Mostrando postagens com marcador resenhas de livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador resenhas de livros. Mostrar todas as postagens

Livro propõe um novo ordenamento constitucional no Brasil

Autonomia dos Estados federados em matéria tributária, legislativa, judiciária e administrativa, formando, por meio de uma nova constituição, a República dos Estados Federados do Brasil.

AUTOR LANÇA LIVRO COM NOVA CONSTITUIÇÃO PRONTA PARA O BRASIL


"Cara Nova Para o Brasil, Uma Nova Constituição para Uma Nova Federação" é um inusitado trabalho que foi lançado no dia 21 de agôsto, na na 21º Bienal do Livro em São Paulo, pela Editora Livro Pronto.

Nele, o autor, Thomas Korontai, empresário curitibano e líder do Movimento Federalista integrado pelo Partido Federalista, em fase de formação, faz uma radiografia do Brasil, identifica causas para a compreensão dos problemas, critica a Constituição atual e propõe um novo texto pronto, um ensaio constitucional com 87 artigos.

Segundo Korontai, "a intenção é propor uma pauta objetiva de debates sobre o Brasil, até mesmo em relação à mesmice da campanha eleitoral, orientando as soluções para uma transformação do atual modelo de organização do Estado Brasileiro, excessiva e perigosamente centralizado, para um federalismo pleno das autonomias estaduais e locais".

O trabalho de prefácio do Brig. Ivan Frota e uma nota de recomendação do jurista Ives Gandra da Silva Martins: " uma instigante proposta de reflexão sobre o modelo ideal do Estado Brasileiro para enfrentar os desafios do Século XXI, à luz do Princípio da Subsidiariedade entre as diversas entidades federativas e de um novo padrão constitucional. O livro merece ser lido por todos os que se preocupam pelo futuro da Pátria.”

Korontai comunica que fará eventos em torno do livro - o terceiro desde 1993 - em todos as capitais, objetivando apresentar uma nova forma de se pensar o Brasil, e em alguns dias, o trabalho estará disponibilizado nas livrarias e no site da Editora.

UM POUCO DO QUE CONSTA NESTE LIVRO - PRIMEIRA ORELHA

"Liberdade, autonomia, auto-gestão, auto-responsabilidade, competitividade sadia, desenvolvimento econômico social com respeito às sagradas regras do mercado, da natureza humana – o Indivíduo - e do meio ambiente, com aproveitamento inteligente das diversidades deste continental território brasileiro, são os traços do desenho que muitos brasileiros, consciente e inconscientemente desejam para uma nova cara para este País.

Thomas Korontai consolidou tudo isso e muito mais, não apenas em críticas, reflexões e sonhos descritas na primeira parte do livro, mas em uma ousada proposta acabada na forma de um novo Texto Constitucional com apenas 87 artigos, de fácil compreensão e auto-aplicabilidade. É sem dúvida, objeto de sonho pretensioso de um cidadão que acredita que o Estado de Direito só substituirá o “Direito do Estado” quando as leis e a própria Constituição forem decididas em voto direto do Povo.

O autor espera assim, contribuir para o redirecionamento da mentalidade político-jurídica dos que pensam seriamente no País, motivado pela crença de que é possível nos dias de hoje, ao contrário dos mais céticos, mudar a cara do Brasil muito rapidamente."

NA CONTRA CAPA

"A cada crise que o Brasil ingressa se fala em reforma do Estado, em nova Assembleia Nacional Constituinte, em adoção de novos planos econômicos, até mesmo em projetos ideológicos comprovadamente falidos em todos os países pelos quais já foram experimentados. Mas não se fala em transformação do modelo de Estado, algo mais profundo, que vai à raiz dos males brasileiros, à causa das causas dos graves problemas sociais.

O que autor propõe – uma nova Constituição Federal, simples, direta, principiológica, plenamente autoaplicável, sintética e, principalmente, compreensível para qualquer cidadão – aponta nessa direção, na da transformação do Estado Brasileiro e, por consequência, da mentalidade nacional, em busca da tão sonhada Nação, com identidade que orgulhe cada indivíduo que nela habite e que a tenha adotado como Pátria, seja por nascimento ou por escolha. Uma Constituição que privilegie o modelo federativo pleno, de Estados autônomos, de comunidades e Municípios autônomos, livre da perniciosa doença da “regulamentite” e do centralismo crônico dos poderes.

Thomas Korontai propõe a aplicação clara do Federalismo pleno, em consonância com o Princípio da Subsidiariedade para que se estabeleça completo discernimento na distribuição de responsabilidades entre Municípios, Estados e União, atualmente, uma confusão enorme, cuja consequência resulta também na crescente, constante e perigosa centralização dos poderes de toda espécie no Governo Federal. A eliminação do “Custo Brasil”, da dívida social, da dívida externa, da dívida interna, da demagogia “do tira 100 e dá 50” proporcionará, pela via lógica da racionalidade da Carta Magna proposta nesse trabalho, uma visão do sonhado crédito moral, orgulho e motivação de ser Brasileiro. O futuro do tal “país do futuro” pode ser antecipado..."


Principais aspectos polêmicos do livro Cara Nova Para o Brasil,
Uma Nova Constituição para uma Nova Federação.


1. Mudança do nome do País para REPÚBLICA DOS ESTADOS FEDERADOS DO BRASIL.

2. Cada estado federado terá suas próprias leis - Autonomia legislativa dos estados federados – cada estado poderá fazer suas leis, códigos civil, penal, criminal, trabalhista e tributário com o devido código processual. Tudo previsto da Constituição Estadual. Leis polêmicas deverão ser decididas por referendos populares, tais como, pena de morte, aborto, trabalhos forçados, prisão perpétua, cassinos, eutanásia, casamento homossexual, dentre outros. E, cada estado poderá ter, se quiser, um senado estadual.

3. Suprema Corte em cada estado federado - Autonomia judiciária com instância máxima na Suprema Corte de cada estado federado. Somente o que for pertinente à Constituição Federal seguirá para Brasília;

4. Fim do STJ, transformação do STF na Corte Constitucional Federal (CCF) e transformação do TSE em Conselho Federal Eleitoral, com atribuição exclusiva para assuntos federais.

5. Fim de todos os impostos declaratórios e de todos os demais tipos de tributos, sendo substituídos por um tributo único federal sobre consumo, com alíquota igual em todo o Território, e alíquotas variáveis de acordo com cada estado e município. Para a União restarão ainda, o imposto sobre o comércio exterior (aduanas) e taxas administrativas e judiciárias, com autonomia financeira para autarquias e eventuais estatais. Os estados e municípios terão total autonomia tributária residual, inclusive para instituir outros tipos de tributos e taxas. Fim das contribuições, que só poderão ser instituídas em caso de guerra ou calamidade pública, com aprovação dos estados federados. Fim da concentração tributária e com isso, o fim do redistributivismo (FPM e FPE), cabível somente aos territórios federais.

6. Empresas não pagam mais tributos! Com a reengenharia do modelo tributário, eliminam-se todos os custos tributários das empresas do meio da cadeia produtiva, restando ao consumidor o pagamento dos impostos, limpos e destacados do preço dos produtos. Fim da nota fiscal e instituição da Nota de Compra, para fins patrimoniais. Os preços cairão pela metade!

7. Novo modelo de polícias para municípios e estados - Reordenamento da segurança pública, com a eliminação do modelo de polícias civil e militar, passando à autoridade municipal a responsabilidade da segurança local, incluindo trânsito, de acordo com a capacidade de cada um. O estado federado terá polícias especializadas para atendimento complementar e terá também a patrulha rodoviária que cuidará das estradas estaduais e federais que cruzarem seu território. A Policia Federal continua com suas atribuições.

8. Defesa Civil Especial - Transformação e incrementação da atual Defesa Civil Estadual para a Defesa Civil Especial (um tipo de Guarda Nacional) com a instituição do Serviço Obrigatório Civil a partir dos 15 ou 16 anos para todos, por período de um ano, com treinamento e armamento semi-militar, também providas de voluntários civis e militares, sob o comando direto do governador de cada estado e comando supremo do Presidente da República.

9. Fim de praticamente todos os ministérios. Autonomia administrativa será ampliada sobremaneira, assim como, as responsabilidades, desde Educação, Saúde, Saneamento, Segurança Pública, bem como, planejamento da otimização de induções estatais para o progresso geral. Serão criadas secretarias e departamentos especiais de cunho federal, tais como, o Departamento de Relações Exteriores, podendo no entanto, restar o Ministério da Defesa, englobando as Três Forças. Fim do serviço militar obrigatório, substituído pelo serviço civil obrigatório nas DFEs de cada Estado, sendo as FFAA totalmente profissionalizadas. E equipadas. AS FFAA atuarão e se espalharão fortemente nas fronteiras mais sensíveis, especialmente na Amazônia.

10. Será proposto aos estados de RR, AP, AC e AM, por meio de plebiscito, a sua transformação em Territórios Federais, com objetivo de serem melhor atendidos pelo Governo Federal com supervisão plena do Congresso, no interesse da Federação, até que tenham plenas condições de retornarem à condição de estado autônomo.

11. Apenas um senador por estado.

12. Emendas constitucionais ratificadas pelos estados - só entram em vigor após ratificação de ¾ ou 4/5 dos estados federados.

13. Prefeitos contratados, vereadores conselheiros sem remuneração - Autonomia municipal em matéria de auto-governo, podendo substituir a prefeitura política por outro tipo de entidade formal, com direito a gestão privada de interesse público, prefeitos eleitos por administradores urbanos contratados, câmara de vereadores por câmaras de conselheiros não remunerados, e instituir modelo de gestão por vocação da cidade escolhida em plebiscitos, dentre outras. Formação e incrementação de consórcios de cidades e comunidades autônomas, com vistas ao atendimento geral por equipamentos sociais mais sofisticados e de maior escala.

14. Juizes, delegados de polícia local e promotores eleitos pelo Povo - Juizes distritais eleitos pelo povo nas cidades e consórcios municipais, assim como, promotores públicos e delegados de polícia local.

15. Voto livre e facultativo e reforma do sistema de eleições com, no mínimo, impressão do voto para auditoria física. Porém, se possível, a transformação das urnas eletrônicas em máquinas de leitura de votos físicos (scanner) para apuração mais rápida dos pleitos.

16. Reforma do regime das previdências estatais - Previdências estatais serão transformadas em regime de
capitalização e abertura do mercado brasileiro para ingresso de empresas do mundo inteiro, com regras de proteção de pecúlios feitas pela SUSEP ou sucedânea.

17. Colégio eleitoral distrital para eleições do presidente - Eleições para a presidência da república serão por meio de colégio eleitoral composto por delegados dos estados de cada candidato vencedor, com finalidade de proteção do peso federativo, dificultando o populismo.

18. Mínimo de 10% de desempenho eleitoral para ter cadeira no Congresso - Partidos políticos terão participação no Congresso apenas mediante obtenção de desempenho eleitoral de no mínimo 10% do eleitorado nacional.

19. Cidades-estado no Brasil - Possibilidade de megalópoles se transformarem em cidades-estado, no mesmo nível dos estados federados.

20. Fim do autoritarismo em todos níveis!

Comento 

Muitas das idéias propostas no livro, já são praticadas efetivamente, e pelos últimos 234 anos, nos Estados Unidos da América. Talvez, nem todas as idéias propostas sejam viáveis no Brasil, mas vale a pena conferir  e uma obra do tipo, ajuda na discussão dos problemas brasileiros e na busca das soluções.

O autor aceita pedidos do livro. Quem tiver interesse, envie e-mail ao endereço: thomas@thomaskorontai.org.

Mulheres que amam criminosos sexuais

Jornalista que se assustou com a quantidade de cartas de amor que criminosos sexuais recebem na cadeia fez um livro sobre essas mulheres apaixonadas. "Em mim sobrou uma profunda tristeza", escreve. Leia aqui

De país 'do futuro', Brasil se tornou 'país do presente', diz editor da ‘Economist’

Livro analisa a economia e a política da região

Michael Reid lançou no país livro sobre a América Latina. Para jornalista, país ganhou reconhecimento em comércio e diplomacia.

Autor do recém-lançado “O continente esquecido – a batalha pela alma latino-americana” (Editora Campus/Elsevier, R$ 92), o jornalista Michael Reid, editor para as Américas da revista britânica “The Economist”, percebe uma clara mudança da imagem do país no cenário mundial.

“O Brasil deixou finalmente de ser o país do futuro para ser o país do presente, fazendo frente às expectativas”, afirmou, em entrevista ao G1, por telefone, desde Londres.

Reid, que cobre assuntos relacionados à América Latina há mais de duas décadas e morou em São Paulo por três anos, nos anos 90, afirma que o governo Lula tem se mostrando “mais assertivo internacionalmente”.

Para ele, o Brasil tem sido reconhecido em áreas como comércio e diplomacia, ganhando contenciosos na Organização Mundial do Comércio (OMC) e exigindo mais espaço em organizações como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e em agências da Organização das Nações Unidas (ONU).

O editor da “The Economist” diz também que, embora a sigla Bric (grupo de países emergentes que reúne Brasil, China, Índia e Rússia) tenha elementos de uma ferramenta de marketing, o país se tornou um mercado cada vez mais importante para diversas nações. Além disso, ao longo dos próximos 20 anos, diz ele, o Brasil terá papel importante dentro da economia mundial.

Efeito Chávez

Apesar de o Brasil ter se tornado mais importante economicamente nos últimos anos, o especialista em América Latina diz que, na hora de fazer “barulho” no cenário internacional, o personagem principal da região é o venezuelano Hugo Chávez, e não o brasileiro Lula.

Um dos argumentos do livro, aliás, é justamente esse: Chávez não representa as mudanças mais importantes que ocorreram recentemente na América Latina.

“Há uma mudança (mais) importante, que é a a gradual emergência e consolidação de democracias estáveis e economias de mercado”, diz Michael Reid, citando os exemplos de Brasil, Chile, México e Colômbia.

A associação entre Chávez e a América Latina é tanta que, inicialmente, o editor do livro do jornalista na América do Norte queria que o líder venezuelano tomasse a capa de “O continente esquecido”.

Depois de alguma negociação, o jornalista conseguiu um compromisso: na edição em inglês, o livro traz uma fotografia dos edifícios de São Paulo em contraponto com a imagem de Hugo Chávez discursando em uma favela.

Na edição brasileira, a referência a Chávez desapareceu: a capa é dividida entre edifícios modernos de uma grande metrópole e as favelas ainda muito comuns nos países latino-americanos.

Brasil e Venezuela

No que diz respeito à Venezuela, o jornalista diz que o Brasil terá que, no curto prazo, tomar uma decisão sobre a natureza de sua relação com o país. “Chávez tem um projeto de longo prazo e existe um risco real de que o país deixe de ser uma democracia”, ressaltou Reid.

Ele lembra que, ao contrário de seus aliados mais próximos – como o boliviano Evo Morales e o equatoriano Rafael Correa – Chávez tem formação militar, o que pode ser considerado como uma ameaça extra aos direitos dos cidadãos. “Acho que a administração Lula tem se iludido sobre Chávez.”

O editor da “The Economist” também ressaltou também que as economias de mercado latino-americanas se adiantaram à crise mundial, implantando maior regulação em suas instituições financeiras.

A medida, antes criticada, virou regra nos países desenvolvidos depois que muitos bancos fizeram empréstimos sem lastro financeiro para uma eventual onda de inadimplência. “A regulação nos sistema financeiro é atualmente o novo consenso."

Argentina

Entre outros “estudos de caso” da América Latina, Michael Reid cita a Argentina e o México. A economia argentina sofre, segundo ele, de uma histórica descontinuidade. Além disso, o país, de tempos em tempos, flerta "perigosamente" com o populismo. Isso faz com que o desenvolvimento da Argentina venha em ondas: expansões seguidas de períodos difíceis.

Neste momento de crise, o país enfrenta mais uma encruzilhada, pois, segundo ele, não fez o dever de casa para se proteger de um período de vacas magras.

“Depois do colapso da economia, (...) a Argentina enfrenta um novo período difícil”, ressaltou o jornalista, lembrando que o país não mexeu nas políticas fiscal e tributária e negligenciou a educação durante o curto período de expansão dos últimos anos.

México

No caso do México, Reid diz que a forte dependência dos Estados Unidos e a manutenção de monopólios pouco eficientes – como a Pemex, descrita por ele como “bem menos eficiente que a Petrobras" – impedem que o país aproveite melhor as reformas já feitas em seu mercado.

“Esses monopólios levam à falta de competição e inovação”, diz o jornalista. O país que deve ter uma forte recessão neste ano, com retração de 3,7%, segundo o FMI. Para o ano que vem, a economia mexicana deve voltar a crescer, com expansão prevista de 1%.

Entretanto, ele diz que o México está bem equipado para uma eventual retomada da atividade econômica, beneficiando-se naturalmente de uma recuperação mais rápida dos Estados Unidos.

“(O país) tem um formato econômico forte, regras claras para a economia e suas instituições vão muito bem, embora mais reformas estruturais sejam necessárias.”

Fonte: Fernando Scheller - G1

João Gilberto e sua obsessão pela perfeição

A música de João Gilberto exige uma capacidade de atenção absoluta. Quem afirma é o jornalista e crítico especializado Zuza Homem de Mello, autor do livro "João Gilberto", da coleção "Folha Explica".

Livro investiga e explica o caráter único da música de João Gilberto

A exigência, esclarece Homem de Mello, decorre da singularidade da música criada por João Gilberto. O autor investiga e "traduz" em palavras esse caráter único da música do artista em "Som", sétimo capítulo do livro "João Gilberto", que pode ser lido na íntegra abaixo.

No mesmo capítulo, o autor explica a obsessão de João Gilberto pela perfeição: "Esse é um dos aspectos que têm gerado as maiores controvérsias e acusações (chegando mesmo a processos judiciais) e sobretudo a fama das descabidas necessidades de João Gilberto", diz Zuza Homem de Mello.

Para entender a singularidade do som de João Gilberto e a sua incessante busca pela perfeição, leia o capítulo abaixo de "João Gilberto", de Zuza Homem de Mello, disponível nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou no site da Publifolha.

SOM

Quando um cantor se serve do violão para se acompanhar - um seresteiro como Sílvio Caldas, por exemplo -, ele tem no instrumento um complemento para sua voz, um guia para não se perder na afinação e na linha melódica. O instrumento é mais importante para ele do que para a maioria da platéia. Para a platéia, o violão está em segundo plano.

Desafinado by Joao Gilberto


Em João Gilberto, o violão é metade de um conjunto sonoro completado pela voz, formando um bloco, uma entidade unívoca de voz e violão, e não de voz com violão. É portanto um outro conceito, representado por dois timbres diferentes, o da voz humana e o das cordas do violão, formando um terceiro timbre, que, por sua vez, exige uma capacidade de atenção absoluta.

Essa entidade sonora volátil e magistralmente bem proporcionada é o universo de João Gilberto, é como ele vê uma canção, como concebe uma interpretação, é a forma de uma música existir em sua obra. Sua capacidade de sublimar canções lhe dá condições de um corriqueiro "Parabéns a Você" ou uma simplória "Oh, Minas Gerais" soarem como algo novo, nunca ouvido antes, sem ferir o espírito do original.

Se ouvir um disco de João requer, pelos motivos acima, atenção redobrada, além de um preparativo cercado de silêncio, seus espetáculos são verdadeiras aulas de música brasileira, de uma nobre brasilidade -a começar pelo gosto com que canta a palavra "Brasil". Ao vivo, seu repertório se distribui em dois grupos. O primeiro é o dos clássicos, canções que ele lançou e que valem pela riqueza renovada de informações musicais a cada interpretação, numa recriação da recriação, que não tem limite. É o caso de "Desafinado", a música que mais gravou, e sempre uma novidade que se aguarda ansioso, para ver como será desta vez. O outro grupo é o das pedras preciosas que João retira de sua arca, deixando as pessoas se entreolhando sem saber de onde surgiu aquela canção. Em geral são velhos sambas ou marchas dos conjuntos vocais, inteiramente recompostos na sonoridade voz-e-violão de João Gilberto, as assim chamadas interpretações joãogilbertianas.

Na sua apresentação no programa O Fino da Bossa, da TV Record, em 1966, João cantou apenas três músicas, mas deu uma de suas preciosas aulas de música popular brasileira. A primeira foi "Eu Sambo Mesmo", de Janet Almeida, lançada pelo conjunto Anjos do Inferno em 1946 e só gravada por ele muitos anos depois, em 1991. As outras duas ainda não foram gravadas por João: "Exaltação à Mangueira", conhecido samba cantado em 1956 por Jamelão, e "Pica-pau", uma marchinha de Ari Barroso gravada pelos Quatro Ases e Um Curinga para o Carnaval de 1942.

No ano 2000, ele incluiu em seus espetáculos o samba de Herivelto Martins "Às Três da Manhã", que disse ter aprendido com Araci de Almeida, a primeira a gravá-lo, em 1946, tendo sido regravado muito mais tarde por Moraes Moreira, em 1977. João tem um arsenal de canções brasileiras, muito além do que se imagina para seus espetáculos, fazendo essa historiográfica conexão com canções do passado que estariam praticamente perdidas no tempo. Sua ligação com os conjuntos vocais dos anos 40 é uma das fontes para pinçadas como essas, que intrigam a platéia e provocam a crítica.

Ouvir depois de João as versões originais é uma surpreendente experiência, pois fica mais clara a carga de informação acrescentada. Ele decompõe a canção pedaço por pedaço, frase por frase, acorde por acorde, e a reconstrói como um artesão, sob a forma unívoca de um som de voz e violão, acrescida do caráter de um esteta.

É esse esteta que se ouve nos espetáculos e discos que João Gilberto realizou depois que voltou a residir no Brasil. Convidou Rita Lee, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethania para os dois primeiros discos brasileiros (1980 e 1981), instigando-os a cantar como ele, de modo independente do estilo de cada um. Como por encanto, foi o que aconteceu com cada um, surpreendentemente até com Maria Bethania, na gravação do LP Brasil: "Eu gravei com ele sem fone, sem nada, conversando, cantando nós quatro (João, Caetano, Gil e eu), só com o violão dele, cantando, cantando, uma coisa louca []. Então João me botou pra cantar assim. Quando me ouvi, eu disse: que é isso? Eu tomei um susto, porque é outra coisa. Não tem uma lembrança da cantora que eu sou. Da cantora que todo mundo conhece dos meus discos. Não tem nada a ver. Fui apresentada a mim de novo" (depoimento de Maria Bethania para o press-release de lançamento do disco Brasil, da WEA).

Em alguns dos espetáculos programados no Brasil, como no Canecão em 1979, João Gilberto enfrentou dificuldades com a sonorização, embora muitas vezes estivesse sozinho com seu violão, ou seja, com a simples combinação sonora de sua identidade musical. Esse é um dos aspectos que têm gerado as maiores controvérsias e acusações (chegando mesmo a processos judiciais) e sobretudo a fama das descabidas necessidades de João Gilberto. Embora esteja muito longe das exigências de algumas estrelas do show business, João é irredutível num ponto: a qualidade de sonorização tem de ser irrepreensível. Voz e violão precisam estar perfeitamente equilibrados, audíveis de qualquer ponto, com um retorno perfeito para sua própria performance; enfim, ele não aceita o quase perfeito. Seu apuro auditivo é de tal ordem que consegue detectar em instantes o que técnicos não perceberam, chegando a duvidar de suas colocações. Ao final, acabam admitindo que ele tem razão.

Sua notória preocupação com a sonorização em espetáculos não é com o volume do violão e da voz no ambiente. É com a clareza, a pureza, a definição e o equilíbrio entre sons agudos, médios e graves, com as freqüências harmônicas, como se os sons da voz e do violão pudessem ficar nitidamente próximos da platéia. Em suma, gostaria de chegar ao ouvido de cada um como se estivesse a centímetros de distância e não a vários metros. Parece utópico, mas a acústica registra inúmeros casos de vastos ambientes onde um ator ou cantor, mesmo falando relativamente baixo, consegue ser ouvido com nitidez a uma grande distância, como se estivesse ao lado do espectador. É uma das surpresas de que se gabam os guias turísticos nas visitas a certas arenas e teatros gregos do passado.

Quando a sonorização está perfeitamente ajustada, ele consegue manter a ilusão de que uma sala com 3 mil pessoas é tão pequena que o cantor parece estar à frente de cada um. Nessas condições, um espetáculo de João Gilberto é uma inesquecível experiência de integração entre o artista e a platéia, hipnotizada pela magia de seu som.



"João Gilberto"
Autor: Zuza Homem de Mello
Editora: Publifolha
Páginas: 128
Quanto: R$ 18,90
Onde comprar: nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha

Obama foi confundido com manobrista e seguido por seguranças; leia depoimento

A plena realização do sonho de Martin Luther King de viver em um país onde as pessoas são julgadas pelo caráter e não pela cor da pele ainda não aconteceu. Quem afirma é Barack Obama, que assumiu a Presidência dos Estados Unidos no último dia 20.

"Sou capaz de relatar a ladainha usual de pequenos insultos que me foram direcionados: seguranças me seguindo quando entro em lojas de departamento, casais brancos que me jogam a chave de seus carros quando estou parado fora do restaurante esperando pelo valet, carros de polícia que me param por nenhuma razão aparente", diz Obama.


O "desabafo" do futuro presidente dos EUA está no livro "Audácia da Esperança - Reflexões Sobre a Reconquista do Sonho Americano" (Larousse, 2007), ensaio autobiográfico no qual Barack Obama fala sobre as tensões raciais nos EUA, sua vida e apresenta suas idéias para o país. No livro, ele também discute Bush e seu governo, a intervenção norte-americana no Iraque, o terrorismo islâmico e outros temas americanos.

No trecho do livro que pode ser lido abaixo, Obama usa exemplos de sua vida pessoal e indicadores sociais para comprovar seu argumento de que o racismo ainda não foi superado nos EUA.

Leia o texto de Obama

Quando sou apresentado às pessoas, elas às vezes citam um trecho do discurso que fiz na Convenção Nacional Democrata de 2004 que pareceu causar comoção: "Não existem os Estados Unidos dos negros, os Estados Unidos dos brancos, os Estados Unidos dos descendentes de latinos ou os Estados Unidos dos descendentes de asiáticos - existem apenas os Estados Unidos da América". Para eles, essa idéia reflete uma visão dos Estados Unidos finalmente livres do passado de Jim Crow e da escravidão, dos campos de concentração japoneses e dos bóias-frias mexicanos, das tensões trabalhistas e dos conflitos culturais - um país que concretiza o desejo de Martin Luther King de não sermos julgados pela cor de nossa pele, mas pelo nosso caráter.

De certa forma, não tenho outra escolha a não ser acreditar nessa visão dos Estados Unidos. Como filho de negro com branca, nascido na "mistura de raças" do Havaí - e com uma irmã meio indonésia (que é normalmente confundida com mexicana ou porto-riquenha), um cunhado e uma sobrinha de ascendência chinesa, alguns parentes consanguíneos que parecem a Margaret Thatcher e outros que poderiam se fazer passar pelo Bernie Mac, de maneira que as reuniões familiares no Natal parecem uma reunião da Assembléia-Geral da ONU -, nunca tive como restringir minha lealdade com base na raça, ou medir meu valor baseado na minha tribo.

Além disso, acredito que parte da genialidade dos Estados Unidos deva-se à sua capacidade de incorporar os recém-chegados e construir uma identidade nacional com base nos diferentes povos que chegaram às nossas terras. Nisso recebemos a ajuda de uma Constituição que, apesar de ter sido estragada pelo pecado original da escravidão, tem em seu bojo a idéia de igualdade perante a lei; também contamos com a ajuda de um sistema econômico que, mais do que qualquer outro, ofereceu oportunidades a todos que tivessem potencial, sem considerar status, título ou classe social. É claro, os sentimentos de racismo e xenofobia têm minado repetidamente esses ideais; os poderosos e privilegiados têm muitas vezes explorado o preconceito para facilitar o favorecimento próprio. Mas, nas mãos dos reformistas, de Tubman a Douglass, Chavez e King, esses ideais de igualdade aos poucos moldaram a maneira como enxergamos a nós mesmos e possibilitaram o surgimento de uma nação cujo multiculturalismo assumiu uma forma única, diferente da de qualquer outro país.

Por fim, essas linhas em meu discurso descrevem a realidade demográfica dos Estados Unidos do futuro. Atualmente, no Texas, na Califórnia, no Novo México, no Havaí e no Distrito de Colúmbia, a maioria é hoje minoria. Mais de um terço da população de outros doze estados é composto de latino-americanos, negros e/ou asiáticos. Os latino-americanos já chegam a 42 milhões no país e são o grupo demográfico que mais cresce, respondendo por quase metade do crescimento populacional da nação entre 2004 e 2005; a população de origem asiática, embora bem menor, passou por um aumento similar e espera-se que cresça mais de 200% nos próximos 45 anos. Pouco depois de 2050, segundo projeções de especialistas, os Estados Unidos não serão mais um país de maioria branca. As conseqüências que isso trará para nossa economia, nossa política e nossa cultura ainda são impossíveis de prever com exatidão.

Mesmo assim, quando ouço os comentaristas dizendo que meu discurso é sinal de que chegamos à "política pós-racial" ou de que já vivemos em uma sociedade sem discriminação racial, preciso fazer uma ressalva. Dizer que todos formamos um só povo não é sugerir que nele as questões de raça foram superadas; nem que a luta pela igualdade foi vencida, ou que os problemas hoje enfrentados pelas minorias neste país são em grande parte causados por elas mesmas. Conhecemos as estatísticas: em quase todo indicador socioeconômico, da mortalidade infantil à expectativa de vida, da taxa de emprego à moradia própria, os negros e os latino-americanos continuam bem atrás dos brancos. Nos altos cargos executivos de todos os Estados Unidos, as minorias não estão representadas; no Senado, há apenas três membros latinos e dois asiáticos (ambos do Havaí); e ao escrever isso hoje, sou o único afroamericano no recinto. Sugerir que nossa atitude em relação a raça não tem um papel importante nessas disparidades é fechar os olhos para nossa história e experiência - e uma tentativa de nos livrar da responsabilidade de consertar a situação.

Além disso, embora minha própria criação dificilmente seja um exemplo típico da experiência afro-americana - e embora, por sorte e circunstância, eu hoje ocupe uma posição que me separa da maioria dos solavancos e contusões que o negro comum precisa enfrentar -, sou capaz de relatar a ladainha usual de pequenos insultos que me foram direcionados ao longo de meus 45 anos: seguranças me seguindo quando entro em lojas de departamento, casais brancos que me jogam a chave de seus carros quando estou parado fora do restaurante esperando pelo valet, carros de polícia que me param por nenhuma razão aparente. Sei como é ouvir gente dizer que não posso fazer algo por causa da minha cor, e conheço o gosto amargo da raiva ao engoli-la a seco. Também sei que eu e Michelle devemos estar sempre atentos em relação a algumas das histórias prejudiciais que nossas filhas poderão absorver - da televisão, de músicas, dos amigos e das ruas - sobre quem o mundo acha que elas são, e sobre o que o mundo imagina que deveriam ser.

Pensar a questão da raça de forma clara, portanto, exige que vejamos o mundo em uma tela dividida - para, enquanto olhamos sinceramente para a situação atual do país, termos em mente que tipo de nação queremos, a fim de reconhecer os pecados de nosso passado e os desafios do presente sem ficarmos presos ao cinismo ou desespero. Testemunhei uma profunda mudança nas relações raciais ao longo de minha vida. Fui capaz de senti-la com tanta clareza como alguém sente uma mudança de temperatura. Quando ouço algumas pessoas da comunidade negra negarem essas mudanças, penso que isso não apenas desonra os que lutaram pelo nosso interesse, mas também nos impede de completar o trabalho que eles começaram. Porém, por mais que insista em que as coisas melhoraram, também sei que na verdade melhorar não é o bastante.

"Audácia da Esperança - Reflexões Sobre a Reconquista do Sonho Americano"
Autor: Barack Obama
Editora: Larousse
Páginas: 400
Quanto: R$ 55,90
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou na Livraria da Folha

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails