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O projeto da reforma do Código de Processo Penal (CPP) será votado amanhã

O Senado Federal poderá dar um importante passo na terça-feira (23) para agilizar a tramitação de processos na Justiça brasileira. 

Em sessão extraordinária, prevista para a noite, discute e vota em segundo turno o projeto da reforma do Código de Processo Penal (CPP), elaborado e debatido até agora por diferentes mãos do Judiciário e do Legislativo.

No bojo do projeto há uma proposta para a redução do número de recursos, atualmente uma ferramenta para postergar julgamentos e beneficiar réus endinherados que podem pagar advogados poderosos e com excelente trânsito nos escaninhos da Justiça O texto, no entanto, ainda pode receber emendas.

Quando existe um ponto obscuro ou omisso no processo, os advogados recorrem ao embargo de declaração para esclarecer as questões. Não há nenhuma restrição contra a apresentação sucessiva de embargos de declaração, o que pode prorrogar o processo até a sua prescrição. Para evitar isso, o relatório limita a apenas um o embargo declaratório em cada instância.

A assessoria do relator do projeto, senador Renato Casagrande (PSB), informou nesta segunda-feira (22) que o parlamentar acredita na aprovação do texto da forma como se encontra. Ele foi aprovado em primeiro turno no último dia 9. Outro ponto destacado pelo senador é a implantação da figura do juiz de garantias. Atualmente, o mesmo juiz que atua na fase de inquérito profere a sentença. Pelo novo CPP, caberá ao juiz de garantias atuar na fase de investigação, enquanto outro magistrado julgará o processo. A justificativa é para evitar que o juiz, ao proferir a sentença, seja influenciado pela fase processual.

A matéria também define medidas cautelares como alternativas à prisão ou à libertação do investigado. No lugar de conceder liberdade provisória ou decretar prisão preventiva do acusado, o juiz poderá optar por outras ações, como a prisão domiciliar; o monitoramento eletrônico; a suspensão do exercício da profissão, atividade econômica ou função pública; a suspensão das atividades da pessoa jurídica e a suspensão da carteira de habilitação. As medidas ajudar a melhorar o problema da superlotação de presídios.

No texto aprovado também consta a possibilidade de os bens de uma pessoa investigada serem alienados ou vendidos para evitar que eles se deteriorem. Atualmente, isso só ocorre quando os bens são provenientes do tráfico de drogas. Os recursos ficam depositados em juízo até o fim do julgamento. Já em relação à prisão preventiva, fica proibido o uso de força, como a utilização de algemas, exceto em casos indispensáveis, como tentativa de fuga ou resistência dos presos. Hoje, o uso de algemas é permitido. O texto também inclui o fim da prisão especial para quem tem curso superior ou foro privilegiado.

Fonte: Ucho.Info

Romeu Tuma teve cirurgia de implante de coração

Romeu Tuma ganha coração novo

Senador Romeu Tuma na tribuna do Senado/Agência Senado

Sem alarde, Romeu Tuma passou sábado por uma cirurgia de implante de coração. Ao que consta, o procedimento correu bem.

Operado por Fabio Jatene, o senador foi o primeiro paciente a receber no Brasil o Berlin Heart. Trata-se de um modelo sofisticado de Biopump, conhecido como coração artificial, que exigiu a vinda de “engenheiros” alemães para ensinar à equipe do Sírio-Libanês, seu funcionamento.

O “orgão” custou perto de US$ 500 mil bancados pelo convênio do Senado.

Fonte: O ESTADO DE S PAULO/Sonia Racy

TSE conclui apuração de votos em todo o Brasil

Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) disputarão segundo turno. Abstenção de eleitores superou 18% em todo o país.

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE),Ricardo Lewandowski, nesta segunda-feira (04).(Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que concluiu nesta segunda-feira (4), às 21h30, a apuração dos votos em todo o Brasil.

A proclamação oficial dos resultados, porém, é feita em sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que só deve ocorrer na sessão desta terça-feira (5).

Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) disputarão o segundo turno da eleição presidencial. A petista recebeu 47.651.434 votos, o equivalente a 46,91% dos votos válidos (que exclui brancos e nulos). Serra obteve 33.132.283 votos (32,61% dos votos válidos). Marina Silva (PV) foi a terceira, com 19.636.359 votos (19,33%).

Na sequência aparecem Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) com 0,87% dos votos válidos, José Maria Eymael (PSDC), com 0,09%, Zé Maria (PSTU), com 0,08%, Levy Fidelix (PRTB), com 0,06%, Ivan Pinheiro (PCB), com 0,04% e Rui Costa Pimenta (PCO), com 0,01%.

Os números do TSE indicam que a abstenção foi de 18,12%. Foram 24.610.296 milhões de eleitores que não compareceram para votar em todo o país, do total de 135.804.443 milhões do eleitorado brasileiro.

O número de eleitores que votou em branco na eleição para presidente foi de 3.479.340 milhões, o equivalente a 3,13% do total, enquanto foram 6.124.254 milhões os que anularam seus votos, representando 5,51% do total de eleitores que foram às urnas.

A apuração teve ritmo rápido nas primeiras horas. Em menos de cinco horas de totalização já estavam apuradas 97% das urnas. Na manhã desta segunda-feira restavam urnas para serem apuradas apenas no Acre, no Amazonas e no Pará.

O Acre foi o último estado a concluir a apuração e acabou atrasando a divulgação final dos resultados. Três urnas, que foram as últimas a serem apuradas, tiveram de ser transportadas de barco e de helicóptero do local de votação até o Tribunal Regional Eleitoral do estado, na capital, Rio Branco.

Foram eleitos em primeiro turno 18 governadores. No Distrito Federal e em oito estados haverá segundo turno. Os eleitores escolheram ainda 513 deputados federais e 1.059 deputados estaduais e distritais.

A nova composição da Câmara

O PT terá a maior bancada da Câmara dos Deputados na próxima legislatura, superando o PMDB. O partido do presidente Lula foi o mais vitorioso nas urnas, com 88 eleitos.

O PMDB, que vinha se mantendo com o maior número de representantes nas últimas legislaturas, aparece em segundo, com 79.

Os partidos de oposição PSDB e DEM somam 53 e 43 cadeiras, respectivamente. O PR e o PP também conseguiram eleger mais de 40 deputados cada um.

De acordo com o TSE, 22 partidos elegeram ao menos um deputado federal.

Confira a lista final:

PT - 88 - PMDB - 79 - PSDB - 53 - DEM - 43 - PR - 41 - PP - 41 - PSB - 34 - PDT - 28 - PTB - 21 - PSC - 17 - PC do B - 15 - PV - 15 - PPS - 12 - PRB - 8 - PMN - 4 - PSOL - 3 - PT do B - 3 - PRP - 2 - PHS - 2 - PRTB - 2 - PSL - 1 - PTC - 1


A nova composição do Senado


Senadores eleitos no domingo (Foto: Arte/G1)

O PT conseguiu ampliar sua bancada no Senado. Foram eleitos neste domingo (3) 11 senadores do partido em 11 estados do país. O partido terá agora 14 representantes – seis a mais que na atual legislatura. O PMDB também aumentou o número de representantes, de 17 para 20.

Com isso, PMDB e PT passam a ser os dois partidos com maior representação na Casa.

Os dois partidos de oposição (DEM e PSDB) perderam espaço. Serão 12 senadores a menos. O DEM elegeu dois políticos neste domingo, mas, no balanço, perdeu sete senadores na Casa. O PSDB perdeu cinco.

Além dos novos candidatos eleitos, suplentes também assumiram no lugar de senadores que ainda tinham quatro anos no cargo, mas foram eleitos governadores nestas eleições (caso de Santa Catarina, Espírito Santo, Acre e Rio Grande do Norte).

O novo desenho é favorável à candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, que poderá ter uma maior base de apoio caso seja eleita. Com os partidos que compõem sua coligação, ela poderá contar com três quintos da Casa, o necessário para aprovar emendas constitucionais, por exemplo.

Para isso, ela terá que vencer o candidato José Serra (PSDB), que conseguiu levar a disputa para o segundo turno.



Fonte: G1/Débora Santos , Eduardo Bresciani e Thiago Reis

Se vencer, Dilma terá 3/5 do Senado

Segundo pesquisas em 26 Estados e no DF, petista deverá contar com maioria qualificada para fazer mudanças na Constituição

Pesquisas em 26 Estados e no Distrito Federal indicam que, no Senado, um eventual governo Dilma Rousseff terá votos suficientes para promover mudanças na Constituição - a chamada maioria qualificada.

Levantamentos recentes dos institutos Ibope e Datafolha mostram candidatos "dilmistas" em condições de conquistar de 38 a 46 das 54 vagas em disputa no Senado. Já a oposição elegeria de 8 a 16 representantes se a eleição fosse hoje.

Há outros 27 senadores, eleitos em 2006, que têm mais quatro anos de mandato - 14 de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e 13 aliados do presidente. Com a soma dos prováveis eleitos em 2010, uma eventual base de Dilma no Senado teria de 51 a 59 integrantes.

O quorum necessário para aprovar mudanças constitucionais é de três quintos do total de parlamentares - ou seja, 49 senadores.

A oposição a um eventual governo Dilma corre o risco de nem sequer conquistar 27 cadeiras - o mínimo necessário para aprovar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Bancadas. 

As pesquisas mostram que PMDB e PT se credenciam para eleger as maiores bancadas. Há doze peemedebistas entre os favoritos e outros três não muito distante dos líderes. Entre os petistas, dez estão na primeira ou na segunda posição. Outros cinco estão em terceiro lugar, mas com desvantagem de menos de cinco pontos porcentuais em relação ao segundo.

A confirmação das projeções dependerá, obviamente, do comportamento dos eleitores nas urnas. Ainda há um grande número de indecisos ou de eleitores que citam apenas um candidato - neste ano, os brasileiros poderão votar em dois concorrentes ao Senado, pois há duas vagas em disputa em cada unidade da federação.

Fator Lula. 

A atuação do presidente Lula como cabo eleitoral tem beneficiado candidatos do PT e de outros partidos governistas. Os mais prejudicados por esse movimento são nomes tradicionais da oposição, cujas chances de vencer caíram nas últimas pesquisas.

Heráclito Fortes (DEM-PI), Artur Virgílio (PSDB-AM), Antero Paes de Barros (PSDB-MT), Efraim Moraes (DEM-PB) e Marco Maciel (DEM-PE) são exemplos de oposicionistas com forte atuação no Senado e que correm o risco de não se reeleger, apesar de terem largado bem nas primeiras pesquisas após o início da campanha.

Todos eles foram ultrapassados por candidatos que foram promovidos por Lula em gravações no horário eleitoral de rádio e televisão.

No caso de Marco Maciel, a queda começou após um ataque direto do presidente, durante um comício, no Recife, no final de agosto, Sem citar nomes, Lula disse, no palanque, que há candidato que parece estar no Senado "desde o tempo do Império". "Já foi presidente da Câmara, ministro e até vice-presidente da República. O que ele trouxe para Pernambuco?"

Bastiões. 

Mas também há líderes da oposição que resistem à onda lulista. São os casos de Demóstenes Torres (DEM-GO) e Tasso Jereissati (PSDB-CE), ambos candidatos à reeleição e favoritos nas pesquisas em seus respectivos Estados.

A oposição também está em posição de destaque em Minas Gerais, onde Aécio Neves (PSDB) lidera com folga e faz campanha pelo segundo colocado, Itamar Franco (PPS). O petista Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, parou de crescer na última pesquisa Ibope.

Outros petistas estão em situação mais confortável. No Rio de Janeiro, Lindberg Farias disputa a primeira colocação com Marcelo Crivella (PRB). No Paraná, Gleisi Hoffman avançou até empatar no primeiro lugar com o ex-governador Roberto Requião (PMDB), tido como favorito. Em São Paulo também há empate na liderança entre a petista Marta Suplicy e Netinho, do PC do B.

Fonte: O ESTADO DE S PAULO/Daniel Bramatti

Projeto sobre crimes hediondos divide senadores

Falta de quórum ou de acordo para votação?

Senador Suplicy e Senador Demóstenes Torres/Fotos:José Cruz

Talvez ambos tenham levado ao adiamento, mais uma vez, da análise do projeto de lei (PLS 249/05) do senador Hélio Costa (PMDB-MG) que aumenta o período mínimo de cumprimento da pena de prisão para condenados por crime hediondo terem direito a livramento condicional.

A proposta figurou como primeiro item da pauta do esforço concentrado da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), semana passada, quando recebeu voto em separado do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) pela rejeição.

O teor do voto em separado de Suplicy é diametralmente oposto ao do parecer do relator, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que recomenda a aprovação do PLS 249/05. Presidente da CCJ, Demóstenes informou, nesta quarta-feira (11), que o projeto volta à pauta da comissão na reunião do dia 1º de setembro - quando acontece mais um esforço concentrado de votações no Senado - e garantiu que seu parecer vai prevalecer sobre o voto em separado do senador petista.

Antes de apresentar esse "parecer paralelo" ao PLS 249/05, Suplicy já havia pedido vista da matéria, junto com o senador Antonio Carlos Júnior (DEM-BA), na reunião da CCJ do dia sete de julho. De lá para cá, formulou o voto em separado onde argumenta que, "na sua concepção, o projeto procura combater a criminalidade, mas não alcança esse objetivo, pois se volta unicamente à repressão, não levando em conta a necessária reintegração social do apenado".

Outros elementos são reunidos por Suplicy para justificar seu voto pela rejeição da proposta. Além de ferir os princípios constitucionais da individualização da pena e da proporcionalidade das penas, o senador por São Paulo considerou que o PLS 249/05 viola o objetivo de ressocialização dos presos - previsto no Código Penal e na Lei de Execução Penal - em favor do "aumento injustificado" da repressão penal. Ao ampliar as exigências para a concessão do livramento condicional a condenados por crime hediondo, também atuaria como desestímulo à disciplina carcerária, agravando a situação do sistema prisional brasileiro.

Em contrapartida, Demóstenes avaliou como "pertinente" a sugestão de Hélio Costa de alterar o Código Penal para elevar de dois terços (cerca de 60%) para quatro quintos (80%) o tempo de permanência na prisão exigido para condenados por crime hediondo, prática de tortura, tráfico de drogas e terrorismo poderem gozar do livramento condicional. O direito ao benefício está condicionado ainda ao fato de o condenado não ser reincidente em crimes da mesma natureza.

"Realmente, é um tempo muito pequeno o cumprimento de apenas dois terços da pena imposta a alguém pela prática de crimes tão graves para a concessão do benefício penal", afirmou Demóstenes no parecer ao PLS 249/05.

É importante ainda deixar claro, conforme já ressaltou Demóstenes, que o livramento condicional não se confunde com a progressão de regime. No primeiro caso, o juiz libera o condenado, com base em seu bom comportamento, para deixar a prisão e passar a estudar ou trabalhar com o compromisso de permanecer em casa à noite e nos dias de folga. Além disso, o condenado precisa comparecer periodicamente à Justiça. A progressão de regime também possibilita ao condenado trabalhar ou estudar fora, mas em muitos casos - especialmente no regime semi-aberto - o obriga a passar a noite no estabelecimento prisional.

Comentário

Penas leves para crimes hediondos alimentam a reprodução do crime. A sociedade pede socorro e está farta dos defensores de bandidos. A sociedade clama por leis duras e o político deve atender ao anseio da sociedade e não aos interesses de foras da lei.



Fonte: Agência Senado/Simone Franco

Senado aprova poder de polícia para Forças Armadas nas fronteiras

Proposta dá ao ministro da Defesa poder de indicar chefes militares. Projeto de iniciativa do Executivo segue para sanção presidencial.

Sessão do Senado que aprovou nesta quarta (4) o patrulhamento de áreas de fronteira pelas Forças Armadas (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (4) um projeto que dá poder de polícia para as Forças Armadas nas regiões de fronteiras. O projeto segue agora para sanção presidencial. A proposta foi enviada pelo Executivo ao Congresso em dezembro do ano passado.

Pelo texto, será permitido às Forças Armadas fazer patrulhamento, revista de pessoas, veículos, embarcações e aeronaves e prisões em flagrante. Essas atividades são permitidas tanto nas fronteiras terrestres quanto nas águas intermas e marítimas.

O texto do projeto não estabelece a área de patrulha de fronteira. De acordo com a Constituição, porém, a área de fronteira terrestre equivale a uma faixa de 150 quilômetros de largura.

A possibilidade de patrulhamento em rios, lagos e no mar também dá poderes às Forças Armadas para coibir o tráfico de drogas. Segundo o Ministério da Defesa, desde que a Lei do Abate entrou em vigor, traficantes trocaram o transporte de drogas em pequenos aviões na Amazônia por embarcações nos rios Solimões e Negro, por exemplo.

A Lei do Abate permite a derrubada de qualquer aeronave que entre no espaço aéreo brasileiro e não obedeça às orientações de pouso dos pilotos da Força Aérera Brasileira nos casos de abordagem.


Terras indígenas

Ainda na Câmara, que aprovou o projeto em março, os deputados incluíram uma emenda de Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) enfatizando que o poder de polícia independe da “posse, propriedade ou finalidade” da terra. Com isso, Pannunzio acredita estar autorizado o patrulhamento de terras indígenas pelas Forças Armadas.

O projeto faz outras alterações na estrutura nacional de Defesa do país e aumenta o poder do ministro da Defesa. Caberá a ele e não mais ao presidente da República a indicação dos comandantes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha. O texto aprovado pelo Senado é o mesmo votado pela Câmara.

Fonte: G1

Comissão aponta entrada ilegal de membro da Guarda Revolucionária iraniana no Brasil

 O presidente da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG)/Foto: Waldemir Rodrigues

O presidente da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), concluiu que o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto errou ao responder o requerimento de informações sobre a entrada ilegal no país do integrante da Guarda Revolucionária iraniana Esmail Ghaani durante visita do presidente Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil em novembro de 2009.

Na carta enviada à comissão, Barreto frisou não terem sido localizados registros de entrada ou saída em nome de Esmail Ghaani, mesmo "com diferentes grafias consultadas", como indivíduo ligado a movimentos terroristas internacionais. Azeredo concordou com o deputado Emanuel Fernandes (PSDB-SP), segundo o qual o ministro "cometeu erro grave" e não foi "politicamente inteligente" ao responder que não havia pessoa com aquele nome, nem com grafia semelhante. Emanuel Fernandes avalia que o ministro tinha a informação e decidiu não divulgá-la.

Polícia Federal

O diretor-geral da Polícia Federal Luiz Fernando Corrêa, que representou o ministro perante a comissão, informou que o sistema de dados da PF, por não ser fonético, forneceu, inicialmente resposta da inexistência de tal nome na lista de impedidos de entrada no país e na lista da Interpol, Organização Internacional de Polícia Criminal. Admitiu, porém, que ele integrou a comitiva do presidente Ahmadinejad e que lhe foi concedido o desembarque condicional, espécie de visto temporário, a pedido do presidente daquele país, juntamente com outros quatro membros da comitiva.

- Eu dirigi o departamento [da Polícia Federal], o setor competente teria condições de fazer a busca correta e adequada e trazer a informação certa - afirmou, por sua vez, o deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ).

Abin

Já o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Wilson Trezza, que foi à comissão em nome do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República Jorge Armando Félix, disse que, antes mesmo da visita se concretizar em novembro, como estava prevista para maio de 2009, foram feitas consultas a diversas agências de inteligência internacionais com as quais o Brasil possui vínculos. A resposta chegou no dia 23, um dia após a chegada da delegação, acrescentou.

Segundo ele, nenhuma agência confirmou ser Esmail Ghaani agente de inteligência iraniano e membro de movimento terrorista, com intenções de realizar contatos com empresas para enriquecimento de urânio e posterior repasse ao Irã, em desafio ao embargo das Nações Unidas. Trezza disse que algumas agências alegaram não terem informações e indagaram sobre sua possível vinda ao Brasil por ocasião da visita do presidente iraniano.

- O próprio departamento da Abin desconhece a presença do individuo, o sistema de inteligência brasileiro que deveria estar no encalço deste individuo - criticou o deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), autor do requerimento pedindo informações sobre o caso.

Pressionado pelo deputado a dizer se Ghaani era ou não um agente de inteligência iraniano, Trezza afirmou que somente o general Jorge Armando Félix poderia fornecer a informação. Itagiba chegou a sugerir que a reunião se tornasse secreta para que Trezza se sentisse à vontade para liberar as informações de que dispunha.

O presidente da CCAI, Eduardo Azeredo disse que, por ora, a comissão não irá convocar o ministro Jorge Armando Félix. Porém, ressaltou a preocupação da comissão com notícias sobre vazamento do sistema de informações e sobre a entrada "corriqueira no país" de estrangeiros ilegais, especialmente considerando um regime polêmico como o iraniano, que "dá chibatadas e apedreja mulheres".

Procedimento rotineiro

Representante do ministro Celso Amorim, o diretor do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior Eduardo Ricardo Gradilone Neto, por sua vez, considerou procedimento rotineiro delegações virem ao país sem visto apropriado ou passaporte, o que é sanado com um pedido de "autorização condicional" ao visitante. No caso específico, afirmou que, posteriormente à entrada de Ghaani, a embaixada pediu autorização para o visto e o iraniano teve a entrada autorizada. Gradilone afirmou ainda que não é praxe acompanhar as atividades da comitiva durante sua permanência no país, que no caso, foi curta.

Marcelo Itagiba, que assinou o pedido de informações, criticou o desencontro das informações prestadas pela Abin, pela Polícia Federal e pelo Ministério das Relações Exteriores. Para Itagiba, a Abin especialmente perde sua razão de existir quando é incapaz de verificar a presença de um suposto membro de movimento terrorista, cujo chefe Qassem Suleimani teria sido responsável pelo atentado à Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), em Buenos Aires, em 1994. No episódio, foram mortos 85 argentinos.

Fonte: Agência Senado/Cristina Vidigal

CAE deverá votar isenção para empresa que contratar jovens e pessoas com mais de 50 anos

Incentivos fiscais na contratação de pessoas acima de 50 anos poderia ser aprovada

Em sua reunião da próxima terça-feira (13), às 10 horas, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) deverá analisar a possibilidade de o governo conceder benefício fiscal para empresas que contratarem pessoas com 50 anos ou mais de idade, ou jovens entre 18 e 24 anos.

O relator dessa matéria, senador João Vicente Claudino (PTB-PI), adaptou seu parecer para acolher projeto do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), o PLS 220/00, e parte do PLS 185/03, do então senador Sibá Machado (AC).

O projeto de Sibá cria incentivo fiscal para microempresas e empresas de pequeno porte, inscritas no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), que contratarem jovens para o primeiro emprego. A proposta de Mozarildo incentiva com redução de imposto a contratação de trabalhadores a partir de 50 anos. As duas matérias tramitam em conjunto, a pedido do senador Romero Jucá (PMDB-RR).

João Vicente Claudino, em seu parecer, optou por aprovar o texto de Mozarildo, na forma de um substitutivo, e pela rejeição do projeto de Sibá Machado. Sua proposta permite aos empregadores deduzirem em dobro, até o limite de 6% do lucro operacional da empresa, as despesas com salários de empregados entre 18 e 24 anos ou com mais de 50 anos.

Para ter direito ao benefício, escreveu João Claudino em seu parecer, a empresa precisará comprovar não ter realizado demissões nos três meses anteriores a essas contratações. Ela também deverá manter controle em separado das despesas vinculadas a esse incentivo fiscal e respeitar a exigência de que essa dedução do IR não irá ultrapassar 15% de sua folha de pagamento. A matéria é terminativa na comissão.

Minas Gerais

Outra matéria incluída na pauta da CAE é o parecer do relator, senador Cícero Lucena (PSDB-PB), favorável à mensagem 203/10 através da qual o estado de Minas Gerais pede autorização para contratar empréstimo ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no valor de US$ 50 milhões. O dinheiro tem a finalidade de financiar parcialmente o Programa de Acesso ao Município (Proacesso II).

Fonte: Agência Senado/Roberto Homem

CCJ dificulta livramento condicional para quem comete crimes hediondos

O tempo de prisão do condenado por crimes hediondos poderá aumentar.

É o que prevê o projeto (PLS 249/05), que será analisado na próxima quarta-feira (14), a partir das 10h, em decisão terminativa, pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). A proposta aumenta de dois terços para quatro quintos o tempo mínimo de cumprimento da pena desses criminosos, em regime fechado, para terem direito ao livramento condicional.

O inciso V do artigo 83 do Código Penal determina que o juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado à pena privativa de liberdade igual ou superior a dois anos, desde que "cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza".

A legislação específica que dispõe sobre crimes hediondos (Lei 8.464/07) estabelece que o condenado cumpra inicialmente a pena em regime fechado, tendo depois direito ao livramento condicional. Essa redação alterou a Lei 8.072/90, que obrigava os condenados por crimes hediondos ao cumprimento integral da pena. Em 2006, o Supremo Tribunal Federal declarou esse dispositivo inconstitucional, por desrespeitar o princípio da "individualização da pena".

Em sua justificativa, o autor do projeto, senador Hélio Costa (PMDB-MG), classifica como "inadmissível que um homicida, depois de executar a vítima com requintes de crueldade, possa ganhar a liberdade ao cumprir apenas dois terços da pena". Hélio Costa apresentou o projeto em 2005, antes, portanto, da derrubada, pelo STF, de parte da Lei dos Crimes Hediondos, em 2006. A partir daí a hipótese de cumprimento integral obrigatório da pena para os condenados por crimes hediondos foi desconsiderada.

De todo modo, o projeto de Hélio Costa assegura o livramento condicional para esses detentos, mas somente depois do cumprimento mínimo de quatro quintos da pena. Por exemplo, se a pena for de 20 anos, o condenado terá de cumprir 16 anos, restando apenas os quatros anos finais para a progressão do regime. Pelas regras atuais, ele poderia ter direito a abrandar a pena depois de cumprir 13 anos e três meses, restando-lhe, portanto, seis anos e seis meses fora da prisão.

O relator da proposta, Demóstenes Torres (DEM-GO), apresentou relatório que recomenda a aprovação do projeto.

Fonte: Agência Senado/Laércio Franzon

Comissão da Câmara conclui votação sobre mudança no Código Florestal

Aldo Rebelo (PC do B-SP) diz que intenção é legalizar propriedades rurais. Líder do PV, Edson Duarte (BA), fala em retrocesso ambiental.

Reunião da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a reforma do Código Florestal, nesta terça-feira (6) (Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr)

A comissão especial que analisa mudanças no Código Florestal aprovou nesta terça-feira (6) o projeto que trata do tema mantendo o texto do relator, Aldo Rebelo (PC do B-SP). Os destaques foram rejeitados e o projeto está agora pronto para votação em plenário, mas isso deverá acontecer apenas após o período eleitoral.

Aldo afirma que seu relatório tem a intenção de regularizar a situação de 90% dos produtores rurais brasileiros, que estariam atualmente na ilegalidade. A idéia é fazer uma consolidação das áreas que já estão em uso na agricultura e proibir o desmatamento nos cinco anos posteriores à promulgação da lei.

O texto afirma que nas pequenas propriedades, com até quatro módulos rurais, não é preciso fazer a recomposição das áreas já desmatadas de sua reserva legal. Nas áreas maiores, a recomposição florestal tem que ser feita em áreas do mesmo bioma e no prazo de 20 anos.

Uma das polêmicas é que a pessoa que regularizar sua propriedade terá uma espécie de “anistia” das multas que sofreu por causa do desmatamento ou da não preservação da área de reserva legal.

Outra mudança feita por Aldo nessa semana flexibiliza a possibilidade de desmatamento de florestas que tenham autorização ou tenham licenciamento ambiental. Pelo relatório anterior, só poderia desmatar quem obteve essa permissão até 22 de julho de 2008. Com o novo texto, o desmatamento será permitido para quem conseguir a permissão até a promulgação da lei. O argumento de Aldo é que a data anterior poderia provocar “problemas jurídicos”.

Outro tema controverso é sobre a possibilidade de flexibilização do tamanho da área de preservação permanente na margem dos rios. Aldo retirou de seu texto a permissão de que os estados reduzam pela metade essa reserva. O relatório, no entanto, abre a possibilidade que algum órgão do Sistema Nacional de Meio Ambiente faça alterações no tamanho das áreas de preservação permanente. Entre os órgaõs do sistema existem conselhos estaduais.

Para críticos do projeto, as mudanças feitas pelo relator nos últimos dias não resolveram o problema. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) é um dos mais exaltados contra o projeto. Para ele, a proposta beneficia principalmente os grandes produtores e é um risco para o meio ambiente.


“Podemos estar cometendo aqui um grande retrocesso na questão ambiental. Estamos mudando aqui para atender a interesses pequenos, isolados. A questão ambiental é de todos”, protestou o líder do PV, Edson Duarte (BA).

A votação aconteceu depois de muito debate e sob forte obstrução dos parlamentares ligados à causa ambientalista. Eles tentaram de toda a forma adiar a votação, mas não conseguiram.

A sessão foi acompanhada por dezenas de militantes a favor e contra a mudança no código. A segurança foi reforçada na sala em que se realizou a reunião, mas mesmo assim manifestantes do Greenpeace conseguiram entrar na frente da mesa da presidência com faixas contra o relatório de Aldo.

Após a votação, defensores do código comemoraram gritando “Brasil” enquanto os adversários respondiam com o grito de “retrocesso”.


Fonte: G1/Eduardo Bresciani

Comissão da Câmara aprova fim de prisão especial para autoridades e diplomados

CCJ aprova mudanças nas leis criminais

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira o fim da prisão especial para quem tem diploma de curso superior e para autoridades como ministros de Estado, governadores, deputados, prefeitos e vereadores.

Pelo projeto, que ainda precisa ser analisado pelo plenário da Câmara antes de ir à sanção presidencial, a prisão especial só poderá ser concedida quando houver necessidade de preservação da vida e da integridade física e psíquica do preso.

O direito a esse tipo de prisão, segundo a proposta, será decidido por autoridade judicial ou por autoridade policial, no caso de prisão em flagrante.

A comissão também aprovou restrição ao poder de juízes de decretar medidas cautelares durante a investigação criminal. Os magistrados só poderão fazê-lo por requisição da autoridade policial ou do Ministério Público.

O projeto disciplina ainda o uso dessas medidas. As prisões preventivas poderão ser decretadas apenas quando houver impossibilidade de aplicação de outra medida cautelar. O Código de Processo Penal prevê hoje que esse tipo de prisão pode ser determinado em caso de crime doloso (em que há intenção).

Pela proposta, só valerá em caso de crimes dolosos com pena superior a quatro anos, de reincidência do acusado nesse tipo de crime ou de envolvimento de violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou deficiente.

Outro ponto aprovado é a obrigação do juiz ou do tribunal que decretou a medida cautelar, inclusive a prisão preventiva, a reexaminá-la a cada 60 dias, no mínimo. Nessa avaliação devem constar os motivos para da manutenção ao ato ou da modificação dele


Fonte: FOLHA/NANCY DUTRA e LARISSA GUIMARÃES

Projeto propõe punição rigorosa para serial killers no Brasil

O senador Romeu Tuma (PTB-SP) apresentou ao Senado Federal um projeto de lei que prevê penas específicas para serial killers (matadores em série). 

A medida, que altera o Código Penal, prevê também a imposição de penas cumulativas, de no mínimo 30 anos, para cada homicídio cometido nestes casos.

De acordo com o texto apresentado por Tuma, serial killer é definido como alguém que comete mais de três assassinatos dolosos com padrão e características idênticas. O objetivo é preencher uma lacuna existente na legislação atual, que não prevê tratamento diferenciado para os matadores em série.

"É uma violência contra a sociedade, não dá para aceitar. Tem que se discutir e rever a capacidade de o Estado em condenar e manter presos elementos de alta periculosidade", disse o senador à Rádio Senado.

Tuma decidiu apresentar o projeto de lei após o caso do pedreiro Admar de Jesus da Silva, que confessou ter assassinado seis adolescentes com idades entre 13 e 19 anos em Luziânia (GO). Os crimes ocorreram entre 30 de dezembro e 22 de janeiro, e Admar, que havia sido beneficiado pela progressão da pena, foi encontrado morto em sua cela dias após ser detido.

Fonte: FOLHA

Senado aprova projeto ficha limpa por unanimidade

Projeto que tenta barrar candidato condenado teve 76 votos a favor. Movimento que fez a proposta deseja que regra valha para esta eleição.

Plenário do Senado nesta quarta-feira (19) durante discussão do projeto ficha limpa (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

O Senado aprovou nesta quarta-feira (19) o projeto ficha limpa, que impede a candidatura de políticos condenados na Justiça em decisão colegiada em processos ainda não concluídos. Foi mantido o texto aprovado na Câmara.

O projeto teve 76 votos a favor, sem votos contrários e abstenções –o presidente do Senado não votou e quatro senadores não compareceram à sessão. O projeto segue agora para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Uma emenda de redação foi acrescentada ao projeto, padronizando expressões no texto. Mesmo com a emenda, que acabou aprovada por 70 votos, também sem votos contrários e abstenções, o projeto não volta à Câmara, porque não altera o mérito, afirmou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que fez a proposta com o respaldo de mais de 1,6 milhão de assinaturas, acredita ser possível aplicar a nova regra já nas eleições deste ano, se Lula sancionar o projeto até 9 de junho.

O texto aprovado na Câmara e mantido integralmente no Senado pelo relator Demóstenes Torres (DEM-GO) proíbe por oito anos a candidatura de políticos condenados na Justiça em decisão colegiada, mesmo que o trâmite do processo não tenha sido concluído no Judiciário. Esse tipo de decisão colegiada acontece, geralmente, na segunda instância ou no caso de pessoas com foro privilegiado.

O projeto prevê ainda a possibilidade de um recurso a um órgão colegiado superior para garantir a candidatura. Caso seja concedida a permissão para a candidatura, o processo contra o político ganharia prioridade para a tramitação.

O texto que sai do Congresso é mais flexível do que o proposto pelo movimento. A ideia inicial era proibir a candidatura de todos os condenados em primeira instância. Atualmente, só políticos condenados em última instância, o chamado trânsito em julgado, são impedidos de disputar eleições.

A votação aconteceu de forma acelerada depois de um recuo do líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR). Na semana passada, ele chegou a dizer que o Senado não decidiria o tema sob pressão. Nesta semana, ele mudou o discurso e defendeu a votação com urgência.

Jucá concordou até com uma manobra que permitiu ao projeto furar a fila de outros projetos. Na negociação, o líder do governo conseguiu acertar com a oposição um calendário para a votação dos projetos do pré-sal no mês de junho.


Fontes: G1/Eduardo Bresciani - TV Globo

CCJ do Senado aprova projeto ficha limpa

Projeto tenta barrar candidatura de candidatos condenados pela justiça. Texto seguirá para análise do plenário do Senado Federal.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (19) o projeto ficha limpa. Com a decisão, o projeto fica pronto para votação no plenário. A oposição tenta uma manobra para permitir que a votação ocorra ainda nesta noite no plenário.

O projeto é de iniciativa popular e começou a tramitar no Congresso em setembro do ano passado após receber mais de 1,6 milhão de assinaturas recolhidas pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. A Câmara concluiu a aprovação do projeto na semana passada.

O texto aprovado na Câmara e mantido integralmente na CCJ do Senado pelo relator Demóstenes Torres (DEM-GO) proíbe por oito anos a candidatura de políticos condenados na justiça em decisão colegiada, mesmo que o trâmite do processo não tenha sido concluído no Judiciário. Este tipo de decisão colegiada acontece geralmente na segunda instância ou no caso de pessoas com foro privilegiado.

O projeto prevê ainda a possibilidade de um recurso a um órgão colegiado superior para garantir a candidatura. Caso seja concedida a permissão para a candidatura, o processo contra o político ganharia prioridade para a tramitação.

O texto em tramitação é mais flexível do que o proposto pelo movimento. A idéia inicial era proibir a candidatura de todos os condenados em primeira instância. Atualmente, só políticos condenados em última instância, o chamado trânsito em julgado, são impedidos de disputar.

A votação aconteceu de forma acelerada na CCJ depois de um recuo do líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR). Na semana passada ele chegou a dizer que o Senado não decidiria o tema sob pressão. Nesta semana, ele mudou o discurso e defendeu a votação com urgência, mas cobrou da oposição que antes sejam votados os projetos do pré-sal, que têm urgência constitucional e trancam a pauta da Casa junto com medidas provisórias. Jucá disse ter alterações ao projeto, mas em virtude do apelo para a votação rápida, ele pretende que um novo projeto faça as mudanças que que julga necessárias.

A oposição tenta desvincular a discussão do pré-sal do debate sobre o ficha limpa. Para isso, foi protocolada uma questão de ordem junto à Mesa do Senado para que se permita a votação do projeto ficha limpa em uma sessão extraordinária mesmo com a pauta trancada. A Câmara já procede desta forma permitindo votações em sessão extraordinária de alguns tipos de projetos.

O Movimento pressiona para a rápida aprovação porque deseja a aplicação ainda nestas eleições. O entendimento do MCCE é que a aplicação poderia acontecer para as eleições de outubro se o projeto for sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até 9 de junho.

Existem dúvidas, no entanto, sobre essa possibilidade e a decisão sobre a aplicação caberá ao poder Judiciário. Uma consulta feita pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já pergunta sobre a possibilidade de aplicação imediata.

Marina quer voltar ao Senado para votar 'ficha limpa' e reajuste 


Marina Silva está licenciada do Senado desde o final de abril (Foto: William Volcov/AE)

Licenciada do Senado para se dedicar à pré-campanha à Presidência da República, a senadora Marina Silva (PV-AC) pretende voltar à Casa para votar determinados projetos.

Segundo a Mesa Diretora do Senado, a parlamentar pode fazer isso durante a licença, se quiser.

Nesta quarta-feira (19), Marina participa em Brasília de uma sabatina com Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), pré-candidatos ao Palácio do Planalto, na 13ª Marcha em Defesa dos Municípios e, depois, segue na capital federal para aguardar a votação do projeto ficha limpa, que pretende barrar a candidatura de políticos com problemas na Justiça. Ela já havia anunciado, pelo Twitter, que pretende votar o projeto.

Além desse projeto, Marina também quer participar da votação de outros temas como o reajuste para os aposentados, o fator previdenciário, o Código Florestal e a Política de Resíduos Sólidos, segundo o ex-deputado Luciano Zica, que faz parte da coordenação política da pré-campanha da senadora.

No final de abril, Marina encaminhou requerimento à Mesa Diretora do Senado pedindo licença de suas atividades, sem ônus para o Senado, até dia de 17 de junho.

Ela argumentou que precisava se dedicar às tarefas do partido "como a reestruturação programática da legenda e a elaboração de um plano de governo com vistas à disputa eleitoral", mas fez a ressalva de que poderia voltar ao Senado " a qualquer momento, antes da data estabelecida, se isso for importante para a defesa dos interesses nacionais", segundo nota divulgada pela assessoria da senadora.


Fonte: G1/Eduardo Bresciani

Oposição aprova voto de solidariedade a dissidentes cubanos no Senado

A oposição aprovou nesta quinta-feira requerimento, na Comissão de Relações Exteriores do Senado, com voto de solidariedade da Casa aos presos políticos de Cuba.

O gesto de senadores do PSDB é uma resposta às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que condenou o uso da greve de fome por dissidentes e os comparou a bandidos de São Paulo.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que o presidente Lula não pode misturar sua amizade com o ex-ditador de Cuba Fidel Castro com a defesa de um regime ditatorial.

"O Brasil tem alguns princípios dos quais ele nunca se afastou nem no período do regime militar: o princípio da não-intervenção, da autodeterminação dos povos. Isto vem de governo para governo como um patrimônio da diplomacia brasileira. O Brasil achou que podia intervir nos negócios internos de Honduras. Muito bem. Agora, há outros princípios que o Brasil tem que observar, como a democracia. A amizade fica em quinto plano", afirmou.

Na opinião de Virgílio, o Brasil "não pode tolerar tortura, não poder estimular ditaduras e nem prestigiar ditadores".

Virgílio disse ainda que Cuba é uma "ditadura deslavada" ao manter presos políticos depois de cinquenta anos de sua implantação.

Em defesa de Lula, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse que o petista está em "condição excepcional de, ao mesmo tempo em que defende o fim do bloqueio dos Estados Unidos a Cuba, defender também a ampliação das liberdades democráticas da pessoa humana" no país caribenho.

BGN: É mesmo? Então por que nao age?

O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), criticou o fato de Lula elogiar democracias espalhadas ao redor do mundo, mas defender o regime cubano. "Democracia tem padrão universal: ou é democracia ou não é, ou então é farsa, ou são dois pesos e duas medidas. A democracia que o primeiro-ministro Gordon Brown defende para o mundo tem de ser a mesma de Fidel Castro, de Lula, de Zelaya, de todos eles, e não dois pesos e duas medidas, muito menos que o Brasil se apresente no plano internacional da forma defeituosa como está se apresentando", afirmou.

Polêmica

Em entrevista à agência Associated Press, Lula pediu respeito às decisões da Justiça cubana e condenou o uso da greve de fome por dissidentes como instrumento para serem libertados da prisão.

"Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de deter as pessoas em função da legislação de Cuba. A greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade."

Ontem, a oposição acusou o governo federal de impedir na Câmara a votação de moção do Legislativo que lamenta a morte do dissidente cubano Orlando Zapata Tamayo após greve de fome.

O texto também condena os atos de desrespeito aos direitos humanos praticados pelo regime de Cuba. Segundo a oposição, deputados governistas esvaziaram a reunião da Comissão de Relações Exteriores da Casa que votaria a moção para evitar desgastes sobre o tema --depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou o uso da greve de fome por dissidentes como instrumento para serem libertados da prisão.

Fonte: FOLHA/GABRIELA GUERREIRO

Oposição bloqueia nomeação de novo embaixador brasileiro na Venezuela

A votação ficou para uma próxima reunião, possivelmente com a presença do diplomata

A oposição impediu a nomeação do novo embaixador brasileiro na Venezuela em meio a uma áspera discussão, na qual alguns parlamentares puseram em dúvida o real interesse do presidente Hugo Chávez pela democracia.

O debate aconteceu na Comissão de Relações Exteriores do Senado, que devia votar a nomeação do diplomata José Antonio Marcondes de Carvalho como novo embaixador em Caracas.

O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), presidente da comissão, decidiu suspender a votação quando o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) propôs uma moção citando o diplomata.

Segundo Ribeiro, a comissão deve conhecer a opinião de Marcondes de Carvalho sobre a realidade política venezuelana antes de votar.

Embora tenha elogiado o diplomata, ele disse que o Brasil deve manter uma "posição firme e crítica" perante o governo de Chávez, que "mais de uma vez teve posições hostis" em relação ao Congresso brasileiro --uma alusão a polêmicas surgidas em torno da adesão da Venezuela ao Mercosul.

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) respaldou a moção e declarou que o Congresso não pode permanecer calado perante o que qualificou de "cerceamento das liberdades" na Venezuela.

A votação ficou para uma próxima reunião, possivelmente com a presença do diplomata, proposto pelo governo para substituir o embaixador Antonio José Simões.

Fonte: FOLHA

Projeto legaliza interrupção de procedimentos artificiais para manter a vida de pacientes terminais

Legalizada a Ortotanásia

Em tramitação no Senado há nove anos, o projeto de lei do senador Gerson Camata (PMDB-ES) que legaliza a ortotanásia (PLS 116/00) foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) nesta quarta-feira (2).

A ortotanásia é a interrupção de procedimentos artificiais para prolongar a vida de pacientes em estado terminal, baseada no conceito de morte em paz. É diferente da eutanásia, quando são adotadas ações para acelerar a morte. A matéria, aprovada em decisão terminativa, segue agora para a Câmara dos Deputados.

De acordo com o projeto, não será mais considerado crime deixar de fazer uso de meios "desproporcionais e extraordinários", em situação de morte iminente ou inevitável, no âmbito dos cuidados paliativos dispensados a paciente terminal. Para isso, no entanto, é necessário o consentimento do paciente ou, em sua impossibilidade, do cônjuge ou companheiro, ascendente (pais e avôs), descendente (filhos) ou irmão. Além disso, a situação de morte inevitável e próxima deve ser previamente atestada por dois médicos. Foram acatadas emendas do relator, senador Augusto Botelho (PT-RR), basicamente para aperfeiçoamento de redação.

Humanização da morte

Para Camata, excluir a ortotanásia da condição de ilicitude no Código Penal corresponde a garantir o direito que toda pessoa deve ter de humanizar seu processo de morte. Conforme o autor, isso representa evitar "prolongamentos irracionais e cruéis" da vida do paciente, para poupar o próprio doente e sua família de todo o desgaste que essa situação envolve.

Camata passou a cobrar com mais empenho a aceleração da proposta a partir de 2006, quando a Justiça Federal suspendeu os efeitos de resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que regulamentava a ortotanásia. Autor da ação, o Ministério Público argumentou que a prática pode caracterizar homicídio. Com isso, os médicos podem responder criminalmente se suspenderem tratamentos que prolongam artificialmente a vida de pacientes terminais, mesmo a pedido do doente ou da família.

Camata salienta que, de forma geral, as religiões condenam a eutanásia, mas não são contrárias a ortotanásia. No caso da Igreja Católica, ele lembra que há manifestações favoráveis em três bulas papais. Na encíclica Evangelium Vitae, de 1995, o papa João Paulo II opõe-se ao "excesso terapêutico", afirmando ainda que a renúncia a "meios extraordinários ou desproporcionados" para prolongar a vida não equivale ao suicídio ou à eutanásia. Ao contrário, o Papa diz que essa renúncia apenas exprimiria "a aceitação da condição humana defronte à morte".

Convergência

Especialistas de diversas áreas também avaliaram o projeto, em audiência pública realizada pela CCJ no último mês de setembro. O debate revelou convergência de posições a favor da interrupção de tratamentos apenas para prolongar a vida de pacientes em fase terminal.

Observações:


Decisão Terminativa - É aquela tomada por uma comissão, com valor de uma decisão do Senado. Depois de aprovados pela comissão, alguns projetos não vão a Plenário: eles são enviados diretamente à Câmara dos Deputados, encaminhados à sanção, promulgados ou arquivados. Eles somente serão votados pelo Plenário do Senado se recurso com esse objetivo, assinado por pelo menos nove senadores, for apresentado ao presidente da Casa. Após a votação do parecer da comissão, o prazo para a interposição de recurso para a apreciação da matéria no Plenário do Senado é de cinco dias úteis.

Fonte:  Gorette Brandão / Agência Senado

Senado aprova projeto climático

A inclusão da meta no texto só foi possível após um acordo dos líderes governistas

Comentários do BGN, destacados em verde

Às vésperas da Conferência do Clima da ONU (Organização das Nações Unidas) em Copenhague, o Senado aprovou nesta quarta-feira o projeto que institui a Política Nacional de Mudanças Climáticas. A proposta prevê um compromisso voluntário para a redução entre 36,1% e 38,9% das emissões de carbono na atmosfera estimadas para 2020. A meta já havia sido "[anunciada]": pelo governo. Como o texto foi modificado pelos senadores, volta para uma nova votação na Câmara.

O governo não sabe o quanto o Brasil emite de gases, ano a ano e os últimos dados são de 1994. Portanto, a meta estará baseada em nada e considerando-se que até 2020, calcula-se que as emissões brasileiras podem aumentar mais de 70%, então mesmo com esta redução de 38,9%, poderemos estar emitindo uns 30% mais que hoje, numa projeção conservadora. Moral: Estamos vendendo ao mundo uma mentira. Incrível como o Senado cai tão facilmente na conversa do governo e logo aprova tudo. Ainda temos Legilativo?

A inclusão da meta no texto só foi possível após um acordo dos líderes governistas que condicionou os percentuais a edição de um decreto presidencial. Na prática, a meta só se torna lei se houver um decreto regulamentando e especificando como será executada.

Após longa disputa interna, o governo anunciou na última sexta a disposição de cortar a emissão de até 1,052 bilhão de toneladas de gás carbônico dos 2,7 bilhões que poderiam ir anualmente para a atmosfera em 2020 caso nada fosse feito. Os números anunciados representam um corte de 10% a 15% nas emissões de CO2 do país em 2005.

Mentira: Não existem dados concretos sobre emissões

A senadora Marina Silva (PV-AC), considerou a proposta um avanço, mas reclamou da meta ter sido voluntária. "Foi um projeto autorizativo. Parece coisa que fazemos nas câmaras autorizando o saneamento básico. Estamos autorizando o governo a se quiser cumprir essas metas. Se tivéssemos tirado esse termo voluntário, haveria um compromisso para o governo atual, para o próximo futuro porque seria uma meta do Estado brasileiro", disse.

A líder do governo Ideli Salvatti (SC) evitou polemizar. "Este é um momento de dignidade do Senado fizemos não só um acordo político, mas assumimos um compromisso", disse.

Objetivos

Pela proposta, fica recomendado ao Executivo que até 2020 o Brasil reduza as emissões dos gases de efeito estufa listados no Protocolo de Kyoto aos níveis de 1990, por meio da adoção do desmatamento zero no país até 2015, e da garantia de que nos próximos dez anos até 25% da eletricidade do país seja originária de fontes renováveis de energia.

25% da energia proveniente de fontes renováveis parece ser uma meta ambiciosa demais e irrealista, afora que desmatamento zero nunca vai acontecer. Tudo discurso

O texto também recomenda a redução em 15% do consumo projetado de energia elétrica para 2020 por meio de medidas de eficiência energética; o estabelecimento de metas anuais da participação de fontes nuclear, óleo combustível e carvão mineral na matriz elétrica nacional; e a transformação de pelo menos 30% do território costeiro-marinho do país em áreas protegidas, ressalvadas as atividades de infraestrutura previstas na Lei 4771/65, que institui o Código Florestal.

A conferência está prevista para ocorrer entre os dias 6 e 18 de dezembro e movimentou o cenário eleitoral brasileiro a um ano das eleições. Como a senadora Marina é pré-candidata do PV à sucessão presidencial e passou a cobrar a definição de uma meta, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT e representante do governo brasileiro na conferência, também assumiu o discurso. O governo, ainda se mobilizou, e inclui os percentuais na política do clima.

O governador José Serra (São Paulo), um dos presidenciáveis tucanos, também deve desembarcar na Dinamarca e apresentar a Política Estadual de Mudanças Climáticas sancionada no início do mês que estabelece uma diminuição de 20% nas emissões até 2020, em relação a 2005. A medida deve o que significa emitir 24 bilhões de toneladas de gás carbônico a menos do que em 2005.

Durante a votação no Senado, Marina adotou um tom eleitoral. "Primeiro, eu quero dizer que para um país até três meses atrás o assunto estava na quadragésima posição saímos pelo menos para dizer que o Brasil tem a intenção de institucionalizar o corte na emissão dos gases, mas não estamos incidindo sobre emissões de fato e o ministro de Ciência e Tecnologia [Sérgio Resende] sobre as emissões de fato poderia ser de 25% como fez o governo de são Paulo. É uma pena que o PSDB não teve a mesma compreensão aqui no Senado", afirmou.
 


Fonte: FOLHA/MÁRCIO FALCÃO

Construtoras tentam barrar limite ao BNDES

Empresas se unem contra projeto em tramitação no Senado que proíbe banco de financiar obras fora do País

Rivais no canteiro de obras, fora dele as maiores construtoras do País se juntaram para derrubar o que dizem ser uma ameaça a seus negócios: um projeto de lei que proíbe o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de financiar obras fora do Brasil. É que elas são as principais interessadas na atuação internacional do banco federal. Estimuladas pelo governo Lula e sua política de ocupação comercial da América Latina e da África, empresas como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa estão construindo hidrelétricas, portos e metrôs em outros países, com financiamento do BNDES.

Nos últimos cinco anos, o banco desembolsou mais de US$ 3 bilhões nas operações das construtoras fora do País. Até agosto, elas já haviam recebido quase US$ 957 milhões da instituição. Para as construtoras, é um bom mercado. Contratadas em outros países, recebem o financiamento do BNDES, aqui dentro, enquanto executam as obras. Depois, o governo que as contratou tem 12 anos de prazo para devolver o dinheiro ao banco brasileiro. O projeto que tramita no Senado, de autoria do senador Raimundo Colombo (DEM-SC), fecha essa fronteira. Ele proíbe que "o BNDES financie governos de outros países e suas empresas".

"O papel do BNDES não é esse. Ele não pode dar dinheiro para um metrô na Venezuela ou um porto em Cuba, quando tem tanta coisa para fazer no Brasil", afirma Colombo. Quando chegou ao Senado, no começo do ano, o projeto de Colombo chamou a atenção das construtoras e do BNDES. Mas a preocupação cresceu mesmo depois do parecer favorável da relatora da Comissão de Constituição e Justiça, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO). No seu parecer, a senadora afirma que a função do BNDES foi "desvirtuada com o financiamento de governos estrangeiros".

Na visão das construtoras, a disputa política pode estar embaralhando as discussões em torno do papel do BNDES. Os oposicionistas, entre eles os democratas Raimundo Colombo e Kátia Abreu, acham que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usa o banco público para aumentar sua influência no continente e para agradar governantes amigos, como o presidente Hugo Chávez, da Venezuela. O governo, por sua vez, afirma que o apoio oficial é fundamental para abrir mercado para as empresas brasileiras. "Esse projeto é um tiro no pé com a melhor das intenções. Ele só prejudica as empresas brasileiras", afirma o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, a quem o BNDES está subordinado.

APOIO

As construtoras estão procurando parlamentares em busca de apoio. Os senadores Gim Argello (PTB-DF), Romero Jucá (PMDB-RR) e Francisco Dornelles (PP-RJ) se comprometeram a ajudar. Argello até já entrou em ação. Antes de seguir para a Câmara dos Deputados, o projeto de Raimundo Colombo precisa passar por outra comissão do Senado, a de Assuntos Econômicos. Argello bloqueou esse roteiro, com um pedido para realização de audiência pública sobre o tema. As construtoras acham que ali poderão convencer os senadores de que o projeto partiria de um raciocínio equivocado.

"O BNDES não financia outros países, o financiamento é para as empresas brasileiras", diz José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). De acordo com Castro, cada contrato conquistado lá fora é uma alavanca para novos negócios dentro do Brasil.

Para conceder o financiamento, o BNDES exige que as construtoras usem em suas obras estrangeiras produtos, matérias-primas e serviços brasileiros. Assim, quando a Odebrecht ou a Andrade Gutierrez fazem um metrô na Venezuela ou no Chile, importam tratores, caminhões, aço, trilhos e até capacetes e botas de segurança do Brasil. Ao todo, segundo estimativas do governo, este ano deverão ser exportados US$ 500 milhões em produtos para obras de construtoras brasileiras no exterior. "A obra é lá fora, mas ela gera receita e empregos aqui", diz Castro. "No outro país, o que a obra gera são despesas."

Quando brigam para manter o BNDES a seu lado nas incursões ao exterior, as construtoras brasileiras querem garantir condições para competir em pé de igualdade com rivais de outros países. Nas concorrências internacionais, quem não oferece financiamento em condições amigáveis não vai muito longe.

"O mundo inteiro ajuda suas empresas no mercado internacional", diz Luiz Cláudio Jordão, diretor de financiamento estruturado da Andrade Gutierrez. "E, no Brasil, o único que tem financiamento de longo prazo é o BNDES".

O governo, de seu lado, tem todo interesse em manter a parceria. Não só pelo impacto que as obras em outros países produzem sobre as exportações de mercadorias brasileiras, mas também porque esse movimento contribui com o projeto de tornar o Brasil uma potência regional dominante.

Comentário do BGN


Raimundo Colombo parece não compreender as complexidades do mundo moderno e propõe uma lei que prejudica o Brasil, os negócios brasileiros e os nossos trabalhadores. Que lástima!!!

Fonte: O ESTADO/David Friedlander

Varejo critica mudanças na Lei do Inquilinato para facilitar o despejo

As mudanças propostas na Lei do Inquilinato para facilitar o despejo do locatário foram mal recebidas por alguns setores envolvidos. O projeto foi aprovado ontem no Senado e vai ser submetido à sanção do presidente da República.

O varejo vê com preocupação as modificações, mas diz que é preciso tempo para avaliar seus efeitos na prática.

Para o presidente da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Alencar Burti, as mudanças podem "abalar a segurança do comércio varejista". "Isso causa preocupação. Precisamos ver como vai ser."

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