackson no livro "Formosa Lusitânia".

Biblioteca do Lawrence's Hotel, em Sintra; hotel é considerado um dos mais antigos em funcionamento no continente europeu

Se em "Os Maias", de Eça de Queiroz, o hotel faz parte das visitas que o personagem central da obra (Carlos da Maia) faz a Sintra para encontrar sua amada (Maria Eduarda), é com o poeta inglês Lorde Byron que o local atinge maior reconhecimento.

No início do século 19, o escritor romântico inglês se instalou no Lawrence's durante uma temporada e escreveu uma parte do livro "Peregrinação de Childe Harold", obra que relata suas experiências pelo continente europeu e em que Sintra é descrita como um paraíso.

Não é de se estranhar, portanto, que as portas dos aposentos estejam assinaladas não com números, mas com os nomes das figuras ilustres que ao longo desses séculos passaram pelo hotel.

"Grandes personalidades passaram aqui: Eça de Queiroz, Lorde Byron, William Beckford, Lady Jackson, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco e Bulhão Pato. É um pequeno hotel com 16 quartos e todos têm nomes de personalidades que aqui estiveram", diz a diretora do hotel, Catarina Caracol.

Segundo ela, o Lawrence's Hotel tem ainda hoje, à semelhança do que acontecia no passado, uma vertente cultural muito marcada, sobretudo em reuniões de debate literário feito por grupos como o clube Lord Byron.


Reformas

Fachada do Lawrence's Hotel e Restaurante, que apesar de seu passado histórico chegou a ficar três décadas fechado

Mas se no passado altas figuras literárias e políticas passaram pelo Lawrence's, também personalidades internacionais e nacionais do presente desfrutam dos ares da serra de Sintra, junto à Quinta da Regaleira.

"Já tivemos distintas personalidades como Bill Clinton, Margareth Tatcher e muitos outros portugueses que não poderei mencionar", afirma Catarina, mostrando os livros de hóspedes e assinaturas e dedicatórias, o registro vivo das pessoas que fizeram desse hotel o recanto de uma visita ao romantismo de Sintra.

Com o passar do tempo o local sofreu várias alterações, quer de nome quer de proprietários, tendo já sido a Hospedaria Inglesa (1850) e mais tarde o local onde, afirma Catarina, se fabricaram os primeiros pastéis de feijão típicos de Torres Vedras.

Em 1961 foi fechado, encontrando-se abandonado e à beira da ruína durante três décadas, até que um casal holandês, 225 anos depois da sua inauguração, o adquiriu em 1989 e o reconstruiu mantendo o traçado original.

Atualmente, muitos dos guias que mostram Sintra a turistas e a estudantes passam obrigatoriamente junto ao Lawrence's e enquadram sua história literária romântica com o romantismo da vila e do seu vasto patrimônio histórico.

Patriarca da Etiópia diz ter visto a Arca da Aliança



O líder cristão Abuna Paulos disse que não pode revelar exatamente onde a arca está

ROMA - O patriarca copa ortodoxo da Etiópia, Abuna Paulos, garantiu em Roma ter visto a Arca da Aliança, e que o objeto sagrado encontra-se "em bom estado de conservação".

Paulos fez essa declaração durante a apresentação da construção, na cidade etíope de Axum, do Museu da Arca da Aliança, uma iniciativa de seu pontificado e da fundação Chrijecllu, presidida por Makonnen Haile Selassie, neto do último imperador etíope.

"A Arca da Aliança está há três mil anos na Etiópia e continua ali, aonde chegou por meio de um milagre e onde continua pela graça de Deus", afirmou ele a jornalistas.

O patriarca copta acrescentou que não pode dizer onde está a arca, mas que era capaz de garantir que já a havia visto e que ela corresponde à descrição dada na Bíblia.

"Não é feita pela mão do homem, é uma coisa que Deus abençoou para que assim fosse. Vi-a com um sentimento de humildade, não com orgulho", afirmou o líder religioso.

Paulos acrescentou que convidou o papa Bento XVI a visitar a cidade de Axum.

De acordo com a tradição copa etíope, a Arca, na qual foram guardadas as tábuas da lei dadas por Deus a Moisés, encontra-se na catedral de Tsion Maryam, em Axum.

A tradição etíope diz que o artefato foi levado a Axum pelo imperador etíope Menelik I, o lendário filho do rei Salomão com a rainha de Sabá.

Fonte: Agência ESTADO

Oficial alemão que salvou "O Pianista" é condecorado a título póstumo

O oficial alemão que ajudou o judeu polonês Wladyslaw Szpilman, durante a guerra --história que se tornou célebre por um filme de Roman Polanski, "O Pianista"-- recebeu nesta sexta-feira (19), em Berlim, a título póstumo, a medalha de "Justo entre as Nações".

Wilhelm Hosenfeld

O oficial da Wehrmacht, Wilhelm Hosenfeld, que servia em Varsóvia a partir de 1940, ajudou em 1944-45 o pianista Szpilman a sobreviver, fornecendo-lhe um esconderijo e alimentos. Detido pelos soviéticos no final da Guerra, morreu na prisão em 1952.







Władysław Szpilman

A medalha e o certificado de "Justo entre as Nações" do Yad Vashem, o Memorial do Holocausto de Jerusalém, foram entregues nesta sexta-feira a seus descendentes durante cerimônia no Museu judeu de Berlim, na presença do filho e dos netos do pianista.

"Wilhelm Hosenfeld se sentiu profundamente perturbado" com os crimes cometidos pelos nazistas e, em várias cartas à sua mulher, denunciou "o genocídio dos judeus" cometido por "animais", declarou a representante do Yad Vashem, Gisela Kuck.

Muito emocionado, Detlev Hosenfeld, 82, expressou "o profundo agradecimento de sua família" pelo título concedido a seu pai, mais de 60 anos depois.

"É para mim uma grande alegria", disse Andrej Szpilman, o filho do pianista, já que "meu pai chegou a escrever ao Yad Vashem levantando a questão pouco antes de sua morte [em 2000] expressando o desejo de que Wilhelm Hosenfeld recebesse as honras" do Memorial da Shoah.

O filme "O Pianista" recebeu a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2002 e vários prêmios durante a entrega do Oscar.

Quando Szpilman reassumiu seu emprego na rádio polonesa em 1945, ele começou justamente de onde havia sido interrompido seis anos antes: com determinação, ele abriu a primeira transmissão tocando a Noturna em C menor ( lento con gran expressione), de Chopin, a mesma peça que ele estava tocando quando as bombas alemãs atingiram os estúdios, interrompendo as transmissões e 23 de setembro de 1939.

Assista Thurzo Zoltan tocando a obra


Trecho do filme `` O Pianista ´´



Fonte: France Presse

Morre aos 97 anos última sobrevivente do Titanic

Millvina Dean tinha 2 meses quando embarcou no transatlântico. Viagem malfadada do navio ocorreu em 1912.

Millvina Dean, a última sobrevivente do naufrágio do Titanic, morreu neste domingo (31) aos 97 anos de idade, informaram seus filhos ao canal público de TV BBC.

Millvina, que morreu em Hamspshire, no sul da Inglaterra, onde vivia, era um bebê de apenas nove semanas de vida quando o famoso transatlântico afundou após bater em um iceberg no meio do oceano Atlântico, em 15 de abril de 1912.

Ela esteve entre os 706 sobreviventes de uma catástrofe marítima que custou a vida de 1.517 pessoas e tornou o Titanic uma lenda. A família Dean viajava no navio para começar uma nova vida e abrir uma loja de tabaco no Kansas (EUA).

Georgetta, mãe de Millvina, e Bert, seu irmão de 2 anos, também sobreviveram, mas seu pai, Bertram, estava entre os mortos.

Após a catástrofe, a família Dean voltou a Southampton, porto do sul da Inglaterra de onde zarpou o Titanic e onde Millvina passou praticamente o resto de sua vida.

Apesar de não lembrar do ocorrido, Millvina sempre disse que o naufrágio do Titanic mudou sua vida. "Se não fosse por esse navio que afundou, agora eu seria uma americana", contou certa vez.

A sobrevivente do naufrágio disse que nunca viu o filme "Titanic" (1997), de David Cameron, nem as várias reportagens já feitas sobre o navio, por considerá-las "mórbidas" e nunca se cansou de contar a história.

"Gosto de contar, porque todo mundo se juntava em volta de mim. E pude viajar para muitos lugares graças a isso e conhecer muita gente. Não poderia me cansar, não sou desse tipo de gente", comentou.

Índio poluía o ar há 3.500 anos no Peru


Máscara mochica de ouro, que preserva manchas de vermelhão; estudo diz que civilizações já poluíam com mercúrio, por mineração

Além de terem desenvolvido a agricultura irrigada, a astronomia e a construção de pirâmides, as primeiras civilizações sul-americanas também inventaram algo menos glorioso: a poluição por metais pesados. Há 3.500 anos, no Peru, elas já contaminavam o ar com mercúrio, produto da mineração.

Um estudo realizado por pesquisadores do Canadá, dos EUA e da Alemanha descobriu evidências "incontroversas" de poluição atmosférica por mercúrio milênios antes da conquista espanhola. O metal está acumulado nos sedimentos de três lagos na região de Huancavelica, que abriga a maior jazida de mercúrio das Américas.

Extraindo colunas de sedimento do fundo desses lagos e datando-as, o grupo liderado por Colin Cooke, da Universidade de Alberta, descobriu que a contaminação começou em 1400 a.C. e atingiu valores máximos em 500 a.C. e 1450 d.C.

Estas últimas datas correspondem, respectivamente, ao apogeu da cultura Chavín --considerada o primeiro Estado sul-americano-- e da inca.

Essas civilizações exploravam a região de Huancavelica em busca de cinábrio (HgS), um mineral composto de mercúrio e enxofre.

O cinábrio é moído para a produção de vermelhão, corante que compõe as tinhas vermelhas vivas que culturas como a Chavín, a mochica e a inca usavam como pintura corporal ou para cobrir objetos de ouro.

O mercúrio é altamente tóxico, e exposição a seus compostos causa problemas sérios ao sistema nervoso, aos rins e ao sistema endócrino. Os maias usavam pedras de cinábrio em seus sarcófagos, entre outras coisas, para evitar que eles fossem saqueados.

A produção local de vermelhão foi a primeira fonte de poluição por mercúrio em Huancavelica. O pó de cinábrio, emitido na extração e na moagem do minério, fez a concentração de mercúrio nos sedimentos saltar pela primeira vez acima do nível natural. De 7 microgramas por metro quadrado ao ano ela vai para até 28 microgramas por metro quadrado.

Com o estabelecimento da cultura Chavín, o uso de mercúrio --e a contaminação-- cresceu exponencialmente. O nível do metal nos sedimentos se multiplicou por dez em relação à quantidade natural.

A partir daí, a poluição começa a declinar novamente, para explodir a partir do ano 1400, com a chegada do império inca às minas de cinábrio.

Os incas também trouxeram uma inovação tecnológica que deve ter causado problemas sérios aos habitantes de Huancavelica: "O tipo de poluição mudou de pó de minério para mercúrio elementar gasoso", disse Cooke à Folha. O aquecimento do minério separa o enxofre do mercúrio, produzindo o metal prateado.

Foram os vapores letais desse elemento que se espalharam pelo ar na região. Nos sedimentos de idade pós-incaica analisados pelo grupo de Cooke, o mercúrio aparece em concentrações 30 vezes superiores à natural.

Cooke diz que é difícil saber qual era o grau de exposição da população ao poluente --que também contaminou a água-- e que tipo de impacto a contaminação deve à saúde. "É difícil especular quais eram os riscos", afirma, "mas qualquer quantidade de mercúrio é potencialmente tóxica".

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