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Costa do Marfim e Portugal empatam

Cristiano Ronaldo acerta a trave, e Drogba entra no segundo tempo do 0 a 0 que complica a vida das duas seleções no Grupo G

Drogba e Cristiano Ronaldo: duelo de astros no Costa do Marfim x Portugal (Foto: AFP)

Próximos adversários do Brasil no Grupo G da Copa do Mundo, Costa do Marfim e Portugal desapontaram na estreia e não passaram de um magro 0 a 0 no estádio Nelson Mandela Bay, em Porto Elizabeth, nesta terça-feira, demonstrando que estão, de fato, na briga pelo segundo lugar da chave.

A partida até que teve alguns momentos de emoção, principalmente nos pés de Cristiano Ronaldo na etapa inicial, entretanto foi marcada mais pelo nervosismo e forte marcação de ambas equipes. Drogba, que chegou a ser dado como carta fora do baralho do Mundial, superou a operação no braço direito e entrou no segundo tempo com uma tala no local. Mas pouco produziu.

Na próxima rodada, os marfinenses encaram a seleção brasileira no estádio Soccer City, em Joanesburgo, no domingo que vem, às 15h30m (de Brasília). Já os lusos pegam a Coreia do Norte no dia seguinte, na Cidade do Cabo, às 8h30m (de Brasília). O empate poderá ter facilitado o trabalho do Brasil na primeira fase, caso a seleção de Dunga cumpra o papel de vencer a Coreia do Norte na estreia.

Drogba começa no banco, e Cristiano Ronaldo cala vuvuzelas

Se Drogba começou no banco, fato que não surpreendeu muito, pelo lado de Portugal a história foi diferente. Queiroz barrou o meia-atacante Simão Sabrosa, colocando Danny, do Zenit, em seu lugar. Segundo rumores na imprensa lusitana, o motivo da troca seria o fato de que Simão não se dá muito bem com o craque do time: Cristiano Ronaldo.

O ídolo português, por sinal, foi o mais ovacionado no momento que foram divulgadas as formações iniciais das duas equipes no telão do estádio Nelson Mandela Bay. Os gritos pelo jogador chegaram, inclusive, a “calar” as barulhentas vuvuzelas.

Na hora do hino, outro raro momento no qual as tradicionais cornetas sul-africanas não eram sopradas, Cristiano Ronaldo também chamou a atenção: de olhos fechados, não cantou com os demais companheiros e demonstrou estar concentrado no duelo contras os Elefantes.

'Gajo' com vontade

Em campo, Cristiano Ronaldo não fugiu da responsabilidade e provocou o primeiro cartão amarelo da partida. Após puxar contra-ataque pelo meio, o camisa 7 lusitano levou um carrinho de Zokora, volante que atuou na zaga ao lado de Kolo Touré. Na cobrança da falta, o 'gajo' carimbou a barreira e arrancou um escanteio aos oito minutos.

Motivado e querendo jogo, Cristiano Ronaldo quase abriu o placar aos dez minutos. Após dar um corte seco em um marcador, chutou forte de perna direita e carimbou a trave de Barry, que pulou só para aparecer na foto. No banco de reservas, Drogba fez o sinal da cruz como forma de agradecimento pela bola não ter entrado.

Sem ter Drogba como referência na frente, a Costa do Marfim tentava explorar as jogadas pelas pontas com Gervinho e Kalou. Em uma dessas tramas, a bola acabou sobrando para o meia Tiote que deu o primeiro chute perigoso da Costa do Marfim aos 16 minutos.

Cristiano Ronaldo peita e xinga zagueiro

Além de criarem lance ofensivos, os dois também ajudavam na marcação, impedindo os avanços dos laterais Fábio Coentrão e Paulo Ferreira. Com isso, a partida acabava ficando amarrada e provocava lances ríspidos.

Em um deles, Cristiano Ronaldo levou uma dura entrada de Demel. Irritado com o carrinho, interpretado como jogada normal pelo árbitro Jorge Larrionda, o português peitou o adversário e o xingou com um forte palavrão... Em inglês! O juiz uruguaio chamou os dois e mostrou o amarelo para ambos.

Cristiano Ronaldo e Demel se estranham após português sofrer falta não assinalada pelo árbitro (Foto: Agência Reuters)

Mas não era só a defesa marfinense que mostrava suas ferramentas. Os gajos, especialmente os volantes Raul Meireles e Pedro Mendes, não aliviavam nas divididas. Apesar do primeiro tempo feio, apenas com poucas emoções, nas arquibancadas a torcida não parava de tocar as vuvuzelas e até ensaiava as tradicionais olas.

Melhor no final da etapa inicial, a Costa do Marfim voltou ditando o ritmo no segundo tempo e, logo no primeiro minuto, criou uma boa oportunidade com Gervinho, que chutou cruzado para defesa parcial de Eduardo. Aos oito, Kalou recebeu sozinho na entrada da área, mas acabou arrematando no centro do gol nas mãos do arqueiro luso.

Drogba entra e traz a chuva, mas não de gols


Brasileiro Liedson, naturalizado português, disputa bola com jogador da Costa do Marfim (Foto: AFP)

Vendo que seu time precisava mais de movimentação no ataque – apenas Cristiano Ronaldo procurava criar algo –, o técnico Carlos Queiroz sacou o inoperante Danny e botou Simão Sabrosa em sua vaga aos 11. Instantes depois tirou Deco, que também fez uma exibição abaixo da crítica, e colocou Tiago.

No entanto, ambas trocas não surtiram muito efeito e ainda foram “ofuscadas” pela entrada de Drogba, aos 20 minutos. Todo o estádio gritou no momento que o atleta do Chelsea substituiu Kalou. Curiosamente, no mesmo instante da troca, começou a chover no Nelson Mandela Bay.

Mas a chuva realmente esperada, ou seja, a de gols, não aconteceu. Drogba, mostrando claramente receio de disputar jogadas áreas, não se expunha muito, enquanto Cristiano Ronaldo, ao contrário da primeira etapa, não demonstrava o mesmo ímpeto. O luso-brasileiro Liedson também foi outro que deixou a desejar. Nos minutos finais, a Costa do Marfim pressionou Portugal, mas não mostrou competência nas conclusões.


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Fontes: G1- Globo Esporte - TV Globo

Para africanos, a Copa ainda é distante

Fora da festa: nigerianos que moram em Johannesburgo assistem a jogo na Fan Fest (Foto: Getty)

Depois de um empate da África do Sul e uma derrota da Nigéria, o continente africano tem duas chances de conseguir sua primeira vitória no Mundial neste domingo, nas partidas entre Argélia e Eslovênia, em Polokwane, e Gana e Sérvia, em Pretória.

O maior triunfo dos africanos nesta Copa, porém, parece impossível de ser alcançado. Quando a Fifa anunciou a escolha da África do Sul como sede, uma das principais bandeiras da campanha era trazer um impacto positivo ao país e aos seus vizinhos a partir da realização do evento. Mas os sul-africanos vão arcar com uma conta salgada depois do torneio – e as outras nações do continente parecem ter sido barradas no baile, tanto no quesito impulso econômico quanto na participação na festa.

Nas arquibancadas, a presença de torcedores vindos de outros países africanos é tímida. Os problemas nas vendas de ingressos para os vizinhos dos sul-africanos fizeram com que encontrar pessoas desses países nas arquibancadas se transformasse em uma missão mais difícil do que seria de se esperar. Algo a se lamentar, pois ver os maiores jogadores do mundo de perto é chance única para a esmagadora maioria dos habitantes do continente.

Na partida de sábado entre Argentina e Nigéria, por exemplo, dois garotos sul-africanos estavam “infiltrados” na torcida dos sul-americanos. Conseguiam ser ainda mais empolgados que os incansáveis argentinos. O mais curioso é que apoiavam os dois times ao mesmo tempo: quando algum jogador famoso tocava na bola, iam ao delírio, fosse ele argentino, fosse nigeriano.

O jogo de sábado no estádio Ellis Park, aliás, foi exceção quanto à participação africana na plateia. O campo é próximo de uma região com forte presença de imigrantes nigerianos, e a torcida do país tinha tamanho respeitável. Mas essa cena não deve ser das mais comuns no decorrer do torneio. De acordo com a Fifa, a venda de ingressos no continente que recebe a Copa pela primeira vez está 76% menor do que o previsto. Até a semana passada, só 41.000 bilhetes tinham sido vendidos aos vizinhos do país anfitrião.

Só no telão: nigerianos acompanham a derrota para a Argentina (Foto: Getty)

A Argélia, que estreia neste domingo, é a campeã em vendas, mas tinha comprado só 9.300 ingressos até dez dias atrás. Mesmo que todos tivessem sido vendidos para o primeiro jogo, o estádio em Polokwane teria cerca de um quinto de sua capacidade ocupada por argelinos. A Costa do Marfim, adversária do Brasil na primeira fase, comprou só 8.000 ingressos até a última semana. O Zimbábue, país que faz fronteira com a África do Sul, adquiriu só 1.300. Enquanto isso, os americanos já tinham comprado 134.953 bilhetes até alguns dias atrás.

Mais importante ainda que os lugares na arquibancada, um possível efeito mais duradouro na economia dos países africanos também já é cercado de dúvidas. Apesar de uma campanha da Fifa para tentar garantir um legado positivo, por enquanto existe o temor de que só houve gastos, sem grandes retornos.

Países como Botsuana e Moçambique investiram para se preparar para receber turistas de todas as partes do mundo antes e depois da Copa, mas o movimento até agora é decepcionante – afinal, o fluxo de visitantes no próprio país-sede ficou bem abaixo do que se esperava.

Até agora, a primeira Copa em solo africano parece, para a grande maioria dos moradores do continente, um Mundial como todos os outros: uma festa só para os outros, que se acompanha à distância, com a cara grudada na TV.

Fonte: VEJA/Giancarlo Lepiani

Google Earth e Street View lançam passeio virtual na Copa

A tecnologia - e a internet - permitirão aos torcedores que estejam mais "presentes" nesta Copa do Mundo.

Nesta terça-feira, o Google Street View passou a disponibilizar imagens dos estádios e das cidades-sede do Mundial. É possível, por exemplo, caminhar pelo Soccer City, em Joanesburgo, o Peter Mokaba, em Polokwane, ou o Moses Mabhida, em Durban, com um alto nível de detalhes e em 360 graus, tanto dentro como em seus arredores.

Para conhecer os estádios pelo Google Street View, é necessário ir no endereço http://bit.ly/acwGF6 e escrever no campo de busca o nome do estádio e a cidade onde se encontra. A partir daí é possível fazer um passeio virtual e conhecer detalhes de cada sede da Copa do Mundo.

Também é possível conhecer cada um doz dez estádios da Copa e diversas cidades da África do Sul em três dimensões através do Google Earth, dentro do próprio Google Maps.

Segundo o Google, as cidades de Rustenburg, Nelspruit, Polokwane, do Cabo, Durban, Pretoria, Porto Elizabeth, Bloemfontein e Joanesburgo também podem ser "visitadas".

Estão em destaque as principais atrações de cada uma com informações cedidas pelo site oficial de turismo da África do Sul.


Fonte: Terra

África do Sul e a Copa, em imagens

Artista de rua faz a miniatura do estádio de Johannesburgo com areia, na praia ao norte de Durban/AE. Vide a galeria completa clicando sobre a foto acima

Sarkozy admite erros operacionais da França durante o genocídio de Ruanda

Presidente afirmou que Operação Turquesa começou 'tarde demais'. É a primeira visita de um chefe de Estado francês ao país após conflitos.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, reconheceu nesta quinta-feira (25) em Kigali, em Ruanda, "graves erros de apreciação" da França e da comunidade internacional durante o genocídio de 1994 que ocorreu no país africano. O líder francês também homenageou as vítimas, que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), chegaram a cerca de 800 mil pessoas.

"O que aconteceu aqui é inaceitável, mas obriga a comunidade internacional, o que inclui a França, a refletir sobre seus erros que impediram prevenir e deter esse crime espantoso", declarou Sarkozy durante uma entrevista coletiva à imprensa ao lado do presidente ruandês, Paul Kagame.

Presidente francês, Nicolas Sarkozy, é ajudado pelo ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, após pisar em falso em escada ao sair do avião (Foto: AP)


Entre as falhas cometidas, Sarkozy citou "uma forma de cegueira quando não vimos a dimensão genocida do governo do presidente que foi assassinado (Juvénal Habyariama). Além disso, cometemos erros na Operação Turquesa, que foi realizada tarde demais (...)".

A Operação Turquesa foi uma medida militar e humanitária iniciada pelo Exército francês em junho de 1994, três meses depois do início do genocídio.

O presidente francês pediu que os responsáveis pelo genocídio sejam encontrados e castigados. "Não há nenhuma ambiguidade. Disse ao presidente Kagame: os que fizeram isso, onde quer que estejam, devem ser encontrados e castigados", declarou.

Depois do genocídio de 1994, o governo de Paul Kagame acusou a França de cumplicidade por ter apoiado Juvénal Habyarimana. Paris sempre rejeitou a acusação.

O atentado que matou Habyarimana, de etnia hutu, desencadeou uma onda de ataques que resultou no genocídio. A maior parte das vítimas foi da população pertencente à etnia minoritária do país, os tutsis. A rivalidade entre os dois grupos étnicos em Ruanda é histórica.

Pouco antes, Sarkozy homenageou as vítimas do massacre ao visitar o momumento fúnebre erguido em Kigali. "Em nome do povo francês, me inclino ante às vítimas do genocídio dos tutsis (...), a humanidade manterá para sempre a memória destes inocentes e de seu martírio", escreveu Sarkozy no livro de ouro do monumento fúnebre.

O chefe de Estado francês, acompanhado dos ministros ruandeses das Relações Exteriores, Louise Mushikiwabo, e da Cultura, Joseph Habineza, respeitou um minuto de silêncio diante de 14 fossas comuns do monumento, onde foram enterrados os corpos de mais de 250 mil vítimas, e depositou uma coroa de flores.

Sarkozy, ao lado de seu ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, e de uma delegação francesa, visitou durante cerca de 20 minutos o museu que relata a história de Ruanda da colonização belga até o genocídio.

A visita de Sarkozy, a primeira de um presidente francês desde o genocídio, ocorreu três meses depois da retomada oficial das relações diplomáticas entre os dois países.

Fontes: G1 - France Presse

Presidente sudanês acusado de genocídio será preso se visitar Brasil


Promotor-chefe do TPI, Luis Moreno-Ocampo, define presidente sudanês, Omar Al Bashir, como "exterminador" da nação

O governo brasileiro cumpriria a ordem de prisão expedida pelo TPI (Tribunal Penal Internacional) contra o presidente sudanês, Omar al Bashir se ele viesse ao país, disse o promotor-chefe do tribunal, Luis Moreno-Ocampo, em entrevista , por telefone, da Argentina.

A hipótese de Bashir vir à América Latina foi levantada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante a 21ª Cúpula da Liga Árabe, realizada em Doha, em março deste ano. Na ocasião, o líder venezuelano convidou o sudanês a visitar seu país --que é signatário do TPI e teoricamente teria que prender o presidente. A única a manifestar apoio à ordem do TPI foi Michelle Bachelet, presidente do Chile, país sul-americano que não é membro.

O Brasil, que é signatário, se esquivou da discussão, apesar da organização do evento ter posicionado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado de Bashir no banquete. Lula se limitou a cumprimentar rapidamente o presidente sudanês e saiu da sala.

De olho em uma vaga no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), o país já dá sinais de que a ordem do tribunal será prevalecida e Bashir pode ser preso por autoridades brasileiras se vier ao país. Decretada em 4 de março passado, o pedido de prisão inclui diversas acusações, entre elas, as de crimes de guerra e contra a humanidade pelos conflitos em Darfur.

"O Brasil não enviará tropas [ao Sudão], mas irá colaborar com a decisão da Corte. Alguns dias atrás, o chanceler brasileiro [Celso Amorim] esteve na Corte [Internacional] e o Brasil garantiu que irá dar suporte a prisão de Bashir. Isso é um demonstrativo que a América Latina está contra ele, sendo ótimo nesse momento onde ele tenta se mostrar como uma vítima da [América do] Norte", afirma Ocampo.

Fontes do Itamaraty informaram sob condição de anonimato que o Brasil não hesitaria em cumprir a ordem de prisão do TPI. De acordo com o órgão, as relações entre os dois países são exclusivamente econômicas, restritas ao interesse do Sudão pela tecnologia brasileira na produção de etanol.

Sudaneses comemoram anúncio de ordem de prisão de presidente sudanês, Omar al Bashir, por crimes contra a humanidade

Segundo Eric Reeves, professor da Universidade Smith em Northampton, Massachusetts (EUA), especialista em assuntos relacionados ao Sudão há dez anos, o distanciamento de Lula já é um sinal do posicionamento do país.

"Não há dúvida que o Brasil prenderá Bashir, se ele ousar viajar ao país. A discussão também é um grande facilitador nas negociações futuras de um assento permanente junto ao Conselho [de Segurança da ONU], o qual o Brasil pleiteia", analisa Reeves. Segundo o especialista, a recusa de Lula no evento pode ser considerada um sinal de que o país está ao lado do TPI. "O fato de Lula ter se negado a sentar ao lado de Bashir já é um sinal de que o país respeita o TPI e reconhece a legitimidade das acusações", afirma o analista.

Extermínio

Desde a ordem de detenção, em março, Bashir ordenou a saída de 13 ONGs, tendo colocado em risco a sobrevivência de 4,7 milhões de pessoas que dependem de ajuda para sobreviver em Darfur. Segundo o TPI, o Brasil reconhece a necessidade no retorno das entidades humanitárias expulsas da região --em retaliação do governo à ordem de prisão.

Para Ocampo, a prisão de Bashir é emergencial, tendo em vista a limpeza étnica que o presidente tenta promover no país. "Ele é um exterminador e todos sabem disso. O destino dele é ir para atrás das grades. Pode demorar seis meses, dois anos, mas ele será preso. Nesse meio tempo ele continua exterminando as pessoas, de fome, de sede, sem assistência. Isso é um grande demonstrativo que os crimes precisam parar agora", disse.

Desespero

Crianças participam de aula a céu aberto em Darfur; conflito deixou 2,7 mi desabrigados

Desde a ordem de prisão, Bashir já fez seis viagens internacionais, quase todas ao redor da África. Essas viagens e as manifestações de sátira à ordem de prisão, são interpretadas pelo promotor do TPI como um "ato de desespero".

Segundo o promotor-chefe, Bashir está atrás de proteção política e sabe que irá ser preso. "Esse homem está desesperado querendo mostrar que ele está livre. Ele escolhe sempre viagens curtas, em países que não são signatários do TPI, volta rápido e elimina qualquer possibilidade de ser preso", afirma OCampo.

Para Reeves, a possível suspensão da ordem de prisão por um ano --pedida pelos países do Ocidente-- não retira as acusações contra Bashir e não impede que ele seja detido no futuro. "Ela apenas prolonga, mas não elimina o fato. Recentemente, a política interna tem dado demonstrações de que está mudando, pela própria saída das ONGs que causam controvérsia entre os membros do governo".

O analista afirma ainda ser "impossível" uma viagem de Bashir à países signatários do TPI, como os Estados Unidos, Japão e Europa. Segundo Reeves, a própria Interpol (polícia internacional) estaria encarregada de cumprir o mandado.

Beco sem saída da emigração africana

O fluxo de imigrantes clandestinos que procuram refúgio na Europa bate recordes, nas margens do Mediterrâneo. Face a esta imigração de desespero, poderá o Velho Continente resisitir a tornar-se numa Europa fortaleza? A pequena ilha de Malta levanta a questão.

Safári aéreo a bordo de um Cessna explora Namíbia surpreendente

DANILO VERPA

Sobrevoar a Namíbia dá a impressão de que o homem ainda não pisou por ali. A imensidão da paisagem formada por dunas, desertos e savanas faz perceber que a solidão é a melhor notícia para o viajante.

Com 2,4 habitantes por quilômetro quadrado, o país está entre os menos povoados do mundo. Ao longo de quatro dias, o silêncio é quebrado apenas pelos dois motores de um avião Cessna, com capacidade para quatro passageiros, que leva os visitantes para sobrevoar parte dos 825.000 km2 desse território praticamente desconhecido por turistas brasileiros.

A primeria parada da viagem é no deserto da Namíbia, em Sossusvlei. Ela termina com um passeio pelo parque nacional Etosha. O voo passa ainda pela costa do Esqueleto, pelas formações geológicas de Ugab e pela região de Kunene, próxima à divisa com a Angola. Veem-se de navios naufragados na costa e centenas de focas se banhando no oceano Atlântico, a gravuras rupestres, uma praia de pedras e as dunas do vale Hartmann.


Imagem aérea mostra um pequeno avião Cessna sobre dunas do parque Costa do Esqueleto

Em solo, o visitante tem um dos raros encontros com o povo local, os nômades himba. Percorre, a bordo de veículo com tração nas quatro rodas, a gigantesca região de Kunene ou navega entre os crocodilos do caudaloso rio Kunene.

Populares

O parque nacional Etosha - uma das maiores reservas naturais da África-, o deserto da Namíbia, que é um dos maiores e mais antigos do mundo, e a costa do Esqueleto são os destinos mais procurados pelos turistas. Mas, com um guia especializado e mais tempo -no mínimo uma semana-, dá para explorar regiões mais escondidas, como Kunene e Ugab.

As distâncias a serem percorridas são grandes e tomam bastante tempo: o trajeto da capital, Windhoek, até o deserto da Namíbia leva seis horas e meia, ora em estrada de asfalto, ora em caminho de cascalho.

Da capital até o parque nacional Etocha são outras cinco horas de jornada. Todas as rodovias têm pista simples, mas de boas condições de tráfego, asfalto e sinalização. Se é raro ver pessoas, os animais são abundantes. É preciso estar com a máquina fotográfica sempre ligada para registrar elefantes, zebras, gnus e veados vagando pela savana.

Com sol e sem chuva

Com cerca de 300 dias ensolarados por ano e um clima semidesértico, o país é um dos mais áridos da África Austral. A umidade é inferior a 10% no inverno e varia entre 50% e 80% no verão -quando as temperaturas ficam entre 20C e 34C durante o dia e em torno de 18C à noite.

Já no inverno, durante o dia, a temperatura vai de 18C a 22C; à noite, cai para entre 0C e 11C. A pouca chuva ocorre entre janeiro e março. A Namíbia faz divisas com África do Sul, Botsuana, Angola e Zâmbia e só se tornou independente em 1990. Descoberta pelos navegadores portugueses Diogo Cão, em 1485, e Bartolomeu Dias, em 1486, a região não foi reconhecida de imediato pela coroa portuguesa.

Foi apenas em 1885, durante a Conferência de Berlim, que a Alemanha passou a administrar o território do sudoeste africano até a derrota na Primeira Guerra Mundial. A partir daí, o país ficou, por 106 anos, sob domínio da África do Sul, país ao qual ainda é bastante ligado economicamente.

A moeda local é o dólar namibiano, cuja cotação equivale à do rand sul-africano (ambas, assim como o dólar norte-americano, são aceitas no país). A mineração e a pesca são as principais fontes de renda namibianas, seguidas pelo turismo, que tem crescido.

Em 2003, foram 695 mil visitantes; em 2007, foram 928 mil turistas -e o setor foi responsável por 15,5% do PIB. Alemães, franceses, australianos e belgas são os que mais visitam o país. A língua oficial é o inglês, falada por só 7% da população; os idiomas mais usados são africâner (60%) e alemão (36%).




Tour por Sossusvlei, na Namíbia, começa cedo e exige preparo físico

São 6h, mas ainda é noite, quando o guia bate na porta. O cansaço da viagem do dia anterior não diminui a expectativa de conhecer a atração turística número 1 do país: o deserto. Um jipe 4x4 carregado de água e sucos leva o grupo a Sossusvlei, para um dos maiores e mais antigos desertos do mundo.

O sol começa a aparecer e cria fortes contrastes do vermelho da areia com a sombra escura formada pelas dunas que chegam a mais de 300 m.


Jipão percorre o deserto de Sossusvlei, localizado na Namíbia, um dos maiores e mais antigos desertos do mundo

Horas mais tarde, elas mudam o tom, ficam alaranjadas, desenhadas contra o céu muito azul. O silêncio instiga ainda mais a observação dessas montanhas de areia recortando o horizonte.

As dunas são chamadas por números. Os turistas sobem a 45. O percurso é cansativo, mas a vista compensa.

Outro ponto que exige bom preparo físico é o Dead Valley (Vale da Morte). São cerca de 2 km de caminhada na areia para chegar a um vale com solo de argila branca e troncos de árvores pretos, retorcidos e semipetrificados há mais de mil anos.

Presidente do Sudão ignora ordem de prisão e faz segunda viagem em uma semana


Presidente sudanês se despede antes de embarcar em avião com destino ao Egito

O presidente sudanês Omar al Bashir, sobre quem pesa uma ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI), chegou nesta quarta-feira ao Cairo, onde se reunirá com o presidente egípcio, Hosni Mubarak. O presidente do TPI, Philippe Kirsch, disse que os juízes poderão pedir a intervenção do Conselho de Segurança das Nações caso algum país se negue a prender o presidente sudanês.

A visita, que Cairo não anunciou oficialmente, é a segunda que Bashir faz ao exterior depois que o TPI emitiu uma ordem de prisão contra ele por acusações de crimes de guerra e contra a humanidade nos conflitos em Darfur. Trata-se da primeira ordem de prisão do TPI contra um chefe de Estado desde que o tribunal começou a funcionar em 2002.

Nesta semana, o presidente esteve na Eritréia, onde se reuniu com o presidente Issayas Afewerki. A viagem foi a convite do governo eritreu que expressou "solidariedade" a Bashir com a ordem de prisão do tribunal. O governo alegou que a viagem é "legal" e que o presidente estava "apenas cumprindo a agenda cabível à função".

O Egito, assim como a maioria dos países árabes, exceto a Jordânia e as Ilhas Comores, não assinou o Tratado de Roma, que deu origem à formação da TPI. Cairo pediu ao tribunal, inclusive, que adiasse o indiciamento de Bashir.

Desde a ordem de prisão do tribunal, no início do mês de março, mais de dez ONGs foram expulsas do país e a população já sente com a falta de comida e medicamentos nos campos de refugiados.

Entre as ONGs internacionais ativas em Darfur, estão a britânica Oxfam, a americana Care e as seções francesa e holandesa da Médicos Sem Fronteiras (MSF).

O Sudão também anunciou que vai substituir dentro de um ano todas as ONGs internacionais ativas em Darfur, palco da mais importante missão de ajuda no mundo, por organizações locais.

Os países árabes, assim como os da União Europeia, se pronunciaram contra a ordem de prisão do TPI e também iniciaram uma gestão ante o Conselho de Segurança das Nações Unidas para suspender esse procedimento.

Darfur, enfim, tem um réu. E agora, Lula?


Miliciano árabe sudanês

Marcos Guterman

O Tribunal Pena Internacional de Haia emitiu hoje uma ordem de prisão contra o presidente do Sudão, Omar Bashir. Pela primeira vez, um chefe de governo em pleno exercício é alvo de tal decisão, o que dá o caráter histórico do momento.

Bashir é acusado de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade, sobretudo por causa do conflito em Darfur. Na região, uma milícia árabe islâmica, apoiada pelo governo, reprime rebeldes africanos, a maioria cristãos e animistas, causando um desastre humanitário ainda difícil de calcular – fala-se em 300 mil mortos e 2,5 milhões de refugiados.

O Sudão, como era esperado, acusou o tribunal de ser “neocolonialista” e não pretende entregar Bashir. O caso deve ser remetido ao Conselho de Segurança da ONU, que tem poder para fazer valer a decisão.

A propósito do Conselho de Segurança, será interessante ver como se comportará agora o governo brasileiro, que não se envergonhou por se aproximar do Sudão em troca de apoio em seu obsessivo projeto de integrar a máxima instância da ONU. O ponto alto desse vexame se deu no final de 2007, quando o Brasil, no Conselho de Direitos Humanos, se absteve de votar uma resolução que exigia o julgamento dos sudaneses responsáveis pelo massacre em Darfur. Pouco depois, o governo Lula, alegando que estava muito ocupado no Haiti, recusou-se a envolver tropas na força da ONU que interviria no conflito.

O governo Lula nunca reservou uma única palavra de censura a Bashir. Pelo contrário. Encontrou no Sudão e seu governo de mãos banhadas em sangue um animado parceiro comercial e diplomático. Depois da decisão do tribunal de Haia, porém, ficou claro que nosso arremedo de Realpolitik deveria ter um limite, ainda que fosse só o do bom senso.

Governo do Sudão expulsa ONGs; entidades apoiam prisão de presidente

O governo do Sudão decidiu expulsar nesta quarta-feira dez organizações de assistência estrangeiras de seu território, pouco depois do Tribunal Penal Internacional (TPI) emitir uma ordem de detenção contra o presidente sudanês, Omar al Bashir. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou a retirada de 70 trabalhadores nesta manhã.

Um responsável do ministério de Assuntos Humanitários sudanês disse à agência de notícias estatal Sunna, em condição de anonimato, que foi obrigado a expulsar dez organizações britânicas, francesas e americanas que trabalham em Darfur, no oeste do Sudão.

A ordem de prisão emitida pela Corte internacional tem efeito imediato a partir desta quarta-feira e inclui sete acusações: cinco por crimes de guerra --entre os quais extermínio, tortura e abusos sexuais-- e dois de crimes contra a humanidade --ataques diretos e propositais contra a população civil e saques.

Essa é a primeira vez que um tribunal internacional processa um chefe de Estado em exercício. Bashir poderá apelar a decisão na Justiça.

Apoio

O International Crisis Group (ICG), uma organização dedicada à análise de conflitos internacionais, afirmou nesta quarta-feira que a ordem de prisão pode ser "uma oportunidade para levar a paz ao país".

Em nota à imprensa, o grupo afirmou que a decisão dos juízes do TPI representa um "reconhecimento legal e independente" dos crimes em massa cometidos contra os milhões de vítimas de Darfur. O ICG explicou que "o ideal" seria que Bashir renunciasse e se apresentasse perante a Corte, mas reconheceu que isso é "pouco provável".

Para a organização Human Rights Watch (HRW, sigla em inglês) a decisão é uma mostra de que os governantes também são responsáveis se, em seu mandato, foram cometidas violações ou torturas.

"Com a ordem de detenção, o Tribunal Penal Internacional fez de Bashir um homem procurado pela Justiça", disse nesta quarta-feira o diretor do programa de Justiça Internacional da organização de defesa dos direitos humanos, Richard Dicker. "Nem mesmo os presidentes têm garantido seu passe livre perante delitos hediondos", afirmou.

Após lembrar que "provar as acusações de genocídio é extremamente difícil", o representante da HRW explicou que, sob o estatuto do TPI, o promotor pode pedir uma emenda à ordem de detenção se obtiver provas adicionais que respaldem a acusação.

A Anistia Internacional (AI) afirmou que a decisão do TPI demonstra que "ninguém está acima da lei". "Se você é acusado de um crime, deve fazer frente e encarar as acusações perante uma corte de Justiça. O presidente terá a oportunidade de fazer isso diante do Tribunal Penal Internacional", informou a Anistia em comunicado.

A AI lembra que a Constituição do Sudão concede imunidade ao chefe do Estado enquanto está no cargo, mas acrescenta que "não há nenhum instrumento internacional que tenha reconhecido a imunidade frente aos crimes de guerra ou contra a humanidade".

Nota do Editor:

Veremos como o Itamaraty reagirá, já que sempre apoiou o ditador assassino , votando contra resoluções da ONU visando impedir os massacres cometidos por Bashir.

Tribunal internacional emite ordem de prisão a presidente do Sudão

O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu nesta quarta-feira uma ordem de prisão contra o presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al Bashir, por crimes de guerra em Darfur. Essa é a primeira vez que um tribunal internacional processa um chefe de Estado em exercício. Bashir poderá apelar a decisão na Justiça.


Omar al Bashir é o primeiro chefe de Estado em exercício processado pelo tribunal

O pedido foi feito em 14 de julho pelo promotor-chefe do TPI, Luis Moreno Ocampo, que disse nesta terça-feira ter "provas abundantes" contra Al Bashir. A ordem de detenção não inclui a acusação de genocídio, porque os juízes consideraram "por maioria" que os documentos apresentados pela promotoria não ofereceram base suficiente para provar a "intenção específica" de Bashir de eliminar uma parte da população, segundo indicou o porta-voz do TPI, Laurence Blairon.

O promotor processa Bashir pelo conflito que explodiu em 2003, que matou 300 mil pessoas e obrigou 2,5 milhões a se refugiarem. O presidente está no poder desde o golpe militar que encabeçou em 30 de junho de 1989.

No entanto, Blairon explicou que a Promotoria pode apresentar material adicional para "solicitar uma modificação" da acusação.

Segundo Ocampo, os juízes podem rejeitar a solicitação de detenção, cabendo apelação. "[os juízes] podem aceitá-la completamente ou podem emiti-la aceitando somente algumas das acusações".

Antes do anúncio da prisão pelo TPI, o ministro de Relações Exteriores do Sudão, Ali Karti, disse que a tentativa de condenação é "uma estratégia política de deter o desenvolvimento". "Qualquer tentativa de interferir nos assuntos do Sudão tem o objetivo de deter o desenvolvimento econômico e político do país", disse Karti.

Segundo o ministro, a intervenção pretende "bloquear os esforços do governo para conseguir a estabilidade e o desenvolvimento do Sudão, assim como a realização de eleições no final deste ano, além de frustrar as negociações de paz sobre Darfur e pôr fim ao acordo de paz assinado com o sul do Sudão". Karti insistiu que a postura definitiva do país é "a rejeição às acusações contra Bashir".

Presidente sudanês rejeita condenação do Tribunal Penal Internacional

O presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, disse segunda-feira, dia 2 que não cooperará com o Tribunal Penal Internacional (TPI), após ter sido acusado por esta Corte de crimes de guerra, lesa-humanidade e genocídio, devido ao conflito em Darfur.

Estas são as primeiras declarações do presidente sudanês depois que, em 14 de fevereio, o promotor-chefe do TPI, Luis Moreno Ocampo, pediu uma ordem de detenção contra o presidente sudanês pelos crimes cometidos na região de Darfur, onde mais de 300 mil pessoas morreram em cinco anos de conflito.

Bashir rejeitou qualquer "provocação política ou tentativa de pressão", em reunião que manteve hoje com um grupo de advogados árabes, na capital sudanesa.

"Estamos preparados para nos defender e defender a nosso país, e não responderemos a nenhuma provocação ou pressão", disse o governante, que afirmou considerar que, por trás da decisão de Ocampo, há motivações políticas e a mão dos EUA.

Além disso, Bashir disse que não entregará "nem um só fio de cabelo de um cidadão sudanês para que seja julgado no exterior", em referência ao ex-vice-ministro do Interior sudanês, Ahmad Mohammed Harun, e ao líder da milícia Janjaweed Ali Kushayb.

Em maio, o TPI emitiu duas ordens de detenção contra os dois por crimes de guerra e lesa-humanidade, mas o Sudão se negou, até o momento, a entregá-los à Justiça internacional, e Harun continua fazendo parte da Administração sudanesa como responsável de assuntos humanitários.

ONU

Depois das informações sobre o pedido de prisão do presidente sudanês, o secretário-geral da ONU, Ban ki-moon, afirmou esperar que o Sudão garanta a segurança do pessoal das Nações Unidas.

Em um comunicado, Ban Ki-moon afirmou que o TPI "é uma instituição independente e que as Nações Unidas devem respeitar a independência do processo judiciário".

Afirmando que as operações de manutenção da paz da ONU no Sudão continuarão, o comunicado acrescentou que Ban "espera do governo do Sudão que continue cooperando com as Nações Unidas, cumprindo com sua obrigação de garantir a segurança do pessoal e dos bens da ONU em seu território".

O departamento de Estado dos EUA também afirmou ter dado os passos necessários para proteger o pessoal da ONU no Sudão, reconhecendo que os esforços internacionais para prender o presidente sudanês podem causar uma nova onda de violência.

"Certamente é uma possibilidade", afirmou o porta-voz do departamento de Estado americano, Sean McCormack, consultado a respeito do risco de violência contra as tropas internacionais depois do pedido de prisão.

"Acreditamos termos tomado as medidas de segurança adequadas para nosso pessoal em Juba assim como em Cartum", acrescentou.

Nos últimos dias, organizações de ajuda humanitária aumentaram sua segurança no Sudão, temendo uma nova onda de violência no país. Poucas dezenas de pessoas protestaram fora da embaixada britânica e da sede da ONU em Cartum após as informações sobre o pedido de prisão. Cartum, que nega o genocídio em Darfur, disse que iria ignorar o anúncio.

Em Cartum, Fathi Khalil, um membro do partido de Al Bashir, denunciou os atos de Ocampo dizendo que foram feitos sob pressão internacional e que minam a reputação do promotor pela independência.

O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) denunciou em junho a falta de cooperação do Sudão com o TPI --cuja jurisdição o governo sudanês não reconhece-- e a União Européia ameaçou sancionar Cartum.

O Sudão, a maior nação do continente africano, sofre múltiplas divisões religiosas, étnicas e sócio-econômicas, acentuadas pelas lutas para se apropriar das riquezas naturais, desde que em 1978 se descobriu petróleo no sul do país.

Ontem, centenas de pessoas fizeram uma manifestação em Cartum contra o TPI diante da possibilidade da acusação contra o presidente sudanês. O protesto ocorreu em frente à sede do Conselho de Ministros, onde os manifestantes gritaram palavras de ordem contra o promotor-chefe do TPI, Luis Moreno Ocampo, e em apoio a Al Bashir.

"Adiante Bashir, somos seus soldados" e "Ocampo vergonha" foram algumas das palavras utilizadas pelas centenas de pessoas reunidas na capital do Sudão.

Ministro sudanês rejeita entregar presidente após pedido de prisão

O ministro da Justiça sudanês, Abdel Basit Sabdarat, disse nesta quarta-feira que o país não entregará o presidente Omar Hassan Ahmad al Bashir, que teve a prisão decretada pelo TPI (Tribunal Penal Internacional) nesta manhã. Essa é a primeira vez que o tribunal processa um chefe de Estado em exercício.

"A ordem de detenção é uma decisão política, que foi preparada desde antes", afirmou Sabdarat aos jornalistas em Cartum. Sabdarat disse que o país não dialogará com o TPI, nem reconhecerá a ordem, porque o tribunal "não tem competência nem poderes no Sudão", e afirmou que "Bashir continuará seus trabalhos de forma habitual".

Nesta manhã, o presidente sudanês assistiu a um ato, realizado na região de Karrai, no norte da cidade de Om Dorman, vizinha a Cartum, para celebrar a graduação de novos pilotos militares.

Protestos

Após o anúncio da emissão da ordem de detenção, milhares de sudaneses saíram às ruas do centro da capital para protestar contra a decisão em meio a rígidas medidas de segurança.

Os manifestantes se reuniram diante da sede do Conselho de Ministros e gritaram frases contra a ordem e de apoio ao líder sudanês. "Continue, continue Bashir. Estamos com você", afirmaram os manifestantes, que aproveitaram para criticar os países ocidentais, sobretudo os Estados Unidos.

Nas entradas de Cartum, vários soldados do Exército e da polícia foram remanejados para garantir a segurança. O O porta-voz do Exército sudanês, Osman al Aghbash, citado pela rádio Omdurman (oficial), afirmou que os militares reagirão "com firmeza contra qualquer um que colaborar com o TPI".

O assessor presidencial Mustafa Ozman Ismail disse à televisão estatal sudanesa que o país conta com o apoio da Organização para a Conferência Islâmica, a Liga Árabe e a União Africana (UA), entre outras organizações internacionais.

Ismail destacou ainda que alguns países vizinhos do Sudão já disseram que não cumprirão a resolução do TPI, como Egito, Líbia e Eritréia, e manifestou esperança em que outros Estados, como Etiópia e Arábia Saudita, a rejeitem.

O assessor disse que "o governo sudanês se comportará com total responsabilidade de acordo com a lei e protegerá os estrangeiros que morem no país". Ismail afirmou que o Executivo protegerá qualquer estrangeiro, sempre e quando forem respeitados as leis, tradições e os costumes do país.

Tiros em Guiné-Bissau

Fábio Zanini

A semana começou de uma maneira tipicamente africana, um golpe de Estado em Guiné-Bissau. Morreu João Bernardo Vieira, “Nino” para os íntimos, figura dominante na política desse paupérrimo país desde sua independência, em 1974.

As informações ainda não são muito claras, mas aparentemente ele foi assassinado na porta de sua casa como um ato de vingança pela morte do chefe do Exército, Tagme Na Waie, algumas horas antes. É o tipo de roteiro hollywoodiano que na vida real só acontece mesmo em algumas partes da África.

O país está acéfalo, apesar de a situação na capital, pelo menos, aparentar tranquilidade. A dúvida agora é se isso vai se configurar num golpe de Estado à moda antiga, com as Forças Armadas tomando o poder e suspendendo a Constituição, ou se uma fachada de legalidade será respeitada, com o vice-presidente ou o primeiro-ministro assumindo.

Não é pouca coisa o assassinato de Nino Vieira. O país é pobre e periférico, mas ele era uma figura com certa estatura na política continental. Era um “big man” à moda antiga, um “homem grande” não por suas credenciais de visionário ou pensador, mas por confundir-se com as instituições de Estado, como ocorre frequentemente no continente. E havia uma aura romântica sobre sua biografia.

Nino destacou-se na luta pela independência, nos anos 70. Era a sombra de Amílcar Cabral, esse sim um ícone do nacionalismo africano, assassinado pela ditadura portuguesa em seus estertores, em 1974. Com o caminho livre, Nino pouco a pouco foi consolidando seu controle sobre as Forças Armadas de Guiné-Bissau até dar um golpe em 1980 e assumir o poder total.

Durante 19 anos ele governou de maneira ininterrupta um dos países mais pobres do mundo, cuja única produção econômica de algum valor é o cultivo de castanhas de caju. Primeiro num pastiche de socialismo e, após a queda do Muro de Berlim, como presidente eleito de maneira (mais ou menos) democrática, em 1994.

Cinco anos depois, uma guerra civil tirou-o do poder. Como frequentemente acontece na África, havia um componente étnico. Os rebeldes eram da etnia balanta, um grupo historicamente marginalizado da sociedade guineense e que sofreu pouca ou nenhuma influência dos portugueses (seus nomes têm uma característica “africana”, enquanto a elite local tem nomes lusófonos e fala o português).

Por seis anos Nino viveu exilado, até voltar em triunfo em 2005, novamente eleito presidente. O mito do “homem grande” era forte demais para ser derrotado.

Guiné-Bissau hoje é um país falido, e vem sendo chamado de o primeiro “narcoEstado” do planeta. Tornou-se uma rota muito lucrativa do tráfico de drogas da América Latina para a Europa. Todas as condições ali são perfeitas para isso: localização geográfica privilegiada, população miserável disposta a correr riscos e ausência de poder público.

Estive por lá em outubro de 2004. Poucos dias antes, o então chefe do Exército (antecessor do assassinado ontem) havia tido o mesmo fim: morto por rebeldes balantas, descontentes com o fato de sua etnia estar sendo supostamente discriminada em promoções hierárquicas.

Lembro da buraqueira nas avenidas centrais, dos porcos e galinhas passeando pelo centro da capital, dos apagões diários religiosamente às 19h e do palácio presidencial em ruínas, ainda um resquício dos bombardeios da guerra civil. E também da principal avenida comercial deserta num dia útil, das poucas lojas abertas e da incrível quantidade de 1 (um) cyber café para abastecer todo o país.

Mais revelador de tudo foi o dia em que um caminhava por uma calçada esburacada e, por trás de um muro alto, uma voz me pediu um trocado, do jeito que é uma marca registrada dos países africanos de língua portuguesa: “Me ajude, ó pá, que estou cheio de fome...”

Era um soldado de Guiné-Bissau, de sentinela na entrada de seu quartel, mendigando um trocado.

Exército confirma morte do presidente e nega golpe de Estado na Guiné-Bissau

O Exército da Guiné-Bissau confirmou em comunicado nesta segunda-feira a morte do presidente, João Bernardo Vieira, mas negou que planeja um golpe de Estado. No texto, divulgado após reunião de emergência, os militares afirmam que respeitarão a ordem constitucional e a democracia no país.

Presidente João Bernardo Vieira foi assassinado nesta segunda-feira

O presidente Vieira foi assassinado por soldados nesta segunda-feira em sua residência, na capital Bissau. Segundo o Exército, os soldados, ainda não-identificados, fazem parte de um grupo isolado. Os militares afirmam ainda que já investigam o atentado.

A morte de presidente ocorreu horas depois do chefe do Exército, Tagmé Na Wai, ser morto em atentado a bomba. As duas mortes acirraram o temor por mais um golpe de Estado na Guiné-Bissau, que vive décadas de grande instabilidade política desde sua independência de Portugal, em 1974.

Em comunicado, os oficiais superiores do Estado-Maior das Forças Armadas afirmaram que "o Exército, fiel a seu dever, respeitará a ordem constitucional e a democracia" --na qual o chefe do Parlamento deve suceder o presidente.

"O Estado-Maior das Forças Armadas anuncia que o chefe do Estado-Maior, o general Tagmé, foi vítima de um atentado que o matou. O Exército anuncia, por outra parte, a morte do presidente Nino Vieira", completa o texto.

Os militares afirma ainda que a situação está "sob controle" e pediram à população que "mantenha a calma".

Segundo uma testemunha citada pela agência de notícias France Presse, a residência privada do presidente foi saqueada. "Vimos militares retirando tudo o que havia dentro da residência privada do presidente, seus bens pessoais, seus móveis, tudo", afirmou.

Versão

Embora o Exército negue relação com a morte de Vieira, ex-comandante militar, o chefe militar de Relações Exteriores, Zamura Induta, acusou a organização de liderar o assassinato como vingança pela morte de Na Wai.

"O Exército matou o presidente Vieira quando ele tentava fugir da casa dele, atacada por um grupo de militares ligados ao comandante do Estado-Maior, Tagmé Na Wai", afirmou Induta.

O chefe militar acusou ainda Vieira de ser o mandante do assassinato de Na Wai, com quem já tinha brigado em outras ocasiões. Vieira fazia parte de uma minoria étnica do país, Pepel, e teve grandes discussões ao longo da vida política com políticos da etnia Balante, uma das maiores do país, da qual fazia parte Na Wai.

"Era um dos principais responsáveis pela morte de Tagmé", acrescentou Induta. "Agora, o país vai avançar. Este homem bloqueava tudo neste pequeno país", completou.

João Bernardo Vieira, 69, conhecido como Nino, passou praticamente 23 anos à frente do governo da Guiné-Bissau. Ele foi o autor do primeiro golpe de Estado no país, em 1980. Com a abertura política, ganhou eleições em 1994 e 1998, mas foi derrubado em maio de 1999 pela oposição, após uma guerra civil violenta que durou 11 meses. Vieira voltou à política em 2005, quando ganhou a eleição presidencial.

Em 23 de novembro do ano passado, um grupo militar atacou a residência de Vieira, em uma ação que matou dois de seus seguranças.

Na Wai

General Tagmé Na Wai, assassinado em atentado no domingo (1º) em Guiné-Bissau

O presidente Vieira foi assassinado por soldados nesta segunda-feira em sua residência, na capital Bissau. Segundo o Exército, os soldados, ainda não-identificados, fazem parte de um grupo isolado. Os militares afirmam ainda que já investigam o atentado.

A morte de presidente ocorreu horas depois do chefe do Exército, Tagmé Na Wai, ser morto em atentado a bomba. As duas mortes acirraram o temor por mais um golpe de Estado na Guiné-Bissau, que vive décadas de grande instabilidade política desde sua independência de Portugal, em 1974.

Portugal e União Africana condenam assassinato do presidente da Guiné-Bissau

O Ministério de Relações Exteriores de Portugal condenou "com veemência" o assassinato do presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, em um ataque de soldados a sua residência. Os diplomatas portugueses pediram uma reunião de urgência da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP), da qual o país, ex-colônia portuguesa, faz parte.

"Portugal lamenta profundamente a morte do presidente Nino Vieira, vítima de um atentado nas últimas horas em Guiné-Bissau", afirma o comunicado.

Segundo comunicado do Exército guineense, o presidente Vieira foi assassinado por militares não-identificados de um grupo isolado, em um ato de represália ao atentado da noite deste domingo (1º) que matou o comandante do Estado-Maior do Exército, o general Tagme Na Wai.

Antiga potência colonial, Portugal preside atualmente a CPLP que tem oito países de língua portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

O presidente da comissão da União Africana (UA), Jean Ping, também condenou o assassinato de Vieira.

"Fiquei sabendo esta manhã, com profunda consternação, do assassinato do presidente da República da Guiné-Bissau, Nino Vieira. A UA e eu condenamos com firmeza este ato criminoso", afirmou.

"O assassinato é grave por acontecer no momento em que estavam sendo realizados esforços para para consolidar a paz depois das eleições [legislativas] de novembro de 2008, destinadas a reforçar o processo democrático no país", completou.

Guiné-Bissau é um dos países mais pobres do mundo e, desde que obteve a independência de Portugal em 1974, sofreu vários golpes de Estado. O país, de apenas 1,6 milhão de habitantes, se transformou em centro da rota do tráfico de cocaína da América do Sul para a Europa e altos cargos do governo e chefes militares foram acusados de participar deste negócio ilegal.




Presidente e general da Guiné-Bissau são assassinados; Exército nega golpe de Estado

Presidente da Guiné-Bissau é assassinado por militares

Ataque contra João Bernardo Vieira é registrado após a morte do chefe das Forças Armadas crítico ao governo


João Bernardo Vieira foi morto enquanto tentava sair de casa

BISSAU - O presidente da Guiné Bissau, João Bernardo Vieira, foi morto nesta segunda-feira, 2, por efetivos militares em sua residência em Bissau, capital do país. O assassinato aconteceu algumas horas depois da morte do chefe do Estado-Maior do Exército e crítico do governo de Vieira , general Batista Tagme Na Wai, que foi morto em um ataque na noite de domingo que também destruiu parte do quartel-general das Forças Armadas.

Vieira é um ex-militar que governou o país até ser deposto em uma guerra civil na década de 1990, retornando ao poder em uma eleição em 2005. O presidente vinha entrando em choque com o general Na Wai. O presidente foi assassinado quando tentava sair de casa, cercada por soldados do Exército. "A morte do chefe de Estado João Bernardo Vieira está confirmada. Sua mulher está na embaixada angolana", disse à Reuters Sandji Fati, um coronel aposentado do Exército. "Nino Vieira recusou-se a deixar sua residência quando diplomatas da embaixada angolana foram apanhá-lo e à sua mulher para um local seguro", afirmou Fati. Fontes ligadas à área de segurança conformaram a morte do presidente.

Uma fonte de segurança disse que soldados da etnia balante, a mesma de Tagme Na Wai, lideraram o ataque a Vieira, e saquearam sua casa. "Tagme sempre disse que seu destino e o do presidente estavam ligados. E que, se ele morresse, o presidente também morreria", disse a fonte. Tiroteios e explosões ressoaram na cidade de Bissau nas primeiras horas da segunda-feira. A maior parte dos moradores ficou em casa, e não estava claro quem controlaria o país.

O atentado que causou a morte na noite de domingo do general Na Wai foi realizado com uma bomba colocada na sede do Estado-Maior do Exército, que também deixou cinco feridos, entre eles dois graves, ao mesmo tempo em que derrubou parte do prédio. Após o atentado, altos comandos militares ordenaram que as emissoras de rádio privadas da capital interrompessem suas transmissões e a televisão pública também ficou fora do ar. "Para a segurança dos jornalistas, deve-se fechar a emissora e deixar de transmitir", afirmou o porta-voz militar aos funcionários de uma das rádios.

O general fez parte de um grupo golpista que derrubou o governo de Vieira na década de 1990. Após um tempo exilado, Vieira foi eleito para o cargo novamente em 2005. Desde então, o general Na Wai se mostrou bastante crítico em relação ao presidente. Ele denunciou em janeiro um atentado frustrado do qual responsabilizou membros da guarda do presidente, que disse que abriram fogo durante a passagem de seu veículo diante do Palácio Presidencial. Em 23 de novembro de 2008 um grupo de militares atacou à noite a residência do presidente Vieira, deixando um saldo de dois mortos.

Guiné-Bissau é um dos países mais pobres do mundo e, desde que obteve a independência de Portugal em 1974, sofreu vários golpes de Estado. Nos últimos anos, Guiné-Bissau se transformou em centro da rota do tráfico de cocaína da América do Sul para a Europa e altos cargos do governo e chefes militares foram acusados de participar deste negócio ilegal.

Jornalistas são atacados em investigação sobre Mugabe

Mugabe teria comprado imóvel de 3 andares por uma "companhia pouco clara'

HONG KONG - Dois jornalistas que averiguavam informações relativas à compra de uma propriedade de luxo em Hong Kong por parte do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, foram agredidos por dois homens e uma mulher que estavam na casa. A polícia local está investigando o incidente, ocorrido na semana passada, informa o jornal The Standard. O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e sua mulher, Grace, cujo país sofre uma gravíssima crise econômica, compraram em segredo uma propriedade de 4 milhões de libras (cerca de US$ 5,6 milhões) em Hong Kong, informou no domingo o jornal Sunday Times.

A mansão fica em um complexo residencial de luxo no distrito de Tai Po e foi descoberta pelo diário britânico, que realizou uma ampla investigação sobre os interesses financeiros de Mugabe na Ásia. O jornal afirma ainda que foi por meio de uma rede de associados que o casal já desperdiçou milhões na compra de artigos de luxo e no depósito em contas secretas. A compra da mansão foi realizada por um intermediário em nome de uma sociedade de fachada. No Zimbábue, entretanto, a população sofre com um surto de cólera, a inflação, que já chegou a 231%, e o desemprego, que atinge 94% da população.

As agressões aos repórteres Colin Galloway e Tim O'Rourke, do jornal Sunday Times, aconteceram três semanas depois que Grace Mugabe, mulher do ditador africano, foi acusada de bater em um fotógrafo em Hong Kong. A propriedade de Mugabe faz parte do complexo imobiliário JC Castle, controlado por Albert Yeung Sau-shing, do conglomerado investidor Emperor Group.

ONU confirma mortes em bombardeio em Darfur

Reuters

CARTUM - Um ataque aéreo do governo sudanês a uma cidade ao sul de Darfur matou e feriu civis, disseram membros das tropas de paz no domingo na primeira verificação independente de vítimas.

A Unamid, que reúne forças da ONU e da União Africana, não soube precisar o número de mortos quando um avião lançou duas bombas no reduto rebelde de Muhajiriya no sábado.

Ataques aéreos em Darfur estão proibidos sob o acordo de paz de 2006 e resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

A ofensiva ocorreu após mais de uma semana de confrontos e ataques aéreos às cidades ao sul de Darfur e nas proximidades, os piores incidentes de violência em um ano, disseram analistas.

Os confrontos aumentaram a tensão da expectativa sobre a decisão da Tribunal Internacional se emitirá um mandado de prisão contra o presidente do Sudão por acusações de crimes de guerra em Darfur.

A Unamid disse que as forças do governo sudanês atacaram a cidade no sábado, uma semana após os membros do rebelde Movimento Justiça e Igualdade (JEM, na sigla em inglês) tomar o controle da região.

O porta-voz da Unamid, Noureddine Mezni, disse que suas tropas de paz da base de Muhajiriya informaram que as forças do JEM abriram fogo após quatro aviões do governo sobrevoarem a cidade. Logo após, apenas um avião retornou e bombardeou os subúrbios. "Alguns civis foram mortos e outros ficaram feridos", ele disse.

Membros de um grupo rebelde distinto, a Unidade do Exército de Libertação do Sudão, disseram ter sido atacados por terra e ar pelas tropas do governo próximo a Um Saona e outras duas vilas no sábado. As afirmações ainda não foram confirmadas.

Especialistas internacionais dizem que cerca de seis anos de confrontos mataram 200 mil e deixaram mais de 2,5 milhões desabrigados. Cartum afirma que o número de mortos é de 10.000.

Nota do Editor:

Lembrando que quando a ONU votou uma resolução exigindo um cessar-fogo por parte do governo sudanês, o Brasil votou contra, não dando a mínima pelas 200.000 vidas perdidas. O mesmo governo que se apressa em condenar Israel pelas 1.300 vidas perdidas em Gaza. Toda vida é preciosa e tem o mesmo valor.

Será que o Itamaray vai emitir algma nota de protesto?

Bodies pile up as Mugabe wages war on diamond miners

Scores have been killed during a campaign of terror unleashed by Zimbabwe's rulers against illegal diggers in the east of the country

Chris McGreal in Mutare
The Guardian, Thursday December 11 2008

Hear the report


The young miner already recognised the sound of dogs as a terrifying harbinger of death but the dull thud of the helicopter blades was something new.

Minutes later a Zimbabwean air force helicopter swept over the hundreds of fleeing illegal diamond miners and mowed down dozens with machine-gun fire. After that the police arrived and unleashed the dogs that tore into the diggers, killing some and mutilating others. The police fired teargas to drive the miners out of their shallow tunnels and shot them down as they emerged.

How many died in the assault two weeks ago is not clear but the miners say it was at least scores. Some bodies remain unclaimed and unidentified in Mutare hospital mortuary.

"First we heard the helicopter and we knew it wouldn't be good but I thought it would just deliver soldiers," said the young miner, a former student who gave his name only as Hopewell.

"Then it came over us and started shooting. There was a man next to me, he had been digging near me, and the bullet went right through his head. Everyone was in panic. People ran but they didn't want to leave their finds behind so they were stopping to grab them and getting shot ... The police were waiting for us with the dogs. I was lucky. A dog ran for me but there was this woman, she was slower than me and it attacked her. I don't know what happened to her. I went back to my diggings a few days later but she hasn't come back."

The police and military have for weeks been conducting a bloody campaign, which Zimbabwe Lawyers for Human Rights has described as "resembling a war", to drive thousands of illegal miners out of a recently discovered diamond field that some in the industry believe might be the richest in years.

The miners say hundreds have died. The opposition Movement for Democratic Change says it has the names of 140 people killed although there is common agreement that many have been buried without a word.

The diamond fields around Chiadzwa, about 20 miles north-west of the town of Mutare in Zimbabwe's eastern Manicaland province, are a collection of shallow tunnels and open gullies dug out after the discovery of gems close to the surface two years ago set off the rush.

Thousands of illegal diggers moved in - estimates run between 10,000 and 30,000 including foreigners from across southern Africa - spending days or even weeks to discover only tiny diamonds worth no more than a couple of hundred US dollars. But that is several months' pay for many Zimbabweans as their country collapses under the weight of hyperinflation.

Many of the miners are professionals, such as teachers and civil servants, who have abandoned jobs that do not pay enough to feed their families. Others are students who have dropped out of university in the hope of making a quick fortune and subsistence farmers whose land has not produced a crop in years. And some have got very rich.

Mutare, on the border with Mozambique, has taken on the air of a frontier town filled with brash young men touting US dollars and an air of menace. The hotels are filled with miners and dealers. Luxury cars prowl the streets. Shops have filled with imported goods sold for American dollars and South African rand. Spend any amount of time in a hotel bar and periodically someone will approach with diamonds for sale.

The governor of Zimbabwe's central bank, Gideon Gono, has estimated there are more than 500 syndicates handling more than $1bn a month in illegally dug diamonds that are swiftly smuggled out of the country.

Now Zimbabwe's government, or at least members of its discredited ruling elite, are apparently trying to take control. The military and police have moved in to try to drive the illegal diggers out of plots the miners say are claimed by Grace Mugabe, the president's wife, and Joice Mujuru, the vice-president. Both areas are now known by the women's names.

Legal and opposition political sources in Mutare say the prime mover behind the military assault is the Zimbabwean air force chief, Perence Shiri, the former commander of the notorious Fifth Brigade which massacred about 20,000 people in Matabeleland in the mid-80s.

Shiri oversaw the bloody military campaign of beatings and killings in Manicaland earlier this year that terrorised voters into supporting Robert Mugabe in June's presidential election.

He sent the helicopter gunships into the diamond fields three weeks ago. The police were already letting loose ferocious dogs, killing some miners and maiming others. One police tactic is to use teargas to drive them out of the tunnels, causing stampedes in which some have been crushed. The miners say that in some cases the police shoot down the men, blinded by teargas, as they flee.

One described how there is shooting nearly every day and particularly at night. "There were three of us mining together. In the night a policeman came and shot my friend, twice in the chest. We ran away but came back. He was still alive. We carried him to a hospital but he died," he said.

A policewoman working in Chiadzwa said she saw a pile of 50 bodies after one helicopter attack. "There were a lot of bodies. They were piled up. I don't know what happened to them. Some of the dead are just buried secretly," she said. "Miners are killed every day. The orders to the police are to shoot them if they find them digging but many of the police do not want to carry out those orders. These are ordinary people like us."

The situation has got so bad that some miners are now arming themselves and fighting back. The state-run press has reported that several police officers have been killed in shoot-outs.

But none of that deters the men who continue to work the diamond fields. "The risks are worth it," said Hopewell. "Some miners have run away but most of us don't leave for long. We hear stories of giant diamonds. I've already sold enough to make more money than I have made in five years. I have bought food for my mother and father. I have bought a television and a DVD from South Africa. Next I will buy a car. If they don't kill me," he says, and laughs.

A De Beers subsidiary held the exploitation rights to the fields but let them expire in 2006 because, according to industry sources, it believed the diamonds to be of poor quality. A British firm, African Consolidated Resources, bought the rights but it was ousted by the government when large quantities of high quality diamonds were discovered a short dig under the surface. Theoretically the diamond fields were then taken over by the state-owned Zimbabwe Mining Development Corporation but the illegal diggers moved in so fast it was unable to assert control.

Some economists speculate that Zimbabwe's rulers look on the diamond fields as a new source of US dollars now that the country's foreign reserves have largely been spent and the collapse of agriculture, industry and tourism means there is little new money coming in. But given the bitter experience of recent years Zimbabweans have little reason to believe that if the ruling elite gets control of the diamond fields, the revenues will be used to rescue the country.

Kenya PM calls for troops to 'dislodge' Zimbabwe's president

NAIROBI, Kenya - The prime minister of Kenya Sunday called for troops to "dislodge" Zimbabwean President Robert Mugabe as the country's humanitarian crisis worsens.

Kenyan Prime Minister Raila Odinga said the international community must "respond to the call of the African people, and must help end the murderous reign of Robert Mugabe in Zimbabwe."

The United Nations has said more than half of Zimbabwe's population is in dire need of food and clean water.

The country is suffering from a cholera outbreak that has killed close to 600 people since August.

"The crisis in Zimbabwe has now reached a point where further lack of action by the African Union and the international community will constitute nothing less than a crime against humanity," said Odinga, a long-time critic of Mugabe.

The African Union "must formulate a resolution to send African Union troops into Zimbabwe," he said. "If no troops are available, then the AU must allow the U.N. to send its forces into Zimbabwe with immediate effect, to take over control of the country and ensure urgent humanitarian assistance to the people dying of cholera and starvation."

If Zimbabwe's president does not cooperate, Odinga said, international troops should "dislodge Mugabe from power."

Cholera, a water-borne disease, is on the increase in nine of Zimbabwe's 10 provinces, according to the U.N. Office for the Coordination of Humanitarian Affairs (OCHA). It blamed "poor water and sanitation supply, a collapsed health system and limited government capacity to respond to the emergency."

Many of those afflicted with the disease have fled to neighboring countries to seek medical health -- which risks spreading the outbreak still further.

A group of former leaders known as The Elders expressed "bitter disappointment" in the Mugabe government Sunday, saying it cannot lead Zimbabwe out of its crisis.

The members of the group -- former U.N. Secretary General Kofi Annan, former U.S. President Jimmy Carter and human rights campaigner Graca Machel -- were denied entry to the country last month. They compiled a report based on meetings with Zimbabwean international experts in Johannesburg instead.

"We were expecting a gloomy situation, but the situation is far beyond what we could have imagined," said Machel, who is married to former South African President Nelson Mandela -- also a member of The Elders.

Nearly half Zimbabwe's population will need food aid by January, The Elders' report predicted.

Last week UK Prime Minister Gordon Brown branded the crisis "an international emergency."

Brown called on the international community to tell the 84-year-old Mugabe "enough is enough," and suggested that the U.N. Security Council meet to discuss the issue.

He said the most pressing issue was to ensure that testing and rehydration equipment and packs reach the right people, as well as for aid agencies to set up a organizational structure in the capital Harare to confront the disease.

"The people of Zimbabwe voted for a better future. It is our duty to support that aspiration," Brown added.

Brown's comments came one day after U.S. Secretary of State Condoleezza Rice said that the outbreak is the latest sign that Mugabe's rule over the country must end.

"It's well past time for Robert Mugabe to leave. I think that's now obvious," Rice said during a visit to Denmark.

Washington has long called for Mugabe to leave office, with President Bush calling Zimbabwe's runoff presidential election in June a "sham" and instructing Rice and other U.S. officials to develop additional sanctions against Mugabe's "illegitimate government."

"The United States will always do anything and everything that it can to help innocent people who are suffering," Rice said. "And we are not going to deny assistance to people in need because of their government. But if this is not evidence to the international community that it's time to stand up for what is right, I don't know what will be. And frankly, the nations of the region have to lead it."

The country, once a breadbasket of Africa, is also in the midst of an economic crisis, with its official rate of inflation at 231 million percent -- the world's highest.

Zimbabwe has had no Cabinet since the March presidential election. Mugabe's ruling ZANU-PF party has held on-again, off-again talks with the opposition led by Morgan Tsvangirai. Tsvangirai is Zimbabwe's prime minister under a power-sharing agreement negotiated by former South African President Thabo Mbeki.

Kenya's Odinga is himself a former opposition leader who came to office as part of a power-sharing agreement negotiated by former U.N. Secretary-General Kofi Annan.

Critics of Mugabe link hyperinflation to his policies on land distribution and unbudgeted payments to people who call themselves "war veterans," who have forcibly occupied white-owned farms.

Premiê do Quênia pede intervenção no Zimbábue

NAIRÓBI - O primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, declarou que as tropas estrangeiras devem se preparar para intervir no Zimbábue diante do agravamento da crise humanitária que abala o país. Para ele, o presidente zimbabuano, Robert Mugabe, deve ser investigado por crimes contra a humanidade.

Odinga, em um último sinal da crescente frustração internacional sobre o caos que tomou conta do do Zimbábue com a epidemia de cólera, instou a União Africana (UA) a convocar uma reunião de emergência para autorizar o envio de tropas para o Zimbábue. "Se tropas não estiverem disponíveis, então a UA precisa permitir que a Organização das Nações Unidas (ONU) envie forças para o Zimbábue imediatamente, para assumir o controle do país e garantir assistência humanitária urgente para as pessoas que estão morrendo de cólera", afirmou.

Oficialmente, mais de 500 pessoas morreram da doença desde o início da epidemia, em agosto, mas funcionários do setor de saúde temem que esse número seja bem superior. Eles alertam que as mortes podem chegar à casa dos milhares devido ao colapso do sistema de saúde do Zimbábue, a falta de alimentos e a aproximação da temporada de chuvas, o que pode ajudar a espalhar infecções.

O líder do Quênia ainda alertou que "o caso de Mugabe merece não menos do que uma investigação do Tribunal Penal Internacional de Haia". Odinga atacou outros líderes africanos por sua demora em criticar o Zimbábue, dizendo que eles envergonharam o continente ao tratar Mugabe com "luvas de criança" porque Mugabe apoiou sua luta pela liberdade. "Nos recusamos a aceitar a idéia de que os países africanos devem ser julgados por padrões menos rígidos do que outros países do mundo", disse Odinga. "A participação na luta pela liberdade não dá licença a ninguém para ser dono de um país".

Em seu pronunciamento, porém, Odinga não revelou se o Quênia está pronto para enviar tropas. A União Africana e a ONU já estão sobrecarregadas na África, onde enfrentam dificuldades para atender as demandas na região de Darfur (no Sudão) e na Somália.

Mugabe tem que renunciar ou ser preso, diz Nobel da Paz

O bispo sul-africano Desmond Tutu, ganhador do prêmio Nobel da Paz em 1984, disse que o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, tem que renunciar ou ser preso e mandado para o tribunal de Haia, na Holanda, para ser julgado pelas "graves violações" que cometeu.


´´Acho que agora o mundo tem que dizer: 'Você foi responsável, junto com seu bando, por graves violações. E você vai enfrentar um processo em Haia, a não ser que renuncie.´´
Desmond Tutu


Na entrevista a um canal de televisão holandês, o bispo disse ainda que Mugabe deveria ser removido do poder à força caso se recuse a sair por conta própria e que o líder zimbabuano "arruinou um país maravilhoso".

"Acho que agora o mundo tem que dizer: 'Você foi responsável, junto com seu bando, por graves violações. E você vai enfrentar um processo em Haia, a não ser que renuncie", disse o bispo.

Em meio à crise política e econômica, o Zimbábue declarou estado de emergência por causa de um surto de cólera que já matou pelo menos 565 pessoas - o mais mortal da história do país.


Crise política

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse nesta sexta-feira que "já passou da hora" de Mugabe sair, alegando que "uma falsa eleição" foi seguida por um "falso processo" de negociações pelo compartilhamento do poder.

Mugabe e o líder da oposição Morgan Tsvangirai concordaram a dividir o poder, em setembro, em uma tentativa de conter a crise econômica no país. Mas eles não conseguiram entrar em um acordo sobre o ministério.

O impasse se seguiu a uma eleição concorrida, em que ambos se declararam vitoriosos.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, havia dito que os governos africanos deveriam retirar Mugabe da Presidência.

Segundo o correspondente da BBC em Johanesburgo Jonah Fisher, apesar de líderes africanos terem começado a criticar Mugabe abertamente, ainda não sinais reais de que o presidente do Zimbábue esteja prestes a ser forçado a sair.


Cólera

Tanto autoridades sul-africanas quanto moçambicanas estão em alerta para evitar que a cólera se alastre além das fronteiras zimbabuanas.

A África do Sul anunciou que vai mandar representantes para o Zimbábue na semana que vem para saber de que tipo de assistência o país precisa.

Entidades de ajuda humanitária alertam que, além da cólera, o país enfrenta o problema da fome, e a estimativa é de que até 5 milhões dos cerca de 13 milhões de zimbabuanos precisem de doações de alimentos nos próximos meses.

Um milhão podem morrer de fome no Zimbábue, diz oposição

O líder da oposição do Zimbábue pediu ajuda encerrar o impasse político do país

O líder da oposição do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, teria afirmado que pelo menos um milhão de pessoas podem morrer de fome em um ano se o impasse político continuar no país.

O líder do MDC (Movimento para a Mudança Democrática, na sigla em inglês), teria feito o alerta durante uma reunião de emergência de líderes africanos em Johanesburgo, África do Sul.

Oito semanas depois de ter fechado um acordo de divisão de poder com o presidente Robert Mugabe, os dois lados ainda não chegaram a um outro acordo para a formação de um gabinete de governo.

Um dos pontos importantes no qual o MDC e o governo zimbabuano não conseguem concordar é o Ministério do Interior, que é responsável pela polícia.

Enquanto isso o Zimbábue enfrenta uma grave escassez de alimentos e inflação galopante, mas nenhum dos dois lados abre mão de suas posições.

Liderança política

O novo presidente da África do Sul, Kgalema Motlanthe, que está presidindo a reunião da Comunidade de Desenvolvimento do Sul da África, pediu que os dois lados implementem o acordo fechado depois das eleições no Zimbábue.

"A liderança política do Zimbábue deve isto ao povo do Zimbábue, para mostrar maturidade política, colocando o interesse do povo zimbabuano em primeiro lugar", afirmou.

O correspondente da BBC no encontro Peter Biles afirmou que existem poucas razões para otimismo no Zimbábue e que apenas cinco chefes de estado estão participando da reunião, entre os 15 convidados. Os outros enviaram apenas representantes.

Uma autoridade do governo do Zimbábue disse à agência de notícias AFP que se Tsvangirai e seu partido "continuarem a fazer exigências escandalosas", o partido Zanu-PF, do governo, vai fazer as coisas do seu jeito. "Não nos importamos com o que o mundo vai falar".

Um porta-voz da oposição afirmou que, a não ser que ocorra uma "grande mudança" na posição do partido do governo, o MDC não vai aceitar o acordo.

"Precisamos fechar este capítulo para que o Zimbábue possa ser reconstruído, possa recomeçar e se reabilitar, e progredir", disse o secretário-geral do partido de oposição, Tendai Biti.

Congo

A reunião deste domingo ocorre depois de uma reunião menor no final de outubro, que também foi concluída sem sucesso. E também está sendo discutida a situação na República Democrática do Congo.

Os países reunidos afirmaram que poderão enviar tropas de paz ao Congo se for necessário.

Em meio a informações de novos confrontos no Congo, os líderes presentes na reunião de Johanesburgo pediram que os rebeldes liderados pelo general Laurent Nkunda e as forças do governo obedeçam ao frágil cessar-fogo.

"Acreditamos que não exista uma solução militar para o problema", afirmou o presidente da África do Sul.

A ONU informou sobre novos confrontos no domingo, nos arredores de Ngungu, a oeste da capital regional Goma.

Mais de 250 mil pessoas abandonaram suas casas no leste do país desde o início dos confrontos em agosto.

Uma organização de ajuda disse à BBC que está lutando para tentar controlar um surto de cólera em um campo de refugiados perto de Goma.

A organização Médicos sem Fronteiras afirmou que tratou de 45 casos suspeitos da doença em Kibati desde sexta-feira.

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