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Prêmio Nobel de literatura de 2010 vai para Mario Vargas Llosa

Academia Sueca destacou caráter político da obra do escritor peruano. Autor de 'Pantaleão e as visitadoras' venceu o Prêmio Cervantes em 1994.

O escritor Mario Vargas Llosa (Foto: AFP)

O prêmio Nobel de Literatura de 2010, divulgado nesta quinta-feira (7) às 8h (horário de Brasília), foi para o escritor peruano Mario Vargas Llosa, de 74 anos.

De acordo com a Academia Sueca, a escolha seu deu por conta da "cartografia das estruturas do poder e afiadas imagens de resistência, rebelião e derrota do indivíduo" que aparecem na obra de Llosa.

Peter Englund, presidente do júri de literatura do Nobel, afirmou que Vargas Llosa se disse "muito comovido e entusiasmado" ao saber do prêmio. O escritor, que está em Nova York, onde é professor visitante na Universidade de Princeton, contou a Englund que "tinha levantado às cinco da manhã para dar uma aula" e que quando recebeu a notícia já "trabalhava intensamente".

Llosa receberá um prêmio no valor de 10 milhões de coroas suecas (1,5 milhão de dólares). A cerimônia de premiação está marcada para o dia 10 de dezembro.

Autor de romances marcados por questões políticas e por vezes autobiográficas da América Latina como "A cidade e os cachorros", "Pantaleão e as visitadoras", "A festa do bode" e "Travessuras da menina má", Llosa já havia vencido, entre outros, o Prêmio Cervantes, o mais importante da literatura em língua espanhola, em 1994. O Brasil costuma ser tema de seus textos, sejam ensaios políticos ou romances, como "A guerra do fim do mundo", de 1981, inspirado na Guerra de Canudos.

'Supreso' com a notícia

Em declaração à rádio colombiana RCN nesta quinta, o escritor peruano afirmou que se surpreendeu com a escolha e disse que o prêmio é um reconhecimento à literatura latino-americana e em língua espanhola.

"Não pensava que estaria nem entre os candidatos", brincou o autor. "Por mim, vou seguir trabalhando com um sentimento de responsabilidade, como sempre fiz. Defendendo coisas que são fundamentais para o Peru, para a América Latina e o mundo. A liberdade e a democracia são o verdadeiro caminho do progresso, da verdadeira civilização, que acredito que seja o papel de um escritor defender", comentou Llosa à rádio.

Em mais de um século de existência do prêmio, Maio Vargas Llosa é apenas o sexto escritor latino-americano a receber um Nobel. Antes dele, foram premiados a escritora chilena Gabriela Mistral (1945), o guatemalteco Miguel Ángel Asturias (1967), o também chileno Pablo Neruda (1971), o colombiano Gabriel García Márquez (1982) e o mexicano Octavio Paz (1990).

O autor estará no Brasil na próxima quinta-feira (14), participando do evento Fronteiras do Pensamento, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

Candidato à presidência em 1990

Nascido em Arequipa, em 28 de março de 1936, Jorge Mario Pedro Vargas Llosa se formou em Letras e Direito pela Universidade Nacional Maior de São Marcos, em Lima. Antes de se tornar escritor, trabalhou como redator de notícias na extinta Rádio Central, funcionário de biblioteca e até revisor de nomes de túmulos de cemitério, segundo biografia em seu site oficial.

Em 1959, ganha uma bolsa de estudos e parte para uma temporada na Europa, onde se torna doutor em Filosofia e Letras pela Universidade de Madri, publica seu primeiro livro, a coletânea de contos "Os chefes" (1959), e escreve uma peça de teatro, "La huída del Inca".

Regressa em 1964 ao Peru e daí em diante volta a passar temporadas em diversos países, incluindo Cuba, Grécia, França, Inglaterra e Espanha - de onde recebe oficialmente a cidadania em 1993.

Conhecido por suas posições políticas consideradas de direita, Llosa se engajou no Movimento Liberdade peruano em 1987, que se opunha ao programa de estatização do então presidente Alan García Pérez.

Informado sobre a vitória no Nobel de seu antigo desafeto, García - que voltou à Presidência do Peru em 2006 - afirmou que o prêmio é "uma honra e um grande dia para o Peru". "Vargas Llosa é um extraordinário criador da linguagem, um grande romancista, um grande dramaturgo que tem incursionado em todos os cantos da criação", completou.

Além dos políticos do Peru, o escritor costuma disparar críticas contra líderes latino-americanos como Fidel Castro, Hugo Chávez, Álvaro Uribe e ao próprio presidente Lula.

Em 1990, lançou-se candidato à presidência do Peru pelo partido Frente Democrática-Fredemo, mas foi derrotado por Alberto Fujimori. Sua experiência na campanha foi relatada no livro de memórias "Peixe na água", lançado em 1993.

Outros premiados

No ano passado, a escritora romena radicada na Alemanha Herta Müller, 56, foi a vencedora do Prêmio. Em 2008, foi a vez do francês Jean-Marie Gustave Le Clézio e em 2007, Doris Lessing, nascida na Pérsia, mas que escreve em inglês.

O prêmio é escolhido pelos membros da academia sueca e dá um prêmio de 10 milhões de coroas suecas, algo como R$ 3 milhões, entregue em dezembro.

Durante o processo, os membros da academia enviam convites para centenas pessoas ligadas a literatura, como professores e escritores do mundo, para chegar aos candidatos. De uma lista inicial de 250 nomes, em cortes sucessivos, se chega a um segundo grupo, com 15 a 20 e, num terceiro, a cinco nomes. Os membros da academia leem as obras dos candidatos e discutem sobre quem deve ser o vencedor. Um pouco antes do anúncio, os membros da academia ligam para o vencedor.

Alfred Nobel, que fez fortuna ao inventar a dinamite, criou os prêmios para a paz, a literatura e várias ciências em seu testamento, em 1895. Os prêmios foram entregues pela primeira vez em 1901 e um prêmio adicional, para a economia, foi estabelecido em memória de Nobel, em 1968.


Fontes: G1 - TV Globo - Agências

Dentro da mente de um torturador

Natascha Kampusch, sequestrada aos 10 anos e mantida em um porão até os 18, lança livro no qual relata os horrores do longo cativeiro

É uma tarde gelada no fim de agosto, numa área não particularmente mozartiana de Viena. Natascha Kampusch está diante de mim no escritório do seu agente, e me estende a mão. À sua esquerda está o agente, Wolfgang Brunner, à direita seu tradutor, Jill Kreuer. Boca fechada, lábios apertados. Observo uma pequena mancha descolorida na pele da sua mão, resultado de uma ferida, provocada por uma surra que nunca sarou completamente.

Natascha durante entrevista sobre o lançamento de seu livro: pais divorciados, que antes do sequestro a espancavam e a insultava. Foto: Frank Bauer/The Guardian

Há 12 anos, quando tinha 10 anos, Natascha seguia para a escola (não era a primeira vez que sua mãe a deixava sair sozinha) quando percebeu um homem ao lado de uma perua de entregas. Parecia uma pessoa bem cuidada, conservadora. Ao passar por ele, foi agarrada e jogada para dentro do veículo.

Oito anos depois, em agosto de 2006, Natascha reapareceu milagrosamente, correndo aterrorizada pelas ruas de um subúrbio de Viena, pálida e magra, como uma criança de um conto dos Irmãos Grimm, fugindo das garras do monstro. Um público obcecado e assustado aguardava suas primeiras palavras. Que na verdade eram confusas e inquietantes e não tinham nada a ver com um conto de fadas.

"Choro por ele", ela disse, referindo-se ao seu sequestrador, Wolfgang Priklopil. A admiração transformou-se em indignação e confusão e ela começou a receber cartas de ódio. Assim, começou a escrever um livro de memórias, 3.096 Dias, explicando tudo. Trata-se de uma crônica intuitivamente brilhante dos seus anos de cativeiro.

Natascha tinha concordado em conversar comigo sobre o livro. Mas, ainda muito nervosa, seus lábios continuam colados. Olho ansiosamente para ela. Terei ido a Viena para me encontrar com uma pessoa psicologicamente incapaz de falar? Mas, para meu alivio, ela me diz: "Alô."

"Você tem dificuldade para falar a respeito?", pergunto. "É difícil", ela responde. "Então, por que aceitou?" Natascha diz: "Quero reivindicar minha interpretação dessa história."

Natascha nasceu num conjunto habitacional perto de Viena. "Estava acostumada a conviver com pessoas perturbadas", diz ela. "No meu bairro havia alcoólatras, pessoas com problemas mentais. Adoravam falar sobre teorias de conspiração. Pessoas fracassadas na vida."

Seus pais divorciados a espancavam e a insultavam. Aos 10 anos, era uma menina que comia compulsivamente, deprimida, só. Na verdade, nos seus últimos momentos de liberdade ela fantasiava um suicídio. Imaginava se atirando na frente de um carro e, depois, a mãe chorando.

Era o que estava sonhando acordada quando ia na direção do homem encostado na perua de entrega. "Como seus pais estão se sentindo com relação a esse livro?", é a minha pergunta. "Você é bastante honesta sobre a crueldade deles."

Uma pequena pausa. "Eles ainda não leram", diz ela. Mas, acrescenta que espera que o livro acabe com a impressão que as pessoas têm de que "minha mãe era uma pessoa brutal e passei um tempo melhor naquele calabouço". Por mais dura que fosse sua mãe, não se igualava a Priklopil.

Suas primeiras palavras para seu sequestrador quando se viu dentro do carro foram: "Que número de sapato você usa?", diz ela. "Qual era a sua idade, era casado, tinha filhos? Por que não tinha filhos?" Foi o que perguntei a ele." E por quê? "Sabia, porque no Aktenzeichen Xy...ungelost (programa de TV exibindo crimes reais ocorridos na Áustria) eles diziam que você precisa ter o máximo de informação possível sobre o criminoso." Ela sorri, lembrando da sua ingenuidade.

Primeiros dias. 

Ele a levou para sua casa, num bairro próspero da cidade chamado Strasshoff e colocou-a num minúsculo aposento no porão que, evidentemente, já vinha preparando havia um longo tempo. Ficava debaixo de um alçapão na garagem, a que se chegava descendo alguns degraus, passando por uma parede de concreto oca para o outro lado por uma pequena portinhola de metal, oculta detrás de um armário.

O local era tão secreto e fortificado que era preciso uma hora para chegar até ele. Um aposento de cinco metros por cinco, vazio, à prova de som, sem janelas e com o som irritante da vibração de um ventilador de plástico.

Ele mandou que ela tirasse sua mochila. Quando ela perguntou se poderia levá-la consigo, a resposta do homem foi alarmante: "Você pode ter um radiotransmissor escondido e usá-lo para pedir ajuda."

Uma alegação estranha e paranoica - crianças de 10 anos não costumam ter aparelhos de transmissão nas suas mochilas. Mas, diz ela, "estava acostumada com pessoas adultas fazendo e dizendo coisas estranhas que não entendia".

Ela pediu que ele a cobrisse, lesse uma história e lhe desse um beijo de boa-noite. E tudo isso ele fez alegremente.

No início, o relacionamento foi relativamente fácil. Ou, pelo menos tão fácil quando um está preso num calabouço e o outro tem de manter todo o local oculto do mundo exterior, incluindo a mãe e o melhor amigo, Ernst Holzapfel, que o visitavam regularmente. Ele levava para ela croissants e brinquedos caros, como um trenzinho completo. Como se fosse um mecanismo de defesa, ela regredia psicologicamente à idade de um bebê dependente.

Mas então as coisas começaram ficar estranhas. Os presentes se tornaram menos interessantes. "Ele começou a me trazer antissépticos bucais e fita adesiva", diz ela. "Mas eu ainda estava feliz em ganhar aqueles presentes. Ficava feliz sempre que ganhava algum presente, mesmo que fosse um suco de laranja."

Ele dizia que era um deus egípcio e ela decidiu que o mais fácil era aceitar o que ele dizia. "Às vezes quando ele me dava banho, eu me imaginava num spa. Quando me dava alguma coisa para comer, eu o imaginava um cavalheiro, que estava fazendo tudo aquilo para mim galantemente."

Nos anos de adolescência, submeter-se às vontade dele ficou mais difícil e ela começou a se rebelar. Por exemplo, recusava-se categoricamente a chamá-lo de "mestre".

"Achava aquilo ridículo e bobo", diz ela. "Mas esse era o comportamento que sempre tive desde a pré-escola. Por exemplo, um menino dizia "sou o presidente", ou "sou o rei". Eu respondia "ora, eu sou uma princesa e você tem de fazer tudo o que eu mandar". É uma espécie de megalomania."

Agora chegara então a vez de Priklopil adaptar-se à nova situação. Sua prisioneira não era mais tão dócil. Infelizmente, ele decidiu que a solução era desestruturá-la completamente para remodelá-la de novo.

"Ele queria mostrar cada vez mais que era mais forte do que eu, que eu tinha de obedecer sem questionar." E ele começou a espancá-la, constante e violentamente, negava-lhe comida e a mantinha no escuro por longos períodos. Instalou um interfone de modo que pudesse acordá-la no meio da noite, berrando insultos.

E ele era engenheiro na Siemens, daí suas habilidades técnicas.

"Quando comíamos juntos, ele sempre pegava uma porção muito maior", diz ela. "Estava consciente de que eu não tinha nenhum direito. Além disso, ele começou a me ver como uma pessoa que poderia fazer trabalhos pesados."

Ele começou a levá-la para o andar superior para limpar a casa. Ela tinha de fazer isso seminua, com o olhar abaixado. Só podia falar quando ele desse sua permissão, caso contrário apanhava. No livro, ela escreve que a única coisa sobre a qual não quer falar é sobre abusos sexuais, mas que estes eram insignificantes, e mesmo quando começou a algemá-la à sua cama, ele só queria ficar abraçado a ela. E ela diz que decidiu que sobreviveria por causa de um fato ocorrido quando tinha 12 anos.

Promessa. 

Como não havia adultos sadios, coerentes em sua existência, decidiu que se tornaria uma adulta. Numa visão vívida viu-se com 18 anos.

E disse à visão: "Prometo para você que vou sair daqui. Ainda sou muito pequena. Mas quando você fizer 18 anos, vai ter força para vencer o sequestrador e libertar-se desta prisão."

Os espancamentos continuaram nos seis anos seguintes. Às vezes, só conseguia evitá-los esmurrando o próprio rosto repetidamente, quase zombando, até que ele pedia que parasse.

Tentou o suicídio, cortando os pulsos com uma agulha de tricô aos 14 anos. No entanto, houve também momentos de ternura. Às vezes, ele pedia desculpas, comprava-lhe presentes, falava do seu sonho de ter uma vida com ela.

"Acho que ele realmente confiava em mim", afirma. "Comigo ele podia se comunicar, agir apesar da doença. Acho que queria criar seu pequeno mundo perfeito com uma pessoa que estaria lá somente para ele."

Ele a via como uma espécie de bela escrava ariana e uma companheira que o adorava. Contou-lhe que os judeus foram os responsáveis pelos atentados do 11 de Setembro, tingiu os cabelos dela de loiro e - depois de convencê-la de que qualquer tentativa de fuga significaria a morte para ela e para ele, e também para dezenas de outras pessoas - levou-a para esquiar. A jovem ariana esquiando ao seu lado numa montanha, "como se Leni Riefenstahl fosse a diretora do filme", ela ri.

Na realidade, ele saiu algumas vezes com ela, equivalentes a 13 dias ao todo, para a farmácia, uma loja de ferragens, mas principalmente para flats vazios para alugar que ele reformava para o seu amigo, Ernst Holzapfel. E a obrigava a fazer trabalho pesado. Ela estava apavorada demais para fugir, para falar qualquer coisa às pessoas que encontrava - como o farmacêutico, ou o policial que parou o carro em uma blitz.

Então, ela completou 18 anos. Nesse dia, olhou para ele e disse: "Você nos colocou numa situação da qual somente um poderá sair vivo. Eu realmente estou grata por você não me matar e por cuidar tão bem de mim. Foi muita bondade sua. Mas não pode me obrigar a ficar para sempre com você. Sou uma pessoa independente com necessidades próprias. Esta situação precisa acabar." Ela fechou os olhos esperando que a espancasse, mas não aconteceu nada.

Em vez disso, abriu os olhos e viu que ele tinha uma expressão triste, de derrota. "Acho que ele entendeu que eu tinha chegado ao fim das minhas forças, que tinha me levado àquele ponto extremo. Eu estava totalmente esgotada, mas de certo modo isso me deu forças renovadas. Ele não tinha mais nenhum argumento para contestar."

Momento decisivo. 

E então, poucas semanas mais tarde, ele a deixou sozinha no jardim por um momento, enquanto foi atender ao telefone, e ela simplesmente saiu pelo portão. Começou a correr, desesperadamente. Pediu às pessoas que passavam que a ajudassem, mas elas a ignoraram. Finalmente, encontrou alguém que se dispôs a chamar a polícia.

"Você acha que ele se resignou com a sua fuga?", pergunto. "É possível que ele previsse que isso iria acontecer", responde Natascha. "É possível que ele desejasse que isso acontecesse." Evidentemente, a situação deve ter ficado tremendamente difícil para ele com todo o estresse provocado por manter uma escrava secreta.

Priklopil foi falar com seu amigo Ernst Holzpfel. Ficaram rodando de carro por Viena durante três horas e ele confessou tudo. "Sou um sequestrador, um estuprador", contou. Então Holzapfel deixou-o sair do carro e Priklopil deitou-se nos trilhos da ferrovia até que um trem passou por cima de sua cabeça.

No início Natascha recebeu inúmeras ofertas de ajuda, algumas bem estranhas: "Você poderia morar comigo e me ajudar no trabalho da casa. Estou oferecendo casa, comida, salário. Embora seja casado, tenho a certeza de que podemos chegar a um acordo", disse uma destas pessoas.

Mas conta que as propostas pararam quando ela se recusou a fazer o papel da vítima - uma menina frágil precisando de ajuda - e tentou explicar aos entrevistadores as nuances da sua relação com o engenheiro.

Não era bem essa a história que as pessoas queriam ouvir, e assim acharam que ela sofria da Síndrome de Estocolmo - um rótulo, afirma, que pretendia negar-lhe sua capacidade de julgar sua própria experiência.

"Acho muito natural que alguém procure conhecer o seu sequestrador", ela diz. "Principalmente se você passa muito tempo com essa pessoa. É uma questão de empatia, de comunicação. Procurar a normalidade no quadro de um crime não é uma síndrome. É uma estratégia de sobrevivência." Ela para. "Mas as pessoas ficam entediadas quando falo isso. Algumas afirmam que eu deveria ser trancafiada de novo, que não há nada de especial no fato de ter sido trancada daquele jeito, que eu gostava daquilo, que aquilo foi bom para mim."

Natascha comprou a casa de Strasshof para impedir que se tornasse um santuário de fanáticos insanos. Acha a sua fama "entediante e incômoda".

"Sabia, quando estava no calabouço, que a história me tornaria famosa, mas pensava que seria uma experiência mais positiva, como ganhar a Olimpíada. Você está nas manchetes, as pessoas a admiram, e então acaba e fim. Nunca imaginei que encontraria tantas pessoas desagradavelmente curiosas que se recusam a manter distância de mim, pessoas sem educação. Também tive vários complexos, portanto ser uma pessoa conhecida só aumenta o incômodo."

"Que tipo de complexos?" pergunto. "Inseguranças. Por que as pessoas olham de maneira tão estranha para mim e me tratam de um modo tão curioso? Então me lembro: Ah, sim! As pessoas me reconhecem."

Inesperadamente, ela se torna a âncora de um programa de entrevistas na TV. "Sempre quis entrevistar pessoas", fala. "Quando estava no cativeiro, ouvia o rádio e admirava os entrevistadores." Para e sorri. "E com certeza aprendi a conversar com as pessoas. Fui obrigada a ouvi-lo, e acho que isso foi muito positivo, porque muitas pessoas da minha idade não conseguem apenas ficar ouvindo."

"Deve ter sido uma boa lição sobre a natureza humana", digo. "Então vai querer ser jornalista?", pergunto. "Psicóloga", responde. "Embora antes, meu desejo era aprender duas profissões: de ferreiro e de sapateiro."

"Tudo o que uma moça deseja na vida", diz seu agente do outro lado da mesa.

Pergunto se ela tem flashbacks. Encolhe os ombros. "Não esqueço de tudo isso, mas agora não é importante. Quero viver o momento. Mas às vezes, sim, tenho flashbacks."

Pergunto para ela: "O que traz estas lembranças para o presente?"

"Quando estou preocupada com uma situação em que alguém age de maneira semelhante. Como na minha vida privada. Vejo homens maltratando mulheres e agirem de modo possessivo com elas. Tenho flashbacks se as pessoas tentam me fazer comer quando não tenho fome. Na prisão, ele me tirava a comida, mas quando elas fazem o contrário, isto me tira a minha dignidade."

"Por acaso pergunta a estas pessoas por que estão agindo como o sequestrador?", eu pergunto. "Às vezes", responde. "Isso faz com que elas parem?" "Sim", responde ela sorrindo.

Obra. 

E agora vamos ao livro de memórias. Por acaso, tentar penetrar na mente dele a ajudou do ponto de vista psicológico? "Gosto muito de fazer isso", responde. "Na realidade, provavelmente gosto até demais, e é por isso que procurei um terapeuta. Gosto de me colocar no lugar das pessoas e procurar sentir o que elas sentem. Por exemplo, se estou apaixonada por alguém, penso constantemente: "Por que ele disse aquilo daquele modo? Ele queria dizer aquilo mesmo? O que aconteceu na sua infância? Por que ele agiu daquela maneira?""

"Evidentemente, no caso do seu sequestrador, você tenta penetrar em uma mente que está completamente confusa e desordenada", digo. "Mas ele confiava em mim. Era capaz de abrir-se comigo e mostrar-me suas ideias e visões, embora fossem visões e ideias doentias."

Para, e daí a pouco continua. "Não quero fazer psicologia de programa de entrevistas, mas acho que tudo isto aconteceu porque ele era conservador demais por fora, excessivamente conformado e conformista, e acho que foi por isso que cometeu o crime. Ele tinha algo como uma fronteira entre o que a sociedade permitia e os seus desejos pessoais, e foi incapaz de conciliar as duas coisas". E depois - cansada de falar sobre tudo aquilo - ela toca uma música do seu iPhone para o pessoal que está na sala e borrifa um pouco do seu novo perfume no ar.

Leia também:

Cronologia: Oito anos de cativeiro
Gilles Lapouge: Desejo de escravizar

Fontes: FRANK BAUER/THE GUARDIAN - O Estado de S.Paulo

Salman Rushdie chega ao Brasil para lançar novo livro

Rushdie também prepara livro de memórias para 2012. Na década de 90, escritor foi jurado de morte pelo líder aiatolá Khomeini.

Salman Rushdie/Imagem: Reprodução TV Globo

Livre e solto, sem guarda-costas, lançando um livro cheio de magia. É este Salman Rushdie que desembarcou num dia de sol no rio. Muito diferente da vida que ele levou no início dos anos 90, quando o livro 'Versos Satânicos' despertou a ira do aiatolá Khomeini, líder religioso, que ordenou a execução do escritor, acusado de blasfêmia

Em sua quarta viagem ao Brasil o escritor revelou que está trabalhando agora num livro de memórias . Ele disse que vai contar segredos sobre o período em que precisou de proteção da polícia inglesa e vivia se escondendo.


“Eu acho que é finalmente a hora de contar esta história. Eu queria esperar até conseguir ter uma objetividade apropriada e uma distância deste material para que eu pudesse me aproximar dele da forma certa”, comenta Rushdie.

A autobiografia só ficará pronta em 2012. O livro Luka e o fogo da vida, que ele lança esta semana no Brasil, mistura mitologia e videogame.

“Se você vai para este mundo de imaginação, onde Luka tem que ir para o mundo da mágica para encontrar o fogo da vida e resgatar o seu pai. E eu pensei que o mundo da mágica precisava ter estrutura , uma forma . Você tem que conquistar uma etapa de dificuldades e além desta fase, há uma com mais dificuldades e depois, mais ainda. Esta estrutura das fases dos videogames é também encontrada nas histórias clássicas. Então foi até fácil colocar as duas coisas juntas”, conta o escritor.

Salman Rushdie, que evitava este assunto, agora volta a falar sobre o período de perseguição.

“Quase todos os anos eu sabia do plano de um atentado sério. Mas é claro que não se tratava apenas de mim, aconteceram ataques a outras pessoas, o tradutor japonês foi infelizmente assassinado, o tradutor italiano foi seriamente atacado, o editor norueguês do livro foi baleado, e felizmente, sobreviveu. Aconteceram ataques muito sérios e ameaças. Então foi um problema maior, de natureza global. E o interessante é que grande parte desta história nunca foi contada. Muito do que aconteceu, as pessoas não sabem. É um mistério. É hora de revelar este mistério”, diz.

Rushdie não teme em trazer este assunto à tona, de ter reações de radicais. Para ele, não há um preço pela sua cabeça.

“Eu tenho vivido normalmente por um longo período, mais de uma década. O mundo não para, os assuntos mudam, vivemos num mundo em que os assuntos mudam rapidamente. Então, é um momento diferente do mundo. Agora eu sou apenas um escritor”, conclui.



Fontes: G1 - TV Globo

Centenas de animais marinhos surgem mortos em praias de SP

Mais de 200 foram localizados na Baixada Santista e no litoral Sul. Só neste sábado, 120 pinguins apareceram sem vida em Peruíbe.

Mais de 200 animais marinhos foram encontrados mortos nas areias das praias da Baixada Santista e Litoral Sul de São Paulo entre sexta-feira (16) e sábado (17).

Só neste sábado foram encontrados mais de 120 pinguins, três tartarugas e outras cinco aves marinhas em Peruíbe. Outros 22 animais foram achados mortos em Praia Grande. Técnicos investigam a causa da mortandade, que pode estar ligada à frente fria associadas a correntes marítimas.

Animais marinhos mortos/Reprodução TV Globo

Um dia antes, 56 pinguins, três tartarugas e um golfinho foram recolhidos sem vida em Praia Grande. Apenas uma tartaruga sobreviveu e foi encaminhada para o Aquário de Santos.

Em Iguape, no Litoral Sul, os que conseguem sobreviver recebem o atendimento da Polícia Ambiental. Biólogos e técnicos fizeram o reconhecimento das espécies. Os pesquisadores vão encaminhar alguns animais para a Universidade de São Paulo, onde serão feitos estudos para identificar a causa do número elevado de mortes.



Fontes: G1- TV Globo

Corpo de José Saramago chega a Lisboa acompanhado por mulher e filha

Cerca de 200 pessoas aguardavam o caixão do Nobel de Literatura. Escritor morreu na véspera, aos 87 anos, em Lanzarote, na Espanha.

O escritor José Saramago e a sua mulher, Pilar Del Río; português morreu em sua casa nesta sexta-feira, aos 87 anos/Martínez de Cripán/EFE

O corpo do escritor português José Saramago, morto na véspera aos 87 anos, chegou por volta das 14h40 locais deste sábado (19) (10h40 de Brasília) à Câmara Municipal de Lisboa, onde será velado até domingo no salão nobre.

O caixão estava coberto por uma bandeira de Portugal. As cerca de 200 pessoas que aguardavam o momento aplaudiram quando ele foi levado para o interior do edifício.

Militares carregam caixão com corpo de José Saramago na chegada ao local do velório neste sábado (19) em Lisboa. (Foto: Vitor Sorano/Especial para o G1, em Lisboa)

A mulher de Saramago, a jornalista Pilar del Río, acompanhou o corpo do marido, junto com parentes e amigos. Estavam presentes o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (equivalente ao prefeito no Brasil), António Costa, os membros do Partido Comunista Português (do qual Saramago foi filiado) Jerónimo de Sousa e Ruben de Carvalho, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, além de outras autoridades.

O governo português decretou luto oficial de dois dias pela morte de Saramago. O prefeito de Lisboa, Antonio Costa, declarou que é um "orgulho para a cidade receber mais uma vez Saramago.

Ele lembrou em comunicado que Lisboa foi "uma causa que Saramago abraçou" quando presidiu a assembleia municipal em 1990 e assegurou que seu "legado é inestimável".

Faixa na Câmara de Lisboa (Foto: Vitor Sorano/G1)

O corpo de Saramago chegou ao aeroporto de Figo Maduro, nos arredores da capital, em um avião da Força Aérea Portuguesa.

O funeral está previsto para ir até a meia-noite. No domingo, a cerimônia será retomada às 9h e segue até as 11h. O público poderá entrar, mas a família pode decidir quando fechar as portas.

Depois, o corpo será cremado. Parte das cinzas deve ficar em Azinhaga do Ribatejo, onde o escritor nasceu e o restante deve seguir para Lanzarote, nas Ilhas Canárias, onde ele vivia com a esposa, a jornalista e tradutora Pilar del Río.

A Câmara de Lisboa ainda não tem estimativa de quantos visitantes deverão passar pelo funeral. Um policial estima o número em "milhares". A escritora Nélida Piñon, que está na Espanha, representará a Academia Brasileira de Letras na homenagem ao escritor.

Na sexta, o corpo de Saramago foi velado em uma biblioteca que leva o seu nome na cidade de Tías, em Lanzarote. O prefeito de Tías, José Juan Cruz, decretou três dias de luto pelo escritor de "Ensaio sobre a cegueira", que estava com 87 anos e sofria de leucemia e problemas respiratórios.

Expectativa é de um grande público para o velório do escritor José Saramago na capital portuguesa (Foto: Vitor Sorano Pereira/G1)

A igreja perde um crítico

José Saramago pelas lentes do fotógrafo Sebastião Salgado, que lamentou a perda:'Ele sempre foi um militante, comprometido com as causas sociais'

A notícia da morte de José Saramago repercutiu imediatamente em todo o mundo, inclusive entre representantes da Igreja Católica em Portugal, com quem o escritor mantinha uma relação conturbada por abordar de forma polêmica temas religiosos em obras como "O evangelho segundo Jesus Cristo", de 1991, e "Caim", seu romance mais recente, de 2009.

O diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Conferência Episcopal Portuguesa, Padre José Tolentino, e o porta-voz da conferência, Padre Manuel Morujão, disseram que o país perde um "expoente" e que a igreja perde um crítico com o qual soube dialogar constantemente. "Seja como for, o diálogo nunca foi cortado e sempre foi possível", disse padre Manuel Morujão, sobre o escritor, que se declarava um ateu.


"[Saramago] combatia as religiões com fúria, dizia que elas nos embaçam nossa visão. Mesmo assim não consigo deixar de pensar que adoraria que neste momento ele estivesse tendo que dar o braço a torcer ao ser surpreendido por algum outro tipo de vida depois desta que teve por aqui", declarou o cineasta brasileiro Fernando Meirelles, que adaptou "Ensaio sobre a cegueira" para o cinema em 2008.

Leucemia e problemas respiratórios

Segundo sua mulher, Saramago passou mal após tomar o café da manhã e recebeu auxílio médico, mas não resistiu e morreu. Ele sofria de leucemia e, nos últimos anos, havia sido hospitalizado em várias oportunidades devido a problemas respiratórios.

"Hoje, sexta-feira, 18 de junho, José Saramago faleceu às 12h30 horas [horário local] na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila", diz uma nota assinada pela Fundação José Saramago e publicada na página do escritor na internet.

O escritor vivia na ilha de Lanzarote, nas Canárias, desde 1993 com sua esposa, com quem se casou aos 63 anos.

Fontes: G1/ Vitor Sorano

Veja a repercussão da morte do escritor português José Saramago

Prêmio Nobel e autor de 'Ensaio sobre a cegueira' morreu aos 87 anos. 'Sua morte foi uma grande perda para a literatura mundial', diz Moacyr Scliar.

A morte do escritor português José Saramago, nesta sexta-feira (18), aos 87 anos, mexeu com colegas de profissão e admiradores famosos. O escritor Moacyr Scliar, membro da Academia Brasileira de Letras, foi um dos que prestou uma última homenagem ao Prêmio Nobel de Literatura.



Depoimentos

Moacyr Scliar, escritor:
"Eu recebi com muito pesar a notícia da morte do Saramago, de quem eu era leitor, admirador e colega na Academia Brasileira de Letras, local em que ele foi eleito membro correspondente mas não chegou a tomar posse. Fui muito amigo dele, convivi com ele quando ele visitou Porto Alegre. Sua morte foi uma grande perda para a literatura de lingua portuguesa e também para a literautura mundial."


Luiz Schwarcz, editor no Brasil e amigo de Saramago:
"No Brasil, o lançamento de 'Jangada de pedra' foi uma festa interminável. Filas enormes na livraria Timbre e a efusão de beijos e abraços no escritor fizeram-no exclamar, 'Luiz, esta gente quer me matar de amor'. Daí para frente, esse amor dos brasileiros por José Saramago só cresceu, suas visitas se tornaram mais frequentes, e vários dos últimos livros lhe ocorreram em viagens pelo país, nas quais estávamos juntos. (...) Agora só quero me despedir mais uma vez de José. Com as melhores lembranças, o amor, e minha saudade. Maldita palavra, tão portuguesa, que agora ficará associada ao meu amigo. Mas saudade não tem remédio, não é, José?" (texto integral aqui).

Zeferino Coelho, editor das obras de Saramago em Portugal:
“Saramago deixou um monumento literário imponente. Do ponto de vista de Portugal, podemos comparar sua obra com a de Fernando Pessoa. Saramago sempre teve linhas próprias. Não há diferença entre o Saramago escritor e o cidadão.”


Juca Ferreira, ministro da Cultura:
“A sua perda é recebida com muita tristeza, particularmente pelos que têm apreço pela língua portuguesa e por sua importância cultural em tantos continentes. O Ministério da Cultura do Brasil se soma aos que lamentam e manifestam a dor pela perda desse grande escritor.”

Fotógrafo Sebastião Salgado:
"O Saramago foi um amigo, uma pessoa que eu respeitava demais. Fizemos muitas coisas juntos, inclusive o livro 'Terra', que foi lançado no Brasil (...) Ele sempre foi um militante, um homem de esquerda, comprometido com todas as causas sociais, principalmente de Portugal e do Brasil. Sinto profundamente. É uma perda muito grande."


Nicole Witt, agente internacional de José Saramago nos últimos três anos:
"Para nós é uma notícia muito triste porque sentimos o Saramago muito próximo. Tanto por sua obra, como por sua orientação. Foi um amigo de muitos anos. De corpo ele estava bastante frágil, mas, ao mesmo tempo, tinha muita serenidade, sempre nas mãos de sua mulher Pillar.”


Sérgio Rodrigues, escritor:
"A língua portuguesa perde um grande mestre. É chato saber que, como vem ocorrendo há anos, muita gente voltará a se lembrar agora de Saramago apenas por suas posições políticas meio extemporâneas ou por simples oposição a Lobo Antunes, que seria este sim o verdadeiro bambambã, nesse Fla x Flu besta da literatura portuguesa. Em tempos midiáticos, é isso que dá audiência e permite a qualquer um entrar na conversa, conhecendo ou não a obra dele. Mas é chato porque Saramago é um escritor estupendo, dono de uma prosa bela e viciante e de uma voz narrativa só dele, situada a meio caminho entre o realista, o alegórico e o satírico, com algo de atemporalidade mítica. Incomparavelmente mais acessível que Lobo Antunes, é verdade - mas só os pedantes igualam acessibilidade a inferioridade estética."

Cecilia Giannetti, escritora:
Entrevistei Saramago em 2004 e guardo dessa conversa (...) duas frases dele que ainda me dizem muito (...): 'Eu não sou pessimista, o mundo é que é péssimo.' (...) 'Encaremos os fatos e decidamos que papel queremos desempenhar na tragédia do mundo'. Me pareceu um homem cansado de injustiças, sim, mas também da falta de iniciativa, ação de quem - indivíduo ou povo, como um todo - apenas se recolhe e vitimiza. 'Ensaio sobre a lucidez' é um excelente livro para nós, brasileiros, lermos em ano de eleições. Saramago se faz presente aqui."


João Paulo Cuenca, escritor:
"'O ano da morte de Ricardo Reis' é um dos melhores livros escritos na língua portuguesa. (....) Adoro também o último livro dele, 'Caim', por causa do vigor e do senso de humor. Imagino que agora, com a sua morte, esteja se repetindo a cena final do livro, com Saramago pedindo para Deus prestar contas."

Ivana Arruda Leite, escritora:
"Comecei por um livro de contos pouco conhecido chamado 'Objecto Quase'. Genial. Dentre os romances, o meu preferido é 'O Evangelho segundo Jesus Cristo', o relato mais apaixonante de Jesus Cristo já feito na literatura."


Arthur Dapieve, escritor e jornalista:
"Acho que a riqueza da prosa do Saramago de certa forma deu um novo status à língua portuguesa. O Nobel foi apenas um reconhecimento a isso. Nosso idioma ainda é muito subestimado, claro, mas ele foi fundamental para ao menos o português sair do ostracismo. Além disso, ele estabeleceu novos desafios para quem quer que se disponha a escrever bem no nosso idioma."


Fábio Fernandes, escritor e tradutor:
"Dizer que Saramago foi um dos maiores escritores da língua portuguesa vai ser, claro, a frase-clichê do ano. Porque é verdade. Mas as provas estão aí, para quem tiver olhos de ler: "Ensaio sobre a cegueira", "História do cerco de Lisboa", "A jangada de pedra", "Memorial do convento"... a lista é imensa, e certamente cada um terá seu favorito. Eu tenho vários. Hoje mesmo vou tirar um livro de Saramago da estante e reler. Se as lágrimas deixarem."


Cassiano Elek Machado, editor:
"Questionei-o em uma entrevista sobre a questão da morte, da idade, ele me falou uma frase sobre a velhice, em 2005. ‘Pela idade, há muito tempo que sou um velho. Mas só pela idade. Trabalho com a mesma vontade de sempre, a imaginação ainda não desertou de mim, compreendo melhor o mundo em que vivo, sou consciente do valor da vida, e, quanto à morte, ela chegará no seu dia, nem antes nem depois. Quem morre aos 20 anos, morre na sua velhice e não o sabia. Pense

Veja repercussão da morte de Saramago na imprensa internacional

A imprensa internacional noticia nesta sexta-feira (18) a morte do escritor português José Saramago. Os jornais porugueses 'Correio da manhã' e 'Diário de notícias' trazem a biografia do autor de 'Ensaio sobre a cegueira' em suas capas de sites. O espanhol 'El País' também deu destaque para o fato, dizendo que a obra do Saramago foi marcada pela união de preocupação social e com uma exigencia estética.

O site do jornal português 'Publico' destacou a morte do escritor nesta sexta (18) (Foto: Reprodução/Publico)

O jornal americano 'New York Times' destaca o estilo "austero e seco" do português, "que descrevia a globalização como o novo totalitarismo e lamentava a impotência da nova democracia para evitar que as coorporações internacionais ganhassem mais poderes".

Os sites dos jornais ingleses 'Daily Mail', "Guardian' e 'Independent' não deram nenhum destaque para morte do escritor. Os franceses 'Le Monde' e 'Le Figaro' também não noticiaram o tema em suas capas de sites.

O diário italiano 'Corriere della Sera' destacou em seu site a morte do escritor português; no título: 'Adeus a Saramago, o escritor incômodo' (Foto: Reprodução / Corriere della Sera)

O site do jornal 'El País' trazia na manhã desta sexta a notícia da morte de Saramago na capa (Foto: Reprodução/El País)

Veja também:



Fontes: G1 - TV Globo - Agências

Saramago estreou na literatura em 1947 e foi reconhecido nos anos 1980

Escritor português ganhou o Nobel de Literatura em 1998. Consciente da idade, ele produziu com frequência nos últimos anos.

Prêmio Nobel de Literatura de 1998, o português José Saramago, morto nesta quinta-feira aos 87 anos, nasceu em 16 de novembro de 1922, na pequena aldeia portuguesa de Azinhaga, no Ribatejo.

Sua família, de origem humilde, mudou-se para Lisboa, capital de Portugal, quando ele tinha dois anos. Mas ele nunca romperia os laços com a cidade natal.

Aluno brilhante, ele teve de abandonar o ensino secundário por causa da falta de recursos de seus pais Antes de se dedicar plenamente à literatura, ele foi serralheiro, mecânico, editor e jornalista.

Ele publicou seu primeiro romance, "Terra do pecado", em 1947. Em 1969, sob a ditadura salazarista, ele filiou-se ao Partido Comunista português.

Depois de 47, ele ficou quase 20 anos sem publicar, argumentando que "não tinha nada a dizer".

Entre 1966 e 1975, publicou poesia, apesar de depois ter dito mais tarde que se considerava apenas um "bom poeta". Em 1977, publicou o romance "Manual de pintura e caligrafia".

Mas o reconhecimento mundial só chegou com "Memorial do convento", de 1982, a que se seguiu "O ano da morte de Ricardo Reis", dois anos depois.

Seu romance "O Evangelho segundo Jesus Cristo", de 1991, provocou polêmica com a Igreja Católica e foi proibido em Portugal em 1992.

Um ano depois disso, ele decidiu se mudar para a ilha de Lanzarote, no arquipélago espanhol das Canárias, onde ficou até morrer, sempre acompanhado pela sua segunda mulher, a jornalista e tradutora espanhola Pilar del Río.

Em 1995, ganhou o Prêmio Camões pelo conjunto da obra e publicou "Ensaio sobre a cegueira", que ganharia versão cinematográfica, dirigida pelo brasileiro Fernando Meirelles, em 2008.

O escritor português, durante visita ao Brasil, em 2008 (Foto: Mauricio Lima)

Em 1998, ele ganhou o Nobel de Literatura. Na justificativa da premiação, a academia afirmou que o português criou uma obra em que, "mediante parábolas sustentadas com imaginação, compaixão e ironia, nos permite captar uma realidade fugitiva".

Nos últimos anos, ele produziu com frequência, consciente de sua idade avançada e de que "tinha ainda algo a dizer".

Seu último romance foi "Caim", de 2009.

Ele planejava um romance sobre a indústria armamentista e o fato de que este setor da economia não tem greves, como disse em entrevistas no lançamento de "Caim", em novembro de 2009.

Mais Informações

O escritor português José Saramago morreu aos 87 anos em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, nesta sexta-feira (18). A informação foi divulgada pela família do escritor de "Ensaio sobre a cegueira" e confirmada em seu site oficial.

"Hoje, sexta-feira, 18 de junho, José Saramago faleceu às 12h30 horas [horário local] na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila", diz uma nota assinada pela Fundação José Saramago e publicada na página do escritor na internet.

O autor de "O evangelho segundo Jesus Cristo" e "Ensaio sobre a cegueira" vivia em Lanzarote desde 1993 com sua esposa, a jornalista Pilar del Río. Nos últimos anos foi hospitalizado em várias oportunidades, principalmente devido a problemas respiratórios.

Expoente da literatura mundial

O escritor português era um dos maiores nomes da literatura contemporânea e vencedor de um prêmio Nobel de Literatura no ano de 1998 e de um prêmio Camões - a mais importante condecoração da língua portuguesa.

Entre seus livros mais conhecidos estão "Memorial do convento", "O ano da morte de Ricardo Reis", "O Evangelho segundo Jesus Cristo", "A jangada de pedra" e "A viagem do elefante". O mais recente romance publicado pelo escritor foi "Caim", de 2009. Seu estilo de escrita era caracterizado pelos parágrafos muito longos e escassez de pontuações.

"Ensaio sobre a cegueira", que conta a história de uma epidemia branca que cega as pessoas, metáfora da cegueira social, foi levado às telas em um produção hollywoodiana filmada pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles (de "Cidade de Deus") em 2008. O autor, normalmente avesso a adaptações de suas obras, aprovou o trabalho de Meirelles.

Saramago era considerado como o criador de um dos universos literários mais pessoais e sólidos do século XX e uniu a atividade de escritor com a de homem crítico da sociedade, denunciando injustiças e se pronunciando sobre conflitos políticos de sua época. Em 1997, escreveu a introdução para o livro de fotos "Terra", em que o fotógrafo Sebastião Salgado retratava a rotina do movimento dos sem-terra no Brasil.

Biografia

Prêmio Nobel de Literatura de 1998, o português José Saramago nasceu em 16 de novembro de 1922, na pequena aldeia portuguesa de Azinhaga, no Ribatejo, região central do país. José de Sousa era conhecido pelo apelido de sua família paterna, Saramago, que o funcionário do Registro Civil acrescentou após seu nascimento.

Sua família mudou-se para Lisboa quando José tinha dois anos. Aluno brilhante, ele teve de abandonar o ensino secundário aos 12 anos, por causa da falta de recursos de seus pais.

Ateu, cético e pessimista, Saramago sempre teve atuação política marcante e levantava a voz contra as injustiças, a religião constituída e os grandes poderes econômicos, que ele via como grandes doenças de seu tempo.

"Estamos afundados na merda do mundo e não se pode ser otimista. O otimista, ou é estúpido, ou insensível ou milionário", disse em dezembro de 2008, durante apresentação em Madri de "As Pequenas Memórias", obra em que recorda sua infância entre os 5 e 14 anos.

Saramago: romance 'O Evangelho segundo Jesus Cristo' gerou polêmica com Igreja Católica. (Foto: AFP)

Filiado ao Partido Comunista português

Autodescrito como um "comunista libertário", ele também provocou polêmica ao chamar a Bíblia de "manual de maus costumes". Ao longo de seis décadas de carreira literária, publicou cerca de 30 obras, entre romances, poesia, ensaios, memórias e teatro.

Saramago publicou seu primeiro romance, "Terra do pecado", em 1947. Em 1969, sob a ditadura salazarista, ele filiou-se ao Partido Comunista português. Depois de 47, ele ficou quase 20 anos sem publicar, argumentando que "não tinha nada a dizer". Na época, teve empregos públicos e trabalhou como editor e jornalista.

Entre 1966 e 1975, publicou poesia: "Os Poemas Possíveis", "Provavelmente alegria" e "O ano de 1993". Em 1977, publicou o romance "Manual de pintura e caligrafia". Depois, vieram os contos de "Objeto quase" (1978) e a peça "A noite" (1979).

Mas o reconhecimento mundial só chegou com "Memorial do convento", de 1982, a que se seguiu "O ano da morte de Ricardo Reis", dois anos depois. Os dois romances receberam o prêmio do PEN Clube Português.

Nobel e Camões ao desafeto da Igreja

Seu romance "O Evangelho segundo Jesus Cristo", de 1991, provocou polêmica com a Igreja Católica e foi proibido em Portugal em 1992.

O romance mostrava um Jesus humano, com dúvidas, fraquezas e conversando com um Deus cruel. Em um dos episódios, Jesus perdia sua virgindade com Maria Madalena.

Um ano depois disso, ele decidiu se mudar para a ilha de Lanzarote, no arquipélago espanhol das Canárias, onde ficou até morrer, sempre acompanhado pela sua segunda mulher, a jornalista e tradutora espanhola Pilar del Río.


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Em 1995, ganhou o Prêmio Camões pelo conjunto da obra e publicou "Ensaio sobre a cegueira", que ganharia versão cinematográfica, dirigida pelo brasileiro Fernando Meirelles, em 2008.

Em 1998, ele ganhou o Nobel de Literatura. Na justificativa da premiação, a academia afirmou que o português criou uma obra em que, "mediante parábolas sustentadas com imaginação, compaixão e ironia, nos permite captar uma realidade fugitiva".

Seu último romance foi "Caim", de 2009, também bastante criticado pela Igreja Católica por conta de sua visão pouco ortodoxa do Velho Testamento.


Fontes: G1 - Agências

Morre, aos 87, o escritor português José Saramago

Autor de 'Ensaio sobre a cegueira' morreu nesta sexta nas Ilhas Canárias. Informação foi passada à agência de notícias EFE pela família do escritor

O autor José Saramago, morto aos 87 anos nesta sexta-feira (18), em foto novembro de 2009 (Foto: AFP)

O escritor português José Saramago morreu aos 87 anos em sua casa em Lanzarota, nas Ilhas Canárias, nesta sexta-feira (18).

A informação foi passada à agência de notícias EFE pela família do escritor de "Ensaio sobre a cegueira".

O escritor português era um dos maiores nomes da literatura contemporânea e vencedor de um prêmio Nobel de Literatura.

O autor era tido como o criador de um dos universos literários mais pessoais e sólidos do século XX e uniu a atividade de escritor com a de homem crítico da sociedade, denunciando injustiças e se pronunciando sobre conflitos políticos de sua época.

Entre seus livros mais conhecidos estão "O evangelho segundo Jesus Cristo", "A balsa de pedra" e "A viagem do elefante".

"Ensaio sobre a cegueira" foi recentemente filmado pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles (de "Cidade de Deus").

Em 2008, uma exposição sobre o trabalho de Saramago foi exibida no Brasil. "José Saramago: a consistência dos sonhos" trazia cerca de 500 documentos originais e outros tantos digitalizados, reunidos em um formato que, misturando o tradicional e a tecnologia moderna, levavam o visitante a uma agradável e rara viagem pela vida e pela obra do escritor português.

Veja, abaixo, uma lista de romances escritos por Saramago

"Terra do pecado", de 1947
"Manual de pintura e caligrafia", de 1977
"Levantado do chão", de 1980
"Memorial do convento", de 1982
"O ano da morte de Ricardo Reis", de 1984
"A jangada de pedra", de 1986
"História do cerco de Lisboa", de 1989
"O Evangelho segundo Jesus Cristo", de 1991
"Ensaio sobre a cegueira", de 1995
"Todos os nomes", de 1997
"A caverna", de 2000
"O homem duplicado", de 2002
"Ensaio sobre a lucidez", de 2004
"As intermitências da morte", de 2005
"A viagem do elefante", de 2008
"Caim", de 2009

A morte de Saramago foi confirmada à imprensa portuguesa pelo seu editor, Zeferino Coelho. "Aconteceu há pouco", disse em entrevista à emissora de televisão RTP. "Estava doente há algum tempo, às vezes melhor outras vezes pior."


Fontes da família confirmaram a agências internacionais que Saramago estava em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, onde morava há vários anos.

A morte ocorreu por volta das 13h no horário local (8h de Brasília), quando o escritor estava em casa, acompanhado da mulher e tradutora, Pilar del Río, informa a agência "Efe".

José Saramago havia passado uma noite tranquila. Após o desjejum de costume e de ter conversado com a mulher, começou a sentir-se mal e pouco depois morreu.


Fontes: G1- Efe - TV Globo - FOLHA

Morre o escritor Wilson Martins, aos 88 anos, em Curitiba

Morte foi em decorrência de complicações de cirurgia de retirada da bexiga. Ele é autor da obra em 12 volumes “História da Inteligência Brasileira".


Wilson Martins recebeu prêmios como o Jabuti e Machado de Assis (Foto: Divulgação)

O escritor e crítico literário Wilson Martins, de 88 anos, morreu no sábado (30), em Curitiba, em decorrência de complicações de uma cirurgia para a retirada da bexiga. Ele estava internado no Hospital Nossa Senhora das Graças.

O velório está sendo realizado na capela 3 do Cemitério Luterano, ao lado do Estádio Couto Pereira. Após as 17h, o corpo do escritor será encaminhado para o Crematório Vaticano, onde será cremado em cerimônia reservada à família.

Wilson Martins é autor da obra em 12 volumes “História da Inteligência Brasileira”. Entre outras obras estão “A Idéia Modernista”, “A Crítica Literária no Brasil” e “A Palavra Escrita”.

Wilson Martins nasceu em São Paulo, em 1921. Tornou-se professor de literatura francesa na Universidade Federal do Paraná e deu aulas de literatura brasileira em universidades dos Estados Unidos. Na Universidade de Nova York ele trabalhou por 26 anos, em que se tornou professor emérito, e se aposentou em 1992.

Martins foi colunista dos jornais “Jornal do Brasil”, “O Globo” e a “Gazeta do Povo”. O crítico recebeu prêmios como o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, por duas vezes, por volumes do livro “História da Inteligência Brasileira”, e o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, em 2002, pelo conjunto de sua obra.

Fonte: G1

Morre o escritor J.D. Salinger aos 91 anos

O escritor J.D. Salinger morreu aos 91 anos, "de causas naturais", em sua casa em New Hampshire, nos EUA.

Escritor J. D. Salinger, de "O Apanhador no Campo de Centeio", aos 44 anos

Recluso havia muitos anos, o escritor não dava entrevistas desde 1980 nem se deixava fotografar.

O seu livro mais conhecido, "O Apanhador no Campo de Centeio", foi lançado em 1951, quando ele tinha 32 anos.

O personagem principal do livro, o adolescente Holden Caufield, se tornou símbolo da geração de jovens do pós-guerra.

A obra foi um sucesso mundial, e vendeu mais de 60 milhões de cópias em todo o globo.

O anúncio da morte foi feito pelo filho do autor, a partir de um comunicado emitido pelo representante literário de Salinger, nesta quinta-feira.

Quatro décadas sem publicar

Jerome David Salinger completou 91 anos no último dia 1º. Ele estava sem publicar um trabalho havia mais de quatro décadas.

"Amo escrever", disse Salinger em 1974, em uma de suas raras entrevistas, ao jornal "The New York Times". "Mas, só escrevo para mim mesmo e para o meu prazer."

O último trabalho literário publicado assinado por ele foi "Hapworth 16, 1924", em junho de 1965.

O autor, filho de um judeu importador de queijos kosher e de uma escocesa-irlandesa que se converteu ao judaísmo, cresceu em um apartamento da Park Avenue, em Manhattan, estudou durante três anos na Academia Militar de Valley Forge e em 1939, pouco antes de ser enviado à guerra, estudou contos na Universidade de Columbia.

Durante a Segunda Guerra Mundial ele se alistou na infantaria, e esteve envolvido com a invasão da Normandia. Os companheiros de exército de Salinger o consideravam corajoso, um verdadeiro herói.

J.D. Salinger na capa da "Time" em setembro de 1961

Em relação a outros escritores, Salinger classificou Ernest Hemingway (1899-1961), que conheceu em Paris, e John Steinbeck (1902-1968) como de segunda categoria, mas expressou sua admiração por Herman Melville (1819-1891).

Em 1945, Salinger casou-se com uma médica francesa chamada Sylvia, de quem se divorciou e, em 1955, casou-se com Claire Douglas, união que também terminou em divórcio em 1967, quando se acentuou a reclusão do escritor em seu mundo privado e seu interesse pelo budismo zen.

Em 2002, Salinger vivia com uma enfermeira 45 anos mais jovem que ele.

Os primeiros contos de Salinger foram publicados em revistas como "Story", "Saturday Evening Post", "Esquire" e "The New Yorker" na década de 1940, e o primeiro romance "O Apanhador no Campo de Centeio" transformou-se imediatamente em sucesso e lhe consagrou aos olhos da crítica internacional.

Os outros livros dele editados no Brasil são as coleções de contos "Nove Estórias" e "Franny & Zooey" e dois pequenos romances reunidos em "Carpinteiros, Levantai Bem Alto a Cumeeira; Seymour - Uma Introdução".

Muitas das histórias reunidas nessas obras tem como personagens centrais a família Glass, cujos filhos foram crianças prodígios e os pais, artistas.

Sueco tentou fazer sequência de "O Apanhador no Campo de Centeio"

J.D. Salinger, morto nesta quinta-feira aos 91 anos, processou o sueco Fredrik Colting, que tentou publicar nos Estados Unidos uma sequência de "O Apanhador no Campo de Centeio", obra mais conhecida de Salinger.

No dia 1º de julho do ano passado, uma juíza federal de Nova York proibiu indefinidamente, a publicação nos EUA.

A juíza Deborah Batts impediu a publicação, distribuição e divulgação nos Estados Unidos de "60 Years Later: Coming Through the Rye", escrito por Colting sob o pseudônimo de J. D. Califórnia.

Batts já tinha ordenado o bloqueio temporário da publicação da obra no dia 17 de junho de 2009, depois que Salinger apresentou, 15 dias antes, um processo contra o autor, a editora e a distribuidora do romance, por considerar que o livro infringe os direitos autorais sobre a obra e também sobre seu protagonista.

A ordem judicial deu razão a Salinger e afirmou que havia semelhanças suficientes entre os personagens principais das duas obras para impedir a publicação do livro de Colting, que afirmou que sua sequência era "uma paródia crítica que tinha o efeito de transformar a obra original".

Em seu livro, Colting apresenta um personagem denominado Mr.C --relacionado facilmente com Holden Caulfield, protagonista de "O Apanhador no Campo de Centeio"--percorrendo as ruas de Nova York, depois de escapar de um asilo, em uma trama ambientada 60 anos depois da época retratada na obra original.

Salinger, que não publicava nenhum trabalho há quatro décadas, nunca escreveu uma sequência da obra, coloca o personagem de seu livro como um adolescente rebelde e narrava suas experiências pela cidade.

"60 Years Later: Coming Through the Rye" já foi publicado no Reino Unido, pela editoria sueca "Nicotext".


O Apanhador no Campo de Centeio

Sinopse

Originalmente publicado em 1951, "O Apanhador no Campo de Centeio" (Editora do Autor), único romance de J.D. Salinger, funcionou como uma bomba de efeito retardado, pois só alcançou o sucesso de público anos depois, apesar de bem recebido pela crítica.

O encantamento do volume está na forma e no tom com que o protagonista, o adolescente Holden Caufield, narra as aventuras pela estrada até as ruas noturnas de Nova York. A viagem não é apenas externa, mas, principalmente, pelo interior do jovem em um período crucial do desenvolvimento, que separa a meninice da idade adulta.

Este romance é famoso pela acusação infundada de estimular o comportamento psicótico nos jovens. Entrou para a lista dos cem melhores livros do século 20, resultado de votação organizada pelo caderno "Mais!" da Folha em 1999.


Repercussão da morte do escritor J.D. Salinger

Veja abaixo a repercussão da morte do escritor J.D. Salinger, aos 91 anos. Ele morreu de causas naturais na quarta-feira.

"Li 'O Apanhador' na adolescência e fiquei louco com aquele livro cheio de verdades e escrito numa linguagem coloquial como eu nunca tinha visto antes. Imediatamente comecei a escrever um romance, que depois não foi pra frente. Depois, já aos vinte e poucos anos, li os outros livros do Salinger. Me impressionaram tanto quanto 'O Apanhador', ou ainda mais. Seus personagens parecem pessoas de carne e osso, e não meros fantasmas feitos de palavras. Até hoje é como se eu tivesse conhecido de fato a família Glass. Aprendi muita poesia com Seymour, e sou completamente apaixonado pela Franny."
Fabrício Corsaletti, 31, autor de "King Kong e Cervejas" e "Golpe de Ar"

"Faço parte de uma geração para a qual ele foi um grande ícone. Apesar de essa ser uma geração sem fronteiras. Não há escritor contemporâneo que tenha trabalhado com personagens jovens, para um público não necessariamente jovem, como ele. Salinger se beneficiou muito do boom da literatura magazines. A 'New Yorker' foi sua principal vitrine. A razão para o sucesso alcançado por Salinger foi aquilo que ele escreveu e aquilo que ele não escreveu, já que, no final da vida, tornou-se um recluso e parou de publicar. E a figura de um escritor que não escreve é sempre intrigante, fascinante. Isso ajudou a criar um mito."
Moacyr Scliar, médico, escritor e colunista da Folha
 
"As histórias do Salinger me proporcionaram alguns dos momentos mais comoventes e grandiosos da minha vida de leitor. São sofisticadas, líricas, trágicas e terrivelmente engraçadas. Sinto conhecer pessoalmente cada um de seus personagens. Sempre tive a sensação de que, apesar do sucesso de público, ele ainda não tinha sido devidamente reconhecido criticamente. É um dos maiores escritores que eu já li, e certamente o que mais teve influência na minha decisão de fazer ficção. Em 'Franny e Zooey', um dos personagens diz: 'O que eu mais adoraria, na verdade, é que todo o mundo fosse para casa'. Espero que o velho Jerome David esteja fazendo com tranquilidade seu caminho de volta ao lar."
Chico Mattoso, 31, roteirista e autor de "Longe de Ramiro"

"Gosto muito dos livros dele. Mas nunca me lembro de ter usado sua maneira de escrever como referência técnica. O Salinger chegou a me motivar porque ler os livros dele me dava muita vontade de escrever minhas próprias histórias. 'Franny & Zooey' é o meu preferido dele e teve um efeito bem mais forte em mim do que os demais livros dele. É um livro em duas partes. A segunda parte é uma longa conversa entre os dois irmãos, que tem uma profundidade de questionamento existencial, de elaboração de dilemas e questões quase espirituais que foi muito marcante."
Daniel Galera, 30, autor de "Cordilheira" e "Mãos de Cavalo"

"Li quando era garoto. Adorei. Tem uma identificação imediata com o adolescente porque tem uma dicção muito particular, tem essa coisa da família disfuncional, que é algo com o que você se identifica. Tem um texto do 'Nove Estórias' que chama 'Um Dia Bom para Peixes-Bananas' que é a história de um garoto que admira muito o irmão mais velho e que, no final, ele está narrando sem querer o enredo de um suicídio. Esse conto me marcou muito como uma coisa importante pra mim. É uma espécie de um dia na praia contado pelo irmão mais novo, a história, no subtexto, é de um cara que está desesperado e que vai acabar se matando.
Salinger criou uma imagem do recluso que foi usada pra caramba pelo Don Delillo, que usou um escritor à imagem do Salinger. O que é maravilhoso e trágico é a ideia de que não dá para ser escritor sem corresponder à expectativa dos outros. É preciso ter uma coragem muito grande para romper com esse vício. E tem uma coisa bonita na figura do Salinger, ao recusar o contato ou sucumbir ao isolamento. É uma imagem muito sedutora. É claro que tem um desespero nesse isolamento. Para não virar uma repetição de si mesmo e responder a uma ideia e a uma demanda de mercado da cultura de massa.
Quando mais ele se isolava, mais ele criava uma mística em torno da ideia do escritor e menos ele conseguia sair daquilo. É quase como se fosse um suicídio. É um puta escritor, de primeiro time."
Bernardo Carvalho, 49, autor de "Nove Noites" e "O Sol se Põe em São Paulo"

Fontes: FOLHA  - Rfe

Dupla francesa escreve livro sobre a bunda

Pesquisadores tentam descobrir a origem da atração


Desde os primórdios, artistas tentam descobrir o que faz a bunda humana tão fascinante. Para explicar a atração, dois escritores franceses estão publicando seus próprios conceitos sobre o derrière. 

Confira o vídeo



Fonte: UOL

Prostituta que protagonizou escândalo com Berlusconi lança livro

Vestida de preto, com pouca maquiagem, D'Addario diz ter jantado com outras 20 meninas e o "sultão", como se refere a Berlusconi.

A prostituta de luxo Patrizia D'Addario, pivô do mais recente escândalo envolvendo o premiê da Itália, Silvio Berlusconi, lança nesta terça-feira um livro de memórias intitulado "Gradisca Presidente" ("Desfrute, Presidente", em italiano). No texto, ela afirma que manteve relações sexuais com o político porque ele prometera ajudá-la a montar uma pousada na sua cidade natal, Bari, no sul do país.

Berlusconi nega as acusações, afirma que nunca pagou por sexo e atribuiu o escândalo a uma conspiração contra ele.

No livro, D'Addario, de 42 anos, conta que entrou no dia 16 de outubro de 2008 no Palácio Grazioli, residência de Berlusconi em Roma, após as instruções dadas a ela por Gianpaolo Tarantini, o "arranjador" de meninas para o premiê, para que se apresentasse "como uma amiga" e não como prostituta.


Patrizia D'Addario, prostituta pivô de um escândalo envolvendo Berlusconi, chega ao Festival de Veneza

Vestida de preto, com pouca maquiagem, D'Addario diz ter jantado com outras 20 meninas e o "sultão", como se refere a Berlusconi. "As mulheres estavam à disposição", afirma. Da sala de jantar eles teriam passado para o quarto, com mais duas lésbicas. Segundo Patrizia, elas diziam "Silvio, esta semana vamos ao salão de beleza? Você tinha prometido". "Ele se dirigiu a mim e a outra menina: Vocês vieram também?" "Fizemos massagens, nos divertiremos muito."

Na noite de 4 de novembro, Patrizia diz ter retornado ao Palácio Grazioli com Tarantini e mais duas prostitutas. Na ocasião, ela teria ficado na casa do premiê até o café da manhã porque o próprio teria dito: "Basta. Agora peço que todos saiam porque quero ficar só contigo". Patrizia também afirma que o premiê comentou a Tarantini que se encarregaria "de seu projeto".

Ela diz ter todas as conversas dessas duas noites gravadas.

Em seu livro, Patrizia diz ter sido enganada. "O premiê mentiu, não me pagou, não era dinheiro que devia me dar, tinha me prometido outra coisa, eu dei meu corpo e ele não deu nada em troca".

Ela diz ainda que, desde o início do escândalo, foi alvo de ameaças, agressões e "outros episódios estranhos", como uma invasão à sua casa. "Levaram tudo. De calcinhas a vestidos, de meias a sutiãs, de joias a sapatos, de CDs a diários, minha caderneta de endereços, meu computador. Só me deixaram uma TV cara. Agora estou mesmo assustada."

O livro "Gradisca Presidente" foi escrito por Patrizia em colaboração com Maddalena Tulanti e publicado pela editora Aliberti.

Fontes: FOLHA - Efe - AP

Antropólogo Marcelo Fortaleza Flores, fala sobe a obra de Claude Lévi-Strauss

Lévi-Strauss tinha um intelecto de exceção e, nem por isso, desprezava seus pares, respeitando pesquisadores

'Era lúcido e claro como uma lâmpada'


PARIS - Às vésperas de seu 101° aniversário, o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss não era mais figura fácil nas imediações de sua casa, no 16° distrito de Paris, nem nos corredores do metrô da capital francesa. Tampouco era visto no Collège de France, a instituição fetiche da alta cultura do país, onde foi professor na disciplina de Antropologia Social, nem nas páginas de jornais e programas de TV. Às vésperas de sua morte, o acadêmico era um homem recluso. Mas este comportamento não significava que seu intelecto de exceção não continuasse ativo.

Mais sobre Claude Lévi-Straus

Um pouco sobre a vida e a obra de Claude Lévi-Strauss

SÃO PAULO - O antropólogo e filósofo francês Claude Lévi-Strauss, que morreu aos 100 anos de idade, no domingo, lecionou na Universidade de São Paulo nos anos 30. Aqui, realizou seus primeiros estudos de etnologia entre populações indígenas, trabalho que desenvolveu ao longo da vida e que o transformou num clássico obrigatório das ciências humanas.


Pesquisador deu aulas nos primeiros anos da USP e iniciou os estudos que o tornariam famoso no Brasil/Acervo AE.

A USP divulgou nota lamentando a morte do antropólogo: "Estudou na Universidade de Paris e demonstrou verdadeira paixão pelo Brasil, conforme registrado em sua obra de sucesso 'Tristes Trópicos', em que conta como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do país. Lévi-Strauss completaria 101 anos no fim deste mês".

'Escrever é contradizer a guerra', diz David Grossman

Escritor israelense participou de debate na Bienal nesta sexta (11).
Evento acontece no Riocentro até o próximo dia 20.

Os escritores David Grossman e Bernardo Ajzenberg participaram nesta sexta-feira (11) de debate no Café Literário desta 14ª edição da Bienal do Livro Rio. O tema da conversa foi 'Escrevendo intimidade em território disputado'.

O israelense Grossman, autor de "Desvario", abriu a sessão com uma leitura em hebraico. Para ele, viver na situação de conflito em Israel é marcante. "Se você vive a violência, ela se infiltra no seu sistema, nos seus órgãos. Esse é o preço que pagamos por viver nessa situação. Escrever é o que eu faço para me redimir disso. Escrever é contradizer a guerra. Escrever não é estereotipar – é criar faces, mostrar a intimidade, a humanidade do outro", explica.

O brasileiro Ajzenberg, autor de "Gaiola de Faraday", diz que a sua literatura busca a mesma intimidade. "Muitos filmes brasileiros recentes tiveram como temática a violência social urbana no país. No trabalho que eu tenho feito em literatura, tento dar vazão às questões mais íntimas, que são tão importantes no dia-a-dia dos leitores e do escritor quanto as questões sociais".

Para ele, a literatura não tem que necessariamente ter uma "função social". "A literatura não tem que resolver problemas, substituir a sociologia ou a política. Ao contrário, quanto mais dúvidas ela criar, melhor. Ela estará cumprindo o seu papel".

Falando sobre seu livro, Grossman fala sobre a personagem feminina, protagonista de "Desvario". "O contato entre a mãe e o filho tende a ser mais privado, por isso escolhi uma mulher como protagonista. Esse é o lado bom de ser um escritor, poder viver essas outras vidas. É quase trivial dizer isso, mas o esforço disso não é trivial, você tem que submergir completamente em outro ser humano. Tenho que pensar como que ela caminha, o que ela come, em que lado da cama se deita, como faz amor. Eu me tornei ela".

No sábado (12), ocorrem debates com o quadrinista Dash Shaw e entre as autoras infanto-juvenis Ana Maria Machado e Ruth Rocha, entre outros. O G1 transmite o debate ao vivo aqui.

A Bienal do Livro acontece até o dia 20 de setembro no Riocentro, Zona Oeste carioca. Clique aqui para conferir os dias e horários das mesas que terão transmissão ao vivo pelo G1 e para obter informações sobre ingressos e local.

Fonte: G1

Exemplar mais antigo da Bíblia é colocado na internet


Páginas do Codex Sinaiticus, escritas em grego

Internautas poderão ver imagens de mais da metade do exemplar mais antigo da Bíblia. Estão disponíveis cerca de 800 páginas do pergaminho do século 4. (Foto: Biblioteca Britânica/Divulgação)

Cerca de 800 páginas do exemplar mais antigo da Bíblia foram restauradas e estão disponíveis para consulta na internet.

Os visitantes poderão ver imagens de mais de metade do manuscrito Codex Sinaiticus, escrito em grego em folhas de pergaminho no século 4.

O projeto envolveu especialistas da Grã-Bretanha, Alemanha, Egito e Rússia, e, segundo eles, apresenta muitas possibilidades de pesquisa no futuro.

"O Codex Sinaiticus é um dos maiores tesouros escritos do mundo", afirmou Scot McKendrick, diretor de manuscritos ocidentais da Biblioteca Britânica, em Londres.

Ar do deserto

"Este manuscrito de 1,6 mil anos é uma janela para se entender o desenvolvimento do início do Cristianismo, e se trata de uma evidência em primeira mão de como o texto da Bíblia foi transmitido de geração a geração", disse McKendrick.

"A disponibilidade do manuscrito virtual para estudiosos de todo o mundo cria oportunidades para trabalhos de pesquisa conjuntos que não seriam possíveis até o momento."

Segundo o especialista, a versão original do Codex Sinaiticus continha cerca de 1.460 páginas - cada uma medindo 40 cm por 35 cm.

Por 1,5 mil anos, o manuscrito ficou preservado em um mosteiro na Península do Sinai, no Egito. Em 1844, ele foi encontrado e dividido entre Egito, Rússia, Alemanha e Grã-Bretanha.

Acredita-se que o documento resistiu ao tempo porque o ar do deserto é ideal para a conservação do pergaminho, e porque o mosteiro permaneceu intocado por todos esses anos.

Para marcar o lançamento do site www.codexsinaiticus.org, a Biblioteca Britânica está realizando uma exposição em sua sede, em Londres, que incluiu vários artefatos históricos ligados ao manuscrito.


Cópia das Escrituras em grego tem mais de 1.600 anos e poderá ser vista de graça na web.

Mais de 1.600 anos depois de ser escrita em grego, uma das cópias mais antigas da Bíblia se tornará globalmente acessível via internet pela primeira vez nesta semana. A partir de quinta-feira, partes da Codex Sinaiticus, que contém o Novo Testamento mais velho e completo, estarão disponíveis na web, afirmou a Universidade de Leipzig (Alemanha), um dos quatro conservadores do texto antigo.

Imagens em alta resolução do Evangelho de Marcos, diversos livros do Velho Testamento e observações dos trabalhos feitos ao longo de séculos estarão em www.codex-sinaiticus.net, num primeiro passo para a publicação online integral do manuscrito até julho próximo.

Ulrich Johannes Schneider, diretor da Biblioteca da Universidade de Leipzig, afirmou que a publicação online do Codex permitirá que qualquer um estude uma peça "fundamental" para os cristãos. Alguns textos estarão disponíveis com traduções em inglês e alemão, acrescentou.

Especialistas acreditam que o documento, datado de aproximadamente do ano 350, possa ser a cópia mais antiga conhecida da Bíblia, junto com o Codex Vaticanus, outra versão antiga da Bíblia, afirmou Schneider. "Acho que é fantástico que graças à tecnologia agora podemos tornar acessíveis os artefatos culturais mais antigos -- aqueles que de tão preciosos não poderiam ser vistos por ninguém -- numa qualidade realmente alta", explicou Schneider.

Fontes: G1- REUTERS

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