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Israel pune oficiais por uso de fósforo branco durante ofensiva em Gaza

É a primeira vez que Israel admite uso de arma proibida por leis internacionais, contra civis na Faixa de Gaza.


O Exército israelense submeteu dois oficiais a punição disciplinar por terem autorizado a utilização de fósforo branco no bombardeio de um bairro residencial na cidade de Gaza, há um ano.

Segundo o documento enviado à ONU pelo Exército israelense, um general de brigada e um comandante de divisão sofreram punição disciplinar por terem "arriscado vidas humanas" quando autorizaram a utilização de armamentos com fósforo branco para bombardear o bairro de Tel El Hawa, no dia 15 de janeiro de 2009, durante a ofensiva israelense à Faixa de Gaza.

Esta é a primeira vez que Israel admite a utilização de fósforo branco, armamento proibido pelas leis internacionais, contra civis na Faixa de Gaza.

Também é a primeira vez que o Exército israelense anuncia a punição de comandantes militares por atos cometidos durante a ofensiva, que deixou cerca de 1,3 mil mortos do lado palestino e 13 do lado israelense.

A comissão de investigação da ONU, dirigida pelo jurista sul-africano Richard Goldstone, acusou Israel de cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Faixa de Gaza e exigiu que o governo israelense investigue a atuação de suas tropas durante a ofensiva realizada no ano passado.

Em resposta, Israel enviou um relatório descrevendo as investigações que foram realizadas pelo Exército.

ONGs de defesa dos direitos humanos exigem que Israel nomeie uma comissão independente para investigar os atos do Exército e não consideram suficientes as investigações internas feitas pelo próprio Exército.

Antes do envio do documento à ONU, a versão do Exército israelense era de que o fósforo branco teria sido utilizado apenas para fins de "dificultar a visibilidade das tropas pelo inimigo" e não diretamente contra civis.

O armamento, que cria uma especie de "cortina de fumaça", é altamente perigoso quando atinge pessoas pois gera queimaduras profundas.

No caso mencionado no relatório do Exército israelense, projéteis com fósforo branco atingiram a sede da Agencia de Refugiados da ONU (UNRWA) na cidade de Gaza, deixando vários civis feridos e provocando um incêndio no local.

Segundo porta-vozes militares "o documento enviado à ONU demonstra que o Exército israelense não tem o que esconder".

Os porta-vozes também afirmaram que o Exército "não esperou pelo relatório Goldstone para investigar irregularidades durante a operação".


Fonte: BBC

Força aérea de Israel ataca túneis na Faixa de Gaza

Ao menos uma pessoa ficou ferida no bombardeio; último ataque aconteceu há duas semanas

JERUSALÉM - Aviões de guerra israelenses atacaram nesta sexta-feira, 1, túneis subterrâneos na fronteira entre a fronteira da Faixa de Gaza e o Egito.

Segundo o governo israelense, os túneis são usados para contrabando de armas e de outros bens. O ataque deixou uma pessoa levemente ferida, de acordo com o Hamas.

O último ataque na região havia acontecido duas semanas atrás. Entre janeiro e dezembro, Israel invadiu a Faixa de Gaza para interromper o lançamento de foguetes do território contra o sul do país. O confronto com forças do movimento islâmico deixou 1,4 mil palestinos mortos e vitimou 13 israelenses.

Demolição de casas

Ainda nesta sexta, a Organização das Nações Unidas (ONU), pediu que Israel interrompa a demolição de casas árabes em Jerusalém Oriental. O governo do país alega um déficit imobiliário para construir novas residências nesta região da cidade, pretendida como capital de um futuro Estado palestino.

Novo Ataque




Coluna de fumaça indica alvo de novo bombardeio da Força Aérea de Israel a túneis clandestinos em Gaza; dois palestinos morreram

Dois palestinos morreram em uma série de bombardeios aéreos israelenses no sul da faixa de Gaza, em área fronteiriça com o Egito, segundo fontes médicas e de segurança locais.

A agência de notícias Efe fala que outras quatro pessoas ficaram feridas nos ataques.

Fontes de segurança do movimento radical islâmico Hamas, que governa Gaza, disseram que aviões de combate israelenses dispararam contra três túneis na zona fronteiriça que liga o território egípcio ao sul do palestino.

Moradores na região disseram ter ouvido uma série de explosões e que viram caças-bombardeiros F-16 sobrevoando a área.

As equipes de resgate e ambulâncias encontraram os dois cadáveres em meio aos escombros de um dos túneis destruídos.

O chefe do serviço de emergência do Ministério da Saúde em Gaza, Moawiya Hassanein, confirmou a morte de dois palestinos, cujos corpos foram levados para o hospital de Rafah.

A imprensa israelense também informou que os alvos dos bombardeios foram três túneis usados para o contrabando de armas em direção à faixa de Gaza.

Os ataques ocorreram depois que, pela manhã, grupos palestinos dispararam três bombas a partir da faixa de Gaza contra o território israelense, sem causar vítimas.

Os Comitês Populares da Resistência assumiram a autoria dos lançamentos de bombas.

O Exército israelense confirmou ter lançado vários ataques aéreos perto da localidade fronteiriça de Rafah, mas não deu mais detalhes.

A aviação israelense atacou ontem na mesma área outros dois túneis usados --segundo porta-vozes militares-- para introduzir armas em Gaza, depois do disparo de dois foguetes Qassam a partir desse território palestino contra solo israelense, que não causaram vítimas nem danos.

O uso de túneis por palestinos para o contrabando de produtos, combustível e outros materiais à faixa de Gaza cresceu depois que Israel intensificou o bloqueio à região, com a tomada do poder pelo Hamas em junho de 2007.

As mortes de hoje são as primeiras desde que Israel e as facções armadas palestinas, lideradas pelo Hamas, comprometeram-se há mais de três meses a respeitar um cessar-fogo temporário.

As duas partes anunciaram de forma separada o fim das hostilidades em 18 de janeiro, data em que terminou a ofensiva militar israelense em Gaza iniciada em 27 de dezembro, que deixou mais de 1.400 palestinos mortos e mais de 5.000 feridos, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza.

General israelense admite que tática usada em Gaza provocou morte de civis


Meninas palestinas observam estragos causados pela ofensiva israelense contra o Hamas na casa em que moram, no sul de Gaza

Os esforços do Exército israelense para proteger seus soldados de fogo palestino na recente ofensiva militar israelense contra alvos do movimento islâmico radical Hamas, na faixa de Gaza, pode ter contribuído para mortes de civis inocentes. A declaração é do general-de-brigada Tzvika Fogel, que participou da operação militar israelense que deixou ao menos 1.300 palestinos mortos, cerca de 5.000 feridos e destruiu 5.000 casas no território costeiro.

A declaração é mais um dos recentes episódios de denúncia e acusações contra Israel por sua conduta durante a operação militar.

Após enfrentar a condenação mundial devido ao número elevado de mortes no conflito de janeiro --ao menos 900 delas, civis-- Israel agora está sob pressão para justificar sua conduta, depois da série de reportagens do jornal israelense "Haaretz" com relatos de veteranos do conflito sobre assassinato de civis inocentes, vandalismo, além de um bilhete que ordena ataques a equipes médicas e a campanha dos rabinos do Exército para transformar a operação em uma "guerra santa".

A denúncia veio também em depoimentos de palestinos ao jornal britânico "The Guardian" que diz ter provas concretas sobre os crimes de guerra de Israel, como o uso de crianças palestinas como escudo humano.

O general-de-brigada, que foi mobilizado da reserva para participar da ofensiva de 22 dias, descreveu que era praxe considerar como potencial guerrilheiro do Hamas qualquer um que desobedecesse às ordens dos militares para deixar a zona de combate.

Contudo, afirma Fogel, os soldados israelenses ainda deveriam refletir antes de atirar e ter uma visão "razoável" de que a pessoa diante deles seria uma ameaça. Mas acrescentou: "Se você quer saber se eu acho que ao fazê-lo matamos inocentes, a resposta é inequivocamente sim".

"Seria muito desonesto da minha parte se eu lhe dissesse que isso era impossível", disse ele, à agência de notícias Reuters. "Mas, se houve tais incidentes, eles foram excepcionais. Não era o clima geral nem a política oficial."

Valor

Um dos relatos dos soldados israelenses fala justamente do descaso dos soldados israelense com a vida dos civis palestinos e a falta de ética e de moral na condução da ofensiva em um pequeno território de 360km² que abriga 1,5 milhão de pessoas.

"A atmosfera em geral, não sei como descrever. As vidas de palestinos, digamos que são menos importantes que as de nossos soldados", diz um dos trechos da declaração de um chefe de pelotão que atuou em Gaza, ao justificar a morte de uma palestina e seus dois filhos, mortos por um atirador de elite israelense. "Porque, depois de tudo, fez seu trabalho segundo as ordens que lhe foram dadas. [...] Assim, se eles estão preocupados, podem justificar desta forma", completa.

O Centro Palestino para os Direitos Humanos, que diz ter identificado todos os mortos, afirma que o conflito matou 1.417 palestinos, sendo 926 civis, inclusive 313 crianças e 116 mulheres. Muitos civis, de acordo com a entidade, morreram em bombardeios aéreos ou da artilharia israelense.

Os militares não forneceram cifras próprias. Uma entidade palestina vinculada às Forças Armadas alegou que a cifra de civis apresentada pelos palestinos inclui um grande número de jovens em idade de combate.

A lista de prioridades dos soldados israelenses, afirma Fogel, é primeiro levar os soldados seguros de volta para casa. "Segundo, estamos determinados a ganhar. Terceiro, não somos assassinos. Nós não podemos criar uma situação na qual lutaremos sem princípios."

Credibilidade

Richard Kemp, coronel britânico reformado que comandou forças no Iraque e no Afeganistão, disse compreender as táticas de Israel em Gaza, mas afirmou que em longo prazo a credibilidade dos militares depende de levar à Justiça eventuais violadores das leis de guerra.

"O combate é uma situação muito estranha. Mas não acho que se possa dizer que, por causa disso, deve-se aceitar que as regras sejam violadas"', disse Kemp, em Londres.

Fogel diz que esta será a reação do Exército. "Se tivermos um testemunho que mostra muito claramente que alguém se comportou de maneira inadequada e não fez a coisa certa, eu não tenho dúvidas de que haverá procedimentos legais", disse.

O chefe das Forças Armadas de Israel, tenente-general Gabi Ashkenazi, também prometeu nesta segunda-feira (23) responsabilizar os soldados por qualquer ação anti-ética.

Em um relatório apresentado nesta segunda-feira no Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), o relator especial sobre a situação nos territórios palestinos, Richard Falk, pediu uma "investigação de especialistas" para determinar se, dado o contexto, os israelenses eram capazes de distinguir entre alvos militares e a população civil.

"Se isso não era possível, então a ofensiva foi ilegal por natureza e constitui um crime de guerra da maior amplitude", escreveu no documento.

Soldados de Israel usavam crianças como escudo humano, afirma "The Guardian"


da Efe, em Londres

O jornal britânico "The Guardian" publicou nesta terça-feira reportagem na qual apresenta "provas documentadas" de supostos crimes de guerra cometidos por Israel durante a recente ofensiva militar contra alvos do movimento islâmico radical Hamas na faixa de Gaza, que se estendeu de 27 de dezembro passado a 18 de janeiro e deixou mais de 1.300 palestinos mortos.

Entre os crimes citados pelo jornal está o uso de crianças palestinas como escudo humano e os ataques diretos contra médicos e hospitais. O "Guardian" diz ter encontrado provas dos ataques feitos contra civis por aviões não tripulados que, segundo o jornal, são tão precisos que seu piloto pode distinguir até a cor da roupa de um possível alvo.

Os depoimentos estão em três vídeos feitos pelo "Guardian", que ampliam os pedidos da comunidade internacional para que se investigue a operação israelense contra o Hamas por crimes de guerra. Na última semana, o jornal israelense "Haaretz" também publicou uma série de reportagens com relatos de soldados que denunciam assassinato de civis inocentes, vandalismo, além de um bilhete que ordena ataques a equipes médicas e a campanha dos rabinos do Exército para transformar a operação em uma "guerra santa".

Entre os depoimentos mais dramáticos está o de três irmãos adolescentes da família Al Attar, que afirmam terem sido tirados de casa e obrigados a se ajoelhar em frente a carros de combate israelenses para evitar que os palestinos atacassem os invasores.

Os irmãos contam também que os soldados israelenses os enviaram em outras ocasiões como missão avançada às casas dos palestinos para, no caso da presença franco-atiradores, servirem de escudo para as primeiras balas.

A utilização de escudos humanos foi declarada ilegal em 2005 pela Suprema Corte israelense após vários incidentes do tipo.

Segundo o jornal, vários médicos e motoristas de ambulâncias contaram terem sido alvo de disparos israelenses e 16 morreram assim, algo estritamente proibido pelas Convenções de Genebra.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais da metade dos 27 hospitais e das 44 clínicas de Gaza foram bombardeados pelos israelenses.

Em um relatório publicado nesta terça-feira, a própria organização Médicos pelos Direitos Humanos de Israel denuncia as violações. "Observamos uma forte degradação ética por parte das Forças de Defesa Israelenses no que se refere ao tratamento da população civil de Gaza, que equivale de fato a um total desprezo pelas vidas dos palestinos", critica a organização.

Exército de Israel ordenou ataque contra equipes de resgate em Gaza, diz "Haaretz"

Um palestino encontrou uma instrução, escrita a mão e em hebraico, que indicava aos soldados israelenses a atacar equipes de resgate durante a recente ofensiva militar na faixa de Gaza, entre dezembro e janeiro, que deixou mais de 1.300 palestinos mortos, dos quais ao menos 900 civis, e causou duras críticas de organizações de direitos humanos contra Israel por crimes de guerra.

O conteúdo do comunicado é a terceira de uma série de reportagens publicadas pelo jornal israelense "Haaretz" nas quais os soldados israelenses relatam vandalismo e assassinato de civis inocentes durante a ofensiva e denunciam que rabinos incitaram uma "guerra religiosa" contra os palestinos em Gaza.


Palestina caminha por escombros de campo de refugiados em Rafah após um ataque israelense

"Regra de engajamento: Abrir fogo também contra pessoal de socorro" era o texto que estava escrito em uma folha de papel encontrada em uma das milhares de casas palestinas tomadas pelas Forças de Defesa israelenses em Gaza.

"Nem em crianças, nem em mulheres. Além do "tantcher" --incriminação", diz ainda instrução. "Tantcher" é como as Forças de Defesa de Israel chama a rota que passa por toda a extensão da faixa de Gaza. Como o bilhete foi encontrado a leste desta rota, afirma o jornal, é possível concluir que a instrução era para que atirassem em quem atravessasse a rota na direção da área controlada por Israel.


Menino palestino é visto nos escombros de uma das milhares de casas destruídas pela ofensiva militar israelense

Segundo o jornal, um reservista que não participou da operação militar disse que a instrução faz parte das ordens de um comandante de companhia aos seus soldados e deve ter sido entregue como um "resumo" das ordens que recebeu de seus superiores.

Números

A revelação veio apenas dois dias antes do novo relatório da ONG Médicos pelos Direitos Humanos, que aponta que os soldados israelenses não garantiram a proteção especial às equipes médicas durante a ofensiva. O texto indica ainda que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, 16 membros de equipes médicas foram mortos durante os 22 dias da ofensiva e outros 25 ficaram feridos durante o trabalho.

O relatório aponta ainda que Israel atacou 34 centros médicos em Gaza, incluindo oito hospitais, uma grave violação das leis internacionais de guerra. A ONG levanta ainda dúvidas sobre o respeito dos soldados israelenses ao código ético e aos valores humanitários básicos ao impedir ainda a retirada de civis feridos, cerca de 5.000 durante a operação.

"Os incidentes revelam não apenas que os militares não retiraram os feridos e suas famílias, mas também proibiram que as equipes médicas palestinas chegassem aos feridos", diz o relatório, citado em outra reportagem do jornal "Haaretz".

O jornal israelense lembra que membros de equipes de resgate da Cruz Vermelha Palestina foram atacados várias vezes durante a ofensiva. A falta de segurança para os trabalhadores humanitários tornou, em alguns casos, impossível a retirada dos feridos e mortos.

"Um número desconhecido de palestinos morreu por ter sangrado durante dias, sem tratamento médico, à espera de socorro, enquanto as pessoas não ousavam sair de suas casas. O documento encontrado na casa palestina fornece uma prova escrita de que os comandantes do Exército israelense ordenaram a seus soldados tropas que atirassem nas equipes de resgate", critica a reportagem.

Prova

Segundo o jornal, o papel com a instrução foi encontrado por um pesquisador do Centro Palestino dos Direitos Humanos, na casa da família de Sami Dardone, em Jabal al Rayes, a leste de Jabalya. A numerosa família de Dardone morava em cerca de 40 casas deste bairro. Algumas delas foram tomadas pelas tropas do Exército para servirem de abrigo, local de posicionamento de atiradores de elite ou para tiroteios em geral.

Uma fonte militar disse ao Haaretz que "o comunicado não é um documento oficial assinado por um comandante e o Exército não pode comentar fragmentos de sentenças que foram escritas em um pedaço de papel". A fonte pede ainda que o texto não seja interpretada como diretivas ordenadas por comandantes.

A data no papel indica o dia 16 de janeiro de 2008, o que o jornal diz ser "claramente um erro porque deveria indicar um ano depois". "[O papel] discute eventos políticos e militares que ocorrem em meados de janeiro de 2009. é possível concluir que o autor está discutindo a possibilidade de um cessar-fogo, que estava sendo discutido por oficiais israelenses na época", diz o "Haaretz".

"As próximas 24 horas são importantes, há uma chance de que eles Hamas não aceitarão o acordo", diz o texto. Segundo o jornal, o comunicado menciona ainda o ministro de Interior --uma referência provável ao ministro de Interior do Hamas, Said al Sayam, morto em 15 de janeiro deste ano em um ataque a sua casa.

Massacre

O comunicado é a terceira parte de uma série de reportagens chocantes sobre relatos de soldados israelenses sobre o conflito em Gaza.

Na semana passada, o jornal publicou relato de um comandante das Forças de Defesa que denunciou que rabinos do Exército disseram às tropas que lutavam na ofensiva militar que o confronto era uma "guerra religiosa" contra os pagãos.

"A mensagem deles era bem clara: nós somos judeus, nós viemos para esta terra por um milagre, Deus nos trouxe de volta a esta terra, e agora nós precisamos lutar para expulsar os pagãos que estão interferindo na conquista da terra santa", disse o comandante, citado pelo jornal.

O relato de Ram, um pseudônimo para proteger a identidade do militar, vazou de um encontro no dia 13 de fevereiro entre membros das Forças Armadas, estudantes do curso preparatório de soldados de Yitzhak Rabin, que compartilharam suas experiências em Gaza.

Alguns veteranos, formados na academia militar, falaram sobre o assassinato de civis inocentes e de suas impressões de desprezo profundo aos palestinos dentro das forças israelenses. "A atmosfera em geral, não sei como descrever. As vidas de palestinos, digamos que são menos importantes que as de nossos soldados", diz um dos trechos da declaração de um chefe de pelotão que atuou em Gaza, ao justificar a morte de uma palestina e seus dois filhos, mortos por um atirador de elite israelense.

O diretor da instituição, Danny Zamir, confirmou ao jornal israelense que os relatos são autênticos.

Soldado israelense denuncia que rabinos incitaram "guerra religiosa" em Gaza

Um comandante das Forças de Defesa israelense denunciou que rabinos do Exército disseram às tropas que lutavam na recente ofensiva militar contra alvos do movimento islâmico radical Hamas, na faixa de Gaza, que eles estavam lutando uma "guerra religiosa" contra os pagãos. O relato foi publicado nesta sexta-feira pelo jornal israelense "Hareetz", como continuação aos relatos divulgados nesta quinta-feira (19) sobre o vandalismo e assassinato de civis inocentes durante a ofensiva.

Segundo Ram, um sargento religioso de sua unidade "reuniu todo o pelotão e conduziu uma oração para aqueles que estavam indo para a batalha". "E também quando nós estávamos na operação, eles nos enviavam aqueles livrinhos repletos de salmos, uma tonelada deles. Imagino que poderíamos ter enchido um quarto da casa em que eu fiquei por uma semana com os salmos que eles mandavam."

O comandante afirmou ainda, segundo o "Haaretz", que havia uma "enorme diferença entre o que a unidade de educação militar enviava e o que os rabinos da IDF enviavam".

A corporação distribuía panfletos sobre a história da luta de Israel em Gaza desde 1948 até agora, segundo ele. Mas as mensagens que os rabinos passavam a muitos soldados eram no sentido de que "esta operação é uma guerra religiosa".

O rabinato da IDF oferecia ainda diversos serviços religiosos aos soldados, como supervisionar a preparação de comida kosher, segundo os preceitos do judaísmo, providenciar livros de oração, sessões de oração e aconselhamento religioso para qualquer soldado que quisesse participar. O envolvimento, contudo, não era obrigatório.

Crítica

Os testemunhos dos militares contradizem declaração oficial do Exército israelense sobre o rígido comportamento moral de suas forças durante a operação e confirmam em parte as acusações de organizações internacionais de direitos humanos que criticaram o excesso de violência na operação.

As Forças de Defesa de Israel pediram uma investigação sobre os relatos do grupo de soldados. O advogado militar, general Avichai Mendelblit, instruiu a Unidade de Investigação da Polícia Militar a iniciar uma investigação sobre os relatos de soldados de uma academia de cadetes sobre o assassinato de civis palestinos desarmados, vandalismo e a falta de regras e ética na condução da ofensiva israelense.

Segundo Zamir, o escritório da chefia das Forças de Defesa pediu a transcrição dos relatos dos soldados e uma reunião foi marcada para esta semana para debater o tema. "Eles não pretendem evitar a responsabilidade", disse, nesta quinta-feira (19).

O ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, respondeu as declarações publicadas pelo jornal dizendo estar confiante de que as Forças de Defesa lidarão com o tema "com toda a seriedade". "Nós temos o Exército mais moral do mundo", disse Barak, à Radio Israel.

"Eu passei dezenas de anos em uniforme. eu sei o que aconteceu na Iugoslávia, Afeganistão, Iraque e eu digo a você que ao chefe das Forças de Defesa ao último soldado, o Exército mais moral do mundo está pronto para receber ordens do governo de Israel. Eu não tenho dúvidas de que cada incidente será analisada individualmente", completou.

Soldados israelenses reconhecem morte de civis inocentes em Gaza

Os soldados israelenses que lutaram durante os 22 dias da recente ofensiva contra o movimento islâmico radical Hamas, na faixa de Gaza, admitiram que mataram civis que não representavam ameaça às tropas e destruíram intencionalmente suas propriedades, "simplesmente porque podiam". As declarações foram divulgadas em reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal israelense "Haaretz".

As confissões chocam pela franqueza. "A atmosfera em geral, não sei como descrever. As vidas de palestinos, digamos que são menos importantes que as de nossos soldados", diz um dos trechos da declaração de um chefe de pelotão que atuou em Gaza, ao justificar a morte de uma palestina e seus dois filhos, mortos por um atirador de elite israelense. "Porque, depois de tudo, fez seu trabalho segundo as ordens que lhe foram dadas. [...] Assim, se eles estão preocupados, podem justificar desta forma", completa.

O jornal publicou trechos de declarações de militares que lutaram durante a operação em Gaza realizada entre 27 de dezembro e 18 de janeiro deste ano e que deixou ao menos 1.300 mortos, entre eles ao menos 900 civis, além de destruir milhares de casas e a infraestrutura do território palestino.


Menino palestino é visto nos escombros de uma das milhares de casas destruídas pela ofensiva militar israelense

Os militares, entre eles pilotos de combate e soldados de infantaria, fazem as revelações em relatório do curso preparatório para soldados de Yitzhak Rabin. Seus testemunhos contradizem declaração oficial do Exército israelense sobre o rígido comportamento moral de suas forças durante a operação e confirmam em parte as acusações de organizações internacionais de direitos humanos que criticaram o excesso de violência na operação.

Falha de comunicação

Os testemunhos incluem a descrição de um líder de um pelotão de infantaria sobre um incidente no qual um atirador de elite disparou por engano contra uma mulher palestina e seus dois filhos. Segundo o militar, o comandante de outro pelotão deixou que a família saísse de um edifício no qual tinha ficado retida por soldados sob seu comando, para evitar que fosse confundida com militantes do Hamas.

"Disseram para que fossem pela direita. Uma mãe e os dois filhos não entenderam e foram à esquerda, mas esqueceram de dizer ao atirador de elite no telhado que deixasse eles irem, que tudo estava normal e que não devia atirar. E ele fez o que achava que devia fazer, cumpria ordens", disse.

Segundo o militar, "o atirador viu a mulher e os dois filhos se aproximando dele além das linhas que ninguém devia atravessar". "Atirou. Em qualquer caso, o que aconteceu é que os matou", resume.

O chefe de pelotão disse ainda não acreditar que o atirador se "sentisse mal a respeito", afinal, fazia apenas seu trabalho.

Não há lógica

Segundo o jornal, o chefe do pelotão conta ainda que foi conversar com seu comandante sobre as regras da operação que permitiam que os militares "checassem" as casas à procura de militantes palestinos com armas na mão e atirando sem nem ao menos avisar os moradores com antecedência.

Depois que as regras foram mudadas, afirma o jornal, o líder do pelotão reclamou que eles "deveriam matar todo mundo em Gaza". "Todo mundo é terrorista", explicou.

"Você não tem a impressão dos comandantes de que há qualquer lógica nisso, mas eles não dizem nada. Nós escrevíamos "morte aos árabes" nas paredes, pegávamos as fotos de família deles e cuspíamos nelas, apenas porque podíamos", conta o chefe do pelotão.

"Eu acho que este é o principal: Entender o quanto as Forças Armadas israelenses caíram no âmbito de ética. Isso é o que eu mais me lembrarei", disse o soldado.

O chefe do serviço jurídico do Exército israelense, Avichai Mendelblit, ordenou a abertura de uma investigação sobre as circunstâncias dos fatos relatados pelos soldados, que considera "errôneos" e "inaceitáveis" para as Forças Armadas de Israel.

Nota do Editor:

Todos sabem que apoio a existência do Estado de Israel, contudo, não podemos aceitar tal comportmento por parte dos militares. É uma vergonha, um escândalo moral.

Israel aprova cessar-fogo unilateral em Gaza


Reunião do Gabinete israelense, durante decisão do cessar-fogo, hoje.

Cessar-fogo passa a vigorar após às 22 horas deste sábado




CIDADE DE GAZA - O gabinete de segurança israelense aprovou neste sábado, 17, um cessar-fogo unilateral para interromper 22 dias de ofensiva na Faixa de Gaza, mas o grupo extremista Hamas, que controla o território, promete continuar lutando até que todas as tropas israelenses deixem a área. Durante todo o dia, até a reunião do gabinete, Israel continuou a bombardear Gaza.

Em declarações dadas imediatamente após a reunião, o primeiro-ministro Ehud Olmert disse que o Hamas "subestima a determinação de Isarel", e que o grupo "ainda não percebeu o quanto foi ferido". O chefe de governo disse ainda que a guerra de Israel "não é contra o povo de Gaza".

O gabinete aprovou um plano proposto pelo Egito de cessar-fogo de dez dias, durante os quais soldados de Israel continuariam posicionados no território, enquanto os termos de uma paz mais duradoura seriam discutidos.

Mas um porta-voz do Hamas disse que o simples cessar-fogo não basta. "O ocupante deve interromper seu fogo imediatamente e retirar-se nossa terra e suspender seu bloqueio e abrir todas as passagens, e nós não aceitaremos nenhum soldado sionista em nossa terra, não importa o quanto isso custe", disse Fawzi Barhoum.

Mais de 1,1 mil palestinos foram mortos nas três semanas de violência, de acordo com palestinos e a ONU. Treze soldados de Israel perderam a vida.

Israel lançou ataques aéreos contra a Faixa de Gaza em 27 de dezembro, e tropas terrestres seguiram uma semana mais tarde.

Sem um acordo com o Hamas, diplomatas dizem temer que Israel permita apenas a entrada de muito poucas mercadorias em Gaza, atrapalhando a reconstrução e criando mais dificuldades para o povo.

Há elementos para encerrar guerra em Gaza 'agora', diz ONU

Ban Ki-moon visita Israel no mesmo dia em que o Exército israelense atacou a sede da agência na Faixa de Gaza

Israelis edging closer to cease-fire agreement in Gaza


Ban Ki-moon se reuniu com a chanceler Tzipi Livni

JERUSALÉM - cretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse nesta quinta-feira que há elementos para encerrar os 20 dias da guerra de Israel na Faixa de Gaza "agora". "Eu acredito que há elementos para encerrar a violência agora", disse ele. Em entrevista coletiva em Israel, ele expressou ainda sua indignação por causa dos últimos ataques de Israel contra a sede da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinos, UNRWA, e outros complexos humanitários."É preciso deter o fogo de maneira imediata e chegar a uma trégua, do resto, será possível falar depois", disse Ban, em entrevista coletiva, em Jerusalém, após manter uma reunião com a ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni.

O secretário-geral da ONU disse que "é inaceitável" o que está acontecendo em Gaza e que "o número de vítimas até agora é grande demais". "Chegou a hora de a violência acabar e nós mudarmos fundamentalmente a dinâmica em Gaza para perseguir novamente as conversações de paz para uma solução de dois Estados, que é o único caminho para uma segurança duradoura para Israel", disse Ban em Tel-Aviv.

Segundo o secretário-geral, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que ocorreu um "grave erro" e pediu desculpas pelos disparos feitos contra instalações de ajuda humanitária da entidade internacional na Faixa de Gaza. "O ministro da Defesa me disse que foi um grave erro e que levou isso muito a sério. Ele me garantiu que será dada atenção extra às instalações e funcionários da ONU, e que isso não irá se repetir."

A agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA, na sigla em inglês) suspendeu, nesta quinta-feira, suas operações em Gaza depois de seu complexo ter sido atingido por várias bombas israelenses, ferindo três de seus funcionários, disse Adnan Abu Hasna, porta-voz da instituição. "As bombas disparadas por tanques israelenses caíram dentro do complexo da agência da ONU para refugiados palestinos em Gaza e feriram três de seus funcionários", disse ele à agência France Presse. "Nós decidimos suspender todas as nossas operações". Um dos prédios, contendo "centenas de toneladas" de ajuda humanitária, pegou fogo enquanto outras partes do complexo foram danificadas pelos disparos, informou outro funcionário da UNRWA.

Mais cedo, o complexo já havia sido atingido quando outra bomba israelense caiu nas proximidades do prédio, que fica perto da Universidade Islâmica, no centro da cidade de Gaza. De acordo com Chris Gunness, porta-voz da agência em Jerusalém, centenas de pessoas se abrigavam no interior do complexo quando ele foi atingido.


Negociações


O alto funcionário do Ministério da Defesa de Israel Amos Gilad chegou ao Cairo nesta quinta-feira para ouvir a resposta do Hamas ao plano para encerrar a violência na Faixa de Gaza. O grupo militante islâmico controla Gaza desde 2007. Gilad seria informado pelo chefe da inteligência egípcia, Omar Suleiman, sobre o caso. Na quarta-feira, o Hamas apresentou sua "visão" sobre o cessar-fogo, limitando-se a aceitar o plano em "linhas gerais".

"Esse encontro crucial deve demorar duas ou três horas, e Gilad deve partir nesta tarde para informar o governo israelense para eles tomarem uma decisão", disse uma fonte diplomática próxima às negociações à agência France Presse. O porta-voz do Hamas Salah al-Bardawil disse na quarta-feira que "a visão do presidente (egípcio Hosni) Mubarak é a única que foi proposta, nós não pedimos qualquer emenda em suas linhas gerais".

O ministro de Relações Exteriores do Egito, Ahmed Abul Gheit, disse que "nós vamos falar aos israelenses o que nós obtivermos de nossos irmãos do Hamas...Nós esperamos que as coisas avancem mas não entraremos em detalhes". Abul Gheit disse que o plano de Mubarak, lançado no dia 6, pede um "imediato cessar-fogo e a aceitação da retirada" das forças israelenses da Faixa de Gaza. Segundo o ministro, a abertura das fronteiras no território depende de negociações sobre quem deve estar nos postos de controle e se a presença de outras partes é necessária.

Anteriormente, Israel condicionou o fim da ofensiva ao fim do lançamento de foguetes no sul do Israel e do contrabando de armas vindo do Egito para a Faixa de Gaza. O Hamas insiste no fim do bloqueio à Faixa de Gaza, em efeito desde que o grupo islâmico tomou o poder na região, em junho de 2007, expulsando o partido laico Fatah, do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

O alto funcionário do Ministério da Defesa de Israel Amos Gilad chegou ao Cairo nesta quinta-feira para ouvir a resposta do Hamas ao plano para encerrar a violência na Faixa de Gaza. O grupo militante islâmico controla Gaza desde 2007. Gilad seria informado pelo chefe da inteligência egípcia, Omar Suleiman, sobre o caso. Na quarta-feira, o Hamas apresentou sua "visão" sobre o cessar-fogo, limitando-se a aceitar o plano em "linhas gerais".

"Esse encontro crucial deve demorar duas ou três horas, e Gilad deve partir nesta tarde para informar o governo israelense para eles tomarem uma decisão", disse uma fonte diplomática próxima às negociações à agência France Presse. O porta-voz do Hamas Salah al-Bardawil disse na quarta-feira que "a visão do presidente (egípcio Hosni) Mubarak é a única que foi proposta, nós não pedimos qualquer emenda em suas linhas gerais".

O ministro de Relações Exteriores do Egito, Ahmed Abul Gheit, disse que "nós vamos falar aos israelenses o que nós obtivermos de nossos irmãos do Hamas...Nós esperamos que as coisas avancem mas não entraremos em detalhes". Abul Gheit disse que o plano de Mubarak, lançado no dia 6, pede um "imediato cessar-fogo e a aceitação da retirada" das forças israelenses da Faixa de Gaza. Segundo o ministro, a abertura das fronteiras no território depende de negociações sobre quem deve estar nos postos de controle e se a presença de outras partes é necessária.

Anteriormente, Israel condicionou o fim da ofensiva ao fim do lançamento de foguetes no sul do Israel e do contrabando de armas vindo do Egito para a Faixa de Gaza. O Hamas insiste no fim do bloqueio à Faixa de Gaza, em efeito desde que o grupo islâmico tomou o poder na região, em junho de 2007, expulsando o partido laico Fatah, do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Israel ficará mais seguro no curto prazo, mas Gaza ainda será uma prisão

por Gustavo Chacra

Os acordos para cessar-fogo devem garantir uma maior segurança na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel. Os planos sugeridos até agora indicam que forças internacionais ajudarão o Egito a controlar o contrabando de armamentos que entra no território palestino. As cidades do sul de Israel tendem a ficar mais seguras. A guerra atingiu o seu objetivo, pelo menos para os israelenses.

Mas é importante lembrar que a Faixa de Gaza não irá desaparecer. Sua população de 1,5 milhão de habitantes pode ter diminuído em 1.100, que é o total de vítimas até agora, incluindo centenas de crianças. Os sobreviventes continuarão morando neste território. O que acontecerá com estes palestinos? Sem poder controlar o seu espaço aéreo e as suas águas, seguirão bloqueados – ou presos, literalmente – entre uma fronteira cerrada com o Egito e outra na qual passará apenas ajuda humanitária com Israel.

Basicamente, Gaza ficará um território de refugiados, que sobrevive graças à ajuda humanitária da ONU, onde os habitantes não podem exportar os seus produtos e tampouco importar o que necessitam. Não podem ter moeda, não podem viajar, não podem conhecer nada além dos muros que os cercam. Não podem ter passaporte. Não serão parte de um país. Viverão no limbo. Mais ou menos como antes do conflito, mas sem disparar foguetes. Podem dizer que a culpa é do Hamas, de Israel, do Fatah ou do Egito. Mas, pensem bem, dá para imaginar que um povo aceitará por muito tempo ficar nestas condições? Dá para imaginar que eles vão parar de lutar?

Caso não incluam um plano de ajuda econômica para o desenvolvimento da Faixa de Gaza, os amigos das crianças que morreram criarão um grupo bem mais radical do que o Hamas em menos de dez anos.

IMPORTANTE
O que escrevi acima é o que deve ocorrer de acordo com as propostas de cessar-fogo. Mas ainda não houve trégua

Assembleia Geral da ONU apoia cessar-fogo em Gaza

Trégua deve levar à retirada israelesen e à entrada sem impedimentos de ajuda em território palestino

NAÇÕES UNIDAS - A Assembleia Geral da ONU apoiou nesta sexta-feira, 16, a chamada a um cessar-fogo imediato em Gaza, que ponha fim ao conflito, leve à retirada das tropas israelenses e à entrada sem impedimentos de ajuda humanitária em território palestino. Enquanto isso, o governo israelense deve votar neste sábado, 17, uma proposta de cessar-fogo unilateral com o Hamas na Faixa de Gaza, informou o jornal Haaretz nesta sexta-feira.

A decisão significa que Israel poderá terminar sua operação militar na região sem um acordo com o Hamas, contando com o apoio dos Estados Unidos e do Egito para combater o contrabando de armas na fronteira.

A resolução, adotada após dois dias de debates pela ONU, recebeu o voto positivo de 142 dos 192 membros das Nações Unidas, e o negativo de quatro. Dos participantes, oito se abstiveram.

Os quatro votos contra foram de Israel, Nauru, Estados Unidos e Venezuela, este último por considerar que o conteúdo não era suficientemente enérgico, enquanto outros 38 países não registraram voto algum.

O texto da assembleia exige o cumprimento da resolução 1.860 adotada em 8 de janeiro pelo Conselho de Segurança, que pede um cessar-fogo imediato, durável e o respeito total à ordem.

O texto expressa também o apoio da assembleia às gestões que, desde quarta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, faz no Oriente Médio para conseguir uma cessação das hostilidades. A resolução presta ainda homenagem ao trabalho das agências das Nações Unidas na região.

A resolução foi fruto de uma longa negociação entre as delegações dos países árabes e da União Europeia (UE), cujos membros defenderam um texto que refletisse os atuais esforços da ONU para conseguir um cessar-fogo e que evitasse fugir dos parâmetros básicos do texto do Conselho de Segurança.

As mudanças introduzidas nessa negociação não foram bem recebidas por um grupo de países que desejavam conteúdos mais duros contra Israel.

Por isso, decidiram por um segundo texto, apresentado pelo Equador, o que provocou confusão e tensão entre os presentes.

O representante palestino perante a ONU, Riad Mansur, se viu obrigado a intervir para implorar que fossem deixadas de lado as divergências e se submetesse à votação o texto negociado com os europeus.

"Não há necessidade de divisões na Assembleia Geral para estabelecer quem é o que mais quer ajudar os palestinos", argumentou.

A votação aconteceu depois de dois dias de debate, nos quais as mais de 70 delegações que tomaram a palavra expressaram em sua maioria o apoio a um imediato fim da violência e à negociação de uma solução duradoura para o conflito.

Israel questionou a legalidade da reunião convocada e sua embaixadora na ONU, Grabriela Shalev, perguntou, durante seu discurso, onde estaria a condenação da assembleia aos "atos terroristas do Hamas", à Síria por acolher líderes do movimento radical islâmico e ao Irã por facilitar o acesso a foguetes.

Para Israel, ofensiva em Gaza está entrando no 'ato final'

JERUSALÉM - Depois da forte ofensiva lançada na quinta-feira por Israel contra a Faixa de Gaza, que provocou a morte do ministro do Interior do Hamas, Said Siam, o Exército prosseguiu nesta madrugada com ataques que atingiram mais de 40 alvos. Enquanto continuam os esforços diplomáticos para chegar a um cessar-fogo, o governo israelense considera que a ofensiva, que já dura três semanas e matou mais de 1.100 palestinos, poderá estar chegando a seu "ato final". "Os esforços diplomáticos estão a toda força... nós queremos que tudo isso acabe assim que possível", afirmou o porta-voz do premiê Ehud Olmert, Mark Regev. "Poderia haver uma reunião do gabinete de segurança e serão tomadas decisões a respeito", afirmou

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu, nesta sexta-feira, que Israel declare um cessar-fogo unilateral na Faixa de Gaza. Ban fez o apelo logo após se reunir com o primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Salam Fayyad, em Ramallah, na Cisjordânia, e também depois de notícias de que negociações no Cairo estariam emperradas. Segundo a BBC, ainda nesta sexta-feira, o principal negociador israelense, Amos Gilad, volta a se reunir com mediadores egípcios no Cairo, e a ministra do Exterior, Tzipi Livni, se encontra com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, em Washington. Enquanto isso, um dos principais líderes do Hamas, Khaled Meshaal, participa de um encontro da Liga Árabe em Doha, no Catar.Há informações de que o Hamas estaria oferecendo uma trégua de um ano se Israel se retirar da Faixa de Gaza e suspender o bloqueio ao território.

O porta-voz israelense voltou a insistir, no entanto, que Israel precisa ter certeza de que o grupo palestino Hamas não vai voltar a disparar foguetes após um cessar-fogo. "O minuto em que estivermos certos de que a solução não será apenas um 'band-aid', que haverá uma paz sustentável, vamos fazer a nossa parte", disse. Segundo fontes israelenses e ocidentais, Israel recusou algumas das condições impostas pelo Hamas para o estabelecimento de um cessar-fogo na Faixa de Gaza, incluindo sua duração e o gerenciamento dos cruzamentos de fronteira. As fontes israelenses e ocidentais, que falaram sob condição de anonimato, disseram que Israel se opôs ao estabelecimento de um limite para a duração do cessar-fogo. O Hamas propôs uma trégua de 12 meses renovável.

"Um limite de tempo para qualquer período de calma é um erro", disse uma fonte israelense. "Vimos isso quando a trégua anterior acabou, isso foi apenas uma desculpa para a escalada da violência", disse. Israel lançou sua ofensiva uma semana depois de o Hamas afirmar que não renovaria um cessar-fogo de seis meses na região. Israel afirma que os ataques têm o objetivo de pôr fim ao lançamento de foguetes lançados por integrantes do Hamas contra seu território. O Hamas afirma que Israel reconheceu que a violência aumentou após uma operação militar israelense em Gaza em 4 de novembro. O grupo reclama ainda que Israel não relaxou o bloqueio imposto à Faixa de Gaza durante o cessar-fogo.

Após cinco horas de debate em um gabinete reduzido do Executivo israelense na noite da quinta-feira, Gilad viajou pelo segundo dia consecutivo à capital egípcia, a fim de continuar negociando com as autoridades desse país a iniciativa para um cessar-fogo entre Israel e Hamas. "Não negociamos com o Hamas, mas com o Egito", reiterou o porta-voz do primeiro-ministro israelense. O Egito faz a mediação entre Israel e o movimento islâmico Hamas para tentar com que as partes aceitem o fim das hostilidades em Gaza e seus arredores.

A chefe da diplomacia israelense viajou na quinta para Washington com o objetivo de se reunir com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e assinar um memorando de entendimento sobre a necessidade do fim do contrabando de armas ao Hamas através da fronteira sul da Faixa de Gaza. Israel exige também do Egito garantias para impedir o livre fluxo de armas através da fronteira sul de Gaza, de cerca de 14 quilômetros, para o Hamas.


Reunião árabe


Uma reunião extraordinária dos ministros de Relações Exteriores dos 22 países da Liga Árabe começou no Kuwait para discutir a ofensiva militar israelense contra a Faixa de Gaza. Segundo a agência de notícias estatal, durante a reunião - presidida pelo rei saudita, Abdullah bin Abdelaziz - os representantes dos países ouvirão um relatório elaborado por uma delegação da Liga Árabe, que viajou a Nova York para participar das discussões no Conselho de Segurança da ONU sobre Gaza.

A ofensiva sobre Gaza aprofundou as divisões entre os Estados árabes, que não entram em acordo sobre como abordar esta crise. Prova disso é que, à parte da reunião do Kuwait, acontece uma cúpula de chefes de Estado, convocada pelo Catar, à qual decidiram não ir, entre outros, Egito, Jordânia e Arábia Saudita. A cúpula em Doha conta com a participação de dez Estados árabes, além de representantes do Irã, Turquia e de três facções palestinas, incluindo o Hamas e a Jihad Islâmica.


Israel fecha a Cisjordânia


Tropas israelenses atacaram novamente a Faixa de Gaza nesta sexta-feira, enquanto os militantes ofereceram um cessar-fogo condicional, em meio à ação diplomática pelo fim da guerra. O Exército bloqueou a Cisjordânia por 48 horas, após o Hamas convocar um "dia de ódio" contra a ofensiva em Gaza. O anúncio foi feito depois que o grupo islâmico Hamas convocou os palestinos a observar um "dia de ódio", realizando protestos depois das orações semanais da sexta-feira. Os seguidores do grupo Fatah, do presidente palestino Mahmud Abbas, também foram convocados a realizar manifestações contra a ofensiva israelense.

Na quinta-feira, um dos principais líderes do Hamas, o ministro de Interior, Said Siam, foi morto em um ataque aéreo. Siam é o mais importante líder do Hamas morto na ofensiva. Ele era um linha-dura, responsável por monitorar a criação da força policial do movimento e figura fundamental para a operação na qual o Hamas expulsou em 2007 as forças leais ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que agora controla somente a Cisjordânia.

Os militares lançaram cerca de 40 ataques contra o Hamas nesta sexta-feira, contra os militantes, túneis e uma mesquita suspeita de ser usada para estocar armas, segundo o Exército. Nas primeiras horas do dia, tanques israelenses se retiraram de Tal Al-Hawa, bairro em Cidade de Gaza, onde houve confrontos nos últimos dias que destruíram partes de uma área residencial e deixaram um hospital em chamas.

Todos os alimentos no armazém da ONU foram destruídos. A ajuda seria distribuída entre grande parte do 1,5 milhão de habitantes do território palestino que enfrenta uma crise humanitária desde o início do conflito, dia 27. Bombeiros lutavam para apagar o incêndio que destruiu o prédio.

Israel já havia disparado contra escolas da ONU no atual conflito matando mais de 40 pessoas. Um caminhão que levava ajuda humanitária também já foi atingido. John Ging, diretor de Agência da ONU para Refugiados em Gaza, criticou o ataque e acrescentou que centenas de pessoas que se abrigavam no prédio foram obrigadas a retirar-se. A ONU afirmou ainda que os israelenses usaram bombas de fósforo que é incendiária e causa graves ferimentos. Após o bombardeio, o fogo espalhou-se por tanques de combustível provocando explosões secundárias.

EUA fecham acordo com Israel para cortar suprimento de armas do Hamas

Em um de seus últimos dias como secretária de Estado americana, Condoleezza Rice assinou nesta sexta-feira, com a chanceler Tzipi Livni, um acordo para que os Estados Unidos ajudem Israel a impedir que o grupo radical islâmico Hamas, que domina a faixa de Gaza, se rearme durante um eventual cessar-fogo na região.


Tzipi Livni e Condoleezza Rice assinam acordo em Washington. Foto: Efe

Há 21 dias, o Exército israelense realiza uma grande ofensiva militar em Gaza que já matou cerca de 1.100 palestinos. Do lado israelense, foram 13 mortes. Conforme ressalta o jornal americano "The New York Times", o acordo entre os dois aliados é interpretado como uma etapa para que haja cessar-fogo em Gaza.

Pelo acordo, os EUA darão assistência técnica e pessoal para que Israel explore a rede de túneis subterrâneos que há entre Gaza e a península de Sinai. Para Israel, é por meio dos túneis que os militantes do Hamas recebem foguetes e mísseis. Não está confirmado ainda quais países cederão profissionais para atuar na missão. "Estamos fazendo o possível para acabar com isso [a ofensiva de Israel em Gaza]", disse Rice.

"Muito pode ser feito para tirar Gaza da escuridão do reino do Hamas para a luz do bom governo que a Autoridade Nacional Palestina pode fazer", afirmou Rice.

O fim do tráfico de armas para Gaza era uma das condições impostas por Israel para sua trégua com o Hamas. O problema é que, com o bloqueio de Israel nas fronteiras com Gaza, os túneis são usados não só pelo Hamas mas também por civis palestinos, para obter água, alimentos e combustíveis.

Cessar-fogo

No Cairo, as negociações pelo cessar-fogo continuam. Nesta quinta-feira (15) e nesta sexta, o principal negociador israelense, Amos Gilad, participou das discussões. Ele, no entanto, já deixou o Cairo novamente, sem que nenhum avanço tenha sido noticiado. Gilad e o ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, se reuniram duas vezes, nas últimas 48 horas, com Omar Suleiman, o principal negociador do Egito --Israel e o Hamas jamais negociam diretamente.

Nesta quinta-feira (15), o Hamas aceitou uma proposta de cessar-fogo com duração de um ano --porém renovável-- que previa a retirada das tropas israelenses de Gaza no prazo de uma semana e a abertura das fronteiras do território. Israel respondeu que não queria um prazo para o cessar-fogo e que exigia que os postos fronteiriços fossem devolvidos para o secular Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.

Nesta sexta-feira, Khaled Mashaal, líder do Hamas exilado na Síria, recusou a proposta e reiterou que os militantes não deixarão de atirar foguetes contra Israel enquanto o Estado mantiver o bloqueio que impõe, atualmente, a Gaza.

Mashaal pediu que os líderes árabes reunidos nesta sexta-feira em conferência em Doha apoiem suas exigências e cortem os seus laços com Israel. "Mesmo com as destruições em Gaza, não aceitaremos as condições de Israel por um cessar-fogo, uma vez que a resistência em Gaza não está derrotada", afirmou Mashaal.

De acordo com a Liga Árabe, a reunião em Doha não conseguiu obter o quórum mínimo de 15 participantes --a instituição tem, no total, 22 membros. Os ausentes integram grupo que aposta em uma reunião marcada para a semana que vem, no Kuait. "A situação árabe está caótica e isso é lamentável", afirmou o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa.

O governo israelense votará no sábado, 17, uma proposta de cessar-fogo unilateral com o Hamas na Faixa de Gaza, informou o jornal Haaretz nesta sexta-feira. A decisão significa que Israel poderá terminar sua operação militar na região sem um acordo com o Hamas, contando com o apoio dos Estados Unidos e do Egito para combater o contrabando de armas na fronteira.

Mais cedo, a secretária de Estado americana Condoleezza Rice e a ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, assinaram um acordo para tentar acabar com o contrabando, feito através de túneis, e impedir o rearmamento da milícia palestina. "O contrabando de armas em Gaza tem de acabar", afirmou Livni. "O memorando de entendimentos que firmamos hoje é um ingrediente vital para o fim das hostilidades", continuou a chanceler israelense.

Nesta sexta, o líder do Hamas, Khaled Meshal, disse que o movimento islâmico não aceita as condições de Israel para uma trégua. "Eu asseguro: apesar de toda a destruição em Gaza, não aceitaremos as condições de Israel para um cessar-fogo", disse ele em Doha, capital do Catar, onde participa de uma reunião de cúpula regional sobre a crise em Gaza.

O encontro em Doha demonstrou como a ofensiva israelense, iniciada em 27 de dezembro, aumentou as divisões entre os países do Oriente Médio entre os partidários dos Estados Unidos e os aliados do Hamas, como Síria e Irã. O Egito e a Arábia Saudita, mais próximos dos EUA, boicotaram o evento, temendo que ele se tornasse uma plataforma para o Hamas endurecer sua postura e minar a proposta egípcia para um cessar-fogo.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fez uma aparição surpresa no encontro realizado no Catar, fortalecendo a imagem de que o evento era destinado a demonstrar apoio ao Hamas. Em um discurso durante a reunião, o presidente da Síria, Bashar Assad, apoiou o pedido de Meshal para que os países com algum laço com Israel rompessem esse vínculo.

Israel exige o fim do lançamento de foguetes em seu território e garantias apoiadas pela comunidade internacional de que o Hamas não se rearmará. Por sua vez, Meshal disse que um cessar-fogo de seis meses não foi renovado no fim do ano pois o período de relativa paz não levou Israel a abrir as fronteiras da Faixa de Gaza. "(O povo de Gaza) quer viver livre sem bloqueio ou ocupação, como todo o povo palestino", defendeu o líder do Hamas.

Israel avalia condições do Hamas para cessar-fogo em Gaza

As forças de Israel avançaram na Cidade de Gaza nesta quinta-feira, matando ao menos um importante líder do Hamas, no que pode ser a pressão final da ofensiva antes de o país concordar com um cessar-fogo do conflito que já dura 20 dias.

Fontes diplomáticas afirmaram que líderes israelenses estavam estudando as condições do grupo islâmico para um trégua. Entre elas está o cessar-fogo de um ano, passível de ser renovado, a retirada do Exército de Israel de Gaza em cinco a sete dias, e a abertura imediata de todas as fronteiras do território palestino.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, após conversar com líderes israelenses em Jerusalém, afirmou: "Hoje o governo israelense tomará uma decisão importante sobre o cessar-fogo. Espero que essa decisão seja a certa".

O número de mortos palestinos desde o início da ofensiva, no dia 27 de dezembro, é de ao menos 1.095, e outros 5.000 estão feridos, segundo o Ministério de Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. Um grupo de direitos palestinos afirmou que ao menos 698 dos mortos são civis.

Treze israelenses morreram no mesmo período, dez deles soldados, e os outros três, civis.

Negociações

Em Damasco, o líder exilado do Hamas, Khaled Meshaal, reiterou as demandas do grupo para uma trégua com Israel em Gaza, afirmando, que qualquer acordo deve contempla-las.

"Primeiro, a agressão deve parar. Segundo, as forças israelenses devem sair de Gaza (...) imediatamente, claro. Terceiro, o cerco deve ser suspenso, e quarto, queremos todas as passagens (de fronteira) reabertas, sendo a primeira delas a de Rafah (Egito).

Um ataque aéreo contra uma construção no campo de refugiados de Jabalya matou o ministro do Interior do Hamas, Saeed Seyyam, seu filho, um irmão, e outras dez pessoas, de acordo com fontes médicas. Seyyam era responsável por 13 mil policiais e agentes de segurança do Hamas.

Ao menos 15 palestinos morreram nos ataques desta quinta-feira, segundo fontes médicas. Israel também atingiu um edifício da ONU, um hospital e o escritório de uma TV.

Israel insiste em que o Hamas deve ser impedido de traficar armas através de túneis sob a fronteira com o Egito, e deve parar de lançar foguetes contra o território israelense a partir da faixa de Gaza.

Cerca de 25 foguetes foram lançados de Gaza contra Israel nesta quinta-feira, deixando ao menos dez feridos.

Desculpas

A agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA, na sigla em inglês), disse que seu edifício, que servia de abrigo a cerca de 700 palestinos, foi atingido por fogo israelense, e três funcionários da organização ficaram feridos.

Segundo o porta-voz da agência da ONU, Richard Gunnes, o prédio foi atingido por três tiros de tanques israelenses. Na sequência, o edifício pegou fogo. Gunnes acusou Israel de ter atacado o prédio com fósforo branco, substância cujo uso em regiões habitadas ou em ataques a pessoas é proibido justamente por causar queimaduras severas e problemas respiratórios.

Ban ki-Moon classificou o ataque de "disparate", e Olmert se desculpou, mas afirmou que o ataque foi em resposta a atiradores palestinos que agiam da construção.

"É absolutamente verdade que fomos atacados daquele lugar", declarou o premiê.

Em Genebra, um porta-voz da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho disse que o hospital de Al Quds foi atingido por projéteis israelenses, mas não há relato de feridos.

Ainda nesta quinta-feira, um projétil israelense atingiu um edifício onde ficava o escritório da agência de notícias Reuters e de outros veículos de imprensa. A TV Abu Dhabi disse acreditar que dois de seus jornalistas eram o alvo dos jatos israelenses pois filmavam do escritório.

O Exército de Israel não comentou os ataques aos hospitais e aos escritórios de imprensa.

Israel mata ministro do Interior do Hamas em bombardeio à Cidade de Gaza

Tropas atacam por ar e por terra no 20º dia de guerra aos palestinos. Prédio de agência da ONU, hospital e redações também foram alvos.



Said Siam, líder do Hamas morto nesta quinta-feira (15), em foto de 22 de abril de 2006. (Foto: AFP)

O Exército de Israel anunciou nesta quinta-feira (15) que matou Said Siam, ministro do Interior do Hamas, durante ataque no norte da Cidade de Gaza. O Hamas, por meio de seu canal de TV em Beirute, no Líbano, confirmou a baixa e prometeu vingança.

Said, um dos principais líderes do movimento islâmico que controla a Faixa de Gaza, estava em um prédio de três andares que foi destruído num bombardeio, segundo testemunhas.

Israel disse que tratou-se de uma operação conjunta do Exército com o Shin Beth (serviço israelense de segurança). O irmão do líder do Hamas, Iyad Siam, e uma terceira pessoa também morreram.

Foi o segundo líder importante morto por Israel durante a ofensiva. Em 1º de janeiro, Nizar Rayyan foi morto durante ataque aéreo ao campo de refugiados de Jabalia.

Cerco à Cidade de Gaza

Israel fez pesados ataques por ar e por terra à Cidade de Gaza nesta quinta-feira, 20º dia da ofensiva. Um prédio de uma agência da ONU, um edifício que reunia redações da imprensa internacional e um hospital foram bombardeados.

O premiê de Israel, Ehud Olmert, disse que o ataque à sede de uma agência da ONU ocorreu em reação a disparos de atirados palestinos feitos de dentro do prédio.

Três funcionários da agência ficaram feridos. Segundo um funcionário, os armazéns do complexo pegaram fogo, e toneladas de ajuda humanitária foram destruídas.

"É absolutamente verdade que nós fomos atacados a partir daquele lugar", disse Olmert na TV isralense. "Mas as consequências foram muito tristes, e eu peço desculpas."

Uma explosão atingiu um bloco de edifícios que abriga as sucursais de várias organizações de mídia árabes e ocidentais, inclusive da agência Reuters. Dois cinegrafistas palestinos de um canal de Abu Dhabi ficaram feridos, segundo testemunhas.

Jornalistas da Reuters disseram que a explosão, provocada por um projétil israelense, ocorreu no 13º andar da torre Al-Shurouq Tower, no bairro de mesmo nome. Os jornalistas deixaram o prédio depois do ataque.

O andar atingido abriga uma TV local. O escritório da Reuters fica um andar abaixo. O prédio abriga ainda a rede de TV americana Fox, a britânica Sky News, a luxemburguesa RTL e as árabes Al Arabiya e MBC.

Um hospital da cidade, do Crescente Vermelho (versão islâmica da Cruz Vermelha), também pegou fogo após um ataque israelense, segundo testemunhas e responsáveis pelo centro médico. Pelo menos quatro disparos de artilharia atingiram o prédio. Não há informações sobre vítimas.

"Ocorreram várias explosões nos prédios do hospital, em onde em uma das paredes há um grande buraco. Há muita confusão", disse à agência Efe a voluntária australiana Sharon Locke, do interior do centro hospitalar.


Funcionário da agência da ONU para os refugiados palestinos observa estragos provocado pelo ataque israelense às instalações da entidade na Cidade de Gaza nesta quinta-feira (15). (Foto: AP)

"Algumas pessoas trataram de escapar e outras de entrar no hospital e buscar refúgio", explicou Locke, especificando que um dos projéteis alcançou o edifício onde se armazenavam os remédios, destruídos pelo fogo.

"Não sabemos qual é a situação dos 500 pacientes, enfermeiras e pessoal médico", disse o diretor do hospital, Omer El-Azayza, de fora do complexo hospitalar.

Instalações da ONU já haviam sido atingidas por fogo israelense durante a ofensiva. Em 6 de janeiro, ataques a escolas mataram mais de 40. Dois dias depois, um comboio humanitário foi atacado.


Mapa localiza os bombardeios em territórios israelense e palestino (Foto: Arte/G1)


Vista da destruição na Cidade de Gaza nesta quinta-feira (15). (Foto: AP)

O boletim de guerra diário do Exército israelense fala em mais de 110 alvos atacados por ar desde a meia-noite, assim como em dezenas de confrontos armados por toda a Faixa e dentro da capital , que provocaram a fuga de milhares de civis..

A aviação de Israel também realizou ataques no norte da Faixa de Gaza. Uma mulher e os três filhos morreram em uma destas operações em Beit Lahya, segundo fontes médicas.

Os grupos armados palestinos também prosseguiram com os lançamentos de foguetes contra o sul de Israel. De acordo com o Exército, ao menos 14 foguetes disparados a partir da Faixa de Gaza caíram na manhã desta quinta-feira no país, sem provocar vítimas. Uma casa foi atingida em Sderot, a apenas cinco quilômetros da Faixa de Gaza.


Funcionário de agência da ONU bombardeada observa fumaça em Gaza (Foto: Mohammed Abed/AFP )


Vítimas

Desde o início da ofensiva israelense na Faixa de Gaza, em 27 de dezembro, em resposta aos disparos de foguetes contra o Estado de Israel, 1.054 palestinos morreram, incluindo 355 crianças e 100 mulheres, e mais de 4.870 foram feridos, de acordo com o último balanço divulgado pelo diretor dos serviços de emergência em Gaza, Muawiya Hassanein.

Os disparos de foguetes contra o sul Israel mataram quatro civis desde 27 de dezembro. No total, 10 militares também morreram desde o começo da ofensiva.

Pressão

O líder do governo do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Haniyeh, pediu nesta quinta à opinião pública ocidental que pressione Israel para acabar com a ofensiva militar contra o território palestino, lembrando as condições do grupo radical para um cessar-fogo.

"Escrevo este artigo aos leitores ocidentais em todo o espectro social e político enquanto a máquina de guerra israelense continua massacrando meu povo em Gaza", afirma Haniyeh em uma carta aberta com o título "Minha mensagem ao Ocidente: Israel deve cessar a matança", publicada na edição desta quinta-feira do jornal britânico "The Independent".

"Os palestinos estão consternados ao ver que os membros da União Européia não consideram este obsceno cerco uma forma de agressão", afirma Haniyeh, antes de acrescentar que o movimento islamita aceitaria um cessar-fogo com condições "claras e simples" que incluem o fim do bloqueio israelense.

"Israel deve acabar com sua guerra criminal e a matança de nosso povo, cessando totalmente e sem condições o cerco ilegal da Faixa de Gaza, voltando a abrir os pontos de passagem da fronteira e se retirando completamente."

Cessar-fogo próximo?



Ao mesmo tempo, a movimentação diplomática mundo afora dava a entender, na quarta-feira, que o esperado cessar-fogo pode estar próximo. Fontes que falaram à Associated Press sob anonimato disseram que a trégua negociada pelo Egito seria de dez dias.

Um porta-voz do premiê de Israel, Ehud Olmert, disse que Amos Gilad, veterano funcionário do ministério israelense de Defesa, estaria no Cairo na quinta-feira para negociar a trégua.

O Egito informou que vai transmitir a Israel a resposta do Hamas ao plano de cessar-fogo em Gaza, anunciou na quarta o ministro egípcio de Relações Exteriores, Ahmad Abul Gheit. Ele disse ter esperanças de que "as coisas se movam" em relação ao processo de paz.

Fontes diplomáticas citadas pela agência egípcia Mena disseram que o Hamas teria reagido "favoravelmente" à proposta.

O chanceler francês, Bernard Kouchner, também disse que "os contornos de um cessar-fogo se definem".

Ban Ki-moon se reúne com a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, com o primeiro-ministro Ehud Olmert e o presidente Shimon Peres, antes de viajar a Ramallah (Cisjordânia) na sexta-feira para um encontro com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

O presidente da Assembleia Geral da ONU, o nicaraguense Miguel d'Escoto, acusou Israel de "violar o direito internacional" com a ofensiva. Ele voltou a pedir o cumprimento da resolução do Conselho de Segurança da entidade, que pede um cessar-fogo imediato seguido de negociações para uma paz duradoura.

Gaza vira o 'centro de tudo' no Oriente Médio

Região é uma miniversão das três maiores batalhas desde 1948. Analista coloca em questão a luta pela hegemonia do mundo árabe.

A luta, a morte e a destruição em Gaza são difíceis de testemunhar. Mas tudo é muito familiar. É a última versão da peça de teatro há mais tempo em cartaz no Oriente Médio moderno, a qual eu daria o título de: "Quem é o dono deste hotel? Tem lugar para os judeus? Não podemos explodir o bar e substituí-lo por uma mesquita?"


Explosão após ataque israelense em Rafah, nesta quarta-feira (14) (Foto: Eyad Baba/AP

Quer dizer, Gaza é uma miniversão das três maiores batalhas que ocorrem desde 1948: 1) Quem será a superpotência regional - Egito? Arábia Saudita? Irã? 2) Deve haver um estado israelense no Oriente Médio? Se sim, sob que condições palestinas? 3) Quem irá dominar a sociedade árabe - islamistas intolerantes com outras fés que querem sufocar a modernidade ou modernistas ansiosos por abraçar o futuro, com um rosto árabe-muçulmano? Vamos analisar cada uma delas.

Quem é o dono deste hotel? A luta pela hegemonia sobre o mundo árabe moderno é tão antiga quanto o Egito de Nasser. Porém, o que há de novo hoje é que o Irã não-árabe está agora buscando primazia - desafiando o Egito e a Arábia Saudita. O Irã usou, de forma habilidosa, ajuda militar tanto do Hamas quanto do Hezbollah para criar uma força armada com mísseis nas fronteiras do norte e do oeste de Israel. Isso permite a Teerã parar e começar o conflito Israel-Palestina quando der vontade e se mostrar como o verdadeiro protetor dos palestinos, em oposição aos enfraquecido regimes árabes.


Criança palestina chora no hospital Kamal Edwan, na cidade de Beit Lahiya, em Gaza (Foto: Majed Hamdan/AP)

"A Gaza que Israel deixou em 2005 fazia fronteira com o Egito. Hoje, a Gaza a que Israel está retornando faz fronteira com o Irã", disse Mamoun Fandy, diretor de programas para o Oriente Médio do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. "O Irã se tornou o estado de confronto definitivo. Não tenho mais certeza de que podemos falar só sobre a 'paz entre árabes e israelenses' ou a 'iniciativa árabe de paz'. Podemos estar observando uma 'iniciativa iraniana'". Em resumo, toda a noção do processo de paz entre Israel e Palestina provavelmente terá de mudar.

Tem lugar para os judeus? O Hamas rejeita qualquer reconhecimento do Estado de Israel. Em contraste, a Autoridade Palestina, liderada pelo Fatah, que controla a Cisjordânia, reconheceu Israel - e vice-versa. Se você é como eu e acredita que a única solução estável é um estado duplo, com os palestinos recebendo toda a Cisjordânia, Gaza e setores árabes do leste de Jerusalém, então você deve desejar o enfraquecimento do Hamas.

Por quê? Porque nada causou mais danos aos palestinos do que a estratégia de culto à morte do Hamas de transformar jovens palestinos em homens-bomba suicidas. Porque nada impediria mais um acordo de paz do que se o pedido do Hamas de substituir Israel por um estado islâmico se tornasse a posição de negociação da Palestina. E porque os ataques do Hamas a cidades no sul de Israel estão destruindo uma solução de estado duplo, muito mais do que os assentamentos desastrosos e negligentes de Israel na Cisjordânia.

Israel provou que pode e vai se desfazer de assentamentos, como fez em Gaza. Os ataques com foguetes do Hamas representam uma ameaça irreversível. Eles dizem a Israel: "A partir de Gaza, podemos atingir o sul de Israel. Se conseguirmos a Cisjordânia, podemos lançar mísseis e, portanto, fechar o aeroporto internacional de Israel - a qualquer momento, em qualquer dia, para sempre". Quantos israelenses irão arriscar ceder a Cisjordânia, considerando essa nova ameaça?

Podemos explodir o bar e substituí-lo por uma mesquita? A vitória do Hamas contra a organização mais secular Fatah em Gaza em 2007 é parte de uma guerra civil na região entre islamistas e modernistas. Na semana em que Israel atacou Gaza, homens-bomba islamistas mataram quase cem iraquianos - primeiro, um grupo de sheiks tribais em Yusufiya, que trabalhavam na reconciliação entre xiitas, sunitas e curdos; segundo, a maioria mulheres e crianças reunidas em local sagrado. Esses assassinatos em massa gratuitos não geraram um único protesto na Europa ou no Oriente Médio.

Gaza hoje é praticamente o ponto zero de todas essas batalhas, disse Martin Indyk, ex-conselheiro para assuntos do Oriente Médio do governo Clinton. "Esse pequenino pedaço de terra, Gaza, tem o potencial de explodir todos esses problemas e representar um grande desafio para Barack Obama em seu primeiro dia como presidente".

O grande potencial de Obama para os Estados Unidos, observou Indyk, também é uma enorme ameaça a radicais islamistas - porque sua narrativa tem apelo tremendo aos árabes. Por oito anos, o Hamas, o Hezbollah e a al-Qaeda têm surfado em uma onda de ódio aos americanos, gerada por George W. Bush. Essa onde expandiu fortemente suas bases.

Sem dúvida, o Hamas, o Hezbollah e o Irã esperam poder usar o conflito em Gaza para transformar Obama em Bush. Eles sabem que Barack Hussein Obama deve ser "bushificado" - para manter os Estados Unidos e os aliados árabes na defensiva. Obama tem que estar vigilante. Sua meta - a meta do país - deve ser um assentamento em Gaza que elimine a ameaça de foguetes do Hamas e abra Gaza economicamente para o mundo, sob confiável supervisão internacional. É isso que servirá aos interesses dos Estados Unidos, moderar essas três grandes batalhar e conquistar respeito para Obama.

Aceitar ou não a proposta de paz saudita define quem é pró-Israel de verdade

Gustavo Chacra


O plano de paz de TODOS os países árabes, capitaneados pela Arábia Saudita, apresentado a Israel consiste no seguinte


1. Israel deve se retirar de todos os territórios ocupados em 1967, incluindo a Faixa de Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental e as Colinas do Golã (o plano não menciona as Fazendas de Shebaa)
2. Deve ser estabelecido um Estado palestino
3. A questão dos refugiados seria resolvida em negociações de acordo com a resolução 194 da ONU
4. Em troca, TODOS os países árabes reconheceriam Israel e o seu direito de viver em fronteiras seguras
5. TODOS os países árabes assinariam um acordo de paz e estabeleceriam relações diplomáticas com israelenses

A proposta foi publicada em jornais israelenses. Apenas 14% da população de Israel leu o anúncio. Outros 11% viu e não leu. O restante sequer notou a publicidade.

De acordo com pesquisa, 59% dos israelenses são contra este acordo. Eles não aceitam um acordo com os países árabes em troca apenas de cumprir as resoluções da ONU. Outros 38% são a favor. Entre os palestinos, o apoio ao plano é de 66%, enquanto 30% são contrários.

O estudo conjunto do Instituto de Pesquisa Harry S. Truman para o Avanço da Paz, da Universidade Hebraica de Jerusalém, e do Centro Palestino de Política e Pesquisa de Ramallah (PCPSR, na sigla em Inglês) foi conduzido entre os dias 26 de novembro e 5 de dezembro de 2008 - portanto antes da guerra em Gaza.

O governo de Israel disse ser positiva a iniciativa, mas nunca aceitou se sentar para negociar. Poderia ter usado a proposta como base para o início de um diálogo, no qual poderia tentar trocar terras pela manutenção de assentamentos que são cidades como Ariel.

Já o presidente Barack Obama é um entusiasta da proposta saudita - que, notem, estabelece relações com Israel e isola o Irã.

Por que Israel não aceita? Lembro que os acordos com o Egito e Jordânia foram respeitados. Já negociações com atores que não são Estados, como a Autoridade Palestina, fracassaram. Medidas unilaterais no sul do Líbano e em Gaza terminaram em guerra.

Provavelmente, os israelenses não aceitam porque desconfiam dos árabes. Não por anti-arabismo, apesar de certamente haver uma dose deste sentimento entre alguns. Mas porque os israelense passaram a desacreditar em autoridades árabes desde Yasser Arafat. Acham que eles não cumprem com a palavra. Mas, se seguir assim, nunca haverá paz para Israel.

Quem é pró-Israel defende a proposta saudita, pois veria israelenses viajando de Tel Aviv a Beirute, de Damasco a Jerusalém. Saberia que Israel teria condições, ao lado da Turquia, de liderar toda a economia de uma região. Mais do que isso, assistiria Israel em uma Copa do Mundo, já que a eliminatória da Ásia é bem mais fácil do que a européia.

Quem é anti-Israel prefere ver o país em guerras em Gaza, sendo vaiado em estádios na Espanha, tendo que ouvir estudantes da NYU os comparando ao Apartheid e, em muitos casos, recebendo oficiais do Exército na porta de casa para comunicar a morte de um filho, como aconteceu com o escritor David Grossman.

Israel ataca prédio da ONU e complexo de mídia em Gaza

O prédio-sede da UNRWA (agência da ONU para refugiados palestinos) na Cidade de Gaza foi atingido por três bombas do Exército israelense nesta quinta-feira. Conforme o porta-voz Richard Gunnes, após a explosão, o prédio ficou em chamas. Não há confirmação de danos nem de quantas pessoas estavam no local, no momento do ataque. Entre os funcionários da ONU, ao menos três ficaram feridos.

Um complexo que abrigava mídias de vários países também foi atingido, nesta quinta-feira, em Gaza. Ao menos um jornalista ficou ferido.

Israel realiza uma grande ofensiva em toda a faixa de Gaza, há 20 dias consecutivos, contra o grupo radical islâmico Hamas. Fontes médicas afirmam que mais de mil palestinos já foram mortos e outros 4.000, feridos. Segundo as mesmas fontes, 40% dos mortos são civis. Israel, porém, contabiliza 930 mortos e afirma que 75% deles são militantes do Hamas.

Segundo o porta-voz da agência da ONU, as três bombas partiram dos tanques israelenses, e há suspeitas de que elas fossem de fósforo branco, uma substância cujo uso em regiões habitadas ou em ataques a pessoas é proibido justamente por provocar queimaduras severas e problemas respiratórios.

O grupo internacional de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch denunciara, nesta terça-feira (13), o uso de fósforo branco por Israel. Em 2006, Israel admitiu ter usado obuses com fósforo branco contra objetivos militares durante a ofensiva no sul do Líbano contra alvos do Hizbollah, milícia xiita libanesa.

O ataque ao prédio da ONU ocorreu pouco antes de o secretário-geral Ban Ki-moon se reunir com a chanceler israelense, Tzipi Livni, em Tel Aviv. De lá, ele expressou "grande protesto e horror" em relação ao ataque e pediu que seja aberta uma investigação.

Em outro incidente, dois jornalistas palestinos ficaram feridos em um ataque aéreo israelense contra um prédio na Faixa de Gaza que abrigava a imprensa de vários países. O complexo era o centro de operações de vários meios de comunicação árabes e ocidentais, entre eles as redes de televisão americana Fox, a britânica Sky News e a luxemburguesa RTL.Também abrigava a sede da agência de notícias Reuters, e as das redes árabes Al Arabiya e MBC. Os dois cinegrafistas feridos, cujo estado é desconhecido, trabalham para a televisão de Abu Dhabi, segundo o responsável desse meio de comunicação na Faixa de Gaza.

O hospital do Crescente Vermelho, na Cidade de Gaza, também foi atacado. Segundo a rede de televisão catariana Al Jazira, a farmácia do hospital e o segundo andar de um edifício que abriga vários escritórios administrativos no bairro de Tel Hawa está em cdhamas, em consequência dos bombardeios. As fontes acrescentaram que os bombardeios começaram no início da manhã quando um armazém do Crescente Vermelho foi atingido por projéteis israelenses.

O complexo da ONU bombardeado é usado como abrigo por centenas de pessoas que fugiram de suas casas durante a ofensiva israelense. A área está coberta de fumaça e ainda não está claro se há pessoas dentro do prédio. O completo abriga, além da agência da ONU, outros escritórios e uma escola. O porta-voz da ONU Chris Gunness afirmou que grandes quantidades de ajuda humanitária, assim como caminhões de combustível, podem ser destruídos. "Três projéteis atingiram um complexo da UNRWA em Gaza, causando um grande incêndio", disse o porta-voz.

O espanhol Francesc Claret, funcionário da organização, disse que o Exército israelense também disparou bombas de fósforo contra o imóvel quando cerca de 700 pessoas estavam dentro, escondendo-se do avanço das forças que entraram na Cidade de Gaza pela primeira vez. "Um dos feridos tem lesões provocadas por bombas de fósforo branco, que atravessaram o colete à prova de balas que estava usando", acrescentou Claret, expressando seu temor de que o incêndio não possa ser sufocado, pois o fósforo não deve ser apagado com água. Ele também manifestou sua incerteza em relação ao destino dos refugiados no interior da sede da UNRWA e pelo material de ajuda humanitária concentrado nos armazéns que estão pegando fogo.

"Isso vem se somar aos danos que sofremos nas últimas semanas: tivemos que fechar um centro médico em Rafah, uma escola com 900 refugiados e um comboio humanitário também foi atacado", disse o porta-voz, ao referir-se a diferentes ataques israelenses que tiveram como alvo instalações da UNRWA. Em um deles, morreram mais de 40 pessoas quando um projétil de tanque atingiu a entrada de um colégio.

Desde o início da ofensiva israelense, a UNRWA habilitou todas suas instalações para refúgio a palestinos deslocados em consequência dos bombardeios e dos combates, e, atualmente, cerca de 20 mil ocupam estes centros, de onde também se distribui a ajuda humanitária para mais de 900 mil habitantes. Na sexta-feira passada, após a UNRWA suspender suas atividades devido à morte de um dos motoristas de um comboio humanitário claramente identificado, Israel tinha garantido que teria mais cuidado com seus ataques e que não voltaria a atacar centros dessa organização.

O Exército israelense ainda não comentou o ataque desta quinta-feira, porém o ministro de Defesa israelense, Ehud Barak, classificou o fato como um "grave erro".

Ban chegou nesta terça-feira ao Oriente Médio para participar das negociações de paz entre israelenses e palestinos e tentar fazer que ambos os lados acatassem a resolução por trégua imediata que fora aprovada dias atrás no Conselho de Segurança e que acabou ignorada. Nesta sexta-feira (16), Ban viaja a Ramallah, no território palestino da Cisjordânia, onde deve encontrar-se com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Mídia

O complexo de mídia atingido pelo Exército israelense nesta quinta-feira funcionava no edifício Al Shurouq Tower, no bairro de Al Shuruk, centro da Cidade de Gaza, e abrigava profissionais árabes e ocidentais.

Segundo a agência de notícias Reuters, que possui escritório naquele prédio, a bomba atingiu o imóvel na altura do 13º andar, onde funciona uma produtora de TV --a Reuters fica no 12º. O nome do jornalista ferido não foi divulgado, mas informações preliminares indicam que ele era da TV Abu Dhabi e estaria no 14º andar, no momento do ataque.

Conforme a Reuters, um porta-voz do Exército israelense entrou em contato com o escritório da Reuters em Jerusalém pouco antes do ataque, para confirmar a localização da equipe em Gaza --o que foi feito pela empresa, que recebeu garantia de que não era alvo.

Milhares de palestinos fogem com avanço de tanques na Cidade de Gaza

Os tanques israelenses entraram na manhã desta quinta-feira no sul da Cidade de Gaza e obrigaram milhares de pessoas a deixar suas casas e buscar refúgio, segundo informam a imprensa israelense e as agências de notícias internacionais.

No 20º dia consecutivo da grande ofensiva israelense contra alvos do movimento islâmico radical Hamas, na faixa de Gaza, os tanques entraram no bairro populoso de Tal al Hawa, no sul da cidade, e continuaram seu avanço até chegar ao núcleo urbano da capital de Gaza. A ofensiva já deixou ao menos 1.025 palestinos mortos, cerca de metade deles civis, incluindo 300 crianças e adolescentes.

As tropas israelenses foram protegidas por helicópteros, tanques e forte artilharia na operação desta quinta-feira, quando realizaram, segundo o jornal israelense "Hareetz", a sua maior ofensiva contra o Hamas na faixa de Gaza.

Imagens de uma câmera da agência internacional de notícias Reuters, no centro de Gaza, mostrou horas de ataques da artilharia israelense. As bombas explodiram nas áreas de periferia da cidade e o barulho das metralhadoras podia ser ouvido também nos blocos de prédios residenciais de Gaza.

A maior parte dos combates, contudo, foi centrada em Tel al-Hawa, onde parte dos moradores fugiu a pé e outros se esconderam em abrigos precários, relata o "Hareetz".

Alguns moradores deixaram suas casas ainda de pijamas, diante dos ataques da madrugada, e alguns levavam parentes mais velhos em cadeiras de rodas. Segundo o jornal, alguns palestinos estavam parando carros blindados de jornalistas e pedindo para que os levassem para local seguro.

Segundo testemunhas, tanques e carros blindados entraram em um parque do bairro, transformando o local em um centro de comando improvisado. Segundo o "Hareetz", homens mascarados carregando sacolas foram vistos se dirigindo à região.

As forças israelenses cercam a Cidade de Gaza, que tem cerca de 500 mil habitantes, há dias. Os arredores de Gaza foram campo de combates entre soldados israelenses e milicianos palestinos.

Na Cidade de Gaza, a resistência do Hamas será provavelmente maior, já que eles conhecem a área mais detalhadamente que as forças de Israel --o que pode significar também mais baixas do lado israelense na nova fase da operação na região.

Ataques

Nesta madrugada, as Forças Armadas de Israel atacaram ao menos 70 alvos em diferentes pontos de Gaza e o Hamas reagiu lançando ao menos 12 foguetes contra território israelense.

Segundo comunicado do Exército, vários palestinos morreram nos ataques. Embora não haja dados oficiais ainda, a imprensa estima que pode chegar a dezenas, tanto devido a ataques aéreos como terrestres.

Entre os alvos atacados pelas Forças Armadas de Israel estão 14 comandos do Hamas e uma mesquita na cidade de Rafah, no sul da faixa de Gaza, que seria usada como armazém bélico.

Também foram alvo de bombardeios israelenses outras 14 plataformas de lançamento de foguetes, cinco armazéns de armas em casas de membros do Hamas e um túnel situado sob a residência de outro militante do grupo islâmico, conforme explicou um porta-voz militar israelense.

No início da manhã, milícias palestinas dispararam, por volta das 9h (5h, no horário de Brasília), pelo menos 12 foguetes e bombas da faixa de Gaza contra território israelense, informaram fontes militares.

Segundo a polícia israelense, o número de foguetes lançados chega a 15.

Dos projéteis, dois são foguetes do tipo Grad, de um maior alcance em comparação com os mais rústicos Kassam, que comumente são disparados por milicianos de Gaza.

A cidade israelense de Sderot, a dois quilômetros da faixa, sofreu vários impactos de foguetes, assim como a de Ofakim, e outros pontos da região de Eshkol, sem que tenham sido registrados vítimas ou danos significativos.

Israelenses apoiam

Uma nova pesquisa mostra que os israelenses aprovam fortemente a ofensiva. A sondagem registra que 78% dos israelenses veem a operação como um sucesso. O número é semelhante à porcentagem de judeus na população de Israel. Quase 20% dos israelenses são árabes, que se identificam com os palestinos e se opõem à ofensiva. Mais de mil palestinos morreram desde o início dos ataques, a metade civis.

A pesquisa mostra que a guerra ampliou a popularidade do ministro da Defesa, Ehud Barak, na disputa eleitoral de 10 de fevereiro. Porém o líder da oposição, o linha-dura Benjamin Netanyahu, segue na frente nas intenções de voto. Foram entrevistadas 561 pessoas e o estudo tem margem de erro de 4,3 pontos percentuais, para mais ou para menos.

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