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O Paquistão pelos olhos de um jornalista brasileiro

O jornalista Fernando Scheller passou dois meses no Paquistão vivendo na residência de uma família local. Ele conta como foi a experiência relatada no livro "Paquistão - viagem à terra dos puros"




Fonte: TV ESTADÃO

Vídeo mostra polícia batendo em desabrigados no Paquistão

Policiais paquistaneses agrediram um grupo de desabrigados que tentam pegar comida em um campo de desabrigados na província de Sindh, no sul do país, uma das afetadas pelas enchentes na região.


Os desabrigados estão entre as seis milhões de pessoas que, segundo a ONU, precisam de ajuda imediata depois das piores cheias da história do país.

Centenas de milhares de pessoas ainda não receberam ajuda, e funcionários da ONU dizem que a situação humanitária no Paquistão permanece uma das mais sérias que eles já presenciaram.

Segundo a organização, os obstáculos são financeiros e logísticos, já que pontes foram destruídas pelas águas e estradas foram bloqueadas por deslizamentos de terra.


Fonte: BBC

Atentado mata 88 em jogo de vôlei no Paquistão

Ao menos 88 pessoas morreram em um atentado a bomba durante uma partida de vôlei na conturbada região noroeste do Paquistão nesta sexta-feira.

O ataque ocorreu em Lakki Marwat, localidade perto das áreas tribais do Waziristão do Norte e do Sul.

A polícia afirmou que se tratava de um atentado suicida no qual o homem-bomba dirigiu uma caminhonete cheia de explosivos ao local da partida.

A forte explosão derrubou prédios adjacentes e muitas pessoas podem estar soterradas.

Segundo a agência de notícias Associated Press, o policial Habibullah Khan disse que o ataque pode ter sido uma retaliação por tentativas de moradores, que criaram sua própria milícia, de expulsar extremistas da área.

Equipamentos

Entre os mortos, acredita-se que estejam membros do comitê local que faz campanha pela paz na região.

O grupo fazia uma reunião em uma mesquita próxima no momento da explosão.

Testemunhas dizem que equipes de resgate estariam usando a luz de faróis de veículos para buscar sobreviventes no escuro.

"É uma pequena vila com muito poucos recursos para resgate. Estão sendo enviados equipamentos de outros lugares", disse Khalid Isar, do governo local, à agência de notícias Reuters.

Outubro

O Waziristão do Norte e do Sul são regiões assoladas pela violência extremista, de onde insurgentes lançaram ataques contra a região noroeste do Paquistão, assim como a partes do leste do Afeganistão.

Desde outubro, o Exército do Paquistão vem realizando uma ofensiva contra extremistas no Waziristão do Sul.

Quase 600 pessoas morreram em ataques de militantes nos últimos três meses. Vêm sendo alvo de atentados tanto alvos considerados difíceis como bases militares e outros mais fáceis como mercados de rua.

O atentado ocorreu no mesmo dia em que uma multidão participava de uma manifestação em Lahore, pedindo paz e estabilidade


Fonte: BBC

Oficiais paquistaneses pressionam diplomatas americanos no país, diz jornal

"Eles não querem mais americanos aqui. Eles não sabem exatamente o que os americanos estão fazendo"

Funcionários do serviço de inteligência e das Forças Armadas do Paquistão participam de uma campanha não declarada contra os diplomatas americanos no país, informa o jornal "The New York Times", em um sinal da frágil relação entre os dois países em meio ao investimento bilionário dos Estados Unidos na guerra ao grupo islâmico Taleban em solo paquistanês.

Segundo o jornal, que cita fontes de Washington, as medidas incluem vistos negados para cerca de 135 oficiais americanos --o que deixou alguns setores da embaixada com apenas 60% do pessoal--, além de revistas frequentes em seus veículos. As "vítimas" são militares, agentes da CIA (agência central de inteligência), especialistas em desenvolvimento e diplomatas.

O Paquistão diz que as revistas nos carros dos diplomatas não são assédio e sim resposta à ação provocativa dos americanos. Eles citam situações nas quais diplomatas fugiram de postos de checagem da polícia. A embaixada nega.

A situação fica mais delicada porque, como diplomatas são alvos prioritários de militantes, eles devem carregar suas placas de identificação dentro do veículo --o que os deixa vulneráveis a constantes checagens pela polícia.

A fonte citada pelo "NYT" diz que o assédio já atrapalha os próprios interesses paquistaneses ao atrasar programas desenvolvidos pelos americanos no país --além de manter parados quatro helicópteros usados para transportar militantes capturados porque os vistos de 14 pilotos não foram aprovados.

A campanha afeta ainda o envio de uma verba de quase US$ 1 bilhão por ano para o combate ao terrorismo no país, já que o último dos cinco responsáveis pela embaixada americana --que cuida dos trâmites legais-- teve que deixar o país ao ter a prorrogação do visto negada.

O jornal diz que, apesar de não declarada, o governo paquistanês sabe da campanha de assédio. Eles responsabilizam, contudo, o que chamam de provocações e arrogância americanas, que não entenderiam que a aliança paquistanesa com os EUA divide o país.

"Infelizmente, os americanos são arrogantes. Eles se acham onipotentes. Assim que eles agem", disse um agente de segurança paquistanês, que não quis se identificar

As ações seriam parte de uma estratégia dos funcionários paquistaneses de minar os planos de expansão do governo americano de trazer 300 novos funcionários para a embaixada no país, além dos 500 que já trabalham no local.

"Eles não querem mais americanos aqui. Eles não sabem exatamente o que os americanos estão fazendo", disse um diplomata ao jornal.

A campanha pode ameaçar os esforços renovados do governo americano, que estendeu a guerra contra os talebans para solo paquistanês e ampliou a ajuda --e a cobrança por ação-- ao país.

Fonte: FOLHA

Repórter do 'New York Times' escapa de cativeiro talibã no Paquistão

Jornalista David Rohde era mantido refém desde novembro passado. Ele e colega afegão pularam muro e foram achados por militar paquistanês.

O jornalista David Rohde em foto de 1995. (Foto: AP)

Um jornalista do "New York Times" que havia sido sequestrado pelo Talibã escapou depois de sete meses de cativeiro entre o Afeganistão e o Paquistão, informou o site do jornal neste sábado (20).

David Rohde havia sido sequestrado com outro jornalista local, Tahir Ludin, e o motorista deles, Asadullah Mangal, próximo à capital afegã, Cabul, em 10 de novembro do ano passado.

Rohde estava no local para fazer pesquisa para um livro.

Ele disse a sua mulher, Kristen Mulvihill, que ele Ludin escaparam na noite de sexta-feira, após pular o muro do local em que era mantido, na região do Waziristão do Norte. Eles encontraram um sentinela do Exército do Paquistão, que os levou a uma base próxima.

Neste sábado, eles voaram até a base norte-americana de Bagram, no Afeganistão.

Fontes: AP - The New York Times - G1

Exército do Paquistão avança contra talebans no norte do país

Tropas tomaram o controle de vários pontos estratégicos da principal cidade do Vale de Swat

ISLAMABAD - As tropas do Paquistão tomaram o controle de vários pontos estratégicos da principal cidade do Vale de Swat, Mingora, no norte do país onde iniciaram ontem uma ofensiva contra os talebans, informou hoje o Exército paquistanês em comunicado.

A nota oficial informa que dez rebeldes e três soldados morreram em diferentes pontos do conflituoso vale entre ontem e hoje, enquanto que outros seis militares ficaram feridos. Além disso, 14 insurgentes foram detidos.

As forças de segurança decretaram toque de recolher em Mingora, embora muitos de seus estimados 300 mil habitantes tenham fugido devido às operações militares realizadas contra os fundamentalistas na região desde o final de abril.

O confronto entre o Exércio paquistanês e os talebans causou um êxodo de quase 1,8 milhão de civis no Paquistão desde o início de maio, segundo a ONU. Cerca de 200 mil deles estão alojados em campos de refugiados situados no noroeste do país.

Base do Taleban está cercada

KHWAZAKHELA, PAQUISTÃO - Tropas paquistanesas cercaram militantes do Taleban em sua base nas montanhas, assim como a principal cidade do Vale do Swat, informou hoje o general Sajad Ghani, do Paquistão. "O cerco está se apertando ao redor deles. Suas rotas de escape foram cortadas", afirmou. "É apenas uma questão de tempo para que (os líderes do Taleban) sejam eliminados." A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu US$ 543 milhões em contribuições da comunidade internacional para aliviar o "sofrimento incrível" de cerca de 2 milhões de refugiados no país.

Em outra região do noroeste, um carro-bomba explodiu perto de um cinema na cidade de Peshawar, matando pelo menos seis pessoas e ferindo outras 80, informou o oficial de polícia Saleem Khan. Com o crescente ceticismo sobre o progresso da ofensiva de um mês do Exército na região noroeste, os militares levaram hoje vários repórteres estrangeiros para o Vale do Swat.

Segundo um repórter da Associated Press, não há carros nas ruas de Mingora e poucas pessoas são vistas nas ruas e nas estradas mais ao norte do vale, um antigo destino turístico localizado a apenas 100 quilômetros da capital, Islamabad. Do ar, há poucos sinais dos confrontos e ataques aéreos que, segundo os militares, mataram mais de mil militantes e cerca de 60 soldados. Mas um comandante graduado disse que o Exército estava encurralando militantes em Mingora e em Piochar, cidade ao norte que é a fortaleza do líder taleban Maulana Fazlullah.

O Paquistão lançou uma ofensiva no mês passado para impedir o avanço do Taleban do Vale do Swat para a capital. Os Estados Unidos saudaram a operação e também têm contribuído para proteger o governo dos efeitos da crise humanitária que se seguiu aos confrontos. Funcionários dizem que 1,9 milhão de pessoas fugiram da zona de guerra. Mais de 160 mil estão abrigadas em campos de refugiados ao sul da área de batalha. Os demais foram acomodados por parentes.

O Paquistão precisa de ajuda urgente

Ahmed Rashid, THE WASHINGTON POST*

O Paquistão está à beira do caos e o Congresso dos EUA numa posição crucial: os parlamentares americanos podem apressar esse processo fatídico, interrompê-lo ou até mudar a ordem das coisas. A rapidez e as condições com que for aprovada a ajuda de emergência para Islamabad influirão na capacidade do Exército e do governo de resistirem às investidas do Taleban. E devem afetar a imagem dos EUA na região. Os paquistaneses estão buscando provas do compromisso dos EUA e do presidente Barack Obama assegurou.

Desde que Obama anunciou uma revisão estratégica da política americana para Afeganistão e Paquistão, as condições na região se deterioraram tanto que o Afeganistão foi colocado no topo de sua política externa. Os paquistaneses enfrentam uma insurgência taleban no norte, cuja base de operações não está só entre os pashtuns, mas tem elos com a Al-Qaeda e grupos jihadistas em Punjab, Sindh e no Baluchistão. Em questão de meses, essa ofensiva pode se converter num movimento nacional e a violência já vem se alastrando. Nos últimos dias, pelo menos 36 pessoas foram mortas em Karachi.

No passado, muitos grupos jihadistas, incluindo o Taleban afegão e paquistanês, foram favorecidos pelos serviços de inteligência e pelo Exército do Paquistão. O governo Bush ignorou o fato durante anos, injetando mais de US$ 11 bilhões no país. Grande parte desse dinheiro foi para o Exército, que adquiriu armamento para combater a Índia, seu inimigo histórico, e não a insurgência.

A recente contraofensiva contra o Taleban foi realizada em parte por pressão dos americanos e por uma mudança drástica na opinião pública de oposição ao Taleban. Muitos começam a perceber que o país está ameaçado por uma revolução sangrenta. Essa pressão pode causar uma mudança na política do Exército em relação à Índia e ao Afeganistão.

Nem Exército nem governo têm uma estratégia de contrainsurgência ou plano para solucionar o problema de um milhão de refugiados que fugiram dos combates. Segundo as autoridades, o país está falido e não há dinheiro para combater os terroristas nem cuidar dos refugiados.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, pediu US$ 497 milhões para um fundo de emergência destinado a estabilizar a economia do Paquistão, fortalecer os serviços de segurança e ajudar os refugiados. O secretário da Defesa, Robert Gates, pediu US$ 400 milhões para o Exército paquistanês. Os congressistas estão hesitantes e querem ligar a ajuda aos US$ 83 bilhões que o governo solicitou para seu esforço de guerra no Iraque e no Afeganistão.

O Paquistão está deteriorando. O atraso na aprovação é perigoso. O Congresso precisa autorizar a liberação desse dinheiro rapidamente e sem impor condições, dando ao governo Obama instrumentos para convencer a população paquistanesa de está sendo ajudada. Os congressistas deveriam determinar que a ajuda para organizações de apoio ao desenvolvimento, especialmente nos setores agrícola, de educação e criação de empregos, não deve ser condicionada.

A flexibilidade dos EUA para estabelecer um mínimo de condições pode ser negociada mais tarde, assim que ajuda comece a ser enviada, o que pode ser um modelo para outros países doadores na Europa e Japão. Por três décadas venho falando sobre o incêndio que a militância islâmica tem provocado na região. Não quero ver meu país afundar apenas porque o Congresso está mais preocupado com detalhes do que com o quadro geral.

Sim, são necessárias grandes mudanças de comportamento e políticas novas por parte do Exército, dos serviços de inteligência e do governo civil. Mas amanhã poderá ser muito tarde. O Paquistão precisa dessa ajuda agora.

*Ahmed Rashid é jornalista paquistanês e autor de Descent into Chaos: The U.S. and the Disaster in Pakistan, Afghanistan and Central Asia (Descida ao Caos: os EUA e o desastre no Paquistão, Afeganistão e Ásia Central)

Paquistão tem 1 milhão de refugiados por confrontos, diz ONU

Quase 500 mil fugiram do noroeste nos últimos dias; outros 500 mil foram registrados deste agosto de 2008


Criança dorme ao lado de galinha em tenda de um dos campos de refugiados da ONU

GENEBRA - A agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para os refugiados afirmou nesta sexta-feira, 8, que mais 500 mil pessoas fugiram nos últimos dias da zona de combate no noroeste do Paquistão, elevando o número de deslocados no país nos últimos meses para 1 milhão.

O porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Ron Redmond, afirmou que cerca de 200 mil pessoas conseguiram chegar nas áreas de segurança nos últimos dias e outras 300 mil estão a caminho. Segundo o funcionário, esses números são somados aos cerca de 555 mil que fugiram da região desde agosto de 2008 e já estão registrados pela ONU. Na véspera, O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) alertou para o risco de uma crise humana no Vale do Swat e disse estar preparando seu hospital em Peshawar para atender a até 100 feridos de guerra ao mesmo tempo.

O governo paquistanês declarou hoje o fim do acordo de paz com o Taleban e ordenou uma ofensiva do Exército para retomar as posições do Taleban no Vale do Swat, perto da fronteira com o Afeganistão. A nova ofensiva das forças paquistanesas teve início na quarta-feira, enquanto o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, se reunia, em Washington, com seus colegas americano, Barack Obama, e afegão, Hamid Karzai. Há semanas os EUA vinham cobrando uma ação mais dura do governo paquistanês contra os insurgentes. Em resposta, Islamabad começou a enviar, desde o dia 26, reforço de tropas à região.

Os ataques desta semana - que contaram com o reforço de intensos bombardeios aéreos - foram concentrados nos distritos de Dir, Shangla e Buner, no Vale do Swat, onde o Taleban tenta expandir sua presença desde fevereiro, quando - após um acordo com o governo central - estabeleceu a lei islâmica (Sharia) nas áreas tribais.

Segundo o porta-voz militar Athar Abbas, o Exército paquistanês enfrenta cerca de quatro mil ou cinco mil insurgentes na operação recém iniciada no Vale de Swat. Os militares continuam a estratégia que procura a eliminação física dos líderes do Taleban, que conta com o apoio da Al-Qaeda e de fundamentalistas procedentes da região oriental paquistanês do Punjab, disse Abbas. "O povo viu sua verdadeira cara (dos taleban). Viu que seus objetivos vão muito além de implantar a Sharia. Por isso entraram em Dir e Buner", declarou Abbas.

Taleban não controlará armas nucleares do Paquistão, diz Gates

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, afirmou nesta quinta-feira, 7, que o Taleban "foi longe demais" ao avançar em um distrito paquistanês perto da capital. Em visita ao vizinho Afeganistão, Gates disse acreditar que o Exército paquistanês esteja combatendo o Taleban. No entanto, há "pouca chance" de que o Taleban possa se fortalecer o suficiente no Paquistão para ganhar controle sobre as armas nucleares do país, avaliou Gates.

O secretário está no Afeganistão para ver como as forças norte-americanas estão se preparando para uma nova investida contra o Taleban e outros grupos militantes. A maior parte de sua viagem, no entanto, está sendo ofuscada por mortes de civis vítimas de um ataque aéreo norte-americano realizado no fim de semana.

Gates lamentou as mortes de civis e acusou os taleban de utilizarem a população como escudo em seus ataques às forças internacionais. "Lamentamos profundamente qualquer baixa civil, mas o povo deve reconhecer que causar estas mortes faz parte da estratégia fundamental dos taleban, e é um exemplo da forma impiedosa com a qual lutam", disse Gates em coletiva de imprensa concedida em Cabul.

Fontes oficiais afegãs calculam que o número de mortos entre civis pode passar de 100. Em visita a Washington, o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, ordenou ontem uma investigação sobre o incidente. Segundo Gates, "em muitos casos, os taleban usam os civis como escudos. Eles se misturam com à população e, então, atacam" as tropas estrangeiras.

Na entrevista, o secretário falou sobre a resposta militar do Exército paquistanês aos avanços da insurgência taleban no noroeste daquele país. Gates explicou que o avanço insurgente em distritos próximos a Islamabad "serviu de alarme" para o Governo, que já iniciou as operações para combater o problema. "Acho que a reação do Exército paquistanês demonstra que este país está consciente do perigo que existe na sua região ocidental", afirmou o secretário, que descartou uma intervenção militar americana no Paquistão.

Obama anuncia união anti terror com Afeganistão e Paquistão

Presidente americano reúne-se com líderes em Washington para discutir cooperação contra Al-Qaeda e Taleban


WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quarta-feira, 6, que ele e os líderes do Afeganistão, Hamid Karzai, e do Paquistão, Asif Ali Zardari, compartilham o objetivo de vencer as redes terroristas Al-Qaeda e Taleban. Nesta quarta, o chefe de Estado americano participou de diferentes reuniões bilaterais com os dois presidentes para discutir cooperação contra o terrorismo, que cresce no Afeganistão.

Obama disse também que os governos devem cooperar na luta contra os insurgentes que controlam partes tribais do Paquistão e Afeganistão, e "negar espaço" para que eles ameaçem a população local ou americanos. "O caminho pela frente será difícil, haverá mais violência e passos para trás, mas contamos com um compromisso durável para derrotar a Al-Qaeda e apoiar os governos democráticos do Paquistão e do Afeganistão", acrescentou.

Esse esforço, continuou Obama, será "sustentado" e os Estados Unidos "não retrocederão em seu empenho". "Estou satisfeito por estes dois homens, líderes eleitos de seus países, terem reconhecido a gravidade da ameaça que enfrentamos e reafirmado o compromisso de enfrentá-la", prosseguiu o presidente americano.

O Taleban encontra apoio na região fronteiriça do nordeste paquistanês e pôde aproveitar suas fortificações no vale do Swat para planejar ataques no Afeganistão. Recentemente, Washington disse temer que governo paquistanês estivesse fazendo muitas concessões ao regime taleban.

Karzai disse que Afeganistão e Paquistão são "irmãos siameses", cujas vidas se veem afetadas mutuamente pelas oportunidades ou falta delas de cada lado da fronteira. Por sua vez, o presidente paquistanês assegurou que os dois países se encontram "sob a ameaça do perigo" do Taleban, mas continuarão enfrentando o "desafio."

Obama prometeu ainda adotar "todos os esforços possíveis para evitar baixas civis" na luta contra os grupos extremistas. A declaração ocorre depois que Karzai pediu a abertura de uma investigação sobre bombardeios americanos na terça-feira no Afeganistão que aparentemente deixaram dezenas de mortos civis.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, expressou nesta quarta-feira, durante sua reunião com Zardari e Karzai no Departamento de Estado, seu "profundo pesar" pelas mortes de civis no Afeganistão durante o bombardeio da Aviação dos EUA.

Zonas tribais

Militantes usam áreas tribais como base para operações no Paquistão e do outro lado da fronteira, no Afeganistão. Acredita-se que o Taleban e a Al-Qaeda estão operando na região após terem sido combatidos do Afeganistão. Lutar contra a violência nesta delicada região tem sido uma das prioridades de Obama, que tenta estabilizar o território afegão.

No ano passado, ataques americanos, sob o governo de George W. Bush, contra militantes na fronteira irritaram o governo paquistanês e, como resultado, houve incidentes em que tropas paquistanesas atiraram contra helicópteros dos EUA, alegando violação de espaço aéreo. Muitos especialistas acreditam que o líder da Al-Qaeda Osama bin Laden possa estar escondido ali, sob a proteção de centenas de extremistas.

Não sabemos quem controla o Paquistão, diz ministro indiano

Em meio a tensão entre vizinhos nucleares após atentados de Mumbai, governo indiano teme 'Estado falido'

MUMBAI - O ministro do Interior da Índia, Palaniappan Chidambaram, disse na última sexta-feira, 6, que o Paquistão pode se tornar um Estado falido e levantou dúvidas sobre quem controla o país, dono de um arsenal nuclear. O comentário se torna público dias após um atentado contra a seleção de críquete do Sri Lanka, que deixou sete mortos.

"No Paquistão, infelizmente, eu diria que não sabemos quem controla ali - se é o Exército, o presidente, ou o governo", afirmou, segundo a agência indiana Press Trust. Para Chidambaram, o Paquistão ainda não é um Estado falido, mas está a caminho de se tornar um.

Para o chanceler Pranab Mukherjee, o atentado de Lahore demonstra a falta de vontade e capacidade do governo paquistanês em conter a ameaça terrorista.

As relações entre os dois vizinhos nucleares, que já entraram em guerra três vezes pelo controle da Caxemira, se deteriorou após os atentados de 26 de novembro em Mumbai, na Índia, quando 164 pessoas morreram.

Paquistão liberta cientista que vendeu segredos nucleares ao Irã

da Reuters, em Islamabad

Cientista paquistanês Abdul Qadeer Khan confessou ter vendido segredos nucleares ao Irã, à Coreia do Norte e à Líbia

Uma corte do Paquistão libertou o cientista nuclear Abdul Qadeer Khan nesta sexta-feira, pondo fim aos cinco anos de prisão domiciliar do homem que esteve no centro do mais sério escândalo de proliferação nuclear do mundo.

Khan, tido por muitos paquistaneses como o pai da bomba atômica do país, confessou ter vendido segredos nucleares a Irã, Coreia do Norte e Líbia em 2004, Embora tenha siso imediatamente perdoado pelo governo, seus movimentos ficaram restritos a uma efetiva prisão domiciliar.

"É uma questão de alegria. O julgamento, com a graça de Alá, é bom", Khan disse a jornalistas do lado de fora de sua casa de Islamabad após a decisão da Alta Corte.

Em Washington, a secretária de Estado Hillary Clinton disse estar "muito preocupada" com a libertação de Khan, mas se recusou a comentar mais o caso.

Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que os EUA não haviam confirmado a decisão de corte, mas que "se ele for libertado, pensamos que será extremamente lamentável".

"Acreditamos que Khan continua um sério risco de proliferação", disse o porta-voz do Departamento de Estado Gordon Duguid. "O apoio à proliferação que Khan e seus associados forneceram ao Irã e à Coreia do Norte teve um impacto negativo na segurança internacional e terá pelos próximos anos", acrescentou.

Khan, 72, submetido a tratamento de câncer de próstata, disse não se importar como que governos estrangeiros pensam. "Sou obrigado a responder apenas ao meu governo e não a estrangeiros."

"Sempre serei orgulhoso pelo o que eu fiz pelo Paquistão", disse o cientista.

A detenção de Khan foi relaxada em 2008. Ele recebeu permissão para se encontrar com amigos e viajou à cidade de Karachi ao menos uma vez, sob forte esquema de segurança.

A detenção de Khan foi relaxada em 2008. Ele recebeu permissão para se encontrar com amigos e viajou à cidade de Karachi ao menos uma vez, sob forte esquema de segurança.
Ele também deu entrevista após o novo governo assumir, em março, mas foi proibido de falar com jornalistas em julho por decisão da Justiça.

"Homem livre"

O advogado de Khan, Ali Zafar, disse que a Alta Corte havia declarado que ele não estava envolvido em proliferação nuclear ou atividade criminal e que não há acusações contra ele. "A corte ordenou que ele é um homem livre", afirmou.

Islamabad há tempos alega que Khan não estava oficialmente em prisão domiciliar, mas que estava sendo detido por sua própria segurança. Não ficou claro de imediato em que grau as agências de segurança ainda irão restringir seus movimentos.

O Paquistão nunca deixou investigadores estrangeiros interrogarem Khan, dizendo que ele já havia passado toda a informação relevante sobre sua proliferação nuclear.

O governo se recusou a comentar a decisão da corte, mas disse que, como um Estado responsável e dotado de armas nucleares, havia tomado todas as medidas para promover o objetivo da não-proliferação.

ONU vai criar comissão para investigar assassinato de Benazir Bhutto

Comissão será independente, diz secretário-geral da ONU. Ex-premiê do Paquistão foi assassinada em dezembro de 2007.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em visita ao Paquistão, anunciou nesta quarta-feira (4) a criação de uma comissão de investigação para apurar o assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto , ocorrido em dezembro de 2007.

"Tenho a intenção de estabelecer, muito em breve, uma comissão independente de investigação, que será liderada por uma pessoa diferente", assegurou Ban Ki-moon, citado pela agência estatal "APP", durante um jantar organizado em sua homenagem pelo presidente do Paquistão e viúvo de Bhutto, Asif Ali Zardari.


O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ao lado do premiê do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, com retrato de Benazir Bhutto ao fundo, nesta quarta-feira (4) em Islamabad. (Foto: AP)

Vice de Obama chega ao Paquistão para mediação com a Índia

Joe Biden tenta aliviar a tensão entre os dois países após as acusações sobre o atentado de Mumbai

ISLAMABAD - O vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joseph Biden, chegou nesta sexta-feira, 9, a Islamabad em visita oficial, com o objetivo de aliviar a tensão surgida entre o Paquistão e a Índia por causa dos recentes ataques em Mumbai, informou uma fonte oficial. O porta-voz da embaixada dos EUA na capital paquistanesa, Lou Fintor, disse que está previsto que Biden se reúna durante a tarde com vários representantes do governo do país para discutir "assuntos regionais", mas não precisou quem serão os interlocutores do vice-presidente eleito.

Um porta-voz governamental disse que Biden, que chega acompanhado de uma grande delegação que inclui o senador republicano Lindsey Graham, se reunirá com o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, e com o primeiro-ministro, Yousaf Raza Gillani. A agenda do vice-presidente eleito, que em menos de duas semanas tomará posse, se concentrará na luta contra o fundamentalismo, assim como nas relações entre a Índia e o Paquistão, segundo uma fonte diplomática, citada pela rede privada Geo TV.

Além disso, Biden deve negociar com as autoridades paquistanesas um pacote de ajuda de US$ 15 bilhões, segundo a fonte da rede de televisão. A embaixadora americana no Paquistão, Anne W. Patterson, se reuniu na quinta-feira com Zardari para preparar a visita de Biden.

As relações entre Índia e Paquistão, ambas potências nucleares, se deterioraram nas últimas semanas após os atentados de novembro em Mumbai, que as autoridades indianas atribuem ao grupo caxemiriano Lashkar-e-Taiba, com base no Paquistão. Os dois países se envolveram em uma troca de acusações e exigências desde os atentados.


Fronteira "frágil"


O primeiro-ministro paquistanês, Yousaf Raza Gilani, disse na sexta-feira que a situação na fronteira com a Índia é frágil. No mesmo dia, o vice-presidente-eleito dos EUA, Joe Biden, chegou ao país para um esforço de melhoria nas relações entre as duas potências nucleares do sul da Ásia. A tensão bilateral se agravou por causa dos atentados islâmicos de novembro em Mumbai, que mataram 179 pessoas. A Índia desde o começo culpou militantes vindos do Paquistão, mas nesta semana o primeiro-ministro Manmohan Singh elevou o tom e sugeriu ter havido apoio de "algumas agências oficiais" ao ataque.

O Paquistão negou envolvimento de seus órgãos públicos e acusou Singh de estar agravando a tensão. Na quarta-feira, Islamabad confirmou que o único militante que sobreviveu ao ataque é paquistanês.

"A situação na nossa fronteira leste novamente se tornou muito frágil", disse Gilani em um seminário em Islamabad.

O premiê considerou lamentável que a Índia tenha congelado um processo de paz iniciado há quatro anos e que já havia conseguido melhorar as relações entre os dois países, que travaram três guerras desde 1947. "O mundo não deve permitir que a tensão entre Índia e Paquistão aumente", afirmou.

Embora a tensão esteja elevada, não há sinais de que se repita a concentração de tropas na fronteira ocorrida em 2002, depois de um atentado no Parlamento indiano, que Nova Délhi também atribuiu a militantes do Paquistão. Analistas consideram que atualmente diminuiu a chance de a Índia recorrer a uma ação militar.

Paquistão transfere tropas para fronteira com a Índia

Cerca de 40 caminhões foram retirados da região do Waziristão; premiê indiano reúne-se com chefes militares

Pakistan, Dec. 26 -- Pakistan began deploying thousands of additional troops to its border with India on Friday


Soldados indianos vigiam a fronteira afegã

ISLAMABAD - O Paquistão está transferindo milhares de soldados da fronteira afegã para a indiana, afirmaram fontes do serviço de inteligência paquistanês nesta sexta-feira, 26. Os países vivem em clima de tensão, desde os ataques em Mumbai, em novembro. O governo da Índia acusou "elementos no Paquistão" pelos ataques na capital financeira indiana e já afirmou que espera mais colaboração do vizinho na luta contra os extremistas.

Um repórter da Associated Press testemunhou a retirada de uma coluna de cerca de 40 caminhões com soldados da região do Waziristão do Sul, na fronteira com o Afeganistão. Os funcionários do setor de inteligência falaram sob condição de anonimato.

Dois funcionários do setor de inteligência afirmaram que a 14ª Divisão de soldados estava sendo transferida para Kasur e Sialkot, cidades próximas da fronteira indiana. Isso poderia também prejudicar a atuação das forças paquistanesas contra os extremistas, na zona fronteiriça com o território afegão.

Nesta sexta-feira, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, teria encontro com chefes militares para discutir "a situação de segurança". O governo indiano ainda não havia comentado as informações sobre envio de tropas pelo vizinho.

Índia e Paquistão possuem armas nucleares. Eles travaram três guerras desde a independência de ambos da Grã-Bretanha, em 1947. Porém os dois governos também afirmam que desejam evitar um conflito, sem contudo descartar o uso da força.

Também sob anonimato, um importante funcionário do setor de segurança do Paquistão não comentou diretamente o envio de tropas. Limitou-se a dizer que "as medidas defensivas necessárias têm sido tomadas" e que as forças paquistanesas estão prontas para "qualquer eventualidade."

A Índia avisou seus cidadãos na sexta-feira que não é seguro viajar para o Paquistão devido à tensão entre os países rivais desde os ataques a Mumbai. "Os cidadãos indianos estão avisados de que não é seguro viajar ou estar no Paquistão", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia.

Tensão

A retirada de tropas paquistanesas da fronteira afegã provavelmente será mal recebida pelos Estados Unidos, que não querem ver o Paquistão se desviar da luta contra os militantes da Al-Qaeda e do Taleban na fronteira ocidental do Paquistão.

Índia, EUA e Reino Unido responsabilizaram pelos ataques a Mumbai o grupo islâmico Lashkar-e-Taiba, que tem sua base no Paquistão e se formou para combater o domínio indiano na região da Caxemira, disputada pelos dois países.

O Paquistão condenou os ataques a Mumbai e negou qualquer participação do Estado nessa ação, que atribuiu a "atores não ligados ao Estado". O número cada vez maior de exaltadas reportagens nos dois países têm alimentado especulações de uma guerra, embora os líderes digam que um conflito não serviria aos interesses de ninguém.

Paquistão avisa à Índia que responderá a qualquer ataque

MULTAN - O ministro de Relações Exteriores do Paquistão, Shah Mahmood Qureshi, disse que a Índia não deve lançar um ataque contra o país e que os paquistaneses responderiam a qualquer tipo de ofensiva. "A Índia deve desistir de qualquer ataque estratégico", afirmou o ministro de Relações Exteriores do Paquistão, Shah Mahmood Qureshi, a repórteres na cidade de Multan, região central do Paquistão. "Ela não deve se cometer este erro, mas, caso o faça, o Paquistão será obrigado a responder."

Apesar disso, Qureshi disse que o Paquistão quer a paz com a Índia. "Devemos esperar pelo melhor, mas nos preparar para o pior", declarou. A Índia, no entanto, não descartou o uso da força em uma potencial represália aos ataques contra Mumbai em 26 de novembro, atribuídos ao grupo militante Lashkar-e-Taiba, que possui base em território paquistanês.

O primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, disse que a Índia deveria apresentar evidências que sustentem a acusação de que os 10 homens armados que mataram pelo menos 164 pessoas em Mumbai no mês passado eram paquistaneses do Lashkar-e-Taiba.

A Índia ofereceu ao Paquistão uma carta do único sobrevivente envolvido nos ataques, Mohammed Ajmal Kasab, assumindo a autoria do atentado e apontando como co-autores outros nove paquistaneses. Kasab também pediu na carta para encontrar-se com enviados paquistaneses, mas os jornais disseram que o governo rejeitou a solicitação, argumentando que não há registro dele como cidadão do país.

Índia preparou ataque contra Paquistão após atentados em Mumbai, diz CNN

A Força Aérea indiana iniciou preparativos para um possível ataque contra o Paquistão logo após os atentados terroristas do último dia 26 em Mumbai, que deixaram 172 mortos, informa reportagem da rede americana CNN, que cita fontes do Pentágono.

WASHINGTON (CNN) -- The United States believes that India's air force began preliminary preparations for a possible attack against Pakistan in the immediate aftermath of the recent massacre in Mumbai




Três fontes do Pentágono afirmaram à rede que os Estados unidos tinham informação que indicava que a Índia começou a preparar tropas aéreas para uma possível missão. Logo após os ataques, que atingiram diversos pontos importantes de Mumbai, capital financeira da Índia, Nova Déli acusou o país vizinho de envolvimento com os atentados.

As duas potências nucleares já se enfrentaram em três guerras desde a independência de ambos do Reino Unido, em 1947 e os ataques apenas acirraram a rivalidade entre os países.

As fontes não deram muitos detalhes sobre o possível ataque, mas, segundo a rede, este é a primeira indicação da proximidade de um novo conflito entre as potências após os ataques de 26 de novembro.

Eles disseram à rede americana que os preparativos incluíram a checagem das tropas e da disponibilidade de jatos e armas. Disseram ainda que um avião indiano invadiu o espaço aéreo paquistanês sem autorização no sábado (29).

Um dos oficiais disse que se a Índia concluiu os preparativos, poderia rapidamente lançar um ataque aéreo contra supostos alvos terroristas dentro do território paquistanês. O porta-voz das forças aéreas indianas, Mahesh Upasani, disse que não havia nada a comentar.

As ações terroristas coordenadas concentraram-se em regiões nobres da cidade, onde ficam dois dos mais luxuosos hotéis: Taj Mahal e Oberoi Trident, além do aeroporto internacional.

Explosões também foram registradas em outros pontos, como a estação de trem Chhatrapati Shivaji, uma das mais movimentadas da Índia, um cinema, delegacias, um hospital que atendia feridos nos ataques e o popular Café Leopold, muito freqüentado por turistas e gente de Bollywood --a indústria cinematográfica indiana.

Os ataques foram assumidos por um grupo terrorista desconhecido, os Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia), que, segundo os investigadores indianos, citando o interrogatório do único terrorista capturado vivo, teriam sido treinados pelo Lashkar e Taiba, grupo separatista com sede no Paquistão.

Ataques a depósitos no Paquistão destroem mais de 160 veículos da Otan

da Associated Press, em Peshawar


Militantes atacaram dois terminais de transportes no Paquistão e causaram incêndio que destruiu mais de 160 veículos da Otan

Militantes atacaram neste domingo dois terminais de transportes no Paquistão e causaram um incêndio que destruiu mais de 160 veículos destinados às tropas lideradas pelos Estados Unidos no Afeganistão. O ataque é mais um episódio da crescente violência nas últimas semanas em Peshawar, capital da Província da Fronteira Noroeste, na fronteira entre os dois países, e atinge uma linha vital de fornecimento militar.

O Exército americano disse que as perdas teriam apenas um impacto "mínimo" sobre as suas operações contra o ressurgimento da milícia taleban no Afeganistão.

No entanto, a audácia do ataque alimenta a preocupação de que militantes estejam apertando o cerco a Peshawar e poderiam obstruiur o fornecimento por meio da famosa rota de passo Khyber, no sopé das montanhas fronteiriças.

Cerca de 75% dos suprimentos para as forças ocidentais no Afeganistão passam pelo Paquistão depois de serem descarregadas de navios no porto de Karachi, no mar Arábico. A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) já está procurando uma via alternativa, através da Ásia Central.

O ataque ao Terminal Logístico Portward reduziu uma seção do complexo murado a um grande ferro velho.

O gerente do terminal, Kifayatullah Khan, disse que homens armados derrubaram o portão antes do amanhecer com um lançador de granadas, mataram um guarda e puseram fogo a um total de 106 veículos, incluindo cerca de 70 Humvees, veículos blindados leves utilizados pelas tropas.

Os atacantes fugiram depois de uma breve troca tiros com a polícia, que chegou ao local cerca de 40 minutos mais tarde, disse Khan.

Os outros nove guardas estavam de plantão, mas se mantiveram à distância, já que o número de militantes chegava a 300, disse Khan, embora o oficial da polícia Alam Kashif tenha dito que havia apenas 30.

No depósito Faisal, próximo ao local do primeiro ataque, o gerente Shah Iran disse que 60 veículos destinados ao Afeganistão, assim como três caminhões paquistaneses foram queimados em um ataque similar.

Não está claro se os ataques fora feitos pelo mesmo grupo de militantes.

Região vulnerável

As ações deste domingo são as mais recentes de uma série que pôs em evidência a vulnerabilidade da rota de abastecimento diante da ampliação do poder dos talebans e de outros militantes islâmicos na região fronteiriça.

Em um ataque também atribuído a insurgentes, 12 caminhões carregados de suprimentos para a Otan foram queimados no terminal Faisal na semana passada. Dois guardas foram mortos a tiros.

Em novembro, militantes islâmicos fugiram com um Humvee através da perigosa estrada de Peshawar e o mostraram depois a repórteres em um reduto mais ao sul.

O Exército americano minimizou a importância dos ataques e a extensão das perdas. "É militarmente insignificante", disse a Tenente-coronel Rumi Nielsen-Green, porta-voz do Exército americano "Você não pode imaginar o volume de suprimentos que passarem ali e por outros locais e por outros caminhos."

"Até agora não houve uma significativa perda ou impacto para a nossa missão", disse ela.

O Paquistão interrompeu o tráfego através da passagem Khyber durante vários dias em novembro, enquanto tomava medidas para a segurança dos comboios de mantimentos, que viajam em baixa velocidade.

Shahedullah Baig, um porta-voz do Ministério do Interior paquistanês, insistiu neste domingo que havia segurança extra protegendo os terminais.

"Elas são totalmente protegidas, mas, nesse tipo de situação, incidentes desse tipo acontecem," disse Baig.

No entanto, Khan, o gerente de depósito, disse que era mentira, e que havia apenas um punhado de policiais nos terminais de domingo à tarde.

Peshawar tem observado um aumento da violência nas últimas semanas, incluindo o assassinato de um americano que trabalhava em um projeto humanitário.

A cidade fica perto das regiões tribais ao longo da fronteira afegã, onde se suspeita que estejam refugiados Osama bin Laden e outros líderes do grupo terrorista Al Qaeda.

No sábado, um carro-bomba foi detonado em uma área ocupada no mercado da cidade, matando 29 pessoas e ferindo mais cem. O ataque destruiu uma mesquita xiita e um hotel, mas os autores não foram identificados.

A instabilidade no noroeste do Paquistão coincide com graves tensões com a Índia, ao sul, na seqüência dos recentes atentados terroristas em Bombaim, que mataram 172 pessoas.

O governo indiano atribui o ataque a um grupo militante islâmico que luta pelo controle da Caxemira, região disputada pelos dois países desde a independência de ambos, em 1947.

Pobreza, partilha e os EUA isolam islâmicos na Índia

Segundo o historiador Ramachandra Guha, 50, o radicalismo islâmico na Índia se alimenta da situação de pobreza dos muçulmanos no país, dos efeitos da partilha que originou o Paquistão, em 1947, e do patrocínio de guerrilheiros pelos EUA durante a Guerra Fria.

Autor de "A Índia depois de Gandhi" e diretor da organização New India Foundation, que promove o estudo da Índia contemporânea, ele foi considerado um dos cem intelectuais mais influentes no mundo pela revista "Foreign Policy". Abaixo, trechos da entrevista que ele concedeu


Al Qaeda recruta


"A Al Qaeda já começou a recrutar na Índia os muçulmanos mais angustiados com sua situação. Os muçulmanos indianos não podem se sentir de lado. Devem ser levados ao sistema de educação moderno, estimulados a aprender inglês, hoje decisivo para se empregar bem na Índia. Durante muito tempo, o governo era negligente com a educação. Hoje vivemos uma fase de empolgação, todo mundo quer estudar."


Sem Justiça


"Em 2002, cerca de 2.000 muçulmanos foram mortos em um massacre. Era resposta a um atentado de radicais islâmicos, que por sua vez foi revanche pela destruição de uma mesquita. Mas nenhum dos assassinos foi levado à Justiça, o que só fortalece os radicais."


Pobres ficaram


"No movimento pela independência da Índia nos anos 30 e 40, a classe média começou a se mudar para o que hoje é o Paquistão na esperança de ter uma nação muçulmana. Empresários, comerciantes, médicos, universitários migraram em massa. Os pobres muçulmanos ficaram na Índia. Há poucos advogados, professores. Muitos matriculam seus filhos em escolas religiosas, não estão na educação moderna."


Preconceito


"Não há discriminação oficial, mas há preconceito. Os muçulmanos estão atrás na educação, e há preconceito velado. Tenho certeza de que um médico muçulmano, próspero em Bangalore, terá dificuldades para alugar um apartamento de indianos. Não é discriminação institucional, é cultural, leva tempo para mudar."


Guerra Fria


"O Paquistão é aliado americano desde 1954. A Índia era próxima da União Soviética. Quando os soviéticos invadiram o Afeganistão, os americanos armaram os guerrilheiros muçulmanos. Nos anos 80, o Paquistão viu a emergência desses fundamentalistas patrocinados pelos EUA, que hoje controlam cada vez mais setores da Justiça, da educação e das Forças Armadas. Ninguém controla os predicadores mais radicais, que pedem a destruição da Índia nas mesquitas."

Revanche

"A tensão do Paquistão com a Índia é religiosa, mas tem algo de revanche. A Índia apoiou o movimento separatista de Bangladesh, que se tornou independente do Paquistão em 1971. O Paquistão nunca a perdoou. Nações, como indivíduos, têm memória. O sucesso econômico recente da Índia é uma explicação menor."


Caxemira livre


"A presença militar na Caxemira é excessiva. Há muitos abusos contra os direitos humanos lá. Há uma espiral de violência. Não era um movimento sectário, mas foi tomado pelos radicais, o que acaba justificando mais repressão pelo Exército da Índia e novas revanches por seus excessos. A Índia não entregará a Caxemira. Pode até dar mais autonomia, mas não interessa a ninguém uma Caxemira livre, que cairia nas mãos da Al Qaeda."


Sem harmonia


"O nacionalismo indiano de Gandhi e Nehru estava comprometido com a criação de um Estado laico, de harmonia entre as minorias, mas, nos anos 60 e 70, com a disputa pela Caxemira, a direita nacionalista cresceu, acha que os muçulmanos não fazem parte da Índia."

Explosão em mercado mata 16 no Paquistão

Atentado ocorreu próximo a mesquita xiita na cidade de Peshawar. Cerca de 70 pessoas ficaram feridas, segundo a polícia.

A car exploded in front of a Shiite mosque in northern Pakistan


Pelo menos 16 pessoas morreram e 70 ficaram feridas na explosão de uma bomba na cidade paquistanesa de Peshawar nesta sexta-feira (5), segundo a polícia.

A explosão ocorreu em no movimentado mercado Qisakhawani, na cidade de 2,5 milhões de habitantes no noroeste do país. O local fica perto de uma mesquita xiita. Casas e lojas foram destruídas, segundo a TV local.


Mercado em chamas após explosão em Peshawar, Paquistão, nesta sexta-feira (5). (Foto: AFP)


Desde junho de 2007, o país tem sido alvo de atentados praticados por talibãs. Mais de 1.500 pessoas morreram desde então.


Mísseis


Três pessoas morreram em um distrito tribal paquistanês em um ataque atribuído a um "drone" (avião sem piloto) americano, segundo autoridades locais. O ataque ocorreu na cidade de Mir Ali, no distrito de Miranshah, considerado um reduto de militantes ligados ao Talibã e à al-Qaeda.

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