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Lula anuncia o que todos sabem, mas não acreditam


Um presidente da República recém-eleito costuma ser assaltado por uma ilusão. A ilusão de que vai presidir. Com Dilma Rousseff é diferente.

Atriz coadjuvante de uma peça escrita, produzida, dirigida e estrelada por Lula, Dilma não teve direito nem à ilusão de que preside.

Eleita no domingo, começou a costurar a composição do futuro governo na manhã seguinte As manchetes informam que cada partido terá sua cota. E avisam que Dilma é da cota de Lula.

Decorridos quatro dias do encontro do eleitor com a urna, Lula sentiu-se como que compelido a prestar esclarecimentos.

Em entrevista extraordinária, ele veio aos holofotes para informar algo que todo mundo sabe, mas ninguém acredita: Dilma foi eleita presidente. Disse que sua pupila montará o ministério que bem entender: “O governo da Dilma tem que ter a cara e a semelhança da Dilma”.

Nenhum nome foi anunciado. A cara do “novo” governo é, por ora, um retrato calado. A platéia intui que vem aí algo muito parecido.

A barba do Lula, o bigode do Sarney, as orelhas do Temer, a boquinha do Renan, a calva do Meirelles, o nariz do Palocci, os olhos azuis do Eduardo Campos...

Lula negou que tenha requerido a permanência de alguns de seus auxiliares. “Rei morto, rei posto”, disse.

Sabe-se, porém, que o Paulo Bernardo deve ficar. O Guido Mantega também será aproveitado. E quanto a Lula, vai voltar em 2014? A resposta veio na forma de lero-lero. O presidente declarou que, com a popularidade granjeda, o retorno geraria expectativas inauditas.

Disse que é “pequeno” discutir a coisa agora. Afirmou que Dilma, se bem sucedida, deve disputar a reeleição. Lula só não disse um peremptório e sonoro “NÃO”.

Preferiu fazer piada. Melhor evitar a discurssão, disse ele, "senão vai chover bolinhas de papel em nossa cabeça".


Terminada a performance do protagonista, a coadjuvante foi ao microfone. Àquela altura, estava claro qual será o primeiro desafio de Dilma. Ela vai à cadeira de presidente, em janeiro de 2011, com a missão de provar que é presidente.

Lula encareceu à oposição que não trate a sua sombra do modo "raivoso" com que o tratou.


Fonte: Josias de Souza / TV UOL - FOLHA

Lula ressuscitou a oposição

Augusto Nunes - Veja

“Eu gostaria de uma eleição plebiscitária, ou seja: nós contra eles, pão pão, queijo queijo”, desafiou em outubro de 2009 o presunçoso, em êxtase com taxas de popularidade anabolizadas por comerciantes de porcentagens.

Bastaria ensinar ao país que Dilma Rousseff era o codinome com que disputaria a própria sucessão para que o jogo começasse com o placar já assinalando 80% a 4%. Um oceano de brasileiros felizes contra a poça de insatisfeitos profissionais, imaginou o campeão da bazófia. A goleada estava garantida.


“A maior obra de um governo é eleger o sucessor”, avisou em fevereiro passado o chefe de Estado ao abandonar o emprego para virar chefe de facção e animador de palanque. Nos oito meses seguintes, o governante fora-da-lei atropelou a Constituição, debochou da Justiça Eleitoral, afrontou o Ministério Público, zombou dos adversários.

Presidente de todos os brasileiros, açulou a radicalização maniqueísta, abençoou a beligerância das milícias, colocou a administração federal a serviço de uma candidatura ─ tudo para transformar em herdeira uma formidável nulidade. Conseguiu. Ganhou a eleição. Mas vai sair do governo menor do que parecia ao entrar. E não foi pouco o que perdeu.

O país redesenhado pelas urnas do dia 31 informou que a estratégia do “nós contra eles” foi uma má ideia. Disfarçado de Dilma Rousseff, Lula sepultou os sonhos presidenciais de José Serra. Mas ressuscitou, com dimensões especialmente impressionantes, a oposição que não houve em seus oito anos de reinado.

No mundo dos ibopes e sensus, os que não se ajoelham no altar de Lula nunca ultrapassaram a fronteira dos 5%. Sabe-se agora que somam 45% do eleitorado. O Brasil insatisfeito é infinitamente maior que Serra, muito mais combativo que o PSDB. E está disposto a resistir energicamente ao prolongamento da Era da Mediocridade.

 
Popularidade não rima com voto, reiterou a paisagem eleitoral. No Brasil das pesquisas, Lula vai beirando os 100% de aprovação (ou 103%, se a margem de erro for camarada). Na vida como ela é, a unanimidade foi rebaixada a 56% dos votos válidos. A dupla Lula-Dilma venceu na metade superior do mapa. Foi derrotada na metade muito mais desenvolvida. Os 10 Estados que elegeram candidatos do PSDB e do DEM abrangem 53% do eleitorado.

Se o PSDB não assimilar a partitura composta pela resistência democrática, que destaca enfaticamente valores éticos e morais, vai perder o bonde da história.

Os eleitores que não compraram a dupla Lula-Dilma também rejeitam partidos que só agem ─ e com dolorosa timidez ─ quando começa a temporada de caça ao voto. Se os líderes tucanos não aprenderem a opor-se o tempo todo, e desde já, logo não terão ninguém a liderar. Os descontentes descobriram que podem viver sem eles. E saberão o que fazer.

Popular, sim. Grande, não!

Ricardo Noblat  


Bolinha de papel, rolo de fita crepe, pano de bandeira, chumaço de algodão - nada pode ser usado de forma hostil para atingir alguém sob pena de tal ato configurar uma agressão.

O que militantes do PT foram fazer no calçadão de Campo Grande, no Rio de Janeiro, quando o candidato José Serra (PSDB) esteve por lá na tarde da última quarta-feira em busca de votos? Não foram saudá-lo democraticamente. A tal ponto de civilidade não chegaremos tão cedo.

Aos berros, munidos de bandeiras e dispostos a tudo, tentaram impedir que o candidato e seus correligionários exercessem o direito de ir e de vir, e também o de se manifestar, ambos assegurados pela Constituição.

O PT tem uma longa e suja folha corrida marcada por esse tipo de comportamento violento, autoritário e reprovável, que deita sólidas raízes em suas origens sindicais.

A força bruta foi empregada muitas vezes para garantir a ocupação ou o esvaziamento de fábricas. E também para se contrapor à força bruta aplicada pelo regime militar na época em que o PT era apenas uma generosa idéia.

Para chegar ao poder, o PT sentiu-se obrigado a ficar parecido com os demais partidos – para o bem ou para o mal. Mas parte de sua militância e dos seus líderes não abdicou até hoje de métodos e de práticas que forjaram sua personalidade. É uma pena. E um sinal de atraso.

Uma vez no poder, vale tudo para permanecer ali.

Vale o presidente da República escolher sozinho a candidata do seu partido.

Vale ignorar a Constituição e deflagrar a campanha antes da data prevista.

Vale debochar da Justiça.

Vale socorrer-se sem pudor da máquina pública para fins que contrariam as leis.

Vale intimidar a Polícia Federal para que retarde investigações que possam lhe causar embaraços. E vale orientá-la para que vaze informações manipuladas capazes de provocar danos pesados a adversários.

No ocaso do primeiro turno, pouco antes de Dilma se enrolar na bandeira nacional e posar para a capa de uma revista como presidente eleita, a soberba de Lula extrapolou todos os limites.

Ele foi a Juiz de Fora e advertiu os mineiros: seria melhor para eles elegerem um governador do mesmo grupo político de Dilma.

Foi a Santa Catarina e pregou irado a pura e simples extirpação do DEM.

Foi a São Paulo, investiu contra a imprensa e proclamou com os olhos injetados: "A opinião pública somos nós".

O mais sabujo dos auxiliares de Lula reconhece sob o anonimato que o ataque de fúria do seu chefe contribuiu para forçar a realização do segundo turno.

Não haverá terceiro turno.

Se desta vez as pesquisas estiverem menos erradas, Dilma deverá se eleger no próximo domingo – e até com uma certa folga.

Mas a eleição ainda não acabou, meus senhores. A história está repleta de casos onde um passo em falso, um gesto impensado ou uma surpresa põe tudo a perder.

O que disse Lula a respeito do episódio do Rio protagonizado por Serra e por militantes do PT só confirma uma vez mais o quanto ele é menor - muito menor - do que a cadeira que ocupa há quase oito anos.

Lula foi sarcástico quando deveria ter sido solidário com Serra, de resto seu amigo de longa data.

Foi tolerante e cúmplice da desordem quando deveria tê-la condenado com veemência. Foi cabo eleitoral de Dilma quando deveria ter sido presidente da República no exercício pleno da função.

Sua popularidade poderá seguir batendo novos recordes -e daí? Não é disso que se trata. Popularidade é uma coisa passageira. Grandeza, não. É algo perene. Que sobrevive à morte de quem a ostentou. Tiririca é popular. Nem por isso deve passar à História como um político de grandeza.

No seu tempo, Fernando Collor e José Sarney, aliados de Lula, desfrutaram de curtos períodos de intensa popularidade. Tancredo Neves foi grande, popular, não.

Grandeza tem a ver com caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidade. Tudo o que falta a Lula desde que decidiu eleger Dilma a qualquer preço.

Fonte: Ricardo Noblat / Blog do Noblat

Brincadeira tem hora

Dora Kramer

Em primeiro lugar, o presidente Luiz Inácio da Silva é a última pessoa com autoridade moral para falar em farsas ou em "mentira descarada", visto que é protagonista da maior delas: a falácia segundo a qual recebeu uma "herança maldita" e que estabilidade econômica, a abertura do Brasil para o mundo, o crescimento e a entrada de milhões do mercado consumidor deve-se exclusivamente ao seu governo.

Há pouco seu governo inteiro junto com sua candidata à Presidência produziram "mentiras descaradas" ao repudiarem as denúncias de que havia na Receita quebras de sigilo fiscal de adversários políticos e que um esquema de tráfico de influência e corrupção estava montado a partir da Casa Civil.

Lula também se precipitou ao atribuir as quebras de sigilo a uma "briga de tucanos". Baseava sua tese no fato de o mandante ser repórter do Estado de Minas sem saber que à época Amaury Ribeiro estava em férias a serviço de outrem.

O presidente da República dá razão ao antecessor que o chama de "chefe de uma facção", quando escolhe insuflar a violência no lugar de contribuir para apaziguar os ânimos.

É o que faria um estadista.

Justiça se faça, Lula não ficou só em sua tentativa de ridicularizar o episódio. Muitos na imprensa partiram para ironias, achando um exagero a reação de José Serra atingido, afinal, só por "uma bolinha de papel".

Foram duas imagens captadas em dois momentos diferentes, comprovou-se ao longo do dia. Mas, ainda que o candidato tucano tenha feito drama, continuam sendo inaceitáveis os ataques de militantes contrariados com a passagem do tucano pelas ruas de Campo Grande (RJ). Brincar com isso é má-fé, tratar como banal a violência eleitoral e, sobretudo, não entender o valor em jogo.

Impedir um ato de campanha com tumultos é violência. Bem como foi violência atirar um balão cheio de água sobre o carro onde estava a candidata Dilma Rousseff ontem em Curitiba. O balão não a atingiu, mas poderia ter atingido. Ainda assim resta a intenção: agredir.

O presidente da República condenará uma violência, mas aprovará a outra? Ou dirá que estava apenas condenando o "teatro" do adversário? Nisso não é crítico autorizado.

É partícipe e mesmo condutor de uma caminhada em direção ao retrocesso: a nos tornarmos permissivos com o uso da violência na política, assim como já estamos no rumo de revogar a integralidade do preceito do livre pensar.

Ovos da serpente. 

É assim que começa: a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou projeto de um conselho para atuar entre outras funções no "exercício fiscal sobre a prática da comunicação".

Em Goiás, a TV Brasil Central, do governo do Estado, não pode entrevistar adversários políticos.

O projeto de controle da mídia foi iniciativa de uma deputada estadual do PT cearense, aprovado por unanimidade, e ainda precisa passar pelo crivo do governador Cid Gomes.

A censura foi denunciada, num gesto inédito, ao vivo pelo jornalista Paulo Beringhs, proibido de entrevistar o candidato ao governo Marconi Perillo (PSDB), chamado no dia anterior de "mau caráter" pelo presidente Lula em palanque.

Liberdade e luta. Já que Chico Buarque puxou o assunto ao manifestar seu encanto com o fato de o governo Lula "não falar fino com Washington nem falar grosso com Bolívia e Paraguai", vamos ao fato: o governo brasileiro não deveria é falar fino com ditaduras.

Aliás, o mundo da cultura, que sofreu pesadamente os efeitos da durindana local, nos últimos anos não se incomodou - se o fez não foi em voz alta - com a maleabilidade das vértebras do presidente Lula diante de tiranos.

A complexidade das relações exteriores não cabe em um jogo de palavras. Já a condenação aos crimes das ditaduras às quais o Brasil se dobra para espanto do mundo requer apenas dois atributos: coerência e solidariedade.

Independentemente da opinião eleitoral.

Comentário BGN

O PT é um partido moralmente morto.  Perdeu a credibilidade. Só é crível perante a massa ideologizada e perante os ignorantes que não acompanham o quadro político

Fonte: Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Itamar critica Lula por 'mentir descaradamente'

Itamar ataca Lula

O ex-presidente Itamar Franco, eleito senador pelo PPS de Minas Gerais, fez um duro discurso contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ato de campanha pró-José Serra (PSDB) na sua cidade, Juiz de Fora. Itamar disse que Lula "mente descaradamente".

O ataque de Itamar foi combinado com um novo apelo que ele fez a Serra, mesmo sem a presença do presidenciável no ato: que o tucano suba o tom para "desmascarar as mentiras" ditas pela maioria dos petistas. "Não digo que são todos, mas grande parte", afirmou.

Há uma semana, o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, se dizendo vítima de mentiras e cansado das "mesquinharias" de Lula ao não reconhecer o legado do PSDB na Presidência, chamou o atual presidente para um debate "cara a cara".

Itamar também saiu em defesa da memória do ex-presidente Juscelino Kubitschek, por causa das muitas vezes em que Lula repetiu que tem feito mais do que os outros presidentes --o que, segundo o senador eleito, tem sido repetido também pela presidenciável Dilma Rousseff (PT).

"Será que Minas vai aceitar que, de repente, uma voz do além, junto com a sua candidata ventríloqua, venha dizer a nós... Esqueceram os outros presidentes da República, e nós somos tantos presidentes da República. Nós poderíamos rememorar, basta saber história, e eles não sabem muito história."

Itamar acrescentou: "Será que nós em Minas vamos aceitar que se diga 'nunca antes' e que nós vamos esquecer do que o presidente Kubitschek fez por Minas e pelo Brasil na hora do nosso voto?"

No discurso de 15 minutos --o mais longo do ato com lideranças políticas municipais organizado pelo PSDB-MG, sob a liderança de Aécio Neves--, Itamar defendeu Serra das críticas que a campanha de Dilma faz sobre as privatizações, dizendo que ele seguiria essa linha, se eleito.


"Não adianta dizer em um tom amistoso: 'Eu não vou privatizar a Petrobras, eu não vou privatizar o pré-sal'. Mas tem que ser em um tom mais forte: 'A senhora está mentindo!'."


Fonte: PAULO PEIXOTO/FOLHA

Os melhores 64 segundos do ano eleitoral

O vídeo é muito mais revelador que 100 debates eleitorais, 200 discurseiras de Lula, 300 falatórios de Dilma Rousseff ou 500 comícios do PT. 

Em 64 segundos, comprova que o padrinho furta façanhas produzidas pelo antecessor, reitera que a afilhada mente, lembra que o partido dos dois sempre apostou no quanto pior, melhor e escancara a superioridade intelectual e política de Fernando Henrique Cardoso.

“O PT tem uma avaliação de que esse plano econômico é um estelionato eleitoral”, diz Lula aos companheiros e repete numa entrevista. Em seguida, aparece ao lado de FHC antes de um debate promovido em junho de 1994, quando a vitória sobre a inflação transformou o candidato do PSDB em favorito.

“Quando o Collor fez o programa dele, imediatamente o povo dava 90% de aceitação do Collor”, fantasia o agressor do português e dos fatos. O presidente que decretou o confisco da poupança foi desde o começo do governo um dos mais impopulares da história. “É preciso ver no longo prazo se a economia brasileira resiste”.

“Estou convencido de que a economia resiste, porque esse plano foi feito com cuidado, com muita objeção do PT e do PDT”, replica FHC. Estava coberto de razão, reconhece Dilma Rousseff no fecho perfeito do vídeo: “Acho que, sem sombra de dúvida, a estabilidade do Real foi uma conquista do governo Fernando Henrique Cardoso”, admite no auditório da Folha a candidata que agora jura que o chefe teve de reconstruir “um país em petição de miséria”.

A aparição conjunta dos dois presidentes explica por que o SuperLula sai em desabalada carreira quando alguém sugere um debate com sua kriptonita verde. E os 64 segundos apontam à oposição o caminho mais curto para a vitória nas urnas. Serra deve perguntar a Dilma o que acha do Plano Real. E repetir o que dizem no vídeo a criatura e o criador.


Fonte: Augusto Nunes/Veja

Lula cobra nova estratégia para campanha em SP

Mercadante foi escalado pela direção estadual para conversar com PV; senador afirmou que vai procurar Marina Silva

Hélvio Romero/AE

Às 7h30 de ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perguntava ao candidato derrotado ao governo de São Paulo Aloizio Mercadante, por telefone, quais seriam as estratégias no Estado para conquistar mais votos para Dilma Rousseff (PT) no segundo turno da corrida presidencial. Lula cobrou empenho e articulação do partido no Estado.

José Serra (PSDB) teve em São Paulo 783.101 votos a mais que Dilma Rousseff. Os petistas chegaram a comemorar há algumas semanas antes do pleito a possibilidade de abrir uma vantagem de 2,5 milhões de votos sobre Serra em São Paulo. O resultado ficou muito aquém das projeções animadoras do partido.

Mercadante foi escalado pela direção do PT estadual para ser o interlocutor de Dilma Rousseff com as lideranças de partidos que estão fora do arco de alianças no Estado.

"Vamos conversar com as principais lideranças do PV, de São Paulo e do Brasil inteiro, da bancada federal, estadual. Vamos dialogar com eles. Vou procurar conversar também com a Marina pessoalmente, pela relação que tenho com ela", afirmou Mercadante. O petista ressaltou ter muito "carinho" por Marina.

O principal desafio petista é identificar o perfil dos 4.865.828 de eleitores que optaram pela presidenciável Marina Silva (PV) no Estado. Dirigentes da sigla acreditam que mesmo se o PV declarar apoio a Serra, os eleitores poderão ter um perfil de mais identidade com uma candidatura de centro-esquerda, o que ajudaria Dilma Rousseff.

Mercadante recebeu a atribuição de conversar com Fabio Feldmann (PV), Paulo Skaf (PSB) e Celso Russomanno (PP), todos derrotados por Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo, para tentar integrá-los à campanha no segundo turno. Skaf e Russomanno já apoiam Dilma. Já o PV, em São Paulo, tem ligações políticas mais próximas com o PSDB.

Ao se propor a procurar a presidenciável verde, responsável pela hecatombe que tirou do PT votos e a chance de eleger Dilma no primeiro turno, Mercadante aposta na próxima relação de ambos em virtude da atuação conjunta no Senado. Mercadante liderou a bancada petista na Casa, da qual Marina fez parte.

Lado esquerdo. 

"Acho que ela fez um movimento político para defender as bandeiras que acha que são necessárias, mas Marina faz parte deste lado da história, do nosso campo político. Tenho certeza de que o coração dela sempre bateu do lado esquerdo", afirmou Mercadante, ao sair de uma reunião de dirigentes petistas de São Paulo para definir a tática do segundo turno.

Segundo Mercadante, Marina "nunca fez parte das posições conservadoras que se organizam à direita do espectro político". "Uma parte do eleitorado que votou nela seguramente estará conosco no segundo turno", previu o senador.

Ato. 

O PT fará, sexta-feira, um ato de lançamento do segundo turno em São Paulo. Pretende reunir cerca de 500 líderes religiosos, sindicais e políticos, de diferentes partidos, em apoio a Dilma. No sábado, como primeiro ato do segundo turno, será organizada uma carreata, provavelmente na capital paulista. Um calendário de atividades do segundo turno já começou a ser preparado.

Hoje os petistas fazem uma reunião com todos os parlamentares eleitos pelo Estado para a Câmara e a Assembleia Legislativa. Amanhã, todos os prefeitos que apoiam Dilma no Estado foram convidados para uma reunião na capital. Na quinta está marcado um encontro com dirigentes sindicais e representantes de movimentos sociais e populares do Estado.

Também está prevista para amanhã, em Brasília, uma reunião de presidentes estaduais do PT com a coordenação nacional de Dilma para definir a tática eleitoral no segundo turno no País.

Lula X FHC. 

O PT considera que é preciso explorar a associação entre José Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de forma mais incisiva no segundo turno da campanha presidencial. "Agora no segundo turno é impossível não fazer essa associação. Lula e Dilma e Serra e FHC são dois projetos distintos", afirmou o presidente do PT paulista, Edinho Silva.

O PT pretente também trazer todos os petistas históricos e emblemáticos no Estado para a próxima etapa da campanha.

Eleita senadora com mais de 8 milhões de votos, Marta Suplicy deverá ter mais peso nesta etapa da eleição. A petista esteve ontem em Brasília para participar de uma reunião da coordenação nacional da campanha de Dilma. Outra figura popular no Estado escalada para os atos de campanha é o senador Eduardo Suplicy. Também o vereador Netinho de Paula (PC do B), derrotado para a disputa ao Senado, afirmou ontem a Mercadante que está disposto a continuar a campanha em favor de Dilma.

Netinho teve 7.773.327 de votos e ficou em terceiro lugar na disputa. O PT considera que a presença de Netinho nos atos de campanha é importante por sua alta popularidade entre segmentos de baixa renda.

Fonte: O ESTADO DE S PAULO/Malu Delgado

Lulismo não acaba em 2011, diz cientista político

André Singer, cientista político e professor da USP (Universidade de São Paulo), diz que o lulismo não acaba em 2011. 

Para ele, o fenômeno terá vida longa por ter um aspecto carismático entre uma parte da população.

"O lulismo tem um aspecto que diz respeito especificamente à figura do presidente Lula. Na verdade, é um projeto que tem como norte a distribuição de renda sem radicalização política. A candidatura de Dilma encarna a continuidade desse projeto", comenta o professor no vídeo a seguir da TV UOL.


Fontes: UOL TV - FOLHA

Eleições 2010: ‘É a primeira vez que não tenho a minha cara na urna’, diz Lula

Lula votou logo cedo


Presidente Lula votou por volta das 9h30 deste domingo; ao chegar ao local, recebeu apoio de eleitores/Antônio Scorza/AFP

Ao votar nesta manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se queixou que, nas opções da urna eletrônica, seu rosto não estava entre os candidatos que concorrem no pleito deste ano. "Só lamento que essa é primeira vez que vou votar e não tem a minha cara", disse.

Ao conversar com repórteres, Lula negou que vá concorrer nas próximas eleições: "Quando a gente passa pela Presidência da República, a gente tem que ter muito sossego na vida. O que importa é terminar o governo bem, concluir todas as obras que temos que concluir e deixar o Brasil mais preparado, com mais crescimento econômico para as outras pessoas."

Lula logo após votar/Imagem: Reprodução - TV Globo

O presidente também se disse confiante sobre as chances de vitória da candidata do PT, Dilma Rousseff, e disse não haver problema se a disputa for para o segundo turno. "Apenas vai demorar trinta dias a mais. Serão mais trinta dias de luta."

O presidente votou por volta das 9h30, na escola Doutor João Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo do Campo (SP). Ao chegar ao local, Lula ficou cercado de eleitores. Ele estava acompanhado da primeira-dama Marisa Letícia. Além dela, estavam o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, e o candidato ao governo de São Paulo Aloísio Mercadante (PT) e Marta Suplicy (PT) e Netinho (PC do B), que concorrem ao Senado.

Questionado por um repórter do programa humorístico "CQC" se pretendia se inscrever no Bolsa Família ao deixar a Presidência, o presidente respondeu: "Não, vou trabalhar no CQC."

Ao sair do local de votação, uma multidão esperava a saída do presidente sob chuva e grivava seu nome.



Fontes: FOLHA - G1 - TV Globo

Hélio Bicudo: ‘País pode caminhar para ditadura civil’

Durante 25 anos, a biografia de Hélio Bicudo enfeitou os quadros do PT. 


Hélio Bicudo/Eduardo Anizelli/Folha

Com o passar do tempo, o promotor franzino tornou-se um estorvo. Em 2005, ano do mensalão, achou que era hora de se desfiliar.

Na semana passada, Bicudo, 88, voltou ao meio-fio num em defesa da democracia e da liberdade de imprensa. Uma reação a Lula. Acha-o diferente do Lula de quem fora vice, nos anos 80, numa chapa que disputou o governo de São Paulo.

Em entrevista veiculada neste domingo (26) em ‘A Gazeta’, Bicudo declara: sob a liderança de Lula, “o Brasil pode caminhar para uma ditadura civil”. Vão abaixo algumas de suas declarações:

- A democracia está sob ameaça? 

Acho que sim, porque o presidente da República ignora a Constituição, se acha acima do bem e do mal, e, com uma vitória que está delineada em favor da sua candidata, concentrará todos os poderes da República em suas mãos, além do apoio da maioria dos Estados e da população em geral. Com uma pessoa com esse potencial, e que não vê no ordenamento jurídico do país a maneira de estabilizar as discussões e debates, o Brasil pode caminhar para uma ditadura civil, sem dúvida.

- Depois de 25 anos no PT, imaginou que isso pudesse acontecer? 

De início, não, mas no final, achava que aconteceria essa reviravolta. Foi marcante aquela carta aos brasileiros que Lula escreveu antes da sua primeira eleição, demarcando uma posição muito mais para o neoliberalismo do que para o socialismo.

- Vê diferenças entre o neoliberalismo de FHC e de Lula? 

Não há nenhuma diferença, porque quem comanda as decisões políticas hoje, como ontem, é o próprio capital.

- O PT indicava uma prática diferente? 

O PT fazia uma oposição bastante forte nos governos Sarney e Fernando Henrique. A partir do governo Lula, a unanimidade popular que ele foi conquistando afastou a oposição do seu caminho. E o que aconteceu? Sobre o mensalão e os outros atos de corrupção apontados, nada se fez. Quando Lula diz que é presidente da República até sexta-feira à noite, e depois fecha a gaveta e só volta na segunda-feira, pratica crime de responsabilidade. Afinal, como presidente ele jurou obedecer às leis do país. E a Constituição não permite que um presidente da República participe da campanha eleitoral como ele está participando. É crime que leva ao impeachment, mas nem os partidos políticos, nem a sociedade civil movem nenhuma pedra contra isso.

- O que esperar de Dilma? 

Quem continuará mandando no país vai ser Lula. Dilma diz que ela é o Lula. Então as coisas continuarão como estão, com a mesma corrupção, o mesmo manejo da coisa pública.

- Imaginava voltar às ruas em defesa da democracia? 

A gente fica frustrado, depois de uma longa luta em prol da democracia, ver o que estamos vendo. E acho que não temos democracia, até pela maneira pela qual se conduz a vida pública, onde um grupelho toma conta do governo, pondo nele seus parentes, seus amigos... Não é o governo do povo. Veja a própria constituição do Supremo Tribunal Federal, onde não se fez uma consulta maior para a escolha dos ministros. Ela foi pessoal, feita pelo próprio presidente. Leis passam na Câmara e no Senado, por atuação da presidência da República, que transformou o Legislativo em algo sem a menor expressão. [...] Quem manda no país, passa por cima das leis é ele, Lula. Vai eleger a presidenta que fará o que ele quiser.
 
- Como vê Lula? 

Um homem inteligente, que poderia usar essa inteligência para implementar e fortalecer a democracia no país, mas optou por incrementar o poder pessoal. Ele sempre mandou no partido, afastou as lideranças que pudessem competir com ele. É o dono, sente-se acima do bem e do mal.
- Os escândalos e o ‘eu não sabia’: Ele sabia de tudo, deixou as coisas escaparem. A oposição não atuou e, hoje, chegamos onde estamos.

- Incompetência da oposição? 

Foi inexistência de oposição.

- A saída do PT, em 2005: 

Saí porque achei que o partido não estava trilhando a estrada que havia traçado no seu nascedouro. Ele deixou de representar o povo. Pode até ter o voto do povo, mas representa os interesses daqueles que o comandam.

- Lula e a imprensa:

Olha, Lula vive dizendo que a imprensa o prejudica. Eu acho que é o contrário. A imprensa tem ajudado Lula e seus candidatos. Você não pega um jornal, um programa de televisão, que não exiba um retrato dele. O povo não vê o que está escrito além dá manchete. Funciona como propaganda.

- Lula e a popularidade: 

Mis-en-scène... Pergunto: com tudo isso, o que o Brasil conseguiu, do ponto de vista internacional? Zero. A questão da popularidade não tem relação com a eficiência. Olha o caso do Irã. Tem maior vergonha do que isso? Nossa política externa é péssima. O Brasil não conseguiu colocar uma pessoa em cargo relevante no conceito internacional. Em matéria de Direitos Humanos, botaram lá em Genebra uma pessoa que jejuna nessa área. E onde estão os direitos humanos no Brasil, onde o presidente aceita que a Lei de Anistia contemple também torturadores? E a compra de 36 aviões de caça? Uma brincadeira, desperdício de dinheiro público...

- O ‘ato contra o golpismo midiático’, com CUT, UNE, movimentos sociais e políticos governistas: 

Lula sempre diz que há uma revolução midiática para retirá-lo do poder. Os pelegos dele é que fizeram o movimento em contrário ao nosso.

- O manifesto pró-liberdade de expressão: 

Ontem, mais de 20 mil pessoas já tinham assinado o nosso documento. A semente foi plantada, e agora depende da sociedade. Porque o problema é também de pós-eleição. Repetindo o que já foi dito: se você não vigia, não tem democracia. Deve-se vigiar permanentemente quem governa o país, para que não haja desvios. Seja quem for eleito, independentemente do partido político.
 
- Vê méritos neste governo?

A questão é: o que o governo pretende com sua atuação? Para mim, só autoritarismo.

- O convívio com Lula: 

Sim, mas os tempos mudaram completamente. Ele acabou com as lideranças do partido, e lançou uma pessoa que nem era do partido, tradicionalmente, à presidente. Hoje o PT não tem diferença nenhuma dos outros partidos.

- A opção por Marina Silva:

Entre os candidatos que estão aí, é ela quem tem as melhores condições, do ponto de vista de sua vida, do trabalho que já fez e se propõe a fazer...

Fonte: FOLHA/Josias de Souza

Imprensa brasileira deveria assumir que tem candidato e partido, diz Lula

Em entrevista a portal, presidente se defende de criticas e rebate acusações de autoritarismo

SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a fazer duras críticas à imprensa, rebateu acusações de autoritarismo e reafirmou seu papel de líder partidário simultâneo ao de chefe de Estado, em longa entrevista concedida ao portal Terra, cuja primeira parte foi publicada nesta manhã. Lula sugeriu que a imprensa "deveria assumir categoricamente" que tem candidato e partido, deixando de "vender uma neutralidade disfarçada". O presidente assumiu um tom cauteloso ao responder se Dilma Rousseff (PT) será eleita já no primeiro turno da eleição.

"A imprensa brasileira deveria assumir categoricamente que ela tem um candidato e tem um partido, que falasse. Seria mais simples, seria mais fácil. O que não dá é para as pessoas ficarem vendendo uma neutralidade disfarçada", afirmou o presidente da República.

Questionado sobre os ataques feitos anteriormente à imprensa, Lula disse duvidar "que exista um país na face da terra com mais liberdade de comunicação do que neste País, da parte do governo".

"Agora, a verdade é que nós temos nove ou dez famílias que dominam toda a comunicação desse País. A verdade é essa. A verdade é que você viaja pelo Brasil e você tem duas ou três famílias que são donas dos canais de televisão. E os mesmos são donos das rádios e os mesmos são donos dos jornais...", afirmou o presidente. Para ele, "muita gente" não teria gostado do fato de seu governo ter distribuído os recursos para publicidade para imprensa entre vários Estados brasileiros. "Hoje, o jornalzinho do interior recebe uma parcela da publicidade do governo."

Para Lula, "o que acontece muitas vezes é que uma crítica que você recebe é tida como democrática e uma crítica que você faz é tida como antidemocrática". "Ou seja, como se determinados setores da imprensa estivessem acima de Deus e ninguém pudesse ser criticado", disse o presidente. No entendimento de Lula, "a posição de um presidente é tomada como ser humano, jornalista escreve como ser humano, juiz julga como ser humano. Ou seja, temos um padrão de comportamento e julgamento e, portanto, todos nós estamos à mercê da crítica".

Num trecho da entrevista, o presidente disse que, independentemente de quem seja o futuro presidente da República, um novo marco regulatório de telecomunicações precisa ser discutido. "E as pessoas, ao invés de ficarem contra, deveriam participar, ajudar a construir, porque será inexorável", afirmou. "Discutir isso é uma necessidade da nação brasileira. Uma necessidade dos empresários, dos especialistas, dos jornalistas, ou seja de todo o mundo para ver se a gente se coloca de acordo com o que nós queremos de telecomunicações para o futuro do País."

Sobre as críticas ao seu comportamento como líder partidário, Lula disse que "não é possível o presidente da República agir como magistrado. "Agora, quando chega época de eleição não é possível o presidente da República ficar como magistrado porque eu tenho um lado. Eu tenho um partido e tenho candidato", afirmou. Ao ser questionado se não tem interferido no processo eleitoral ao adotar esse comportamento, o presidente Lula rebateu: "Deveria ser cobrado quem perdeu. Quem não conseguiu fazer o sucessor, porque o sucessor é uma das prioridades de qualquer governo para dar continuidade a um programa que você acredita que vai acontecer".

Lula disse ter medo que o Brasil "sofra um retrocesso" caso sua candidata não seja eleita. "Por isso que eu tenho candidato. Seria inexplicável para a sociedade se eu entrasse numa redoma de vidro e falasse: olha, aconteça o que acontecer nas eleições, o presidente da República não pode dar palpite. Mas nem para escolher o Papa acontece isso", afirmou o presidente.

O presidente mostrou cautela sobre a possibilidade de Dilma vencer a eleição no 1º turno no próximo dia 3. "O que eu acho extremamente importante é que nesse processo eleitoral, a gente precisa primeiro ter muita cautela. Esse é o momento de um time que está ganhando de dois a zero. O adversário está dando botinada, está chutando no peito, está chutando na canela, o juiz não está apitando falta e nós não podemos perder a cabeça, porque o que eles querem é expulsar alguém do nosso time, para a gente ficar em minoria", disse o presidente.

Erenice jogou fora chance de ser uma grande funcionária pública, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a ex-ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra "jogou fora uma chance extraordinária de ser uma grande funcionária pública deste País", na segunda parte da entrevista exclusiva ao portal Terra. Sobre José Serra (PSDB), adversário de sua candidata Dilma Rousseff (PT) nessa eleição presidencial, Lula comentou: "Está hoje na situação em que eu estive nas duas eleições que perdi", destacando que foi muito difícil ser um candidato contra o Plano Real, em 1994.

Apesar da afirmação contra a ex-chefe da Casa Civil, Lula afirmou que as denúncias precisam ser investigadas e disse não acreditar que este episódio possa ter algum impacto no resultado das eleições presidenciais, cuja liderança é de Dilma Rousseff, segundo as pesquisas de intenção de voto. De acordo com o presidente, o povo percebe se essas denúncias estão sendo manipuladas eleitoralmente e percebe também se são verdadeiras. "O povo aprendeu a julgar, isso é uma coisa interessante."

Sobre as críticas da oposição ao seu governo, Lula disse que eles deveriam ficar felizes porque sua gestão ampliou o crédito. "Quando eu deixar a presidência não ficará um bando de miseráveis como eles largaram para mim, mas ficarão milhões de brasileiros que estão ascendendo na sua vida social, na possibilidade de emprego." E alfinetou: "Essas pessoas que são oposição hoje não estavam habituadas a fazer oposição. Tinha alguns que fizeram muito atrás. Já faz tempo que o Serra fez oposição, foi em 1970."

Na entrevista ao portal Terra, Lula falou também do papel "extraordinário" da internet, mas fez ponderou a respeito do microblog Twitter. "Eu acho que o Twitter é uma escravização. Tem gente que acorda duas horas da manhã para ficar tuitando. Tem gente que levanta para falar: ai, acordei, perdi o sono. O que eu tenho a ver com isso? Vai dormir, pô!"

Fonte: Agência Estado

Caetano Veloso chama Lula de 'golpista' e Serra de 'burro e idiota'

Caetano solta o verbo contra governo e contra Serra

O cantor e compositor Caetano Veloso classificou como "golpista" a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que é preciso "extirpar" o DEM da política brasileira, feita durante um comício em Joinville (SC), na semana passada.


"Como é que o presidente da República fala que tem que extirpar um partido? Não pode. O povo brasileiro não pode ouvir isso e não reclamar. E se a imprensa reclamar, vem um idiota dizer que a imprensa é golpista. Golpista é dizer que precisa destruir um partido político que existe legalmente."

As críticas foram feitas à rádio baiana Santo Amaro FM, na última quinta-feira (16), quando esteve no município de Santo Amaro (BA) para a festa de aniversário de 103 anos da mãe dele, Dona Canô.

Para Caetano, o grupo político do presidente "deve sim" explicações sobre a quebra do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB.

Durante a entrevista, Caetano chamou o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, de "idiota" e "burro" por ter tentando associar sua campanha à imagem do presidente no programa eleitoral.

"Serra é um idiota que apareceu com Lula, querendo dizer que está do lado, que é igual a Lula. É burro", disse. Para Caetano, que apoia a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, a oposição deveria ter sido mais articulada.

Questionado sobre o atual momento político brasileira, ele criticou um "populismo um pouco perigoso" no qual "a população fica hipnotizada" e "as pessoas não estão pensando com liberdade e clareza" ao aprovarem "acriticamente" o presidente.

Caetano comparou o momento político com a América Latina nos anos 1940 e 1950, quando o ex-presidente Getúlio Vargas (1930-45 e 1951-54) estava no poder.

"Eu acho uma pobreza, é um atraso, o Brasil não deveria estar mais nessa. [...] Em Salvador eu não vejo o nome dos partidos nas ruas, eu vejo que todo mundo quer aparecer ao lado de Lula. Isso é chato, é pobre".

Apesar das críticas, Caetano disse que admira Lula, "figura histórica importante no Brasil", mas diz não aceitar "ouvir tudo isso que tenho ouvido" dele.

Fonte: FOLHA/MATHEUS MAGENTA

'Alguns veículos de imprensa se comportam como partido político', diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez fortes ataques à imprensa em comício neste sábado em Campinas (SP) e afirmou que alguns veículos de imprensa se comportam como partidos políticos.

"Eu queria pedir para você Dilma e para você Mercadante, não percam o bom humor, deixa eu perder. Eu já ganhei. Se mantenham tranquilo porque outra vez nós não vamos derrotar apenas os nossos adversários tucanos, nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partido político e não tem coragem de dizer que têm partidos políticos, que tem candidatos que não tem coragem de dizer que candidatos, que não são democratas e pensam que são democratas. Democrata é este governo que permite que eles batam."

Lula afirmou que se os donos de jornais e revistas ficariam com vergonha se lessem os jornais e revistas que fazem.

"Tem dia que determinados setores da imprensa brasileira chegam a ser uma vergonha. Se o dono do jornal lesse o seu o seu jornal ou o dono da revista lesse a sua revista, eles ficariam com vergonha do que eles estão escrevendo exatamente neste momento. E eles falam em democracia. A democracia que eles não suportam é dizer que a economia brasileira vai crescer mais de 7% neste ano."

Lula disse que o governo não promove censura, que a imprensa não o tolera e afirmou que os 4% que avaliam o governo como ruim ou péssimo devem estar "na casa do [José] Serra e na casa do [Geraldo] Alckmin".

"Não sou eu [que] vou censurá-los, é o telespectador, é o ouvinte, e é o leitor que vai medir aquilo que é mentira e aquilo que é verdade. Essa gente [da imprensa] não me tolera. É por isso que essa gente, mesmo lendo nas pesquisas de opinião pública e vendo que tem apenas 4% que acham o governo ruim e péssimo. Deve ser na casa do Serra e na casa do Alckmin. Essa gente não tolera."

O presidente voltou a dizer que os pobres do país não precisam mais "do tal formador de opinião pública".

"O que eles não se conformam [é] que um metalúrgico fez mais universidades que todos os presidentes elitistas que passaram por este país e geramos quase 15 milhões de empregos com carteira profissional assinada. O que eles não se conformam é que os pobres não aceitam mais o tal do formador de opinião pública. Eles não se conformam é que os pobres estão conseguindo enxergar com os seus olhos, pensar com a sua cabeça, pensar com sua consciência, andar com as suas pernas e falar com sua boca. Não precisam do tal de formador de opinião pública. Nós somos a opinião pública e nós mesmo nos formamos."

Fonte: FOLHA/ ANA FLOR e MAURÍCIO SIMIONATO

O lulismo, ou a mentira como conforto intelectual

Marcos Guterman

Há pelo menos três boas desculpas para os seguidos escândalos do final do mandato do presidente Lula. A primeira delas é o interesse eleitoreiro da oposição. A segunda é a versão segundo a qual o governo anterior também aprontava. A terceira minimiza os crimes, dando-lhes caráter de coisa comum.

Como toda boa desculpa, os argumentos acima servem somente para burlar a realidade, de modo a relativizar os desmandos da administração lulista, isto é, de modo a diminuir-lhes a importância ante a missão histórica que Lula julga cumprir. Tudo o que interessa, ao fim e ao cabo, é o “bem do povo”. Em nome disso, opera-se uma clara inversão moral: aceita-se como “natural” que haja corrupção, porque, afinal, “todo mundo faz” – e, ademais, a vulnerabilidade da administração pública é vista como problema menor, quando não como mera construção da “oposição golpista”, quando colocada na perspectiva das conquistas sociais do lulismo.

A experiência dos grandes regimes autoritários do século 20 mostra que eles se assentaram em modelos desse tipo. Em torno de um líder carismático, o real dá lugar à retórica, e a história é substituída pela certeza de que o passado não existe senão como prova da necessidade da revolução que o líder opera. É dele que emana o sentido de tudo – e então, aos demais, resta renunciar à razão, já que refletir sobre o real e suas contradições é tarefa que cabe somente ao líder, travestido de profeta.

A experiência desses regimes também mostra que mesmo cidadãos intelectualmente muito preparados aceitam a ideia de que o líder está ali para salvá-los da insegurança da democracia, um regime tão frágil que precisa ser cultivado dia a dia para sobreviver. No Estado autoritário de perfil totalitário, por outro lado, nada é confuso – ao contrário: é confortavelmente lógico. Se o líder determina que algo é verdade, então materializa-se a verdade, mesmo que não seja.

Desse modo, as “verdades” emanadas do líder devem ser defendidas a todo custo, porque permitir que elas sejam negadas, por meio do contraditório, significa desmontar todo o sistema de pensamento sobre o qual se assentam as mentiras usadas justamente para destruir a pluralidade democrática.


Fonte: Marcos Guterman/ O ESTADO DE S PAULO

FHC afirma que Lula virou um chefe de facção

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta terça-feira que o atual ocupante do cargo, Luiz Inácio Lula da Silva, virou um militante e um chefe de uma facção.

Fernando Henrique Cardoso afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, virou um militante e chefe de uma facção/Andrés Cristaldo /Efe

"Isto extrapola o limite do estado de direito democrático", disse FHC em entrevista com militantes do partido transmitida pela internet. Em cerca de 45 minutos, ele passou a maior parte do diálogo criticando Lula.

FHC chegou a citar o ex-ditador italiano Benito Mussolini (1883-1945). "Faltou quem freasse o Mussolini. Alguém tem que parar o Lula."

O ex-presidente também classificou de abuso de poder político e autoritarismo uma declaração feita por Lula, ontem em Santa Catarina, de que é preciso "extirpar" o DEM, ex-PFL, da política brasileira.

"É uma forma incorreta, o presidente da República não pode ser expressar dessa forma", disse.

Segundo ele, por conta dessa declaração poderia haver uma consulta ao STF (Supremo Tribunal Federal).


"Para o equilíbrio dos poderes. O presidente está extrapolando o poder político."

FHC também reclamou do fato de Lula sempre criticá-lo. "O presidente Lula perdeu de mim e ele não engoliu até hoje", disse.

O ex-presidente fez ainda mea culpa ao dizer que seu governo e o PSDB erraram na comunicação. "Se alguma coisa que nós fizemos timidamente foi a comunicação."

Ele criticou a forma como Dilma Rousseff (PT) se comunica e afirmou que um presidente deve saber como dialogar com o povo. "Eu não sei se ela tem algum estilo, talvez tenha nenhum", disse.

Em alguns momentos da entrevista, FHC elogiou José Serra (PSDB) e disse que ele foi um bom ministro da Saúde.

EXTIRPAR

A declaração de Lula em Santa Catarina gerou críticas do DEM.

O presidente emérito do DEM, Jorge Bornhausen, atribuiu os ataques do presidente Lula à ingestão de bebidas alcoólicas antes de comícios.


"Aconselho o presidente Lula a não faltar com a verdade, a não inaugurar obras inacabadas e a não ingerir bebida alcoólica antes dos comícios", afirmou o ex-senador à Folha. "É uma manifestação chavista, incompatível com a democracia."

No discurso de ontem, Lula falou que o DEM "alimentou ódio", em referência a uma frase dita por Bornhausen em 2005, durante o escândalo do mensalão. À época, o dirigente do DEM comentou: "Estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos".

O petista disse ainda que "já sabemos quem são os Bornhausen. Eles não podem vir disfarçados carneiros. Já conhecemos as histórias deles".

Logo após o comício em Joinville (SC), o líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC), filho de Jorge, disse em nota que o presidente, para pronunciar o nome dos Bornhausen dentro de Santa Catarina, "tem que estar são e lavar a boca antes".

O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), disse que Lula agiu de forma "desequilibrada" e "autoritária". "O caminho para extirpar o adversário é na linha da Alemanha nazista. O presidente age de forma autoritária ao invés de deixar o eleitor decidir. Ele teve coragem, numa forma absurda, de sugerir isso em um momento eleitoral."

Maia disse que o DEM não pretende ingressar com ações judiciais contra Lula porque a relação com o presidente é política. "Temos certeza que esse é o caminho para a democracia. Pena que o presidente não ache isso. Veja do que é capaz um líder, mesmo com altas popularidades."

Pai de Rodrigo, o candidato ao Senado pelo Rio, César Maia, adotou o mesmo discurso contra Lula. "Essa é uma expressão muito comum entre os nazistas contra os judeus, extirpar os judeus. Hitler dizia isso cada vez que ia ao palanque", atacou.


"Lula, PT e Dilma deviam se preocupar em extirpar mensaleiros, sanguessugas que, depois de saquearem o dinheiro público, continuam no governo", afirmou o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), em sua página no Twitter.

O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) disse que a frase de Lula veio em um "bom momento" para mostrar à população brasileira os riscos da manutenção do PT no poder. "Está nascendo um déspota. Ele demonstra o viés antidemocrático do governo para o qual o Brasil está caminhando. Espero que a frase sirva de advertência para o povo brasileiro de que esse é o caminho de um partido cínico."


Dilma defende fala de Lula sobre o DEM como 'sobrevivente do processo de extermínio'

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff (PT), saiu em defesa nesta terça-feira da declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que é "preciso extirpar o DEM" e afirmou que é "sobrevivente do processo de extermínio" pregado pelo ex-presidente do partido Jorge Bornhausen.

Dilma disse que, depois da fala de Bornhausen de que o país ficaria "livre dessa raça [PT]" em 2005 após o escândalo do mensalão, os democratas não têm autoridade para rebater os ataques de Lula.


"Para quem falou que ia acabar com a minha raça, porque eu sou do PT, porque eu sou uma sobrevivente do processo de extermínio, não dá para [se] queixar de nada."

Dilma disse que Lula, ao afirmar que é preciso "extirpar" o DEM do país, não teve como objetivo propor o fim da oposição. "Nós estamos falando em luta política, estamos falando que ganharemos no voto. É completamente diferente do que queriam fazer com a gente. Eles queriam ganhar da gente no golpe. Nós não, vamos ganhar no voto."

A candidata disse que, sair vitoriosa em outubro, quem vai "ganhar" são os brasileiros. "Não sou eu que vou ganhar deles. São todos os brasileiros e brasileiras que vão ganhar deles e mais os governadores, os senadores desses 27 Estados."

Fonte: FOLHA/DANIEL RONCAGLIA e MÁRCIO FALCÃO

Lula fala em "extirpar" o DEM da política

Lula diz que o PT enfrenta a "direita raivosa" em Santa Catarina. Deputado Paulo Bornhausen chama Lula de "truculento" e diz que sua retórica é "nazi-fascista"

No fim de agosto, Época mostrou no blog Com Serra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não escondia seu empenho em “passar o rodo” na oposição nas eleições de outubro.

Com a petista Dilma Rousseff desfrutando de larga vantagem sobre seu principal rival, o tucano José Serra, Lula passou a se dedicar à campanha do Senado, onde Dilma, se eleita, pode ter três quintos dos votos, suficientes para aprovar emendas constitucionais. Nesta terça-feira (14), em Santa Catarina, Lula subiu o tom contra a oposição e propôs que o partido Democratas fosse “extirpado” da política brasileira.

Entre o fim da amanhã e o início da tarde, Lula foi a Joinville, no interior de Santa Catarina, participar de evento em apoio à candidatura da senadora Ideli Salvatti (PT) ao governo do Estado. Lula atacou o partido do principal adversário de Ideli, o também senador Raimundo Colombo (DEM), que lidera as pesquisas, e o ex-governador Luiz Henrique, que pertence ao PMDB, atual aliado do PT, mas que se aliou ao DEM.

"Quando Luiz Henrique foi eleito governador de Santa Catarina, eu achei que fosse pra mudar, mas ele trouxe de volta o DEM, que nós precisamos extirpar da política brasileira", afirmou Lula.

Em seguida, Lula atacou a família Bornhausen, que figura entre as principais da política catarinense. "Nós já aprendemos demais, já sabemos quem são os Bornhausen. Eles não podem vir disfarçados de carneiros. Já conhecemos as histórias deles”, disse Lula.

Em discurso inflamado, o presidente relembrou a pressão que seu governo sofreu em 2005, quando atingiu o auge o escândalo de corrupção do mensalão. Na ocasião, Jorge Bornhausen, então senador por Santa Catarina, afirmou que o país "se veria livre dessa raça [os petistas] por 30 anos".

Para Lula, a pressão daquela época é semelhante às pressões que sofreram os ex-presidentes Getúlio Vargas, João Goulart e Juscelino Kubitschek.

"Ideli enfrenta uma direita raivosa, a direita com ódio. É a mesma direita que articulou e levou o Getulio Vargas a dar um tiro no coração, a mesma direita que levou o João Goulart a renunciar e é a mesma direita que disse que Juscelino Kubitschek não podia ganhar, se ganhasse não tomava posse e se tomasse posse não ia governar. Essa mesma direita tentou fazer o mesmo comigo em 2005. E não fez porque eu tinha ingrediente a mais. Eu tinha vocês”, afirmou Lula, lembrando a histórica frase do jornalista e político Carlos Lacerda quando JK aparecia como favorito nas eleições de 1955. "Juscelino não pode ser candidato. Se for, não pode ganhar. Se ganhar, não pode tomar posse. Se tomar posse, deve ser derrubado".


DEM diz que retórica de Lula é "nazi-fascista"

O deputado Paulo Bornhausen (SC), líder do DEM na Câmara e filho de Jorge Bornhausen, divulgou à imprensa uma nota oficial na qual rebate as declarações de Lula também em termos duros.

O parlamentar começou defendendo o nome de sua família e disse que Lula, "para pronunciar o nome dos Bornhausen" em Santa Catarina "teria que estar são e lavar a boca antes". Segundo o deputado, Lula é um "acobertador contumaz da corrupção" do governo e do PT e "não tem moral" para agredir o povo de Santa Catarina. "Foi com essa truculência e com sua retórica nazi-facista que Lula tentou dividir o Brasil em dois países, de pobres e ricos", diz Bornhausen.

Em uma série de acusações contra Lula, Bornhausen afirmou que o presidente tinha um "plano bolivariano de conseguir um terceiro mandato" que só não virou realidade por conta do fim da CPMF, o chamado imposto sobre o cheque, derrubado pelo Senado em dezembro de 2007. Bornhausen não explicou como o terceiro mandato ocorreria, mas disse que o discurso de Lula desta terça mostra a "verdadeira face de protótipo de ditador" do presidente.

Bornhausen afirma que em seus dois mandatos, Lula "aprimorou a prática de desrespeitar as leis e desqualificar os três Poderes da República" e transformou "o Palácio do Planalto em balcão de negócios e de favorecimento a partidos políticos de sua base aliada e aos companheiros de partido e suas famílias".

Por fim, o deputado chama Dilma Rousseff e Ideli Salvatti de "bonecas de ventríloquo" e afirma: "O catarinense vai, mais uma vez, confirmar porque o nosso Estado é exemplo de desenvolvimento e qualidade de vida: porque aqui o PT nunca governou".

Comentário

O Presidente Lula, fez um discurso raivoso e cheio de ódio contra um partido político legal e juridicamente estabelecido.  Esqueceu-se que um Presidente deve ser presidente de todos os brasileiros e não de um único partido político, no caso o PT. Discurso lamentável.




Fonte: Época

Como nunca antes neste país

Editorial de O ESTADO DE S PAULO

Tão profícua tem sido a atuação do presidente Lula na desmoralização das mais importantes instituições do Estado brasileiro, que se torna missão complexa avaliar o que efetivamente tem sido realizado nesse campo, aí sim como nunca antes neste país. Como a lista é longa, melhor ficar nos exemplos mais notórios.

O presidente Lula desmoralizou o Congresso Nacional ao permitir que o então chefe de seu Gabinete Civil, o trêfego José Dirceu, urdisse e implantasse um amplo esquema de compra de apoio parlamentar - o malfadado mensalão. Essa bandidagem custou ao chefe da gangue o cargo de ministro. Mas seu trânsito e influência dentro do governo permanecem enormes, com a indispensável anuência tácita do chefão.

Denunciado o plano de compra direta de apoio de deputados e senadores, o governo petista passou a se compor com toda e qualquer liderança disposta a trocar apoio por benesses governamentais, não importando o quanto de incoerência essas novas alianças pudessem significar diante do que propunha, no passado, a aguerrida ação oposicionista de Lula e de seu partido na defesa intransigente dos mais elevados valores éticos na política. Daí estarem hoje solidamente alinhadas com o governo as mais tradicionais oligarquias dos rincões mais atrasados do País - os Sarneys, os Calheiros, os Barbalhos, os Collors de Mello, todos antes vigorosamente apontados pelo lulo-petismo como responsáveis, no mínimo, pela miséria social em seus domínios. Essa mudança foi recentemente explicada por Dilma Rousseff como resultado do "amadurecimento" político do PT.

O presidente Lula desmoralizou a instituição sindical ao estimular o peleguismo nas entidades representativas dos trabalhadores e, de modo especial, nas centrais sindicais, transformadas em correia de transmissão dos interesses políticos de Brasília.

O presidente Lula tentou desmoralizar os tribunais de contas ao acusá-los, reiteradas vezes, de serem entrave à ação executiva do governo por conta do "excesso de zelo" com que fiscalizam as obras públicas.

O presidente Lula desmoralizou os Correios, antes uma instituição reconhecida pela excelência dos serviços essenciais que presta, ao aparelhar partidariamente sua administração em troca, claro, de apoio político.

O presidente Lula desmoralizou o Tribunal Superior Eleitoral, e, por extensão, toda a instituição judiciária, ao ridicularizar em público, para uma plateia de trabalhadores, multas que lhe foram aplicadas por causa de sua debochada desobediência à legislação eleitoral.

Mas é preciso reconhecer que pelo menos uma lei Lula reabilitou, pois andava relegada ao olvido: a lei de Gerson. Aquela que, no auge do regime militar e do "milagre brasileiro", recomendava: o importante é levar vantagem em tudo. Esse sentimento que o presidente nem tenta mais disfarçar - tudo está bem se me convém - só faz aumentar com o incremento de seus índices de popularidade e sinaliza, por um lado, a tentação do autoritarismo populista, enquanto, por outro lado, estimula a erosão dos valores morais, éticos, indispensáveis à promoção humana e a qualquer projeto de desenvolvimento social.

O presidente vangloria-se do enorme apoio popular de que desfruta porque a economia vai bem. Indicadores econômicos positivos, desemprego menor, os brasileiros ganhando mais, Copa do Mundo, Olimpíada. É verdade, mesmo sem considerar que Lula e o PT não fizeram isso sozinhos, pois, embora não tenham a honestidade de reconhecê-lo, beneficiaram-se de condições construídas desde muito antes de 2002 e também de uma conjuntura internacional política e, principalmente, econômica, que de uma maneira ou de outra acabou sendo sempre favorável ao Brasil nos últimos anos.

Mas um país não se constrói apenas com indicadores econômicos positivos. São necessárias também instituições sólidas, consciência cívica, capacidade cidadã de avaliar criticamente o jogo político e as ações do poder público. Nada disso Sua Excelência demonstra desejar. Oferece, é verdade, pão e circo. Não é pouco. Mas é muito menos do que exige a dignidade humana, senhor presidente da República!

Fonte: O EDTADO DE S PAULO

''O presidente Lula passou dos limites''

ENTREVISTA: José Álvaro Moisés, cientista político e professor da USP

O cientista político José Álvaro Moisés afirma que a atitude do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso das violações de sigilos fiscais é preocupante para a democracia no Brasil - porque estaria sinalizando que a vontade dos detentores do poder fica acima do primado da lei.

Para o especialista, professor da Universidade de São Paulo e diretor científico do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas daquela instituição, Lula confunde o papel de primeiro mandatário brasileiro com o de militante petista, responsável pela indicação de Dilma Rousseff como candidata à sua sucessão. Essa confusão de papéis pode dificultar as investigações sobre o episódio.

Como o senhor viu a presença do presidente Lula no horário de propaganda eleitoral gratuita, assumindo o papel de escudo da candidata Dilma Rousseff frente às suspeitas de envolvimento do PT no caso de quebra de dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB? Isso não pode causar a impressão de que o primeiro mandatário do País tomou partido frente a uma questão que vai além do debate eleitoral?

Sim. O presidente não tem tido cuidado, no processo eleitoral, de fazer distinção entre os papéis de presidente da República e de militante do PT responsável pela indicação de Dilma Rousseff como candidata à sua sucessão. Ele tem direito, como cidadão, de participar da campanha, desde que separe os papéis. Deveríamos lembrar o que ocorreu em 2002, durante a campanha que resultou na primeira eleição de Lula. O presidente Fernando Cardoso, apesar de apoiar o então candidato José Serra, teve cuidado para separar completamente as coisas, não misturar as funções. O presidente Lula não está tendo esse cuidado agora, assim como não teve em outros momentos de seu mandato.

Quais momentos?

Podemos citar as vezes nas quais desqualificou procedimentos do governo denunciados pelo Tribunal de Contas da União. Mais recentemente, ao ser multado pelo Tribunal Eleitoral, por fazer confusão entre sua função presidencial e a de dirigente do PT, ele praticamente menosprezou as decisões. Essas não são boas indicações. Elas sinalizam que, uma vez no cargo de primeiro mandatário, você pode misturar e confundir as coisas, pode ficar acima do que a lei estabelece.

O senhor não estaria sendo exagerado nas suas preocupações? Afinal, acaba de citar dois tribunais que estão funcionando e exercendo suas funções, numa comprovação de que a democracia anda normalmente.

Não há exagero. É extremamente importante discutir essas questões porque, embora estejamos numa democracia, o império da lei ainda não está inteiramente estabelecido no Brasil. Essas sinalizações dadas pelo presidente mostram que ele não leva em conta a ideia de que a democracia é o governo da lei e não o governo dos homens. Esse é um momento muito importante, porque envolve uma coisa crucial para a democracia, que é a violação do direito individual. Não estamos falando apenas dos dados da filha do Serra e do vice-presidente do PSDB, mas sim de milhares de pessoas. Fiquei indignado quando abri o jornal e li as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, autojustificando, em certo sentido, as violações, porque já teriam ocorrido outras vezes.

O que se deveria esperar de alguém no cargo dele?

Eu esperaria que o ministro e o presidente da República viessem a público para dizer que medidas estariam sendo tomadas em face dos crimes de violações que afetam direitos individuais garantidos na Constituição - a questão do direito individual é uma cláusula pétrea da Constituição do Brasil. Mas ninguém disse uma palavra sobre isso. Pelo contrário, houve um esforço para blindar a candidata e dizer que, uma vez que já ocorreu em outras ocasiões, é normal que continue ocorrendo. Eu digo: não é normal. Especialmente no governo de um partido que pretendia reorganizar a política no Brasil, com uma resposta republicana. Penso que nesse caso o presidente Lula passou dos limites.

Se o presidente misturou de fato os papéis, isso poderia de alguma maneira atrapalhar as investigações sobre o caso? Os funcionários encarregados desse trabalho poderiam ver na mensagem do primeiro mandatário um sinal de que não é lá tão importante assim aprofundar a investigação?

Eu me preocupo com isso. No Brasil, a função de presidente, pelo prestígio, pelos recursos que tem e até mesmo pelo ritual do exercício do cargo, tem uma influência muito forte na sociedade. Aqui se valoriza muito a pessoa do primeiro mandatário, com uma certa ideia de que ele pode tudo. Vivemos em um meio com um forte elemento de personalização das relações de poder. Daí a necessidade de um cuidado ainda maior para se separar as funções. Se o Lula não faz isso, ele sinaliza que o desmando cometido por alguém, não importa o tamanho desse desmando, pode ser autorizado por alguém lá de cima, alguém que chega e diz que o caso não tem importância nenhuma. É uma situação que me faz lembrar aquilo que dizem que Getúlio Vargas dizia, quando governava: para os inimigos a lei e para os nossos, o tratamento que quisermos dar. Isso diminui e desqualifica a democracia.

Voltamos à questão anterior, sobre o funcionamento das instituições democráticas.

Não acho que está em questão se temos democracia. Nós temos. O que está em questão é a qualidade da democracia. Não se pode ter durante dois ou três anos um presidente que faz campanha eleitoral ao mesmo tempo que exerce as funções de primeiro mandatário. Essa separação é muito importante.

Na sua opinião, o comportamento do presidente, que desfruta de alta popularidade, é negativo para a democracia?

O presidente Lula, particularmente neste último período de governo, tem dado uma contribuição negativa para a cultura política do País. Tudo bem ele dizer que é um brasileirinho igual a você que chegou lá. Os elementos virtuosos da personalidade política não devem ser confundidos, porém, com a função presidencial. Ela tem regras, dispositivos constitucionais, que devem ser aceitos por quem quer que exerça o cargo.

Ele não deveria ter feito declarações sobre o caso na TV?

O presidente Lula poderia ter ido à TV dar explicações, dizer que a sua candidata não tem nada a ver com isso e que a oposição está explorando o fato. Mas também deveria ter admitido os erros e dizer que medidas está tomando para corrigi-los. O escárnio dele é de tal ordem que dias atrás perguntou: "Onde está esse tal de sigilo". Esse comportamento é agravado pela popularidade dele, pela sua enorme responsabilidade. Sigilo é muito relevante para a democracia. Sinaliza o primado da lei, que não deve ser usada arbitrariamente de acordo com a vontade do presidente.

O senhor não estaria sendo muito purista em relação à chamada liturgia do cargo?

Não. A liturgia do cargo ajuda a sinalizar o respeito que a autoridade tem para quem é devido o respeito - os eleitores. Isso é central para as democracias. Eu duvido que em qualquer outro país de democracia consolidada, ao ocorrer um fato dessa natureza, o ministro venha a público para se justificar e não para se desculpar. Qualquer um de nós pode cometer erros e se desculpar. Eu posso citar um autor errado numa das minhas aulas e, mais tarde, ao descobrir o erro, me desculpar perante os alunos e corrigir o erro. Uma autoridade também pode vir a público reconhecer um erro e anunciar que está tomando medidas para corrigi-lo, medidas baseada na lei, nas regras do funcionalismo. Mas o que vimos foi o ministro vir a público para se justificar, com aquele argumento, que insisto, é inaceitável. Mais uma vez querem passar a ideia de que não há nada a ser feito.

Por que mais uma vez?

Isso já aconteceu no episódio do mensalão, quando passaram a mão na cabeça dos envolvidos no caso.


QUEM É

Mestre em política e governo pela University of Essex e doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP), é professor titular do Departamento de Ciência Política e diretor científico do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP. Sua experiência tem ênfase em teoria democrática e comportamento político. Entre os livros de análise política que escreveu está Os brasileiros e a democracia.


Fonte: O ESTADO DE S PAULO/Roldão Arruda

Lula e Sérgio Cabral, filmados por rapaz de 17 anos, viram hit na internet

Jovem de 17 anos expõe Lula e Cabral

Vídeo postado ontem no Youtube mostra o presidente Lula e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, em uma situação embaraçosa com um garoto de, supostamente, 17 anos, que se apresenta como Leandro. Em um dia, o vídeo já teve mais de 3,2 mil visualizações.

O rapaz aparece reclamando para Lula que não pode jogar tênis no complexo esportivo que recebia a visita do presidente, no Rio, ao que Lula responde: "tênis é esporte da burguesia".

Leandro aparece dizendo a Lula que não pode nadar porque a piscina do local fica fechada durante os finais de semana. O presidente, então, recomenda a Cabral e sua equipe que coloquem duas pessoas para trabalhar lá aos finais de semana. "O dia que a imprensa vier aí e vir isso fechado, o prejuízo político é infinitamente maior do que colocar dois guardas aí", diz Lula.

Abraçado ao presidente, o rapaz conta que acorda com o "caveirão" (veículo blindado da Polícia Militar do Rio de Janeiro) na porta de casa. Nesse momento Sérgio Cabral interrompe perguntando "lá não tem tráfico não?" E, ao ouvir a resposta negativa do jovem, o governador diz: "deixa de ser otário, está fazendo discurso de otário".


Comentário
Por isto que este país está na merda. Um cidadão é ridicularizado pelas mais altas autoridades. VERGONHA

Fonte: FOLHA/MARCOS DE VASCONCELLOS

Lula considera polêmica com Uribe 'superada'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera “superada” a polêmica com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.

Por meio de um comunicado divulgado na quinta-feira, Uribe havia afirmado “deplorar” as declarações de Lula, que antes havia descrito a crise diplomática entre Venezuela e Colômbia como algo que não vai além de um “enfrentamento verbal”.

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