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Antropólogo Marcelo Fortaleza Flores, fala sobe a obra de Claude Lévi-Strauss

Lévi-Strauss tinha um intelecto de exceção e, nem por isso, desprezava seus pares, respeitando pesquisadores

'Era lúcido e claro como uma lâmpada'


PARIS - Às vésperas de seu 101° aniversário, o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss não era mais figura fácil nas imediações de sua casa, no 16° distrito de Paris, nem nos corredores do metrô da capital francesa. Tampouco era visto no Collège de France, a instituição fetiche da alta cultura do país, onde foi professor na disciplina de Antropologia Social, nem nas páginas de jornais e programas de TV. Às vésperas de sua morte, o acadêmico era um homem recluso. Mas este comportamento não significava que seu intelecto de exceção não continuasse ativo.

Mais sobre Claude Lévi-Straus

Um pouco sobre a vida e a obra de Claude Lévi-Strauss

SÃO PAULO - O antropólogo e filósofo francês Claude Lévi-Strauss, que morreu aos 100 anos de idade, no domingo, lecionou na Universidade de São Paulo nos anos 30. Aqui, realizou seus primeiros estudos de etnologia entre populações indígenas, trabalho que desenvolveu ao longo da vida e que o transformou num clássico obrigatório das ciências humanas.


Pesquisador deu aulas nos primeiros anos da USP e iniciou os estudos que o tornariam famoso no Brasil/Acervo AE.

A USP divulgou nota lamentando a morte do antropólogo: "Estudou na Universidade de Paris e demonstrou verdadeira paixão pelo Brasil, conforme registrado em sua obra de sucesso 'Tristes Trópicos', em que conta como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do país. Lévi-Strauss completaria 101 anos no fim deste mês".

Morre aos 100 anos o antropólogo Claude Lévi-Strauss

O antropólogo Claude Lévi-Strauss, um dos intelectuais mais importantes do século 20, morreu no sábado passado aos 100 anos, informou hoje a editora Plon. Ele sofria de Mal de Parkinson.

Lévi-Strauss influenciou de maneira decisiva a filosofia, a sociologia, a história e a teoria da literatura.

O intelectual nasceu em Bruxelas em 28 de novembro de 1908, de pais judeus e franceses. Estudou direito e filosofia na Universidade de Sorbonne, na França. Nos últimos anos, Lévi-Strauss viveu recolhido no apartamento que morou nos últimos 50 anos em Paris e recebia poucos amigos.

Lévi-Strauss iniciou seu grande projeto intelectual em 1934, quando foi convidado pela recém-fundada USP (Universidade de São Paulo) para lecionar sociologia.

O antropólogo viveu durante três anos no Brasil e fez várias excursões para o Centro-Oeste e o Norte do país e, em contato com índios cadiuéus, bororos e nambiquaras, começou a esboçar as bases do estruturalismo, corrente que revolucionaria a antropologia em meados do século 20.


O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, foi um dos fundadores da USP (Universidade de São Paulo)

As várias missões etnológicas e as experiências em Mato Grosso e na Amazônia foram contadas em seu terceiro livro, "Tristes Trópicos" (1955), também considerado uma espécie de autobiografia intelectual. As obras fundamentais foram lançadas bem depois de sua curta temporada no Brasil.

De volta a Paris, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, foi convocado para combater em 1939, mas deu baixa por causa da origem judia.

Em 1941, se refugiou nos Estados Unidos, dando aulas em Nova York, onde conheceu o linguista Roman Jakobson, que teve uma grande influência sobre seu pensamento.

Lévi-Strauss notabilizou-se também por sua atenção entre as relações entre a cozinha e a cultura. Na obra "Mitológicas" (1964-71), ele ilustra a oposição entre a natureza e a cultura, utilizando as noções de alimentos crus e cozidos, frescos e podres, molhados e queimados, por exemplo. Com isso, seria possível alcançar generalizações sobre o pensamento humano.

Para a maior parte do meio acadêmico brasileiro, a influência de Lévi-Strauss se deu bem depois de sua partida da USP. O etnólogo alcançou notoriedade entre os antropólogos brasileiros entre os anos 50 e 80, principalmente.

Fontes: FOLHA - Efe

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