O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, disse que este domingo foi um dia de vitória para o Iraque
"Este dia de eleições é um dia de vitória contra os assassinos, aqueles que não querem a democracia", afirmou Maliki em mensagem transmitida pela televisão estatal.
O primeiro-ministro, que chegou ao poder em 2006 e tenta a reeleição neste pleito, agradeceu também o esforço das forças de segurança "que sacrificaram sua vida" para proteger o desenvolvimento da votação.
Atentados
Uma série de ataques com explosivos e morteiros, principalmente em Bagdá, deixaram 38 mortos e cerca de 80 feridos neste domingo.
Uma aliança terrorista ligada à rede Al Qaeda tinha ameaçado usar todos os meios possíveis para impedir a votação.
Em sua mensagem, o chefe de Governo iraquiano aproveitou para pedir aos líderes políticos para que se unam em defesa dos interesses nacionais.
Das eleições de hoje sairão os 325 representantes do Parlamento unicameral, do qual sairá a próxima coalizão governante e que designará também o novo presidente, com menores funções executivas do que o primeiro-ministro.
Falta de segurança
Mais cedo, um dos principais dirigentes da oposição iraquiana, o ex-primeiro-ministro Ayad Allawi, parabenizou os eleitores por sua participação no pleito e criticou o Governo pela falta de segurança durante a votação.
Allawi é um dos dirigentes da coalizão Al Iraqiya, da qual também fazem parte políticos sunitas e que é uma das favoritas nas eleições de hoje.
Em sua mensagem, divulgada pelo canal de televisão "Al Sharqiya", Allawi pediu à comissão eleitoral iraquiana para que realize uma apuração transparente e que interferências de outros países sejam evitadas.
A Al Iraqiya denunciou durante a campanha eleitoral supostas interferências do Irã na vida política iraquiana e no Governo de Maliki.
Allawi pediu ao Parlamento que vier a ser eleito hoje para que abra uma investigação sobre "os funcionários iraquianos que cometeram violações" dos direitos políticos durante o processo eleitoral e também sobre os responsáveis pela comissão rleitoral.
Um dos principais dirigentes da Al Iraqiya, o sunita Saleh al Mutlaq, parlamentar eleito em 2005, ficou fora das eleições de hoje acusado de supostos vínculos com o Baath, partido do regime de Saddam Hussein e atualmente proibido no Iraque. Fontes: FOLHA /Efe
Ataques durante votação deixaram 38 mortos e mais de 100 feridos. Eleições são decisivas para plano dos EUA de retirada de tropas do país.
Residentes sobre escombros de prédio no qual uma bomba explodiu em Bagdá, capital/Mohammed Ameen/Reuters
As eleições parlamentares do Iraque foram encerradas hoje, às 17h (horário local, por volta das 11h em Brasília), após uma série de ataques que marcaram a votação e deixaram 38 pessoas mortas e mais de cem feridos. Foram 20 atentados apenas na capital Bagdá.
Apesar do forte esquema de segurança, insurgentes ainda conseguiram desencadear uma série de bombas, foguetes e ataques com morteiros, cujo intuito era intimidar os eleitores.
Os iraquianos esperam que as eleições coloquem o país em reconciliação, enquanto os Estados Unidos preparam a retirada de tropas no país até o final de 2011.
O primeiro-ministro Nouri al-Maliki está lutando por seu futuro político, com os desafios de uma coalizão de maioria xiita de grupos religiosos de um lado, e uma aliança secular combinando xiitas e sunitas no outro.
Cerca de 19 milhões de iraquianos devem ter comparecido às urnas hoje para eleger quem vai conduzir o país durante a retirada das tropas dos Estados Unidos do país.
Pelo menos 14 pessoas morreram no nordeste de Bagdá, após uma explosão e desabamento de um edifício. Ataques de morteiros no oeste de Bagdá mataram sete pessoas em dois diferentes bairros, segundo a polícia e fontes hospitalares.
No bairro de Bagdá Hurriyah, ao nordeste, três pessoas foram mortas quando alguém atirou uma granada em direção a uma multidão, informaram a polícia e funcionários de um hospital.
Na cidade de Mahmoudiya, cerca de 20 milhas (30 quilômetros) ao sul de Bagdá, uma bomba dentro de um centro de votação matou um policial, disse o coronel do Exército iraquiano, Abdul Hussein. Também houve explosões em outros pontos do país, mas ainda não há relatos de vítimas.
Projéteis caíram em diferentes pontos de Bagdá, inclusive na chamada 'zona verde', área especialmente fortificada e onde se localizam várias embaixadas e sedes de ministérios. No entanto, não há informações de vítimas nessa área.
Fora de Bagdá, na província de Diyala, dois homens armados morreram ao explodir a bomba que tentavam colocar em uma estrada, na região de Jabara, situada a 115 quilômetros ao norte de Baquba, capital de Diyala.
Além disso, vários ataques em diversas cidades dos arredores de Baquba contra centros eleitorais deixaram pelo menos um ferido.
Em Faluja, a 50 quilômetros do oeste da capital, dois artefatos explosivos deixaram quatro pessoas feridas, acrescentaram as fontes.
Fontes do Ministério do Interior assinalaram que ao norte da cidade oriental de Baquba uma bomba explodiu nesta madrugada durante a passagem de um comboio do Exército dos Estados Unidos, mas só causou danos ao veículo.
O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, votou logo após a abertura das votações. Ele se mostrou confiante de que esses atentados não afetarão as eleições no país.
Eleições
O pleito --que conta com 50 mil urnas divididas em 9.000 colégios eleitorais-- está sendo visto como um teste crucial para o processo de reconciliação nacional diante do plano dos Estados Unidos de retirar suas tropas do país em fases.
As eleições ocorreram com medidas de segurança especiais, que incluiram a proibição do tráfego de veículos desde a noite de ontem (sábado) até a madrugada de amanhã (segunda-feira).
Cerca de 6 mil candidatos concorrem a 325 cadeiras no Parlamento, que se encarregará de escolher a nova coalizão governante e também o presidente e os dois vice-presidentes do país, com menos funções executivas que o governo. O país possui cerca de 18,9 milhões de eleitores registrados.
Entre as alianças políticas favoritas está a liderada pelo primeiro-ministro, Nouri al-Maliki.
Obama destaca 'coragem' dos iraquianos que 'desafiaram ameaças' para votar
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destacou a "coragem" dos iraquianos que "desafiaram as ameaças para fazer com que sua democracia avance" ao votar neste domingo (7) nas eleições legislativas.
"Felicito o povo do Iraque por ter votado durante estas importantes eleições parlamentares. Tenho um grande respeito pelos milhões de iraquianos que não se deixaram intimidar pela violência e exerceram o seu direito de votar hoje", disse o presidente americano em um comunicado.
"Lamentamos as trágicas perdas de vidas humanas hoje e saudamos a coragem e a vontade dos iraquianos que desafiaram as ameaças para fazer com que sua democracia avance", acrescentou, considerando que "sua participação mostra que o povo iraquiano escolheu construir o seu futuro pelo caminho do processo político".
Pelo menos 38 pessoas morreram durante a votação, segundo o Ministério do Interior. Mais de 100 pessoas ficaram feridas nas explosões de bombas e granadas que ocorreram após a abertura dos colégios eleitorais até o fim das votação, às 17 horas locais (11h de Brasília).
Militantes sunitas prometiam inviabilizar a votação, num dos muitos desafios para estabilizar o Iraque antes da retirada das tropas norte-americanas.
Empresas de petróleo, que planejam investir bilhões no Iraque, também acompanham os desdobramentos.
Iraquianos inspecionam local atingido por explosão em Bagdá, neste domingo (7) (Foto: Ahmad Al-Rubaye / AFP)