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Senado rejeita ouvir Erenice e Dilma

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), considerou o assunto "matéria vencida"
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado rejeitou nesta quarta-feira requerimento convidando a ex-ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra a prestar esclarecimentos sobre o suposto esquema de favorecimento de empresas privadas em negociações com órgãos públicos durante sua gestão na pasta. Com isso, o requerimento que convidava a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) a falar sobre as denúncias foi retirado da pauta pelo autor do primeiro pedido, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).


O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), considerou o assunto "matéria vencida". Ele lembrou que há um inquérito na Polícia Federal sobre as acusações e que a audiência com a ex-ministra "seria uma tentativa de criar um fato político".

A comissão instaurada na Casa Civil para apurar as denúncias teve seus trabalhos prorrogados por mais 20 dias. O prazo inicial terminaria nesta quarta.

O filho da ex-ministra, Israel Guerra, é acusado de usar a influência da mãe para cobrar propina em negociações entre empresas privadas e o governo.

Após as denúncias, Erenice Guerra pediu demissão do cargo. Mais dois funcionários da Casa Civil deixaram o órgão após denúncias de que também estariam envolvidos no suposto tráfico de influência.

Comentário

Sempre há quem facilite a vida daqueles que estão em apuros

Fonte: Terra

Mais um cai do galho: assessor da Casa Civil pede demissão

Mais um cai do galho

BRASÍLIA - A Casa Civil tem mais uma baixa em seu quadro com um dos funcionários apontados em denúncia de suposto tráfico de influência dentro do órgão. Gabriel Laender, ex-advogado da Unicel pediu demissão do cargo - ele era assessor da Casa Civil e integrante do comitê gestor do Programa de Inclusão Digital. O pedido de exoneração foi publicado nesta terça-feira no Diário Oficial da União.

Gabriel Laender trabalhou durante oito anos como advogado da Unicel, empresa apontada em reportagem da revista Veja como favorecida em licitações na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para operar no ramo de telefonia móvel via rádio.

Após o episódio, Laender foi integrado ao quadro da Casa Civil como assessor no Programa de Inclusão Digital, que trabalha para ampliar o acesso da população à internet com planos baratos de banda larga.

Fonte: Jornal do Brasil

Casa Civil prorroga investigação sobre Erenice Guerra

Ex-ministra deixou o cargo após denúncias de tráfico de influência. Filho de Erenice teria promovido lobby no governo em troca de comissões.

A Casa Civil prorrogou por 30 dias os trabalhos da comissão instaurada para investigar o suposto envolvimento da ex-ministra Erenice Guerra em tráfico de influência no órgão. A portaria que prorroga o prazo de investigação foi publicada nesta segunda-feira (18) no "Diário Oficial da União".

Erenice pediu demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 16 de setembro, após ter sido envolvida em denúncias de tráfico de influência na Casa Civil.

Saulo e Israel Guerra, filhos de Erenice, teriam utilizado a influência da mãe na Casa Civil para facilitar a negociação de contratos públicos com empresas privadas. Ambos atuavam na empresa Capital Assessoria e Consultoria.

O prazo aberto para a comissão instalada na Casa Civil concluir a apuração do caso terminou neste domingo (17). Com a prorrogação dos trabalhos por mais um mês, o resultado só será conhecido após o segundo turno das eleições. O resultado dos trabalhos será apresentado ao ministro interino da Casa Civil, Carlos Eduardo Esteves Lima.

Além de Erenice Guerra, os funcionários da Casa Civil Vinicius Castro e Stevan Knezevic também deixaram o órgão após as denúncias de suposto tráfico de influência. A Polícia Federal (PF) também investiga o caso e encaminhou pedido de prorrogação do prazo de investigação à Justiça Federal no Distrito Federal.



Fontes: G1 - TV Globo

PF e TCU vão investigar nova suspeita de tráfico de influência na Casa Civil

Para procurador, 'é difícil que cada fato seja apenas uma mera coincidência'. Segundo revista, houve propina na compra de medicamento; governo nega.

Marinus Marsico, procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União/Imagem:Reprodução: TV Globo

A denúncia, segundo a revista, partiu de Marco Antônio Oliveira, tio de Vinícius, e ex-diretor dos Correios, demitido do cargo por Erenice. A declaração de Marco Antônio foi gravada, segundo a “Veja”.

Neste sábado, no Rio de Janeiro, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, negou qualquer irregularidade na aquisição do medicamento e disse que a Casa Civil não teve participação na negociação. Mesmo

A Polícia Federal e o Tribunal de Contas da União vão investigar uma nova denúncia, divulgada pela revista “Veja” deste final de semana, envolvendo parentes e amigos da ex-ministra Erenice Guerra. O procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) disse que vai pedir que as novas denúncias sejam investigadas

“Pela sucessão de indícios, observamos que há realmente tráfico de influência. É difícil que cada fato desses seja apenas uma mera coincidência", afirmou o procurador Marinus Marsico.

Segundo a revista, funcionários da Casa Civil teriam recebido no ano passado propina pelo contrato emergencial de compra do medicamento Tamiflu, usado para combater a gripe H1N1, entre eles, Vinicius de Oliveira Castro, compadre e apontado como sócio do filho da ex-ministra Erenice Guerra.

A denúncia, segundo a revista, partiu de Marco Antônio Oliveira, tio de Vinícius, e ex-diretor dos Correios, demitido do cargo por Erenice. A declaração de Marco Antônio foi gravada, segundo a “Veja”.

Neste sábado, no Rio de Janeiro, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, negou qualquer irregularidade na aquisição do medicamento e disse que a Casa Civil não teve participação na negociação. Mesmo assim, pediu investigação da Policia Federal.


“Todo o processo de aquisição desse medicamento foi realizado diretamente entre o Ministério da Saúde e o único laboratório produtor desse medicamento no mundo. A Casa Civil não teve nenhuma interferência nesse processo, nenhuma participação”, disse.

A oposição não ficou satisfeita com as explicações. Quer que Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, vá ao Senado falar sobre estas e outras denúncias de tráfico de influência contra Erenice Guerra. Alega que Dilma era a ministra na época das denúncias contra Erenice, que ocupava a secretaria executiva da pasta.

"Ela deve explicações, ela tem que explicar. Ela não pode se esconder. Os fatos ocorreram quando a ministra da Casa Civil era Dilma Rousseff. A ela cabe dar explicações", disse o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), vice-líder do partido no Senado.

O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que a oposição quer tirar proveito eleitoral das denúncias e que o governo vai investigar tudo.


“A população brasileira vai ter oportunidade de saber a verdade sobre isso porque a Polícia Federal vai até o fim sobre essas denúncias. A oposição ao presidente Lula, desde o começo, vem tentando, através da tática da acusação de denúncias sem provas, mudar o quadro eleitoral”, afirmou.

Além da Polícia Federal, a Comissão de Ética Pública da Presidência, o Tribunal de Contas e a Controladoria-Geral da União investigam denúncias de tráfico de influência supostamente praticado por parentes e amigos de Erenice Guerra junto a órgãos públicos. Não há prazo para a conclusão das investigações.


Fontes: G1 - TV Globo

Assessor de Erenice recebeu propina na Casa Civil, diz revista

'Veja' diz que advogado, que já deixou o governo, levou R$ 200 mil em operação de compra de Tamiflu quando Dilma era ministra

BRASÍLIA - Em nova denúncia envolvendo pessoas ligadas à ex-ministra Erenice Guerra, que deixou na quinta-feira a Casa Civil, o advogado Vinícius de Oliveira Castro - também afastado da função - foi apontado neste sábado, 18, pela revista Veja, como beneficiário de uma propina de R$ 200 mil, numa operação de compra, pelo governo, de remédio contra a gripe suína.

O episódio, diz a revista, aconteceu em julho do ano passado, quando Erenice Guerra era ainda secretária-executiva da ministra Dilma Rousseff. Vinícius, parceiro de vários negócios de Israel Guerra, filho de Erenice, surpreendeu-se um dia ao chegar à sua mesa de trabalho e encontrar na gaveta um envelope fechado com o dinheiro. "Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?", perguntou. Um colega explicou: "É a PP do Tamiflu, é a sua cota. Chegou para todo mundo". "PP" é a sigla para os pagamentos oficiais do governo - mas, naquele diálogo, queria dizer propina. Tamiflu é um antiviral que o Ministério da Saúde comprou do Laboratório Roche, para combater a gripe H1N1.

A reação do Planalto à nova denúncia foi imediata. Além de se informar que a Polícia Federal investigará o caso, o ministro da Saúde, José Temporão, teve uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu explicações e recomendou que falasse à imprensa. Na entrevista, no Rio, Temporão garantiu que seu ministério tem plena autonomia para compras emergenciais e nada fez de irregular.

"Isso não existe", garantiu. Ele lembrou que o Roche era o único fornecedor do produto, o antiviral fosfato de oseltamivir (o Tamiflu). O governo tinha naquele momento (julho de 2009) um estoque de 9 milhões de doses e comprou mais 14,5 milhões, numa operação emergencial em que foram gastos R$ 34,7 milhões.

Estratégico. 

"O Ministério julgou a quantidade necessária para compor o estoque estratégico por critérios técnicos balizados por parâmetros internacionais", defendeu-se o ministro. Quanto a eventual propina, sustentou que "não há hipótese" de alguém da Casa Civil ter entrado na negociação. "Só há um produtor e tínhamos uma pandemia. Qual seria a necessidade de alguém intermediar?"

Um especialista de compra de produtos de saúde ouvido pelo Estado disse, no entanto, estranhar a estratégia adotada para a compra do antiviral. Segundo ele, o estoque de 9 milhões de doses era suficiente, na época, para atender a 5% da população. Nessas condições, seria mais lógico usar a matéria-prima, mandando processá-la "o mais rapidamente possível, em laboratórios públicos".

O que o governo fez, para o especialista, foi comprar demais, num momento em que a demanda, e também os preços, estavam no pico. Faria mais sentido, em sua avaliação, usar o estoque disponível e reforçá-lo mais tarde, a preços menores. Corre-se o risco, agora - prosseguiu -, de o estoque adquirido em 2006, cuja validade termina em 2016, não ser usado a tempo e o produto ser "jogado ao mar".

Antes da coletiva de Temporão, o Ministério da Saúde divulgou nota negando a denúncia e argumentando que o medicamento foi comprado por preço 76% inferior ao do mercado. O laboratório Roche também negou a intermediação.

A reportagem da Veja afirma, sobre essa intermediação, que Vinícius de Castro, o beneficiário da propina, confidenciou o episódio a pelo menos duas pessoas: seu tio, Marco Antônio de Oliveira, diretor dos Correios, e outro amigo que trabalhava no governo. A revista diz ter depoimentos gravados dos dois confirmando o teor da confissão. Vinícius teria informado que outros três funcionários da Casa Civil teriam recebido os mesmos R$ 200 mil que ele achou na gaveta.

Caso Unicel. 

A denúncia da Veja menciona uma segunda operação que envolve, desta vez, o marido de Erenice Guerra, o engenheiro elétrico José Roberto Camargo Campos. Ele teria sido favorecido dentro do governo, em 2005, quando uma pequena empresa de comunicações da qual era diretor, a Unicel, conseguiu uma concessão da Anatel para operar telefonia celular em São Paulo.

No caso, Camargo convenceu dois amigos, donos da empresa de comunicações, a disputar o mercado da telefonia. A autorização para a Unicel atuar no ramo, mesmo exibindo condições modestas, teria sido uma decisão pessoal do então presidente da Anatel, Elifas Gurgel.

Durante a negociação, segundo a reportagem, técnicos da agência reguladora teriam vetado a autorização, mas Erenice Guerra teria pressionado para que os pareceres fossem revistos. Um técnico que teria mudado seu parecer seria Jarbas Valente, em seguida promovido a conselheiro da Anatel. Valente garantiu, ao Estado, que jamais alterou seu voto, contrário à concessão da outorga. Ele explicou ainda que a redução do valor da licença, de 10% para 1%, obtida pela empresa, deveu-se a uma liminar judicial, e não ao conselho da Anatel.

Comentário

Para onde se olha, acha-se indícios de corrupção e irregularidades na máquina pública federal. Uma vergonha mesmo, mas acima de tudo, uma tragédia nacional. Agora, a imprensa deveria ter ido a fundo nestas questões, desde sempre e não somente agora, em período eleitoral.


Fontes: Lígia Formenti e Andrea Jubé Vianna - O Estado de S.Paulo

Dilma afirma que não sabia de lobby na Casa Civil

Dilma afirmou desconhecer que havia um esquema de propinas

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou hoje em Campinas (SP), no interior do Estado, que não sabia da existência de um esquema para facilitar interesses de empresa privadas na Casa Civil e nem da atuação de Israel Guerra, filho de Erenice Guerra, no governo.

Israel é acusado de fazer lobby em prol de empresas privadas no ministério comandado por Dilma. A ex-ministra criticou a imprensa por dar credibilidade ao consultor Rubnei Quícoli, autor das denúncias contra Israel. Quícoli diz que o filho de Erenice cobrava comissão para facilitar negócios no governo federal.

"Não cheguei a tomar conhecimento. Agora, eu acho estarrecedor que se dê credibilidade a uma pessoa com aquele currículo", disse Dilma, durante entrevista coletiva.

Com duas condenações na Justiça, Quícoli chegou a ficar preso cerca de dez meses.

A petista também disse que não teve conhecimento dos alertas que o consultor Rubnei Quícoli enviou ao e-mail da Casa Civil apontando a existência de um esquema de lobby operado no governo. "Não cheguei a tomar conhecimento", disse.

Dilma afirmou também desconhecer a participação de Israel em assuntos de governo.

"Não tinha nenhum filho da Erenice na Casa Civil. O que tinha lá eram amigos dele [trabalhando no governo]. Se esses amigos cometeram algum delito, lamento a indicação deles, lamento profundamente", afirmou a candidata.

Segundo ela, os culpados "dessa história" --envolvendo Erenice Guerra-- têm que ser rigorosamente punidos, independentemente de quem sejam.

Sobre Erenice, ela afirmou que não se pode condená-la sem provas. "Qualquer ato que a desabone tem que ser provado, e não vice-versa. Eu aguardo, não faço pré-julgamento. A ministra Erenice trabalhou comigo e, enquanto trabalhou comigo, demonstrou muita capacidade."

Dilma foi a Campinas para participar de um comício, que contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pela manhã, tomou café com o ator Benício Del Toro, que está de passagem no Brasil.


Fonte: FOLHA/ANA FLOR e MAURÍCIO SIMIONATO

Empresário que fez a denúncia planeja deixar o país

Fábio Baracat voltou a falar com VEJA e diz temer retaliações por parte do governo

Fabio Baracat, empresário envolvido em denúncias contra Israel Guerra, filho de Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil (Manoel Marques)

VEJA desta semana voltou a trazer declarações do empresário Fábio Baracat, a principal fonte da reportagem que, na edição anterior da revista, revelou o esquema de corrupção na Casa Civil.

Depois da revelação do escândalo por VEJA, o governo buscou desqualificar Bacarat. O empresário divulgou uma nota ambígua, que parecia desmentir a reportagem. Por isso a revista - que já tinha gravado suas declarações anteriores - voltou a procurá-lo.

Além de confirmar o que dissera anteriormente, Baracat aceitou ser fotografado e afirmou, em nova entrevista gravada, que sofre perseguições. Ele disse temer por sua vida e afirma que vai passar “um tempo fora do país”. Por enquanto, está vivendo no interior de São Paulo por medo de retaliações. Veio à capital para conversar com os repórteres.

Baracat reafirmou ter se encontrado com Erenice Guerra, antes e depois de ela assumir o ministério da Casa Civil. Num desses encontros, Erenice reclamou do atraso no pagamento de uma das parcelas que Baracat entregava a seu filho Israel para que ele cuidasse de seus interesses em repartições do governo. Disse ela a Baracat: “Olha, você sabe que a gente está aqui na política, e a gente tem que cumprir compromissos. A gente é político, não pode deixar de ter alguns parceiros”.

Segundo Baracat, ficou subentendido que o dinheiro seria destinado a alimentar o PT ou seus aliados.


Fonte: VEJA

À deriva

Dora Kramer

É o que dá o Congresso despir-se de suas prerrogativas, a oposição não funcionar, a sociedade se alienar, a universidade se calar, a cultura se acovardar, o Ministério Público se intimidar e a Justiça demorar a decidir: perde-se a referência do que seja certo ou errado.

Chega-se ao ponto de uma testemunha dizer com todos os efes e erres que uma quadrilha de traficantes de influência funciona a partir da Casa Civil da Presidência da República e que a segunda pessoa na hierarquia, substituta da ministra hoje candidata a presidente do Brasil, intermediava contatos mediante o pagamento de R$ 40 mil mensais.

Foi essa quantia que o consultor Rubnei Quícoli disse ao jornal Folha de S. Paulo que o filho e o afilhado da ministra cobraram dele para "apressar" a liberação de recursos do BNDES.

Antes disso, a revista Veja já apresentara outro caso - menos contundente até - de venda de influência na Casa Civil, com a mesma família da mesma Erenice Guerra, até ontem ministra e, na época da transação denunciada agora, secretária executiva e braço direito de Dilma Rousseff.

Se Dilma não sabia quem era Erenice, trabalhando com ela desde o Ministério de Minas e Energia, e se Erenice não sabia o que faziam seus parentes é ainda pior. Duas ineptas a quem se pode enganar facilmente, sendo que uma delas se dispõe a dirigir a República, a fazer escolhas estratégicas e a se responsabilizar por milhares de contratações.

Quando se trata de escândalos é arriscado falar em superlativos. Sempre pode haver um maior e um mais grave no dia seguinte. Mas o governo habitualmente dá um jeito de encerrar o assunto, jogar a sujeira para debaixo do tapete de maneira a tornar tudo banal e absolutamente sem importância diante dos benefícios que recebem os mais pobres, o crédito dos remediados e as benesses dos mais ricos.

Será udenismo, farisaísmo, tucanismo, direitismo ou golpismo considerar grave a Casa Civil - o gabinete mais importante da República depois do presidencial - ser o centro de três escândalos, um pior que o outro, no período de seis anos?

No primeiro, em 2004, descobriu-se que o braço direito do ministro era dado à prática da extorsão; foi filmado pedindo propina a um bicheiro. Waldomiro Diniz foi demitido "a pedido" e nada mais aconteceu.

No segundo, em 2007, descobriu-se que fora produzido na Casa Civil um dossiê com os gastos de Fernando Henrique e Ruth Cardoso para chantagear a oposição na investigação sobre gastos da atual Presidência. Um funcionário de baixo escalão foi devolvido ao "órgão de origem".

Na época, a desfaçatez chegou ao ponto de a então ministra Dilma Rousseff dizer que telefonara para se desculpar com a ex-primeira-dama e que fora uma boa conversa. Ruth, falecida pouco depois, não desmentiu Dilma em público, mas nem houve pedido de desculpas nem a conversa foi cordial.

No terceiro, em 2010, é o que se vê e ouve. Erenice Guerra, era mais do que evidente, precisava sair para preservar a candidatura de Dilma e acalmar a grita. Não fosse a proximidade da eleição, a amiga Erenice continuaria sendo defendida como foi até horas antes de aparecer uma testemunha da tentativa de extorsão e enterrar os argumentos sobre golpes, factoides e armações.

Mesmo que seja verdadeira a inverossímil versão de que ela redigiu uma nota de resposta sem consultar nenhum capa preta do palácio, Erenice apenas seguiu o exemplo que vem de cima e carregou nas tintas eleitorais como tem mandado o figurino.

O governo fez uma conta de custo benefício e, pelo jeito, achou que sairia mais barato afastá-la. De fato, por pior que seja a repercussão e por mais que a demissão evidencie o fundamento das denúncias, a manutenção da acusada no cargo seria injustificável. Haveria três problemas: rebater as acusações, defender a ministra e explicar o que ela ainda estava fazendo na chefia da Casa Civil.

A respeito do impacto eleitoral, assim como no caso das quebras de sigilo na Receita Federal, este é o aspecto menos relevante, embora seja de espantar a indiferença geral. É que a eleição passa, o Brasil continua e toda conta um dia é cobrada.


Fonte: Dora Kramer/ O ESTADO DE S PAULO

Comissão da Presidência aplica 'censura ética' à Erenice

O procedimento não impede que a ex-ministra ocupe cargos públicos - e nada tem a ver com o escândalo na Casa Civil

A Comissão de Ética da Presidência decidiu, nesta sexta-feira, aplicar uma censura ética à ex-ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra. A medida - que não tem qualquer efeito prático - foi tomada porque a ex-ministra não entregou a Declaração Confidencial de Informações (DCI) quando assumiu o cargo. O documento deveria conter uma declaração de bens e os nomes de familiares que ocupam cargos públicos. “É como se você tivesse em seu currículo um fato negativo”, explicou o relator da comissão, Fábio Coutinho. A "punição" não impede que ela volte a assumir funções públicas.

A censura ética, portanto, não tem relação nenhuma com o escândalo de aparelhamento de estado em que Erenice está envolvida. Conforme revelado por VEJA em sua edição desta semana, o filho da ex-ministra transformou-se em lobista em Brasília, intermediando contratos milionários entre empresários e órgãos do governo, mediante o pagamento de uma "taxa de sucesso". Cinco dias após o caso ser trazido à tona por VEJA, Erenice caiu.

A comissão decidiu, também, converter o processo de apuração preliminar do esquema em um processo de apuração ética. Ou seja, será instaurado um procedimento de investigação sobre a conduta da ex-ministra. A decisão seguiu o voto de Coutinho, que finalizou seu relatório apenas cinco dias após o estouro do escândalo - e em meio às revelações que continuam a surgir nos veículos de imprensa sobre o esquema de Erenice.

A ex-ministra tem dez dias para apresentar sua defesa. Depois disso, todos os envolvidos no caso poderão ser chamados a falar à Comissão de Ética. Integrantes dos Correios envolvidos no escândalo também deverão prestar esclarecimentos.

'Punição' 

De acordo com a comissão, Erenice omitiu sua variação patrimonial, suas relações pessoais e empresariais envolvendo parentes que ocupam cargos públicos. Os dados deveriam ser apresentados dez dias depois de ser empossada. A Comissão já havia notificado a então ministra pelo fato. Por não ter apresentado a documentação, os conselheiros reiteram a falha por duas vezes. Apesar dos erros, a Comissão não puniu a ex-ministra na época. Coutinho justificou dizendo que “os fatos noticiados ensejaram que a gente pudesse trabalhar sobre toda a conduta da autoridade”.

Fonte: VEJA/Luciana Marques

Planalto já sabia sobre o lobby desde fevereiro

Empresário mandou emails à Casa Civil reclamando das cobranças

O Palácio do Planalto sabia pelo menos desde de fevereiro deste ano que havia um lobby funcionando dentro da Casa Civil e cobrança de vantagens para intermediar empréstimos junto ao BNDES.

Foi em 1.º de fevereiro que o empresário Rubnei Quícoli, estopim da queda de Erenice Guerra, enviou e-mail para quatro funcionários da assessoria especial da Casa Civil em que reclama da cobrança por fora de R$ 240 mil feita pela empresa de Israel Guerra.

Israel é filho da ministra, e teria feito a cobrança para que o processo de crédito de R$ 9 bilhões fosse acelerado. Em uma das mensagens daquele dia, Quícoli, consultor da EDRB do Brasil Ltda, pede que o assunto seja levado à então ministra e hoje presidenciável, Dilma Rousseff (PT). "Espero de coração que esse e-mail chegue às mãos da dra. Erenice e a (sic) ministra Dilma", afirma.

Dilma era ministra também quando, 45 dias antes, Quícoli recebeu a minuta do contrato que faria com a Capital Assessoria, empresa que Israel, filho de Erenice, usa para fazer lobby e cobrar dinheiro em contratos obtidos junto a órgãos públicos.

O documento cita o pagamento mensal de R$ 40 mil e a taxa de 5% (que significaria R$ 450 milhões) em caso de sucesso na operação para financiar um projeto de usina solar.

Consultor da EDRB, Rubnei Quícoli entregou ontem ao Estado os e-mails que enviou aos assessores da Casa Civil no dia 1º de fevereiro. Às 7h08, ele remeteu mensagem a Vinicius Castro, Glauciene Leitão, Vilma Nascimento do Carmo e Vera Oliveira, todos lotados na assessoria especial da Casa Civil. O primeiro pediu demissão na segunda-feira, depois da revelação de que botou sua mãe, Sônia Castro, como sócia "laranja" da Capital Assessoria.

Já Glauciene, além de receber os e-mails sobre as cobranças feitas pela empresa de Israel, foi quem agendou a reunião de 10 de novembro, que contou com a presença de Erenice e dos donos EDRB. Quatro dias antes, a funcionária da Casa Civil confirma o encontro e faz um alerta em que menciona a candidata do PT: "O Vinícius Oliveira - Assessor da Secretária, informou que o conteúdo do CD que está com ele é muito extenso e que é necessária uma apresentação mais sucinta para mostrar à ministra Dilma."

Nas mensagens aos funcionários da Casa Civil, Quícoli alerta sobre o uso do escritório Trajano e Silva Advogados pelo grupo ligado a Erenice Guerra para fazer negociatas. A Casa Civil confirmou, para o Estado, a lotação das funcionárias. Um dos sócios do escritório, o advogado Márcio Silva, que representa Dilma na Justiça Eleitoral, nega conhecer os representantes da EDRB. "Nunca vi essas pessoas."

Comentário

A situação está ficando muito interessante. Parece que se o Ministério Público e a Justiça Eleitoral, começarem a puxar o fio da meada, muita coisa errada poderá ser descoberta

Fonte: Leandro Colon / O ESTADO DE S PAULO

Consultor diz ter alertado Casa Civil sobre extorsão

O consultor Rubnei Quícoli diz ter alertado a Casa Civil sobre a existência do esquema de lobby que era operado dentro do órgão pelo filho da então secretária-executiva, Erenice Guerra.

A Folha obteve cópias de dois e-mails, que ele alega ter enviado em 1º de fevereiro, endereçados a assessores e secretárias de Erenice. Na época, a ministra da Casa Civil era Dilma Rousseff (PT).

Nos textos, o consultor reclamava da cobrança de dinheiro para que a empresa de energia EDRB recebesse um empréstimo no BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e pedia que Erenice e Dilma fossem avisadas.

O projeto pleiteado pela EDRB previa a captação de recursos junto ao banco para a construção de torres geradoras de energia solar no Nordeste. Quícoli foi contratado pelos donos da EDRB para, segundo eles, "fazer virar o negócio".

A ideia foi apresentada em audiência na Casa Civil em 10 de novembro. Pela EDRB, estavam um dos sócios, Aldo Wagner, e Quícoli. Ambos dizem que Erenice participou da reunião, o que ela nega.

Ontem a Folha revelou que a Capital Consultoria, firma do filho de Erenice, encaminhou à EDRB uma minuta de contrato, cobrando R$ 240 mil e 5% de "comissão de sucesso" sobre o empréstimo, caso fosse aprovado.

As suspeitas de tráfico de influência resultaram na demissão de Erenice, que havia substituído Dilma no comando da Casa Civil em abril.

Quícoli e Wagner confirmaram à Folha o recebimento em 10 de dezembro da minuta de contrato --que o consultor chamou de "extorsão". A EDRB negou-se a assiná-lo. Em março, o BNDES rejeitou o pedido de crédito.

Quícoli disse ontem que, com a recusa, o projeto parou de andar. Ele, então, decidiu avisar a Casa Civil.

Num e-mail, o consultor ameaçou revelar o pedido de dinheiro feito pela empresa Capital. Em outro e-mail, Quícoli escreve não ter "vínculos com bandidos". Ele encerra, em tom de ameaça, com o pedido de que a mensagem fosse encaminhada ao comando da Casa Civil.


"Se vocês não fizerem chegar [a mensagem], eu faço chegar", escreveu.



Fonte: FOLHA / RUBENS VALENTE,FERNANDA ODILLA E ANDREZA MATAIS

Saída de Erenice esfarela miolo do discurso de Dilma

Depois de ter sido renunciada da Casa Civil por Lula, Erenice Guerra virou protagonista da fábula do “nada a ver”.

Ex-madrinha de Erenice, Dilma Rousseff começara a tomar distância da amiga já no final de semana. Evitara levar a mão ao fogo por Erenice.

Nesta quinta (16), mãos ainda intactas, a pupila de Lula tentou erguer um muro entre o infortúnio de Erenice e a campanha eleitoral.

“Eu não acredito que tenha uma coisa a ver com a outra. Uma coisa é o que aconteceu, e outra é a minha campanha”.

Avolumam-se os indícios de que os negócios cavalgados por Israel Vargas, o filho de Erenice, trotavam na Casa Civil desde a época em que Dilma era ministra.

Erenice era a segunda de Dilma. Mas a candidata, obviamente, não tem nada a ver com isso. Ela se apressa em perguntar:


"Onde está a prova de que eu esteja envolvida nesse caso? É importante no Brasil que a gente não perca a referência das conquistas da civilização...”

“...Tem de provar que você fez. Não você provar que não fez. Como eu estou envolvida nesse caso? Aliás, tomei conhecimento dele pelos jornais".

Por ora, Dilma só foi acusada de ser responsável pela acomodação de Erenice na equipe da Casa Civil. Mas ela parece não ter nada a ver com isso também. É forte a suspeita de que Erenice deu ao rebento o aval para que usasse e abusasse do prestígio da mãe. Um prestígio que aumentou em fins de março, quando Dilma foi aos palanques e Erenice ganhou a cadeira de ministra.

Dilma, obviamente, não tem nada a ver com isso, como não teve nada a ver com aquele dossiê dos gastos de Ruth e FHC, que Erenice coordenara. Aquilo, aliás, nem era dossiê, mas um mero banco de dados, como já ficou demonstrado na desconversa anterior.

Um empresário de Campinas disse que o filho de Erenice tentou mordê-lo numa transação que envolvia empréstimo do BNDES. Coisa de novembro de 2009. Dilma ainda era ministra nessa época, mas não tem nada a ver com o caso. Soube agora, “pelos jornais”.

A candidata, inclusive, estranha o valor do empréstimo: R$ 9 bilhões para um projeto energético. Ironiza:

Tanto dinheiro “para 600 megawatts, seria o projeto de energia mais caro do Brasil. [...] Se o BNDES o recusou, fez muito bem”.

"Essa história me parece aquela história de compra e venda de terreno na lua", Dilma acrescenta.



O Planalto confirmou que o tal empresário foi recebido na Casa Civil. Decerto foi sondar a consistência do solo da lua. Dilma não tem nada a ver com isso.

Injetou-se no histórico da Dilma ministra uma contradição com o discurso da Dilma candidata. Vende-se na propaganda eleitoral que Dilma era a mandachuva do governo. Os programas que “deram certo” trazem as digitais dela. Bolsa Família, Prouni, Luz para Todos, Minha Casa, Minha Vida. Tudo fruto do talento gerencial da ministra Dilma.

Movida por interesses eleitorais, a oposição questiona a candidata Dilma: E a Casa Civil? O petismo responde: Nada a ver.

Embora não pareça, a fábula do “nada a ver” faz sentido. Ocupada com em fazer funcionar o governo, Dilma não teve tempo de cuidar da Casa Civil. Permitiu que seu ministério se convertesse em portão de acesso à casa de uma conhecida senhora: a mãe Joana.

O comitê de Dilma precisa considerar a hipótese de tatuar na testa da candidata uma frase definitiva: “Minha campanha não tem nada a ver com isso”.

Assim, a imprensa se eximiria de perguntar, Dilma não teria que responder e a platéia seria poupada do ar de enfado da candidata.

Fonte: FOLHA/ Josias de Souza

Cai Erenice Guerra; Miriam Belchior pode ser a nova ministra da Casa Civil

Sucessora da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, não resistiu às denúncias de tráfico de influência e lobby envolvendo seu filho

Erenice Guerra não é mais a ministra-chefe da Casa Civil. A sucessora da candidata do PT, Dilma Rousseff, não resistiu às denúncias de tráfico de influência e lobby envolvendo seu filho, Israel Guerra. A secretária de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Miriam Belchior, deve ser apontada como a nova ministra.

O empresário Rubnei Quicoli afirmou ao Estado nesta quinta-feira que a Casa Civil é palco de lobby e que a empresa do filho da ministra Erenice Guerra cobrou 5% da ERDB do Brasil Ltda. para conseguir um financiamento de R$ 9 bilhões junto ao BNDES. "Foi a maior patifaria o que fizeram. Fizeram terrorismo", disse. A própria ministra, segundo ele, participou de uma reunião no ano passado. O empresário enviou os documentos ao Estado.

Segundo Quicoli, em meio às negociações com os intermediários em Brasília, foi pedido ainda o valor de R$ 5 milhões para ajudar na campanha da presidencial de Dilma Rousseff (PT). "Eu disse que não podia por tudo junto numa mala. E que precisava de nota fiscal de uma empresa como prestadora de serviço", afirmou. O pedido de dinheiro para a campanha, de acordo com Quicoli, foi feito pelo ex-diretor de Operações dos Correios Marco Antonio de Oliveira.

A intermediação do filho de Erenice nesse episódio foi revelada pelo jornal Folha de S. Paulo nesta quinta-feira. O empresário Rubnei Quicoli contou ao Estado que a EDRB do Brasil Ltda buscava um empréstimo junto ao BNDES para viabilizar um projeto de energia solar que estava parado desde 2002. Consultor da EDRB, Quicoli disse que a Casa Civil deu a orientação para procurarem a Capital Assessoria, empresa em nome de Saulo Guerra, filho de Erenice, mas que é comandada por outro filho da ministra, Israel. Foi feita então a minuta de um contrato, no valor de R$ 240 mil, mais o percentual de 5% sobre os R$ 9 bilhões.

De acordo com o empresário, a própria Erenice participou de uma reunião na Casa Civil com os representantes da EDRB em novembro do ano passado. A reunião, segundo ele, foi agendada por Vinicius Castro, ex-assessor da Casa Civil e cuja mãe é sócia da Capital Assessoria. Vinicius pediu demissão no início da semana.

Segundo Rubnei Quicoli, as negociações com a empresa de Israel Guerra foram desfeitas em março sem que o empréstimo do BNDES tivesse sido concedido. Na edição desta semana, a revista Veja mostrou que a Capital Assessoria atuou também no ramo de transporte de carga aérea.

Fonte: O ESTADO DE D PAULO/João Domingos

PSDB pede 'afastamento imediato' de Erenice da Casa Civil

Ministra é alvo de denúncias de tráfico de influência no governo.

‘Seu afastamento é essencial e deve ser imediato’, diz presidente tucano.

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), divulgou nota nesta quinta-feira (16) na qual defende o “afastamento imediato” da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, envolvida em denúncias de tráfico de influência no governo.

“Somente o afastamento da atual ministra-chefe da Casa Civil vai permitir a investigação séria, profunda, transparente e sem farsas, que o Brasil exige e o governo tem a obrigação de permitir”, diz Guerra na nota.

O presidente do PSDB já havia defendido o afastamento da ministra em decorrência de denúncias publicadas pela revista “Veja” envolvendo o filho dela Israel Guerra em um esquema de suposto pagamento de propina para obtenção de contratos de empresas privadas com os Correios.

A nota divulgada nesta quinta-feira é motivada por nova denúncia de esquema semelhante envolvendo Israel e Erenice, publicada pelo jornal “Folha de S.Paulo”, desta vez com o objetivo de liberar créditos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para uma empresa privada.

“As investigações sobre as crescentes denúncias envolvendo a ministra Erenice Guerra, seus familiares, ex-familiares, assessores e ex-assessores, não podem ser feitas com a atual ministra no cargo, seu afastamento é essencial e deve ser imediato”, registra o presidente do PSDB.

Sérgio Guerra ainda destaca no texto que o processo eleitoral não deve ser utilizado para “desviar” o foco do caso que, segundo ele, “é de polícia”.

“Diante de tamanho escândalo, não mais se trata de ganhar ou perder votos, de assunto eleitoral, para onde o governo, a candidata e o PT tentaram desviar. O caso é de polícia”, afirma.

Veja a íntegra da nota:

“As investigações sobre as crescentes denúncias envolvendo a ministra Erenice Guerra, seus familiares, ex-familiares, assessores e ex-assessores, não podem ser feitas com a atual ministra no cargo, seu afastamento é essencial e deve ser imediato.

Diante de tamanho escândalo, não mais se trata de ganhar ou perder votos, de assunto eleitoral, para onde o governo, a candidata e o PT tentaram desviar. O caso é de polícia.

Somente o afastamento da atual ministra-chefe da Casa Civil vai permitir a investigação séria, profunda, transparente e sem farsas, que o Brasil exige e o governo tem a obrigação de permitir. Caso contrário, será mais um crime envolvendo o PT e suas principais lideranças a ser empurrado para debaixo do tapete.

Senador Sérgio Guerra"

Fonte: G1/Robson Bonin

Erenice Guerra deve pedir demissão ainda hoje da Casa Civil

Depois da publicação pela Folha de um novo caso de lobby na Casa Civil, a avaliação do governo Lula é que a ministra Erenice Guerra (Casa Civil) não tem condições de enfrentar a crise e a tendência é sua saída imediata, ainda hoje.

Segundo a reportagem, uma empresa de Campinas confirma que um lobby opera dentro da Casa Civil da Presidência da República e acusa o filho de Erenice Guerra, Saulo, de cobrar dinheiro para obter liberação de empréstimo no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Erenice também teria atuado, segundo reportagem publicada na revista "Veja", para viabilizar negócios nos Correios intermediados por uma empresa de consultoria de propriedade de seu outro filho, Israel.

O nome mais forte para substituí-la é o da coordenadora-geral do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Miriam Belchior, numa lista em que também figuram o chefe de Gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, e os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Belchior é vista como uma "solução caseira", de alguém que já trabalha dentro da Casa Civil e tem perfil discreto, além de contar com a confiança do presidente Lula. Antes da saída de Dilma Rousseff do comando da pasta, Lula chegou a analisar a sua indicação, mas cedeu aos pedidos da hoje candidata do PT à Presidência por Erenice.

Segundo a Folha apurou, o governo espera que Erenice peça demissão ainda hoje. O presidente continua mantendo sua confiança na ministra e lhe dá o benefício da dúvida diante das acusações publicadas nos últimos dias, mas avalia que há muitos familiares dela envolvidos em caso de lobby passando pela Casa Civil, o que torna sua situação "insustentável".

Pesa ainda contra Erenice a publicação da nota atacando o candidato tucano José Serra, sem consultar nem mesmo o presidente sobre o conteúdo do documento.

O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, divulgou nota hoje pedindo o afastamento de Erenice sob o argumento de que as investigações sobre lobby não podem ocorrer com a chefe da Casa Civil no cargo.

"As investigações sobre as crescentes denúncias envolvendo a ministra Erenice Guerra, seus familiares, ex-familiares, assessores e ex-assessores, não podem ser feitas com a atual ministra no cargo, seu afastamento é essencial e deve ser imediato. Diante de tamanho escândalo, não mais se trata de ganhar ou perder votos, de assunto eleitoral, para onde o governo, a candidata e o PT tentaram desviar. O caso é de polícia", Guerra.

Segundo ele, somente o afastamento da atual ministra-chefe da Casa Civil vai permitir a investigação "séria, profunda, transparente e sem farsas, que o Brasil exige e o governo tem a obrigação de permitir". "Caso contrário, será mais um crime envolvendo o PT e suas principais lideranças a ser empurrado para debaixo do tapete."

Fonte: FOLHA/VALDO CRUZ

Empresa acusa filho de Erenice de cobrar comissão para liberar crédito no BNDES

Outro escândalo abala a Casa Civil da Presidência

Uma empresa de Campinas confirma que um lobby opera dentro da Casa Civil da Presidência da República e acusa filho da ministra Erenice Guerra de cobrar dinheiro para obter liberação de empréstimo no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), informa reportagem de Rubens Valente, Fernanda Odilla e Andreza Matais, publicada nesta quinta-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Interessada em instalar uma central de energia solar no Nordeste, a EDRB do Brasil Ltda. diz que o projeto estava parado desde 2002 na burocracia federal até que, no ano passado, seus donos foram orientados por um servidor da Casa Civil a procurar a Capital Consultoria.

Trata-se da firma aberta em nome de um dos filhos de Erenice, Saulo, e que foi usada por outro, Israel, para ajudar uma empresa do setor aéreo a fechar contrato com os Correios --primeiro negócio a lançar suspeitas de tráfico de influência no ministério, revelado pela revista "Veja".

A Casa Civil confirmou ontem que houve uma reunião com representantes da EDRB em novembro na sede da Presidência, mas negou que a hoje ministra Erenice Guerra tenha participado.

"A audiência foi pedida inicialmente com a secretária-executiva, mas, por incompatibilidade de agenda, foi conduzida pelo então assessor especial e atual chefe de gabinete da Casa Civil", informou a assessoria.

Leia a reportagem na íntegra da edição desta quinta-feira da Folha, que já está nas bancas.

Fonte: FOLHA

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