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Marina oficializa neutralidade para segundo turno

Terceira colocada na eleição presidencial, Marina Silva (PV) oficializou na tarde deste domingo a opção pela neutralidade no segundo turno, como a Folha antecipou neste domingo.

Em votação simbólica, a ex-presidenciável, que recebeu 19,6 milhões de votos, referendou a posição para a nova etapa da corrida presidencial.

Dos cerca de 170 votantes, apenas quatro declararam apoio a Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB). Mesmo Fernando Gabeira, o candidato derrotado ao governo do Rio que contou com o apoio do tucano no primeiro turno, preferiu a independência do partido.

Individualmente, os filiados estão liberados para aderir às campanhas da petista ou do tucano. É o que Gabeira faz ao endossar a candidatura de Serra.

"O fato de não ter optado por um alinhamento neste momento não significa neutralidade quanto aos rumos desta campanha", disse Marina, na convenção do PV em São Paulo, em um espaço cultural na Vila Madalena.

Ela leu carta aberta com críticas ao que chamou de "dualidade destrutiva" entre PT e PSDB. Segundo Marina, os dois partidos pregam a "mútua aniquilação" na disputa entre Dilma e Serra.

"A agressividade do seu confronto pelo poder sufoca a construção de uma política de paz", atacou a senadora. A verde prometeu ainda defender sua fé --ela é evangélica--, sem contudo usá-la "como arma eleitoral" --uma crítica à dominação da pauta religiosa nesta nova fase da disputa.

O secretário de Comunicação do PV, Fabiano Carnevale, afirmou à Folha antes da convenção que a cúpula do partido se comprometeu a não aprovar decisão diferente da de Marina. "Está combinado que a posição oficial do PV será a mesma de Marina. Vamos marchar juntos."

Fontes: FOLHA/BERNARDO MELLO FRANCO

Trilhas opostas

Míriam Leitão e Alvaro Gribel

A verdade é que elas nunca se entenderam na hora das decisões. Marina e Dilma são opostos. Os conflitos foram abundantes nos anos em que ambas conviveram no governo. Dilma mandou alagar a Mata Atlântica, aumentou a energia fóssil na matriz, ignorou a colega no PAC, iniciou obras controversas e afastou Marina do Plano Amazônia Sustentável.

Dilma esqueceu dos conflitos por conveniência eleitoral, mas os registros ficaram nos jornais, nos relatos de testemunhas, nos documentos oficiais, nas decisões. Dilma fulminou com os depreciativos “minha filha” e “meu filho” todos os então assessores de Marina que a contrariaram. Alguns são da máquina pública. Alguns deixaram o governo depois de conflitos.

Em Copenhague, o então ministro Carlos Minc foi destratado. Hoje, Minc exibe uma amnésia conveniente, mas não pode pedir a quem esteve lá, como eu, que esqueça o que viu e ouviu. Um funcionário, experiente participante de Conferências do Clima, foi fulminado por Dilma numa reunião interna quando fazia sábias ponderações: “Olha menino, isso aqui não é coisa de amador, é para profissional.” A neófita no tema era ela.

Ressentimentos podem ser superados. Mais difícil são as consequências de decisões tomadas. A BR-319 foi um dos motivos do embate entre as duas. Liga Manaus a Porto Velho e atravessa 700 km de terra de ninguém. Foi construída pelo governo Médici, mas foi retomada de volta pela floresta. O último ônibus que transitou por lá foi em 1978. O governo quis refazê-la para dar capital a Alfredo Nascimento. Marina queria que fosse criada uma rede de áreas protegidas no entorno para evitar que a rodovia incentivasse a grilagem e o desmatamento. O governo nunca implementou isso e, perto da eleição, contornou a falta de licença ambiental, mandando o Exército iniciar as obras. Hoje, já há focos de grilagem e desmatamento no sul do Amazonas por causa dela.

Na BR-163, Marina coordenou, com o então ministro Ciro Gomes, o projeto para fazer da Cuiabá-Santarém uma estrada sustentável. Foram aprovadas unidades de conservação e instalação de postos de fiscalização e vigilância para proteger a região da grilagem, reduzindo o impacto ambiental. Marina ganhou a batalha, mas o governo não pôs em prática o prometido. Foi onde Minc capturou os bois piratas. Quem passou por lá recentemente viu que os bois voltaram.

Barra Grande é uma hidrelétrica no Sul do país que foi construída com um EIA-Rima fraudado, aprovado no governo anterior. Nele se dizia que na área a ser alagada havia um capoeirão. Na hora de fazer o lago, descobriu-se que era na verdade uma preciosa área de Mata Atlântica com Araucária. Dilma queria $a mata, Marina foi contra. A energia a ser gerada era pequena para tanto estrago e era convalidar um crime. José Dirceu, então chefe da Casa Civil, decidiu estudar um pouco mais o problema. Dilma quando assumiu o cargo mandou alagar a Mata.

Nas usinas do Rio Madeira houve um embate amazônico. O presidente Lula debochou dizendo que a briga era por um bagre, mas a briga foi maior e de novo opôs Marina e Dilma, já na Casa Civil, mas sempre elétrica. O MMA queria proteção contra o meio ambiente, peixes, matas, qualidade da água, prevenção contra o mercúrio e estudo do impacto da sedimentação. Dilma assumiu a defesa das empreiteiras, Marina ficou com as ONGs e o Ibama. A então ministra do Meio Ambiente conseguiu impor exigências que aumentam a segurança ambiental. Se forem cumpridas.

A diferença irreconciliável foi o PAC. Ele teria que ser feito junto com o Plano Amazônia Sustentável (PAS), para que as obras do século XXI não repetissem os crimes ambientais do governo militar. Dilma defendeu que o PAS fosse entregue ao então ministro Mangabeira Unger. O presidente Lula comunicou a decisão numa reunião ministerial, dizendo que Marina não poderia cuidar do Plano porque não era isenta. Foi o sinal verde para que o PAC passasse trator sobre os limites ambientais. Marina saiu do governo.

O substituto Carlos Minc brigou algumas brigas, mas perdeu as principais. Resistiu à licença para Belo Monte. As pressões da ministra Dilma foram explícitas e estão documentadas. Os diretores de licenciamento e energia do Ibama saíram. Os novos aceitaram a imposição de prazo numa reunião na Casa Civil no dia 7 de janeiro, e deram a licença em primeiro de fevereiro, apesar de os funcionários terem escrito que não houve tempo para avaliar os riscos ambientais. Tive acesso a documentos oficiais e publiquei na coluna “Ossos do Ofício”, em 17 de abril. Vejam no post acima. Os riscos ambientais e os fiscais de Belo Monte são imensos, mas ela é uma das obras do Plano de Aceleração da Candidatura de Dilma Rousseff.

Na reunião com alguns dos líderes eleitos da sua base, divulgada pelo Blog do Noblat, Jacques Wagner disse que as trilhas de Marina e Dilma sempre foram próximas. Quem viu os fatos, e rejeita o modelo stalinista de reescrever a história, sabe que as trilhas sempre seguiram direções opostas.

Fonte: O Globo/Míriam Leitão e Alvaro Gribel

PV definirá em 17 de outubro apoio no segundo turno

Movimento Marina Silva, intelectuais e religiosos terão direito a voto. Candidata teve 19% dos votos no 1º turno. Apoio é disputado por PT e PSDB

Marina Silva, durante coletiva após definição de segundo turno entre Dilma e Serra (Foto: Mariana Oliveira / G1)

O PV divulgou nesta quarta-feira (6), em São Paulo, que fará uma convenção no dia 17 de outubro, a duas semanas da votação do segundo turno, para deliberar sobre a posição do partido na disputa presidencial: se apoia Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB).

A convenção será em São Paulo, em local ainda não definido. De acordo com o coordenador da campanha de Marina, João Paulo Capobianco, a decisão será tomada por cerca de 90 delegados com direito a voto na convenção.

O grupo dos delegados será formado por 15 pessoas de fora do partido (Movimento Marina Silva, intelectuais e religiosos), por toda a executiva nacional (composta por cerca de 40 dirigentes), por candidatos ao Senado e ao governo pelo PV (mesmo os que não conseguiram vaga) e também por deputados federais eleitos.

Segundo o coordenador da campanha de Marina, o nome de todos os delegados, incluindo as pessoas de fora do partido, ainda serão divulgados. Questionado se todas as religiões teriam representantes, o presidente nacional da legenda e deputado federal eleito por São Paulo, José Luiz Penna, afirmou: "Terá evangélicos, católicos (...). Temos uma política clara contra intolerância religiosa. Temos a espiritualidade como postura", disse.

Nesta quarta (6), o PV convidou jornalistas para explicar como será definido o apoio no segundo turno. Além de Penna e Capobianco, participou também o vereador e deputado federal eleito pelo Rio, Alfredo Sirkis, que coordenou a campanha de Marina antes da oficialização da candidatura.

De acordo com Sirkis, há três posições que podem ser definidas na convenção: apoio à ex-ministra Dilma, apoio ao ex-governador Serra ou a "não participação no processo eleitoral".


"No primeiro turno, você vota no seu candidato do coração. No segundo turno, escolhe por exclusão. Pode haver, com razão, a decisão de não escolher nenhum dos dois", disse.


"Participar do segundo turno não significa aderir a um lado ou outro. Nós podemos chegar a um resultado sem nenhuma aliança. Aliança com um projeto e não com um candidato", completou Capobianco.'

Os dirigentes, no entanto, rejeitaram a palavra neutralidade. "Voto neutro jamais defendemos, podemos dizer voto independente. (...) A participação será ativa. Apoiando programa e defendendo que explicitem as propostas aos 20 milhões que votaram em Marina", disse Capobianco. Questionado se a rejeição à palavra neutralidade era apenas semântica, ele completou: "será uma postura independente. Pode se elogiar um candidato pelo programa sem aderir. Apoio gera apoio formal", disse.

Penna explicou que será possível que militantes e dirigentes discordem da posição adotada na convenção. No entanto, não poderão usar símbolos do partido ao se manifestar e terão de deixar claro que se trata de opinião pessoal.

Marina Silva disse nesta quarta, em entrevista à rádio Jovem Pan, que a decisão do PV sobre qual candidato apoiar não será unânime. "Em um partido como o PV não tem como imaginar, até pela diversidade que temos, ter um processo unânime, único", disse.

Ela obteve 19.636.359 votos no primeiro turno, o equivalente a 19,33% dos votos válidos, e ficou em terceiro lugar na disputa. Já foi procurada por PT e PSDB, que consideram importante um eventual apoio da candidata do PV.

Propostas

Alfredo Sirkis afirmou que, antes de definição do apoio, o PV pedirá que os candidatos a presidente incorporem as propostas de Marina, mas não haverá exigência de que se incorpore tudo. "Não é ame-o ou deixe-o. Não é faca no pescoço. (...) Evidentemente que vão ter que incorporar grande parte do programa e julgaremos o teor das discussões."

Ele disse que os dois candidatos do segundo turno "não têm programa de governo", em referência ao fato de Serra ter protocolado discursos no lugar do programa e de Dilma ter apresentado um documento do PT e depois substituído o documento por outro sem os pontos polêmicos.

Penna disse que o objetivo é que haja um aproveitamento das propostas. "Fizemos 36 [deputados] estaduais, 15 [deputados] federais. É um momento maravilhoso. Queremos aproveitar o prestígio das urnas no futuro programa de governo dos candidatos."

'Incoerência'

Questionado se será uma incoerência caso o PV apoie um dos dois candidatos, já que Marina disse durante a campanha do primeiro turno que os dois eram iguais, o presidente nacional da legenda respondeu: "Não é só no Brasil. Internacionalmente, também buscamos alianças no campo da social-democracia e [PT e PSDB] são dois campos da social-democracia. [Definir por um ou por outro] não causaria estranheza. (...) Marina reconheceu publicamente os avanços dos 16 anos da social-democracia, tanto do governo FHC quanto do governo Lula."

Os dirigentes também não quiseram responder se terão cargos em um eventual governo, caso decidam pelo apoio a um dos dois candiatos. "Discussão de governo é posterior ao segundo turno. Somos políticos, não futurólogos", disse Sirkis. Ele também evitou dizer se o PV espera que Marina volte a se candidatar em 2014: "2014? A nossa capacidade de especular não vai tão longe."

Fonte: G1/ Mariana Oliveira

Eleições 2010: Brasil terá grande surpresa', diz Marina Silva em Rio Branco

Candidata disse acreditar em segundo turno.
 Familiares, amigos e correligionários recebem a candidata Marina Silva no aeroporto de Rio Branco, no Acre/Eduardo Knapp/Folhapress

Cerca de 80 pessoas, entre parentes e correligionários, foram ao aeroporto de Rio Branco na noite deste sábado (2) recepcionar Marina Silva.

A candidata do PV chegou à capital acriana às 23h40, depois de percorrer quatro Estados no último dia de campanha.

Ao desembarcar na terra natal, onde deve votar na manhã deste domingo, foi saudada pelo refrão "gente, gente, gente, Marina presidente". Nem a divulgação das últimas pesquisas de opinião antes da eleição, diminuiu o entusiamo.

Ao comentar o índice de 17% dos votos válidos que alcançou segundo o Datafolha, contra 31% de Serra e 50% de Dilma, a candidata ainda apostava numa virada.

"Vai ter segundo turno, se Deus quiser e o povo brasileiro também", disse Marina, apostando em um confronto com Dilma Rousseff. "O que está nas ruas é muito maior do que está aparecendo nas pesquisas e isso será revelado amanhã [hoje]".

Depois da rápida entrevista, a candidata seguiu para um hotel no centro da capital acriana para se reunir com os familiares. Foi recebida pelo marido, Fabio Vaz, pelo pai, Pedro Augusto da Silva, e por cinco dos sete irmãos, além de dois dos quatro filhos.

Antes de votar na manhã de hoje, a candidata vai participar de um grupo de oração na igreja Assembleia de Deus que costuma frequentar em Rio Branco. Um ritual que repete em todas as eleições. "Vou começar o dia como sempre, orando com o meu pastor na minha igreja." 

Após votar


Marina Silva na seção eleitoral em Rio Branco(Foto: Nathalia Passarinho/G1)

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, disse neste domingo (3), depois de votar em Rio Branco, no Acre, que fará um governo de união, caso eleita.

Ela afirmou estar confiante em um segundo turno e disse que o Brasil está preparado para ter uma mulher na Presidência.

"Há uma sinalização de que os brasileiros estão prontos para o feminino na Presidência da República, por isso estão me levando para o segundo turno para que duas mulheres possam apresentam apresentar suas propostas", disse Marina Silva.

Marina afirmou ainda que se vencer as eleições, convidará políticos de diferentes partidos para compor o governo. "Se ganhar, vou compor minha base com os melhores de todos os partidos. O Brasil do século 21 quer uma mulher que aprendeu com Chico Mendes a dialogar com todos os setores, fazer críticas sem querer destruir os oponentes".


Fonte: FOLHA - TV Globo

Para Marina, há uma ''crise institucional''

Marina vê grave crise das instituições

Em campanha no Rio, onde concentrou atividades na Baixada Fluminense e em bairros da zona norte, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, preferiu não se estender nos comentários às denúncias de corrupção na Casa Civil.

Indagada sobre as denúncias contra o filho da ex-ministra Erenice Guerra, ela direcionou suas declarações a uma crise institucional. Criticou os longos mandatos causados pela reeleição, que, segundo ela, "propiciam um clima de vale-tudo nas campanhas eleitorais".

"Nada no Brasil é encarado institucionalmente. No meu governo, as instituições vão funcionar com neutralidade, observando o princípio da probidade, da legalidade e da impessoalidade. É por isso que sou contra a reeleição. Na reeleição, vale tudo para se eleger. Sou favorável ao mandato único.", disse.


"Essas denúncias todas, como o caso do Amapá, uma outra coisa lamentável, mostram porque esse segundo turno é importante. É importante para que o Brasil se comprometa com uma nova política, com projetos, com programas, e não com vale-tudo", resumiu.

Fonte: Irany Tereza /O Estado de S.Paulo

Marina Silva questiona metodologia das pesquisas de intenção de voto

Marina expõe fragilidade das pesquisas de intenção de voto

Marina Silva/Foto:Consciência.Net

Apesar de as últimas sondagens indicarem vitória da petista Dilma Rousseff no primeiro turno, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, minimizou neste sábado o resultado das pesquisas e questionou suas metodologias. Diante disso, disse acreditar numa virada na reta final que a leve ao segundo turno.

"O que aparece nas pesquisas não é o que vejo nas ruas. Não sei se elas [as pesquisas] mentem, mas os processos metodológicos são falhos. Já falharam comigo. Eu terminei uma eleição no Acre [seu Estado natal] com 8% nas pesquisas e tive 60% dos votos."

Marina Silva, porém, se recusou a associar a esperada alavancagem na reta final às denúncias que envolvem a ex-ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra, braço-direito da candidata do PT quando Dilma estava no governo.

Para Marina, a divulgação das denúncias, que "devem ter apuração séria pelo ministério público", é uma "politização do processo eleitoral". "O Brasil vive uma triste uma contradição. Vive um avanço na economia e no social e um retrocesso político. Não faço vale-tudo para ganhar eleição".

Guerra deixou o governo na quinta-feira, após denúncias de envolvimento de familiares da ex-ministra relacionadas à prática de lobby dentro da Casa Civil e supostos esquemas de recebimento de propina.

Comentário:

Marina disse que a divulgação das denúncias é uma "politização do processo eleitoral". Ora, todo processo eleitoral é um ato político em si mesmo.

Fonte: FOLHA/FÁBIA PRATES

Marina diz que Brasil enfrenta 'barbárie administrativa'

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, classificou hoje como "barbárie administrativa" o período por que passa a gestão pública brasileira. 

"Avançamos na questão econômica e na questão social, mas estamos diante de um retrocesso político sem tamanho", disse a candidata, referindo-se às denúncias envolvendo a quebra do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao candidato José Serra (PSDB) e à suspeita de existência de um esquema de tráfico de influência na Casa Civil.

Marina acredita que a discussão em torno das denúncias será inevitável no debate entre os presidenciáveis marcado para hoje à noite, na RedeTV!. "Isso só não pode ser usado como estratégia para ganhar votos por quem quer que seja. Tem que haver um compromisso de passar a gestão pública a limpo", ressaltou.

Pela manhã, a candidata do PV esteve no Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu, na zona oeste capital paulista, acompanhada de seu candidato à vice, Guilherme Leal, e do candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PV, Fábio Feldmann.

Após a visita, Marina comentou a participação do País como sede dos dois maiores eventos esportivos mundiais, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

"O investimento deve ser feito com participação da iniciativa privada. O Estado deve se focar nas questões de infraestrutura, orientando os investimentos para que, após o evento, os empreendimentos não se transformem em estruturas obsoletas e verdadeiros elefantes brancos", disse.


Fontes: O ESTADO DE S PAULO - JOANA MATUSHITA - Agência Estado

Marina Silva é entrevistada pelo Jornal da Globo

Candidata do PV é a última de série com presidenciáveis. Dilma Rousseff foi entrevistada na segunda (30), e José Serra, na terça.


A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, foi entrevistada na edição desta quarta-feira (1º) do Jornal da Globo pelos apresentadores William Waack e Christiane Pelajo. A candidata Dilma Rousseff (PT) foi ouvida na edição de segunda-feira (30), e José Serra (PSDB), na de terça-feira (31). A ordem das entrevistas foi definida em sorteio. A entrevista tem duração de 20 minutos e foi dividida em dois blocos. Veja abaixo a íntegra de cada bloco, em vídeo, e leia a transcrição das perguntas e respostas.

William Waack: Boa noite. Bem-vinda, candidata.

Christiane Pelajo: Boa noite.

Marina Silva: Boa noite.

William Waack: A senhora tem uma campanha com dificuldades financeiras, mas onde a senhora está na pesquisa foi, na sua maneira de interpretar, algo muito positivo e inesperado ou muito pouco?

Marina Silva: Olha, William, eu acho que eu... o que nós conseguimos até agora foi algo muito positivo e vai continuar sendo positivo.

William Waack: Acima das expectativas?

Marina Silva: Eu diria que está nas expectativas porque discutir o Brasil é a expectativa de quem está preocupado com a educação, com a segurança, com a melhoria da qualidade de vida, com a proteção do meio ambiente. E estas eleições, elas estavam indo por um caminho, no meu entendimento, muito negativo, que era o de ficar fazendo debate que não interessa. Medindo o currículo, medindo o passado, quando na verdade nós temos avanços que precisam ser integrados, mas temos imensos desafios que precisam ser enfrentados e erros que precisam ser reparados. Erros graves. Nós ainda temos ainda cerca de 40% das nossas crianças que entram no ensino fundamental e não chegam sequer à oitava série. Isso é muito grave. A gente tem um sistema de saúde que, por mais que seja bem pensado, que é o Sistema Único de Saúde, as pessoas levam meses para conseguir um exame especializado e horas e horas nas filas. Esse Brasil profundo precisa ser debatido e ele estava sendo, é... resvalado. Em lugar de fazer o debate, as pessoas estavam se preparando para o embate. E, agora, com a nossa candidatura, com o nosso projeto, a gente sente que tem um debate e a sociedade se mobilizando espontaneamente, que é uma coisa que não acontecia mais...

Christiane Pelajo: Candidata...

Marina Silva: ...na política.

Christiane Pelajo: Candidata, a senhora construiu sua vida política no Acre, estado que representa. Nos últimos dez anos, a senhora esteve ligada ao grupo político do PT, que domina a política local no Acre. O que que pode explicar que nesse tempo todo tão pouco tenha sido feito pelo desenvolvimento do estado?

Marina Silva: Olhe, Christiane, se você olhar para o Acre há 10, 20 anos atrás, dizer esse tão pouco, é... Talvez não seja justo com a história do Acre. Não sei se você lembra, mas ali nós tínhamos um processo em que tinha esquadrão da morte, uma associação do esquadrão da morte com o narcotráfico, pessoas inocentes eram assassinadas, é... O episódio da motosserra, do Hildebrando Pascoal. Não havia Estado democrático de direito no estado do Acre. E um grupo se levantou para construir aquele estado. Muita coisa foi feita, sim... Os índices...

Christiane Pelajo: Mas, candidata, a gente tem alguns números aqui: 73% do estado não têm esgoto, 54 não têm água encanada, 10% da população é analfabeta.

Marina Silva: Eu concordo com você que são índices muito graves. Não é? E em dez anos obviamente que você não consegue reverter isso. E eu não quero minimizar a gravidade desses fatos. Mas ali não pode esquecer que existe uma oligarquia que negligenciou aquele estado o tempo todo. O Acre era território, ele passou a ser um estado, depende de repasses da União. Nós tínhamos ali uma situação de completa degradação social. Agora, obviamente que é grave o que acontece ainda no Acre, mas muita coisa mudou e mudou para melhor. Difícil é imaginar que o estado mais rico da Federação – que é o estado de São Paulo – tenha uma situação como eu vi lá na favela da Mata Virgem – que de mata virgem não tem nada – que é uma ocupação numa área de manancial, esgoto a céu aberto, mais de dez mil pessoas onde não tem um equipamento público... aqui no estado de São Paulo. Por isso que eu estranhei que no programa do governador Serra ele tenha apresentado uma favela virtual. Porque tem uma favela real. O Acre é um estado pequeno com desigualdades sociais muito grandes como temos no Norte, no Nordeste. Agora, como explicar que isso aconteça aqui em São Paulo, onde você tem uma população que não tem nenhum atendimento por parte do estado como é o caso da favela da Mata Virgem. E o estado do Rio de Janeiro, por exemplo, que é o segundo mais rico da Federação? Está em antepenúltimo lugar em educação. Um dos piores índices de educação. Então essa realidade é a realidade do Brasil profundo. É por isso que nós estamos insistindo em debater o Brasil, debater o que interessa e não ficar essa guerra entre o vermelho e o azul...

William Waack: Vamos...

Marina Silva: Pra ver quem é que tem um mundo mais fantasioso. Não é? É uma novela que a gente vê nos programas de TV.

William Waack: Vamos lá. Vamos, vamos na sugestão que a senhora acabou de fazer. Vamos debater os grandes temas. A senhora, por exemplo, quando confrontada com alguns deles: aborto, drogas, às vezes a senhora diz: "Através de um plebiscito deveríamos resolver essa questão". Outras ocasiões, em outras ocasiões, a senhora afirma que é o Congresso, por exemplo, o caso do aborto, que deveria ser o... a instância responsável por decisões. Onde é que a senhora acha que é plebiscito, onde é que a senhora acha que é o Legislativo que tem que tomar a decisão?

Marina Silva: William, tenho mantido a mesma posição. O problema é que o plebiscito é também uma aprovação do Congresso. Não é o Executivo que faz. Mas a minha posição é que um tema com essa complexidade que envolve questões éticas, questões morais, questões filosóficas, questões religiosas, que não há muita informação sobre o tema, que a gente faça o plebiscito para que aquilo que é necessário que aconteça – que é o debate – possa acontecer o debate. Mas um debate que não seja esse, é... enfim, raivoso, onde os que são contra o aborto ficam taxando as outras pessoas como se elas fossem é...

William Waack: Mas o plebiscito não esvazia as instituições democráticas?

Marina Silva: Não, não esvazia. Senão, nós teríamos...

Willian Waack: Veja, por exemplo, o exemplo da Venezuela...

Marina Silva: Não, mas no caso do plebiscito para esses temas, eu diria que faz com que as instituições também se coloquem no lugar de debater. Olhe só o que aconteceu em relação à questão do sistema de governo. Presidencialismo ou parlamentarismo? Foi um esvaziamento das nossas instituições...

William Waack: Isso foi da nossa geração, ainda...

Marina Silva: Isso... Foi? Não foi, pelo contrário. E a sociedade disse, em alto em bom tom, que queria o presidencialismo. Eu fiz uma campanha a favor do parlamentarismo e acho que o Congresso até tinha uma simpatia pelo parlamentarismo. Foi melhor a sociedade ter debatido, mas debatendo – não é? – com 'D' maiúsculo e não simplesmente aquela coisa raivosa que um fica taxando o outro de ser reacionário, o outro taxando o outro de estar querendo perverter as instituições...


Christiane Pelajo: Candidata...

Marina Silva: Ou a família.

Christiane Pelajo: Candidata, o partido da senhora é menos conhecido do que os partidos dos seus adversários. As pessoas talvez não tenham muita clareza nas posições do partido da senhora. Quem seriam os seus parceiros preferenciais na política externa e também comercial?

Marina Silva: Eu acho que a política externa a gente não pode medir apenas a partir da visão de parceiros pré-estabelecidos. Você orienta a política externa a partir de princípios e com esses princípios você se relaciona com os seus parceiros, interlocutores ou até mesmo com aqueles que você tem divergência. Um princípio fundamental para um país como o Brasil, não é? Dar continuidade a todo o movimento que fizemos nos últimos 150 anos de uma cultura de paz. Nós estamos em paz com as nossas fronteiras, isso é um princípio. Portanto, não vamos fazer nenhum movimento na direção de favorecer qualquer outra atitude que não seja a da negociação, da relação pacífica entre os povos, da cooperação. Um outro princípio: a defesa dos direitos humanos, a defesa da democracia, isso é um princípio. Quando você orienta a política externa por princípios, você se relaciona com quem quer que seja, mas não relativiza os princípios e aí os teus interesses comerciais, os teus interesses particulares, eles não são tratados apenas no caso a caso...

William Waack: Candidata, tem um exemplo prático aí diante de nós para ver como é que a senhora aplicaria os princípios que a senhora acabou de descrever, que é o Irã. O Irã é uma ditadura teocrática que está, obviamente, subvertendo a ordem da não proliferação internacional. Como a senhora aplicaria esses princípios ao Irã?

Marina Silva: Afirmando o princípio e trabalhando por eles e com certeza não daria a audiência que foi dada a Ahmadinejad, que causou um estranhamento nas democracias ocidentais e inclusive China também. Se não se colocou na mesma perspectiva... Eu acho que o diálogo é importante, ninguém pode ser criticado pelo diálogo, mas não se pode fazer em nome do diálogo um movimento político que acaba favorecendo um ditador, que não respeita direitos humanos, que não respeita as liberdades políticas, que tem presos políticos e que tem como objetivo construir e fazer a bomba atômica.

William Waack: A senhora não teria feito o que o presidente Lula fez?

Marina Silva: Eu não teria dado a audiência que foi dada, não faria o movimento que foi feito, ainda que não condene o diálogo. O diálogo deve ser feito. Não é? Um país que diz que o Estado de Israel tem que ser riscado do mapa, eu acho que nega o, enfim, tudo que aconteceu com o holocausto, não tem condição de você ficar dando audiência para esse tipo de político.


Christiane Pelajo: Vamos mudar um pouco de tema, candidata. A senhora diz que é um milagre da educação. No entanto, o governo do qual a senhora mesmo participou mudou muito pouco o quadro da educação. O que que a senhora, em um eventual governo da senhora, mudaria?

Marina Silva: Prioridade em relação aos investimentos. A educação é a melhor forma de promover a inclusão social, de criar igualdade de oportunidade para todas as pessoas. É... Nós tivemos, Christiane, um avanço sim nos últimos 16 anos. Hoje nós temos acessibilidade para 100% das nossas crianças no ensino fundamental. Nós saímos no governo do presidente Lula de 600 mil vagas para mais de um milhão de vagas. Isso é um avanço. Qual é o problema? É a falta de qualidade. A educação não é de qualidade. Quarenta por cento das crianças que entram no ensino fundamental não chegam à oitava série. Nós ainda temos cerca de 15 milhões de jovens que estão analfabetos. Nós não temos um ensino atualizado para os temas deste início de século, uma profissionalização que dialogue com os novos fazeres, com as novas práticas econômicas, que crie novos produtos, novos materiais. É preciso dar um reforço no ensino técnico e no ensino tecnológico, e isso não está acontecendo no Brasil. É uma prioridade. É preciso fazer uma revolução na educação. Nós estamos vivendo, pasmem os senhores, um apagão de mão-de-obra. Nós estamos importando engenheiros, geólogos, físicos, químicos para os melhores postos de trabalho no Brasil. Por quê? Por falta de prioridade na educação.

Christiane Pelajo: Eu peço para a senhora continuar aqui com a gente. A gente volta daqui a pouquinho, no próximo bloco, com mais entrevista com a candidata do PV, Marina Silva. Até já.

2º bloco



William Waack: Candidata, os ambientalistas em todo o mundo têm uma postura que, se pode dizer um denominador comum, é criticar uma sociedade de consumo que impõe ao planeta, talvez, uma carga que as gerações futuras não possam mais suportar. Até onde o Brasil, cujo crescimento é baseado em grande parte em consumo, pode prosseguir nesse caminho?

Marina Silva: Eu diria que fazendo aquilo que o mundo inteiro está procurando fazer, que é evitar a destruição do planeta sem as consequências indesejáveis dessa mudança. É possível... é... crescer, produzir, sem destruir. E, se nós... se não for possível, não há um caminho para a trajetória da humanidade. Como eu não acredito nisso...


William Waack: Mas, candidata, todo mundo quer carro, todo mundo quer consumir. Imagine todos os chineses consumindo, imagine esses milhões de brasileiros que agora estão chegando a um novo padrão de consumo. Como é que a senhora vai dizer para eles "não dá"?

Marina Silva: Não é dizendo simplesmente "não dá". É criando alternativas. O transporte público no Brasil é uma vergonha. E as pessoas compram carros para ficar três horas no trânsito. Se tiver um transporte público de qualidade, se tivermos sistemas corretos de ciclovias, para que as pessoas possam ter outras alternativas. As pessoas estão ficando cada vez mais conscientes. O que não pode é você, simplesmente, fazer a crítica do atual modelo sem apresentar uma alternativa. A sociedade está sensibilizada para as mudanças e para as transformações. O que falta é a visão estratégica, o pensamento e o investimento para que se faça essa mudança. Isso é válido para todos os setores. Hoje nós temos uma matriz energética que está ficando suja em função de que colocaram termoelétricas a carvão, a gás, na... e a diesel na nossa matriz energética, quando a energia produzida do vento já tem um custo semelhante ou até mais barato do que a energia produzida pelas termoelétricas. Isso é falta de visão estratégica. Se nós continuarmos vivendo o estilo de vida do tipo cinco planetas, nós vamos inviabilizar a vida de todo mundo. Se nós buscarmos os meios juntando a ciência, a ética que nós temos em relação às futuras gerações, já existe boa parte das respostas técnicas.

Christiane Pelajo: Candidata, a senhora tem falado com muita frequência que é preciso reduzir os gastos públicos. Como é que a senhora faria isso, onde a senhora cortaria, caso seja eleita?

Marina Silva: Primeiro nós temos que ver a questão do gasto público pelo lado da eficiência. Nós somos um país que arrecada tributos e tributa muito, mas usa mal os tributos públicos e o recurso público. A saúde não tem a qualidade necessária, a educação não tem. Nós temos ainda 80% da população que não tem acesso a esgoto tratado no nosso país. Então você arrecada tanto e entrega pouco, olhando pelo lado da eficiência do gasto. Uma outra coisa: evitando o desperdício. Isso a gente evita com transparência, fechando o dreno da corrupção. Sabia que o dreno da corrupção daria para quase dobrar o orçamento da educação, que hoje é de 5% do nosso PIB? Isso é reduzir o gasto público. E fazendo com que este Estado não entre na velha discussão, Estado demais, Estado de menos. Eu gosto da ideia do Estado necessário, mas não o Estado provedor, que se agiganta achando que vai fazer tudo e ainda vai fazer o resto. Nem o Estado apenas fiscalizador, sabe? Que, se não tem competência para prover, não tem competência para fiscalizar. Um Estado mobilizador, eficiente e transparente. E uma coisa que nós nos comprometemos claramente: nós vamos, é... limitar o gasto público, o crescimento do gasto público, à metade do crescimento do PIB, para evitar o descontrole em relação às contas públicas.


William Waack: É uma proposta muito ambiciosa essa que a senhora está fazendo, de limitar os gastos públicos à metade do crescimento do PIB, com tudo que já foi comprometido para o próximo orçamento, que a senhora eventualmente como presidente administraria. Como é que a senhora vai enfrentar isso?

Marina Silva: Com... os, os meios que eu acabei de mencionar. Eu acho que tem uma coisa que o brasileiro tem que aprender, que a melhor forma de ter essa eficiência é através da transparência. Quantos programas são feitos que não são avaliados? Que gastam recursos, que têm funcionários públicos e que entregam tão pouco para o benefício da população?

William Waack: A senhora vai enfrentar a máquina?

Marina Silva: Eu vou enfrentar aquilo que é o desperdício dentro da máquina e fazer com que o Estado deixe de ser visto como máquina e passe a ser visto como uma instituição que olha para as pessoas, que olha para o cidadão para prestar um bom serviço. Quem foi que disse que eficiência só é uma, uma... digamos assim, um meio, um bem que se consegue na iniciativa privada? Eu estive no Ministério do Meio Ambiente e conseguimos muita coisa com poucos recursos. Conseguimos diminuir desmatamento de uma forma reconhecida no mundo inteiro com um orçamento de 390 milhões. Sabe como? Fazendo com que esses recursos pudessem ser integrados dos vários ministérios, servidores públicos do Ministério da Fazenda, Ciência da... Ministério da...

Christiane Pelajo: Candidata...

Marina Silva: Defesa, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente...


Christiane Pelajo: Aproveitando...

Marina Silva: Trabalhando junto.

Christiane Pelajo: Aproveitando que a senhora está falando justamente da sua gestão no Ministério do Meio Ambiente, os ruralistas se queixam de que na sua gestão no ministério foram criadas áreas de proteção irreais, quer dizer, parte da produção agrícola brasileira já está em situação ilegal dentro destas novas reservas. Como é que a senhora resolveria esse problema?

Marina Silva: Primeiro que não é verdade que as reservas foram criadas de forma ilegal. Nós criamos 24...

William Waack: Não, as reservas são legais, quem está produzindo nelas é que está ilegal.

Christiane Pelajo: Sim, sim. Isso.

Marina Silva: Ah, eles estão ilegais, sim, uma boa parte está ilegal.

Christiane Pelajo: A situação é que é ilegal.


Marina Silva: E eu tenho dito, Christiane, uma coisa. Nós não podemos querer mudar o teste, nós temos que passar no teste. O Brasil pode dobrar sua produção agrícola sem precisar derrubar mais um pé de mato. Sabe como? Utilizando as tecnologias da Embrapa. E as pessoas, em lugar de fazer disso, lutar por isso, pelos recursos, pelos incentivos, pela assistência técnica, estão reivindicando produzir mais destruindo mais recursos naturais. Você sabe o quanto se produz na Amazônia – não é? – em termos da produção na pecuária? Uma cabeça de gado por hectare. Já existe tecnologia que permite que possa dobrar essa produção e ainda liberar cerca de 70 milhões de hectares para outras atividades produtivas. Essa visão atrasada é que precisa mudar – não é? – e eu acho que não vai mudar se os políticos continuarem fazendo discurso fácil. Esse discurso de compactuar com a ideia de mudar o teste em lugar de passar nele. Para passar no teste, é preciso criar os incentivos, fazer a transição, buscar agregar valor, tecnologia, conhecimento, inovação, para a gente aumentar a produção...

William Waack: Candidata...

Marina Silva: Por ganho de produtividade.

William Waack: Candidata, a senhora não falou a palavra, mas eu vou falar, a senhora está falando do agronegócio. É um setor fundamental para a balança comercial brasileira e para a alimentação do país. É um dos setores que se desenvolveu alheio ao Estado, até. E eles têm orgulho disso. O Brasil se tornou, a partir do sucesso do agronegócio, um dos maiores exportadores mundiais de frango, café, suco de laranja, carne... Repito, sem a ajuda do governo. Agora a senhora se diz a solução para o agronegócio. A senhora vai mostrar para o agronegócio para onde ele deve ir?

Marina Silva: Eu diria que, em alguns aspectos, sim.

William Waack: Quais?

Marina Silva: Porque esta visão de opor meio ambiente e desenvolvimento é o caminho para onde não deve ir. E, lamentavelmente, esse, essa visão permanece em parte do agronegócio. Não dá para a gente generalizar. Não são todos, já existem muitos que estão indo pelo caminho positivo de passar no teste. Agora, é verdade que é responsável por mais de 30% da nossa balança comercial, é verdade que uma parte investiu em pesquisa. Aqui em São Paulo, a produção agrícola e a produção de carne têm altíssima tecnologia. Por que não pensar em fazer o mesmo na Amazônia? Por que quando é o Cerrado, a Amazônia, o Pantanal, a caatinga, as pessoas acham que podem fazer de qualquer jeito? Esse não é o melhor caminho. Se nós fizermos as coisas da forma certa, vamos gerar novos empregos, novos produtos, novos materiais. Vamos apostar em pesquisas, tecnologia, e ainda vamos criar uma nova narrativa para os nossos produtos.

Christiane Pelajo: Candidata...

Marina Silva: Em lugar de sermos vistos, desculpe, Christiane, como aqueles que são os vilões do meio ambiente, nós vamos ser a grande solução. O Brasil reúne as melhores condições para fazer a diferença.

Christiane Pelajo: Eu queria fazer mais uma última pergunta, a gente tem menos de um minuto, então a resposta tem que ser muito rápida. O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina e o maior exportador mundial desse produto. Ambientalistas dizem que essa liderança foi conquistada e é mantida às custas do desmatamento. A senhora concorda com isso?

Marina Silva: Uma parte sim. Não dá para generalizar. É... às vezes a gente fala o agronegócio, a agricultura, como se fosse uma coisa só. Tem gente que está na vanguarda. E esses precisam ocupar a cena, liderar o processo, não deixar que o Brasil seja o tempo todo visto lá fora como se fosse o país em que as regras não são respeitadas. Não é? Nós precisamos, por exemplo, transformar o álcool numa commodity. Por que que ainda não aconteceu isso? Porque o Brasil perdeu oito anos. Em lugar de fazer a certificação, só fazia propaganda.

Christiane Pelajo: Candidata, seu tempo acabou.

Marina Silva: Obrigada.

Christiane Pelajo: Muito obrigada...

William Waack: Obrigado.

Christiane Pelajo: ...candidata Marina Silva, do PV.

Fontes: G1 - TV Globo

Marina Silva participa de sabatina no Grupo Estado

A candidata do PV é entrevistada às 10h nesta quarta-feira; internautas podem enviar perguntas via Twitter, Facebook e YouTube


SÃO PAULO - O Grupo Estado realiza sabatina nesta quarta-feira, 1º, com a candidata à Presidência da República pelo PV, Marina Silva. O evento acontece às 10h na sede do Grupo Estado e terá ampla cobertura na internet, no estadão.com.br, e no jornal, no dia seguinte.

Uma página especial na web transmite ao vivo a sabatina e atualiza os comentários do blog da equipe de Política. Tudo o que se fala no Twitter sobre a sabatina também será atualizado na página.

Marina Silva será entrevistada pelos jornalistas Roldão Arruda, Flávia Tavares e pelo editor-executivo Luiz Fernando Rila. Além disso, os internautas podem enviar perguntas pelo Facebook, acessando o perfil do Estadão, e pelo Twitter, adicionando a hashtag #sabatinaestadao.

É possível também enviar questões via YouTube. Para isso o internauta deve enviar o link de seu vídeo com a pergunta pelo Twitter (usando #sabatinaestadao) ou postar o link na caixa de comentários deste post, abaixo.

Na próxima segunda-feira, 6, será a vez de José Serra, do PSDB, participar de sabatina no Grupo Estado. A candidata Dilma Rousseff, do PT, não confirmou presença. No dia 8, acontece debate entre presidenciáveis, em parceria do Estadão com a TV Gazeta.

Política às 5. Também amanhã, às 17h, o estadão.com.br promove sabatina com o candidato ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, do PSB. No estúdio da TV Estadão, Skaf responde a perguntas dos jornalistas Roberto Godoy, André Mascarenhas, Roberto Almeida e Felipe Machado e também a questões dos internautas. A sabatina é trasmitida ao vivo pela internet.


Fonte: O ESTADO DE S PAULO

Em jantar da comunidade judaica, Marina critica aproximação com Irã

Marina Silva critica aproximação com Irã e defende Israel

Convidada de honra de um jantar organizado pela comunidade judaica em São Paulo, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva (PV), fez coro à posição de Israel em relação ao Irã, reiterando manifestações que já vinha dando recentemente em relação à aproximação diplomática entre Brasil e o país governado por Mahmoud Ahmadinejad.

Em entrevista antes do jantar oferecido pela Conib (Confederação Israelita do Brasil), na casa do empresário Roberto Klabin, a candidata do PV também defendeu as inspeções de navios que se aproximam da costa da Faixa de Gaza, ainda que sejam com ajuda humanitária para o território.


"O Estado de Israel tem o direito de fazer a inspeção para evitar a entrada de armas pelos grupos que às vezes promovem atentados terroristas. Mas a ajuda humanitária, obviamente, tem que chegar e ninguém pode ser contra ela. O direito de inspecionar essa ajuda é um direito de proteção do Estado", afirmou a senadora, ao lado do presidente da Conib e do hospital Albert Einstein, Claudio Lottenberg.

Israel mantém um bloqueio militar a Gaza. No fim de maio, um grupo de seis barcos com ajuda humanitária foi atacado por israelenses, ao se aproximar da costa de Gaza, pelo Mar Mediterrâneo. Dez pessoas morreram. Israel afirma que agiu em legítima defesa, respondendo a agressões iniciadas pelas embarcações.

Marina, contudo, defendeu a existência de um Estado palestino, mas "dentro das condições viáveis que devem ser negociadas de parte a parte".

Em relação à política brasileira em relação ao Irã, a candidata voltou a condenar a postura brasileira, sem, no entanto, pregar rompimento de relações diplomáticas com o regime de Ahmadinejad.

"Politicamente, tem sido feito movimentos que não favorecem a tradição brasileira de afirmação dos direitos democráticos, da defesa dos direitos humanos e das liberdades", disse Marina.

Em maio, com a intermediação dos governos brasileiro e turco, Ahmadinejad firmou um acordo nuclear envolvendo troca de urânio enriquecido. Mas, o acordo acabou sendo visto com ceticismo pelas grandes potências, que mantêm sanções ao Irã.

Fontes: FOLHA - Agências

Marina defende asilo a iraniana e critica política externa brasileira

Marina Silva ataca política externa brasileira

Diante de uma plateia estimada em 7.000 pessoas, a maior parte mulheres, que participavam hoje (15) pela manhã de um congresso em uma igreja evangélica, em Manaus (AM), a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, condenou o preconceito e a discriminação contra o sexo feminino.

Em outro momento, a presidenciável defendeu abrigo e asilo para a iraniana condenada à morte no Irã, mas criticou a política internacional do Brasil com o país.

Durante o evento, Marina autografou seu livro biográfico e posou para fotos. Pregou por 40 minutos, utilizando a Bíblia para falar de discriminação e preconceitos.

"Deus não discrimina ninguém. Durante muitos anos, milhares de anos, éramos consideradas incapazes. Não existe fundamento para nenhum preconceito ou discriminação. Nem do ponto de vista político, nem filosófico e nem teológico. Todos nós somos iguais. E as mulheres precisam ter os seus direitos respeitados, precisam contar com igualdade de oportunidade", afirmou.

Em relação à iraniana Sakineh Ashtiani, presa desde 2006 e condenada à morte por apedrejamento, pelo crime de adultério, Marina defendeu a postura do governo brasileiro de oferecer asilo político a ela. "É uma posição correta. A gente deve, sem fazer nenhum tipo de ingerência, respeitando as relações bilaterais, afirmar sempre os valores da defesa da vida e dos direitos humanos. Isso é uma luta de toda a humanidade".

A candidata do PV, porém, fez críticas à postura que chamou de "ambígua", adotada pelo governo, em relação à defesa dos direitos humanos.

"O Brasil avançou em vários aspectos dentro do G-20, com o protagonismo da defesa dos nossos direitos e interesses comerciais e econômicos. Na relação com os países da África, ampliando o nosso apoio e solidariedade. Mas na questão dos direitos humanos, passamos uma mensagem ambígua, quando não se teve uma postura correta de solidariedade com os presos políticos de Cuba, e quando se deu audiência para o [presidente do Irã, Mahmoud] Ahmadinejad, que não respeita os direitos humanos. É fundamental que o Brasil, que tem tradição de defesa da democracia e direitos humanos, afirme esses valores em todos os espaços da sua política externa", afirmou.

Comentário BGN

O fato é qu este governo não vai mudar esta política exzterna imoral, ideológica e mercenária.

Fonte: FOLHA/KÁTIA BRASIL

Marina chama Lula de "general eleitoral", mas minimiza participação do presidente

Marina Silva minimiza importãncia de Lula no processo eleitoral

No dia em o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é esperado em comício da candidata petista Dilma Rousseff à Presidência, no Rio de Janeiro, a candidata do PV, Marina Silva, minimizou o impacto da participação direta do presidente em busca de votos para a ex-ministra da Casa Civil.

"Por mais relevantes que sejam os generais eleitorais, o principal protagonista desse processo se chama sociedade brasileira", afirmou Marina Silva em entrevista à imprensa em Goiânia, onde cumpre agenda nesta sexta-feira (16).

Lula inicia hoje uma série de cinco grandes eventos, onde pedirá votos para a candidata do PT ao Palácio do Planalto. O presidente é esperado em comício na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, após caminhada de Dilma e do candidato ao governo do estado Sérgio Cabral (PMDB).

"É altamente gratificante ver que as pessoas estão (...) mostrando que não basta escolher um candidato e dizer para o povo: 'vote neste'. O povo tem o direito de escolher aquele com quem se identifica com as propostas, com as trajetórias, com o compromisso", afirmou Marina após caminhada pelo centro de Goiânia.

Cerca de cem simpatizantes acompanharam a caminhada de Marina da Praça do Bandeirante até o mercado municipal da capital do Estado. O candidato ao governo do Estado Vanderlan Cardoso (PR), apoiado pelo PV, não compareceu ao evento.

Cardoso recebeu a visita, no início do mês passado, da candidata do PT, que ainda terá no Estado o palanque de Iris Rezende (PMDB). O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) apoia a candidatura do tucano Marconi Perillo.

CARTILHA

Marina Silva preferiu não se manifestar sobre cartilha distribuída pela Secretaria Especial de Políticas para as mulheres que pede voto para as mulheres --o material inclui um discurso de Dilma.

"Desde que a gente aprovou a lei das cotas ficou aprovado que se criaria incentivo de participação das mulheres na política. Eu não sei se [a cartilha] tem alguma tendenciosidade. Eu preciso verificar primeiro antes de acusar", afirmou a senadora licenciada.


Fonte: FOLHA/Flávia Foreque

Marina critica falta de transparência na compra de caças

Durante a visita que fez à Embraer, em São José dos Campos, nesta segunda-feira (12), a candidata do PV à presidência da república, Marina Silva, criticou o modo como o governo brasileiro tratou o acordo para a compra de novos caças... Leia aqui

Marina declara patrimônio de R$ 149 mil e Guilherme Leal, de R$ 1,1 bilhão

A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, pediu nesta quinta-feira ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o registro de sua candidatura.

Ela estimou um gasto de R$ 90 milhões durante a sua campanha.

Na declaração de bens, Marina afirma ter uma casa em Rio Branco no valor de R$ 60 mil, lotes que somam R$ 42,4 mil e uma conta bancária de R$ 46,7 mil. Somado, o seu patrimônio é de R$ 149 mil.

Já a lista de bens do vice, o empresário Guilherme Leal, sócio da Natura, ainda está sendo digitalizada pelo TSE. O seu patrimônio é de cerca de R$ 1,1 bilhão.

Os candidatos têm até o dia 5 de julho para se registrarem na Justiça Eleitoral.

Fonte: FOLHA

Marina busca agenda 'Avatar'

Pré-candidata pelo PV tenta aproximação com o cineasta James Cameron por 'ativismo ambiental'

Marina Silva, senadora e pré-candidata à Presidência pelo PV, está buscando uma aproximação com o cineasta James Cameron, vencedor de três Oscar pelo blockbuster Avatar.

Marina acredita que o filme, detentor da maior bilheteria da história do cinema, é mais um gatilho importante para o ativismo ambiental , plataforma essencial de sua campanha.

Se tudo ocorrer como planeja a equipe da pré-candidata, um encontro com Cameron está próximo de acontecer. Nos dias 26 e 27 de março, ambos devem participar, ao lado do ex-vice-presidente dos EUA Al Gore e do ecólogo Thomas Lovejoy, do Fórum Internacional de Sustentabilidade, que será realizado em Manaus (AM).

Assessores da senadora estão esperançosos, mas cautelosos sobre a confirmação do encontro com o cineasta. Como o fórum começa em uma semana, é preciso acelerar contatos com interlocutores e assessores de Cameron para estabelecer uma agenda conjunta entre os dois no Brasil.

Para isso, Marina aposta nos argumentos que estão em texto publicado em seu blog (minhamarina.org.br) desde o dia 2 de março, logo após ter assistido ao filme. "Avatar e a síndrome do invasor", título do post da senadora, compara sua infância nos seringais do Acre à história dos Na"vi, o povo da floresta criado por Cameron.

"Teve um momento, vendo Avatar, que me peguei levando a mão à frente para tocar a gota d"água sobre uma folha, tão linda e fresca. Do jeito que eu fazia quando andava pela floresta onde me criei, no Acre", destaca Marina.

Em seguida, a senadora passa a descrever pontos de conexão entre suas experiências de vida e Avatar. "É incrível revisitar, misturada à grandiosidade tecnológica e plástica de Avatar, a nossa própria vida." Até chegar ao que considera a essência do filme. "Avatar nos leva a tomar partido", grifa Marina.

Cameron já havia descrito a ambiciosa jornada de ficção científica como elemento desencadeador do ativismo ambiental. O cineasta disse à imprensa internacional ter recebido feedbacks de ambientalistas sobre a temática do filme, especialmente sobre a ligação entre sustentabilidade e a vitória do bem sobre o mal.

Marina concorda e vai além. "Não só ao estilo bem contra o mal, mas em favor da beleza, da inventividade, da sobrevivência de lógicas de vida que saiam da corrente hegemônica", anota.

Uma das cenas consideradas mais emblemáticas do filme, e que seria o ponto de partida para o ativismo ambiental, é a que mostra a derrubada de uma árvore , a casa do povo da floresta. Cameron aponta a imagem como a matriz de um sentimento de revolta.

Marina disse ter ido às lágrimas com a derrubada da árvore. "Chorei diversas vezes e um dos momentos mais fortes foi quando derrubam a grande árvore. Era a derrubada de um mundo, com tudo o que nele fazia sentido."

Fonte: O ESTADO/Roberto Almeida

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