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Tensão entre Coreias pode levar a conflito de grande proporção, diz especialista

Diferentemente da guerra das Coreias dos anos 1950, um conflito hoje teria proporções muito maiores
A situação é cada vez mais tensa entre as Coreias. Após uma investigação internacional, a Coreia do Sul acusou formalmente a Coreia do Norte, na quinta-feira (20), de atacar com um torpedo um navio de sua Marinha em março.

O afundamento da corveta de 1.200 toneladas, perto da fronteira marítima com a Coreia do Norte, provocou a morte de 46 dos 104 marinheiros sul-coreanos. Foi o incidente mais grave ocorrido na disputada fronteira marítima do mar Amarelo entre as duas Coreias desde o cessar-fogo entre as duas nações, em 1953.

O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, pressiona a comunidade internacional por novas sanções contra a Coreia do Norte. O regime de Kim Jong-il, por sua vez, respondeu com o rompimento das relações com Seul.

Soldados sul-coreanos vigiam posto; para analista, impasse pode levar a amplo conflito


Soldados sul-coreanos vigiam posto; para analista, impasse pode levar a amplo conflito/Yu Hyung-jae/AP

Diferentemente da guerra das Coreias dos anos 1950, um conflito hoje teria proporções muito maiores, até porque envolveria as duas grandes potências mundiais --EUA e China--, na opinião de Heni Ozi Cukier, professor de Relações Internacionais da ESPM e especialista em resolução de conflitos internacionais.

Para o analista, o risco de ocorrer uma guerra na Península Coreana não é alto, mas há uma chance e isso exige cautela. Afinal, trata-se de uma zona altamente militarizada e qualquer deslize --seja da Coreia do Sul, que demonstra não querer uma guerra, seja da Coreia do Norte, "peão político no xadrez da China"-- poderia gerar um conflito de escalada muito rápida, afirma Cukier, que já trabalhou no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e na OEA (Organização dos Estados Americanos).

Leia a íntegra da entrevista que Cukier deu à Folha por telefone.

Folha - Oficialmente, a Coreia do Sul e a Coreia ainda estão em guerra, porque ambas assinaram apenas um armistício em 1953. O que isso representa, simbolicamente, no contexto atual?


Heni Ozi Cukier - Isso simboliza o alto nível de mobilização militar que existe entre os dois países. É a zona mais militarizada do mundo, pode-se dizer. Isso cria uma situação muito frágil, muito tensa, em que qualquer deslize pode levar a uma guerra de proporções enormes. Um disparo errado numa situação de mobilização nesse nível automaticamente leva a uma escalada da violência muito rápida, diferentemente de outros conflitos, onde uma ação demora a ter uma reação e em que há tempo para se dialogar.


Folha - Nesse cenário, se considerarmos o ataque da Coreia do Norte ao navio sul-coreano, isso poderia ser visto como um deslize ou um ataque intencional?


Cukier - Primeiro, eu diria que o ataque existiu e foi cometido pela Coreia do Norte, sem dúvidas. Foram levantadas provas contundentes e houve muita cautela dos sul-coreanos para chegar a essa conclusão. Não responder ao ataque coloca-os numa situação difícil, e responder seria atacar novamente. Isso levaria a uma guerra, o que eles demonstraram claramente que não querem. Seul está há 40 quilômetros dessa fronteira altamente militarizada, seria um alvo fácil, e ambas as Coreias seriam destruídas.

Foi um ataque intencional aparentemente. Agora, a Coreia do Norte está levantando possibilidades para explicar isso --caso seja forçada a tomar uma posição. Está seguindo a linha de culpar um general, e um encaminhamento seria exonerar essa pessoa. Se tiver que assumir a autoria desse ato, vai fazer isso culpando alguém, dizendo que não foi o Estado. Seria a saída política do impasse.

Folha - O senhor acredita que ambas as Coreias estão dispostas a buscar uma solução alternativa ao confronto?

Cukier - A atitude da Coreia do Sul demonstra isso. Foi um ataque de proporções fora do padrão desse armistício, é o ataque mais violento, então a sociedade sul-coreana demanda uma resposta. A Coreia do Sul imediatamente veio a público, criou um grupo de investigações internacionais, e pediu que houvesse punição da comunidade internacional ao ataque da Coreia do Norte. Também indicou que cortaria laços comerciais e de ajuda financeira. Todas as posturas foram no campo de não uso da força, mas sim pressão diplomática e econômica.



As atitudes da Coreia do Norte não levam a crer que o país não queira a guerra: está sempre com ações provocativas, atitudes belicosas, declarações agressivas, buscando aumentar seu poderio bélico, construindo armas atômicas. No fundo, a guerra pode ser perigosa para o regime da Coreia do Norte, pode encerrar o regime de Kim Jong-il, mas essa mobilização do pré-guerra também ajuda a dar força para ele, pois é um país que tem extremos problemas internos. Ele mantém a ordem e o pulso firme no comando do país baseado na ameaça do inimigo externo, que serve para unificar o país em torno dele e minimizar os problemas internos causados com sua gestão.

Folha - E a comunidade internacional também demonstra querer evitar o confronto, não?


Cukier - Sim, porque ninguém quer se envolver em mais uma guerra. Os americanos já estão envolvidos em duas guerras e têm um problema seríssimo com o Irã. Então, outra frente de batalha não seria do interesse deles. Até porque, invariavelmente, envolveria a China. Seria um conflito de proporções globais extremas.

Folha - A China provavelmente se alinharia à Coreia do Norte?

Cukier - Provavelmente. Foi isso que aconteceu na guerra da Coreia [1950-53], quando os americanos entraram ao lado dos sul-coreanos e foram avançando e, quando chegaram muito próximo de conquistar o território, a China entrou na guerra e massacrou as forças americanas sob a bandeira da ONU até parar no meio do caminho de novo. Não é necessário e óbvio que a China entraria em um conflito agora, não é mais uma guerra ideológica entre o capitalismo e o comunismo, mas é difícil de a China não se envolver. A China se preocupa que o governo norte-coreano não caia, porque ela teme que os americanos vão unificar as Coreias e eles terão a presença americana na sua fronteira, sem falar nos problemas econômicos e de refugiados.

Folha - No caso de uma guerra hoje entre as Coreias, como ela seria, comparada à dos anos 1950?


Cukier - Seria um conflito com proporções muito maiores, particularmente se as duas potências se envolvessem --não acredito que de forma direta, mas indireta. Quem perderia mais seriam os coreanos, porque os dois territórios seriam completamente destruídos. E teria repercussões no mundo todo. A gente não consegue medir até que ponto e de que maneira a China se envolveria. Dependeria de como essa guerra fosse eclodir, ou o que causaria a guerra --um ataque da Coreia do Sul provavelmente levaria à entrada dos chineses.

Folha - Considerando que já há sanções em vigor contra a Coreia do Norte, como novas sanções afetariam o país?

Cukier - Em todos os conflitos do mundo, as sanções têm um resultado muito pequeno na mudança do comportamento dos regimes. O mais sacrificado é o povo mesmo, e isso acaba fortalecendo os regimes, porque eles usam isso como arma política dizendo :"vejam o que os outros do mundo estão fazendo conosco, com o povo norte-coreano". Já temos sanções há tanto tempo? O que mudou? Nada. É mais uma questão de legitimidade, de status, de estabelecer um culpado. O que a Coreia do Sul está tentando com isso é estabelecer um status político, mostrando: "vocês estão vendo, quero um reconhecimento cabal da comunidade internacional, por meio das sanções, de quem realmente está cometendo a agressão aqui e como eu estou me comportando". Para ficar muito claro seu direito de legítima defesa futuramente. Mas as sanções não resolvem; a solução é a mudança de regime.


Folha - Mas isso exigindo intervenção internacional?


Cukier - Isso teria de acontecer naturalmente, com a morte dele [Kim Jong-il], uma ruptura. Mas a China teria de deixar isso acontecer, e ela não deixa, porque teme qual seria o resultado dessa ruptura em termos de refugiados e questões econômicas. Além disso, Pequim perderia esse "para-choque" entre seu território e a presença americana na Coreia do Sul. Em terceiro lugar, a China usa a Coreia do Norte como um peão político para seu xadrez regional e global. A Coreia do Norte cumpre o papel de causar problemas que a China não pode causar. Ou, quando a Coreia do Norte causa um problema, a China se mostra como quem pode trazer a solução.

Fonte: FOLHA/MARIA CAROLINA ABE

No aniversário da Guerra da Coreia, Sul pede que Norte cesse "provocação"

60 anos depois do fim do conflito, tensão continua

O presidente sul-coreano, Lee Myung-Bak, pediu nesta sexta-feira à Coreia do Norte que cesse as "provocações militares", no dia em que os dois países lembram o 60º aniversário do começo da Guerra da Coreia (1950-53), em um contexto de grande tensão na península.

Sessenta anos depois de um conflito que deixou quase 3 milhões de mortos, a península continua dividida e separada por uma fronteira fortemente militarizada.

As tensões entre os dois países são grandes, principalmente depois do naufrágio de uma corveta sul-coreana, incidente que Seul atribui à marinha do Norte.

Em uma cerimônia em Seul, na presença de centenas de veteranos, o presidente Lee prestou homenagem aos soldados sul-coreanos e às forças da ONU.

Tropas de 21 países participaram no conflito do lado sul-coreano.

O presidente Lee declarou que o objetivo da Coreia do Sul "não era um confronto militar, e sim uma reunificação em paz". No entanto, o presidente pediu mais uma vez ao Norte que apresente desculpas pelo afundamento do navio Cheonan.

Também pediu ao Norte que "cesse suas provocações militares irresponsáveis e se comprometa a fazer com que "70 milhões de coreanos vivam juntos".

Durante uma cerimônia, o chefe das forças americanas na Coreia do Sul, general Wletr Sharp prometeu uma resposta "rápida e resoluta" a qualquer provocação do Norte.

Investigação

De seu lado, Pyongyang rejeitou qualquer responsabilidade no incidente de 26 de março, que custou a vida de 46 marinheiros sul-coreanos.

Uma investigação internacional atribuiu o naufrágio do navio de guerra a um torpedo norte-coreano.

A Coreia do Sul recorreu oficialmente ao Conselho de Segurança da ONU em relação a este incidente, um dos mais graves desde o armistício da Guerra da Coreia em 1953.

A Coreia do Norte ameaçou com uma reação militar em caso de uma condenação da ONU.

Conflito

As duas Coreias se encontram numa situação anacrônica na medida em que apenas assinaram um armistício e não um tratado de paz ao fim do conflito de 1950-1953, por isso continuam teoricamente em guerra.

A guerra, que terminou em 27 de julho de 1953 com um armistício, deixou entre dois e quatro milhões de mortos e terminou na criação de uma zona de segurança na fronteira mais militarizada do mundo.

O conflito começou em 25 de junho de 1950 quando o Exército norte-coreano atravessou o paralelo 38 para invadir o Sul, tomando Seul em três dias.

Em 3 de julho, o general americano Douglas McArthur foi nomeado comandante das forças da ONU, essencialmente americanas.

Vinte e oito mil e quinhentos soldados americanos continuam posicionados na Coreia do Sul para apoiar os 655 mil militares sul-coreanos frente a um exército norte-coreano de 1,2 milhão de homens.

Na quinta, Pyongyang atribuiu uma vez mais o início do conflito de 1950 "às provocações do Sul" e  por "60 anos de hostilidades e pelo sangue derramado", segundo a agência KCNA.

Coréia do Norte exige indenização pelos estragos sofridos na guerra

O governo do presidente dos EUA, Barack Obama, ridicularizou a Coreia do Norte nesta sexta-feira por pedir US$ 65 trilhões (cerca de R$ 115,8 trilhões) de indenização aos EUA pelos danos causados pela Guerra da Coreia (1950-1953).

Nesta sexta-feira completam-se 60 anos do início do conflito.

O Departamento de Estado dos EUA afirmou que a economia da nação comunista é um "caso perdido" devido às suas próprias políticas, e que a Coreia do Norte não pode culpar ninguém, além de si mesma, por seu isolamento e a miséria de seu povo.

Fila de refugiados sul-coreanos deixa Yongdong, tentando salvar seus pertences/AP - 26.jul.50

O porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley, chamou o pedido de indenização de "absurdo" e reforçou que Pyongyang deve respeitar acordos e renunciar às armas nucleares e parar de ameaçar seus vizinhos.

A Coreia do Norte, que chama o conflito de Guerra de Libertação da Pátria, disse que ele foi iniciado pelos EUA.

Na quinta-feira, a agência de notícias oficial Korean Central News divulgou uma lista com os danos que o Norte diz ter sofrido nas mãos dos EUA desde 1945. A KCNA diz que o Comitê para Investigação dos Estragos Feitos pelos EUA à Porção Norte da Coreia descobriu que o custo total financeiro sofrido pela Coreia do Norte chega a US$ 65 trilhões. A quantia é cerca de cinco vezes a dívida nacional dos EUA.

Críticas e comparações

Em meio a crescentes tensões entre as Coreias do Norte e do Sul, aliada aos EUA, Crowley notou que Seul agora é uma potência econômica e democrática, enquanto Pyongyang sofre sob uma ditadura que destruiu a economia nacional.


"O Produto Interno Bruto (PIB) da Coreia do Sul é agora seis vezes maior que o da Coreia do Norte, o que, para todos os intentos e propósitos, um caso econômico perdido", disse P.J. Crowley aos jornalistas. "Nós certamente esperamos que a Coreia do Norte olhe para o modelo exemplar de desenvolvimento e democracia da Coreia do Sul e escolha um rumo diferente do atual."

Crowley disse que a situação é uma "tragédia" para os norte-coreanos e colocou a culpa no "comportamento do governo da Coreia do Norte".

"É a hora de a Coreia do Norte aceitar a responsabilidade completa pelo que aconteceu nas últimas seis décadas", disse. "Em vez de entregar uma conta absurda aos EUA de, que?, US$ 65 trilhões, como já dissemos e repetimos várias, várias vezes há uma opção disponível à Coreia do Norte."

O humor neste 60º aniversário do início da guerra é bem diferente daquele visto no 50º aniversário, que ocorreu dias depois da conclusão da primeira reunião entre as duas Coreias em Pyongyang em toda a história.

A Coreia do Sul acusa a Coreia do Norte pelo afundamento da corveta sul-coreana Cheonan, em 26 de março, que matou 46 pessoas. Pyongyang nega a responsabilidade pelo incidente, apesar de uma investigação ter demonstrado o contrário.

As relações já eram ácidas desde que o conservador presidente Lee Myung-bak assumiu o governo em Seul em 2008, com uma linha mais dura em relação ao Norte que seu antecessor liberal.

Manifestações no Norte

Milhares de norte-coreanos se manifestaram na capital Pyongyang nesta sexta-feira para condenar os EUA e a Coreia do Sul no 60º aniversário do começo da Guerra da Coreia. Enquanto isso, Seul pediu que Pyongyang admita responsabilidade pelo afundamento de seu navio em março.

O líder Kim Jong-il não foi visto no evento.

Na Coreia do Norte, soldados e civis participam de manisfestação no centro de Pyongyang/AP

Uma grande faixa no protesto de Pyongyang mostrava um homem chutando um soldado americano, com o slogan "Exército dos EUA, fora". Outro dizia "Ponha-os para fora com um só soco", segundo gravações da emissora APTN.

Ao menos 120 mil pessoas marcharam pelas ruas, "erguendo gritos de ódio e ira contra os imperialistas americanos e o grupo de traidores sul-coreanos bajulando-os", segundo a agência de notícias oficial Korean Central News.

Soldados e civis lotaram a praça central da capital norte-coreana para gritar frases e ouvir a um discurso condenando os EUA, segundo imagens da APTN.


"Para estabelecer a dignidade de nosso povo e a autonomia de nosso país, nosso povo e Exército vão continuar a fortalecer a força nuclear para autodefesa", disse Kim Ki Nam, secretário do Comitê Central do Partido Trabalhista da Coreia do Norte.

Manifestações no Sul

Em Seul, uma cerimônia lembrou a guerra conhecida como "25/6", pelo dia em que começou. O presidente Lee Myung-back entregou placas de homenagem a representantes de países que enviaram soldados ou suprimentos para ajudar na guerra.

Veteranos da guerra participam em Seul de cerimônia pelos 60 anos do início da Guerra da Coreia/Ahn Young-joon/AP

"A Coreia do Norte deveria clara e francamente admitir e pedir desculpas por seus erros nessa provocação", disse Lee, referindo-se ao afundamento do navio sul-coreano em março.

Ele também pediu que Pyongyang assuma uma postura responsável em relação à comunidade internacional.

Participaram veteranos sul-coreanos e estrangeiros do conflito, embaixadores internacionais e soldados sul-coreanos e americanos. Os EUA têm cerca de 28.500 soldados na Coreia do Sul.

Guerra

O conflito da Coreia começou nas primeiras horas de 25 de junho de 1950, com um ataque de soldados norte-coreanos ao Sul.

A península Coreana foi dividida em 1945 após a derrota do Japão na Segunda Guerra (1939-45).

Os EUA e outros 15 países enviaram tropas para ajudar a Coreia do Sul, enquanto soldados chineses lutaram com a Coreia do Norte e a União Soviética forneceu apoio aéreo.

Três anos de combate devastaram os dois lados.

A luta terminou com um armistício, não um tratado de paz permanente, deixando a península em um estado de guerra oficialmente.

Refugiados em ponte sobre rio Taedong, Pyongyang, na tentativa de fugir do avanço das tropas chinesas/Max Desfor/AP - 4.dez.50

Fontes: FOLHA - AFP

Relator da ONU descreve Coreia do Norte como 'imensa prisão'

Documento diz que violações dos direitos humanos no país que são "atrozes e horríveis"

Casal sul-coreano passa por foto de criança norte-coreana vítima da fome, durante exposição de ONG defensora direitos humanos, em Seul/8.dez.2008/AP

Vitit Muntarbhorn, relator especial da ONU para os direitos humanos na Coreia do Norte, descreveu o país como "uma imensa prisão", onde o regime impõe "o terror".

A análise está em um relatório que será examinado na próxima segunda-feira (15) pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra.

"O regime de Pyongyang (capital da Coreia do Norte) instaurou um estado de terror generalizado, criando um Estado prisão onde o povo é exposto a abusos horrendos", afirma o relatório de Muntarbhorn.

No documento, o jurista tailandês pede ao Conselho de Segurança da ONU e ao Tribunal Penal Internacional (TPI) que atuem para combater a impunidade dos autores de ações que podem constituir crimes contra a humanidade.

"Há muitos tipos de violações dos direitos humanos que são simultaneamente atrozes e horríveis", destaca o especialista, que acusa o regime norte-coreano de "garantir a sobrevivência sacrificando o povo".

Muntarbhorn pede às autoridades do país que estabeleçam imediatamente um sistema equitativo de distribuição de alimentos e que ponham fim às execuções, às violências físicas e às violações dos direitos civis.

"Não há nenhum freio aos métodos utilizados para criar medo na população, que vão das execuções públicas à tortura, passando pelos castigos coletivos e os maus-tratos a mulheres e crianças", denuncia o jurista, destacando a onipresente vigilância da população.

O regime norte-coreano se nega a colaborar com Muntarbhorn, que não pôde visitar o país e elaborou o documento com base em testemunhos de pessoas que escaparam da Coreia do Norte.

Fonte: 7- AFP

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