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No Congresso, protestos contra Ahmadinejad começam antes da visita

Deputados carregam faixa com 'Holocausto nunca mais'. Sobrevivente diz que Brasil não deveria receber presidente do Irã.

Antes mesmo da chegada do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (23) deputados iniciaram protestos contra a visita. Os deputados Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) e Zenaldo Coutinho (PSDB-PA) estão no Salão Verde da Câmara com uma faixa com os dizeres “Holocausto nunca mais”. Eles estão acompanhados de um sobrevivente do Holocausto, acontecimento que já teve sua existência negada pelo presidente do Irã.

O deputado Zenaldo Coutinho disse ao G1 que protestos têm sido impedidos. Segundo ele, um caminhão de som que estava em frente ao Itamaraty foi retirado a pedido da Presidência da República. A Presidência do Senado também impediu que o caminhão ficassem em frente ao Congresso Nacional, segundo o parlamentar.

Junto com os deputados está Bem Abrahan, presidente da associação brasileira dos sobreviventes do nazismo. Nascido na Polônia, ele tem nacionalidade brasileira. Abrahan viveu por cinco anos e meio em campos de concentração e criticou o governo e o Congresso por receberem o presidente iraniano.

“O Brasil como pais tolerante e de regime democrático não deveria receber este indivíduo. Eu ainda estou vivo e quando ele (Amadinejah) diz que não existiu o Holocausto ele está dizendo que eu não existo”, disse Abrahan.

Em nota divulgada no domingo (22), a Executiva do DEM criticou a visita. “O partido entende que a presença de Mahmoud Ahmadinejad no Congresso Nacional seria incompatível com os princípios filosóficos e constitucionais da democracia brasileira.” O partido chegou a pedir que os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), não recebessem o presidente do Irã.


Fonte: G1/Eduardo Bresciani

Para Temer, visita de Ahmadinejad ao Congresso é 'protocolo'

Deputados fizeram protesto contra vinda do presidente iraniano. 'Não há como deixar de recebê-lo', disse o presidente da Câmara.

O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), afirmou nesta segunda-feira (23) que a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Congresso Nacional é apenas “protocolo”. A visita estava marcada para às 15h30, mas a agenda do presidente iraniano está atrasada.

“É protocolo. Como é uma visita de estado o presidente da República convidou e ele faz também uma visita protocolar ao Congresso e ao Supremo. É o presidente de um país e não há como deixar de recebê-lo”, disse Temer.

O presidente da Câmara considerou natural o protesto de parlamentares contra a visita devido ao fato de Ahmadinejad ter negado o Holocausto em algumas ocasiões. “Podem haver críticas, como já tem havido. É natural”.

Protesto de parlamentares

Antes mesmo da chegada do presidente do Irã ao Congresso Nacional deputados iniciaram protestos contra a visita. Os deputados Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) e Zenaldo Coutinho (PSDB-PA) estão no Salão Verde da Câmara com uma faixa com os dizeres “Holocausto nunca mais”. Eles estão acompanhados de um sobrevivente do Holocausto, acontecimento que já teve sua existência negada pelo presidente do Irã.

Itagiba é autor de um projeto que torna crime a negação do Holocausto. A proposta está em tramitação na Câmara. “É importante que se aprove isso o quanto antes para que sigamos as legislações da Alemanha, de Portugal e do Canadá que consideram a negação como um crime. Essa negação tem o objetivo de suscitar a discriminação”.

O deputado Zenaldo Coutinho disse ao G1 que protestos têm sido impedidos. Segundo ele, um caminhão de som que estava em frente ao Itamaraty foi retirado a pedido da Presidência da República. A Presidência do Senado também impediu que o caminhão ficassem em frente ao Congresso Nacional, segundo o parlamentar.

Em nota divulgada no domingo (22), a Executiva do DEM criticou a visita. “O partido entende que a presença de Mahmoud Ahmadinejad no Congresso Nacional seria incompatível com os princípios filosóficos e constitucionais da democracia brasileira.” O partido chegou a pedir que os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), não recebessem o presidente do Irã.

Programa nuclear

Ao lado de Ahmadinejad, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (23), durante entrevista coletiva de imprensa, que reconhece o direito do Irã de executar seu plano nuclear para fins pacíficos e afirmou que o “Brasil sonha com um Oriente Médio” livre de armas atômicas.

Ahmadinejad se reuniu com Lula no Palácio do Itamaraty, em Brasília, por volta de 12h30, para a assinatura de acordos comerciais e diplomáticos com o Brasil.


Comentário do BGN


O Itamaraty sabe muito bem que os planos do Irã são belicistas e que nem mesmo os demais paises do Oriente Médio aprovam as ações de Ahmadinejad. Um absurdo que se defenda o Irã, quando toda a comunidade internacional mais relevante está unida contra os desmandos do governo iraniano.


Com atitudes assim, o Brasil dificilmente conseguirá uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU.


Fonte: G1/ Eduardo Bresciani

Lula defende enriquecimento de urânio para fins pacíficos no Irã

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu hoje o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e defendeu, em pequena coletiva à imprensa, o direito do país de desenvolver seu programa nuclear para fins pacíficos.


O presidente Lula (à esq.) cumprimenta o ditador  iraniano, Ahmadinejad, , que realiza polêmica visita a Brasília/Roberto Jayme/Reuters

"O que nós temos defendido há muito tempo é que o Irã tenha o direito de desenvolver enriquecimento de urânio para fins pacíficos, tanto quanto o Brasil está se desenvolvendo. É simples", disse Lula.

Segundo o presidente, o Brasil tem um modelo de desenvolvimento de energia nuclear reconhecido pelas Nações Unidas, modelo que pode ser adotado pelo Irã. "O que defendemos para nós, defendemos para o outros", afirmou.

Em seu discurso, Lula falou de aspirações comuns dos dois países nas áreas de energia e desenvolvimento científico. O presidente frisou que o comércio bilateral dobrou durante seu governo, e que há a intenção de dar mais vigor Às trocas comerciais. "O Irã poderá voltar a ser o maior destino [comercial] no Oriente Médio", disse.

Foram firmados hoje vários acordos de cooperação, nas áreas de geração de energia elétrica e de segurança alimentar. Uma visita do presidente Lula está marcada para abril ou maio do próximo ano a Teerã.

Logo após Lula, Ahmadinejad discursou e disse que Brasil e Irã defendem um mundo de paz e solidariedade, sem armas nucleares, e defendeu o direito de seu país de fazer pesquisas nucleares para fins pacíficos. "O Brasil apoia o direito do Irã de dominar todo o ciclo nuclear", disse o presidente iraniano, citando o discurso de Lula. Ahmadinejad também disse apoiar o que chamou de "avanços" do Brasil no domínio da tecnologia nuclear.

Ahmadinejad também aproveitou a visita para afirmar que não há ambiguidades no programa nuclear do país e que todas as perguntas da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) já foram respondidas.

O programa nuclear iraniano está no centro de uma polêmica internacional, com pressão ocidental para que o país envie seu urânio para ser enriquecido no exterior. O Irã assegura que tem apenas finalidades pacíficas, mas a descoberta de uma central nuclear clandestina em Qom aumentou as suspeitas de que o programa se destina à construção de armas nucleares.

O Irã alega que suas atividades nucleares são exclusivamente civis, mas não consegue afastar as suspeitas em torno de sua suposta intenção de desenvolver um programa militar.

Sobre a proposta da AIEA para um acordo, Ahmadinejad disse que o Irã estava disposto a negociar a compra de urânio enriquecido, mas que a limitação imposta pela agência de não poder comprar urânio enriquecido em 20% travou as negociações. "Isso não é a coisa certa a se fazer. Cabe ao comprador definir as condições da compra, as especificações técnicas. Estamos prontos a pagar e comprar o combustível, mas o Irã não permitirá que se ignorem os seus direitos legais", disse.

Paz

De acordo com o presidente Lula, o país de Ahmadinejad pode ser um novo ator para promover a paz. "O Irã pode ter um papel decisivo não só no Oriente Médio, mas na Ásia Central, para forjar uma ordem mundial harmônica em sua região."

Ahmadinejad reforçou o discurso amistoso do presidente Lula, destacando as afinidades dos dois países, tanto em relação às riquezas naturais como na convergência de interesse em vários campos, como o de energia. O líder iraniano acenou também que o Brasil deve atuar como um elo entre o Irã e a América latina.

O presidente iraniano reservou parte de seu discurso para atacar o sistema econômico capitalista, e afirmou que é necessário que o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) passe por uma reforma que dê um assento permanente pro Brasil. "O conselho fracassou nos últimos 60 anos. A razão por que falhou é clara, falhou por causa do poder de veto que hoje está limitado a um número pequeno de países."

Foram assinados hoje acordos de cooperação nas áreas de energia, indústria e comércio, ciência, tecnologia, segurança alimentar e monetária. Foi assinado acordo de isenção de visto para passaportes diplomáticos para o período de 2009 a 2012.

Visita

O iraniano chegou hoje a Brasília por volta das 9h, procedente do Senegal. Após a reunião reservada com Lula, os dois líderes devem seguir para encontro com empresários de ambos os países.

Ahmadinejad chegou ao Brasil acompanhado pelo ministro de Relações Exteriores, Manoucher Mottaki, e do vice-ministro para a América Latina, Ali Reza Salari. Também veio ao país seu ministro de Minas e Indústrias, Ali Akbar Mehrabian. Vieram ainda membros do Parlamento iraniano e uma grande delegação de empresários que participará de um encontro empresarial Brasil-Irã. Ao lado de Ahmadinejad, veio ainda o embaixador brasileiro em Teerã, Antônio Luis Espínola Salgado.

Desde 2005, quando assumiu o poder, Ahmadinejad tenta estabelecer vínculos com líderes sul-americanos de esquerda e mantém relação próxima com Hugo Chávez. Depois do Brasil, o presidente iraniano completará sua viagem latino-americana de cinco dias com visitas a Bolívia e Venezuela, para depois retornar a Teerã com escalas no Senegal e em Gâmbia.

Comentário:


A polílitca externa conduzida pelo Sr. Amorim e pelo governo Lula, está criando grandes problemas ao Brasil.  Pelas declarações de Lula, hoje, conclui-se que ou ele está em outro planeta no que se refere ao Irã, ou apoia a ditadura iraniana.  Bom, não é surpresa mesmo, pois este governo apoia as ditaduras de Cuba, Venezuela, Sudão e Bolívia.  Apolítica externa do Brasil é imoral.

Fonte: FOLHA/ SOFIA FERNANDES

Visita de Ahmadinejad gera protestos no Rio e Brasília

Entidades ligadas a movimentos civis e religiosos organizam manifestações contra o líder iraniano


Cerca de 800 pessoas estiveram na Praia de Ipanema para protestar contra a visita do presidente do Irã/Fábio Motta/AE

SÃO PAULO - Entidades ligadas a movimentos civis e religiosos protestam neste domingo, 22, e segunda-feira no Rio e em Brasília, contra a visita do presidente Mahmoud Ahmadinejad e as violações dos direitos humanos no Irã. Os manifestantes, organizados na recém-criada Frente pela Liberdade no Irã (FLI), pedirão que o governo cobre explicações do presidente iraniano, que será recebido amanhã pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Cerca de 800 pessoas estiveram neste domingo na Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro para protestar contra a vinda ao Brasil do presidente do Irã. A passeata reuniu nesta manhã, debaixo de um calor de 35 graus, diversos grupos judaicos, do movimento negro, em defesa dos direitos das mulheres, a União Cigana, o Grupo Arco-Íris (de defesa dos homossexuais) e até mesmo um integrante da Sociedade Beneficente de Desenvolvimento Islâmico.

Levando cartões vermelhos e apitos, os manifestantes reclamaram da falta de liberdade e democracia do governo iraniano, da negação do Holocausto, por parte de Ahmadinejad, bem como defenderam a tolerância religiosa. Acompanhados pelo som do grupo Filhos de Gandhy, caminharam pela pista fechada da praia. No fim, soltaram, de uma enorme gaiola, bexigas brancas que levavam mensagens como "liberdade sexual", "direito das mulheres", "paz".

No domingo passado, aconteceu a primeira rodada de manifestações, com protestos em 15 Estados. Além de grupos israelitas, judeus, minorias iranianas, integram o movimento grupos de homossexuais, de negros e outras organizações sociais.

Em manifesto redigido pela entidade, eles acusam Ahmadinejad de impor restrições sobre a liberdade de expressão, de associação e de reunião, de perseguir e torturar ativistas dos direitos humanos, de executar crianças, de negar o Holocausto, de tentar acabar com Israel e contrariar acordos internacionais ao desenvolver estudos de armas nucleares

"O manifesto resume os motivos que levaram grupos distintos a se reunir para protestar contra a possibilidade de o governo brasileiro buscar acordos com o Irã, sem que sejam expostas as reprimendas pelas políticas extremistas do visitante. O Brasil tem o compromisso de explicitar ao governo do Irã que não apoiamos sua ações internas", diz o documento.


Fonte: O ESTADO

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