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Conservador David Cameron é nomeado novo primeiro-ministro britânico

Rainha Elizabeth II encarregou-o de formar governo após saída de Brown. Novo primeiro-ministro disse que quer coalizão com liberais-democratas.

O líder do Partido Conservador, David Cameron, chega para encontro com a rainha Elizabeth II nesta terça-feira (11) no Palácio de Buckingham. (Foto: AFP)

O carro do líder do Partido Conservador, David Cameron, deixou o Palácio de Buckingham nesta terça-feira como novo primeiro-ministro britânico, empossado pela rainha Elizabeth 2ª, informa a rede britânica BBC.

Ele seguiu para o nº 10 da Downing Street, onde fez um discurso, sob aplausos de apoiadores. Em seguida, ele e a mulher, Samantha, posaram para fotos e entraram na residência oficial do premiê britânico.

O líder do Partido Conservador, David Cameron, ao lado da mulher, Samantha, foi nomeado novo premiê britânico/Andy Rain/Efe

Cameron abriu seu discurso prestando tributos ao governo anterior e à sua atenção aos serviços públicos. Em seguida, lembrou que nenhum partido britânico conquistou maioria dos assentos no Parlamento após as eleições de 6 de maio e, por isso, disse que os conservadores pretendem formar uma coalizão completa com o Partido Liberal-Democrata, de Nick Clegg.

O novo premiê britânico disse que os melhores dias do Reino Unido ainda estão por vir e afirmou que quer reconstruir a confiança na política. Ele prometeu ser "honesto sobre o que o governo pode alcançar" e prometeu construir uma "sociedade mais responsável", informa a BBC.

Menos de uma hora antes, Gordon Brown renunciou ao cargo de premiê britânico e também à liderança do Partido Trabalhista, em meio a notícias do fracasso das negociações de coalizão com os liberais-democratas, essenciais para manter a maioria absoluta no Parlamento.

Saída de Brown

"Eu informei à secretaria particular da rainha que é minha intenção oferecer minha renúncia à Rainha", disse Brown em frente ao nº 10 da Downing Street, residência oficial do premiê, pouco antes das 19h30 locais (15h30 em Brasília).

"No caso de a rainha aceitar, devo aconselhá-la a convidar o líder da oposição (Cameron) para buscar formar um novo governo. Desejo tudo de bom ao próximo primeiro-ministro enquanto ele faz importantes escolhas para o futuro", disse Brown em discurso emocionado.

Brown também anunciou sua renúncia imediata ao cargo de líder do Partido Trabalhista, que estava prevista para acontecer até o final de setembro, quando acontece a reunião anual da legenda. "Minha renúncia como líder do Partido Trabalhista deve entrar em vigor imediatamente."

Ele disse ter prometido fazer todo o possível para assegurar a formação de um governo forte, e disse ter feito todo o possível para garantir isso.

Gordon Brown apresentou hoje sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro britânico e líder do Partido Trabalhista/Cathal McNaughton/Reuters

Brown agradeceu sua mulher, Sarah, e disse que, ao deixar o segundo cargo mais importante que já teve, agora aprecia ainda mais o primeiro-- de marido e pai. Ele também prestou homenagem aos soldados que morreram lutando pelo país, e às suas famílias em luto.

Após a declaração, o casal recebeu os filhos, John and Fraser, e seguindo o protocolo britânico, entrou no carro oficial, que seguiu para o Palácio de Buckingham, onde Brown apresentou sua renúncia à rainha Elizabeth 2ª.

Brown sucedeu Tony Blair no cargo de premiê em junho de 2007, após dez anos como ministro das Finanças.

Negociações

As negociações entre o Partido Trabalhista, de Gordon Brown, e os liberais-democratas, liderados por Nick Clegg, para a formação de um governo de coalizão fracassaram, informou a rede BBC nesta terça-feira. Segundo fontes citadas pela BBC, os contatos dos trabalhistas com o partido de Clegg não alcançaram uma conclusão positiva.

Com isso, o cenário mais provável se torna um acordo com o Partido Conservador, de David Cameron.

O líder conservador, David Cameron (à esq.), e o liberal democrata, Nick Clegg: partidos negociam acordo/Andrew Parsons/Sang Tan/Efe/AP

A notícia foi divulgada ao mesmo tempo em que negociadores do Partido Conservador e do Partido Liberal-Democrata estão reunidos em Londres para tentar fechar um acordo.

A reunião começou às 13h (10h de Brasília), depois que os líderes de ambos os partidos, Cameron e Clegg, se reuniram nesta manhã por uma hora.

Cameron manifestou hoje que chegou "o momento de tomar uma decisão" e Clegg admitiu que é necessário decidir o mais rápido possível para evitar que a incerteza política se prolongue em excesso e transforme em histeria o nervosismo para os mercados.

Hung Parliament

É a primeira vez desde 1974 que as eleições britânicas terminam sem um partido com maioria no Parlamento.

Com todos os 649 distritos apurados (o último será decidido somente em 27 de maio), os conservadores venceram com 306 cadeiras, contra 258 dos trabalhistas e outras 57 dos liberais democratas. Os outros partidos elegeram 28 representantes.

Como nenhum partido conseguiu os 326 assentos necessários para governar sozinho, a saída é uma coalizão com os demais partidos. Nesta lista, os liberais democratas despontam como o centro das atenções.

Após as eleições gerais britânicas da quinta-feira passada (6), os conservadores obtiveram 306 cadeiras, com o que a soma dos liberais-democratas permite superar com folga os 326 parlamentares nos quais está fixada a maioria absoluta.

Os trabalhistas de Brown alcançaram 258 cadeiras, por isso, além do apoio dos liberais-democratas, teriam que conseguir o dos deputados nacionalistas escoceses, galeses e norte-irlandeses.

Historicamente, a aliança óbvia seria entre os liberais-democratas e os trabalhistas, ambos de política progressista e que já trabalharam juntos no último governo de coalizão britânico --há 36 anos, sob líder trabalhista Harold Wilson.

Desta vez, contudo, analistas ouvidos pela Folha indicaram que as chances maiores são de uma coalizão entre liberais-democratas e conservadores, que teriam a seu favor maior votação popular.

Proposta conservadora

O Partido Conservador britânico afirmou nesta segunda-feira que fez uma "proposta final" de uma coalizão formal com o Partido Liberal Democrata, como parte das negociações entre os dois partidos para formar um novo governo no Reino Unido.

"Vamos tentar deixar tudo o mais claro possível o mais rápido possível", disse o líder liberal democrata/Simon Dawson/AP

Segundo a BBC, o líder do Partido Conservador, David Cameron, telefonou para o líder liberal democrata, Nick Clegg, pouco depois das 20h locais (16h em Brasília) da segunda-feira para oferecer a "proposta final".


"Estamos fazendo uma oferta de boa fé ao Partido Liberal Democrata para um governo estável, forte, com uma maioria considerável no Parlamento, em coalizão, e um referendo sobre o sistema alternativo eleitoral", afirmou um negociador dos conservadores, George Osborne.

Os conservadores propõem um referendo sobre um sistema eleitoral com "voto alternativo", em que os eleitores listem os candidatos em ordem de preferência. Esse sistema daria ao Partido Liberal Democrata mais assentos no Parlamento --mas não seria a revolução para chegar à representação proporcional.

Segundo o sistema de representação proporcional --muito adotada na Europa--, os liberais democratas, com quase um quarto dos votos em todo o Reino Unido, teriam essa proporção das cadeiras do Parlamento. No atual sistema eleitoral britânico, eles levaram apenas 57 dos 650 assentos, ou 9% das cadeiras.

O porta-voz conservador e um dos negociadores, William Hague disse que parece improvável que os conservadores tentem governar sem a maioria no Parlamento --um cenário que é permitido por lei. Ele também disse que os eleitores podem não querer ter um segundo líder não eleito --Brown ganhou o cargo das mãos do ex-premiê Tony Blair, mas não foi ele mesmo eleito.

Segundo Hague, os conservadores ofereceram aos liberais democratas uma coalizão total, com cargos no gabinete para a equipe de Clegg e um pedido para não convocar novas eleições nacionais por pelo menos dois anos e meio.

Apesar de os conservadores terem oferecido realizar um referendo sobre a mudança no sistema eleitoral britânico, Hague disse que o partido deve tentar persuadir o público contra quaisquer reformas.

Cameron e Clegg se falaram na tarde desta segunda-feira, mas não havia outros encontros planejados, segundo Hague.

 Fontes: FOLHA - G1- Agências

Gordon Brown anuncia que sairá da liderança trabalhista em setembro

Objetivo é facilitar negociação com liberal-democratas para novo governo.

O premiê britânico, Gordon Brown, dá entrevista nesta segunda-feira (10) em frente à residência oficial em Londres. (Foto: AP)

O gabinete do premiê britânico e líder do Partido Trabalhista, Gordon Brown, disse que os trabalhistas vão se reunir na próxima quarta-feira para discutir a situação das negociações sobre uma possível coalizão com o Partido Liberal Democrata. Isso indica que o Reino Unido ainda deve enfrentar ao menos mais dois dias de impasse político.

"Vamos tentar deixar tudo o mais claro possível o mais rápido possível", disse o líder liberal democrata/Simon Dawson/AP

O porta-voz dos liberais democratas, Simon Hughes, havia dito mais cedo nesta segunda-feira que um acordo entre partidos era improvável nas próximas 24 horas, mas sugeriu "um governo até o final da semana".

Negociadores liberais democratas reuniram-se com trabalhistas na noite desta segunda-feira por cerca de uma hora, segundo a rede britânica BBC. Ed Balls, secretário de Educação do Reino Unido e um dos negociadores do Partido Trabalhista, classificou as conversas como "positivas e construtivas".

Os parlamentares liberais democratas se reuniram na sequência, por volta das 21h30 GMT (18h30 em Brasília) desta segunda-feira, meia hora após o previsto, tentando avaliar as propostas. "Vamos tentar deixar tudo o mais claro possível o mais rápido possível", disse Clegg, ao chegar ao encontro.

Após uma das eleições britânicas mais imprevisíveis das últimas décadas, que deixou um Parlamento sem maioria (chamado de "hung Parliament"), membros dos partidos Conservador e Trabalhista disputam o apoio dos liberais democratas para formar um novo governo e tirar o Reino Unido desse cenário político incerto

É a primeira vez desde 1974 que as eleições britânicas terminam sem um partido com maioria no Parlamento.

Com todos os 649 distritos apurados (o último será decidido somente em 27 de maio), os conservadores venceram com 306 cadeiras, contra 258 dos trabalhistas e outras 57 dos liberais democratas. Os outros partidos elegeram 28 representantes.

Como nenhum partido conseguiu os 326 assentos necessários para governar sozinho, a saída é uma coalizão com os demais partidos. Nesta lista, os liberais democratas despontam como o centro das atenções.

Renúncia de Brown

Também nesta segunda-feira, o primeiro-ministro e líder do Partido Trabalhista, Gordon Brown, anunciou que renuncia à liderança da legenda ainda este ano, "sacrificando-se" para tentar facilitar as negociações entre os trabalhistas e o Partido Liberal Democrata, de Nick Clegg.

Gordon Brown não disse exatamente quando deixa a liderança do Partido Trabalhista, mas disse esperar que um novo líder tome posse até a conferência anual do partido, no final de setembro.

"Clegg acabou de me informar que, embora pretenda continuar a dialogar com o Partido Conservador, ele agora quer também uma conversa com o Partido Trabalhista", disse Brown a jornalistas nesta segunda-feira.


"Não pretendo continuar em minha posição mais do que o necessário para garantir o crescimento econômico e o processo de reforma política", disse Brown.

"Como líder de meu partido, devo aceitar que [o resultado das eleições] é um julgamento sobre mim. Eu pretendo pedir ao Partido Trabalhista que coloque em curso o processo necessário para eleger sua nova liderança", acrescentou.

Nas mãos de Clegg

Falando após a declaração de Brown, o líder dos liberais democratas, Nick Clegg, disse que a decisão de Brown de jogar a toalha "é um importante elemento que poderia ajudar a garantir uma transição suave a um governo estável que todos merecem".

Trata-se de uma decisão difícil para o partido de Clegg. As eleições gerais da última quinta-feira (6) deram ao Partido Conservados um mandato mais convincentes do que ao Partido Trabalhista, mas os liberais democratas e os conservadores divergem em vários assuntos importantes.

Por outro lado, seria estranho manter os trabalhistas no poder após seu mau desempenho nas eleições. Uma coalizão entre Partido Trabalhista e Liberal Democrata ainda não teria maioria no Parlamento, e exigiria apoios de outros partidos nanicos.

Historicamente, a aliança óbvia seria entre os liberais democratas e os trabalhistas, ambos de política progressista e que já trabalharam juntos no último governo de coalizão britânico --há 36 anos, sob líder trabalhista Harold Wilson.

Desta vez, contudo, analistas indicam que as chances maiores são de uma coalizão entre liberais democratas e conservadores, que teriam a seu favor maior votação popular.


Proposta conservadora

O Partido Conservador britânico afirmou nesta segunda-feira que fez uma "proposta final" de uma coalizão formal com o Partido Liberal Democrata, como parte das negociações entre os dois partidos para formar um novo governo no Reino Unido.

Segundo a BBC, o líder do Partido Conservador, David Cameron, telefonou para o líder liberal democrata, Nick Clegg, pouco depois das 20h locais (16h em Brasília) para oferecer a "proposta".

O líder conservador, David Cameron (à esq.), e o liberal democrata, Nick Clegg: partidos negociam acordo/Andrew Parsons/Sang Tan/Efe/AP

"Estamos fazendo uma oferta de boa fé ao Partido Liberal Democrata para um governo estável, forte, com uma maioria considerável no Parlamento, em coalizão, e um referendo sobre o sistema alternativo eleitoral", afirmou um negociador dos conservadores, George Osborne.

Os conservadores propõem um referendo sobre um sistema eleitoral com "voto alternativo", em que os eleitores listem os candidatos em ordem de preferência. Esse sistema daria ao Partido Liberal Democrata mais assentos no Parlamento --mas não seria a revolução para chegar à representação proporcional.

Segundo o sistema de representação proporcional --muito adotada na Europa--, os liberais democratas, com quase um quarto dos votos em todo o Reino Unido, teriam essa proporção das cadeiras do Parlamento. No atual sistema eleitoral britânico, eles levaram apenas 57 dos 650 assentos, ou 9% das cadeiras.

O porta-voz conservador e um dos negociadores, William Hague disse que parece improvável que os conservadores tentem governar sem a maioria no Parlamento --um cenário que é permitido por lei. Ele também disse que os eleitores podem não querer ter um segundo líder não eleito --Brown ganhou o cargo das mãos do ex-premiê Tony Blair, mas não foi ele mesmo eleito.

Segundo Hague, os conservadores ofereceram aos liberais democratas uma coalizão total, com cargos no gabinete para a equipe de Clegg e um pedido para não convocar novas eleições nacionais por pelo menos dois anos e meio.

Apesar de os conservadores terem oferecido realizar um referendo sobre a mudança no sistema eleitoral britânico, Hague disse que o partido deve tentar persuadir o público contra quaisquer reformas.

Cameron e Clegg se falaram na tarde desta segunda-feira, mas não havia outros encontros planejados, segundo Hague.


Fontes: FOLHA - G1-  TV Globo - Agências

Incerteza no reino de Elizabeth

Rogério Simões

A Grã-Bretanha não passa apenas por um momento de incerteza política, vive um verdadeiro dilema constitucional, após as eleições parlamentares de quinta-feira.

Como já explicaram alguns analistas da BBC e historiadores, a única pessoa capaz de acabar com o impasse gerado pelo resultado inconclusivo nas urnas seria a rainha Elizabeth 2ª. A monarca é responsável por convocar o líder com maior apoio político para formar um governo e estabelecê-lo como primeiro-ministro. Entretanto, as eleições não forneceram um vencedor incontestável e, como lembrou o repórter da BBC Nicholas Witchell, a rainha não deverá tomar partido na atual disputa para se escolher um novo governo, pois isso poderia criar uma crise de fundo ainda mais complexo.

Sua majestade simplesmente não pode se meter na política do país, ou seja, a única pessoa com poder suficiente para resolver o impasse político não pode fazê-lo. No melhor estilo britânico, não há outra saída a não ser os políticos chegaram a um acordo entre si. "Mas e se não chegarem?" Quem conhece bem a Grã-Bretanha sabe que tudo aqui baseia-se no consenso, nem a Constituição é um papel escrito, mas sim um conjunto de precedentes e tradições ajudados pelo bom senso. É preciso haver uma solução política. Se não houver, tenta-se de novo. Até aparecer uma.

E qual é exatamente o impasse? O Partido Conservador, hoje na oposição, venceu as eleições, mas não conseguiu o total de 326 cadeiras na Câmara dos Comuns que lhe daria poder para governar sozinho. Com isso, o atual premiê, o trabalhista Gordon Brown, tem o direito constitucional (de novo, nada está escrito, isso é apenas uma tradição de séculos corroborada pela interpretação de especialistas) de tentar formar um governo, apesar de ter perdido a eleição (seu partido ficou em segundo lugar).

Em tese, ele precisaria completar a tarefa, com o apoio de outros partidos, até o discurso da rainha, previsto para o fim deste mês. Nesse meio tempo, David Cameron, líder conservador, ficaria esperando a sua vez para formar um governo. Brown, enquanto isso, continua como primeiro-ministro, já que em caso de eleições inconclusivas o premiê precisaria renunciar para outro poder entrar em seu lugar.

O problema é convencer os mercados de que, enquanto políticos britânicos discutem, tudo vai bem no reino de Elizabeth. Nas primeiras horas desta sexta-feira a libra perdeu valor em relação ao dólar e ao sofrido euro assim que foi confirmado que as eleições não tinham produzido um novo governo.

A bolsa de Londres também caiu, como já vinha acontecendo nos dias anteriores por causa da tempestade instalada sobre a Grécia. Gordon Brown declarou aceitar que os líderes dos dois outros principais partidos, o vencedor Conservador e o Liberal Democrata (terceiro lugar), tentem chegar a um governo de coalizão. Mas avisou que, se um acordo não for obtido, tentará governar com os liberais-democratas.

Enquanto isso, continua no cargo, apesar da derrota nas urnas. E a rainha Elizabeth 2ª segue sendo informada por seus assessores, longe do centro de Londres, no palácio de Windsor, sobre o estado do seu reino. Sua majestade sabe que o momento inspira cuidados, mas não deve fazer nada a respeito.

Fonte: BBC

Derrotado nas urnas, Brown diz que lutará por governo forte e estável

Partido de David Cameron garantiu 290 cadeiras. Resultados devem levar ao primeiro 'parlamento truncado' desde 1974.

Premiê britânico Gordon Brown (esq.), foi derrotado pelo conservador David Cameron e deve disputar aliança com liberal democrata Nick Clegg (dir.) por um governo majoritário de coalizão no Parlamento britânico/Fotomontagem/Folha Online

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse nesta sexta-feira que garantirá que o país tenha um governo "forte e estável", após ver seu Partido Trabalhista ser derrotado nas eleições gerais. Como seus rivais conservadores venceram, mas também não obtiveram maioria absoluta do Parlamento, Brown tem o direito de permanecer no cargo e tentar formar uma coalizão e participa agora da corrida pelo apoio dos partidos menores.

A apuração de 632 das 649 cadeiras em disputa (a última será decidida no próximo dia 27), mostra que os conservadores de David Cameron obtiveram 298 cadeiras, contra 253 dos trabalhistas. Em um terceiro lugar distante, estão os liberais democratas, com 53 deputados eleitos --e prospecto de ser o centro da disputa por apoio entre os dois partidos.

Brown disse nesta sexta-feira ter pedido ao secretário de gabinete, servidor civil de mais alto escalão no Reino Unido, que dê suporte a todos os partidos que possam estar envolvidos nas negociações sobre um possível futuro governo de coalizão.

"É meu dever como primeiro-ministro tomar todas as medidas para garantir que a Grã-Bretanha tenha um governo forte, estável e de princípios", disse Brown, em comunicado vago. "Pedi ao secretário de gabinete que faça com que o serviço civil dê todo apoio pedido pelos partidos envolvidos nas discussões para a formação do governo."

A tradição estabelece que a rainha Elizabeth 2ª deve conversar com os partidos e pedir ainda nesta sexta-feira, quando os deputados vencedores tomam posse, que o vencedor proceda com a formação do governo.

Sem a maioria absoluta para nenhum lado, situação que não se via no país desde 1974, o destino do Parlamento britânico ainda é incerto.

Segundo a imprensa britânica, Brown considera que o governo no poder tem prioridade de formar a nova Administração mesmo que não tenha a maior quantidade de deputados. Ele pode argumentar que um governo majoritário de coalizão seria melhor em um momento de incerteza econômica que um minoritário.

O ministro Peter Mandelson, considerado o homem forte do Trabalhismo, disse hoje que o partido está disposto a considerar um acordo com os liberais democratas para impedir a chegada dos conservadores ao poder.

Analistas dizem ainda que Brown deve buscar a coalizão com os nacionalistas galeses e escoceses, que, juntos, têm nove cadeiras. Mas com 73 cadeiras a menos, até o momento, eles devem precisar de ainda mais apoio dos partidos nanicos.

Vantagem conservadora

Já os conservadores precisariam apenas da aliança com os liberais democratas para garantir as 326 cadeiras e nomear Cameron o novo primeiro-ministro.

Cameron deve fazer uma declaração por volta das 10h30, mas já pressiona Brown ao afirmar que o Trabalhismo perdeu o mandato para governar.

Com a cadeira na circunscrição de Witney Court, no sul da Inglaterra, garantida, o líder conservador afirmou que, aconteça o que acontecer, trabalhará pelo melhor interesse do país e fará o necessário para ajudar o Reino Unido a ter um "governo forte, estável e decisivo" --discurso muito similar ao de Brown.

Após qualificar a campanha eleitoral de "positiva" e "enérgica", Cameron insistiu que os resultados indicam que o país quer "uma mudança" e uma "nova liderança".

Segundo analistas políticos, Cameron pode entrar em coalizão com os unionistas da Irlanda do Norte, que só possuem oito cadeiras, número ainda insuficiente para os conservadores.

Disputado

Após assegurar sua cadeira pela circunscrição de Sheffield, também no norte da Inglaterra, Clegg pediu hoje que não se tome decisões precipitadas para tentar formar um novo governo.

"O resultado final das eleições ainda é imprevisível. As pessoas votaram, mas ninguém parece ter vencido claramente", disse. "Não acho que ninguém deva se precipitar na hora de reivindicar algo ou de tomar decisões que não aguentem a passagem do tempo", afirmou o líder liberal democrata, que deve buscar agora a melhor oferta para se alinhar.

Entre seus interesses principais está a convocação de um plebiscito sobre a reforma do sistema eleitoral. O partido de Clegg insiste na reforma ao alegar que o sistema de maioria simples de um único turno no Reino Unido favorece o bipartidarismo e deixa de lado as legendas menores.


Resultados

O Partido Conservador foi o mais votado, mas não conseguiu obter maioria absoluta nas eleições legislativas de quinta-feira (6) na Grã-Bretanha, e não pode pretender formar automaticamente um governo, de acordo com os resultados oficiais de 615 das 650 circunscrições. O cenário cria incertezas sobre quem liderará um país com grandes problemas econômicos pela frente e deve levar ao primeiro 'hung parliament' (parlamento truncado) no Reino Unido desde 1974.

Com apenas 35 cadeiras indefinidas, os conservadores de David Cameron já garantiram 290, o que significa que mesmo que eles conquistem todas as vagas ainda em aberto não conseguiriam a maioria absoluta (326) na Câmara dos Comuns, que tem 650 representantes.

Os trabalhistas do primeiro-ministro Gordon Brown já garantiram 247 cadeiras, enquanto os liberal-democratas têm 51. Outros partidos e candidatos independentes somam 21 representantes.

O líder liberal democrata, Nick Clegg, disse nesta sexta-feira (7) acreditar que o Partido Conservador, de oposição, deve tentar formar o próximo governo britânico após a eleição inconclusiva. "Parece, nesta manhã, que é o Partido Conservador que tem mais votos e conquistou mais assentos, embora não tenha conseguido a maioria absoluta. E é por isso que eu acho deve caber agora ao Partido Conservador provar que é capaz de buscar governar no interesse nacional", disse Clegg a jornalistas em Londres.

O líder conservador, David Cameron, disse que o governista Partido Trabalhista "perdeu o mandato para governar". No entanto, o primeiro-ministro Gordon Brown tem o direito, pela Constituição, de tentar formar um governo primeiro, potencialmente abrindo um período de incerteza política.

Peter Mandelson, ministro trabalhista do primeiro escalão, disse não esperar que Brown renuncie nesta sexta-feira. Ele acrescentou que não está descartando nada. "Acho que não ajudaria se ele (Brown) renunciasse de repente", disse Mandelson.

No poder desde 1997, os trabalhistas devem, no entanto, encontrar dificuldades para formar um governo de coalizão com os liberais democratas, pois a soma dos assentos que ambas as legendas devem conseguir no Parlamento ainda deve ficar aquém da maioria absoluta.

Os conservadores podem buscar acordos com partidos menores de Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales para aumentar seu apoio.

Os resultados definitivos serão divulgados à tarde, mas em uma das circunscrições, Thirsk and Malton, noroeste da Inglaterra, a eleição foi adiada para 27 de maio após a morte de um candidato.

Fontes: FOLHA - G1- TV Globo - Agências

Começa eleição no Reino Unido

Pleito deve ser um dos mais disputados das últimas décadas. No total, 650 vagas estão em disputa na Câmara dos Comuns.


Mais de 44 milhões de eleitores estão registrados/BBC

Começaram nesta quinta-feira (6) as eleições legislativas mais disputadas das últimas décadas no Reino Unido, para renovar o quadro de seu principal órgão político, a Câmara dos Comuns. No total, são 650 vagas em disputa.

Os locais de votação abriram às 7h (3h de Brasília) e fecharão as portas às 22h (18h de Brasília), horário em que as principais emissoras de televisão divulgarão as primeiras pesquisas de boca de urna e projeções. Os resultados definitivos devem ser anunciados na sexta-feira.

O país, que é uma monarquia parlamentarista, adota o sistema de votação totalmente distrital, ou seja, cada membro do Parlamento (MP) - função muito equivalente ao deputado - é eleito em uma determinada circunscrição.

O partido que obtiver a maioria absoluta das vagas, ou seja, a metade mais uma (nessa eleição, 326), terá o controle da mais importante casa legislativa do país (a outra é a Câmara dos Lordes, cujas cadeiras são ocupadas por direito hereditário ou nomeação da Rainha), e poderá escolher o primeiro-ministro e assumir o controle do Poder Executivo.

Entretanto, como o sistema é distrital, o partido que obtiver o maior número de votos no geral pode não ser necessariamente o que ocupará o controle da casa. Embora esses episódios sejam raros, a possibilidade de que eles ocorram desta vez é real.

De acordo com todas as mais recentes pesquisas de opinião, o Partido Trabalhista do premiê Gordon Brown, que está no poder desde 1997, amarga um vexatório terceiro lugar. Seus tradicionais rivais do Partido Conservador, sob a liderança de David Cameron, são apontados como favoritos ao primeiro lugar, embora tenham sofrido uma queda.

Mas como as pesquisas apontam o voto proporcional, essa condição pode sofrer uma reviravolta dependendo da distribuição de eleitores de cada partido nas circunscrições.

A principal novidade, porém, e que provoca todo o atual quadro de desequilíbrio, está no crescimento da até então distante terceira força política do país: o Partido Liberal-Democrata, capitaneado por Nick Clegg, um político jovem, carismático e até então pouco conhecido. Ele é apontado como o principal responsável por colocar os “Lib-Dems” em segundo lugar nas pesquisas. Nas últimas semanas, estas indicaram uma diferença relativamente pequena entre os três concorrentes.

Pesquisa divulgada na segunda-feira (3), realizada pelo instituto You Gov e encomendada pelo jornal “The Sun” aponta que os conservadores contam com 35% dos votos gerais, sete pontos percentuais à frente dos Trabalhistas e Liberal-Democratas, empatados.


Parlamento truncado

Caso esses números correspondam à futura distribuição de vagas no Parlamento, muito possivelmente nenhum partido obterá a quantidade necessária de cadeiras no Parlamento para governar sozinho.

Esta a hipótese fatalmente levaria à formação do que é conhecido por “Hunged Parliament”, ou “Parlamento truncado” (ou enforcado, na tradução literal), fato que ocorreu pela última vez, em 1974. Isso obrigaria ao partido que obteve o maior número de MPs se aliar com um de seus grandes concorrentes para formar um governo de coalizão.

Para que o “truncamento” não ocorra, os trabalhistas, atual maioria na Câmara, teriam de perder 23 dos 356 MPs que elegeram na última eleição, em 2005, para permanecer no poder (no total, só obtiveram 35% dos votos). Os conservadores, por sua vez teriam de ganhar 116 assentos a mais que os 198 obtidos da última vez (32% dos votos proporcionais). Os Liberal-Democratas, que da última vez só elegeram 62 membros (e somaram 22% da preferência do eleitorado), precisariam eleger mais 264.

Politicamente, o “Parlamento truncado”é possibilidade temerária especialmente para o Partido Conservador. Mesmo que obtenha o maior número de MPs isoladamente, pode ficar fora do governo caso ocorra uma aliança entre Trabalhistas e Liberal-Democratas.

Nick Clegg já afirmou que aceitaria uma coalizão com os Trabalhistas, com quem possuem alguma afinidade ideológica e programática, desde que Gordon Brown não seja o premiê. A possibilidade de aliança com os conservadores foi rechaçada por Clegg, que acusou publicamente Cameron de não possuir uma agenda de reformas progressistas.

Paralisação

Se a aliança entre os partidos de Bown e Clegg não ocorrer, a indefinição é ainda maior. Nesse caso, os conservadores poderiam tentar governar sem a maioria, através alianças de ocasião. Outra possibilidade, aparentemente inviável segundo as pesquisas, seria se Cameron obtivesse a governabilidade com o apoio dos partidos pequenos, que geralmente representam uma parcela pouco significativa da casa (em 2005, só elegeram 30 MPs).

O cenário de incerteza pode levar à convocação de novas eleições se não houver qualquer acordo ou o Parlamento se encontre em crise por falta de liderança. Como ocorreu em 1974, quando a indefinição causada pelos resultados do pleito realizado em fevereiro obrigaram à outra disputa em outubro do mesmo ano.

Na eventual situação de aliança majoritária entre Trabalhistas e “Lib-Dems”, o novo primeiro-ministro seria provavelmente o líder do partido com mais representantes, o que daria o cargo a Clegg. Por sua vez, os Trabalhistas temem que o partido de Clegg lhes tome historicamente a preferência do eleitorado com perfil mais progressista e de centro-esquerda.

O tradicional jornal londrino “The Guardian”, terceiro maior em circulação no país, é um importante exemplo. Após passar anos declarando seu apoio ao Partido Trabalhista, publicou em seu editorial na última sexta-feira (30 de abril), com o título “O momento Liberal chegou”, sua mudança na preferência partidária. Também defendeu uma reforma política que adotasse uma representação proporcional, pauta defendida por Nick Clegg. Na mesma edição, o diário publicou uma entrevista com o líder liberal, no qual ele considerava seu partido como “herdeiro natural da preferência dos eleitores britânicos progressistas”.

Os trabalhistas conseguiram o apoio declarado do “Daily Mirror”, enquanto os conservadores, do “Financial Times”.

Fontes: G1 - TV Globo - Agências

Premiê britânico anuncia eleições gerais para o dia 6 de maio

As eleições serão as mais disputadas dos últimos 18 anos se forem confirmadas as previsões mais recentes das pesquisas sobre intenções de voto

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, convocou nesta terça-feira as próximas eleições gerais para o dia 6 de maio, depois de se reunir no palácio de Buckingham com a rainha Elizabeth 2ª, que ordenou a dissolução oficial do Parlamento.

A convocação do pleito representa o início oficial da campanha, que vai durar um mês e terá uma verdadeira maratona eleitoral entre os dois principais líderes políticos, o trabalhista Brown e o conservador David Cameron.

Após anunciar a data, o primeiro-ministro deixou claro que o eixo de sua campanha vai girar em torno do papel desempenhado por seu governo para enfrentar a crise econômica internacional.


"O povo lutou demais para fazer com que o Reino Unido se situe no caminho da recuperação e para permitir que ninguém nos devolva ao caminho da recessão", afirmou.

Brown disse que as eleições deverão ser decididas a partir de "três grandes desafios" que o país enfrenta: recuperar a economia, assegurar as principais prestações sociais enquanto se reduz o déficit e renovar o clima político após o escândalo do abuso das despesas atribuídas aos parlamentares.


Após reunir-se com a rainha, o premiê britânico, Gordon Brown, anunciou nesta terça-feira eleições gerais para 6 de maio/Kieran Doherty /Reuters

Disputa acirrada

As eleições serão as mais disputadas dos últimos 18 anos se forem confirmadas as previsões mais recentes das pesquisas sobre intenções de voto, que preveem que não haverá uma maioria destacada no Parlamento, e que a liderança mais votada terá que formar alianças.

Aos 43 anos, James Cameron deseja se tornar o primeiro-ministro mais jovem do Reino Unido nos últimos 200 anos.

Após ser informado da data de 6 de maio, dia em que também acontecerão eleições locais na Inglaterra, Cameron assinalou seu partido vai se dirigir na campanha aos cidadãos que definiu como "os grande ignorados: os jovens, os velhos, os ricos, os pobres, os que vivem em cidades e os que vivem no campo".


"Eles são os que iniciam negócios, operam as fábricas, ensinam nossas crianças, limpam as ruas, cultivam nossa comida e nos mantêm sãos e seguros. Eles trabalham duro, pagam seus impostos e cumprem a lei", disse o líder.

O liberal-democrata Nick Clegg declarou que o anúncio das eleições marca "o princípio do fim da era Gordon Brown", a quem considerou "direta e pessoalmente responsável pelos maiores erros que foram cometidos durante os últimos 13 anos".

Clegg centrará sua campanha em denúncias ao ocorrido durante a crise financeira e a recessão, a invasão ilegal do Iraque, a corrupção da classe política e a piora generalizada do nível de vida dos britânicos sob o trabalhismo.

Fontes: FOLHA - Efe

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