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Governador de SP critica investimento em trem-bala e diz que Estado precisa de trens metropolitanos

Afirmação foi feita na manhã desta sexta durante inauguração do corredor ABD

O governador Alberto Goldman (PSDB) criticou o investimento do governo federal no trem bala que vai ligar São Paulo ao Rio de Janeiro. Segundo o governador, o Estado de São Paulo precisa de trens metropolitanos, e não de uma ligação para o Rio de Janeiro.

Goldman sugeriu que o governo federal deixasse R$ 10 bilhões nos cofres de São Paulo, outros R$ 10 bilhões nos do Rio de Janeiro, e o restante do investimento (avaliado em R$ 30 bilhões) deslocasse para o transporte de outras regiões metropolitanas como Belo Horizonte (MG) e Recife (PE).

- Queremos coisas concretas e reais como este corredor que está sendo inaugurado aqui.

As afirmações foram feitas na manhã desta sexta-feira (30) durante a inauguração da extensão Diadema-São Paulo do corredor metropolitano ABD, em Cidade Ademar, na zona sul da capital paulista.

A discussão sobre o trem bala surgiu porque, segundo o governador o transporte "patrocinado" pelo governo federal terá capacidade para atender 50 mil pessoas por dia no trecho SP-RJ. Já o corredor de ônibus ABD, que custou R$ 22,9 milhões (mais de dez vezes menos), deve atender 85 mil pessoas por dia no trecho de Diadema-capital paulista.

Goldman chegou a classificar a construção do trem bala como uma decisão do "mundo da fantasia".

- Agora se fosse só fantasia... Mas nós vamos gastar dinheiro do BNDES e do orçamento da União.

Novo corredor

O governo inaugurou nesta sexta o corredor de ônibus ABD, que liga a cidade de Diadema, na Grande São Paulo, ao bairro Morumbi, da capital paulista. Segundo o governo do Estado, o custo do novo trecho foi de R$ 22,9 milhões. Os ônibus só vão começar a operar no trecho neste sábado (31).

O novo trecho terá 12 km de extensão e passará por vias como avenida Presidente Kennedy, em Diadema, e avenida Vereador João de Luca, na zona sul da capital (veja o trajeto completo no infográfico abaixo). Ao longo do novo corredor, haverá 18 pontos de paradas duplas nos dois sentidos.

Com a ampliação, a extensão total do corredor passa a ser de 45 km. Além do Morumbi, os outros limites do ABD são o terminal São Mateus, na zona leste da capital paulista, e terminal do Jabaquara, zona sul, passando pelas cidades de Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema, da Grande São Paulo.

No Morumbi haverá um novo terminal vai estar perto da estação Morumbi da Linha 9-Esmeralda, da CPTM (companhia que administra os trens de superfície de São Paulo). A linha 5-Lilás do Metrô deverá passar perto da estação, mas não há prazo para essa expansão do trem subterrâneo.

A inauguração conclui parcialmente promessa feita há 24 anos pelo governo estadual. No projeto inicial, o corredor seria todo percorrido por trólebus, que não poluem. Porém, a partir de sábado (31), somente veículos a Diesel passarão pelo novo trecho. Para amenizar o impacto dessa alteração no projeto, o governo teria que plantar 12 parques Ibirapueras, conforme o R7 revelou.

Dois dias depois da publicação da notícia do R7, o promotor Saad Mazloum fez uma inspeção no corredor ABD e fez uma recomendação para a Metra (empresa contratada pela EMTU que vai operar os ônibus) usar ônibus híbridos, que usam eletricidade e combustão a diesel. De acordo com Mazloum, esses veículos poluem 90% a menos que a versão somente de diesel. A Metra disse que em 45 dias poderia fazer a adaptação dos ônibus,segundo o promotor.

Veja por onde passa o novo corredor de onibus ABD

O novo traçado se inicia no Terminal Metropolitano de Diadema. Depois vai pela Avenida Pres. Kennedy, no município de Diadema e Avenidas Cupecê, Ver. João de Luca, Prof. Vicente Rao e Roque Petroni Jr, em São Paulo. O ponto final é a Estação de Transferência do Morumbi que fica entre as duas pistas da avenida Roque Petroni Júnior.

Linhas de ônibus do novo traçado

607C/10 Jd. Míriam – Shopping Morumbi
516N/10 Jd. Míriam – Itaim Bibi
5131/10 Cidade Ademar – Pq. D. Pedro II
6358/10 Jd. Luso – Term. Bandeira
6358/41 Vila Império – Term. Bandeira
509M/10 Jd. Míriam – Term. Princesa Isabel
5178/10 Jd. Míriam – Lgo. São Francisco
577T/10 Jd. Míriam – Vila Gomes
5129/10 Jd. Míriam – Term. Guarapiranga
5129/41 Jd. Míriam – Santo Amaro
6312/10 Jd. Luso – Term. Amaral Gurgel (noturna)
675P/10 Shop. SPMarket – Metrô Conceição
6040/10 Term. Capelinha – Itaim Bibi (circular)
376 Diadema (Terminal) / Brooklin (São Paulo)
376VP1 Diadema (Terminal) / Shopping Morumbi (São Paulo)
044 Jardim Castelo (São Paulo) / Itaim Bibi (São Paulo)

Fonte: R7

Trem-bala pagaria 300 quilômetros de metrô

Custo de R$ 33 bilhões ainda é incógnita, assim como a demanda de passageiros

Tão complexo e polêmico quanto a Hidrelétrica de Belo Monte, o trem-bala, entre São Paulo e Rio de Janeiro, ainda é um grande enigma. Embora o edital com as condições do empreendimento já esteja na praça, ninguém consegue dizer ao certo quanto vai custar a obra, qual será o traçado da ferrovia e qual a demanda existente.

Junta-se a essa lista a dúvida dos críticos em relação aos benefícios que a obra trará para a sociedade, já que boa parte dos R$ 33,1 bilhões previstos para o projeto será financiado pelo Tesouro Nacional e terá participação societária do Estado.

Cálculos feitos pelo Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) mostram que o investimento do trem-bala daria para construir 300 km de metrôs em São Paulo (cinco vezes a malha da cidade hoje, de 62,3 km), o suficiente para transportar 15 milhões de pessoas por dia. O valor também daria para construir 11 mil km de ferrovias comuns, para carga ou passageiros.

"Até agora não conseguimos responder se vale a pena ou não construir um Trem de Alta Velocidade (TAV)", afirma o presidente do Ilos, Paulo Fleury.

Na avaliação dele, a principal justificativa do governo para construir o trem-bala já caiu por terra: o projeto não ficará pronto para a Copa do Mundo de 2014 nem para os Jogos Olímpicos, de 2016. O cronograma oficial estipula 2017 para que a obra seja concluída. Portanto, não seria alternativa para desafogar a ponte aérea Rio-São Paulo.

Demora. 

Alguns exemplos no mundo mostram que até mesmo esse cronograma pode não ser viável para tirar a obra do papel. O TAV coreano, um dos principais interessados no projeto brasileiro, demorou 11 anos para ser concluído. Por aqui, um dos maiores embates deve ficar por conta do licenciamento ambiental. O trem-bala passa pela Serra das Araras e poderá enfrentar resistência por parte de ambientalistas, como tem ocorrido nas últimas obras de infraestrutura.

"Mas não fizeram a nova Imigrantes, na Serra do Mar, por meio de túneis? Então não teremos problemas", afirma o presidente da EDLP - Estação da Luz Participações, Guilherme Quintella, que está formando um fundo para disputar o leilão, marcado para dezembro.

O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, completa que o traçado referencial (constante no edital) foi feito em conjunto com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), que já definiu áreas que não podem ser usadas.

Ele completa que os estudos de impacto ambiental começarão a ser contratados em agosto. "Algumas coisas já podem ser adiantadas sem saber o traçado definido pelo vencedor do leilão". A expectativa é de que a licença prévia saia no começo do ano que vem. Mas, pela experiência das últimas obras de infraestrutura, não é difícil o processo se complicar.

Outro ponto de interrogação é o valor da obra. Começou com algo em torno de R$ 24 bilhões, subiu para R$ 34,6 bilhões e foi fixado em R$ 33,1 bilhões pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Agora já há investidores que calculam que a obra fique, pelo menos, 30% mais cara que a prevista no edital. Outros, mais radicais, apostam em R$ 50 bilhões ou até R$ 60 bilhões.

Custos. 

Essa mudança pode ocorrer especialmente porque o governo não fez todas as sondagens geológicas necessárias, conforme o relatório do TCU. No mundo, a situação não é muito diferente. Um exemplo de como os custos podem estourar é o famoso trem-bala que liga a França à Inglaterra, atravessando o Canal da Mancha por um túnel. A obra foi orçada em US$ 9 bilhões, mas custou US$ 19 bilhões. A empresa que administra a ferrovia até hoje luta para não ir à bancarrota.

Figueiredo, da ANTT, diz que as sondagens feitas na área onde será construído o trem-bala são obrigação das empresas que vão construir a obra. Além disso, o valor do investimento é um risco do empreendedor e não terá impacto para o governo. No mercado, as empresas concordam que esse é um risco do investidor. Por isso, todas correm contra o tempo para concluir seus estudos antes da apresentação das propostas, em novembro.

Demanda. 

A demanda tem sido tão forte que têm faltado empresas de sondagens de solo no mercado para serem contratadas. O resultado, se o valor da obra ficar muito acima do previsto, é que a iniciativa privada não vai dar seus lances. Mas, como essa é uma obra prioritária para o governo, é possível que haja algum arranjo, a exemplo de Belo Monte, para viabilizar o projeto.

Hoje há cinco consórcios sendo formados para disputar o empreendimento: o sul-coreano, o japonês, o chinês, o espanhol e o francês. Nas últimas semanas, além de intensificarem os estudos sobre o trajeto, eles também reforçaram a busca por parceiros.

Por enquanto, as empreiteiras brasileiras estão tímidas nesse processo, apesar de a construção civil representar perto 50% dos investimentos do TAV. Elas temem que as previsões de demanda não se concretizem.

Fonte: O ESTADO DE S PAULO/Renée Pereira

O significado do trem-bala

Trem-bala apontaria mudança de paradigma


Trem de alta velocidade/BBC

Já tem data marcada a passagem do Brasil para um diferente estágio de desenvolvimento: meados de 2016, quando deverá entrar em funcionamento o trem de alta velocidade, ou trem-bala, ligando Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro.

Não se trata apenas de uma obra a oferecer uma alternativa confiável e veloz de transporte entre os dois mais importantes centros urbanos do país. O trem-bala, se for realmente concluído a tempo de carregar turistas para a Olimpíada carioca, mostrará ao exterior um Brasil mais conectado com tendências internacionais que misturam qualidade de vida, preocupação com o meio ambiente e racionalidade de tempo e espaço.

O boom econômico por que passa o Brasil levou, inicialmente, a um aumento desenfreado da utilização das duas formas básicas de transporte de passageiros no país: rodoviário, preferencialmente individual, e aéreo.

A produção e venda de veículos continuam batendo recorde atrás de recorde (19,1% a mais no primeiro semestre de 2010 em relação a mesmo período de 2009), e os aeroportos de Cumbica e Congonhas não têm mais onde enfiar aeronaves e passageiros.

Para acomodar a crescente demanda por deslocamentos de longa distância, o Estado brasileiro, às vezes em parceria com a iniciativa privada, continua abrindo estradas e precisa ampliar seus aeroportos visando a Copa de 2014. Mas a opção pelo trem-bala ressuscita a opção ferroviária para o deslocamento de pessoas, em versão moderna, e reforça a noção de transporte coletivo. Carro, cada um usa o seu. O avião reúne centenas de desconhecidos em um mesmo espaço, mas há quem possa andar de jatinho particular. O trem é sempre coletivo.

A Espanha, por exemplo, tem investido pesadamente no transporte ferroviário de alta velocidade na última década. Com isso, já reduziu significativamente o número de passageiros dentro de aviões, com a consequente queda em emissões de gás carbônico.

A linha entre Madri e Barcelona fez com que cerca de 400 mil passageiros abandonassem, em 2008, o avião em favor do trem para viajar entre as duas principais cidades espanholas. Segundo um especialista espanhol do setor, citado na época pelo jornal The Guardian, um passageiro de trem-bala representa um sexto de um passageiro de avião em termos de emissão de poluentes.

Para a Espanha, os trens de alta velocidade são o futuro das viagens de longa distância.A opção por um em detrimento do outro representa racionalização de tempo e aumento de conforto para o passageiro, com o benefício de aliviar o impacto ambiental da crescente utilização de transporte para longas distâncias.

A ideia do trem-bala brasileiro, independentemente de seus detalhes e possíveis futuros problemas no longo processo de implantação, indica que o país parece ter ampliado seus horizontes quando o assunto é deslocamento da sua população.

Para a Espanha, os trens de alta velocidade são o futuro das viagens de longa distância

O Brasil parece se aproximar do caminho já traçado por nações mais desenvolvidas. Avião, carros e ônibus deixam de ser as únicas alternativas nacionais, em uma mudança que pode levar ao surgimento de outros serviços ferroviários de passageiros. O trem-bala sugere que, em meio ao caos decorrente da crescente e desorganizada demanda por bens e serviços, antes restritos apenas às classes brasileiras de maior renda, já é possível avistar luz no fim do túnel.

Fonte: BBC/Rogério Simões

Trecho do trem-bala poderá ficar pronto para a Copa de 2014

Cada dia que passa aumenta a indefinição sobre o trem-bala

O consórcio que vencer a licitação do trem-bala terá seis anos para fazer o trecho completo, entre Rio, São Paulo e Campinas. Mas, de acordo com o presidente da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Bernardo Figueiredo, o vencedor poderá entregar para funcionamento trechos da obra antecipadamente.

Com isso, seria possível, segundo ele, construir algum trecho para a Copa do Mundo de 2014, como Campinas/São Paulo. As obras devem começar um ano após o leilão, marcado para 16 de dezembro deste ano.

Empresários e ministros acompanham nesta terça-feira o lançamento do edital, em solenidade no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), sede provisória do governo.

Quem vencer o leilão terá o governo como sócio do empreendimento por meio de uma empresa pública, chamada ETAV. O projeto de lei que cria a nova estatal será enviado ao Congresso amanhã.

Vence a concorrência quem oferecer a menor tarifa no trecho SP-RJ. O preço inicial será de R$ 199,73. O primeiro critério de desempate será o da empresa que tiver maior tempo de experiência com operação de trem-bala.

Seis países estão interessados no projeto. O primeiro trem-bala do mundo é japonês, um dos países interessados no projeto brasileiro.

Leia também:


Custo do trem-bala é imprevisível, diz TCU

Fonte: FOLHA

Agência publica hoje edital de licitação do trem-bala

O meio de transporte vai ligar Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas

O edital de licitação do trem de alta velocidade, que vai ligar as cidades do Rio de Janeiro, de São Paulo e Campinas, deve ser lançado nesta terça-feira (13) pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Com isso, será marcada a data do leilão para definir os responsáveis pela construção do empreendimento.

Durante o evento, será assinada a mensagem para a criação da Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade S.A., que será vinculada ao Ministério dos Transportes. A estatal vai integrar a sociedade de propósito específico que será formada para construir o trem-bala.

Há duas semanas, o TCU (Tribunal de Contas da União) aprovou o estudo apresentado pela ANTT sobre o trem-bala, que tem custo estimado em R$ 33,1 bilhões.

O vencedor da licitação será a empresa ou o consórcio que oferecer a menor tarifa-teto para o trecho expresso entre o Rio de Janeiro e São Paulo. O preço máximo estabelecido pelo tribunal para a passagem na classe econômica é de R$ 199,80.

Fontes: R7- Agência Brasil

China vai disputar leilão do trem-bala brasileiro

Projeto pode ficar mais barato; expectativa é que a proposta chinesa seja agressiva

A China decidiu participar da concorrência para o trem de alta velocidade que vai ligar Rio, São Paulo e Campinas e busca empresas brasileiras das áreas de construção e consultoria para integrar seu consórcio. Na semana retrasada, representantes do congresso e do governo brasileiros estiveram na China para conhecer a malha de trens rápidos do país, que até 2013 será a maior do mundo.

A expectativa do governo é que a entrada dos chineses na disputa force a redução dos preços, já que se avalia que a proposta será agressiva. Os representantes de Pequim sustentam que possuem o trem mais barato e rápido do mundo.

O recorde mundial de velocidade média do começo ao fim de uma viagem foi batido em dezembro na nova linha Wuhan-Guangzou, que tem 1.068 km e custou R$ 32 bilhões (US$ 17 bilhões), segundo o governo chinês. O trem atingiu velocidade média de 313 km/h, comparada com os 280 km/h do recorde anterior, do TGV francês. Mas o pico máximo de velocidade continua a ser dos franceses, que chegaram a 574,8 km/h em 2007.

O trem rápido brasileiro terá 510,8 quilômetros e será uma das obras mais caras da história do Brasil, com investimento estimado em R$ 34,6 bilhões - o equivalente a US$ 19,2 bilhões, a um câmbio de R$ 1,80. A velocidade terá de ser entre 300 km/h e 350 km/h

Fontes: R7 - O ESTADO

Obra do trem-bala terá prazo máximo de 5 anos para terminar

Segundo ANTT, cronograma passará a contar a partir da liberação de licença por parte do Ibama

BRASÍLIA - O diretor-geral da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), Bernardo Figueiredo, disse há pouco que o edital do leilão do trem-bala, que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, estabelecerá um prazo máximo de cinco anos para que a obra seja concluída. Este cronograma passará a contar a partir do momento em que o Ibama liberar a licença de instalação, que autoriza o início das obras.

Figueiredo, porém, confirma que não haverá tempo hábil para que o trem-bala esteja completamente concluído para a Copa do Mundo de 2014. A ANTT inclusive vai liberar, a partir das 15h, em seu site na internet (www.antt.gov.br), uma minuta do edital. O documento permanecerá em audiência pública até o final de fevereiro. A intenção da ANTT é fazer o leilão em maio do ano que vem.

Figueiredo também anunciou há pouco, durante o café da manhã com a imprensa, que o edital vai obrigar o futuro concessionário a construir uma estação em Aparecida do Norte (SP), na parte paulista do Vale do Paraíba. É nesta cidade que está localizada a Basílica de Nossa Senhora da Aparecida, local de maior concentração no país de romaria e turismo religioso.

Segundo Bernardo, a decisão de fazer uma estação em Aparecida tem como intenção aliviar o tráfego na rodovia Presidente Dutra, principalmente em datas do calendário religioso, como próprio dia de Nossa Senhora Aparecida. Ele destacou ainda que a estação não trará grande custo adicional aos empreendedores e poderá ser ativada, por exemplo, apenas em finais de semana e feriados religiosos.

O edital estabelecerá um total de nove estações obrigatórias: no aeroporto de Viracopos, próximo a Campinas; no centro de Campinas; no aeroporto de Guarulhos; no centro de São Paulo (provavelmente no Campo de Marte); em Aparecida do Norte; em outra cidade a ser escolhida pelo empreendedor na parte paulista do Vale do Paraíba; em alguma cidade na parte fluminense do Vale do Paraíba; no centro do Rio de Janeiro; e no aeroporto do Galeão.

Com relação ao Campo de Marte, aliás, onde hoje há um aeroporto de aviação geral focado em pequenas aeronaves e helicópteros, Bernardo disse que os estudos caminham no sentido de uma estação subterrânea para que a atividade da pista do aeroporto não seja comprometida. "Também estudamos construir na Barra Funda (zona oeste de São Paulo). Mas é uma região muito ocupada."

"Com relação ao Campo de Marte, trabalhamos hoje com a hipótese de manter a pista funcionando e fazer uma estação subterrânea", disse. O Campo de Marte está localizado na zona norte de São Paulo ao lado do centro de convenções do Anhembi.

A ANTT pretende realizar quatro audiências públicas para discutir com investidores e a população o projeto. A primeira no dia 11 de janeiro, será no Rio de Janeiro. Depois, no dia 13 de janeiro, em São Paulo; no dia 15, em Campinas; e no dia 19 em Brasília.

Fonte: O ESTADO / Leonardo Goy

Trem-bala tem custos incorretos, diz engenheiro

Comitê Brasileiro de Túneis aponta discrepâncias no estudo do governo; protejo une Campinas, SP e Rio


SÃO PAULO - Os custos para construção do trem de alta velocidade (TAV) entre Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas apresentam várias discrepâncias, principalmente quando se compara preços de escavação de túneis. A comparação foi feita pelo presidente do Comitê Brasileiro de Túneis, Tarcísio Celestino, com base no próprio estudo elaborado para a obra pelo governo federal. Os túneis em área rural, por exemplo, são 46% mais caros que na área urbana, quando normalmente ocorre o contrário. O preço de escavação de túnel simples - com uma via e 7,85 metros de diâmetro - pelo método NATM (com explosivos que abrem buracos e o maciço recebe concreto projetado) - é 17% mais caro que o equivalente no túnel duplo com 16 metros de diâmetro, quando o oposto deveria acontecer.

Governo decide privatizar futura linha do trem-bala Rio-SP

Decreto publicado nesta quarta inclui obra no programa de desestatização. Obra de US$ 14 bilhões também deverá contar com recursos públicos.

Mesmo sem ter ainda a certeza da data em que abrirá a concorrência internacional para a construção dos trilhos, túneis e viadutos do Trem de Alta Velocidade (TAV) que deverá ligar o Rio de Janeiro a São Paulo e Campinas, o governo decidiu que vai privatizar a linha.

O Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (8) publicou decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que inclui o TAV no Programa Nacional de Desestatização (PND).

O primeiro trem-bala brasileiro deverá custar US$ 14 bilhões (cerca de R$ 31 bilhões pelo câmbio atual) e a previsão é de que pelo menos o trecho entre São Paulo e Rio estará pronto até 2014, antes do início da Copa do Mundo de Futebol no país

530 km de trilhos

Ao todo, a linha terá 530 quilômetros de trilhos, sendo 130 quilômetros constituídos por túneis e viadutos. A previsão é de que serão transportados anualmente entre 8 milhões e 10 milhões de passageiros entre São Paulo e Rio. Calcula-se que a passagem ficará em torno de R$ 120.

De acordo com informação do próprio governo, o fato de já ter incluído o TAV no Programa de Desestatização é um sinal de que os cofres públicos bancarão parte do dinheiro necessário para a construção do trem-bala.

A outra virá de parceiros da iniciativa privada, visto que a obra deverá seguir o formato de uma Parceria Público-Privada (PPP), projeto muito comentado e pouco usado desde que foi aprovado pelo Congresso como uma das grandes inovações do atual governo para o desenvolvimento econômico.

Viabilidade da obra

De acordo com estudo de viabilidade técnica da obra, feito pela britânica Halcrow Group, o trajeto deverá ter oito estações entre Rio de Janeiro e Campinas, incluindo a cidade de São Paulo. Em épocas de muita demanda, poderá haver também parada extraordinária em Aparecida (SP).

Toda a papelada já está com a Casa Civil, o Ministério dos Transportes e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), envolvidos diretamente com a obra.

Trem-bala SP-Rio terá 8 paradas obrigatórias

ALAN GRIPP

O trem-bala que ligará o Rio de Janeiro a São Paulo deverá ter ao menos oito estações obrigatórias, aponta estudo técnico do projeto entregue ontem pela inglesa Halcrow Group ao governo federal.

O documento diz que o TAV (Trem de Alta Velocidade) poderá transportar de 8 milhões a 10 milhões de passageiros por ano, segundo apurou a Folha. Serão, no mínimo, 22 mil pessoas viajando todo dia.

Na Grande São Paulo, o projeto prevê paradas na estação Luz, no centro da capital, e no aeroporto internacional de Cumbica, em Guarulhos.

Campinas, cidade paulista do interior, deverá ter duas estações, uma no aeroporto de Viracopos e outra num ponto da cidade ainda a ser definido. Da capital, partirá ainda uma linha para São José dos Campos, também no interior do Estado.

Já no Rio de Janeiro, estão previstas três estações: uma no aeroporto internacional do Galeão, outra no centro da capital (Leopoldina ou Central do Brasil) e uma terceira na região sul Fluminense, a ser escolhida entre as cidades de Resende, Volta Redonda e Barra Mansa.

O governo decidiu sugerir no edital de concessão do trem expresso a construção de estações opcionais, que poderão ser ativadas em períodos específicos. Uma delas é a de Aparecida, no interior paulista, que funcionaria em datas como o feriado de Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro). A ideia é defendida pela Igreja Católica, mas a decisão de construir a estação será do empreendedor.

Nas próximas semanas, o estudo de viabilidade técnico-econômica será aberto para consulta. O governo quer fazer uma audiência pública sobre o projeto até meados de maio. Depois, o plano será encaminhado para o Tribunal de Contas da União, que poderá exigir que sejam feitos reparos. A previsão é de que o edital de licitação seja lançado em julho.

O compromisso é de que o trem-bala esteja em operação antes da Copa do Mundo de 2014, por isso o Ministério dos Transportes corre contra o tempo. Mas a complexidade do projeto e os atrasos no cronograma são empecilhos --a primeira previsão de entrega do estudo técnico, por exemplo, era no final do ano passado.

Pesquisa de opinião realizada pela Halcrow mostrou que metade dos atuais usuários da ponte aérea Rio-São Paulo está disposta a trocar o avião pelo trem. A justificativa mais forte para a mudança está no fato de que o embarque no trem pode ser feito em pontos centrais.

Considerando as operações de embarque e desembarque em aviões, o tempo gasto no percurso entre as capitais será igual nos dois meios de transporte, aposta o governo. O edital do trem-bala exigirá que o trecho seja feito em até 2 h.

Pelo volume de passageiros estimado --o triplo do registrado na ponte aérea em 2008, por onde passaram 3,3 milhões de pessoas--, o negócio seria viável, afirma o documento.

Tecnologia

O governo quer que o trem-bala seja construído e operado pela iniciativa privada, mas é pouco provável que os cofres públicos se livrem de uma contrapartida. O custo estimado do projeto, incluído no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), é de US$ 11 bilhões.

Nas últimas semanas, consolidou-se no governo a ideia de criação de uma empresa estatal para cuidar especificamente do processo de absorção de tecnologia do trem-bala -uma das condições impostas pelo país a investidores estrangeiros interessados. Grupos da China, Coreia do Sul, Japão, França, Alemanha e Itália já buscaram informações sobre o projeto.

país criará estatal para absorver tecnologia do trem-bala

Instituto atuará em parceria com universidades e mercado, segundo ela. Governo quer ter trem de alta velocidade entre Campinas e Rio de Janeiro.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante o Seminário Internacional sobre Desenvolvimento (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, revelou nesta quinta-feira (5), durante o Seminário Internacional sobre o Desenvolvimento realizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que o país criará uma estrutura estatal para absorver a tecnologia de construção de trens de alta velocidade.

“Nós iremos reconstruir o Instituto Ferroviário para absorver a tecnologia. Esse instituto, articulado com as universidades e com as empresas privadas nacionais, será o portador da transferência de tecnologia quando da licitação do trem de alta velocidade”, disse a ministra.

O governo pretende licitar até o ano que vem um trem de alta velocidade para ligar o aeroporto de Viracopos, em Campinas, até o Rio de Janeiro, passando por São Paulo. A interligação será um dos principais modais de transporte a serem inaugurados para a Copa do Mundo de 2014.

A possibilidade de criar a estatal já vinha sendo debatida dentro do governo, mas ainda não havia uma decisão final sobre o tema, como anunciado nesta quinta-feira pela ministra. O custo estimado para a obra é de aproximadamente US$ 11 bilhões.

PAC

Durante sua exposição à uma platéia de economistas e empresários, Dilma fez vários elogios ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo ela, o programa tem por objetivo recriar os instrumentos de planejamento e de crédito de longo prazo no Brasil e também diminuir as diferenças regionais de investimento.

“O PAC não é uma peça de marketing. Ele foi lançado para colocar o investimento novamente na ordem do dia. Ele dá horizontes para os empresários. O programa busca ainda uma desconcentração das obras de infraestrutura, reforçando os investimentos no Nordeste, no Norte e no Centro-Oeste”, salientou a ministra.

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