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Senadores apresentam nova proposta de divisão de royalties

Câmara aprovou emenda que prejudica estados do RJ e ES. Mudança foi criticada. Senado tenta resolver impasse.


O senador Francisco Dornelles (PP-RJ), apresentou nesta terça-feira (30) uma nova proposta para a divisão dos royalties da exploração do petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos dos campos não licitados do pré-sal.

O tema chegou ao Senado após a Câmara aprovar uma emenda ao projeto do governo de partilha que divide os recursos da exploração de petróleo no mar, inclusive fora do pré-sal, entre todos os estados e municípios de acordo com critérios dos fundos de participação. Com isso, os estados produtores, principalmente Rio de Janeiro e Espírito Santo, teriam grande perda de arrecadação. A emenda foi bastante criticada pelo governo e também por parlamentares e governantes dos estados prejudicados.

Pela nova divisão proposta por Dornelles e pelo senador Renato Casagrande (PSB-ES), 15% do que for arrecadado com a exploração seriam pagos em royalties, mesmo percentual aprovado pela Câmara (anteriormente era 10%).

Desses 15%, pouco mais da metade iria para os estados e municípios produtores e afetados por embarque e desembarque de maquinário – 56,6%. Estados e municípios como um todo receberiam uma parcela de 33,4%, que seria rateada de acordo com a distribuição dos Fundos de Participação de Estados e Municípios. E a União sairia do bolo – a não ser pelo pagamento de 3 parcelas iguais de 3,33% para Marinha, Ministério de Ciência e Tecnologia e Fundo Especial para o meio ambiente.

Para o autor da proposta, os estados e municípios não produtores sairiam ganhando. "Se essas regras estivessem em vigor hoje, esses estados e municípios que em 2009 receberam R$ 700 millhões em royalties, aumentariam e muito a receita - pularia para R$ 3,9 bilhões. Um aumento de quase 500%”, argumenta Dornelles.

E a União, segundo ele, também não teria do que reclamar, já que vai lucrar com a venda do óleo e “livre de pagamento de imposto de renda”.

Pelo sistema de partilha para a exploração, proposto pelo governo, a União é dona de parte do óleo extraído. E na hora da licitação, vence a empresa que oferecer a maior parcela em óleo para a União.

Mas para os ganhos da União com a comercialização do petróleo e gás da camada do pré-sal, a proposta exige que 55,5% sigam direto para o Fundo Social que está sendo criado pelo governo para projetos na área social com dinheiro do pré-sal. E que 45% sejam rateados entre estados e municípios brasileiros de acordo com as regras dos Fundos de Participação.

Quanto a contratos já firmados, de 29% de toda a área do pré-sal, nada mudaria, segundo a nova proposta.

Fontes: G1/ Claudia Bomtempo - TV Globo

Emenda do pré-sal inviabiliza Jogos no Rio, diz comitê

Novo modelo de partilha faz Rio procurar por novas fontes financeiras para cumprir contrato com o COI

O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados no Rio de Janeiro, divulgou nota nesta segunda-feira, na qual disse que o novo modelo de partilha da receita da exploração de petróleo na camada pré-sal, aprovada pela Câmara na semana passada, deixará o Estado "sem recursos para fazer as obras necessárias para a competição".

Estimativa do deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), líder da minoria na Câmara, é de que a aprovação da chamada emenda Ibsen significará a perda de quase R$ 5 bilhões para os cofres do Rio de Janeiro.

A nota, assinada pelo presidente do Organizador da Olimpíada de 2016, Carlos Arthur Nuzman, diz que "qualquer decisão que afete a capacidade do Estado do Rio de Janeiro de cumprir várias obrigações tem impacto negativo na organização dos Jogos e, se não for remediada, representará uma quebra de contrato".

Um trecho do documento divulgado nesta segunda-feira diz que "durante o processo de candidatura, o governo brasileiro apresentou um conjunto de garantias que passou a fazer parte do contrato assinado com o Comitê Olímpico Internacional (COI) e se tornou obrigação do Estado Brasileiro, representado pelos governos federal, estadual e municipal, de acordo com as suas respectivas competências constitucionais".

Em seguida, a nota diz que "o Comitê Rio 2016 tem plena confiança de que os poderes legislativos levarão esses fatos em consideração, evitando que o País, em uma volta ao passado, descumpra obrigações assumidas".

Fonte: O ESTADO

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