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Rebelião e Surto de Cólera no Haiti; soldados brasileiros atacados

Surto de cólera já matou mais de mil pessoas no país. Haitianos ocuparam o centro da capital em protesto contra epidemia.

Tropas da ONU fazem patrulha em Porto Príncipe (Foto: AFP)

Centenas de jovens haitianos ocuparam o centro de Porto Príncipe nesta quinta-feira (18), onde atacaram soldados brasileiros da força de paz da ONU e levantaram barricadas para protestar contra a epidemia de cólera.

Os manifestantes cercaram e atiraram pedras em um caminhão com soldados brasileiros da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), que tentaram afastar a multidão apontando suas armas, sem sucesso.

Durante o confronto, um soldado caiu e foi atingido por várias pedras, mas conseguiu se levantar e embarcou no caminhão, que escapou levando os militares brasileiros.

Um dos soldados da missão de paz brasileira cai de um caminhão em frente a manifestantes durante protesto em Porto Príncipe (Foto: Ramon Espinosa / AP)

Os jovens bloquearam com caçambas de lixo as ruas próximas ao Palácio Presidencial, surpreendendo o pequeno contingente da Minustah que patrulhava a zona.

Os manifestantes, que se reuniram na praça do Campo de Marte, bem perto do Palácio Presidencial, gritaram slogans em creole tais como "A Minustah nos trouxe a cólera". Um cartaz em creole também indicava "A Minustah joga excrementos na rua".

"Estamos contra o poder e contra a Minustah, que não fazem nada. A Minustah deveria pacificar o país e hoje estamos pior. A Minustah mata haitianos", disse Ladiou Novembre, um professor do ensino médio.

Os jovens tentaram chegar à base da Minustah em Gourdon, mas foram impedidos por militares não identificados, que fizeram disparos e atiraram bombas de gás lacrimogêneo. Os manifestantes recuaram então para a praça do Campo de Marte, diante do Palácio Presidencial.

Nos campos de refugiados da capital, onde milhares de pessoas vivem em barracas, jovens também enfrentaram as tropas da ONU lançando pedras, e foram reprimidos com bombas de gás lacrimogêneo.

Na véspera, um homem morreu baleado e várias pessoas ficaram feridas depois de choques entre capacetes azuis e manifestantes em Cap-Haitien, norte do país.

No início da semana, confrontos entre manifestantes e capacetes azuis deixaram dois mortos e 14 feridos em Cap-Haitien, além de seis soldados da ONU feridos em Hinche (centro).

Centenas de pessoas se reuniram na frente do Ministério de Saúde Pública para exigir a saída da Minustah

Após serem dispersados, os manifestantes se concentraram em diferentes pontos, como a faculdade de Etnologia, onde começaram a circular por grupos e a divulgar o protesto.

Segundo o porta-voz da Minustah, Vincenzo Pugliese, o temor da população de sair às ruas após os incidentes dificultam a assistência aos afetados pelo cólera.

"Um paciente com cólera precisa receber assistência em três horas para sarar", mas na atual situação, "o paciente que está em sua casa e não pode sair por causa das barricadas acaba morrendo", enfatizou.

A porta-voz da ONU em Genebra, Corinne Momal-Vanian, disse que os protestos desta segunda-feira contra a presença da Minustah no Haiti foram "politicamente motivados" pelo período pré-eleitoral.

Além disso, referiu-se a um comunicado emitido pela ONU em Porto Príncipe, que destaca que "foram feitos vários experimentos" para verificar a responsabilidade dos agentes da Minustah e todos deram negativo.

A epidemia

Os haitianos acusam membros da ONU vindos do Nepal de terem trazido o vibrião do cólera ao país.

A epidemia já matou 1.110 pessoas e hospitalizou 18.382 desde o começo da epidemia, em meados de outubro.

Os números, segundo a Organização Pan-americana de Saúde, ainda estão subestimados. O órgão afirma que até 20 mil podem ser infectados e até 10 mil podem morrer nos próximos seis a 12 meses.

O cólera, particularmente fatal em crianças e idosos, se desenvolve rapidamente depois das bactérias chegarem ao intestino. Os sintomas incluem forte diarreia e desidratação e, sem tratamento, pode matar em poucas horas.

A situação deve se agravar em um país onde milhões de pessoas vivem em campos de refugiados desde o terremoto de 12 de janeiro, em condições higiênicas precárias.


Fontes: G1- FOLHA - Efe - AFP - REUTERS  - CNN

Ajuda do Brasil ao Haiti equivale a gastos com manutenção das tropas

A ajuda financeira do governo brasileiro ao Haiti, devastado por um terremoto no dia 12 de janeiro, há exatamente seis meses nesta segunda-feira, chegou a US$ 222 milhões neste período.

De acordo com o Itamaraty, outros US$ 117 milhões estão “prometidos” e deverão ser transferidos por meio de projetos de cooperação, elevando o total da ajuda para US$ 339 milhões, cerca de R$ 645 milhões.

O valor se aproxima da quantia gasta, em seis anos, na manutenção das tropas brasileiras no Haiti, que segundo a ONG Contas Abertas somou R$ 700 milhões no período.

A maior parte do dinheiro brasileiro destinado ao Haiti (US$ 172 milhões) deverá integrar o fundo de reconstrução do país caribenho, criado por um grupo de 26 países, em março. Desse total, US$ 55 milhões da parte brasileira já foram depositados.

Apesar de ter se comprometido com uma quantia inferior a das grandes potências, o Brasil está entre os poucos que efetivamente realizaram a transferência do dinheiro.

O governo americano, por exemplo, prometeu US$ 1,15 bilhão durante o encontro, mas ainda aguarda a aprovação do Congresso para que a verba seja liberada.

Na avaliação de um interlocutor do Palácio do Planalto, a “rapidez” com que o país se propôs a depositar sua parcela serviu como uma “sinalização” do peso que o Haiti tem entre as prioridades da política externa brasileira.

“E também não deixa de ser uma forma de pressionar para que os outros países também apressem suas doações ao fundo”, diz a fonte.

Reconstrução

Segundo o chefe do departamento de América Central e Caribe do Itamaraty, ministro Rubens Gama Filho, a posição do governo brasileiro é de que a reconstrução seja liderada pelo governo haitiano e suas instituições.

Logo após o terremoto, representantes do governo brasileiro demonstraram receio de que outros países assumissem a reconstrução, deixando o governo do Haiti à margem do processo.

“Somos um dos doadores, mas o grande vetor da reconstrução, agora, é a Comissão Interina de Reconstrução, presidida pelo primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive”, diz Gama Filho.

O diplomata reconhece que há um clima de “ansiedade” entre os haitianos, de que “as coisas não estão acontecendo”, mas segundo ele é preciso considerar a “complexidade” da reconstrução de um país.


“O dinheiro não é tudo. É preciso ainda respeitar prazos para a criação de projetos, para as licitações. É um trabalho de formiguinha”, diz o ministro.

Segundo Gama Filho, o terremoto causou um prejuízo equivalente a 120% do Produto Interno Bruto do Haiti, além de ter aumentado o desemprego para 95%. “Estamos falando de um cenário muito complexo”, diz.

Uma das preocupações do governo brasileiro é evitar que os haitianos continuem dependentes da importação de alimentos, mesmo com 80% da população trabalhando de alguma forma na agricultura.

Na última visita que fez ao país caribenho, em fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que era preciso incentivar a “produção local” e, assim, permitir que os haitianos andassem “com as próprias pernas”.

Tropas

Presentes no Haiti desde junho de 2004 – onde lideram a missão de paz das Nações Unidas, a Minustah –, as tropas brasileiras também são consideradas pelo governo brasileiro como um braço “auxiliar” na reconstrução do país.

Segundo o comandante da missão, general Paul Cruz, o Conselho de Segurança fez um “ajuste” no mandato da missão, em função do terremoto.

“Nosso foco ainda é a manutenção da segurança, mas tivemos um ajuste e estamos colaborando muito com a questão dos entulhos, manutenção de estradas etc”, diz o comandante.

Logo depois do desastre, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou o envio de mais 2.000 militares, que se somaram aos 7.000 que já se encontravam no Haiti.

A maior contribuição entre o novo contingente foi brasileira, com o envio de 900 militares. Além disso, o Exército enviou duas unidades extras de engenheiros para ajudar na reconstrução do país.

Dias após o terremoto, o então comandante da Minustah, general Floriano Peixoto lamentou a tragédia, mas acrescentou que o Brasil não poderia perder a “oportunidade de mostrar sua importância” com o episódio.

O comentário do general Peixoto foi feito em meio a rumores de que o Brasil estaria preocupado com a forte presença das tropas americanas no Haiti no pós-terremoto.

Em Porto Príncipe desde o mês de abril, o general Paul Cruz nega que tenha havido disputas entre os dois países. “As duas tropas, inclusive, se coordenaram numa ação bilateral: o Brasil com a questão da segurança e os americanos mais voltados para a ajuda humanitária”, diz.


Fonte: BBC/Fabrícia Peixoto

Militares gaúchos embarcam para missão de paz

Último grupo a deixar Santa Maria vai se juntar ao resto do contingente para treinamento no Rio de Janeiro antes de seguir para o Haiti

Militares partiran na tarde de sábado do Aeroporto Civil de Santa Maria
Foto:Ronald Mendes / Especial

O último grupo de militares gaúchos da 3ª Divisão do Exército (3ª DE), que vão integrar a missão emergencial no Haiti, embarcou na tarde de sábado, no Aeroporto Civil de Santa Maria, rumo ao Rio de Janeiro. A equipe vai ter duas semanas de preparação antes de seguir para o país atingido por um forte terremoto, há quase um mês. Segundo a seção de comunicação da 3ª DE, o avião KC-137 levou 130 homens.

O efetivo tem mais de 10 cidades gaúchas representadas. Na quinta e na sexta-feira, outros dois grupos de militares, totalizando 198 homens, embarcaram para a capital fluminense em Santa Maria. Os militares devem ficar no Haiti por seis meses.

Fonte: Zero Hora

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