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Empresas querem recriar Mercosul e transformar o bloco em área de livre comércio

A mudança liberaria o Brasil para fechar, sozinho, acordos bilaterais

O setor privado está "cansado" do Mercosul e pede a "reinvenção" do projeto de integração regional. Uma alternativa que volta a ganhar força é dar um passo atrás e transformar o bloco de união aduaneira em área de livre comércio. Na área de livre comércio, não existem tarifas entre os países. Por ser uma união aduaneira, o Mercosul tem que adotar também uma TEC (Tarifa Externa Comum) para importação de produtos de terceiros países e é obrigado a negociar acordos em conjunto.

Comissão do Senado aprova adesão da Venezuela ao Mercosul

Por 12 a 5, governo sai vitorioso e aprova substitutivo de Romero Jucá; decisão deve passar pelo Plenário


BRASÍLIA - O governo saiu vitorioso da sessão da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado nesta quinta-feira, 29, com a aprovação, por 12 a 5, do protocolo de entrada da Venezuela no Mercosul, em voto em separado apresentado pelo líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RO).

Mercosul aprova uso de moedas locais

Mercosul aprova moedas locais

O Conselho do Mercado Comum do Mercosul aprovou nesta quinta-feira a substituição do dólar por moedas locais no intercâmbio comercial do bloco sul-americano. Reunidos na 37ª Cúpula de Assunção (Paraguai), os ministros dos países-membros defendem que a medida serve para enfrentar a crise econômica.

Com o acordo para substituir o dólar, "toda atividade que implique o uso de dinheiro será realizada com moedas de nossos países, sem ter o dólar como referência", disse à agência de notícias France Presse o vice-ministro paraguaio das Relações Exteriores, Oscar Rodríguez. A medida "terá uma grande repercussão em todas as atividades econômicas [da região]", afirmou.

Paraguai e Uruguai estarão incorporados ao novo sistema de intercâmbio a partir do final de 2010, após a conclusão de detalhes técnicos envolvendo os bancos centrais dos dois países. Atualmente, Brasil e Argentina já realizam trocas comerciais usando o real e o peso argentino em seu comércio.

Atualmente, Brasil e Argentina já realizam trocas comerciais usando o real e o peso argentino em seu comércio. Os dois países adotaram um acordo bilateral para o comércio em moeda local, mecanismo que beneficia principalmente as pequenas e médias empresas pela economia na intermediação de divisas com o dólar.

Crescimento econômico

Os ministros da Economia e presidentes de bancos centrais reunidos em Assunção estimaram que o Bloco crescerá este ano com as políticas de expansão adotadas para se enfrentar a crise mundial. "Os países têm adotado, em geral, políticas monetárias e fiscais expansivas para paliar o efeito da recessão mundial", destacou o ministro da Fazenda do Paraguai, Dionisio Borda.

Os relatórios dos especialistas revelam que "a maioria [dos países] terá crescimento em 2009, exceto Chile e Paraguai", destacou Borda em entrevista coletiva.

Borda lembrou que o Chile calcula para 2009 uma queda do PIB de 1%, enquanto o Paraguai deve sofrer um recuo de 3% a 4%. Na outra ponta, a Bolívia deve obter um avanço do PIB de 4%. O Brasil tem uma expectativa de queda de 0,34%, segundo analistas ouvidos pelo Banco Central.

"Os níveis de crescimento de nossos países são muito mais promissores do que os previstos pelos organismos multilaterais e os setores privados", destacou o funcionário paraguaio, ao comentar os relatórios dos ministros presentes em Assunção.

"Estamos saindo da crise, cujos canais de transmissão foram o setor financeiro, a retração do envio de dinheiro (dos emigrantes) e a queda no comércio internacional."

Fonte: FOLHA

Empresários argentinos querem revisão da entrada da Venezuela no Mercosul

A UIA (União Industrial Argentina), que reúne industriais do país, divulgou comunicado, na terça-feira, pedindo que seja "revista a entrada da Venezuela como membro pleno do Mercosul."

No texto, a UIA justifica o pedido após o governo venezuelano do presidente Hugo Chávez ter estatizado "empresas de capitais do Mercosul".

Na última sexta-feira, Chávez anunciou a nacionalização de três empresas do grupo argentino Techint, do setor siderúrgico. A medida provocou reações de repúdio público das principais entidades empresariais da Argentina, como a UIA, de setores como construção, bancos, comércio, e de entidades sindicais como a CGT (Central Geral dos Trabalhadores).

No comunicado de terça-feira, a UIA justificou seu pedido para que a Venezuela não seja integrante pleno do Mercosul. "Atenta às reiteradas ações da Venezuela, que envolveram a estatização de empresas de capitais de origem do Mercosul, a UIA solicita às autoridades argentinas a revisão da decisão de incorporar a Venezuela como membro pleno deste mercado", diz o texto.

Brasil

Para a UIA, o governo venezuelano "coloca em risco o processo de integração regional".

No texto, a união industrial repercute afirmações feitas por Chávez, na terça-feira, em Salvador, na Bahia, onde se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"As recentes declarações do presidente Hugo Chávez de que os investimentos brasileiros não serão incluídos no processo de estatização do governo parecem estimular a divisão entre os países do bloco."

Numa reunião a portas fechadas com Lula e outras autoridades brasileiras, Chávez destacou que as estatizações não afetariam empresas do Brasil. "Estamos numa fase de nacionalizações de empresas, menos as brasileiras", disse.

A declaração foi ouvida pelos jornalistas que cobriam o encontro e usavam fones de ouvido para a tradução de espanhol para o português.

Ao lado do presidente Lula, Chávez defendeu as estatizações que envolvem empresas argentinas.

Em Buenos Aires, a presidente argentina Cristina Kirchner disse que cada país "é soberano" para adotar suas decisões. E destacou que, por pedido de seu governo, a Techint está sendo ressarcida pela nacionalização anterior realizada pelo governo Chávez. "Mas lamento que não depositem o dinheiro na Argentina", ressaltou.

No comunicado, a UIA destaca ainda que entidades similares de outros países do Mercosul analisam ações conjuntas contra as estatizações. Para isso, informa-se, foi marcada reunião do Conselho Industrial do Mercosul, nos próximos dias, em Montevidéu, no Uruguai.

Brasil busca independência do trigo argentino

Governo lança plano de plantio de trigo no cerrado, que deverá afetar as exportações da Argentina para o Brasil

Cerca de 10% das exportações argentinas ao Brasil podem evaporar até meados da próxima década. Diante da incerteza sobre as safras de trigo e sobre a capacidade argentina de exportação do produto, o governo brasileiro decidiu impulsionar a produção no cerrado, tendo a autossuficiência como meta. Na semana que vem, o Ministério da Agricultura vai anunciar um pacote de estímulo ao plantio, que prevê o aumento entre 10% e 15% no preço mínimo do cultivo de trigo da região. Em quatro anos, o governo espera que a colheita de trigo no País alcance sete milhões de toneladas - 70% do consumo nacional.

"O trigo sempre foi usado pelo Brasil como moeda de troca para a indústria vender seus produtos para a Argentina, principalmente os da linha branca", disse Julio Cesar Albrecht, pesquisador da Embrapa Cerrados, sobre um dos pontos sensíveis do comércio bilateral entre Brasil e Argentina. "Agora, em médio e longo prazos, o governo aposta na expansão do trigo no cerrado."

A Embrapa Cerrados trabalha no melhoramento genético de sementes de trigo, para adaptá-las à região, desde os anos 70. Para a safra de 2006, duas novas sementes - BRS 254 e BRS 264 - mostraram-se produtivas. Em 2008, a semente BRS 254 permitiu uma colheita de 7,6 toneladas por hectare, e a BRS 264, de 6,5 toneladas por hectare.

Na última safra, as lavouras da região se estenderam por 55 mil hectares, com uma produção de cerca de 500 mil toneladas. Além da alta produtividade, a produção no cerrado tem a vantagem de ser colhida na entressafra, em agosto, o que permite a venda por melhores preços.

A gritaria da Argentina, que perderá um negócio que rendeu US$ 1,264 bilhão em 2008, já é um custo calculado dessa estratégia. O Itamaraty está ciente de que, na medida em que a produção nacional aumente, terá de conter a reação do país vizinho - provavelmente, com compensações comerciais - para evitar prejuízos na consolidação do Mercosul.

Qualquer cobrança, entretanto, será desproporcional. Na opinião de Silvio Porto, diretor de Logística e Gestão Empresarial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a Argentina não terá problemas para colocar seu produto em outros mercados, uma vez que é esperada a redução da produção dos EUA nos próximos anos.

A diplomacia já acumula argumentos para apresentar a Buenos Aires. Desde a criação do Mercosul, em 1995, a Argentina conquistou o mercado cativo do Brasil, que passou a importar seu trigo com tarifa zero.

A partir de 2008, essa oferta foi contaminada pelo risco de desabastecimento e induziu o governo a perseguir a substituição de importação do produto. O governo brasileiro recorreu à adoção de uma cota, com tarifa zero, para importar os grãos dos EUA. Neste ano, a ameaça voltou com as retenções de guias de exportação pela aduana argentina e a quebra da safra.

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