Mostrando postagens com marcador somália. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador somália. Mostrar todas as postagens

Para os piratas da Somália, pior inimigo pode estar na volta à terra firme

Eles encaram pressão crescente no mar e críticas também na comunidade. Abshir Boyah, que já sequestrou 25 navios, disse estar pronto para acordo.

Abshir Boyah, chefe-pirata somali, durante entrevista na cidade de Garoowe em 3 de maio. (Foto: The New York Times)

Abshir Boyah, um alto e notório chefe-pirata somali que admite ter sequestrado mais de 25 navios e ser um membro de um conselho secreto de piratas chamado “A Corporação”, disse estar pronto para fazer um acordo.

Enfrentando uma pressão naval cada vez maior nos mares e, agora, uma crescente crítica em terra firme, Boyah tem viajado entre anciãos e xeques religiosos cansados dos piratas e de seus vícios. Ele promete deixar o negócio bucaneiro caso certas exigências sejam cumpridas.

“Cara, esses islâmicos querem decepar minhas mãos”, resmungou ele sobre um prato de carne de camelo e espaguete. Os xeques pareciam tê-lo agitado mais que a frota de navios de guerra estrangeiros patrulhando a costa. “Talvez seja a hora de alguma mudança”, disse.

Pela primeira vez nesta região infestada de piratas, o sul da Somália, algumas das comunidades que prosperavam com os dólares da pirataria – suprindo esses afamados criminosos com abrigo, apoio, noivas, respeito e até mesmo ajuda governamental – agora tentam expulsá-los.

Milícias antipiratas estão se formando. Xeques e líderes governamentais embarcam numa campanha para excomungar os piratas. Os líderes locais ordenam a eles que saiam da cidade e pregam, em mesquitas, para que as mulheres não se casem com esses não-islâmicos, desonestos "burcad badeed" – expressão em somaliano que significa bandido do mar.

Existe ainda um novo sinal num estacionamento em Garoowe, a capital da região semi-autônoma de Puntlândia, que pode ser a única de seu tipo no mundo todo. As grossas letras vermelhas dizem: piratas não são permitidos.

Assim como a violência, a fome e o warlordismo (do termo em Inglês que designa os senhores da guerra) que engolfaram a Somália, a pirataria é uma consequência direta – e, segundo alguns somalis, inevitável – de uma sociedade degradada por 18 anos sem um efetivo governo central e cuja economia foi esmagada por uma guerra.

Porém, aqui em Garoowe, os piratas são cada vez mais vistos como manchas na cultura nômade devotadamente muçulmana. Eles são culpados por introduzir males da cidade grande como drogas, álcool, brigas nas ruas e Aids. Algumas semanas atrás, policiais de Puntland estouraram um armazém clandestino de bebidas e encontraram 327 garrafas de gin feito na Etiópia. Na Somália, o álcool é evitado. Um estoque de bebidas com esse volume é virtualmente impensável.

“Os piratas estão arruinando nossa sociedade”, disse Abdirahman Mohamed Mohamud, o novo presidente de Puntlândia. “Nós iremos esmagá-los”.

Nos últimos 18 meses, piratas somalis lucraram cerca de US$ 100 milhões com o resgate de navios sequestrados, de acordo com grupos marítimos internacionais. Será extremamente difícil para esses homens – e para os negócios locais sustentados por eles – ganhar esse montante de dinheiro fazendo qualquer outra coisa nesta problemática nação.

Ainda assim, os chefes piratas de Puntlândia estão prontos para desistir caso os xeques encontrem empregos para seus jovens subordinados. Eles ainda exigem que o governo os ajude a formar uma guarda costeira com o objetivo de proteger o litoral da Somália, de 3.000 quilômetros, da pescaria ilegal e de barcos jogando lixo. Essas são antigas reclamações, feitas por muitos somalis – incluindo aqueles que não correm pelas laterais de navios cargueiros munidos de AK-47 em punho.
É uma utopia, para não dizer pior, achar que o mundo aceitaria a costa da Somália sendo policiada por sequestradores reabilitados.

No mês passado, após um capitão de barco americano ser sequestrado por piratas somalis , nações contribuintes prometeram mais US$ 200 milhões para a Somália, parte do orçamento com o objetivo de combater a pirataria.


Imagem divulgada pelo ministério francês da Defesa mostra operação de captura de piratas somalis no Oceano Índico em 14 de abril. (Foto: Reuters)

Desde então, esquadras estrangeiras aumentaram suas patrulhas e prenderam dúzias de piratas. Boyah reconheceu que o negócio estava se tornando mais arriscado. Todavia, segundo ele, ainda existem muitos navios mercantes – e muito oceano.

“Lá fora é como caçar”, disse Boyah através de um intérprete. “Algumas vezes você pega um cervo, outras você pega um dik-dik”, um antílope anão comum na Somália.

Boyah, de 43 anos, nasceu em Eyl, um esconderijo pirata na costa. Ele conta que abandonou a escola na terceira série, se tornou um pescador, e começou a sequestrar depois que a pesca ilegal por barcos estrangeiros destruiu sua subsistência, em meados da década de 1990.

O último presidente de Puntlândia, Mohamud Muse Hirsi, era um ex-senhor da guerra amplamente suspeito de colaborar com piratas. Ele foi votado para fora do cargo em janeiro. O novo presidente, Abdirahman, é um tecnocrata que viveu na Austrália e retornou com muitos conselheiros de educação ocidental – e a ambição de se tornar o primeiro líder somali a fazer algo substancial a respeito da pirataria. Ele formou uma comissão antipirataria e chegou a divulgar um relatório de “Primeiros 100 Dias”.

Mesmo assim, funcionários do governo de Puntlândia pouco fazem a respeito dos reis piratas em sua região – relutantes, talvez, em provocar uma guerra com lordes do crime apoiados por centenas de pistoleiros. Quando questionados por que não estavam prendendo os piratas mais conhecidos, Abdirahman disse, “Rumores são uma coisa, mas precisamos de evidências.”

Realmente, é difícil ver para onde exatamente foram todos aqueles milhões de dólares, ao menos aqui em Garoowe. Existem algumas casas novas e bonitas, e alguns novos hotéis onde os piratas passam o tempo, incluindo um envolto por arame farpado, chamado “The Ladie’s Breasts” (Os Seios das Damas). Nada mais que isso.

Boyah, hoje morador de uma casa pequena e simples, explica: “Não se surpreenda quando eu disse que todo o dinheiro desapareceu. Quando alguém que nunca teve dinheiro de repente o consegue, ele simplesmente vai embora.”

O homem afirma que seus ganhos, estimados em diversos milhares de dólares, desapareceram num turbilhão de festas, casamentos, jóias, carros, e qat, a folha estimulante que os somalis mastigam como chiclete.

Foi consumido ainda pela extensa rede de parentes e membros das tribos. “Não é como três pessoas dividindo um milhão”, disse ele. “É mais como trezentas.”

Boyan acrescentou que ele também doa 15% de tudo para a caridade, especialmente a idosos e enfermos.

“Eu adoraria doar mais”, falou.

No geral, ele parece ser um homem numa busca genuína por redenção – ou um bom mentiroso.

“Sabemos que o que estamos fazendo é errado”, disse Boyah gravemente. “Estou pedindo perdão a Deus, a todo o mundo, a qualquer um.”

Então seu celular prateado da Nokia tocou mais uma vez. Ele não disse o que tinha de fazer, mas para ele era hora de ir.

Pirata somali será julgado nos EUA


Abdiwali Muse, que invadiu cargueiro americano na Somália, diz que tem 15 anos

A mãe de Abduwali Abdukhadir Muse, pirata somali capturado pela Marinha dos Estados Unidos, pediu que o presidente americano, Barack Obama, perdoe seu filho e encerre o julgamento ao qual será submetido nos EUA. Muse, que diz ter 15 anos, será julgado como adulto e pode ser condenado à prisão perpétua.

Muse foi capturado por forças norte-americanas durante uma operação de resgate de um capitão, mantido refém durante quatro dias em um bote salva-vidas, após a tentativa fracassada de sequestrar o cargueiro Maersk Alabama, nas águas do golfo de Áden. Na operação, três dos companheiros de Muse foram mortos na operação.

"Meu filho foi influenciado por outras gangues. Ele só entrou para o bando de piratas 15 dias antes de ser capturado. Ele é muito jovem e não sabia que o que estava fazendo era um crime", disse sua mãe, Abdirahman Hassan.

"Estou implorando para que os EUA e o presidente Barack Obama libertem meu filho" afirmou a mãe, dizendo que Muse tem apenas 16 anos.

O pai do garoto alega que ele tem 15 anos, versão defendida pelo advogado de Muse em Nova York. Um magistrado norte-americano concordou com promotores que o garoto já tem 18 anos e decidiu que ele será julgado como adulto.

Mohamed Saed, um ex-colega de classe de Muse, afirmou que o jovem sempre quis se juntar aos piratas. "Ele costumava falar a todo momento sobre resgates pagos, e foi animado pelas grandes fatias de recompensa que os piratas recebem", afirmou Saed.

Promotores dos EUA dizem que Muse "se conduziu como líder dos piratas" e o acusaram de pirataria, conspiração para apoderar-se de um navio à força, conspiração para fazer reféns e outras acusações. Somalis dizem que a sociedade do país é muito hierárquica e que um jovem como Muse não poderia liderar homens mais velhos.

Recompensa

Um dos piratas mortos no ataque norte-americano era Ali Aden Elmi, 34. Sua viúva disse que parou de aceitar o dinheiro do marido quando percebeu qual era a fonte dos recursos.

"Ele tinha muito medo de dizer às pessoas que recebia parcelas dos resgates", afirmou Fadumo Osman. "Parei de aceitar o dinheiro dele e decidi sobreviver separadamente. É um dinheiro sujo e eu não poderia alimentar as minhas crianças com comida que ele comprou com dinheiro ilícito."

A mãe de outro pirata quer o corpo de seu filho de 29 anos de volta e uma indenização pela sua morte.

"Matar nossos filhos não foi a decisão correta. Os EUA têm que pagar o preço pelo que fizeram a nós. Havia um meio mais pacífico de resolver a crise, e isso teria salvo o prisioneiro e nossas crianças", afirmou Mulaho Mohamud.

Ataques

Os ataques de piratas aumentaram rapidamente nos últimos anos. Mais de 130 foram registrados em 2008, incluindo mais de 50 sequestros.

Os piratas normalmente liberam os navios e suas tripulações depois do pagamento de altos resgates pelas empresas de transportes marítimos. Calcula-se que, apenas no ano passado, foram pagos mais de US$ 80 milhões em resgates.

O aumento da frequência dos ataques levou a um maior patrulhamento das águas sem lei do golfo de Áden. Somália e Iêmen, países que margeiam o golfo, não tem condições de impedir a atuação dos criminosos.

O Golfo de Áden é uma das rotas marítimas mais usadas no mundo para o escoamento de mercadorias entre Europa e Ásia pelo Mar Vermelho.

Agência marítima teme possível vingança de piratas

KUALA LUMPUR - A morte de três piratas somalis no resgate da Marinha dos Estados Unidos de um capitão de um cargueiro ontem e a morte de dois piratas em um resgate comandando por embarcações francesas na sexta geraram preocupações de que possa aumentar o risco de futuros sequestros na movimentada rota marítima no Oceano Índico. A Agência Marítima Internacional afirmou hoje que apoia a ação de França e EUA, mas advertiu sobre a possibilidade de retaliação por parte dos piratas. "Nós aplaudimos a ação de EUA e França. Sentimos que eles estão executando a medida correta, ainda que os resultados às vezes possam ser nocivos", disse Noel Choong, do centro de pirataria do órgão na capital malaia, Kuala Lumpur.

O resgate do capitão Richard Phillips ocorreu dias após tiroteios no mar na sexta-feira envolvendo embarcações francesas, que atacaram um barco mantido pelos piratas, mataram dois deles e libertaram quatro reféns franceses. O proprietário do navio, também francês, morreu no confronto. Especialistas indicam que a pirataria no Oceano Índico, nas proximidades da Somália, entrou em uma nova fase, após o resgate de Phillips.

Familiares dos 228 sequestrados, que estão em 13 diferentes navios ainda mantidos pelos piratas, temem vinganças. "Os libertados têm sorte, mas e os que permanecem presos?", questionou Vilma de Guzmán, mulher do marinheiro filipino Ruel de Guzmán. Ele e outros 22 filipinos são mantidos reféns desde 10 de novembro. A operação de resgate norte-americana "pode ser prejudicial para os reféns restantes, porque os piratas podem voltar sua fúria contra eles".

Até agora, os piratas somalis nunca feriram reféns estrangeiros, exceto um taiwanês morto em circunstâncias ainda não explicadas. Na verdade, muitos dos ex-reféns dizem ter sido bem tratados enquanto os resgates eram negociados. Choong aponta que ocorreram 74 ataques neste ano, com 15 sequestros. Em todo o ano passado, foram registrados 111 sequestros. Aproximadamente 20 mil navios marcantes passam pelo Golfo do Áden anualmente, rumo ao Canal de Suez.


Exibir mapa ampliado

Capitão americano refém de somalis agradece colegas por soltura

O capitão do navio Maersk Alabama, Richard Phillips, que ficou quatro dias refém de piratas somalis e foi resgatado nesta quarta-feira, disse que os verdadeiros heróis do caso foram os oficiais da Marinha que conseguiram resgatá-lo e matar os três piratas que estavam com ele.

"Eu fiquei apenas com os créditos. Os verdadeiros heróis são da Marinha, os oficiais, aqueles que me trouxeram para casa", disse Phillips em conversa telefônica com o presidente e executivo-chefe da Maersk, John Reinhart, segundo a agência de notícias Associated Press.

Phillips está à bordo do USS Boxer, um dos três navios da Marinha americana que estavam próximos ao bote salva-vidas onde ele ficou refém dos piratas somalis. Ele passou por exames médicos no local e agora está descansando. Os oficiais de outro navio, o USS Bainbridge, foram os responsáveis pelo resgate.

O capitão foi resgatado neste domingo, após ser constatado que os piratas estavam prestes a matar Phillips. "Eles apontaram as AK-47 para o capitão", disse o segundo o vice-almirante William Gortney, chefe do Comando Central da Marinha americana. Segundo ele, a ordem de atacar e matar os piratas veio diretamente do presidente Barack Obama.

Ele ainda informou que o comandante do navio de guerra USS Bainbridge, que se encontrava a no máximo 30 metros do bote salva-vidas onde estavam o Phillips e os piratas, deu a ordem de disparar ao considerar que o perigo era "iminente".

A rede de televisão CNN relatou que o resgate aconteceu depois de Phillips ter se jogado do bote salva-vidas no qual era mantido refém, e em seguida integrantes da Marinha americana dispararam contra os piratas.

Ao fim da ação, Phillips foi resgatado sem ferimentos, e três piratas morreram. Um quarto pirata, que estava à bordo do USS Bainbridge para negociar a liberação do capitão, foi preso em seguida.

Pouco antes das declarações de Gortney, Obama informou que os Estados Unidos estão "decididos" a combater a pirataria na costa da Somália. "Continuamos decididos a deter o aumento da pirataria nessa região", frisou Obama, de acordo com nota divulgada pela Casa Branca.

Ele ainda congratulou o capitão Phillips, dizendo que a coragem do capitão é um "exemplo" para os americanos.

O capitão foi sequestrado na quarta-feira passada, depois de quatro piratas terem abordado o cargueiro Maersk Alabama, conduzido por ele rumo ao porto de Mombaça (Quênia) com uma carga de contêineres de comida do Programa Mundial de Alimentos da ONU.

Porém, os tripulantes da embarcação conseguiram reagir e retomar o controle do navio. Então, Phillips se ofereceu para ficar como refém para garantir a segurança do restante da tripulação.

Atualmente, há mais de 250 reféns nas mãos de piratas somalis, muitos deles de nações pobres como Bangladesh, Paquistão e Filipinas --o país com maior número de sequestrados, 92.

Obama autorizou matar piratas para salvar capitão, diz oficial

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu autorização para que a Marinha matasse neste domingo os piratas somalis que mantinham o capitão Richard Phillips como refém, informou um oficial da Marinha à agência de notícias Associated Press.

Segundo o vice-almirante William Gortney, chefe do Comando Central da Marinha americana, a ordem foi dada por Obama após ser constatado que os piratas estavam prestes a matar Phillips. "Eles apontaram as AK-47 para o capitão", disse Gortney.

Ele ainda informou que o comandante do navio de guerra USS Bainbridge, que se encontrava a no máximo 30 metros do bote salva-vidas onde estavam o Phillips e os piratas, deu a ordem de disparar ao considerar que o perigo era "iminente".

O vice-almirante explicou que a Casa Branca deu "autoridade e ordens muito claras" para agir caso a vida do capitão do Maersk Alabama estivesse em perigo.

Ao fim da ação, Phillips foi resgatado sem ferimentos, e três piratas morreram. Um quarto pirata, que estava à bordo do USS Bainbridge para negociar a liberação do capitão, foi preso em seguida.

Gortney disse ainda que Washington tinha rejeitado as negociações com os piratas. "Houve um pedido para pagar um resgate. O valor exato, não tenho certeza, mas estou certo de que era uma quantia importante. A política do governo dos Estados Unidos é a de não negociar", disse ele.

Resgate

A rede de televisão CNN relatou que o resgate aconteceu depois de Phillips ter se jogado do bote salva-vidas no qual era mantido refém, e em seguida integrantes da Marinha americana dispararam contra os piratas. Phillips foi conduzido a um navio de guerra da Marinha americana localizado a poucos quilômetros do litoral da Somália.

Vários navios ancorados na Academia Marítima de Massachusetts, onde Phillips se formou, fizeram soar hoje suas sirenes para celebrar sua libertação.

O capitão foi sequestrado na quarta-feira depois de quatro piratas terem abordado o cargueiro 'Maersk Alabama', conduzido por ele rumo ao porto de Mombaça (Quênia) com uma carga de contêineres de comida do Programa Mundial de Alimentos da ONU.

Porém, os tripulantes da embarcação conseguiram reagir e retomar o controle do navio. Então, Phillips se ofereceu para ficar como refém para garantir a segurança do restante da tripulação.

Atualmente, há mais de 250 reféns nas mãos de piratas somalis, muitos deles de nações pobres como Bangladesh, Paquistão e Filipinas --o país com maior número de sequestrados, 92.

Agência marítima estima que cerca de 260 sejam reféns de piratas

Sequestro de capitão norte-americano chamou atenção para o problema. Nesta semana, piratas realizaram diversos ataques na costa da Somália.

Capitão norte-americano Richard Phillips é mantido como refém por piratas da Somália. (Foto: Reuters)

Atualmente, cerca de 260 tripulantes de diversos navios sequestrados estão em poder de piratas na costa da Somália, segundo informações da Agência Internacional Marítima -- grupo de observação de ações piratas e uma subdivisão da Câmara Internacional de Comércio. O dado foi divulgado nesta semana, quando o ataque ao navio Maersk Alabama chamou atenção para o problema da pirataria nas águas do país do Chifre da África.

Richard Phillips, 53, ainda está em poder de quatro piratas que fugiram com ele em um bote salva-vidas, após atacar o navio de 17 toneladas, na quarta-feira (8).Os outros 19 membros da tripulação chegaram neste sábado (11) ao porto do Quênia, dizendo que o capitão é um herói, por ter salvo suas vidas.

Após o ataque, Phillips falou para toda a tripulação se trancar em uma cabine e então se rendeu sozinho. A tripulação conseguiu dominar alguns dos piratas, mas eles escaparam, levando junto o capitão do navio de propriedade dinamarquesa e bandeira americana. Os sequestradores teriam pedido resgate de US$ 2 milhões por sua libertação.


Navio Maersk Alabama chegou neste sábado a porto do Quênia. Capitão Richard Phillips ainda está em poder dos piratas. (Foto: AP)


Especialistas do FBI, a polícia federal americana, estão ajudando nas negociações, mas, segundo analistas, o processo pode ser longo.

Além do sequestro do capitão, a semana foi marcada por outras ações dos piratas somalis. Na sexta, eles liberaram um navio-tanque dinamarquês sequestrado em março e também um veleiro francês capturado no sábado passado (4) – no último caso, um dos reféns morreu.

Já no sábado, agências de notícias noticiaram que piratas tomaram controle de mais uma embarcação: desta vez, trata-se de um rebocador com bandeira da Itália, com dez italianos entre os 16 membros da tripulação. O navio foi pego no Golfo de Áden, segundo confirmaram fontes da Chancelaria italiana.

Pirataria


Exibir mapa ampliado

As águas da Somália, um paupérrimo país do Chifre da África sem governo central e cenário de uma guerra civil desde 1991, se converteram numa zona-chave para a pirataria mundial, e dezenas de navios foram atacados nessa área em 2008.

Apesar do envio de navios de guerra à região, os ataques se multiplicaram ao longo dos 3.700 km do litoral somali. Navegando em lanchas rápidas lançadas a partir de "navios-mãe", os piratas, armados com kalashnikov, lança-foguetes ou lança-granadas ampliam constantemente seu raio de ação.

Os atos de pirataria nesta parte do mundo desapareceram quase totalmente no segundo semestre de 2006, quando os Tribunais Islâmicos controlavam com mão-de-ferro algumas regiões do centro e do sul da Somália. No entanto, os piratas voltaram rapidamente à ativa após a queda dos islamitas, no fim de dezembro de 2006.

Em 2008, os ataques se multiplicaram no golfo de Aden, por onde passa 12% do comércio marítimo e 30% do petróleo mundial. Mais de 130 navios mercantes foram atacados no litoral somali, o que significa um aumento de mais 200% em relação a 2007, segundo o Escritório Marítimo Internacional.

Ações

O mês de abril de 2008 foi marcado por diversas ações, entre elas os ataques do veleiro de luxo francês Le Ponant, com cerca de 30 pessoas a bordo, e do petroleiro japonês Takayama.

Em setembro, os piratas invadiram o navio ucraniano Faina, que transportava armamento pesado como 33 tanques, sistemas de defesa antiaéreo e lança-foguetes. O barco e sua tripulação só foram libertados no dia 5 de fevereiro deste ano, após 134 dias em poder dos piratas, mediante o pagamento de um resgate.

A operação mais espetacular continua sendo até hoje a captura do superpetroleiro saudita Sirius Star, em 15 de novembro do ano passado no Oceano Índico. Os piratas precisaram de apenas 16 minutos para tomar este navio de 330 metros de comprimento, que transportava dois milhões de barris de petróleo. O Sirius Star foi libertado em 9 de janeiro deste ano, depois do pagamento de um resgate. Seis piratas morreram quando a lancha onde estavam naufragou, junto com parte do dinheiro.

Superpetroleiro saudita é libertado por piratas da Somália

Capturado por corsários em novembro, navio considerado um dos maiores do mundo tem carga de US$ 100 mi

MOGADISCIO, Somália - Piratas somalis disseram nesta sexta-feira, 9, que um superpetroleiro saudita foi liberado, após quase dois meses capturado. O sequestro do Sirius Star, de 330 metros, trouxe pânico à navegação internacional e levou o mundo a aumentar a ação contra os piratas. De propriedade da gigante estatal Saudi Aramco, a embarcação foi capturada na costa da África em 15 de novembro. Levava uma carga de 2 milhões de barris de petróleo, no mais ousado ataques dos piratas nos últimos anos.

"Todo nosso pessoal agora deixou o Sirius Star. O navio está livre, a tripulação está livre", afirmou Mohamed Said, um dos líderes do grupo, à agência France Presse. "Houve problemas de último minuto, mas agora tudo está finalizado." Outro pirata, Sahafi Abdi Aden, também garantiu que o sequestro foi encerrado. Ele disse que não pode entrar em detalhes do "acordo", mas apenas dizer que o navio está livre. Ele ressaltou que ninguém se feriu durante o rapto.

O Sirius Star

O resgate pago não foi divulgado. Os piratas chegaram a pedir US$ 25 milhões pelo Sirius Star, mas as últimas notícias indicavam valores em torno de US$ 3,5 milhões. A tripulação do navio tinha 25 pessoas, nascidas no Reino Unido, Croácia, Arábia Saudita, Filipinas e Polônia. Os piratas operando na costa somali, no Golfo do Áden e no Oceano Índico realizaram mais de 130 ataques em 2008, tornando essas águas as mais perigosas do mundo.

A Somália é um país empobrecido e sem um governo de fato desde 1991. O país sofre também com uma insurgência islâmica, que ameaça derrubar o governo apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Houve pelo menos 96 ataques dos piratas até agora neste ano em águas somalis, com 40 embarcações capturadas. Quinze embarcações, com perto de 300 tripulantes, estão sob controle dos piratas, que ancoram a leste ou sudeste enquanto negociam os resgates.

Navios chineses partem para a Somália para combater piratas

PEQUIM - Três navios da Armada chinesa partiram nesta sexta-feira, 26, do porto de Sanya, na ilha de Hainan (sul), com destino às águas da Somália para combater os piratas da região, na primeira missão da história de navios de guerra chineses fora do Pacífico.



O contra-almirante Du Jingcheng, encarregado da expedição, destacou a bordo de um dos navios que a tripulação "está totalmente confiante" de que cumprirá sua missão de proteger os navios da crescente atividade de piratas.

A missão foi considerada por parte da imprensa chinesa como "o primeiro desdobramento naval da China em águas internacionais desde o século XV".

A tripulação é composta por 800 pessoas, entre elas 70 soldados das forças especiais da Armada, e os navios estão equipados com mísseis, canhões e armas leves, além de provisões para vários meses, segundo a agência Xinhua.

O primeiro objetivo da missão é "garantir a segurança dos navios que passam pelo Golfo de Áden, principalmente cargueiros chineses de petróleo e outros materiais estratégicos", assinalou o contra-almirante, principal responsável da frota do sul da China.

"Também nos preparamos para lidar com os piratas, apesar de não estarmos familiarizados com essas águas", acrescentou.

O aumento dos ataques de piratas no Golfo de Áden motivou o envio à região de navios de guerra de diversos países além da China, entre eles França, Grécia, Reino Unido, Alemanha e Itália.

Força naval americana divulga foto de piratas com reféns na Somália

Imagem mostra tripulantes diante de piratas.
Almirante francês diz que piratas são forças paramilitares.




Imagem liberada pela força naval americana mostra piratas e os reféns tripulantes de um naviol chinês no Oceano Índico, perto da costa da Somália. A foto é de 17 de novembro e o navio foi atacado um dia antes (Foto: Jason R. Zalasky/AP)

Os piratas somalis que atuam no Golfo de Áden e no Mar da Arábia são verdadeiras forças paramilitares, bem equipadas e altamente profissionais, afirmou o comandante das forças marítimas francesas do Oceano Índico, almirante Gérard Valin.

Segundo ele, os piratas são equipados com kalashnikov, fuzis de assalto, lança-foguetes RPG-7, GPS e telefones por satélite.

"Estes supostos pescadores precisam de apenas 15 minutos para invadir um navio de grande porte e fazer todos os tripulantes de reféns", comentou o almirante Valin para a agência de notícias “France Presse”.

Segundo ele, os piratas recorrem agora a "navios-mãe", como velhos cargueiros que podem rebocar até quatro "skiffs" rápidos.

O almirante destacou que, em alguns casos, helicópteros militares franceses deram o alerta depois de terem detectado a presença de escadas a bordo destas pequenas embarcações. "Não se pesca com escadas", comentou.

De acordo com os militares franceses, os ataques de navios por piratas se multiplicaram na região. Desde o início deste ano, foram 133, sendo 39 bem-sucedidos. Nos três anos precedentes, foram 70 ataques, 31 dos quais bem-sucedidos. A ONU afirmou que na costa da Somália aconteceram 65 sequestros em 2008.

Os números dados pelo Birô Marítimo Internacional (BMI) apontam que pelo menos 92 navios foram atacados por piratas somalis no Oceano Índico e no Golfo de Áden desde o início de 2008. Destes 92 ataques, 36 foram bem-sucedidos. Onze ataques foram registrados na região entre os dias 10 e 16 de novembro, segundo o BMI.

Cerca de 16 mil navios passam a cada ano pelo estreito de Bab el Mandeb, entre o Golfo de Áden e o Mar Vermelho, por onde transita quase 30% do petróleo bruto mundial.

A zona de influência dos piratas, outrora limitada ao Golfo de Áden, foi ampliada em setembro, quando uma segunda "frente" foi aberta mais ao sul, numa área de 400 milhas náuticas (740 km ) ao largo de Mogadiscio. Seis ataques foram perpetradas em um mês nesta segunda zona.

No entanto, os piratas somalis também atuam ainda mais longe de suas bases. O Sirius Star, um superpetroleiro saudita, foi capturado sábado mais de 450 milhas náuticas (800 km) ao audeste de Mombaça (Quênia).

Para as dezenas de navios de guerra presentes na região, "o principal objetivo é impedir os piratas de invadirem os navios mercantes e fazerem os tripulantes de reféns", explicou o almirante Valin.

"Expulsá-los à força (destes navios) é uma operação complexa, que exige meios importantes para minimizar ao máximo os riscos, tanto para os reféns como para os comandos e os próprios piratas", acrescentou. "Não estamos em guerra contra forças armadas tradicionais, mas contra criminosos que fazem negócios com reféns e que devem ser capturados vivos para serem julgados", finalizou o almirante francês.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails