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Pesquisas suspeitas agitam o ambiente eleitoral

O TERRORISMO PESQUISEIRO ESTÁ DE VOLTA. E COM OS MESMOS ATORES NO MESMO PAPEL

Reinaldo Azevedo

A delinqüência está de volta. Começa hoje a safra de pesquisas eleitorais da segunda semana, puxada por este incrível Vox Populi, do mais incrível ainda Marcos Coimbra. Antes que o, digamos, “instituto” divulgasse seus resultados, a suposta diferença de 12 pontos entre a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra já estava em todas as bocas. Coimbra é do tipo que não esconde, vocês sabem. Eu continuo sem saber quem vai ganhar a eleição, mas Marcos Coimbra, que trabalha para o PT e é colunista de uma revista petista, diz saber.

Na quarta-feira, dia 29, três dias antes da eleição do primeiro turno, o Vox Populi dizia que Dilma venceria a disputa no primeiro turno com 12 pontos de vantagem sobre a soma dos demais concorrentes. Sim, leitor, isto mesmo! 12 pontos. E o rapaz ainda concedeu uma entrevista a um blog naquele dia:

Pergunta - Marina Silva está crescendo sobre votos de Dilma Rousseff?
Coimbra - Não dá para dizer. Dilma cresceu tanto após o início do horário gratuito da propaganda eleitoral que roubou votos dos outros dois. Agora, esses votos estão, ao que parece, voltando para eles.

Quantos votos, de fato, Dilma precisa perder para que haja segundo turno?
Nos dados de nosso tracking (corroborados por vários outros que temos de pesquisas desenvolvidas em paralelo), a vantagem dela para a soma dos outros estava em 12 pontos percentuais ontem. Se 6 pontos passassem dela para os outros, a eleição empataria e o prognóstico de vitória no primeiro turno seria impossível. Como cada ponto equivale a mais ou menos 1,35 milhão de eleitores, isso seria igual a 8 milhões de eleitores (sem raciocinar com abstenções).
(…)
Qual o quadro que o senhor acha mais provável?
Vitória de Dilma no primeiro turno.

Coimbra é o cara que organizava aquele tracking diário para o Ig, onde o tucano José Serra chegou a aparecer com 22% dos votos. O resultado das urnas mostra a credibilidade do seu levantamento.

Há uma semana, ele publicou uma simulação de segundo turno, e a diferença entre Dilma e Serra era de 8 pontos. Agora, seria de 12 nos votos totais. É simples: bastou mexer nos números do tucano dentro da margem de erro (há uma semana, teria 40%, agora 39%) e somar três pontinhos pra ela (teria ido de 49% para 51%).

Atenção: segundo Coimbra, os brancos e nulos continuam em 6%, como na semana passada, e os indecisos passaram de 6% para 4%. Huuummm… Serra não só não teria ganhado nenhum indeciso (foram todos para Dilma) como ainda perdeu eleitores para a petista, entenderam? Tudo num “passe de Marcos”…

Efeito deletério

“Ah, mas todo mundo sabe que essa gente…” Não é bem assim. Pesquisas, por menos credibilidade que tenham, sempre ajudam a criar o “ambiente”. Institutos fazem lá os seus ajustes, entendem? Se considerarmos, então, o modo como as coisas estão sendo feitas no Brasil, né? Arredonda-se aqui, arredonda-se ali. Um vem com 12; o seguinte, se tiver de arredondar para chegar a uma diferença de 7 ou de 8, escolhe a diferença maior, que o aproxima mais do colega; o que vem depois, ainda que seja o honesto da turma, sente a pressão e também dá o seu “totozinho”. No fim das contas, um acaba usando o outro como o limite da sua margem de erro e, magicamente, todos acertam, ainda que todos errem.

Daqui a pouco, o jornalismo online começa a “repercutir”, como eles dizem, os números do Vox Populi. Quem, a três dias da eleição, afirmava uma diferença a favor de Dilma de 12 pontos sobre a soma dos demais candidatos precisa é ser investigado em vez de ser levado a sério.

Mas Marcos Coimbra está de volta. Afinal, é essa a sua profissão.

Leia também: Pesquisas Eleitorais: OS FALSÁRIOS

Fonte: Reinaldo Azevedo/VEJA

FHC desafia Lula para uma conversa 'cara a cara' após fim de mandato

FHC faz desafio. Lula vai fugir?

Principal alvo de críticas do PT no programa eleitoral, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso desafiou nesta quinta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma conversa "cara a cara", quando o petista "puser o pijama".

Dizendo-se vítima de mentiras, FHC disse que Lula foi mesquinho ao não reconhecer o legado do PSDB e assumir a paternidade da estabilidade da moeda.

"Estou calado há muitos anos ouvindo. Agora, quando o presidente Lula vier, como todo candidato democrata eleito, de novo, perder a pompa toda, perder o monopólio da verdade, está desafiado a conversar comigo em qualquer lugar do Brasil. No PT que seja", discursou FHC.

Segundo FHC, não é para enumerar as ações de cada governo. "É para ter firmeza, olhando cara a cara do outro, ver dizer as coisas que diz fora do outro. Quero ver o presidente Lula que votou contra o real, que fez o PT votar contra o real, dizer que estabilizou o Brasil. Não precisa disso. Lula fez coisas boas, que reconheço. Agiu bem na crise atual, financeira. Para que, meu Deus, ser tão mesquinho? É isso que eu quero perguntar para ele. Por que isso, rapaz? Você pegou uma boa herança. Usou. Aumentou. E o Serra vai usar as duas. Vai usar as duas. Vai fazer mais."

"Não vamos ficar de mesquinharia, não. O que for bom vai continuar. Começamos as bolsas. Por que o Serra não vai aumentá-las? Aqueles que necessitarem. Não bolsa política, não."

Ao defender o concurso público, ele disse que o presidente do PT, José Eduardo Dutra, entrou na Petrobras sem concurso público, durante o governo militar.


"Eles querem os apaniguados. Nós queremos a meritocracia. Cada um vai ter que se esforçar e será recompensado pelo o que fez. Não queremos um Brasil de preguiçosos, não queremos um Brasil de amigos do rei, não queremos um Brasil de companheiras tipo Erenice."

Em discurso a integrantes do PSDB, FHC chamou a petista Dilma Rousseff de duas caras e negou que tenha pregado a privatização da Petrobras, como a candidata acusou no debate da Band:

"Agora, vêm falar que eu queria privatizar a Petrobras. Quem é esse [Sérgio] Gabrielli para falar isso comigo, meu Deus? Fui presidente da República. Ele tem que me respeitar", afirmou FHC, dizendo que foi processado por ter defendido a Petrobras. "Perdi uma cátedra."

Ele atacou o aparelhamento político da Petrobras. "A Petrobras perdeu já 20% de valor de mercado sob a batuta dessa gente porque o mercado percebeu agora, custou mas percebeu, que tem ingerência política."

Ao falar das acusações do PT, FHC disse que os adversários "estão muito nervosos" por causa do segundo turno. "Caíram da cadeira. Nunca imaginaram que iriam ao segundo turno. O Lula sempre foi para o segundo turno. Por que a Dilma não iria? Só que agora ela vai às cordas com o nosso voto".

No evento organizado pelo PSDB de São Paulo --mas sem a presença de José Serra-- FHC acusou o PT de uso político da máquina pública e mais uma vez, disse que não passou a mão na cabeça de aliados, de "aloprados".

Tomando o cuidado de afirmar que o pijama seria transitório, FHC sugeriu uma conversa entre os dois, a exemplo das visitas que fazia a Lula em São Bernardo do Campo.

"Presidente Lula, terminadas as eleições, quando você puser o pijama, não sei o que vai por, o que vai fazer, será bem recebido. Venha ao meu instituto. Vamos conversar cara a cara", disse.

Ao falar das acusações contra Serra, alfinetou: "Não venham com história. O nosso candidato é homem de palavra, de coragem. Chega a ser turrão. Não fica mudando de opinião só para ter voto, não."

Fonte: FOLHA/CATIA SEABRA

PT vislumbra a possibilidade de Serra vencer e tenta criar clima de intranqüilidade na eleição.

Reinaldo Azevedo

Entre os fatores que concorreram para Dilma Rousseff não ser o estrondo que se esperava nas urnas, está, quero crer, a agressividade de Lula no último mês de campanha, especialmente depois que ficou evidente que uma quadrilha operava na Casa Civil.

Estivessem certos os institutos sérios (não creio que estivessem; os não-sérios são apenas bandidos, mas esse é outro debate), não haveria uma miserável razão, recorrendo à metáfora futebolística de que ele gosta tanto, para o presidente optar pelo jogo bruto: deu carrinho por trás, entrou de sola, foi na canela, usou pé alto, chegou mesmo a bolinar a democracia ao sugerir que era preciso eleger senadores servis ao Executivo… Por quê? Aquilo não era comportamento de quem estava vencendo a partida por um placar tão largo.

É que o PT, que nunca soube perder, também não sabe vencer, o que é típico de grupos fascistóides. A iminência da vitória no primeiro turno lhes trouxe o sonho de sempre: extirpar — Lula usou esse verbo em Santa Catarina para se referir ao DEM — os adversários. O presidente atacou a imprensa, que chamou de “partido”; declarou-se a si e aos seus a própria “opinião pública”; cobrou, em palanque, onde estavam, afinal, os sigilos violados dos tucanos e dos familiares de Serra — em vez de condenar o jogo sujo, pediu que o crime fosse exibido em praça pública; asseverou que venceria “esse sujeito”, referindo-se a Geraldo Alckmin, em São Paulo; prometeu ser ele a pôr a faixa em Mercadante… Arrogante! Bruto! Antidemocrático! Por isso o Manifesto em Defesa da Democracia, em três semanas, passa a marca dos 80 mil signatários. Já o manifesto do oficialismo, em apoio ao presidente, sumiu no ralo da história.

Por que toda essa histeria do PT, que vai da denúncia calhorda e falsa de que existe uma guerra santa contra o partido à ida de Dilma Rousseff à Basílica de Aparecida (onde errou ao persignar-se), passando pelo comportamento destrambelhado da candidata no debate e por um ato ilegal de intelectuais petistas (oximoro delicioso) na Faculdade de Direito da USP? O que se tenta é classificar de artificialismo e golpe uma eventual virada no jogo eleitoral, como se a derrota de Dilma não fosse uma das possibilidades que sempre estiveram presentes. Por isso se disputa eleição, não é? Para ganhar ou para perder. Não para os petistas!

Tentam fazer crer a sociedade que só uma tramóia tira a eleição de Dilma. Esse não é um comportamento sem desdobramentos práticos.

A sabotagem na vitória

Vitorioso em 2002, o PT passou longos oito anos desconstruindo o governo FHC da maneira mais calhorda e mentirosa possível. Porque não bastava a Lula, dentro da lógica normal da democracia, implementar o seu programa, corrigir erros, cometer os seus próprios, acertar. Notem: era preciso não deixar pedra sobre pedra, sustentar que nada de bom, NADA!!!, veio do governo anterior. A edição que o marqueteiro de Dilma fez do debate da Band é uma súmula das mistificações erigidas ao longo desses anos.

Lula não tentou ser melhor do que FHC na comparação — essa é outra mentira. Ele tentou destruir o seu antecessor, como tenta destruir os seus adversários.

Sabotagem na derrota

E que partido agia assim? Aquele mesmo que passara os oito anos na oposição sabotando o… mesmo governo FHC: lutou contra o Real, denunciou o Proer, recorreu à Justiça contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, chutou o traseiro de investidores durante a privatização de estatais, votou contra o Fundef, ATACOU OS PROGRAMAS DE RENDA MÍNIMA, CHAMANDO-OS DE ESMOLA…

Agora, vislumbrada a possibilidade Serra vencer a disputa, o PT faz o quê? Denuncia uma grande conspiração — sabe-se lá de quem; seria dos cristãos? — e, acreditem, já anuncia que, se tudo der errado, retoma o seu velho padrão, aquele celebrizado nos oito anos de oposição: sabotagem!

Uns bobocas dizem: “Ah, você sataniza o PT; é muito mais rigoroso com ele do que com os outros partidos”. Eu não me obrigo a distribuir igualmente as minhas broncas só para mostrar a minha isenção. Não tenho partido, mas tenho lado (democracia, estado de direito, economia de mercado, essas coisas…).

Ao longo de oito anos, é consenso que faltou ao PSDB um teor mais ato de oposicionismo. O partido não se caracterizou por dizer “não” a tudo o que viesse do governo Lula. Já o PT teve a cara-de-pau de implementar projetos e de adotar práticas que, na oposição, considerava lesivas aos interesses da pátria e do povo.

Falta de compostura

A falta de compostura do presidente da República no processo eleitoral, de que ele é, no Executivo, um magistrado, fala por si. Pensem no exemplo de civilidade que deu FHC em 2002 na iminência da derrota e vejam o comportamento destrambelhado de Lula, mesmo as pesquisas apontando, por enquanto ao menos, a dianteira de Dilma. Aquele presidente soube ganhar e soube perder; Lula não sabe nem uma coisa nem outra. Se vence, tenta destruir o adversário, como tentou; se vislumbra o risco de perder, denuncia uma conspiração e tenta qualificar, de antemão, de ilegítima a eventual vitória dos adversários.

Não vai colar. Nem o PT fará o que bem entende se Dilma ganhar a eleição — e eles já perceberam que a sociedade não aceita arreganhos autoritários — nem Serra terá maculada a sua vitória, se acontecer, por uma clima de intranqüilidade que o PT tenta criar artificialmente.

Essa batalha, ao menos, o lulo-petismo já perdeu. A não-eleição de Dilma no primeiro turno significou um “não” aos arreganhos autoritários do partido e de seu chefe máximo. Lula pode incluir mais essa derrota em sua carreira.

Fonte: Reinaldo Azevedo/Veja

PM do governador do Tocantins usa fuzis para tentar impedir a VEJA de circular no Estado

Reinaldo Azevedo

PM do governador do Tocantins usa fuzis para tentar impedir a VEJA de circular no Estado; PF tem de ser acionada para garantir distribuição da revista; desembargador censura 84 veículos de comunicação. O que Lula acha disso?

Na terça-feira à noite veio a público um manifesto em defesa da democracia e da liberdade de imprensa, lido na quarta por um grupo de 250 pessoas em frente à Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco. Cinco dias depois, enquanto escrevo, já chegam a quase 45 mil os signatários do documento. Raramente a sociedade civil se mobilizou com tanta força e presteza. O documento diz um sonoro “não” aos arroubos cesaristas do presidente da República, que tem atropelado com desassombro as leis e as instituições.

A imprensa independente é a grande inimiga dos muitos candidatos a déspota que se espalham pelo Brasil e seus esbirros no Judiciário, no Congresso e, infelizmente, no próprio jornalismo — “subjornalismo” ou “jornalismo de aluguel” seriam termos mais apropriados. Abaixo, há um vídeo que remete a eventos estarrecedores, próprios de uma ditadura. A rigor, o Estado do Tocantins vive hoje sob um regime de exceção, e um desembargador do Tribunal Regional Eleitoral pretende que os efeitos do regime discricionário que resolveu instituir tenham alcance nacional. Explico.

José Liberato Costa Póvoa concedeu uma liminar impedindo a imprensa do Tocantins de veicular qualquer notícia sobre uma investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo que aponta o governador daquele Estado, Carlos Gaguim, e auxiliares como beneficiários de uma máfia que atua em vários estados. Não contente, estendeu a sua decisão ao jornal O Estado de S. Paulo, acrescentando o jornal, então, à lista de, pasmem! 83 veículos sob censura!

A VEJA desta semana traz uma reportagem sobre as lambanças atribuídas a Gaguim, que disputa a “reeleição” pela coligação Força do Povo, que reúne 11 partidos, inclusive o PT. Ele é, no estado, o grande aliado de Lula, o novo teórico da censura. Acreditem: o governador mobilizou 30 policiais militares, armados com fuzis, para tentar impedir, na madrugada de anteontem, a distribuição da VEJA no Estado. A ordem era para apreender a revista no aeroporto. Nota: não havia decisão judicial nenhuma autorizando a operação.

Tanto a censura prévia como a apreensão de jornais e revistas violam a Constituição. Foi preciso que o procurador da República Álvaro Lotufo Manzano pedisse o auxílio da Polícia Federal para que a revista pudesse chegar à distribuidora.

Ficou claro? Foi preciso acionar a PF para impedir que o governo do Estado recorresse à força armada com o intuito de violar a Constituição. A truculência no Tocantins não pode ser dissociada do ambiente criado por Lula e pelos petistas contra a imprensa, que levou um bando de vagabundos a fazer uma manifestação em defesa da censura em pleno Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, um vexame que ficará para a história da infâmia. É esse tipo de gente que os censores querem proteger.

A mulher, a sogra…
Póvoa, o desembargador que concedeu a liminar de censura, é investigado no Conselho Nacional de Justiça, acusado de vender sentença. Suas relações com Gaguim são boas. Em janeiro, o governador nomeou Nilce Cardoso da Silva para um cargo na Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social. No dia 28 de fevereiro, foi a vez de Simone Cardoso da Silva Canedo Póvoa ganhar um cargo de “assessoramento superior” — R$ 3.600 por mês — na Secretaria de Cidadania e Justiça. Elas são, respectivamente, sogra e mulher do desembargador.

Não é um evento local
O maior erro que se pode cometer é tomar essa história como um evento local. Não é! Abundam ações no país contra a liberdade de imprensa. Os pretextos são os mais variados. Póvoa, por exemplo, alega que a investigação corre sob sigilo de Justiça e, por isso, seu conteúdo não pode ser divulgado. Afirma também que as informações estariam contidas num computador roubado etc.

Jornalista não é guardião de sigilo. Que aqueles que têm o dever funcional de protegê-lo o façam e arquem com as conseqüências se não cumprirem a lei. Os repórteres não cometeram crime nenhum; tampouco se associaram a criminosos.

No Tocantins ou em Brasília, o crime não está no jornalismo.

Saiba mais sobre Gaguim nos posts do blog de Reinaldo Azevedo.

Fonte: Veja/Reinaldo Azevedo

Sempre que o presidente do PT fala, a lógica se espanta

Reinaldo Azevedo

Num comício em Campinas, interior de São Paulo, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, afirmou, referindo-se à oposição:
“[são] falsos defensores da liberdade que acusam o senhor [Lula] de governar em cima de palanques, mas eles sentem falta dos que governavam em cima de tanques”.

Bobalhão! Zé Mané!

As pessoas que estão hoje na oposição ajudaram a construir a democracia mais do que as que estão na situação. O partido do sr. Dutra votou contra Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, expulsou os três deputados do partido que votaram a favor e se saiu com a desculpa de que só aceitava eleições diretas.

Vamos ser claros, não? A disputa era entre Paulo Maluf e Tancredo Neves. E o PT decidiu se abster. Verdade ou mentira?

“Ah, mas o sindicalista Lula foi importante para fraturar o regime…” Nunca ninguém lhe negou o seu papel, mas a democracia que temos foi fruto dos que investiram na reconstrução das instituições. Eleito deputado, a sua única grande obra foi acusar a existência de 300 picaretas no Congresso. Os comícios das diretas, que tornaram popular a causa, foram obra de governadores da oposição — que não eram do PT.

Bem, então poderíamos comparar biografias: a de Dilma, candidata do PT, e a de Serra, da oposição. Dilma, militante comunista, queria ditadura, não democracia. Se era contra os tanques no Brasil, era a favor dos tanques na União Soviética, em Cuba e onde mais se espalhasse o horror. E, como nunca fez um mea-culpa, deixa claro que considera ter feito o certo até hoje.

Dutra foi além:
“Estão tentando construir uma farsa para impedir o que o povo brasileiro já decidiu. Não adianta farsa, nem armação. Não adianta produzir manchetes contra nós”.

Produzir manchetes? Quer dizer que manchetes derrubam a ministra mais poderosa do governo? Foram as manchetes que empregaram toda a família de Erenice no governo? Foram as manchetes que fizeram brotar dinheiro vivo na Casa Civil?

Segundo a Folha Online, Dutra ainda chamou de “cabra” o consultor Rubnei Quícoli — que acusa o filho da ex-ministra Erenice Guerra, Israel, de cobrar propina para viabilizar negócios no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social) — e disse que é de ficar indignado que se dê crédito para alguém que já respondeu por crimes diversos.

Epa! A ficha criminal de Quícoli é ao menos conhecida. A de Dilma foi trancada num cofre. Quem abriu as portas do palácio a alguém com aquela ficha? Certamente candidatos a ter uma folha corrida maior do que a dele, por crimes mais graves. E só para lembrar: Dilma não foi presa porque brincava com bonecas. Brincava com armas. Pertenceu a movimentos terroristas que mataram inocentes. A hipocrisia brasileira, inclusive de setores da imprensa, poupa-a de sua história, relevando só a heroína torturada — e é um absurdo que o tenha sido. Mas essa ferida o país curou, mandando torturadores para a lata do lixo moral. Ficamos com a indecência da glorificação do terror.

Chegou a hora da absoluta clareza com essa gente. Não, senhor Dutra! Quem gostava de ditadura é a sua candidata, que tem uma ficha criminal que inspira mais cuidados do que a de Quícoli. A razão é simples: ela pode ser presidente da República, ele não.

Algum petralha vê falha lógica aí? Não adiante me xingar. Isso, qualquer vagabundo faz. O meu desafio é que me contestem, Dutra inclusive. Mas ele não pode. Porque sua língua é solta para ofender, mas presa para argumentar. Aguardo contestação, vamos lá:
- provem que o PT construiu a democracia mais do que o PSDB ou outros oposicionistas à época;
- provem que Dilma sempre quis democracia;
- evidenciem que sua ficha criminal a habilita como notável democrata;
- neguem que ela tenha participado de movimentos que mataram inocentes e que tentaram infundir o pânico na sociedade como estratégia de luta política - eu chamo isso de terrorismo.

O PT poderia ganhar a eleição com 99,9999% (eu seria essa coisinha qualquer que faltaria pra os 100%), e o que escrevo aqui não seria menos verdadeiro.

Fonte: Veja

Como o Partido do Polvo vai estendendo seus tentáculos

Reinaldo Azevedo

Já passam de 21 mil os cargos de confiança no governo federal sob a gestão petista. Isso quer dizer que os nomeados não precisam prestar concurso público, mas ter um padrinho — e, não raro, a carteirinha de filiação ao PT. Abaixo, transcrevo trechos da reportagem de Fernando Mello, na VEJA desta semana, com dados sobre o aparelhamento do Estado brasileiro pelo petismo. Não deixe de ler a reportagem completa na revista. Trata-se do documento de um tempo. É nesse ambiente que o estado policial está se instalando, de que os descalabros da Receita são um exemplo. Para Lula, tudo não passa de “futrica”.

(…)
Desde 2003, quando Lula chegou ao poder, seus seguidores aceleraram uma operação de conquista de postos-chave do estado que, aliás, já vinha sendo disciplinadamente seguida em governos anteriores sem que se soassem alarmes. Dos quarenta cargos mais cobiçados do governo, os partidários de Lula e filiados ao PT ocupam 22. Nesses postos eles controlam orçamentos anuais que, somados, chegam a 870 bilhões de reais. Isso representa um quarto do produto interno bruto brasileiro. Ou seja, que 25% da riqueza nacional está sob administração direta de quadros partidários e ligados a sindicatos e centrais sindicais, todos comprometidos com um programa duradouro de poder.
(…)
Com o preenchimento dos 1.219 cargos especiais de “direção e assessoramento superior”, as famosas DAS 5 e 6, os governos formam o que se poderia chamar de “núcleo duro” da administração. Antes de Lula e do PT, esses cargos eram ocupados em parte por indicação política, já que a maioria dos postos era reservada para especialistas de reconhecido conhecimento técnico. No governo de Lula, 45% desses cargos foram entregues a sindicalistas, sendo que, entre eles, 82% são filiados ao PT. (…) Tratar o estado como se fosse o partido é uma liberalidade a que poucos governantes se entregam tão alegremente quanto Lula o fez nos mais de sete anos de governo. (…) Os servidores passaram a agir como funcionários camuflados: apesar de oficialmente desempenharem tarefas públicas e terem remuneração paga pelo estado (ou seja, por todos os contribuintes), dedicam-se a cumprir objetivos táticos e estratégicos definidos pelos líderes de sua sigla.
(…)
Um cruzamento de dados realizado por VEJA mostrou que 6 045 servidores federais de alto nível se filiaram ao PT desde o início do governo Lula. Sete em cada dez desses convertidos tiveram sua carreira turbinada e, em pouco tempo, foram elevados a postos de chefia ou receberam alguma espécie de promoção. (…) “As instituições do estado passaram a ser subservientes aos interesses do governo do PT - e não do restante da população”, diz Maria Celina D’Araujo.
(…)
O cientista político Pedro José Floriano Ribeiro, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). estudou durante oito anos as mudanças na base social do PT e em seus programas. Ele diz que a sigla pode hoje se encaixar na definição de partido cartel: retira cada vez mais do estado recursos vitais à sua sobrevivência.
(…)
Onde faltam carreiras estruturadas e com promoções definidas pelo mérito, a possibilidade de ingerência política é ainda maior. Por exemplo: somente no organograma da Fundação Nacional de Saúde, que tem a missão crucial de gerenciar os recursos destinados a ações de saneamento básico, há 1500 petistas incrustados. O que será que todos eles querem “Quando esse quadro de aparelhamento começa a ser dominante no serviço público, como acontece no Brasil do PT, o estado passa a servir apenas ao partido do polvo e não ao povo.“



Fonte: Veja

A liberdade de imprensa existe porque, por enquanto, Franklin perdeu. E o fabuloso ato falho deste grande democrata

O candidato tucano à Presidência, José Serra, discursou ontem no encontro da Associação Nacional de Jornais e afirmou o que todo mundo ligado à área sabe: o governo e o PT tentam intimidar a imprensa. E opera em três frentes: 1) propõe mecanismos velados de censura por meios legais; 2) pratica intimidação econômica e financia chicaneiros na Internet; 3) mobiliza seus militantes para patrulhar o jornalismo (há um post a respeito).

O ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, emitiu uma nota bastante indignado. Continue a leitura AQUI

CELSO AMORIM, O MEGALONANICO, E LULA FAZEM DO BRASIL O LÍDER DO “BLOCO DOS SUJOS”

Reinaldo Azevedo

À diferença do que sugere Celso Amorim, o Megalonanico, a questão não é saber se o Brasil mantém ou não relações comerciais com ditaduras. O que importa é como essa relação se estabelece, a sua proximidade e o que o governo pretende com isso. Na fila em que se encontra este patético Obiang Nguema Mbasogo, há quantos outros facinorosos? No que diz respeito aos direitos humanos, qual é a mensagem que o Brasil tem passado ao resto do mundo?

Uma coisa é manter relações comerciais; outra, muito distinta, é fornecer palco à bandidagem. E essa tem sido a política do Itamaraty. “Tem empresa com mais de US$ 1 bilhão investidos. Não é pouca coisa (…). O exemplo tem muito mais força do que a pregação moralista”, diz Amorim. É uma fala de pura delinqüência política. Um bilhão de reais justificam o silêncio cúmplice do Brasil? Não se diz uma miserável palavra em defesa dos direitos humanos. A que exemplo se refere o ministro? Em que a postura do Brasil servirá “de exemplo” a Mbasogo? Ele não conseguiria responder.

O lugar que o Brasil ambiciona no mundo não será conquistado com essa política. Ao contrário. Cada vez mais, o que o mundo percebe é a incongruência entre o tamanho da economia brasileira e o de sua política externa, que não se compromete com os valores essenciais das democracias ocidentais. Ao contrário: cumplicidade vira pragmatismo; liberdade para matar é tomada como autodeterminação; atos terroristas são tomados como resistência.

A fala de Amorim repete a estupidez proclamada ontem por um certo Norton Rapesta, diretor do Departamento de Comércio e Investimentos do Itamaraty: “O fato de o Brasil se aproximar [da Guiné Equatorial], trazendo o seu exemplo, pode ser uma contribuição política. A gente tem de ser pragmático. (…)” Quando a gente tinha ditadura no Brasil, ninguém ia negociar com a gente?”

Rapesta se refere à ditadura militar brasileira. Sim, os demais países negociavam “com a gente”. Mas os ditadores brasileiros não eram tratados como interlocutores de uma suposta nova ordem global. Entendeu, Rapesta, ou quer que desenhe? Não custa lembrar a fala de de Jimmy Carter, então presidente dos EUA, em sua visita ao Brasil, em março de 1978:

“Hoje estamos todos nos unindo num esforço global em prol da causa da liberdade humana e do Estado de Direito. Esta é uma luta que só será vitoriosa quando estivermos dispostos a reconhecer as nossas próprias limitações e a falarmos uns com os outros com franqueza e compreensão”.

Se o Brasil anseia por um lugar honrado no chamado concerto das nações, não será se abraçando aos Mbasogos da vida por causa de qualquer bilhão “de uma empresa” ou dos ridículos US$ 45 milhões que exportados àquele país no ano passado. Até porque tais justificativas são obviamente, fantasiosas. A aproximação com gente dessa estirpe tem o objetivo de fazer o país líder de um grupo de nações, nem que seja do Bloco dos Sujos.

Trata-se de uma política externa asquerosa.

ESSE NEGÓCIO DE MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL FICAR PERSEGUINDO BLOGS É UMA GRANDE BOBAGEM!

Reinaldo Azevedo

Leitores estão me perguntando por que não tenho comentado a atuação do Ministério Público Eleitoral contra um blog de apoio à candidatura de Dilma Rousseff. Parece que já há uma outra contra um blog que apóia o tucano José Serra. E assim vai.

Não falei antes porque há coisas mais relevantes. Mas, se é para comentar, lá vai: acho esse troço ridículo. Já me mandaram barbaridades que esses coitados escreveram inclusive contra mim. Mas e daí? Eles que se divirtam lá. Uma coisa é mobilização da máquina do estado — COM DINHEIRO PÚBLICO — em defesa de uma candidatura, como faz Lula e como faz Dilma na Europa; outra, bem diferente, são esses blogs que proliferam na rede. Como coibir isso? Ok. Que a lei seja seguida enquanto não mudar. Mas que a resolução do TSE é ridícula nesse particular, isso é inegável. Trata-se de uma tentativa de conter o mar com sacos de areia.

Esse blog dilmista que está sendo alvo do Ministério Público Eleitoral não tem a menor importância. Seus autores, aliás, devem estar no céu. Transformaram-se em heróis incidentais da própria irrelevância. Passadas as eleições, é preciso rever esse conceito de “pré-campanha”. Há mais exigências feitas pela Justiça Eleitoral do que dicas no Antigo Testamento sobre como preparar o Templo. Procuradores eleitorais se pretendem verdadeiros síndicos da política.

A ridicularia se estende ao chamado horário político — que não pode ser eleitoral. É mesmo? Quer dizer que o partido pode ir à TV, dizer-se o melhor para conduzir o Brasil, o mais adequado para cuidar do futuro, o mais competente, mas estaria proibido de direcionar isso para uma pessoa, um candidato, um símbolo. “Ah, não, aí já é campanha”, diz o bedel. Tenham paciência! Sei o que escrevi. Ataquei o programa do PT do dia 13 de Maio porque houve a oposição direta “Dilma X Serra”, com nome e tudo. Mas era evidente que aproveitariam o horário para falar sobre a candidata. Como o PSDB fez hoje.

É bom os políticos começarem a cuidar disso, ou os procuradores e juízes do TSE vão começar a desenvolver aquela “Síndrome da Dona Mirtes”. Não sabem quem é? Era a “inspetora de corredor” da escola em que eu estudava. Dona Mirtes mandava mais do que o regimento interno da escola.

Se o Ministério Público Eleitoral está em busca de serviço, eu tenho uma dica. Vai em outro post.

Se o Ministério Público Eleitoral quer mesmo mexer com algo relevante, por que não se ocupa de blogs financiados por estatais, por intermédio de propaganda, que nada mais são do que panfletos eleitorais? Isso, sim, é grave. Trata-se de dinheiro público posto a serviço de uma candidatura.

Fonte: Veja

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