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Resgate chileno vira lição na China

Peter Parks/AFP

Como toda a imprensa mundial, os jornais chineses acompanharam de perto o reality show chileno. Só que aqui o foco era um pouco diferente: no país em que ocorrem 80% das mortes de mineiros no mundo, a operação de resgate se transformou em exemplo a seguir.

“Não há abrigos de segurança na maioria das nossas minas, provavelmente em nenhuma delas, e a consciência de segurança continua surpreendentemente fraca entre os nossos mineiros e donos de minas. Os 33 mineiros chilenos poderiam não ter sobrevivido sem esses fatores”, diz o editorial de hoje do jornal estatal “China Daily”.

É bastante provável que um mineiro chinês tenha a profissão mais arriscada do mundo. Enquanto no Chile 373 mineiros perderam a vida na última década, na China foram cerca de 170 mil mortes em 30 anos.

Só no ano passado, ocorreram mais de 2.600 casos, ou 80% dos mineiros mortos no mundo em 2009. Já foi pior: em 2004, cerca de 6.000 chineses perderam a vida nas minas.

Os acidentes são diários. Hoje, por exemplo, três mineiros morreram asfixiados e nove estão presos embaixo da terra após acidente na Província de Shaanxi. Em julho, 28 morreram em outro acidente na mesma região.

Sobram histórias dramáticas. Num dos relatos mais famosos, em 2007, os irmãos Meng Xianyou e Meng Xianchen, dados como mortos, conseguiram cavar sozinhos a própria saída após seis dias comendo carvão e bebendo a própria urina.

Em abril deste ano, 115 mineiros foram resgatados após uma semana de uma mina inundada. Mas 25 morreram no local.

Numa das medidas para melhorar a segurança no trabalho, o governo chinês chega a obrigar os administradores das minas a descer regularmente com os mineiros.

O problema aqui é a necessidade cada vez maior do carvão, combustível de 70% da energia elétrica chinesa. Com o crescimento acelerado dos últimos anos, a China precisa crescer o equivalente ao consumo de uma França inteira por ano, fazendo do carvão um negócio cada vez mais lucrativo. O apetite desenfreado incentiva o aparecimento de centenas de minas ilegais, sem nenhuma preocupação com segurança.

Mas o problema antecede aos comunistas. O pior acidente numa mina de carvão do mundo ocorreu em 1942, no nordeste da China, quando uma explosão matou 1.542 mineiros.

Fonte: FOLHA

Partido Comunista da China se reúne sob pressão por reformas

Concessão de Prêmio Nobel da Paz a dissidente gerou novos apelos por mudanças

O Partido Comunista da China (PCCh) - legenda única que governa o país - abriu nesta sexta-feira (15) sua plenária anual, uma semana depois da concessão do Prêmio Nobel da Paz ao dissidente Liu Xiaobo e no momento em que aumentam as reivindicações de dirigentes, como o primeiro-ministro, Wen Jiabao, para que seja iniciada uma reforma política no centro do regime.

A agenda oficial da reunião, sempre envolta em segredos, prevê o debate do plano quinquenal 2011-2015 para fixar a política econômica do período, mas os observadores também estarão atentos a possíveis discussões internas no partido que governa a China desde 1949.

Em sua edição desta quinta-feira (14), o jornal South China Morning Post repercutiu os frequentes apelos públicos de Wen por mudanças políticas na China. Outros meios de imprensa oficiais e não oficiais estenderam esses pedidos à opinião pública.

Jornais como o China Youth Daily (filiado à Liga de Juventude Comunista), o Beijing News, o Oriental Morning Post e outros rotativos do centro e do sul da China transmitiram os pedidos de Wen, aproveitando sua recente aparição nos veículos americanos de imprensa Time e CNN.

Primeiro-ministro promete lutar por reforma

Em entrevista à emissora CNN na semana passada, Wen disse que lutará pela reforma política, "apesar do forte vento e da dura tempestade". Alguns analistas receberam as declarações com ceticismo, avaliando que são um gesto destinado a aplacar as críticas da comunidade internacional contra o histórico de violações aos direitos humanos na China. Outros, no entanto, assinalam que o primeiro-ministro chinês representa correntes reformistas no centro do PCCh, contrárias ao endurecimento nas decisões políticas do presidente do país, Hu Jintao.

As distintas visões de Wen e Hu se baseiam, entre outras coisas, na atitude de ambos no ano de 1989, marcado pelas manifestações pró-democracia na Praça da Paz Celestial. Naquele ano, Wen demonstrou um tímido apoio aos estudantes, participando da reunião dos manifestantes com o então secretário do PCCh, Zhao Ziyang. Ao mesmo tempo, Hu, que já era o titular do principal cargo do Partido no Tibete, se encarregou de reprimir as revoltas na região.

Os atuais apelos de Wen despertaram otimismo em meios de imprensa, como o diário Xiaoxiang Morning Post, que veiculou a seguinte manchete: "China está prestes a lançar seus terceiros 30 anos de reforma" (após as três décadas de maoísmo e as três de abertura econômica).

Censura continua

Apesar de o chefe de governo liderar a corrente reformista, a censura continua. Algumas declarações de Wen à CNN não puderam ser publicadas pela imprensa chinesa, e o mencionado título do Xiaoxiang Morning Post foi retirado da internet.

Em sua entrevista à emissora americana, o primeiro-ministro chinês assegura que "a liberdade de expressão é indispensável para qualquer país, para um país que está no curso de seu desenvolvimento e se fez forte", afirmando, no entanto, que esse direito já está previsto na Constituição chinesa.

Outros altos dirigentes do PCCh, como Yu Keping, citado pela agência Xinhua, mencionaram também a ideia de uma nova onda de reformas de 30 anos, mais focada em assuntos sociais e políticos. Na última quarta-feira (12) foi divulgada a existência de uma carta pedindo reformas políticas assinada por veteranos do PCCh, entre eles Li Rui, antigo secretário do governante Mao Tsé-tung, e o ex-editor-chefe do Diário do Povo, Hu Jiwei.

Prêmio Nobel da Paz está preso

Esses movimentos internos acontecem no momento em que a comunidade internacional multiplicou seus apelos pela democratização da China, fomentada pela concessão do Nobel da Paz ao dissidente Liu Xiaobo.

Liu, condenado em 2009 a 11 anos de prisão por subversão, foi castigado por participar da redação da Carta 08, que pedia reformas políticas no país asiático. Outros dissidentes políticos e conhecidas figuras da cultura chinesa, como o artista Ai Weiwei e o jornalista Michael Anti, também aderiram às chamadas por reformas em foros da internet, apesar da forte censura imposta por Pequim a qualquer notícia que se refira à concessão do Nobel.


Fontes: R7 - Efe

Mulher do Nobel da Paz é detida em Pequim

Liu Xia estava incomunicável desde a noite de sexta-feira, quando disse à AFP que policiais estavam em sua casa

A esposa do ativista chinês Lu Xiaobo, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2010, está detida em sua casa, declarou a porta-voz de uma organização de direitos humanos americana. "Lu Xia está, neste momento, sob prisão domiciliar em seu apartamento de Pequim", informou Beth Schwanke, conselheira legislativa do grupo Freedom Now.

Horas antes, uma outra ONG anunciou que Lu Xia tinha visitado o marido na prisão para contar que ele havia sido laureado com o Nobel. Citando a sogra de Xiaobo, o Centro de Informação dos Direitos Humanos e Democracia afirmou em um comunicado que o casal encontrou-se na tarde deste domingo, no horário local.

Liu Xia estava incomunicável desde a noite de sexta-feira, quando disse à AFP que policiais estavam em sua casa e explicaram que a levariam à província de Liaoning (nordeste), onde seu marido está preso, para que pudesse vê-lo.

 O dissidente chinês Liu Xiaobo e sua esposa, Liu Xia (STR/AFP)

O ativista 

Liu Xiaobo foi laureado como o Prêmio Nobel da Paz 2010, na última sexta-feira, "por seus esforços continuados e não violentos em prol dos direitos humanos na China", segundo o Comitê Nobel norueguês.

O dissidente, de 54 anos, cumpre uma pena de 11 anos em regime fechado por ter sido um dos autores da Carta 08, exigindo a democratização da China. Ele foi condenado por "subversão do poder do Estado".

Fonte: Veja - Agências

China prende dissidentes após Nobel da Paz para Liu Xiaobo

A dissidência chinesa celebrava neste sábado a atribuição do Nobel da Paz a Liu Xiaobo, mas agora teme uma nova onda de repressão após a detenção de militantes poucas horas depois do anúncio do prêmio.

A polícia prendeu dezenas de dissidentes em várias cidades, incluindo Pequim, Xangai e Jinan. De acordo com um advogado e uma organização de defesa dos direitos humanos, os partidários de Liu Xiaobo comemoravam sua premiação na noite de sexta-feira.

"Houve gente detida pela polícia durante a noite. Eles não querem que a gente se reúna ou celebre", declarou Teng Biao, advogado de militantes dos direitos humanos.


"É um verdadeiro quebra-cabeças para o governo, pois não querem que as pessoas saibam" que Xiaobo ganhou o prêmio Nobel da Paz, indicou.

A organização Defensores dos Direitos Humanos na China, com sede em Hong Kong, também denunciou as prisões. "Enquanto alguns se reuniam em pequenos grupos para comemorar este importante acontecimentos, dezenas de partidários de Liu foram detidos", afirmou a organização em comunicado.

O jornal oficial "Global Times" escreveu que o comitê Nobel havia se "desonrado", e que o prêmio da Paz foi "rebaixado a instrumento político a serviço de motivações antichinesas".

"Mais uma vez, o Comitê Nobel mostrou sua arrogância e seus preconceitos contra um país que fez progressos notáveis nas últimas três décadas no terreno econômico e social", acusa um editorial do diário, citando o prêmio Nobel da Paz de 1989, concedido ao Dalai Lama.

"Nenhum dos dois (Liu Xiaobo e o Dalai Lama) figuram entre aqueles que, nas últimas décadas, contribuíram para a paz e o crescimento na China", critica o jornal, controlado pelo Partido Comunista chinês.

"Evidentemente, o prêmio Nobel da Paz deste ano foi dado para irritar a China", continua o Global Times, "mas não conseguirá", e a China resistirá às tentativas insistentes de "imposição de valores ocidentais".

Liu Xia, mulher de Liu Xiaobo, por sua vez, chegou neste sábado à província de Liaoning (nordeste), onde o dissidente está preso, e espera poder vê-lo no domingo, segundo o Centro de Informação dos Direitos Humanos e da Democracia, também estabelecido em Hong Kong.

Em outro movimento, sete intelectuais chineses assinaram uma carta felicitando Liu Xiaobo, a quem qualificam de "estandarte da não-violência na China".

"A China deve evitar uma revolução violenta", afirmam. A carta pode ser lida no site www.peacehall.com.

Liu Xiaobo, de 54 anos, é considerado um criminoso por Pequim, que o condenou a 11 anos de prisão por "subverter o poder do Estado" ao assinar a Carta 08, manifesto dissidente pela abertura política na China.

Nos grandes portais da internet Sina e Sohu, as expressões "prêmio Nobel da Paz" e "Liu Xiaobo" não levam a lugar algum, e vários internautas, acostumados à censura onipresente, evocam Liu de maneira disfarçada.

Os canais da televisão oficial sequer mencionaram a premiação de Xiaobo, e reportagens sobre o assunto produzidas por emissoras estrangeiras como a americana CNN e a francesa TV5 foram censuradas.

Na noite de sexta-feira, mensagens de celular que continham o nome de Liu não chegavam a seus destinatários.

Ativista político chinês critica entrega do Nobel da Paz a Liu Xiaobo

Um importante ativista político chinês crítico ao regime comunista disse que outros mereciam mais o Nobel da Paz do que Liu Xiaobo, dissidente agraciado com o prêmio nesta sexta-feira.

Para Wei Jingsheng, que passou cerca de 20 anos na prisão pela atuação pró-democracia no país, Liu é um moderado que quer colaborar com o governo chinês.

Segundo o ativista, Liu foi por vezes autorizado a atuar e já fez críticas a outros opositores que propõem mudanças mais profundas do que as defendidas pelo Nobel da Paz.

"Na minha opinião, deram o Nobel da Paz a Liu porque ele é diferente da maioria dos opositores. Faz mais gestos de cooperação com o governo e é mais crítico com outros dissidentes", disse Wei à agência France Presse, em Washington, onde vive exilado.

Para ele, há "dezenas de milhares" de chineses que teriam merecido o prêmio, incluindo Hu Jia, um advogado de portadores do vírus da Aids, Chen Guangcheng, que denunciou a corrupção na política do "filho único", e o advogado defensor dos direitos humanos Gao Zhisheng, que está desaparecido.

O próprio Wei já foi mencionado como possível ganhador do Nobel da Paz no passado.

Em 2008, Liu aparece em frente ao túmulo do dissidente Bao Zunxin, preso após o massacre da Paz Celestial/AP

Liu Xiaobo, 54, o mais proeminente dissidente chinês, incomoda o governo desde 1989, quando aderiu a uma greve de fome estudantil dias antes da repressão militar ao movimento pró-democracia na Praça da Paz Celestial.

Mas, no últimos anos tem defendido uma mudança política pacífica e gradual, em vez da confrontação com Pequim. Há dois anos, ele foi coautor de um documento exortando o governo chinês a conceder mais liberdade ao país e a acabar com o domínio absoluto do Partido Comunista sobre a política chinesa.

Devido a essa carta, o Prêmio Nobel 2010 foi condenado no ano passado a 11 anos de prisão, pena que cumpre atualmente em uma penitenciária de Pequim. A sentença foi criticada pelos EUA, pela União Europeia e por grupos de direitos humanos.

Liu está entre os mais combativos críticos do regime unipartidário chinês.

Fontes: FOLHA - AFP - AP

Ativista chinês ganha Prêmio Nobel da Paz

Dissidente político, Liu Xiaobo foi escolhido pela academia norueguesa. Ele cumpre pena de 11 anos de prisão por manifesto por democracia.

Cartazes pedem a libertação do dissidente chinês Liu Xiaobo durante protesto por democracia na China (Foto: AP)

O ativista chinês Liu Xiaobo ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2010. Professor e defensor da democracia na China, Xiaobo está preso desde dezembro de 2008. Ele foi condenado a 11 anos de prisão por ter publicado um manifesto em defesa da liberdade de expressão e de eleições multipartidárias no país. Ele vai receber um prêmio de U$ 1,5 milhão (cerca de R$ 2,7 milhões).

Xiaobo é o mais famoso dissidente político chinês. Ele foi considerado um problema pelo governo do país desde 1989, quando se juntou aos protestos estudantis na Praça da Paz Celestial.

Ele tem sido um dos críticos mais combativos do Estado de partido único da China, e seus comentários públicos têm frequentemente irritado o governo, que insiste que a China é um país com o Estado de direito e que respeita os direitos humanos fundamentais.

Xiaobo tem 54 anos e foi condenado a 11 anos no Natal de 2009 por fazer campanha para as liberdades políticas. Sua condenação foi rejeitada internacionalmente por grupos de direitos humanos, Washington e muitos governos europeus.

Ao anunciar o prêmio, o presidente do Comitê Nobel, Thorbjoern Jagland, afirmou que a China, segunda maior economia mundial, deveria assumir "mais responsabilidades" devido a seu cada vez mais importante papel no cenário internacional. O Prêmio Nobel da Paz é tradicionalmente entregue em Oslo no dia 10 de dezembro.


'Obscenidade'

O governo da China condenou fortemente a concessão do Prêmio Nobel da Paz para o dissidente Liu Xiaobo, que está preso, qualificando-a de "uma obscenidade" que vai contra os objetivos da premiação.

A decisão vai prejudicar as relações sino-norueguesas, diz um comunicado do porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Ma Zhaoxu, colocado em seu website, www.mfa.gov.cn.

"Esta é uma obscenidade contra o prêmio da paz", disse Ma.

O regime chinês imediatamente bloqueou a notícias sobre o assunto na TV e na internet, censurando mensagens na rede com o nome do dissidente, e afirmou que a decisão põe em risco as relações entre a China e a Noruega, país-sede do instituto que confere o prêmio.

Nos últimos dias, diplomatas chineses já vinham pressionando o comitê do Nobel a não premiar Liu, advertindo que a decisão poderia comprometer as relações bilaterais entre a China e a Noruega, país que sedia o comitê organizador da premiação.

O instituto, no entanto, conferiu o prêmio recebido no ano passado pelo presidente americano, Barack Obama, ao dissidente e louvou a via pacifista adotada por ele nos protestos ao regime chinês.

ATIVISMO

Liu, 54, tem defendido uma mudança política pacífica e gradual, em vez da confrontação com Pequim. O dissidente participou dos protestos da Praça da Paz Celestial duramente reprimidos pelo governo em 1989.

Há dois anos, Liu foi coautor de um documento exortando o governo chinês a conceder mais liberdade ao país e a acabar com o domínio absoluto do Partido Comunista sobre a política chinesa.

Devido a essa carta, o Prêmio Nobel 2010 foi condenado no ano passado a 11 anos de prisão, pena que cumpre atualmente em uma penitenciária de Pequim.

O advogado de Liu, Shang Baojun, disse esperar que, "graças a essa decisão, ele seja liberado rapidamente, embora ainda seja muito cedo para se saber se será assim mesmo".

"Espero que nesta ocasião, a China se abra ainda mais, que se levantem as restrições à liberdade de expressão."

REAÇÃO

O Ministério das Relações Exteriores da China atacou a decisão e disse que o prêmio deveria, em vez disso, ser usado para a promoção da amizade internacional e do desarmamento.

"Liu Xiaobo é um criminoso sentenciado pela Justiça chinesa por violar as leis da China", disse a Chancelaria em Comunicado. "[A decisão] é completamente contrário ao próprio espírito do prêmio e é uma blasfêmia ao Nobel da Paz."

O anúncio em emissoras de TV como a americana CNN foi imediatamente censurado, e sites da internet que fazem a cobertura da premiação foram bloqueados. Tentativas de envio de mensagens de texto por celular com sobre "Liu Xiaobo" não eram possíveis.

Apesar da censura, em Pequim mais de uma dúzia de apoiadores de Liu se reuniram na entrada de um parque na região central da cidade para parabenizar o dissidente. Eles entoavam os gritos "Vida longa à liberdade de expressão, vida longa à democracia!".

Liu, no entanto, é conhecido na China apenas por ativistas políticos, e a maior parte das pessoas que passavam pelo local não paravam por não saber do que se tratava.

CRÍTICA

O presidente do comitê do Nobel, o norueguês Thorbjoern Jagland disse que "a China tem se tornado uma grande potência em termos econômicos e políticos, e é normal que grandes potências estejam sob críticas". Jagland disse que Liu é um símbolo da luta pelos direitos humanos na China.

O premiê norueguês, Jens Stoltenberg, afirmou não ver motivo para a China punir a Noruega como país pelo prêmio. "Eu acho que seria negativo para a reputação da China no mundo se eles decidissem fazer isso."



Ativista e dissidente Liu Xiaobo/Reuters



Veja a lista dos vencedores do Nobel da Paz nos últimos 10 anos:

* 2010: Liu Xiaobo.

* 2009: Barack Obama

* 2008: Martti Ahtisaari

* 2007: Intergovernmental Panel on Climate Change, Al Gore

* 2006: Muhammad Yunus, Grameen Bank

* 2005: Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed ElBaradei

* 2004: Wangari Maathai

* 2003: Shirin Ebadi

* 2002: Jimmy Carter

* 2001: ONU, Kofi Annan

* 2000: Kim Dae-jung

Fontes: G1 - TV Globo - FOLHA - Agências- CNN

Apartamentos cápsula fazem sucesso na China

Engenheiro aposentado apresenta moradia alternativa

Na China, onde o preço da moradia é cada vez mais alto, um engenheiro aposentado criou vários locais extremamente pequenos para alugar. Os apartamentos cápsula têm cerca de três metros quadrados, uma cama e pouco espaço


Fonte: UOL

Chineses 'invadem' o Japão para comprar os próprios produtos

A maioria dos funcionários de uma loja é composta por chineses. Consumidores compram relógios, games e artigos de luxo, por exemplo.

É o sonho de todo o comerciante: o ônibus para na porta e despeja consumidores com dinheiro no bolso. É a nova invasão chinesa. Antes os produtos fabricados na China lotavam as prateleiras. Agora, eles enchem os corredores.

E só compram no plural: são duas raquetes, três relógios. A menina explica que um é para ela, outro para o pai e outro para o avô. Lembranças, sempre um punhado. Com aquela população gigantesca, não dá para esquecer ninguém.

A campeã de vendas é a panela elétrica de arroz, artigo popular na Ásia. Uma família levou logo três. "É que a gente tem muitos parentes". Vende tanto, que todo o dia chega um novo carregamento de panelas.

Assim como em todo o mundo, jogos eletrônicos fazem sucesso entre as crianças e adolescentes chineses. Por isso, eles adoram a seção da loja onde estão os últimos lançamentos. Só que, neste caso, eles vêm ao Japão comprar produtos feitos na China.

Um rapaz explica que os produtos vendidos no Japão, mesmo os fabricados na China, têm qualidade superior. Para o gerente, brasileiro, eles são os melhores clientes. "Eles vem com pouco tempo, aí não pensam muito. O que querem, eles compram."

A loja contratou funcionários chineses. Hoje são a maioria. As grandes marcas já perceberam que os chineses desejam qualidade. As maiores lojas do mundo de algumas grifes estão localizadas na China e a estimativa é de que, em cinco anos, o pais será o maior consumidor de artigos de luxo do planeta.

Para os japoneses ver os vizinhos gastando, como eles faziam décadas atrás, pode ser ruim para o orgulho, mas é ótimo para os negócios.



Fontes: G1- TV Globo

China está prestes a passar o Japão como segunda economia mundial

Especialistas alertam sobre necessidade de reorientar crescimento chinês

A China está a ponto de destronar o Japão como segunda economia mundial. O fato demonstra ascensão contínua ao longo dos últimos anos e também a necessidade de reorientar o crescimento chinês para depender menos das exportações.

Além de país mais populoso do planeta, a China tem os títulos de maior exportador, principal mercado automobilístico e primeiro produtor siderúrgico mundial.

Em 2009, o PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas da nação) chinês encostou no do Japão - dez vezes menos povoado e, portanto, dez vezes mais rico por habitante-, com R$ 8,8096 trilhões (US$ 4,980 trilhões) contra R$ 8,8574 (US$ 5,007 trilhões).

O Japão deve divulgar na segunda-feira (16) o total do PIB para o primeiro semestre de 2010. No entanto, o vice-presidente do banco central chinês, Yu Gang declarou recentemente que a China já está convencida de que sua cifra será superior à japonesa.

- A China já é a segunda economia mundial.

De qualquer maneira, alguns analistas acreditam que a China pode se enganar. A recente valorização do iene (moeda japonesa) em relação ao dólar pode permitir ao Japão conservar seu segundo lugar, atrás dos Estados Unidos.

Takahide Kiuchi, da Nomura Securities, acredita em um PIB japonês de R$ 4,6825 trilhões (US$ 2,65 trilhões) para o período de janeiro a junho, contra R$ 4,4756 trilhões (US$ 2,53 trilhões) para o PIB chinês publicado em julho.

No entanto, a chegada da China à segunda posição parece inevitável, apesar de pairar dúvidas sobre a qualidade de seu crescimento, enfatiza Arthur Kroeber, diretor de gabinete da consultoria Dragonomics, com sede em Pequim . Segundo Kroeber, os dirigentes políticos chineses devem romper com a mentalidade que privilegia o crescimento a qualquer preço, um pensamento que "ainda está muito presente em sua burocracia".


- Insistir numa taxa de crescimento elevada pode introduzir mais distorções na economia. Na realidade, devemos nos concentrar nos meios de melhorar a qualidade do crescimento.

De acordo com Patrick Chovanec, professor da Escola de Economia e Gestão da Universidade de Tsinghua em Pequim, o "país se encontra em uma encruzilhada".

- A China se acha diante a mesma problemática que o Japão nos anos 1980: adaptar-se ou persistir no caminho de uma economia empurrada pelas exportações.

Desde o lançamento da política de reforma e abertura no final dos anos 70 por parte de Deng Xiaoping (líder político entre 1978 e 1992 e criador do socialismo de mercado, regime vigente no país atualmente), a China superou a Grã-Bretanha, a França e a Alemanha em termos de PIB.

Mas esse crescimento excepcional também teve como efeito colateral o aumento das desigualdades entre uma classe média urbana, que tem agora moradia e automóveis, e centenas de milhões de pobres, alguns dos quais vivem com menos de R$ 0,88 (US$ 0,50) por dia.

Fonte: R7- AFP

China testa com sucesso reator nuclear de quarta geração

Cientistas chineses testaram com sucesso o primeiro reator nuclear experimental de quarta geração, segundo publicou o jornal oficial "Diário do Povo".

O teste aconteceu no denominado CEFR (Reator Experimental Rápido da China, sigla em inglês), explicou Zhang Donghui, diretor-geral do projeto, e seu êxito faz da China o oitavo país do mundo a conseguir esta façanha.

O gigante asiático investiu no projeto um total de 2,5 bilhões de yuanes (US$ 370 milhões).

A quarta geração da energia nuclear se destaca por utilizar entre 60% e 70% do urânio empregado, uma taxa muito superior ao rendimento de 1% obtido nos reatores convencionais.

No entanto, ainda é desenvolvido mediante protótipos, e os especialistas consideram que não terão aplicação comercial em pelo menos duas décadas.

"O reator rápido ampliará o uso das fontes de urânio existentes na China de 100 anos previstos nos atualidade até mil anos", acrescentou Zhang.

A China extrai de seu território cerca de 750 mil toneladas de urânio, mas a demanda cresce exponencialmente, e estima-se que em 2015 a China requereria dez mil toneladas a mais deste combustível atômico.

O país asiático está imerso em um plano de desenvolvimento de sua energia nuclear, à qual inclui dentro do grupo de energias limpas, em contraposição ao petróleo e ao carvão (esta última fonte ainda supõe mais de dois terços do consumo energético chinês).

Assim, Pequim projeta construir 60 novos reatores nucleares em todo o país e chegar a produzir através deste tipo de centrais 75 milhões de quilowatts em 2020, 5% da energia total.


Fontes: FOLHA - Agências

Policiais espancam muher de oficial comunista na China

Policiais agridem mulher de figurão 

Três policiais chineses foram punidos pelo espancamento da esposa de um membro do Partido Comunista, depois de pensarem, por engano, que ela era alguém comum que tinha ido ao prédio do partido fazer uma reclamação.

Segundo a imprensa chinesa, Chen Yulian tentou entrar no prédio do Partido Comunista em Wuhan, na Província de Hubei (centro-leste do país), onde seu marido ocupa um cargo importante.

Yulian teria sido espancada por mais de 15 minutos e então ficou detida até mesmo depois de ter sua identidade confirmada.

As autoridades afirmam que Chen Yulian teve apenas ferimentos leves. No entanto, outras informações indicam que, quase um mês depois do espancamento, ela ainda não consegue andar normalmente.

MAL ENTENDIDO

Jornais chineses disseram que os três policiais não usavam fardas e tinham como missão justamente lidar com as pessoas que chegassem com alguma reclamação ao prédio do Partido Comunista.

Um chefe local do Partido Comunista afirmou que o incidente todo não passou de um mal-entendido.

Internautas chineses afirmaram que a identidade de Yulian não deveria importar e que nenhuma pessoa que leva uma reclamação às autoridades deveria ser submetida à violência.

No entanto, Chen Yulian não estava apenas visitando seu marido no prédio do Partido Comunista em Wuhan. Ela também queria apresentar uma reclamação, ligada à morte de sua filha.

Mas ela não podia apresentar sua queixa às autoridades diretamente devido ao emprego de seu marido.

O marido de Chen Yulian seria responsável justamente por manter a ordem entre os que levam reclamações às autoridades.

A editora da BBC para a Ásia Vivien Marsh diz que o caso destaca o tratamento brutal que muitos chineses enfrentam ao levar reclamações às autoridades.


Fontes: FOLHA - Agências

China ordena fechamento de mais de 100 blogs, diz ONG

A China reprime ferozmente a liberdade de expressão na internet

Pequim - Mais de 100 blogs de importantes intelectuais, advogados e dissidentes chineses foram fechados por ordem governamental, segundo comunicado da organização China Human Rights Defenders (CHRD), publicado neste sábado.

A associação explicou que o bloqueio foi efetuado pelos portais que alojavam as páginas, "Sohu.com" e "Sina.com", dois dos maiores do país, a pedido do Governo chinês.

A CHRD qualifica a ação como "um movimento incomum" e assegura que os dois portais pediram desculpas privadamente aos os blogueiros afetados pela medida, assegurando que estavam "atuando sob ordens de autoridades superiores".

No entanto, nenhum dos dois portais forneceu mais detalhes acerca do fechamento.

Entre os autores afetados estão He Weifang, advogado e professor de direito na Universidade de Pequim; Liu Junning, analista político; Pu Zhiqiang, advogado especializado em casos de direitos humanos; e o também letrado Xu Zhiyong, que ganhou fama internacional por sua defesa dos pais de crianças afetadas em 2008 por leite contaminado com melamina.

A China é o país do mundo com maior número de internautas, mais de 420 milhões segundo a última apuração oficial, mas também um dos que tem censura de conteúdos mais ferrenha.

A organização de direitos humanos também denunciou que vários dissidentes residentes em Pequim ficaram sob vigilância domiciliária durante a visita oficial à China da chanceler alemã, Angela Merkel.


Fontes: FOLHA - Efe

Daimler fecha acordo com a Beiqi Foton para produzir caminhões na China

Joint venture de US$ 928,5 mi faz parte de esforço da montadora para ampliar presença nos emergentes 


Daimler fará caminhões na China/Christian Charisius/Reuters

FRANKFURT - Dentro de um esforço mais amplo para ampliar sua presença nos mercados emergentes, a montadora alemã Daimler, a maior fabricante de caminhões do mundo em vendas, anunciou a assinatura de um acordo há muito aguardado para a formação de uma joint venture de 6,35 bilhões de yuans (US$ 928,5 milhões) com a chinesa Beiqi Foton Motor, após as negociações e o processo de aprovação do negócio se arrastarem por anos.

A nova empresa, chamada de Daimler Trucks, produzirá caminhões pesados e médios na China.

"A joint venture representa outro marco importante na implementação da nossa estratégia na China. O acordo fortalecerá ainda mais nossa posição em direção a todos os segmentos do mercado", afirmou o executivo-chefe da montadora, Dieter Zetsche, em comunicado.

"Nós planejamos usar a expertise tecnológica da Daimler Trucks para expandir ainda mais nossas atividades de veículos comerciais, em particular. O estabelecimento de nova joint venture marca nosso primeiro passo rumo aos nossos negócios globais e cooperações", afirmou o CEO da Foton Motor, Wang Jingyu. A Foton Motor é uma subsidiária da Beijing Automotive Industry Corporation (BAIC). As informações são da Dow Jones.

Fonte: O ESTADO DE S PAULO/Clarissa Mangueira.

China empresta US$ 50 bi para a América Latina

Com financiamentos generosos, país aumenta influência na região, como fez na África, e garante o suprimento de matérias-primas.

SÃO PAULO - Depois da invasão chinesa na África, agora é a vez da América Latina. A China despejou mais de US$ 50 bilhões na região em empréstimos nos últimos 18 meses, aponta levantamento do JP Morgan. A maior parte são créditos garantidos com entrega de petróleo.

Companhias estatais e bancos chineses estão investindo pesado na região. A presença da China se expande por três vias: comércio, investimento e empréstimos. Os objetivos do gigante são garantir matérias-primas, vender produtos e diversificar suas reservas internacionais.

A Venezuela, do presidente Hugo Chávez, lidera com US$ 28 bilhões em créditos chineses. Em abril, foi selado um acordo de US$ 20 bilhões, a poucos meses de eleições legislativas.

Depois estão Brasil e Argentina, com US$ 10 bilhões cada. O Equador recebeu US$ 2,7 bilhões. No caso brasileiro, é uma linha de crédito para a Petrobrás. A estatal informa que utilizou US$ 7 bilhões.

"A magnitude desses acordos é surpreendente", disse Julio Callegari, economista do JP Morgan. Os acordos são fechados com o Banco de Desenvolvimento da China e com a PetroChina.

A América Latina ganhou relevância como fornecedora de petróleo para a China. Em 2009, a região vendeu 5,8% do petróleo importado pelo país, mais que o dobro dos 2,4% de 2004.

"Existe uma liquidez gigantesca na China, que se transformou em fonte de financiamento fácil para outros", disse o sócio da Strategus Consult, Renato Amorim. "Também houve um amadurecimento dos mecanismos de financiamento chineses. Eles aprenderam a investir fora."

A enxurrada de dólares chineses é bem-vinda, porque significa dinheiro barato que ajuda países com dificuldade para viabilizar financiamentos de longo prazo. Mas o movimento também preocupa. "É um braço da política externa chinesa", disse o economista do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Maurício Mesquita Moreira.

O principal temor é o chamado "capitalismo de Estado". Muitos bancos e empresas chinesas são estatais ou contam com apoio do governo. Por isso, não se guiam só por lucro, mas também por decisões políticas.

Laços estreitos

Os laços entre América Latina e China se estreitaram. Nos últimos cinco anos, as exportações para o país mais que duplicaram no Peru e mais que triplicaram no Brasil, Chile, Colômbia, Equador e Venezuela. A China já ultrapassou os EUA como o maior parceiro comercial do Brasil e do Chile.

O governo chinês está estimulando as empresas a adquirir ativos na África e na América Latina. Em 2009, a China respondeu por 18% do investimento estrangeiro no continente latino-americano, mas ainda é pouco. Em 2008, os chineses aplicaram US$ 43 bilhões na Ásia, US$ 5,5 bilhões na África e US$ 3,7 bilhões na América Latina.

No Brasil, dois grandes negócios foram anunciados recentemente: a State Grid comprou sete concessionárias de energia por US$ 1,7 bilhão, e a Sinochem comprou 40% de um campo de petróleo por US$ 3 bilhões.

No mês que vem, o presidente do Banco da Indústria e Comércio da China (ICBC, o maior banco do mundo) estará no Brasil. "É um momento de virada. Deve vir mais investimento e crédito", disse o CEO para as Americas do Standard Bank, Eduardo Centola. O ICBC tem 20% do capital do Standard Bank. Ele explica que o foco do investimento chinês não é só a busca de matérias-primas, mas também novos mercados. Com a crise, EUA e Europa vão crescer menos, e a China precisa diversificar os clientes.

Desafios

Para o Brasil, a invasão chinesa na América Latina impõe desafios. O primeiro é a concorrência em mercados quase cativos. Um exemplo ocorreu no mês passado. Construtoras brasileiras estiveram no Chile para tentar participar das obras de reconstrução das áreas atingidas pelo terremoto que devastou o país. Chegaram tarde. Os chineses já haviam estado por lá com financiamentos imbatíveis.

"A competição com a China na América Latina vai se acirrar. É mais uma razão para elevar nossa competitividade", disse o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral.

O segundo desafio é a compra de recursos naturais brasileiros pelos chineses. O País não possui legislação específica para investimentos estrangeiros em setores estratégicos.


Fonte: O ESTADO DE S PAULO/RaquelLandim

Yuan atinge novo valor máximo frente ao dólar

O yuan sofreu valorização hoje

A moeda chinesa, o yuan, abriu hoje a 6,7890 unidades por dólar, o máximo valor desde que o país flexibilizou sua moeda em julho de 2005, informou o Sistema de Comércio de Divisas Estrangeiras da China, embora se trate de uma alta de apenas seis milésimos.

A alta, que mantém a tendência iniciada na semana passada, é quase imperceptível em relação ao valor com o qual o yuan se situou frente à moeda americana na sexta-feira passada (6,7896 unidades por dólar).

A nova alta acontece depois que na cúpula do G20 - na qual a China se mostrou reticente a discutir a taxa de câmbio de sua moeda - o presidente americano, Barack Obama, assinalou que o país asiático precisa ser "sério" em sua promessa de flexibilizar mais a cotação de sua moeda.

Fontes: FOLHA - Agências

China anuncia política mais flexível no câmbio do yuan

A China anunciou neste sábado que vai flexibilizar o yuan, informou o Banco Central neste sábado, indicando que está pronto para acabar com 23 meses de câmbio fixo que ficou sob intensa pressão mundial.

A decisão anunciada de surpresa indica que a apreciação será feita de forma gradual.


"Dada à recente situação econômica dos mercados nacional e internacional e do balanço de pagamentos chineses, o Banco Central da China decidiu avançar na reforma do regime de câmbio e aumentar a flexibilidade da taxa de câmbio", disse o Banco Central em comunicado postado no site.

No texto divulgado na internet de hoje, o regulador chinês utiliza a palavra oficial "renmimbi" (literalmente "moeda do povo") em lugar de yuan.

O BC chinês descartou uma valorização de uma só vez ou maior apreciação como muitos críticos esperavam, afirmando que "não havia base para grandes flutuações ou mudanças" na taxa de câmbio.

Entretanto, ficou claro que a China pretende com seu anúncio --publicado em inglês ao mesmo tempo que em chinês-- marcar o fim da rigidez de facto da cotação do iuan em relação do dólar, que tem sido defendida como uma "política especial" para proteger a economia da crise financeira global.

Ainda é preciso esperar se o anúncio será suficiente para apaziguar os críticos, especialmente os parlamentares norte-americanos, que dizem que uma moeda chinesa subvalorizada dá uma vantagem comercial injusta.


"A economia global está se recuperando gradualmente. A recuperação e a retomada da economia chinesa se tornou mais sólida com a estabilidade econômica reforçada", disse o BC chinês.

A declaração da autoridade monetária chinesa é muito diferente do tom das recentes expressões de membros do governo, que negaram mudanças na política cambial do yuan (moeda não conversível) e se opuseram às pressões internacionais dos países que consideram que Pequim a mantém artificialmente baixa para favorecer suas exportações.

Obama diz que decisão da China sobre yuan é um passo construtivo

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebeu positivamente neste sábado o anúncio da China de que irá retomar a reforma da taxa de câmbio para tornar o yuan mais flexível.

"A decisão da China de aumentar a flexibilidade de sua taxa de câmbio é um passo construtivo que pode ajudar a garantir a recuperação e contribuir para uma economia mundial mais equilibrada", disse Obama, em um comunicado.

A China anunciou neste sábado que vai flexibilizar o yuan, informou o Banco Central neste sábado, indicando que está pronto para acabar com 23 meses de câmbio fixo que ficou sob intensa pressão mundial.


Fontes: FOLHA - Efe - Reuters

Bob Dylan é proibido de se apresentar na China

Cantor cancelou a turnê que faria em várias cidades da Ásia. Em 2009, Oasis também foi impedido de tocar no país.

O cantor Bob Dylan. (Foto: Divulgação)

Bob Dylan cancelou a turnê que faria na Ásia depois que o governo Chinês impediu que o cantor se apresentasse no país.

Segundo informa o site da revista "NME" neste domingo (4), o artista tinha shows marcados este mês em Xangai, Seul, Pequim, Hong Kong e Taiwan, depois de passar pelo Japão.


“O ministério da cultura da China não permitiu a realização dos shows, então não tivemos alternativa a não ser cancelar a turnê no leste da Ásia”, informou o produtor da turnê, Jeffrey Wu. “A oportunidade de tocar na China era o principal interesse de Dylan”.

O produtor dos shows não explicou o que o governo chinês alegou para o veto, mas ele acredita que a última passagem de Björk pelo país deixou as autoridades mais “cautelosas”.

Em 2008, no meio de um show, a cantora islandesa incluiu o verso “declaro independência a Xangai” no meio da música “Declare independence”, faixa do álbum “Volta” (2007).

No ano passado, o Oasis também foi impedido de tocar na China por causa da ligação de alguns de seus integrantes com a campanha “Free Tibet".

Fonte: G1

Fundador do Google pede que EUA pressionem governo da China

Sergey Brin quer que questão da censura seja tratada como 'alta prioridade' na Casa Branca


Impasse começou com invasão de contas de serviço de email do Google/Alexander F. Yuan/AP

WASHINGTON - O co-fundador do Google Sergey Brin pediu a Washington que intervenha na censura da China sobre o conteúdo da internet do país e que faça disso um assunto de "alta prioridade", segundo texto publicado nesta quarta-feira, 24, pelo jornal britânico The Guardian.

Brin pediu ao governo e aos empresários que ajam para pressionar Pequim. "Certamente espero que eles façam disso uma prioridade. Assuntos de direitos humanos merecem a mesma atenção que assuntos comerciais e são prioridade agora. Espero que levem isso com seriedade", disse o americano.

Na segunda-feira, o Google levantou os filtros de conteúdo de seu buscador na China depois de longas discussões com o governo chinês que começaram com a invasão de hackers em algumas contas do serviço de email da empresa. O site redirecionou os internautas da página chinesa (google.cn) automaticamente para seu servidor em Hong Kong (google.com.hk), onde não há censura.

O governo americano minimizou o caso, dizendo que as relações entre os EUA e a China "são maduras o bastante para não serem abaladas com o episódio". Brin, porém, disse ser vital que a Casa Branca pressione Pequim. "Como serviços e informação são nossos mais promissores negócios, as regulações na China se revelam barreiras comerciais, já que nos previnem de sermos competitivos", argumentou o empresário.

Brin, de 36 anos, que fundou o Google com o companheiro Larry Page em 1998, também criticou as empresas que cooperam com Pequim. Segundo ele, essas companhias deveriam refletir se fornecem serviços éticos para os cidadãos chineses. "Gostaria que as grandes empresas não colocassem o lucro à frente de todo o resto. Elas deveriam prestar atenção em como seus produtos são usados", disse.

Na terça-feira, o governo chinês deu sua primeira resposta oficial sobre a decisão do Google e informou que a medida adotada pelo buscador não afetará as relações entre Pequim e Washington "a menos que alguém a torne política" e ainda advertiu o site que sua manifestação "prejudica a imagem da empresa, não a do país."


China mantém censura na internet após saída do Google

A decisão do Google de fechar seu site na China e deixar de censurar os resultados de suas buscas não aumentou o acesso dos internautas chineses a informações proibidas pelas autoridades de Pequim. O Google deixou de praticar a censura, mas o governo chinês, não.

A diferença é que antes o site tinha a obrigação de incorporar a seu sistema de buscas os filtros impostos pelas autoridades locais - ou seja, a censura era "terceirizada" para a empresa. Agora, o bloqueio é realizado pelo mecanismo oficial que impossibilita a abertura dos milhares de sites que trazem informações "sensíveis", como a independência do Tibete ou a defesa do pluripartidarismo.

A prática da censura foi uma das condições aceitas pela companhia norte-americana para entrar na China, em 2006, e criar o google.cn, específico para os chineses. Ontem, esse site deixou de existir e seus usuários passaram a ser redirecionados para o google.com.hk, com sede em Hong Kong.

Apesar da nova roupagem, as restrições de acesso às informações continuaram a ser as mesmas, em razão da "grande muralha de fogo" erguida em torno da internet. A pesquisa com o nome da seita "falun gong", banida pelo governo chinês nos anos 90, trazia como resposta uma página em branco e a mensagem "O Internet Explorer não pode exibir a página da Web".

O tema é sensível, mas há períodos em que pelo menos os resultados da busca aparecem - só que os links exibidos não podem ser abertos. No google.cn, a mensagem que era exibida como resultado de buscas bloqueadas era "de acordo com leis, regulamentos e políticas locais, parte da pesquisa não pode ser mostrada".


Fontes: AE/Agências

China: Google redireciona site chinês e diz que continua no país

Companhia parou de censurar endereço nesta segunda-feira (22). Chineses já acessam página com conteúdo livre baseada em Hong Kong.


Sede do Google na China. (Foto: Jason Lee/Reuters)

Após mais de dois meses de embates com o governo chinês, o Google passou a oferecer nesta segunda-feira (22) conteúdo livre de censura para os usuários da China.

Pela manobra implementada por sua unidade dos EUA, os chineses que buscam o endereço “Google.cn” são redirecionados para “Google.com.hk”, a página da companhia em Hong Kong.

“Hoje cedo paramos de censurar os nossos serviços de busca Google Search, Google News e Google Images – no Google.cn. Os usuários que visitam o Google.cn agora são redirecionados para o Google.com.hk, onde estamos oferecendo busca não censurada em chinês simplificado, projetado especificamente para usuários na China continental e entregues através de nossos servidores em Hong Kong”, informou o vice-presidente sênior de desenvolvimento corporativo e diretor jurídico, David Drummond, no blog da companhia.

“Em virtude do aumento da carga em nossos servidores em Hong Kong e à natureza complexa dessas mudanças, os usuários podem notar alguma lentidão no serviço ou encontrar alguns produtos temporariamente inacessíveis até concluirmos todas as mudanças”, continuou o executivo.

“Acreditamos que esta nova abordagem de oferecer busca não censurada em chinês simplificado a partir de Google.com.hk é uma solução sensata para os desafios que temos enfrentado – é perfeitamente legal e vai aumentar significativamente o acesso à informação para as pessoas na China”.

“Esperamos sinceramente que o governo chinês respeite nossa decisão, mas nós estamos cientes de que poderia bloquear o acesso a qualquer tempo aos nossos serviços”, frisou, acrescentando que a gigante da internet fará um monitoramento cuidadoso do novo endereço para evitar problemas futuros.

Além disso, Drummond afirmou que o Google pretende manter seus negócios na China, dando continuidade ao trabalho de pesquisa e desenvolvimento no país asiático, acrescentando que todas as medidas foram tomadas fora do território chinês.

“Finalmente, gostaríamos de deixar claro que todas essas decisões foram implementadas por nossos executivos nos Estados Unidos, e que nenhum dos nossos funcionários na China pode, ou deve, ser responsabilizado por isso”, concluiu o executivo.

Governo chinês acusa Google de ser ferramenta política dos EUA

O governo chinês fez duras acusações ao Google em editoriais da agência de notícias oficial Xinhua, publicados neste fim de semana.

Nos textos, a empresa é acusada de ser usada como ferramenta política dos Estados Unidos. Segundo o governo chinês, o Google mantém ligação com os serviços de inteligência americanos, fornecendo inclusive informações sobre o país.

Os editoriais acusam o Google de se infiltrar na cultura local para impor valores americanos, exportando “cultura, valores e ideias”. Um dos textos diz ainda que o Google afirma injustamente que a China apoia os ataques de hackers à empresa.

Em comentário assinado por três colunistas, a agência também tentou defender a censura à internet pelo governo chinês, que o Google mencionou como um dos motivos para que o maior serviço mundial de buscas possa deixar a China.

"É injusto que o Google tente impor seus valores e padrões à regulamentação da internet na China, que tem tradições, culturas e valores veneráveis," acrescentaram os jornalistas.

O impasse entre o governo chinês e a gigante das buscas se arrasta há meses. Em janeiro, o Google e outras empresas foram vítimas de ciberataques supostamente feitos por hackers chineses. A empresa anunciou que não aceitaria mais a censura imposta pelo governo para as buscas feitas no país e pode deixar o mercado chinês.

Segundo o jornal local “China Businnes News”, a empresa deve anunciar nesta segunda-feira (22) sua saída da China, que ocorreria no dia 10 de abril. O Google não comentou a afirmação, publicada no jornal na semana passada.

O Google é o segundo maior site de buscas na China, atrás do local Baidu. Recentemente, a Microsoft anunciou que, caso o Google deixe o país, não seguirá o mesmo caminho.

Fonte: G1 - Agências

A pressão sobre o yuan

Cláudia Trevisan

O Banco Mundial elevou de 9,0% para 9,5% sua projeção de crescimento da China neste ano, ao mesmo tempo em que e defendeu a valorização do yuan em relação ao dólar e a elevação dos juros para conter expectativas inflacionárias, evitar a formação de bolhas de ativos e rebalancear a economia.

Em sua avaliação trimestral sobre a China, a instituição ressaltou que a situação local é distinta à da maioria dos demais países e demanda uma política monetária mais apertada que a do ano passado, quando o volume de novos créditos dobrou em relação ao período anterior, para US$ 1,4 trilhão, o equivalente a 30% do PIB.

“A crise financeira mundial nos ensinou que a política monetária tem um papel central para evitar a criação de bolhas de ativos. A China tem condições de ter uma taxa de juros mais alta e a maior flexibilidade na taxa de câmbio ajudaria a reduzir o temor de aumento do fluxo de capitais para o país”, afirmou Louis Kuijs, economista-sênior do Banco Mundial em Pequim.

Depois da reforma do regime cambial em 2005, a China voltou a vincular a cotação de sua moeda ao dólar a partir de meados de 2008. Desde então, o yuan está estabilizado no patamar de 6,83 por US$ 1,00. A paridade com o dólar faz com que Pequim tenha que seguir a política monetária dos Estados Unidos, que está com juros extremamente baixos para enfrentar a queda na atividade econômica.

A China cresceu 10,7% no último trimestre de 2009 e fechou o ano com expansão de 8,7%, de longe o maior índice entre os grandes países. Apesar do aquecimento econômico, a China enfrenta restrições para elevar os juros, porque o movimento pode estimular a entrada de capitais no país, dificultando a manutenção do câmbio fixo. É por isso que o Banco Mundial defende a apreciação da moeda.

“O fortalecimento da taxa de câmbio pode ajudar a reduzir as pressões inflacionárias e rebalancear a economia. Com o tempo, a maior flexibilidade cambial pode permitir que a China tenha uma política monetária independente das condições cíclicas dos Estados Unidos, o que é cada vez mais necessário”, observa o relatório trimestral divulgado ontem.

Pequim enfrenta pressão internacional crescente para apreciar sua moeda. Nesta semana, senadores norte-americanos apresentaram proposta de legislação que classifica a China como um país que manipula o câmbio para obter vantagens comerciais, o que abriria caminho para a imposição de sobretaxas na importação de seus produtos. Com isso, eles esperam neutralizar o que consideram como vantagem indevida das vendas chinesas.

Os críticos afirmam que a cotação do yuan é mantida artificialmente entre 20% e 40% abaixo do que seria o patamar correto, caso forças de mercados definissem o seu valor. A moeda depreciada aumenta a competitividade das exportações chinesas, na medida em que reduz os seus preços em dólares. O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, afirmou no domingo que o yuan não está depreciado e disse que seu valor será mantido em um patamar “estável”.

Os economistas do Banco Mundial não se referiram ao impacto do câmbio sobre as exportações e destacaram apenas os efeitos que uma moeda valorizada teria sobre a economia chinesa. “Se há inflação e fluxo de capitais, o fortalecimento da taxa de câmbio faz parte do arsenal para enfrentar esses problemas e também ajuda no objetivo de rebalancear a economia, na medida em que muda os preços relativos e cria incentivos para o consumo doméstico”, destacou Ardo Hansson, economista-chefe do Banco Mundial na China.

A instituição espera crescimento de 8,7% em 2011, mas ressalta que o país enfrenta riscos decorrentes da grande expansão monetária no ano passado. Os mais preocupantes são a alta do preço dos imóveis, que pode indicar uma bolha no setor, e a piora das finanças dos governos locais, em razão do grande volume de empréstimos contraídos em 2009 para construção de obras de infraestrutura.

Além de defender a alta dos juros, Kuijs ressaltou que o governo terá de ser estrito neste ano no cumprimento da meta de expansão do crédito em 7,5 trilhões de yuans (US$ 1 trilhão), para reduzir os riscos relacionados ao aumento da liquidez. O mercado imobiliário está “superaquecido”, na avaliação da instituição, e registrou alta de preços de 10,7% no mês de fevereiro, o mais elevado índice dos últimos dois anos.

Os economistas do Banco Mundial não consideram que a inflação seja um problema, apesar da alta de 2,7% no Índice de Preços ao Consumidor registrada em fevereiro.

Segundo Kuijs, há capacidade ociosa no mundo, o que deve conter as remarcações de produtos manufaturados, enquanto as cotações das commodities não deverão ter elevação significativa em 2010. O Banco Mundial prevê alta média de 5,3%, excluído o petróleo, cujo preço passaria de US$ 61,80 em 2009 para US$ 76,00 neste ano.

Fonte: O ESTADO

Previsão de que Google saia da China é especulação, declara empresa

A censura corresponde, além de conteúdos políticos, à pornografia, que prolifera na maioria dos portais locais.

A assessoria do Google no Brasil comunicou que a notícia publicada pelo jornal econômico chinês "China Business News", afirmando que a empresa sairia do país em abril, compõe-se apenas de especulações.

"Não há nada oficial por enquanto, nem previsão sobre quando haverá uma decisão", diz a assessoria. "O executivo-chefe da empresa, Eric Schmidt, deve se pronunciar quando for o caso", e "as conversas com o governo chinês estão em andamento", completa a assessoria.

De todo modo, o jornal chinês prevê que o Google deve anunciar nesta segunda-feira (22) a decisão de abandonar seus negócios no país asiático, após dois meses de brigas com a censura do regime de Pequim.

As fontes citadas pelo jornal são um empregado e um agente de vendas do Google, que pediram anonimato e atuariam no país asiático.

No dia 12 de janeiro, a empresa acusou Pequim de estar ligado aos ataques sofridos por dissidentes políticos, empresários e jornalistas em contas de e-mail hospedadas em seus servidores, e ameaçou abandonar o país asiático, caso o regime não retrocedesse em sua censura na internet.

O regime chinês, que negou sua participação nos ataques, censura conteúdos relacionados com temas "delicados", como o massacre de estudantes da Praça da Paz Celestial, a repressão no Tibete e Xinjiang.

A censura corresponde, além destes conteúdos políticos, à pornografia, que prolifera na maioria dos portais locais.

Fonte: FOLHA

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