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Justiça argentina contraria Kirchner e permite fusão de TVs a cabo

Justiça argentina decide contra governo

A Justiça argentina deixou sem efeito a resolução governamental 557/09 do Comitê Federal de Radiodifusão (Comfer) contra a fusão das companhias de televisão a cabo do pais Cablevisión e Multicanal, controladas pelo grupo Clarín, o maior conglomerado de meios de comunicação do país.

A medida foi um revés para a campanha do governo de Cristina Kirchner pela aprovação do projeto de Lei de Serviços Audiovisuais que determina a diminuição forçada dos conglomerados de mídia e a redução de participação em alguns mercados, como o de TV a cabo.

O principal afetado pela nova lei seria o Grupo Clarín, maior conglomerado de mídia argentina e líder no mercado de TV a cabo com 47% dos assinantes do país. O projeto limita em 35% o total de assinantes por operador.

O juiz Esteban Furnari ordenou nesta quinta-feira a suspensão da resolução emitida há duas semanas pelo Comfer contra a fusão das duas empresas e que obrigava a Cablevisión a apresentar um plano de desinvestimento.

A fusão das empresas foi anunciada pelo Grupo Clarín e a americana Fintech Advisory em 29 de novembro de 2006. Em dezembro do ano seguinte, a Comissão Nacional de Defesa da Concorrência aprovou a fusão com voto unânime, segundo a edição on-line do jornal "Clarín".

Quase dois anos depois, em 3 de setembro passado, um grupo de legisladores que debatem o novo projeto de Lei de Imprensa argentino e o chefe da comfer, Gabriel Mariotto, anunciaram a resolução proibindo a operação conjunta das duas empresas.

A resolução do Comfer, que agora ficou sem efeito, também ordenava a realização de uma auditoria e impedia às empresas remover ou substituir bens.

O "Clarín", em sua edição de hoje, informou que o juiz Furnari determinou que o Comfer não era habilitado para emitir uma resolução contra a fusão.

Multicanal e Cablevisión são controladas em 60% pelo grupo Clarín, enquanto que os 40% restantes das ações está em mãos da americana Fintech.

Fontes: FOLHA - Efe

Perseguição à mídia pauta fórum em Caracas

SIP realiza evento em Caracas

A SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) escolheu a capital da Venezuela, país que considera uma fonte de irradiação de perseguição à mídia na região, para realizar ontem seu Fórum de Emergência sobre Liberdade de Expressão, convocado "com um forte chamado para recuperar espaços democráticos e de liberdade de imprensa em países com governos autoritários populistas", em clara alusão a Venezuela, Equador, Bolívia e Argentina.

"Decidimos fazer o fórum de emergência porque é um problema sério em muitos países da América Latina. Escolhemos Caracas porque é daqui que está saindo a tônica que outros países têm repetido", disse à Folha o vice-presidente da SIP, o guatemalteco Gonzalo Marroquín.

Apesar de as críticas terem predominado no encontro, um dos participantes, o ex-presidente boliviano Carlos Mesa (2003-2005), remou um pouco contra a corrente ao advertir os integrantes da SIP dos riscos de os meios de comunicação da região assumirem o papel de partidos de oposição.

"Quando um meio, diante da falta de partidos políticos, tem de fazer o que os partidos não podem fazer, perde o equilíbrio e a objetividade", disse Mesa durante o encontro, que reuniu representantes de jornais, rádios e TVs filiados à SIP e entidades do setor.

Ao lado do ex-presidente peruano Alejandro Toledo (2001-2006), Mesa foi o convidado ilustre do fórum. Também estava prevista a participação do ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda, um duro crítico do governo Chávez. Ele, no entanto, cancelou a sua participação alegando "razões de segurança", segundo a organização.

Mesa, ex-proprietário da rede de TV PAT, fez o pronunciamento mais comentado do encontro ao realizar uma autocrítica em vez de ataques diretos a Chávez e aliados.

Segundo o boliviano, se os meios de comunicação se confundirem com partidos, "não poderão enfrentar mecanismos de totalitarismo disfarçados de democracia porque os meios não têm o poder de enfrentá-los mediante leis que não são desenhadas por eles".

Já Toledo seguiu o tom predominante do encontro, com duras críticas aos governos acusados de cercear a liberdade de expressão. O peruano felicitou a SIP por fazer o encontro "na própria boca do lobo" e afirmou que "nunca se pode governar democraticamente sendo contra a imprensa".

Sobre as críticas de Mesa, Marroquín afirmou que muitos meios de comunicação acabam funcionando como partidos políticos em decorrência da debilidade destes. "Mas esse papel pode ser feito de uma maneira positiva ou negativa para a própria imprensa e para a liberdade de expressão."

Ao longo do encontro, representantes de entidades nacionais de meios de comunicação criticaram ações consideradas contrárias à liberdade de expressão, como o projeto de lei em tramitação na Argentina, que reduz o tamanho de conglomerados de mídia e é visto como retaliação do governo Cristina Kirchner ao jornalismo crítico do Grupo Clarín.

Sobre a Venezuela, foram lembrados o fechamento de 34 emissoras de rádio, sob a alegação de que funcionavam ilegalmente, e a ameaça de fechamento da TV Globovisión, o mais importante meio crítico a Chávez desde o fim da concessão da RCTV, em 2007.

A situação brasileira foi exposta pelo diretor-executivo da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Ricardo Pedreira. Ele afirmou que, no momento, o país está em melhor situação que os seus vizinhos, mas expressou preocupação com decisões judiciais que exercem, segundo ele, "censura prévia".

Como é de praxe, a SIP foi duramente criticada pelo governo Chávez. A ministra das Comunicações disse que o encontro faz parte de uma campanha do "império" contra "governos progressistas".

Fontes: FOLHA/FABIANO MAISONNAVE

CNN acusa Fox News de mentir em anúncio sobre cobertura de protesto

Anúncio mentiroso gera reação da CNN


CNN DID cover tea party protests!


Âncora Rich Sánchez disse esperar que a Fox News peça desculpas à rede CNN

Um anúncio publicado pela rede de notícias Fox News no jornal "The Washington Post" nesta sexta-feira levou a uma reação inflamada da concorrente CNN. O anúncio questionava a suposta falta de cobertura da CNN e de outras TVs de um protesto contra o presidente Barack Obama realizado na semana passada em Washington. Após mostrar imagens do protesto que haviam sido exibidas na CNN, o jornalista Rich Sánchez disse que a Fox News mentia.

O anúncio de página inteira da Fox News, canal que faz uma cobertura abertamente conservadora e crítica do governo Obama, traz a imagem de uma multidão no protesto de sábado em Washington contra o aumento de impostos e a ampliação do tamanho do governo encimada pela pergunta: "Como foi que a ABC, CBS, NBC, MSNBC e a CNN perderam essa história?". Embaixo, ao lado do logotipo da Fox News o slogan: "Nós cobrimos todas as notícias"

Pela manhã, o correspondente da ABC News na Casa Branca Jake Tapper classificou o anúncio de "demonstravelmente inverídico" em sua página no serviço de microblog Twitter, e em seguida as redes citadas pela Fox News se manifestaram por meio de declarações afirmando terem feito uma cobertura equilibrada do protesto. Mas a resposta mais virulenta veio da CNN, horas depois.

O âncora Rich Sánchez, do programa "Newsroom" exibiu várias imagens do protesto na CNN, mostrando trechos de reportagens e de aparições ao vivo de repórteres. Em uma crítica à Fox News, Sánchez disse que a CNN, conhecida por ter uma inclinação mais liberal que a Fox News, fazia distinção entre as palavras "promover" e "cobrir".

"A verdade é que nós, sim, cobrimos as notícias e nós cobrimos extensivamente esse evento nós não promovemos o evento. É isso o que as verdadeiras organizações de notícias deveriam fazer", disse Sánchez, visivelmente irritado.

Dirigindo-se diretamente à Fox News, Sánchez disse que esperava um pedido de desculpas pelo anúncio e resumiu sua manifestação repetindo as palavras ditas pelo deputado Joe Wilson ao presidente Barack Obama durante um discurso no Congresso na semana passada, e que se tornaram um lema dos manifestantes conservadores: "Você mente!".

Fonte: FOLHA

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