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Relatório militar de Israel reconhece erros em ataque a frota

Investigação descobre erros na operação

 O ataque israelense causou indignação na Turquia/REUTERS

A ação militar de Israel contra a frota de barcos que tentava furar o bloqueio à Faixa de Gaza, no fim de maio, foi prejudicada por erros cometidos no nível de comando, segundo concluiu um relatório militar israelense divulgado nesta segunda-feira.

A investigação sobre a operação, na qual foram mortos nove ativistas turcos, critica a coleta de informações de inteligência e o planejamento.O relatório também diz que os comandantes concentraram seus esforços em apenas um plano de ação.

A frota de barcos interceptada pela ação israelense transportava centenas de ativistas que pretendiam levar ajuda humanitária à população de Gaza.

Israel alegou que seus soldados agiram em legítima defesa após terem sido espancados pelos passageiros de um dos barcos durante a abordagem.

Painel

O general da reserva Giora Eliand, que presidiu o painel encarregado de analisar a operação, apresentou os resultados da investigação em um pronunciamento público em Tel Aviv.


"Erros foram cometidos nas várias decisões tomadas, incluindo dentro dos níveis hierarquicamente altos, que contribuíram para que o resultado não fosse o desejado", disse ele.

"Neste inquérito, descobrimos que houve alguns erros profissionais relacionados tanto à inteligência quanto ao processo de tomada de decisões", afirmou.

A comissão liderada por Eiland começou seus trabalhos no dia 7 de junho, uma semana após a ação contra a frota.

Uma outra comissão de investigação civil, para analisar a legalidade da operação, também foi estabelecida, com a presença de dois observadores estrangeiros, para tentar aplacar a onda de críticas internacionais contra Israel por causa da operação.

A Turquia, principal aliado histórico de Israel no mundo muçulmano, ameaça cortar relações com o país se o governo israelense não se desculpar oficialmente pela operação, indenizar os familiares de vítimas e permitir uma investigação independente.


Fonte: BBC

Vídeo de brasileira pode ajudar a pressionar Israel por ataque, diz ativista

Para integrante do movimento Free Gaza, imagens feitas por Iara Lee ajudariam a provar violência

Israeli Attack on the Mavi Marmara, May 31st 2010 // 15 min. from Cultures of Resistance on Vimeo.

O vídeo divulgado na quinta-feira pela cineasta brasileira Iara Lee, com imagens feitas no principal barco da frota interceptada por Israel no dia 31 de maio, poderá servir para pressionar o governo israelense a aceitar responsabilidade e permitir uma investigação independente sobre o incidente, na avaliação da ativista palestina Huwaida Arraf, uma das líderes do movimento Free Gaza, organizador da frota.

A ação israelense contra a frota de seis barcos, que pretendia furar o bloqueio à Faixa de Gaza para entregar ajuda humanitária, deixou nove mortos e gerou fortes críticas internacionais contra Israel.

Para Huwaida, de 34 anos, as imagens do vídeo da brasileira mostrariam que os passageiros do barco Mavi Marmara teriam adotado postura pacífica e ainda assim atacados com violência pelos soldados israelenses que abordaram a embarcação. "As imagens confirmam o que vínhamos dizendo o tempo todo", disse Arraf à BBC Brasil, por telefone. Ela estava a bordo de outra das embarcações da frota de ativistas, o Challenger 1.

O vídeo de Iara Lee foi divulgado no site da ONG Cultures of Resistence. Segundo a cineasta, ela conseguiu esconder as gravações apesar de ter tido todo seu equipamento confiscado pelas autoridades israelenses.

Israel admite que o resultado de sua ação militar contra os barcos não foi o esperado, mas alega que os soldados reagiram à agressão dos ativistas. Imagens divulgadas pelas autoridades israelenses na semana passada mostravam soldados sendo agredidos pelos passageiros do barco. As Forças Armadas de Israel foram procuradas pela BBC Brasil para comentar sobre o novo vídeo, mas não haviam atendido o pedido até o fechamento deste texto.

Movimentação

As imagens divulgadas por Iara Lee mostram a movimentação entre os passageiros do barco antes e após a abordagem pelos soldados israelenses, incluindo o atendimento a feridos paredes manchadas de sangue, mas não mostra confronto físico entre soldados e ativistas.

Para Huwaida, mesmo sem mostrar ações violentas dos soldados no barco, o vídeo poderá ser usado como evidência em um grande número de processos que o movimento Free Gaza pretende mover contra o governo israelense em nome das vítimas da ação.

"O vídeo pode não expor tudo o que aconteceu a bordo do Mavi Marmara, mas ajuda a mostrar que a violência partiu dos soldados de Israel e que eles não permitiram que fosse enviada ajuda para os feridos", diz a ativista, nascida nos EUA de pais palestinos.

Huwaida Arraf diz que outras imagens, feitas por outra pessoa em outro dos barcos da frota, também foram salvas do confisco israelense e devem ser divulgadas em breve.


Fontes: O ESTADO - BBC

Comentário:

A única coisa que o vídeo prova é que houve violência, mas não suas causas e como ocorreram. O resto é propaganda.

Israel rejeita painel internacional para investigar ataque a navio

Secretário-geral da ONU propôs investigação multinacional. Grupo reuniria representantes da Turquia, EUA e possivelmente Israel.

Primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu relatou conversas com Ban Ki-moon durante reunião semanal do gabinete (Foto: Jim Hollander / Reuters)

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou neste domingo (6) que rejeitou a proposta apresentada pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, de formação de um painel para estudar o ataque a um navio com o qual ativistas pretendiam chegar à Faixa de Gaza. O território palestino está sob bloqueio israelense há três anos. A rejeição foi noticiada pelo jornal israelense "Haaretz".

Netanyahu relatou aos ministros de seu gabinete o resultado da conversa mantida durante a noite com o secretário-geral. "Eu disse a ele que a investigação dos fatos tem de ser conduzida de forma responsável e objetiva", afirmou, segundo o "Haaretz".

O painel seria liderado pelo neozelandês Geoffrey Palmer, com representantes da Turquia - país de origem da bandeira do navio -, EUA e Israel.

Palmer, ex-primeiro ministro da Nova Zelândia, é especialista em Direito Marítimo.

“Temos de considerar a questão cuidadosamente, enquanto conservamos os interesses nacionais de Israel assim como os interesses das Forças de Defesa de Israel”, declarou. Na conversa com Ban Ki-moon, Netanyahu insistiu em que alguns passageiros do navio Mavi Mármara eram membros de uma organização extremista turca que dá apoio ao terror.

Netanyahu afirmou ainda que as discussões sobre a flexibilização do bloqueio a Gaza já tinham começado antes do comboio de ajuda humanitária sair de de seus portos de origem. “Nosso desejo é facilitar a trânsito de civis e o transporte de bens humanitários para a população, ao mesmo tempo em que impedimos a transferência de armas e materiais bélicos”, afirmou. “A flotilha provocadora não vai nos impedir de continuar esse debate, e estamos considerando propostas sobre este tema feitas por nações amigas.”

Sem pedido de desculpas à Turquia

O embaixador israelense nos Estados Unidos, Michael Oren, também afirmou que Israel rejeitará a ideia de uma comissão internacional.

"Nós rejeitamos uma comissão internacional. Estamos discutindo com a administração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, uma forma para que nossa investigação aconteça", disse Oren ao programa "Fox News Sunday".

Segundo a BBC, ele afirmou também que o país não deve pedir desculpas à Turquia pela morte dos ativistas, oito deles turcos e o nono possuidor de passaporte americano mas criado em território turco.

"Israel não pedirá perdão por ter tomado as medidas necessárias para defender seus cidadãos e não se desculpará por ter feito o que foi preciso para defender as vidas de nossos soldados", disse ele.


Fontes: G1 - Agências

Ativistas irlandeses são levados para aeroporto e devem deixar Israel no domingo

Ativistas chegam ao aeroporto 

Os ativistas e a tripulação do navio irlandês de ajuda a Gaza "Rachel Corrie" foram transportados neste sábado, sob escolta policial, ao aeroporto internacional Ben Gourion, nas proximidades de Tel Aviv, com o objetivo de serem deportados no domingo, anunciou a porta-voz do Serviço de Imigração de Israel.

Segunda a porta-voz, a expulsão dos irlandeses, entre os quais está a vencedora do prêmio Nobel da Paz, Mairead Maguire, foi atrasada por sua "negativa em desistir de recorrer à Justiça israelense contra a medida".

"Tentamos convencer todos os passageiros e membros da tripulação para que assinassem o documento. Se não o fizerem, na aplicação da lei, correm o risco de esperar até 72 horas até que um juiz decida seu destino", afirmou.

O navio irlandês chegou no sábado à tarde sob escolta à entrada do porto israelense de Ashdod. O navio, onde se lia a inscrição "Free Gaza" (Gaza Livre), chegou escoltado por duas lanchas pequenas israelenses. A Marinha abordou o navio pouco depois do meio-dia no horário local (6h de Brasília) e tomou o controle sem violência. A embarcação pretendia levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, cinco dias depois do sangrento ataque à frota internacional que deixou nove mortos.

Segundo o Ministério de Relações Exteriores israelense, os militantes pró-palestinos "serão repatriados a seus países de origem o mais rápido possível".

O exército israelense anunciou que suas tropas subiram no navio "com a total conformidade" de seus tripulantes e passageiros, sem que nenhuma das partes tenha recorrido à violência. "Nossas forças deixaram o barco e tomaram o controle sem que os membros da tripulação, nem os passageiros presentes apresentassem resistência. Tudo ocorreu sem violência", disse a porta-voz militar Avital Leibovitz.

Imagens divulgadas pelas Forças de Defesa de Israel gravadas de uma aeronave que sobrevoava o Rachel Corrie no momento em que foi interceptado mostram os ativistas sentados no meio do convés superior do navio.

A ONG "Free Gaza", que organiza a expedição, contesta a versão e diz que a abordagem constitui um crime e que os ativistas não concordaram com a subida das tropas ao navio.

"Ninguém no navio concordou com a abordagem. Ninguém no navio queria homens armados a bordo", precisou essa organização por meio de uma mensagem divulgada no microblogging Twitter, onde denuncia que o Exército de Israel não considerou "um ato de violência" abordar militarmente um navio civil em águas internacionais e mudar seu rumo em direção a um porto israelense.

Foto da ONG Free Gaza mostra o navio Rachel Corrie, interceptado por Israel neste sábado/Efe

A porta-voz da ONG, Mary Hughes, confirma que não houve vítimas nem combates, mas afirma que a ação deve ser criticada. "É inaceitável que isto esteja acontecendo em águas internacionais", indicou.

Greta Berlin, porta-voz da ONG "Free Gaza", uma das organizadoras da expedição, descreveu a abordagem como "outra afronta para acrescentar aos nove assassinados" e negou as afirmações de Israel de que as tropas não teriam encontrado resistência alguma dos ativistas durante a abordagem.

Os passageiros são cinco irlandeses, entre eles a Nobel da Paz, Mairead Maguire, e seis malaios, segundo os organizadores irlandeses.

"Todas essas pessoas serão interrogadas antes de serem expulsas nos prazos mais breves possíveis", disse a porta-voz do serviço de Imigração, Sabine Haddad.

A decisão de abordar o "Rachel Corrie", que levava mil toneladas de material humanitário segundo os organizadores, foi tomada depois de o navio se negar a obedecer quatro chamados para que mudasse de rumo e se dirigisse a Ashdod no lugar da Faixa de Gaza, submetida desde 2007 a um bloqueio por parte de Israel. Israel advertiu por rádio ao navio que o abordaria se não mudasse de rumo.

Bloqueio

Apesar da pressão internacional, o premiê israelense Binyamin Netanyahu reafirmou após a abordagem ao navio Rachel Corrie que o país manterá o bloqueio à faixa de Gaza, mesmo após os Estados Unidos, principal aliado do Estado judeu no mundo, terem afirmado que a medida já é "insustentável".

Ainda na sexta-feira o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança americano, Mike Hammer, disse que "as condições atuais são insustentáveis e precisam ser alteradas".

Netanyahu defendeu o bloqueio dizendo que seu objetivo é impedir o acesso dos militantes do Hamas a armas, e que não vai permitir que o Irã, aliado do Hamas, estabeleça um "porto iraniano em Gaza".

O Exército israelense atacou na segunda-feira outros seis navios do comboio de ajuda humanitária, da qual faz parte o navio irlandês. Na abordagem, o Exército israelense matou nove ativistas turcos -- um deles com dupla nacionalidade turco-americana -- que viajavam em uma das embarcações. No ataque, em águas internacionais, dezenas de ativistas ficaram feridos.

O "Rachel Corrie" ficou para trás do comboio devido a problemas técnicos. O nome do navio irlandês é simbólico. Rachel Corrie era uma ativista americana que em 2003 foi esmagada em Gaza por uma escavadeira militar israelense quando exercia papel de "escudo humano" impedindo a demolição de casas palestinas.

Fonte: FOLHA - AFP

Israel assume controle do navio Rachel Corrie sem conflito

Rachel Corrie' ignorou os chamados de mudança de rota e foi abordado no fim da manhã; embarcação leva 1,2 mil toneladas de ajuda a Gaza

Embarcação de patrulha da Marinha de Israel faz manobra no porto de Ashdod, no sul do país, para onde o Rachel Corrie está sendo levado/Baz Ratner/Reuters

As Forças Armadas de Israel entraram e tomaram o controle do navio Rachel Corrie e o conduzem para o porto de Ashdod, no sul do país, de forma pacífica, informaram o jornal israelense Haaretz e a rede de TV CNN.

Com informações da rádio do Exército, o Haaretz informou que a tomada de controle foi pacífica. Na última segunda-feira (31) um confronto entre a Marinha israelense e ativistas a bordo do navio Mavi Marmara, que integrava a chamada “frota da liberdade”, terminou em nove mortes.

O Rachel Corrie, de bandeira irlandesa, leva ajuda humanitária para a faixa de Gaza e tem a bordo a prêmio Nobel da Paz Mairead Maguire. Às 10h49 (4h49 em Brasília), a Forças Armadas de Israel informaram que entraram em contato por rádio com os integrantes do navio pedindo para que se dirigissem a Ahsdod.


- Vocês estão se aproximando de uma área de hostilidades e que está sob bloqueio. A área de Gaza, a região costeira e o porto de Gaza estão fechados ao tráfego marítimo.

Os ativistas recusaram a proposta mais uma vez e então o barco foi interceptado já no limite das águas territoriais de Israel. A carga do Rachel Corrie deve ser agora inspecionada antes de seguir para a faixa de Gaza.

Em entrevista à rede CNN, a porta-voz da Marinha tenente-coronel Avital Leibovich disse:


- Foi completamente diferente da outra frota, que desde o início veio preparada para o confronto.

Ela também respondeu sobre o problema de deixar o navio ir diretamente para a faixa de Gaza:


- Nós temos de inspecionar as cargas, não podemos deixar passar material que o Hamas possa utilizar para atos terroristas.

Os ativistas também rejeitavam a inspeção israelense do material. O bloqueio a Gaza dura três anos e se iniciou quando o grupo radical Hamas tomou o poder na região.

Navio irlandês chega a porto em Israel

JERUSALÉM - O navio irlandês "Rachel Corrie", carregando 1,2 mil toneladas de ajuda humanitária a Gaza, abordado no meio da manhã deste sábado pelas forças israelenses, foi escoltado pela Marinha de Israel e chegou ao porto de Ashdod. A ação foi tranquila e não houve registro de vítimas, disse à Agência Efe uma porta-voz militar israelense.

As fontes disseram que a abordagem militar aconteceu com "a complacência" da tripulação e os passageiros da embarcação, o que pouco depois foi desmentido pelo "Free Gaza", um dos grupos que organizou a expedição de caráter humanitário.


"Ninguém no navio concordou com a abordagem. Ninguém no navio queria homens armados a bordo", precisou essa organização por meio de uma mensagem divulgada no Twitter, onde denuncia que o Exército de Israel não considerou "um ato de violência" abordar militarmente um navio civil em águas internacionais e mudar seu rumo em direção a um porto israelense.

A abordagem ocorreu depois que o navio irlandês ignorou quatro chamados feitos pelos dois navios militares de Israel, que o acompanhavam desde o início da manhã, para que atracasse no porto israelense de Ashdod em vez de continuar para Gaza. Após a abordagem, o Exército israelense conduziu a embarcação para o porto de Ashdod, no norte da faixa palestina.

"Se não nos obedecerem, teremos de abordar o navio", havia ameaçado pouco antes a porta-voz para a imprensa estrangeira do Exército israelense, Avital Leibovich, em declarações à BBC.

A ameaça concretizou as advertências que Israel havia reiterado nos últimos dias de que impediria com o uso da força a chegada do cargueiro "Rachel Corrie" a Gaza em caso da embarcação não desistir da intenção de romper o bloqueio israelense e chegar à faixa palestina.

Nesta sexta-feira, 4, a tripulação do navio já havia rejeitado a oferta feita por Israel através da Irlanda que atracasse em Ashdod e desembarcasse nesse porto israelense situado ao norte de Gaza a ajuda humanitária.

Segundo "Free Gaza, o "Rachel Corrie" transporta 1,2 mil toneladas de ajuda humanitária. Com 20 pessoas a bordo, entre os passageiros está a prêmio Nobel da Paz norte-irlandesa Mairead Maguire e um antigo subsecretário-geral das Nações Unidas, o irlandês Denis Halliday.

O governo do país diz querer verificar a carga de ajuda, que inclui cimento, cadeiras de roda, equipamentos médicos, giz de cera e cadernos, antes de entregá-la a Gaza, confiscando mercadorias que alega poderem ser utilizados para fins militares, como material de construção e metal, por exemplo.

Navio irlandês foi abordado pelo exército israelense neste sábado/Efe

Ataque

O Exército israelense atacou na segunda-feira outros seis navios do comboio de ajuda humanitária, da qual faz parte o navio irlandês. Na abordagem, o Exército israelense matou nove ativistas turcos - um deles com dupla nacionalidade turco-americana - que viajavam em uma das embarcações. No ataque, em águas internacionais, dezenas de ativistas ficaram feridos.

O "Rachel Corrie" ficou para trás do comboio devido a problemas técnicos. O nome do navio irlandês é carregado de simbolismo. Rachel Corrie era uma ativista americana que em 2003 foi esmagada em Gaza por uma escavadeira militar israelense quando exercia papel de "escudo humano" impedindo a demolição de casas palestinas.

Navio Rachel Corrie chega ao porto de Ashdod sob escolta (Foto: Ariel Schalit / AP)

Turquia

Na sexta-feira, o governo da Turquia indicou que está estudando a possibilidade de reduzir relações com Israel devido ao incidente de segunda-feira.

Manifestando seu descontentamento com a ação israelense, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, sugeriu que os israelenses desrespeitaram os preceitos de sua própria religião no ataque à frota.

"Estou me dirigindo a eles (israelenses) em sua própria língua. O Sexto Mandamento diz 'Não Matarás'. Não entenderam?", disse Erdogan em um discurso a simpatizantes de seu partido.

"Eu vou falar de novo. Vou falar em inglês: 'Thou Shall Not Kill'. Ainda não entenderam? Então vou dizer a vocês em sua própria língua. Vou dizer em hebreu 'Lo Tirtzakh'."


Fontes: O ESTADO - R7 - TV Globo - G1 - Agências

Jornalistas australianos afirmam que israelenses cometeram abusos

Viajavam a bordo mais de 750 ativistas de 60 nacionalidades
Dois jornalistas australianos que viajavam na frota humanitária atacada por Israel afirmaram que os soldados israelenses cometeram abusos durante a operação, realizada na última segunda-feira, que terminou com nove mortos.

O correspondente Paul McGeough e a fotógrafa Kate Geragthy, deportados nesta madrugada à Turquia, indicaram à imprensa de seu país que os militares atacaram ativistas desarmados, embora, em alguns casos, não tenham utilizado munição real.

Geragthy disse que sentiu dor e enjoos quando os soldados a agrediram com armas de choque antes de prendê-la, e afirmaram que suas câmeras fotográficas foram apreendidas, apesar de os soldados saberem que eles eram repórteres.

Pelo menos nove ativistas de direitos humanos morreram durante o ataque, enquanto o número de feridos é de 43, sendo 38 membros da frota humanitária e cinco soldados israelenses, segundo diversas fontes.

A abordagem aconteceu na madrugada da segunda-feira passada quando as seis embarcações da frota desejavam romper o bloqueio israelense a Gaza para distribuir ajuda humanitária.

Viajavam a bordo mais de 750 ativistas de 60 nacionalidades, entre eles vários deputados europeus e a Nobel da Paz a irlandesa Mairead Corrigan Maguire.

As autoridades de Israel garantem que alguns ativistas atacaram os soldados com armas de fogo, e o bloqueio é a única maneira de evitar que armas iranianas cheguem aos militantes do Hamas na faixa palestina.

Fontes: FOLHA - Efe

Relações entre Turquia e Israel chegam ao momento mais difícil

Países eram aliados regionais desde a criação do Estado judeu. A partir da ofensiva contra Gaza em 2008, desgaste tem sido constante.

O recente episódio do ataque israelense à frota de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza pode ter contribuído para o fim de uma aliança geopolítica antiga entre Israel e Turquia. O primeiro-ministro turco, Tayyp Erdogan, pediu punição para Israel no Conselho de Segurança da ONU e acusou o país de ter cometido “terrorismo de Estado”.

Ao contrário dos demais países da região, os turcos tinham até poucos anos uma excelente relação econômica e estratégica com o Estado judeu. As Forças Armadas turcas compram armas de Israel e os países faziam exercícios militares conjuntos. Em 2008, a Turquia recebeu mais de 500 mil turistas israelenses, tornando-se um dos destinos favoritos dos israelenses durante as férias. No ano anterior, Shimon Peres visitou Ancara e tornou-se o primeiro presidente de Israel a discursar a um Parlamento de um país muçulmano, ressaltando a boa relação dos países que remonta a 1949, quando a Turquia reconheceu a existência de Israel.

Nos últimos 18 meses, essa relação foi completamente deteriorada, culminando com o ataque da frota. No cenário atual, o primeiro-ministro turco, Tayyp Erdogan, pediu punição para Israel no Conselho de Segurança da ONU e acusou o país de ter cometido “terrorismo de Estado”. Todos os treinos militares foram suspensos, assim como as iniciativas de cooperação militar.

Milhares de manifestantes sitiaram o consulado de Israel em Istambul desde o incidente carregando mensagens de protesto contra o país. Por outro lado, turistas israelenses foram aconselhados a cancelar suas viagens à Turquia.

Desgaste

Manifestações protesstam em Istambul contra ataque de Israel à frota de ajuda humanitária que rumava para a Faixa de Gaza com ajuda humanitária. (Foto: VadimGhirda/AP)

Essa deterioração de relações sempre teve o conflito do Estado judeu com a Palestina como questão central.

Para o Professor de Relações Internacionais da Faculdade Rio Branco e membro do Gacint (Grupo de Análise da Conjuntura Internacional), da Universidade de São Paulo, a Operação Chumbo Fundido (também conhecida como “Massacre de Gaza”), em 2008, teria dado início ao desgaste.

A operação israelense contra Gaza no fim de 2008 provocou condenação e revolta internacional, e a reação turca foi muito dura. Israel alega que a ofensiva das Forças Armadas israelenses contra o Hamas na Faixa de Gaza tinha o objetivo de interromper os ataques de foguetes caseiros contra o território. O governo turco sentiu-se traído por não ter sido previamente avisado do ataque, o que o colocou em uma posição difícil perante a opinião pública local.

Em janeiro de 2009, outro atrito: Erdogan abandonou o palco do Fórum Econômico Mundial, em Davos, fazendo fortes acusações contra Peres, que estava sentado ao seu lado e parecia completamente surpreso, e o Estado de Israel. Em um momento, Erdogan se irritou com o discurso de Peres, que estava sentado ao seu lado, e replicou: “Quando se trata de matar, seu povo sabe fazer isso muito bem”, e após diversas críticas às políticas israelenses, abandonou o evento. Erdogan ganhou muito prestígio no mundo muçulmano após sua iniciativa.

Protestos de crianças palestinas contra o ataque israelense passa por um cartaz da prefeitura de Gaza com a imagem de Erdogan que dá boas-vindas aos membros da frota de ajuda humanitária. (Foto: Adel Hana/AP)

A participação da Turquia no acordo nuclear iraniano também foi um fator de estremecimento. “Não havia explicitamente uma oposição de Israel, mas certamente eles são os menos interessados em uma acomodação em relação ao Irã”, afirmou o professor.

Por fim, a retaliação israelense ao navio de ativistas pode ter sido a gota d’água para causar o racha diplomático. O governo turco não deu apoio oficial ao comboio, mas deixou claro que apoiava a missão dos ativistas, turcos em sua grande maioria. Uma multidão se reuniu no estreito de Bósforo para ver partir o Mavi Marmara, o navio que liderava o comboio, rumo a Gaza, e sua partida foi amplamente coberta pela mídia local. A notícia dos confrontos, ainda filmado por jornalistas locais, causou um choque na opinião pública local – a maior parte dos mortos e feridos também é turca.

Metamorfose

Segundo Feldberg, porém, outro fator que incorpora esse esfriamento é uma mudança ocorrida na própria no governo e na sociedade turca.

Após a declaração da República da Turquia por Mustafá Kemal Ataturk, em 1923, o país tornou-se um Estado laico e mais próximo aos valores do Ocidente. Segundo Feldberg, Israel formava, até 1979, um grupo de convergência de interesses com Turquia e Irã, países etnicamente diferentes da homogeneidade árabe que dominava a região. “A saída do Irã (devido à Revolução Islâmica) até aprofundou as relações entre os dois países. Agora é o Egito quem substitui o Irã. Apesar de ser um país árabe, tem um governo conservador que atrela seus interesses aos dos americanos”, disse.

Nos últimos anos, entretanto, a parte da população muçulmana mais devota voltou a ganhar mais espaço na sociedade turca, inclusive na composição das forças políticas. Trata-se de um eleitorado significativo, já que cerca de metade da população se descreve como fervorosamente religiosa. Essa parcela ajudou o Partido da Justiça e Desenvolvimento, de Erdogan, a obter a maioria no Parlamento nas duas últimas eleições legislativas.

“Houve uma mudança na característica do governo civil turco, sempre fortemente influenciado pelas Forças Armadas, cuja principal função é manter o país como um Estado laico. É uma flexibilização comandada por um governo que podemos classificar de islâmico-moderado, mas que certamente está muito atento até onde pode ir” explica Feldberg.

Mapa Oriente Médio Israel Turquia Faixa de Gaza (Foto: Editoria de Arte/G1)

O professor aponta também para um crescente clamor popular anti-Israel, que colocaria o governo em uma situação difícil. “A origem desse esfriamento está na crise em Gaza a partir de 2008. O clamor popular contra as mortes de civis em Gaza, por mais que uma parte delas tenha sido um golpe de propaganda do Hamas, afetou significativamente as populações dos países muçulmanos. A relação com Israel gera uma tensão, e o mesmo se passa no Egito também. Os políticos desses dois países, e no caso da Turquia, os militares, tem que traçar ações que serão vistas pela população com maus olhos".

Porém, segundo o analista, conforme essas situações vão se repetindo, os custos políticos só tendem a aumentar.

Retomada

Para que o quadro de harmonia volte, Feldberg entende que os dois lados precisarão ceder em suas posições. “Israel certamente poderia flexibilizar seu comportamento em questões vistas como importantes para a opinião pública turca. Porém, o que se vê é que Israel dificulta para o governo turco. E isto se deve principalmente por questões internas do país. Israel sofre com disputas de poder e prestígio, pois o governo é composto por uma coalizão muito frágil, composta por radicais que, às vezes, tem de ser atendidos de forma simbólica. Por outro lado, a Turquia também deveria entender algumas dessas situações", ponderou.

Comentário:


Este blog defende fervorosamente o direito de Israel existir como Estado e Nação e entende que Israel tem o direito de defender a si e a seu povo contra as ameaças externas e do terrorismo. Contudo, as recentes ações parecem indicar que uma quinta coluna dentro do aparato de governo, faz de tudo para minar a posição de Israel e isolar o país ainda mais.

Fonte: G1 / João Novaes

'Vi muito sangue e comecei a passar mal', diz brasileira que estava em barco atacado por Israel

Cineasta relata o que viu a bordo do Mavi Marmara, em que nove ativistas foram mortos por soldados israelenses.

A cineasta brasileira Iara Lee desembarca em Istambul. (Foto: Káthia Mello)

A ativista e cineasta brasileira Iara Lee, detida por tropas israelenses na ação militar contra embarcações que levavam ajuda humanitária à Gaza na segunda-feira passada, disse que viu "muito sangue" e que começou "a passar mal" quando subiu ao convés do barco em que viajava e que foi palco dos episódios de violência que resultaram na morte de nove ativistas.

Em entrevista à BBC Brasil, de Istambul, onde chegou nesta quinta-feira de madrugada junto com um grupo de cerca de 450 ativistas deportados de Israel, Iara contou que os atiradores de elite do Exército de Israel entraram no principal navio da frota, o Mavi Marmara, "atirando para matar".

Ela disse que o operador de internet do barco foi morto com um tiro na cabeça.

"Ele estava na sala de operações, perto da ponte, por onde entraram os atiradores de elite. O corpo dele foi encontrado com um tiro na cabeça", disse ela nesta quinta-feira, em Istambul, onde aguarda o embarque, na sexta-feira, para os Estados Unidos, onde vive.

Iara contou que estava embaixo do convés no momento do ataque, mas quando subiu para procurar seu cinegrafista, viu quatro corpos e vários feridos.

"Era muito sangue, eu comecei a passar mal, tive ânsia de vômito e até desisti de procurá-lo."

Iara disse não ter testemunhado as mortes, mas que "outras pessoas que estavam no barco contaram ter visto soldados atirando corpos no mar".


"Nossa contabilidade é de que 19 pessoas morreram. Ainda há gente desaparecida, não sabemos o que aconteceu com eles. E ainda há feridos muito graves, praticamente morrendo, que não conseguimos retirar do hospital em Tel Aviv."

Violência desproporcional

Para a cineasta, a violência usada pelas tropas na ação foi desproporcional.

"Nos barcos pequenos, eles usaram balas de borracha, gás lacrimogêneo e armas de choque. Mas no nosso barco, eles chegaram usando munição de verdade", conta.

"Foram atiradores de elite, todos vestidos de preto, armados".

A cineasta contou que a abordagem israelense ocorreu por volta de 04h30 da madrugada, no escuro, e que foi muito rápida.

"Tinha dois barcos da Marinha. Quando a gente piscou apareceram dezenas de barcos de borracha, helicópteros, atiradores de elite descendo no barco. A marca registrada deles é o silêncio, fomos pegos de repente", ela lembra.

Iara acredita que os soldados ficaram assustados com o número de passageiros a bordo - mais de 600 - e que, por isso, ele podem ter optado por uma ação rápida com o objetivo de assumir imediatamente o controle do barco.

"Esperávamos que eles atirassem para o alto, em direção aos nossos pés, para nos assustar. Imaginávamos que eles fossem tentar jogar redes nos nossos motores, deixar a gente à deriva no meio do mar, mas nunca imaginamos isso."

Depois da abordagem, as embarcações da tropa foram levadas para o porto de Ashdod, em Israel, com todos os passageiros algemados. "Quando mandaram a gente descer do barco, já tinham jogado todo o conteúdo de nossas malas no chão, estava tudo misturado. Eram roupas, laptops, pijama, escova de dentes, tudo junto."

Os ativistas voltaram para a Turquia apenas com a roupa do corpo e seus passaportes. Segundo a cineasta, todas as câmeras, telefones celulares e blackberries foram confiscados pelo Exército. Ela diz que perdeu US$ 150 mil em câmeras e lentes.

Mas Iara disse que os ativistas conseguiram salvar registros do ataque que teriam sido escondidos em peças de roupas.

"A gente conseguiu salvar algumas fitas com imagens do ataque, que costuramos nas nossas roupas e não foram encontradas pelas autoridades israelenses."

Iara Lee saiu do Brasil em 1989 e passou 15 anos nos Estados Unidos, onde é radicada. Nos últimos cinco anos, ela morou em diversos países, entre eles Irã, Tunísia e França, onde filmou documentários.

Ativistas dizem que existem passageiros de frota desaparecidos

Os organizadores da frota que tentou furar o bloqueio a Gaza disseram que a operação de Israel no barco Mavi Marmara deixou uma "longa lista de desaparecidos".

O presidente da Fundação para Direitos Humanos e Liberdades e Ajuda Humanitária, Bulent Yildirim, afirmou que o grupo, responsável pela organização da frota de ajuda humanitária a Gaza, recebeu os corpos de nove mortos na operação israelense.

"Nós recebemos os corpos de nove mártires, mas temos uma lista mais longa. Existem pessoas desaparecidas. Nossos médicos entregaram 38 feridos, na nossa volta eles (os israelenses) disseram que havia apenas 21 feridos."

Yildirim, que estava a bordo do Mavi Marmara, palco dos confrontos, confirmou que alguns ativistas tomaram armas dos soldados israelenses, mas ressaltou que elas não foram utilizadas e sim jogadas no mar.

"Nós não usamos as armas que tomamos deles. Nós os ajudamos com tratamento médico, demos água a eles. Em contrapartida, eles mataram nossos amigos e jogaram os corpos na água e ainda não sabemos o que aconteceu com eles", afirmou Yildirim.

Chegada à Turquia

Cerca de 450 ativistas que integravam a frota e tinham sido detidos por Israel chegaram a Istambul na madrugada desta quinta-feira. O vice-primeiro-ministro turco, Bulent Arinc, liderou a multidão que deu as boas-vindas aos ativistas.

Os corpos foram transportados nos mesmo voo que os deportados. Pelo menos oito dos mortos eram turcos e a nacionalidade da outra pessoa ainda não foi revelada.

Um barco irlandês, que deveria fazer parte da frota interceptada na segunda-feira e ficou para trás por problemas mecânicos, segue a caminho da costa de Gaza, com a intenção de tentar furar o bloqueio de Israel e levar ajuda à população local. O barco teria 11 pessoas a bordo e poderia chegar a seu destino neste fim-de-semana.

O grupo espera que Israel permita sua entrada na Faixa de Gaza com segurança. Houve um pedido formal do primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, ao país para que deixe o barco cumprir sua missão de ajuda humanitária.

Já em Israel, o presidente do comitê de Relações Exteriores e Defesa do Parlamento israelense, Tzachi Hanegbi, disse que seu país "não pode deixá-los (os barcos) manchar a linha vermelha que Israel definiu".

Um oficial das Forças de Defesa de Israel disse ao jornal israelense Haaretz que o novo barco também seria interceptado, o que poderia resultar em confrontos parecidos com os registrados na última segunda-feira.


"Nós estamos prontos para o Rachel Corrie", afirmou o israelense.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, disse que Israel "não teve escolha" a não ser invadir os barcos na segunda-feira.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU, com sede em Genebra, votou pela abertura de um inquérito internacional independente sobre o incidente.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também pediu que Israel suspenda o bloqueio à Faixa de Gaza imediatamente, afirmando que o cerco é "contra-producente, insustentável e errado".

Fonte: G1 - BBC

Brasileira diz que filmou ação de Israel

Iara Lee falou à TV Globo ao chegar a Istambul, na Turquia. Ela disse que cinegrafista costurou cartões de memória na cueca.

A cineasta brasileira Iara Lee desembarca em Istambul. (Foto: Káthia Mello)

A cineasta brasileira Iara Lee, única brasileira entre os quase 600 ativistas que tentaram furar o bloqueio da Faixa de Gaza na última segunda-feira (31), contou em entrevista à TV Globo na Turquia que conseguiu imagens exclusivas da ação israelense que deixou nove mortos.

"Conseguimos sair com um material de filmagem exclusivo, em definição alta. Nós éramos um dos únicos que tinham câmera profissional. [...] Então temos que voltar para os EUA e mostrar para o mundo inteiro", disse ela.

Lee contou que para furar a inspeção israelense, o cinegrafista costurou os três cartões de memória em sua cueca. A brasileira chegou na noite de quarta a Istambul, após ter ficado presa em Tel Aviv e ter sido deportada.

“Foi realmente surpreendente. Foi um 'Apocalipse Now' o que a gente presenciou e viveu esses últimos dias. Como se tivesse numa guerra declarada. Os israelenses entraram com equipamentos e armas como se fosse a 3º Guerra Mundial”, afirmou a brasileira à TV Globo.

O governo de Benjamin Netanyahu decidiu expulsar todos os militantes estrangeiros presos depois do violento ataque contra a frota humanitária internacional que se dirigia para Gaza. Após a pressão internacional, mesmo os que seriam processados foram libertados.

Israel argumentou que seus soldados agiram em legítima defesa, por terem sido agredidos com canos e facas pelos ativistas quando desciam de helicóptero no navio turco Mavi Marmara, na madrugada de segunda-feira.

Veja mapa da região. (Foto: Arte g1)


A frota de ativistas tentava furar o bloqueio que Israel impõe aos 1,5 milhão de habitantes da Faixa de Gaza, uma forma de pressão contra o governo do grupo islâmico Hamas.

Apesar de analistas terem apontado falhas táticas na operação, Barak elogiou a atuação dos soldados sob circunstâncias tão complicadas.

Com aval dos EUA, o Conselho de Segurança da ONU pediu uma investigação imparcial das mortes na frota humanitária, cujas embarcações e ativistas eram majoritariamente turcos.

Especula-se em Israel que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu irá nomear uma comissão judicial para determinar se os militares erraram ao não levarem em conta a resistência que os ativistas ofereceriam no Mavi Marmara.

Outra tentativa de furar o bloqueio israelense vem se aproximando: o navio MV Rachel Corrie (batizado em homenagem a uma ativista norte-americana morta em 2003 na Faixa de Gaza) zarpou na segunda-feira de Malta com direção ao território palestino.

Ele leva 15 ativistas, inclusive a norte-irlandesa Mairead Corrigan, Prêmio Nobel da Paz de 1976. O tripulante Derek Graham disse à emissora pública irlandesa RTE que a embarcação deve chegar entre a noite de sexta-feira (4) e a manhã de sábado (5) ao ponto onde aconteceu o incidente de segunda-feira.

Questionado sobre qual será a reação de Israel, Tzachi Hanegbi, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Parlamento, disse: "Não podemos deixar que eles borrem a linha vermelha que Israel estabeleceu. Deixar que eles entrem para ajudar o Hamas não é uma opção."



Fontes: G1- TV Globo

Israel deporta ativistas após reação mundial

Israel inicialmente ameaçou processar alguns ativistas

JERUSALÉM - Israel pretende completar na quarta-feira a deportação de todos os ativistas detidos na abordagem a uma frota que pretendia levar mantimentos à Faixa de Gaza, e reiterou sua intenção de conter qualquer outra embarcação que tente furar o bloqueio à região.

Em meio ao ultraje internacional pela morte de nove ativistas no incidente marítimo, o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, visitou soldados envolvidos na ação e disse a eles: "Vim em nome do governo israelense dizer obrigado."

Israel alega que seus soldados agiram em legítima defesa, por terem sido agredidos com canos e facas pelos ativistas quando desciam de helicóptero no navio turco Mavi Marmara, na madrugada de segunda-feira.

A frota de ativistas tentava furar o bloqueio que Israel impõe aos 1,5 milhão de habitantes da Faixa de Gaza, o que é uma forma de pressão contra o governo do grupo islâmico Hamas.

Israel inicialmente ameaçou processar alguns ativistas, mas depois anunciou a expulsão de todos os 682 ativistas de mais de 35 países, que estavam a bordo dos seis navios da frota.

Até as 12h de quarta-feira (hora local; 6h em Brasília), cerca de 200 ativistas tinham sido transferidos de um centro de detenção para o aeroporto Ben-Gurion, nos arredores de Tel Aviv, segundo um porta-voz carcerário. Outros 123 foram levados por terra para a Jordânia.

Os ativistas restantes devem ser liberados ao longo do dia, segundo esse porta-voz. Todos são mantidos incomunicáveis pelas autoridades israelenses.

Apesar de analistas terem apontado falhas táticas na operação, Barak elogiou a atuação dos soldados sob circunstâncias tão complicadas.

Com aval dos EUA, o Conselho de Segurança da ONU pediu uma investigação imparcial das mortes na frota humanitária, cujas embarcações e ativistas eram majoritariamente turcos.

Especula-se em Israel que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu irá nomear uma comissão judicial para determinar se os militares erraram ao não levarem em conta a resistência que os ativistas ofereceriam no Mavi Marmara.

Outra tentativa de furar o bloqueio israelense vem se aproximando: o navio MV Rachel Corrie (batizado em homenagem a uma ativista norte-americana morta em 2003 na Faixa de Gaza) zarpou na segunda-feira de Malta com direção ao território palestino.

Ele leva 15 ativistas, inclusive a norte-irlandesa Mairead Corrigan, Prêmio Nobel da Paz de 1976. O tripulante Derek Graham disse à emissora pública irlandesa RTE que a embarcação deve chegar entre a noite de sexta-feira e a manhã de sábado ao ponto onde aconteceu o incidente de segunda-feira.

Questionado sobre qual será a reação de Israel, Tzachi Hanegbi, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Parlamento, disse: "Não podemos deixar que eles borrem a linha vermelha que Israel estabeleceu. Deixar que eles entrem para ajudar o Hamas não é uma opção."

Fontes: UOL - Reuters/Jeffrey Heller

Hillary diz que Israel tem suas necessidades de segurança mas que deveriam abandonar o bloqueio à Gaza

EUA continuaram cautelosos na reação ao incidente com barco turco. Visita do presidente palestino a Obama está mantida, diz Casa Branca.


A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, durante entrevista nesta terça-feira (1º) em Washington. (Foto: Reuters)

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse nesta terça-feira (1º) que a situação na Faixa de Gaza é "insustentável e inaceitável" e não pode durar mais tempo. A declaração foi feita um dia após o ataque de forças israelenses a um comboio que levava ajuda humanitária ao território palestino.

"As necessidades legítimas de segurança por parte de Israel precisam ser garantidas, assim como as necessidades legítimas dos palestinos por assistência humanitária e acesso regular a material de reconstrução", disse Clinton.

Hillary também pediu a todos os envolvidos que sejam "cuidadosos" em suas reações ao ataque. Mais uma vez, os EUA ficaram longe de condenar o ataque.


"Eu acho que a situação, de nossa perspectiva, é muito difícil e requer reações cuidadosas, pensadas de todos os envolvidos", disse a jornalistas.

A secretária de Estado afirmou ainda que Washington apoia uma investigação israelense sobre o ataque ao comboio, mas que esta precisa ser "confiável" e deverá ter participação internacional.

Casa Branca

Ao mesmo tempo, a Casa Branca afirmou que o ataque israelense contra navios com ajuda humanitária para Gaza mostra que a paz no Oriente Médio é "mais necessária do que nunca."

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse também que a visita do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, ao presidente Barack Obama, continua em pé.

Segundo Gibbs, os EUA condenam a perda de vidas e lamentam profundamente o incidente, e continuam à espera de mais informações sobre o caso.

Ele também disse que o governo Obama exige a pronta soltura dos ativistas americanos que estavam no comboios, assim como dos demais integrantes.


Fontes: G1- TV Globo - Agências

Brasileira que estava em navio atacado por Israel aguarda para ser deportada

Iara Lee foi localizada pelas autoridades, diz Embaixada de Israel no Brasil. Ela não quis sair de Israel voluntariamente e deve ser deportada.


A cineasta brasileira Iara Lee, que estava no comboio atacado em israel/Divulgação

Autoridades israelenses localizaram a cineasta brasileira Iara Lee, que estava em uma das embarcações da flotilha que seguiria para Gaza e, na lista de passageiros, constava como cidadã norte-americana, informou a Embaixada israelense em comunicado.

"Iara Lee está em boas condições de saúde e recusou a opção de deixar o país voluntariamente. Neste momento está com as autoridades israelenses aguardando ser deportada."

Segundo a embaixada de Israel, o Itamaraty já foi informado pelo embaixador de Israel, Giora Becher.

O Exército de Israel atacou na madrugada desta segunda-feira um comboio de barcos organizado pela ONG Free Gaza, um grupo de seis navios, liderados por uma embarcação turca, que transportava mais de 750 pessoas e 10 mil toneladas de ajuda humanitária para a faixa de Gaza, deixando ao menos dez mortos e cerca de 30 feridos.

A cineasta brasileira Iara Lee estava a bordo de um dos barcos atacados na manhã desta segunda-feira por Israel, segundo a Folha apurou.

Iara Lee

O último contato feito por Iara tinha sido na noite de ontem, quando, segundo amigas, ela postou mensagem no site de relacionamentos Facebook anunciando que o barco em que ela estava fora cercado pela Marinha de Israel. A brasileira embarcou na última quinta-feira a partir da Turquia e vinha dando notícias graças a uma conexão internet disponível no barco em que ela estava.

Em carta escrita antes do embarque, Iara justificou a participação na missão a Gaza dizendo que pretendia chamar atenção para o que ela considera "grave abuso de direitos humanos" cometidos por Israel contra a faixa de Gaza.

"Normalmente eu consideraria uma missão de boa vontade como esta completamente inócua. Mas agora estamos diante de uma crise que afeta os cidadãos palestinos criada pela política internacional. É resultado da atitude de Israel de cercar Gaza em pleno desafio à lei internacional. Embora o presidente Lula tenha tomado algumas medidas para promover a paz no Oriente Médio, mais ação civil é necessária para sensibilizar as pessoas sobre o grave abuso de direitos humanos em Gaza", diz a carta de Iara.

"[...] Eu me envolvo porque creio que ações resolutamente não violentas, que chamam atenção ao bloqueio, são indispensáveis esclarecer o público sobre o que está de fato ocorrendo. Simplesmente não há justificativa para impedir que cargas de ajuda humanitária alcancem um povo em crise", acrescenta o texto.

Além de militar pela paz e pelo diálogo entre culturas, Iara Lee é uma produtora e cineasta brasileira de ascendência coreana radicada nos EUA. Entre suas obras estão os documentários "Synthetic Pleasures" (1995), que trata do impacto da alta tecnologia sobre a cultura de massas, e "Modulations" (1998), considerada uma das obras cinematográficas mais importantes sobre música eletrônica.

Iara é divorciada e não tem filhos.

Reunião

O embaixador israelense encontrou-se nesta segunda-feira com a Subsecretária-Geral de Assuntos Políticos do Itamaraty, embaixadora Vera Lúcia Barrouin Crivano Machado, às 17 horas, no Itamaraty, após ser convocado.

O embaixador de Israel reafirmou a posição israelense de que a flotilha não seguia com uma ação humanitária, mas chegou como uma provocação com o intuito de apoiar o regime ilegal e terrorista do Hamas em Gaza.

O Embaixador manifestou ainda que não existe crise humanitária em Gaza, uma vez que todo o tipo de ajuda tem ingressado diariamente na região. Israel ofereceu aos organizadores da flotilha a alternativa de seguirem para o porto de Ashdod, onde os suprimentos de ajuda humanitária seguiriam para Gaza por via terrestre. Os organizadores não aceitaram esta opção.


"Foi mencionado ainda, pelo embaixador, que os soldados israelenses embarcaram sem empunhar suas armas e foram atacados violentamente, com ameaças às suas vidas, pelos manifestantes que não foram pacifistas. Somente após sofrerem os violentos ataques, os soldados israelenses reagiram em legítima defesa", informa a embaixada israelense em seu comunicado.

Versão de Israel

O ministério das Relações Exteriores de Israel compilou uma nota tentando justificar o ataque do Exército israelense contra a "Frota da Liberdade" na madrugada desta segunda-feira (31). Traduzido para várias línguas e divulgado pelas embaixadas israelenses ao redor do mundo, o documento visa conter a rejeição da comunidade internacional ao ataque, julgado como "desproporcional".


Segundo a nota o chanceler israelense, Avigdor Lieberman, "os membros da embarcação não estavam em missão de paz e são, na verdade, terroristas que atacaram os militares das FDI [Forças de Defesa de Israel] quando estes abordaram a embarcação que se dirigia à faixa de Gaza".

Ainda de acordo com o comunicado, as tropas israelenses teriam tentado "dialogar e alcançar um entendimento com os organizadores da frota."

O comunicado lembra ainda que "todas as solicitações de Israel ao Hamas para que fosse autorizada a entrada da Cruz Vermelha na faixa de Gaza, com o fim de visitar e atender o soldado israelense sequestrado, Gilad Shalit, foram negadas".

Para o governo israelense a tentativa do comboio humanitário de furar o bloqueio à faixa de Gaza e entregar suprimentos à região foi uma "violência pré-planejada pelo grupo que atacou as FDI e Israel não permitirá qualquer ofensiva ao seu Estado por parte de grupos terroristas ou seus apoiadores".

Reação brasileira

O chanceler Celso Amorim afirmou nesta segunda-feira que o ataque israelense à flotilha que levava ajuda humanitária à faixa de Gaza justifica a tomada uma ação por parte da ONU. "É um ato muito grave, estamos preocupados com isso, esperamos que a ONU adote alguma ação, e que Israel possa atender ao que for solicitado", disse.

O governo brasileiro condenou nesta segunda-feira, em nota oficial, o ataque. A nota indica que o governo convocou o embaixador de Israel ao Itamaraty para que seja "manifestada a indignação do governo brasileiro com o incidente e a preocupação com a situação da cidadã brasileira".

"O Brasil condena, em termos veementes, a ação israelense, uma vez que não há justificativa para intervenção militar em comboio pacífico, de caráter estritamente humanitário. O fato é agravado por ter ocorrido, segundo as informações disponíveis, em águas internacionais. O Brasil considera que o incidente deva ser objeto de investigação independente, que esclareça plenamente os fatos à luz do Direito Humanitário e do Direito Internacional como um todo", diz o governo brasileiro no comunicado.

Outros países

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, decretou três dias de luto nos territórios palestinos devido ao ataque israelense à "Frota da Liberdade". Em comunicado emitido na cidade cisjordaniana de Ramallah através da agência oficial palestina "Wafa", Abbas não anunciou, no entanto, uma interrupção do diálogo indireto de paz que mantém com Israel.

Em visita ao Chile, o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, disse nesta segunda-feira que Israel cometeu um ato de "terrorismo de Estado, "demonstrou que não quer a paz na região" e "violou a lei internacional".

O ministro de Defesa do Irã fez nesta segunda-feira um apelo à comunidade internacional para que cortem todas as relações com Israel após a morte de ativistas que levavam ajuda humanitária à faixa de Gaza a bordo de navios nesta segunda-feira.

Os Estados Unidos lamentaram a ação e indicaram que uma investigação deve apurar os detalhes da ação militar.

A Rússia considera que o ataque das tropas israelenses contra uma frota pró-palestina que levava ajuda humanitária à faixa de Gaza constitui uma "grosseira violação do direito internacional", segundo comunicado oficial divulgado nesta segunda-feira.


Fontes: FOLHA- TV Globo

Israel divulga vídeo com confronto em embarcação

Imagens mostram agressão de ativistas a militares israelenses

O Ministério da Defesa de Israel divulgou nesta segunda-feira (31) imagens da incursão a uma das embarcações que compunham a “frota da paz”, que rumava para a faixa de Gaza. O confronto entre ativistas e militares terminou em mortes, nove, de acordo com os israelenses, e 20, de acordo com ativistas.

As imagens mostram ativistas agredindo soldados israelenses. O vice-ministro das Relações Exteriores de Israel, Danny Ayalon, disse que os ativistas são conhecidos e tem ligações com grupos radicais islâmicos, como o Hamas (que chegou ao governo de Gaza após um golpe em 2006).

Ayalon disse que o obejtivo dos ativistas erar furar o bloqueio à faixa de Gaza. De qualquer forma, o fato gerou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas)

Relatos de ativistas divergem em relação ao que aconteceu. Eles dizem que os israelenses chegaram a agredir tripulantes que estavam dormindo.


O episódio trouxe críticas da comunidade internacional contra Israel e o Brasil, além de se manifestar na ONU, chamou o embaixador de Israel para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido. Uma brasileira, a cineasta Iara Lee, estava na frota. O senador brasileiro Eduardo Suplicy chegou a ser convidado para se integrar ao grupo.

Os governos de Chile e Argentina, além de França, também se pronunciaram sobre o episódio, mas a reação mais forte foi a da Turquia. Metade dos tripulantes da frota são turcos e o primeiro-ministro do país, Recep Tayyip Erdogan, interrompeu sua visita ao Chile para voltar a Ancara imediatamente.

Fontes: R7- REDE RECORD - Agências - IDF

Ataque à flotilha: fotos da ação e dos protestos

Cobertura fotográfica do ataque israelense e dos protestos contrários


Canal de TV turca mostra o momento em que tropas da marinha israelense invadiram o navio, que transportava ajuda humanitária para a faixa de Gaza, nesta segunda-feira (31). Entre dez e 19 pessoas morreram nos ataques, segundo diferentes fontes. A maioria dos cidadãos que estavam na frota são turcos/Reprodução TV/AFP

Tropas israelenses a bordo em um navio de carga que fazia parte da Esquadrilha da Liberdade, que transportava ajuda à faixa de Gaza. Militares sraelenses invadiram embarcações/Menahem Kahana/AFP

Barco israelense escolta um iate de ajuda à faixa de Gaza com soldados de Israel a bordo, após invasão a navio que levava auxílio a Gaza/Jack Rodriguez/AFP

Soltados israelenses prestam socorro a soldado ferido nos violentos confrontos de protesto, após militares de Israel terem atacado o comboio que levava ajuda à região da faixa de Gaza/AFP

Refugiados palestinos e ativistas de esquerda em frente à sede da ONU em Beirute, no Líbano, protestam contra o ataque israelense ao navio que levava ajuda humanitária a Gaza/Wael/EFE

Homens e mulheres carregam uma gigantesca bandeira turca durante manifestação contra Israel. Militantes libaneses e palestinos se reuniram em frente à sede da ONU em Beirute para protestarem contra os ataques de Israel, nesta segunda-feira (31)/Karim Sharif/Reuters

Palestinos carregam corpo falso envolvido em uma bandeira turca para protestar contra o ataque israelense a navios da Frota da Liberdade. Pessoas do mundo todo se revoltaram contra a ação/
Mohammed Abed/AFP

Estudantes turcos protestam nas ruas de Sarajevo, capital da Bósnia, contra o ataque de Israel. Diversos países e organizações internacionais condenaram a ação dos israelenses em águas internacionais/Elvis Barukcic/AFP

Centenas de turcos protestam em frente à embaixada israelense em Ancara, capital da Turquia. A manifestação foi contra o ataque a Israel ao grupo de navios da Frota da Liberdade/Adem Altan/ AFP

Palestinos carregam manifestante que foi ferido por objeto lançado pelos soldados israelenses, na Cisjordânia. Os manifestantes se reuniram em oposição ao ataque de Israel contra os navios de ajuda humanitária/AFP

Palestinos protestam com fotos do líder islâmico Sheikh Raed Salah contra o ataque aos navios da Frota da Liberdade/Hams Mahmud/AFP

Manifestantes paquistaneses queimam uma bandeira de Israel com o objetivo de protestar contra o ataque aos navios que transportavam ajuda para a faixa de Gaza/AFP

Manifestantes se reuniram em Londres para protestar contra os ataques israelenses/Carlos Souza/AFP

Em Paris, na França, manifestantes protestam com cartazes e imagens de pessoas feridas contra o ataque de Israel/Saget Joel/AFP

Polícia enfrenta protestos de pró-palestinos do lado de fora da embaixada de Israel em Atenas, na Grécia; protesto aconteceu por causa do ataque de Israel a “frota da paz”/AFP

Ativistas pró-palestinos passam pelo cordão de contensão da policia em frente a embaixada de Israel em Chipre; manifestação aconteceu por causa do ataque israelense à embarcação com ativistas humanitários/AFP

Fontes: R7 - Agências

Ações como esta não levam Israel à paz, diz Amorim sobre ataques

Governo pediu envio de um diplomata ao porto em busca de brasileira. Ministro de Relações Exteriores diz que governo brasileiro está ‘chocado’.


Ministro Celso Amorim (Foto: Marcello Casal Jr/ABr)

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, criticou nesta segunda-feira (31) o ataque das tropas israelenses a navios que tentavam levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Segundo ele, “não é com essas ações que Israel vai ter segurança”.


“É tendo a paz com seus vizinhos, paz com a Palestina, que os cidadãos israelenses terão a sua paz, que também tem que ser assegurada”, disse o ministro.

Amorim afirmou ainda estar preocupado com a cineasta e ativista brasileira Iara Lee, que estava em um dos navios durante o ataque de Israel. O ministro informou que pediu o deslocamento de um diplomata brasileiro ao porto onde as embarcações foram levadas para tentar localizar a jovem.

“Eu dei instruções à nossa embaixada para que enviasse um diplomata ao porto para onde foram levados os navios. O embaixador de Israel foi chamado ao Itamaraty não só para manifestarmos a indignação com o ato geral, mas também nossa preocupação com a brasileira”, disse o ministro. Em nota divulgada mais cedo, o Itamaraty informou que chamaria o embaixador israelense para que fosse “manifestada a indignação do governo brasileiro” como o ataque.

Amorim disse ainda que a presença da brasileira em um dos navios é uma evidência de que se tratava de uma ação humanitária, sem a presença de terroristas, como afirmou o governo de Israel ao justificar o uso da violência contra os ativistas. “Essa própria cidadã é uma ilustração, ela é uma cineasta, faz documentários, alguns ligados a meio ambiente, a sustentabilidade. Não se pode dizer que sejam terroristas perigosos”, disse.

O ministro se disse “chocado” com a atitude de violência dos militares israelenses e criticou o bloqueio a ajuda humanitária na Faixa de Gaza.

“Nós não poderíamos ter ficado mais chocados do que com um evento desse tipo. Eram pessoas pacíficas, não significavam nenhuma ameaça, e que estavam procurando realizar uma ação humanitária. Uma ação humanitária que não seria talvez nem necessária se terminasse o bloqueio a Gaza, que já está durando tanto tempo".

Fontes: G1 - Agências

Brasil convoca embaixador de Israel para falar sobre contronto com ativistas

Ministro das Relações Exteriores quer saber paradeiro de brasileira


Imagem da cineasta Iara Lee, retirada de um site de ONG da qual ela é uma das fundadoras/

O governo brasileiro convocou nesta segunda-feira (31) o embaixador de Israel no Brasil, Giora Becher, para manifestar indignação com o incidente contra a “frota da liberdade”. No comunicado, o Itamaraty também informou que comunicará sua preocupação com a cidadã brasileira que estava no grupo.

A “frota da liberdade”, organizada por várias ONGs e com apoio de governos como o turco, divulgou que pretendia chamar a atenção para o bloqueio marítimo à faixa de Gaza com uma ação na qual levavam mantimentos para o local.

A brasileira Iara Lee, cineasta, estava no grupo, que entrou em choque com as forças israelenses na madrugada desta segunda-feira. Os ativistas informaram que dez pessoas morreram devido ao episódio, enquanto o governo de Israel colocou que foram nove os mortos.

Israel havia comunicado que os ativistas não passariam pelo bloqueio e a chegada da frota foi adiada algumas vezes. Ontem, quando a frota comunicou um novo adiamento, informou que esperava que um grupo de eurodeputados se unissem ao grupo.

O governo brasileiro comunicou que recebeu a notícia da interceptação da “frota da liberdade” com “choque e consternação”. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, pediu que as autoridades israelenses informem imediatamente o paradeiro da brasileira.

Veja abaixo a nota na íntegra do ministério:

“Ataque israelense à "Flotilha da Liberdade"


Com choque e consternação, o governo brasileiro recebeu a notícia do ataque israelense a um dos barcos da flotilha que levava ajuda humanitária internacional à faixa de Gaza, do qual resultou a morte de mais de uma dezena de pessoas, além de ferimentos em outros integrantes.


O Brasil condena, em termos veementes, a ação israelense, uma vez que não há justificativa para intervenção militar em comboio pacífico, de caráter estritamente humanitário. O fato é agravado por ter ocorrido, segundo as informações disponíveis, em águas internacionais. O Brasil considera que o incidente deva ser objeto de investigação independente, que esclareça plenamente os fatos à luz do direito humanitário e do direito internacional como um todo.


Os trágicos resultados da operação militar israelense denotam, uma vez mais, a necessidade de que seja levantado, imediatamente, o bloqueio imposto à faixa de Gaza, com vistas a garantir a liberdade de locomoção de seus habitantes e o livre acesso de alimentos, remédios e bens de consumo àquela região.


Preocupa especialmente ao governo brasileiro a notícia de que uma brasileira, Iara Lee, estava numa das embarcações que compunha a flotilha humanitária. O ministro Celso Amorim, ao solidarizar-se com os familiares das vítimas do ataque, determinou que fossem tomadas providências imediatas para a localização da cidadã brasileira.


A Representante do Brasil junto à ONU [Organização das Nações Unidas] foi instruída a apoiar a convocação de reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir a operação militar israelense.


O embaixador de Israel no Brasil está sendo chamado ao Itamaraty para que seja manifestada a indignação do governo brasileiro com o incidente e a preocupação com a situação da cidadã brasileira.”

Fontes: R7 - AFP - AE

Ativistas relatam chegada de Israel à "frota da liberdade"

Autoridades israelenses dizem que os militares da frota iniciaram a violência

Ativistas que presenciaram a invasão à frota de ajuda humanitária que se dirigia a Gaza contaram que os soldados israelenses saltaram do helicóptero no barco turco Mavi Marmara e começaram a disparar no momento em que pisaram no convés.

Os testemunhos, obtidos em ligações telefônicas realizadas antes que estas fossem cortadas, contradizem a versão das autoridades israelenses, que culpam os militantes que iam a bordo da frota pelo início da violência.

Canal de TV turca mostra o momento em que tropas israelenses atacaram o navio da "frota da liberdade" que se dirigia à faixa de Gaza/Foto Reprodução/31.mai.2010/AFP

Leia abaixo o relato de um militar israelense.

Uma rede de televisão israelense informou que 19 passageiros foram mortos e outros 36 feridos. O Exército israelense contabilizou, por sua vez, nove mortos entre os ativistas e entre sete e dez soldados feridos, dois deles em estado grave.

"Dispararam diretamente contra a multidão de civis adormecidos", acusou o movimento Gaza Livre, organizador da "frota da liberdade", em um comunicado divulgado em seu site, após a invasão do Mavi Marmara, o barco-almirante turco do comboio.

O Mavi Marmara transportava centenas de pessoas, entre elas estavam parlamentares europeus.

A operação, qualificada de ato de pirataria pelos palestinos, ocorreu em águas internacionais, muito antes das 20 milhas que delimitam as águas territoriais da faixa de Gaza.

Uma das organizadoras, Greta Berlin disse que eles não conseguiram entrar em contato com ninguém que estivesse a bordo desde as 3h30 da manhã (21h30 em Brasília).

- A última mensagem que recebemos foi: Tudo está bem. Os barcos de guerra israelenses se encontram atrás de nossa popa, vamos dormir.

Um importante militar israelense disse que o Exército israelense lançou ataque às 4h (22h em Brasília) de três helicópteros apoiados por barcos.

Uma testemunha, o jornalista da televisão Al Jazira Abas Nasser, disse que teve que telefonar escondido e que centenas de soldados israelenses atacaram a Frota da Liberdade e os passageiros do barco estavam se comportando violentamente.


- O capitão de nosso barco está gravemente ferido e há outros dois feridos entre os passageiros, acrescentou, antes que a comunicação fosse cortada.

Em Mari Marmara, um líder islamita radical israelense, Raed Salah, foi gravemente ferido, segundo a televisão Al Aqsa, do grupo islamita palestino Hamas, que controla a faixa de Gaza.

O escritor sueco Henning Mankell também se encontrava no comboio humanitário, segundo a delegação sueca da organização.

Israelense dá outra versão de como ocorreu o confronto

Um membro dos comandos da Marinha israelense contou que sua unidade foi atacada assim que chegou ao barco.

- Eles nos atacaram com barras metálicas e facas. Em um certo momento, fomos alvo de disparos de balas reais.

Um soldado afirmou que havia cerca de 30 ativistas e que todos falavam árabe.

-Vários soldados foram expulsos do deque de cima para o de baixo e precisaram saltar na água para salvar suas vidas.

Um alto comandante militar israelense disse que eles estavam preparados para o ataque.

Imagens do barco turco divulgadas pelas redes de televisão internacionais e pela internet mostram militares israelenses vestidos de preto que saiam de helicópteros, assim como confrontos com ativistas pró-palestinos.

O ministro da Indústria e Comércio de Israel, Binyamin Ben Eliezer, lamentou as mortes pelo ataque.


- As imagens não são simpáticas, não posso mais que expressar meu pesar por todos os mortos.

Soldados israelenses se preparam para interceptar as embarcações que compõem a “frota da liberdade” nesta segunda-feira (31)/ Uriel Sinai/AFP

Saiba mais sobre a "frota da liberdade"

A "frota da liberdade", interceptada nesta segunda-feira (31) pela Marinha de Israel durante uma ação que deixou de nove a 20 mortos, de acordo com balanços contraditórios, é um comboio de seis barcos fretados por organizações pró-Palestina para levar ajuda à faixa de Gaza.

A frota é um comboio integrado por um barco almirante, o Mavi Marmara, que transporta em torno de 600 pessoas, dois buques carregados de ajuda humanitária e outros três buques menores. Três deles levam a bandeira turca, dois da Grécia e o último a dos Estados Unidos. Um sétimo barco de 1.200 toneladas, o Rachel Corrie, chamado assim em homenagem à militante americana morta por uma escavadeira em 2003 em Gaza, tinha partido da Irlanda para se unir ao comboio.

O comboio foi organizado pela Coalizão da Frota da Liberdade, que inclui o movimento Free Gaza, a Campanha Europeia para o Fim do Bloqueio a Gaza, a Organização Não Governamental (ONG) turca Insani Yardim Vakfi, a Organização Perdana para a Paz Mundial, as ONGs grega e sueca Barco para Gaza, e o Comitê Internacional para o Levantamento do Bloqueio a Gaza.

A iniciativa conta com mais de 700 participantes, em sua maior parte membros de ONG internacionais, militantes de diversas nacionalidades e religiões. Cerca de 50 nacionalidades estão representadas, mas a metade dos passageiros é turca. Várias personalidades políticas e religiosas , deputados europeus, escritores e jornalistas também estavam a bordo. Entre eles, estão o arcebispo católico grego de Jersualém, Hilarion Capucci, o líder islamita árabe-israelense xeque Raed Salá, e o correspondente da emissora de TV árabe Al Jazira, Abas Naser.

No entanto, a grande polêmica foi em relação à carga da frota. Os organizadores informaram que os barcos transportavam aproximadamente 10 mil toneladas de ajuda humanitária, incluindo ajuda médica, alimentos, roupas, casas pré-fabricadas, áreas de brinquedos para crianças, material escolar, barras de ferro e cimento. "A bordo não há sequer navalhas ou facas", afirmou um dos organizadores, destacando o aspecto pacífico da missão. Israel informou que também havia armas nas embarcações.

A missão do comboio era entregar sua carga à população da faixa de Gaza, onde vivem aproximadamente 1,5 milhão de pessoas, das quais 80% dependem da ajuda internacional. O território palestino se encontra sob estrito embargo israelense desde que o Hamas tomou o poder em Gaza, em junho de 2007. Cinco comboios desse tipo atracaram em Gaza desde que a campanha foi lançada, em agosto de 2008, e outros três foram interceptados pelas forças israelenses.

Contrariamente aos cinco anteriores, que levaram cargas bem mais simbólicas, o comboio que partiu no domingo era o primeiro a transportar ajuda importante e que tinha envergadura internacional.


Fontes: R7 - AFP

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