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Seis razões para não deixar o Irã ter a bomba

Christopher Hitchens

Perdi a conta do número de colunas publicadas neste mês sobre a possibilidade de um ataque israelense às instalações nucleares secretas do Irã. As especulações não devem parar, pois a Rússia continua com sua política de ajudar Teerã a acelerar seu programa de reatores e as sanções contra o regime de Mahmoud Ahmadinejad tiveram um progresso de milímetros. A contribuição mais significativa da mídia veio do meu amigo Jeffrey Goldberg, na capa da revista The Atlantic.

A partir da leitura desse artigo, dá para ter certeza de uma coisa: o governo do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, quer deixar claro que, na ausência de uma decisão dos Estados Unidos, seu país pode e vai organizar um ataque em um futuro não muito distante. Para o gabinete de Netanyahu, uma bomba iraniana é incompatível com a sobrevivência a longo prazo do Estado israelense e até do povo judeu.

Seria uma pena se o debate continuasse a ser conduzido nesses termos relativamente estreitos. Uma frase do texto de Goldberg ilustra o que quero dizer:

“Israel, disse-me Netanyahu, está preocupado com vários problemas, não somente que o Irã, ou um de seus procuradores, destrua Tel Aviv.”

Por que Tel Aviv? É a cidade mais secular, moderna e sexualmente tolerante de Israel, o que poderia torná-la alvo da ira apocalíptica dos mulás. Mas é também o lar de muitos árabes e muçulmanos, assim como as cidades costeiras vizinhas a ela. E, como eu nunca me canso de observar, ainda não foi inventada nenhuma arma de destruição em massa que possa fazer distinção com base em religião ou etnia.

Na ausência de uma decisão dos Estados Unidos, Israel pode e vai organizar um ataque ao Irã

Então, por que Netanyahu não disse Jerusalém, que ele e seu partido consideram ser a verdadeira capital de Israel? Certamente porque isso iria imediatamente levantar a questão sobre se a teocracia iraniana realmente pretende atingir o Domo da Rocha (o terceiro local mais sagrado para o islã) e outros pontos de veneração muçulmana. Isso sem falar sobre o número de palestinos que seriam mortos em um ataque desse tipo. Há algo de sectário, quase racista, na forma como esse aspecto da questão sempre é deixado de lado.

Enfim, se o Irã conseguir se tornar uma potência nuclear, vai acontecer o seguinte:

1) A lei internacional e a liderança das Nações Unidas vão estar irremediavelmente arruinadas. Os mulás terão quebrado todas as promessas solenes que já fizeram: à Agência Internacional de Energia Atômica; à União Europeia, que até agora foi sua principal interlocutora nas negociações; e às Nações Unidas.

2) A Guarda Revolucionária, que no ano passado abriu seu caminho a tiros e estupro rumo a um poder quase absoluto no Irã, é também a guardiã do programa ilegal de armas. A consumação desse projeto reforçaria a face mais agressiva do regime.

3) O poder da Guarda de projetar a violência para fora das fronteiras do Irã seria aumentado. Ficaria mais difícil conter qualquer subversão da democracia libanesa pelo Hezbollah, qualquer ataque de míssil contra Israel ou qualquer conluio iraniano com os talebans se isso envolvesse confronto com um país atômico.

4) A mesma poderosa ambiguidade estratégica se aplicaria no caso de qualquer avanço iraniano sobre um estado árabe sunita vizinho no Golfo Pérsico, como o Bahrein.

5) Nunca se chegará a um acordo na disputa Israel-Palestina. Os palestinos refratários vão ser mais ainda os procuradores de um regime que conclama a eliminação de Israel, e os judeus refratários vão acreditar ainda mais que fazer concessões seja uma perda de tempo.

6) O conceito de “não proliferação nuclear”, tão caro aos bem-pensantes, irá direto para os livros de história, junto com a Liga das Nações.

Esses, então, são alguns dos preços a pagar por não desarmar o Irã. Não é óbvio que o interesse internacional em enfrentar essa questão deva ser muito mais forte que qualquer cálculo político no gabinete de Netanyahu?

Fonte: Época

Plano de ataque ao Irã está pronto, diz chefe do Estado-Maior dos EUA

Ação seria tomada se país produzir uma arma nuclear. Michael Mullen diz que ataque teria consequências não desejadas.

O chefe do Estado-Maior americano assegurou neste domingo (1º) que um plano de ataque dos Estados Unidos contra o Irã está pronto para ser usado, caso Teerã produza a arma nuclear, mas que está "extremamente preocupado" com as consequências que uma ofensiva como essa pode ter.

Uma ação militar contra o Irã poderá ter "consequências não desejadas que são difíceis de prever em uma região tão incrivelmente instável", declarou o almirante Michael Mullen à rede NBC.

Contudo, os Estados Unidos não podem deixar Teerã ter a arma nuclear, acrescentou. "Para ser muito franco, qualquer uma das opções me preocupa muito", reconheceu.

Ele se disse "otimista" em relação aos esforços diplomáticos da comunidade internacional e às sanções impostas ao Irã, que, segundo ele, levarão a República Islâmica a abandonar seu programa de enriquecimento de urânio.

Apesar disso, "as opções militares estão sobre a mesa e permanecem sobre ela". "Espero que não tenhamos que utilizá-las, mas elas são importantes e bem conhecidas", acrescentou o almirante Mullen.

Teerã afirma que seu programa de enriquecimento de urânio possui fins civis e pacíficos.

Fontes: G1- AFP

Mundo tem que decidir se vai aceitar o Irã com bomba, diz especialista

Sanções são limitadas, diz analista que atuou no Conselho de Segurança. Para Heni Ozi Cukier, voto contrário do Brasil demonstra 'viés ideológico'.

A aprovação de uma nova rodada de sanções – a quarta – contra o programa nuclear iraniano pelos países que compõem o Conselho de Segurança da ONU é menos uma solução para o problema e mais a construção de um consenso para o próximo passo, que pode ser o uso de força militar, afirma o professor de relações internacionais Heni Ozi Cukier.

“O que pode acontecer agora, no máximo, é eles [iranianos] acelerarem o programa nuclear por sentir que o cerco está se fechando. O intuito é ganhar tempo, e é o que estão fazendo há dez anos e vão continuar até terem a bomba atômica. O que o mundo tem que decidir agora é: ‘Vamos aceitar o Irã com bomba atômica ou impedir isso usando a força?’”, disse por o professor, que é mestre Resolução de Conflitos Internacionais pela American University, de Washington.

Na opinião de Cukier, que já atuou no Conselho de Segurança da ONU, a aprovação de resoluções com novas sanções têm um efeito limitado, difíceis de aplicar na prática, e um significado simbólico de pressão política e construção de consenso.

Ele destaca, no entanto, com um dos pontos importantes da resolução aprovada nesta quarta pelo conselho a proibição da venda de armas como uma das medidas de maior impacto até aqui. “É uma sanção mais difícil de burlar, que implica na venda dos mísseis que o Irã comprou da Rússia, os S-300”, diz.

Brasil

No que diz respeito ao voto contrário do Brasil, o professor de relações internacionais da ESPM afirma que o país demonstrou “imaturidade” ao lidar com o assunto.

“Se até os aliados iranianos como China e Rússia votaram a favor, o Brasil votar contra não tem sentido. O Irã está descumprindo normas internacionais, e não são os EUA que dizem isso. Se o Brasil votasse a favor não estava indo em direção ao que os EUA querem, mas andando junto com a comunidade internacional, com a ONU e com a AIEA [Agência Internacional de Energia Atômica], que dizem que o Irã viola suas obrigações.”

Na opinião de Curkis, a política externa brasileira tem revelado um “viés ideológico” e “quase que uma obsessão” em tentar mostrar posições autônomas. O analista vê ainda na posição brasileira marcas de “ambições pessoais do presidente Lula de se mostrar com interlocutor mundial e outro status que ainda não detém, relacionado aos conflitos internacionais.”


Fontes: G1/Amauri Arrais - TV Globo

Sanções ao Irã 'enfraquecem' Conselho de Segurança, diz Lula

Presidente comentou decisão do conselho durante visita a Natal. Lula disse que espera que presidente do Irã permaneça tranquilo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (9), após a inaugurar um aeroporto em Natal, no Rio Grande do Norte, que as novas sanções determinadas pelo Conselho de Segurança da ONU ao Irã enfraquecem a entidade. O Conselho determinou, com os votos contrários de Brasil e Turquia, novas medidas contra o Irã.

" É um episódio (sanções) que enfraquece o Conselho de Segurança das Nações Unidas. O Conselho de Segurança representa uma correlação de forças de 1948 quando foi criado", afirmou o presidente.

Lula ainda defendeu a ampliação do Conselho, com a inclusão de novos membros, especialmente da América Latina, Ásia e África,

"A geografia econômica do mundo mudou, e queremos que a ONU tenha gente da América Latina, da Ásia", disse Lula.

Lula ainda afirmou que os atuais integrantes permanentes - Estados Unidos, Inglaterra, França, China e Rússia -se sentem "donos do Conselho". O Brasil é um membro rotativo do Conselho.

"Eu fico triste porque todo mundo do Conselho é favorável a fazer a reforma. Todo mundo diz que o Brasil deve ser parte do Conselho, mas isso já faz 17 anos. Eu, sinceramente, espero que o Ahmadinejad permaneça tranquilo. Eu conversei muito com o primeiro-ministro da Turquia e decidimos votar contra porque temos nosso nome em um acordo", afirmou Lula.

O presidente ainda lembrou do ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, ao classificar a decisão do Conselho

"Foi uma vitória de Pirro, como diria o nosso saudoso Leonel Brizola", disse o presidente.

Vitória de Pirro é uma expressão que explica uma vitória obtida a um alto custo, que pode gerar prejuízos irreparáveis. A expressão tem origem em Pirro, general grego que após vencer uma batalha contra os Romanos, com um número considerável de baixas, teria dito: "Mais uma vitória como esta, e estou perdido."

Brasil ainda tem papel diplomático importante no caso Irã, afirma Hillary


A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, acena para jornalistas nesta quarta-feira (9) em Bogotá, ao lado do presidente da Colômbia, Alvaro Uribe. (Foto: Reuters)

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, elogiou nesta quarta-feira (9) o papel diplomático do Brasil na questão nuclear iraniana, apesar de a posição brasileira ter sido derrotada com a aprovação de novas sanções a Teerã pelo Conselho de Segurança da ONU.

Hillary disse que o Brasil e a Turquia devem ter papéis nas futuras negociações com o Irã, apesar de terem votado contra as sanções.

"No atual esforço diplomático com o Irã, acho que Turquia e Brasil vão continuar tendo um papel importante", disse a diplomata durante visita a Bogotá, capital da Colômbia.

Turquia e Brasil votaram contra porque defendiam acordo fechado com Teerã no mês anterior, pelo qual o governo iraniano comprometia-se a enviar urânio para ser enriquecido fora do país. As potências mundiais, lideradas pelos EUA, reagiram com ceticismo ao acordo, avaliando que se tratava apenas de uma estratégia de Teerã para "ganhar tempo".



Fonte: G1/Iara Lemos - TV Globo - Agências

"Sanções da ONU vão direto para o lixo", diz Ahmadinejad

Autoridades iranianas ainda afirmam que medidas não interromperão programa nuclear


Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em Istanbul; hoje, no Tadjiquistão, ele condenou a quarta rodada de sanções aprovada contra o Irã/Bulent Kilic/AFP

Em resposta à aprovação de uma nova rodada de punições contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU, o presidente da República Islâmica, Mahmoud Ahmadinejad, disse que as sanções são "sem valor algum" e "devem ir direto para a lata do lixo, como um lenço usado".

"Estas resoluções não valem um centavo para a nação iraniana", declarou Ahmadinejad à agência estatal Irna, no Tadjiquistão.

A quarta rodada de sanções aprovada nesta quarta-feira por 12 votos a favor, dois contra (Brasil e Turquia) e uma abstenção, do Líbano, deve isolar ainda mais o país do restante da comunidade internacional, disse o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao comentar o resultado.

Ainda reagindo ao anúncio das novas sanções, o governo iraniano afirmou que não irá suspender as atividades de enriquecimento de urânio, mesmo com as novas punições.


"Nada vai mudar. A República Islâmica do Irã vai manter suas atividades de enriquecimento de urânio", disse Ali Asghar Soltanieh, enviado do Irã na AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), com sede em Viena, logo depois da aprovação da medida na ONU, em Nova York.

Anteriormente, o Irã já havia rejeitado a aprovação do pacote de sanções, dizendo que a medida é "errada" e deve piorar a crise, de acordo com a rede de TV iraniana Al Alam.

"A resolução foi uma medida errada (...), não é um passo construtivo para resolver a questão nuclear. Isso tornará a situação mais complicada", disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Ramin Mehmanparast, logo após a aprovação.

O documento foi aprovado nesta quarta-feira pelo Conselho de Segurança com 12 votos a favor, apesar de Brasil e Turquia votarem contra a resolução.

Na abertura da sessão, que começou com mais de uma hora de atraso, às 12h15 (horário de Brasília), a embaixadora brasileira da ONU, Maria Luiza Viotti, afirmou que, "na nossa visão", a resolução "atrasará, em vez de acelerar, uma solução para a questão".

O Líbano se absteve de votar. Os outros 12 países do Conselho de Segurança foram favoráveis, aprovando a quarta rodada de sanções contra o Irã desde 2006.

As novas sanções devem vetar investimentos exteriores iranianos em atividades e instalações relacionadas com a produção de urânio, serão estabelecidas restrições na venda de armas convencionais ao Irã. Além disso, o país será proibido de fabricar mísseis balísticos com capacidade de carregar ogivas nucleares.

Também deve haver novas restrições às operações financeiras e comerciais com o Irã, além do reforço do regime de inspeções das cargas dos navios e aviões iranianos para evitar que burlem o embargo internacional.

Isolamento

Após o resultado da votação dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou que a República Islâmica deve ficar mais cada vez mais isolada enquanto o governo iraniano "seguir ignorando" as regras internacionais do TNP.

Em pronunciamento em Washington, o presidente americano deixou claro que a aprovação do novo pacote de sanções -- defendido e impulsionado em grande parte pelos Estados Unidos -- "não fecha a porta da diplomacia" entre o Ocidente e Teerã, mas demonstra que toda "ação tem consequências" e nesta quarta-feira o governo do Irã "sofre as consequências" de suas atitudes.

Os EUA consideram que o Irã coloca em risco a segurança regional do Oriente Médio, criando tensões com seus vizinhos, declarando ameaças -- numa clara referência a Israel -- "patrocinando grupos terroristas", e dando prosseguimento ao seu polêmico programa nuclear.

"O governo do Irã precisa entender que a segurança de seu povo não será garantida por meio de seu programa nuclear", disse Obama.

"O aumento de tensão no Oriente Médio não é do interesse de ninguém", disse Obama, mas o Irã "precisa entender" que com direitos vêm obrigações, e que Teerã deve respeitar os tratados internacionais sobre a produção e utilização de energia nuclear.

Barack Obama defendeu a implementação das novas sanções -- as mais restritivas já aplicadas ao Irã -- dizendo que Teerã "não conseguiu provar à comunidade internacional" que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

Mais cedo, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, chegou a afirmar que as sanções contra a República Islâmica seriam "ineficazes", citando como exemplo a Coreia do Norte, que anunciou o total funcionamento de seu programa nuclear mesmo após as punições recebidas pela ONU.

Em resposta, Obama disse que os EUA "sabem que o Irã não mudará seu comportamento de um dia para o outro", e que a comunidade internacional deve manter as portas da diplomacia abertas.

Fontes: FOLHA - Agências

O que vem depois da resolução contra o Irã?

Gustavo Chacra

A quarta rodada de sanções foi aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU. Acabei de acompanhar a votacao aqui nas Nações Unidas. Foram 12 votos a favor, incluindo os dos cinco membros permanentes do conselho. Apenas Brasil e Turquia votaram contra. O Libano se absteve.

É clima de final de Copa, de última dia de aula. E, uma vez aprovadas as sanções, fica a pergunta – e agora? O que vem depois? Será que o regime iraniano cairá? Bom, ainda que isso aconteça, não muda muito. Afinal, quando o presidente era Mohammad Khatami, um moderado para os padrões iranianos, o programa nuclear estava a toda. Os atuais líderes da oposição tampouco se posicionaram contra esta questão.

Na verdade, todos sabem que o Irã pretende desenvolver a bomba. O enriquecimento de urânio serve apenas para duas coisas. Pode ser para fabricar uma bomba ou usar para a produção de energia. No segundo caso, é necessário possuir uma usina. O Irã tem, mas elas funcionam apenas com combustível nuclear russo. E continuará assim, segundo acordo entre os dois países. Caso contrário, Moscou retirará a assistência técnica e os iranianos não terão como operar.

Tampouco há usinas totalmente iranianas em construção. E, como sabemos por Angra, não é de um dia para o outro que elas ficam prontas. O reator médico de pesquisas é estranho. Afinal, ele é oito vezes maior do que qualquer outro existente no mundo.

Logo, o regime de Teerã está disposto a produzir armas atômicas. Não há dúvida sobre esta questão. Pela lógica realista, que eu sigo, é natural o Irã querer ter uma bomba. Os Estados Unidos invadiram e destruíram o Iraque, na sua fronteira ocidental, e o Afeganistão, na oriental. Como impedir os americanos de fazerem o mesmo com os iranianos? Basta seguir o exemplo da Coréia do Norte e do Paquistão. Construa a bomba que, automaticamente, haverá uma forma de dissuadir o seu adversário.

A comunidade internacional tenta pela quarta vez intensificar as pressões. Também já buscaram retirar o Irã do isolamento com ofertas até para entrar na Organização Mundial do Comercio. Nada funcionou. Existe ainda a possibilidade de uma ação militar, mas esta é arriscada.

Muitos já dizem que os países membros aceitam um Irã nuclear. Já ouvi de especialistas sérios que as resoluções seriam apenas para, acreditem, Teerã ganhar tempo e conseguir a sua bomba antes de Israel optar por uma ação unilateral. Isto é, as sanções seriam para acalmar os israelenses, que se sentem ameaçados pelos possíveis armamentos nucleares iranianos no futuro.

Conselho de Segurança da ONU aprova quarta rodada de sanções contra o Irã

Medidas receberam 12 votos a favor e apenas três contra

NOVA YORK - O Conselho de Segurança da Organização das das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta quarta-feira, 9, uma nova resolução que impõe sanções ao Irã por conta do controvertido programa nuclear deste país.

"O Conselho assumiu suas responsabilidades. Agora o Irã deve escolher um caminho mais sábio", disse a representante americana no Conselho, Susan Rice. Os EUA foram o país que mais pressionou pela aplicação da resolução no Conselho.

O pacote de sanções aprovado pelo Conselho é o quarto aplicado contra o Irã. As medidas são uma resposta do órgão à resistência da República Islâmica em paralisar seu programa nuclear e à falta de cooperação do país com as investigações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

A nova resolução prevê restrições contra a Guarda Revolucionária do Irã, o sistema de mísseis do país e o congelamento de investimentos ligados ao enriquecimento de urânio. Todos os carregamentos de exportação com o Irã como destino também serão submetidos a uma fiscalização masi rigorosa.

Reunião do Conselho de Segurança nesta quarta-feira (9). (Foto: Reuters)

Votos

Dos 15 membros do órgão, 12 votaram a favor das medidas. Apenas Brasil, Turquia e Líbano deram pareceres contraa resolução. Nenhum dos membros permanentes do Conselho - Rússia, China, EUA, França e Reino Unido - votou contra.

Os embaixadores do Brasil e da Turquia no Conselho de Segurança pediram que o órgão votasse contra as sanções ao Irã, mas os esforços foram em vão. A embaixadora brasileira, Maria Luiza Ribeiro Viotti, disse aos outros membros que o Brasil "não vê as sanções como uma meio efetivo" no caso do Irã.

A votação estava marcada para às 11 horas, mas foi atrasada porque Brasil e Turquia procuram saber de instruções de suas capitais sobre seus votos. Os dois países, junto do Líbano, deixaram claro que dificilmente apoiariam a rodada de sanções contra Teerã.

O Líbano indicou aos seus companheiro de conselho que iria provavelmente se abster pelo fato de que o grupo militante libanês apoiado pelo Irã, Hezbollah, está em seu governo, disseram diplomatas. Brasil e Turquia, entretanto, podem se abster ou votar contra a resolução, eles acrescentaram.

Ancara e Brasília disseram que um acordo de troca nuclear que eles obtiveram no Irã no mês passado fez com quem futuras sanções contra a República Islâmica do Irã fossem desnecessárias.

As Medidas

A lista negra do rascunho das sanções inclui 41 instituições além do diretor de um centro nuclear iraniano, Javad Rahiqi, segundo fontes diplomáticas.

Aqueles incluídos na lista negra da ONU por laços suspeitos com os programas nuclear e de mísseis do Irã podem enfrentar limitações em viagens internacionais e congelamento de bens.

O esboço da resolução foi resultado de meses de conversas entre Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, China e Rússia. As quatro potências queriam medidas mais duras, mas China e Rússia trabalharam para suavizar as propostas.

Tradicional aliada dos iranianos, a Rússia concordou em aplicar as sanções depois que as potências ocidentais excluíram as vendas de mísseis russos S-300 ao Irã do pacote. As sanções também não afetam as exportações do petróleo iraniano para a China, o que facilitou a adesão dos chineses.

As medidas contra o Irã incluem, segundo fontes diplomáticas:

- Limitação das transações bancárias de instituições iranianas no exterior;

- Vigilância sobre transações de bancos iranianos, inclusive do Banco Central;

- Embargo ao comércio de armas com Irã;

- Restrições a pessoas, empresas e entidades ligadas à Guarda Revolucionária.

A discussão sobre as sanções começou um dia após o Irã assinar, em 17 de maio, um acordo para enriquecer combustível nuclear em território turco. O pacto foi costurado por Brasil e Turquia, baseado nas propostas feitas originalmente pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), da ONU.

Nesta quarta-feira, fontes diplomáticas disseram que os Estados Unidos, a França e a Rússia enviaram correspondência à AIEA rejeitando o acordo costurado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro-ministro turco, Racep Tayyip Erdogan, e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Embaixadora brasileira faz comparação com o Iraque

A embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Ribeiro Viotti, vota contra a resolução do Conselho de Segurança da ONU/Emmanuel Dunan/AFP

A embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Ribeiro Viotti, fez um discurso momentos antes da votação e justificou a posição contrária do país ao pacote de medidas.

Ela disse que o país não vê as sanções como um instrumento adequado para lidar com o Irã.

- Experiências passadas, notadamente no caso [da guerra] do Iraque, mostram que o isolamento não pode resolver problemas.

A comparação com o Iraque tem sido frequentemente usada pela diplomacia brasileira para se referir ao caso do Irã. No episódio iraquiano, o então líder Saddam Hussein foi acusado de desenvolver armas químicas antes da invasão liderada pelos EUA, em 2003. Mas isso nunca foi comprovado.

Já o Irã nega as acusações de que seu programa nuclear está sendo usado para desenvolver armas nucleares, como alegam as potências ocidentais.

A diplomata brasileira defendeu ainda o direito do Irã a um programa nuclear civil. E afirmou que o acordo entre Brasil, Turquia e Irã é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada.

A embaixadora americana Susan Rice, que discursou após a votação, reconheceu os esforços de Brasil e Turquia. Disse que as portas para a negociação não estão fechadas. E afirmou que o Irã tem, sim, direitos, mas também precisa cumprir suas obrigações perante a comunidade internacional.

Ela firmou que foi o governo do Irã quem escolheu colocar o país no caminho do isolamento. E defendeu a punição.


- Essas sanções não são dirigidas ao povo iraniano (...). Essas sanções são duras, inteligentes e precisas.



Fontes: O ESTADO- R7- G1 - TV Globo - Agências

Brasil se firma globalmente mesmo com sanções ao Irã, dizem analistas

Segundo analistas, Brasil demonstrou que pode ocupar papel mais importante no cenário internacional.

Apesar de o Conselho de Segurança da ONU votar nesta quarta-feira (9) uma resolução prevendo novas sanções contra o Irã, a iniciativa do Brasil em busca de uma solução diplomática para a questão nuclear iraniana marca o reconhecimento de uma maior relevância do país em grandes questões globais, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.

O Brasil - que no mês passado, ao lado da Turquia, havia obtido um acordo com o Irã, rejeitado pelos Estados Unidos - tentou, sem sucesso, evitar a votação e investir no caminho do diálogo entre os países envolvidos na questão.


"Mesmo que a posição do Brasil não prevaleça, o país vai obter o reconhecimento como um importante ator global, que vai ter influência nas grandes questões internacionais", diz Michael Shifter, presidente do instituto de análise política Inter-American Dialogue, com sede em Washington.

Segundo Shifter, a atuação do Brasil na busca por um acordo com o Irã marca um ponto de virada.

"Mostra que o Brasil vai ter um papel influente na maioria das questões internacionais sensíveis. Até agora, o Brasil já tinha um papel em questões como G20, aquecimento global. Mas o Irã é uma questão mais sensível, que envolve segurança", afirma Shifter.

"Há um reconhecimento generalizado, mesmo por parte daqueles que dizem que o Brasil pode ter sido ingênuo na negociação com o Irã, de que o Brasil vai estar envolvido (nas grandes questões)."

Para o jornalista e pesquisador Douglas Farah, do International Asessment and Strategy Center, a postura do Brasil ao negociar com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pode ter tido um impacto negativo em algumas partes do mundo.


"Há um amplo consenso de que o Irã não é um parceiro democrático, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou um entusiasmo excessivo (na visita a Teerã)", diz.


"Dito isso, o Brasil provou que pode ser um ator importante no cenário global, que pode ser um interlocutor em situações em que outros fracassaram", afirma Farah.

Votação

A votação no Conselho de Segurança está marcada para as 10h em Nova York (11h em Brasília), e a expectativa dos Estados Unidos, país que vem pressionando pela adoção de novas sanções, é de que a resolução seja aprovada com pelo menos 12 votos entre os 15 membros do conselho.

Todos os cinco membros permanentes, com direito a veto (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) já concordaram com a resolução.

Ainda não está claro como votarão Brasil, Turquia e Líbano, países que têm vagas rotativas, sem direito a veto, e se opõem às sanções. Esses países podem votar contra a resolução ou optar pela abstenção.

A falta de apoio desses países não é suficiente para impedir as sanções mas, segundo analistas, prejudica a imagem de união em torno do tema que os Estados Unidos gostariam de transmitir.

Divergência

A decisão dos Estados Unidos de ir adiante com as sanções, apesar do acordo, foi mal recebida pelo governo brasileiro, e nos últimos dias declarações de ambos os lados indicam um aumento da tensão nas relações bilaterais. Clinton chegou a dizer que os Estados Unidos tinham "divergências muito sérias" com o Brasil sobre a questão.

"O governo Obama ignorou a iniciativa do Brasil e da Turquia. A iniciativa deveria ao menos ter sido explorada", diz o professor Zachary Lockman, chefe do departamento de estudos islâmicos e de Oriente Médio da New York University (NYU). "Obviamente o Brasil e a Turquia não estão felizes com isso", afirma Lockman.

Segundo Farah, há "um grande problema de comunicação entre o governo Obama e o governo Lula".


"O Brasil pensava que a negociação com o Irã iria ajudar, representar um avanço no processo. O governo Obama surpreendeu o Brasil ao não aceitar o acordo", diz Farah. "Acho que vai acrescentar uma significativa dose de tensão nas relações entre os Estados Unidos e o Brasil."

No entanto, segundo Michael Shifter, as divergências observadas na questão iraniana são um sinal de uma mudança nas relações bilaterais, que vai exigir um ajuste de ambos os lados.


"O Brasil está se afirmando no cenário global, e os Estados Unidos terão de aceitar essa realidade", afirma Shifter.

"Isso não significa que os dois países não poderão cooperar em outras questões. Mas obriga a uma abordagem diferente da tradicional, na qual os Estados Unidos definiam a agenda e o Brasil seguia", diz o presidente do Inter-American Dialogue.


Fontes: G1 - BBC

Conselho de Segurança da ONU vota hoje novas sanções contra o Irã

Doze integrantes devem votar pela resolução que pune programa nuclear. Brasil e Turquia podem ser contrários às punições, e Líbano pode se abster.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) vai se reunir nesta quarta-feira (9), em Nova York, para votar o pacote de sanções proposto pelos Estados Unidos contra o Irã.

Vai ser a quarta rodada de medidas para tentar coibir o programa nuclear iraniano, que, segundo EUA, França, Rússia, Alemanha e China, teriam como objetivo a fabricação de armas. O Irã nega e diz que o programa tem apenas fins civis.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse nesta terça-feira (8) que a nova rodada de sanções da ONU contra o Irã é a "mais significante" que o país já enfrentou. A declaração foi feita em Quito, no Equador.

A secretária de Estado dos EUa, Hillary Clinton, acena nesta terça-feira (8) no palácio presidencial em Quito, no Equador. (Foto: AP)

O embaixador mexicano na Organização das Nações Unidas (ONU), Claude Heller, atual presidente do Conselho de 15 nações, disse a repórteres que a reunião irá ocorrer às 11h desta quarta-feira, após ter sido fechado um acordo sobre a lista dos alvos das sanções.

O texto estabelece que o Irã não poderá investir no exterior em certas atividades sensíveis, como minas de urânio, e que os navios iranianos poderão ser inspecionados em alto mar. O projeto proíbe também a venda ao Irã de oito novas categorias de armamento pesado, incluindo carros de combate.

Diplomatas ocidentais esperam que 12 membros do Conselho, incluindo todos os cinco com poder de veto, votem pela resolução. Brasil, Turquia e Líbano devem ser contrários às sanções. O Líbano pode se abster.

Mais cedo nesta terça-feira, na Turquia, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que o acordo nuclear firmado pelo país com mediação de Brasil e Turquia, e reprovado pelos EUA, é uma oportunidade única e não vai voltar a se repetir.



Irã alerta Rússia


O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, alertou a Rússia contra possíveis sanções da ONU por programa nuclear da República Islâmica/AFP

O Irã já alertou a Rússia, sua parceira comercial, para não apoiar as medidas punitivas. Diplomatas ocidentais esperam que os 12 dos 15 membros do Conselho (incluindo os cinco membros permanentes), votem pela resolução. Brasil, Turquia e Líbano, contrários às sanções, podem votar contra ou se abster.

A lista negra do rascunho das sanções inclui 41 instituições além do diretor de um centro nuclear iraniano, Javad Rahiqi, segundo fontes diplomáticas.

Aqueles incluídos na lista negra da ONU por laços suspeitos com os programas nuclear e de mísseis do Irã podem enfrentar limitações em viagens internacionais e congelamento de bens.

O esboço da resolução foi resultado de meses de conversas entre EUA, Reino Unido, França, Alemanha, China e Rússia. As quatro potências queriam medidas mais duras, mas China e Rússia trabalharam para suavizar as propostas.

Possíveis medidas (segundo fontes diplomáticas):

- Limitação das transações bancárias de instituições iranianas no exterior

- Vigilância sobre transações de bancos iranianos, inclusive do Banco Central

- Embargo ao comércio de armas com Irã

- Restrições a pessoas, empresas e entidades ligadas à Guarda Revolucionária

Irã diz que pode mudar relação com AIEA

Uma fonte iraniana de alto escalão alertou para uma "reação apropriada" por parte do país contra as potências mundiais. Um parlamentar disse que Teerã vai reconsiderar sua cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) se as sanções forem aprovadas.

O Irã insiste que seu programa nuclear tem fins pacíficos, apesar das suspeitas ocidentais. O país já desafiou cinco resoluções do Conselho de Segurança exigindo que paralise suas atividades de enriquecimento de urânio, processo que pode gerar combustível para reatores civis ou para armas nucleares.

Em 17 de maio, o Irã assinou com o Brasil e a Turquia um acordo para a troca o enriquecimento de urânio em território turco, proposta feita originalmente pela AIEA. EUA e outras potências ocidentais, no entanto, ignoraram o acordo e prosseguiram com o plano de punição ao Irã.

Horas antes de votação na ONU, potências rejeitam acordo com Irã

Horas antes da votação de uma quarta rodada de sanções contra o programa nuclear iraniano no Conselho de Segurança da ONU, potências ocidentais rejeitaram oficialmente o acordo entre Brasil, Irã e Turquia, transmitindo sua posição à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).

Rússia, EUA e a França enviaram sua resposta oficial ao acordo de intercâmbio de urânio assinado pelo Irã com o Brasil e a Turquia em 24 de maio passado, indicou nesta quarta-feira um diplomata ligado ao órgão da ONU.

O diretor da AIEA, o japonês Yukiya Amano, se reuniu com o enviados das três nações, que entregaram diretamente a ele suas respectivas respostas.

Três diplomatas envolvidos nas negociações disseram que as respostas oficiais das três potências contêm uma série de questões que impedem discussões com o Irã e devem levar às sanções como única maneira de lidar com a República Islâmica.

Arma nuclear

De acordo com a posição divulgada pelos EUA, Rússia e França, a proposta de acordo acertada entre Brasil, Irã e Turquia deixaria o país com material suficiente para fabricar uma arma nuclear. A informação tornada pública pelo Irã de que o pacto não impediria de continuar enriquecendo urânio também preocupa as potências.

Para os três países ocidentais o acordo, que derivou de uma oferta similar feita pela AIEA ao Irã ainda no ano passado, não esclareceu dúvidas importantes sobre o programa nuclear do país, que eles acreditam estar desenvolvendo armas nucleares. O Irã nega e diz que enriquece urânio somente para fins pacíficos.

Em um comunicado, a AIEA não revelou mais detalhes das repostas transmitidas por Washington, Moscou e Paris, mas disse que o documento tem o título de "Preocupações sobre a Declaração Conjunta enviada pelo Irã à AIEA".


"Continuarei contando com meu escritório para dar prosseguimento a este novo desdobramento com os governos que estão preocupados", disse o chefe da AIEA, Yukiya Amano.

Os EUA indicaram que a decisão de Teerã ao aceitar a oferta de acordo com o Brasil e a Turquia é na verdade uma medida para tentar evitar novas sanções no Conselho de Segurança da ONU.

Grande impacto

A embaixadora dos EUA perante a ONU, Susan Rice, afirmou que as novas sanções que o Conselho de Segurança da ONU pode impor nesta quarta-feira ao Irã terão um "grande impacto" na República Islâmica.

A diplomata disse que está satisfeita com a "dureza" das medidas incluídas no projeto de resolução proposto por seu país, apoiado pelos outros membros permanentes do principal órgão das Nações Unidas (China, Rússia, França e Reino Unido).

"É uma resolução firme e ampla em todas suas categorias, e terá um impacto autêntico e importante", disse Rice ao fim de uma reunião do Conselho de Segurança.

Além disso, ela assegurou que o objetivo das sanções é "persuadir ao Irã que detenha seu programa nuclear e negocie de forma séria e construtiva com a comunidade internacional".

A embaixadora americana indicou que as potências do Conselho seguem comprometidas com a chamada "política das duas vias", que impulsiona de maneira paralela o diálogo e as medidas de pressão.

Entre outras coisas, destacou que são vetados investimentos exteriores iranianos em atividades e instalações relacionadas com a produção de urânio, serão estabelecidas restrições na venda de armas convencionais ao Irã. Além disso, o país será proibido de fabricar mísseis balísticos com capacidade de carregar ogivas nucleares.

Também foram destacadas novas restrições às operações financeiras e comerciais com o Irã, além do reforço do regime de inspeções das cargas dos navios e aviões iranianos para evitar que burlem o embargo internacional.

Nas duas reuniões a portas fechadas, as delegações expuseram, a pedido do Brasil e Turquia, suas posições em respeito à disputa sobre o programa nuclear iraniano.

Os dois países, membros não-permanentes do Conselho de Segurança, consideram que deve ser dado mais tempo à diplomacia depois do acordo que foi assinado em maio com o Irã para troca de combustível nuclear.

O embaixador adjunto da Turquia perante a ONU, Fazli Corman, advertiu na saída da reunião que uma nova rodada de sanções poderia endurecer a posição iraniana e travar as negociações.

Na segunda-feira, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) voltou a pedir ao Governo iraniano que dê provas conclusivas de que não pretende adquirir armamento atômico.

Fontes: O ESTADO - FOLHA - G1- TV Globo - R7 - AFP e demais agências

Alemanha e Rússia querem que ONU seja rápida com sanções ao Irã

Os líderes da Alemanha e da Rússia disseram neste sábado que as potências mundiais estão à beira de aprovar novas sanções contra o Irã por conta do programa nuclear do país.

As potências globais acreditam que o Irã quer desenvolver armas nucleares com o seu programa. Teerã nega e diz que as pesquisas são para fins pacíficos.

A Alemanha e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), Reino Unido, China, França, Rússia e os Estados Unidos, têm discutido há meses uma nova rodada de sanções. Segundo Washington, o voto deve acontecer na semana que vem.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente russo, Dmitri Medvedev, falaram à imprensa neste sábado na Alemanha. Segundo Merkel, o consenso entre as potências mundiais sobre o tema é um "grande avanço diplomático". Ela disse esperar que a ONU aja rapidamente.

"É possível que num futuro próximo as sanções sejam aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas", afirmou Merkel.

"Estou muito feliz que possamos estar aqui juntos hoje e dizer que essa é uma posição comum, não somente da União Européia, dos Estados Unidos, da Rússia, mas também da China", acrescentou.

EUA e Europa superaram as reservas da China e da Rússia, que têm laços comerciais fortes com os iranianos. O acordo sobre um esboço para as sanções veio no mês passado.


"A situação é que um acordo sobre as sanções já quase existe", declarou Medvedev. Ele acrescentou que ninguém quer impor sanções, mas que às vezes elas são necessárias.


"Esperamos que a voz da comunidade internacional seja ouvida pela liderança iraniana", disse ele. "Não se pode ter um comportamento irresponsável. É importante ouvir o que está sendo dito na arena internacional."

Sobre economia, Berlim e Moscou concordaram que um euro estável é crucial para as finanças globais. Merkel afirmou que Rússia e Alemanha concordaram em geral sobre temas como regulação de mercados.


Fontes: FOLHA - Reuters

Todos sabem há décadas que Israel tem arma nuclear, diz historiador

Entrevista com Sasha Polakow-Suransky

Toda nova informação sobre o suposto programa nuclear de Israel desperta enorme interesse, dada a ambiguidade que envolve o tema. Não foi diferente com a notícia divulgada nesta semana, de que em 1975 o ministro da Defesa israelense, Shimon Peres (hoje presidente), teria oferecido armas nucleares ao regime do apartheid sul-africano.

A revelação está num livro que consumiu seis anos de pesquisa do historiador americano Sasha Polakow-Suransky, e é considerada uma rara prova do arsenal atômico de Israel --que o país não nega nem admite ter.

Leia abaixo a íntegra da entrevista:

FOLHA - Em que medida os documentos revelados em seu livro comprovam a oferta israelense? Peres negou tudo.
SASHA POLAKOW-SURANSKY - Peres está sendo evasivo. Ele está certo quando diz que sua assinatura não aparece nas minutas das reuniões, mas ela aparece no documento que garante sigilo para esta e outras negociações sobre defesa, quatro dias depois da primeira discussão sobre os mísseis Jericó. Além disso, Peres não negou, pelo que eu saiba, sua presença nessas discussões ou afirmou que os documentos sul-africanos são falsos. Os jornalistas deveriam perguntar a ele se assinou o documento de 3 de abril; se estava presente na reunião ocorrida na Suíça no dia 4 de junho; e se irá revelar documentos oficiais israelenses dessas reuniões para comprovar sua negativa. Até que ele diga sim a esta última questão, podemos assumir que ele esconde algo.

Os documentos mostram acima de qualquer dúvida que o tema dos mísseis Jericó foi discutido em uma série de encontros em 1975, primeiro em 31 de março, depois em 4 de junho. As frases usadas para descrever as ogivas são vagas, o que é comum nesse tipo de negociação.

A confirmação de que o governo sul-africano viu a discussão como uma oferta nuclear explícita está num memorando do chefe do Estado-Maior, R. F. Armstrong, escrita no mesmo dia 31 de março, que detalha as vantagens do sistema de mísseis Jericó para a África do Sul, mas só se os mísseis tivessem ogivas nucleares.

É a primeira vez que aparece um documento com a discussão sobre mísseis nucleares em termos concretos.
O memorando Armstrong foi tornado público seis anos atrás e citado num artigo acadêmico escrito por Peter Liberman. Até eu revelar os registros dos encontros de 31 de março e 4 de junho, era difícil contextualizar o memorando. Com os três documentos e o pacto de sigilo do dia 3 de abril assinado por Peres, o quadro fica mais claro. Quando você olha esses documentos juntos, fica muito claro que a possibilidade de a África do Sul comprar mísseis nucleares foi discutida no dia 31 de março e de novo no dia 4 de junho de 1975, quando Peres se encontrou com Pieter Botha [então ministro da Defesa] na Suíça e que essas discussões foram colocadas sob pesado sigilo no dia 3 de abril de 1975. O acordo nunca foi fechado, mas a discussão ocorreu, e o alto escalão sul-africano entendeu a proposta israelense como oferta nuclear.

Qual era o objetivo de Israel?
Principalmente financeiro. Peres também estava buscando financiamentos conjuntos e precisava oferecer algo em troca à África do Sul. No encontro de 4 de junho, Peres sugeriu a Pieter Botha [então ministro da Defesa] que a África do Sul financiasse entre 10% e 5% de um projeto de um jato leve e 33% de um sistema balístico de cognome "Assaltante". Israel tinha o know-how, a África do Sul tinha dinheiro. Além disso, os israelenses queriam fazer pesquisas conjuntas e desenvolver produtos com os sul-africanos pagando parte da conta.

Há outras revelações sobre a relação entre Israel e o regime do apartheid em seu livro?
Muitas. As principais são a continuação do projeto do mísseis Jericó na África do Sul nos anos 80, quando especialistas israelenses ajudaram a construir projéteis de segunda geração para carregar ogivas nucleares; e a venda de "yellow cake" [concentrado de urânio para produção do combustível nuclear] da África do Sul para Israel em 1961, sob um acordo bilateral de salvaguardas para uso pacífico. Em 1976, quando um estoque de 500 toneladas havia sido acumulado em Israel, a inteligência israelense pediu ao governo sul-africano que as salvaguardas fossem suspensas.

O ministro sul-africano de Minas, Fanie Botha, viajou a Israel em julho de 1976, onde se encontrou com Peres, [Yitzhak] Rabin, além de generais e cientistas nucleares. Em entrevista a mim, Fanie Botha admitiu que durante a viagem ele suspendeu as salvaguardas, liberando Israel para usar o "yellow cake" para fins militares.

Em troca, Israel forneceu à África do Sul tritium, uma substância que aumenta o rendimento de armas termonucleares e Israel enviou dinheiro para Fanie Botha por meio de um intermediário [Jan Blaauw, um general reformado da Força Aérea] para mantê-lo financeiramente vivo e para que ele não perdesse sua pasta no gabinete até o acordo ser concluído. As salvaguardas foram suspensas e o tritium foi enviado à África do Sul.

A visita de Fanie Botha a Israel é confirmada em um documento do Ministério da Defesa israelense que eu tenho. O resto da história foi confirmado nos autos do processo do Estado contra Jan Blaauw, um julgamento secreto da Suprema Corte sul-africana de 1988. É uma longa história que está detalhada no capítulo 7 do meu livro. Basicamente, Fanie Botha prometeu a Blaauw concessões de exploração de minas de diamantes em troca de seu trabalho para o Estado; quando Blaauw não recebeu seus diamantes, ameaçou ir a público com todos os detalhes nucleares e Fanie Botha ('o Estado') o processou por extorsão.

Israel manteve negociações nucleares com outros países, como o Irã?
Israel manteve relações com vários outros regimes repulsivos, mas não tenho conhecimento de negociações sobre assuntos sensíveis como esse com outros países fora a África do Sul. Havia relações próximas entre Israel e o Irã até a Revolução Islâmica de 1979, que incluiu cooperação em tecnologia de mísseis.

Os documentos revelados em seu livro são a evidência mais clara até hoje do arsenal nuclear israelense?
Não. As fotos de Mordechai Vanunu [técnico nuclear israelense condenado por traição] em 1986 são muito mais definitivas. O significado desses documentos não é provar que Israel tem armas nucleares. Isso o mundo inteiro sabe há décadas. A notícia aqui é que a possível transferência de tecnologia nuclear foi discutida no altos escalões.

Qual era o estágio do programa nuclear israelense em 1975?
A maioria dos especialistas concorda com que Israel alcançou capacidade operacional de ogiva nuclear em 1975, ou seja, armas miniaturizadas. O país pode ter concluído a produção dessas armas na época da Guerra do Yom Kippur [1973] mas provavelmente elas não eram ainda operacionais.

Como evoluiu o programa nuclear sul-africano após a suposta oferta israelense? Por que a oferta foi recusada?
A África do Sul tinha sua própria tecnologia de enriquecimento de urânio. Pretória desenvolveu um método autóctone de enriquecimento em 1970, cortesia do eminente cientista sul-africano Wally Grant, que começou sua pesquisa secreta em um galpão no centro de Pretória e que mais tarde foi transferida para a central da Comissão de Energia Atômica.

O premiê Vorster anunciou isso em 1970 e a África do Sul começou a construir um reator de enriquecimento. Os sul-africanos só tomaram uma decisão formal de produzir armas nucleares até 1974. Quando a decisão foi tomada, comprar de outros países não só era caro, mas representava um custo adicional ao investimento que haviam feito no desenvolvimento de sua própria capacidade nuclear.

Fonte: FOLHA/MARCELO NINIO

Acordo nuclear deixa Irã livre para construir bomba

O acordo nuclear entre o Brasil, a Turquia e o Irã, assinado no último dia 17, tem apenas um significado: de que está mais perto um confronto militar no Oriente Médio entre Israel e Irã. É o que diz João Pereira Coutinho, colunista da Folha.

Para Coutinho, a iniciativa que o Brasil e a Turquia "insensatamente arquitetaram" é um escudo que protege e permite ao regime iraniano construir clandestinamente sua bomba nuclear.


"No dia que a aviação de Israel partir para o ataque inevitável, a fotografia do Lula, do turco Erdogan [primeiro-ministro, Recep Tayyip] e do iraniano Amadinejad [presidente, Mahmoud] deve ser lembrada não como o princípio da paz, mas como a contagem decrescente para a guerra", comenta o colunista.


Fonte: FOLHA

Brasil e Turquia insistem em acordo com Irã; Hillary critica atitude

Diplomata fez referência a acordo nuclear mediado por Brasil e Turquia. EUA e Brasil têm 'discordâncias muito sérias' sobre questão iraniana, disse.

Para a secretária de Estado americana, Brasil e EUA têm sérias discordâncias sobre Irã/Saul Loeb/AP

Os governos de Brasil e Turquia insistiram nesta quinta-feira para que as potências mundiais considerem o acordo nuclear mediado pelos dois países com o Irã. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, criticou pela primeira vez de forma direta o acordo, dizendo que torna o mundo mais perigoso, e que o Irã está usando o Brasil para ganhar tempo e escapar de sanções internacionais.

Ela ainda completou dizendo que Brasil e EUA têm "sérias" discordâncias quando o assunto é o Irã.

Os EUA e outras potências acusam o Irã de tentar desenvolver armas nucleares, mas Teerã afirma que o seu programa tem fins pacíficos. Em 17 de maio, Brasil e Turquia conseguiram chegar a um acordo com Teerã para a troca de combustível nuclear, acreditando que a decisão poderia acalmar a comunidade internacional. Para a secretária de Estado americana, Brasil e EUA têm sérias discordâncias sobre Irã

O premiê da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e o presidente Lula, em Brasília/Sergio Lima/Folhapress

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, reuniu-se nesta quinta-feira com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que visita o Brasil. Eles acusaram as potências ocidentais de estarem agravando o conflito com o Irã por sua recusa em negociar.

"Tudo o que eles queriam foi tudo o que nós fizemos, agora é preciso que as pessoas digam claramente se querem construir possibilidade de paz ou se querem construir possibilidade de conflito. A Turquia e o Brasil são pela paz", disse Lula a jornalistas durante o encontro dos dois governantes em Brasília.


"Acreditamos que é a flexibilidade, não o dogmatismo que aproxima os povos. É esse espírito que nos guiou na negociação com o Irã... e constitui uma oportunidade que não pode ser desperdiçada", disse Lula.

Para o premiê turco, o momento não é adequado para discutir sanções ao Irã. Ele acrescentou que os países que criticam o acordo mediado por ele e Lula são "invejosos".


"Os países que estão criticando são países que têm armas nucleares e isso é muito contraditório", declarou Erdogan. Segundo ele, o Irã reafirmou à Turquia que não tem planos de construir armas nucleares.

Ambos estiveram neste mês em Teerã para mediar o acordo pelo qual o Irã aceitava enviar urânio baixamente enriquecido à Turquia, para receber no prazo de um ano combustível enriquecido a 20 por cento para uso em seu reator de pesquisas médicas.

Isso supostamente eliminaria os temores ocidentais de que o Irã poderia enriquecer urânio para uso em armas nucleares, uma intenção que Teerã nega possuir.

O acordo foi recebido com ceticismo pelos EUA e seus aliados, que acusam o Irã de já ter descumprido tratos anteriores. O intercâmbio de material nuclear havia sido proposto em outubro pela ONU (Organização das Nações Unidas), mas as potências ocidentais dizem que agora as condições mudaram.

Pressionando os demais países do Conselho de Segurança da ONU a aprovarem novas sanções contra o Irã, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, condenou em Washington a abordagem de Brasil e Irã.

"Usando" o Brasil

Enquanto isso em Washington, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta quinta-feira que os Estados Unidos e o Brasil têm "sérias discordâncias" em relação ao programa nuclear do Irã, apesar de as relações bilaterais em outros temas serem boas. Hillary disse ainda que o Irã está apenas usando o Brasil, e que atitudes como a do Brasil e da Turquia tornam o mundo mais perigoso.

Essas foram as declarações mais diretas feitas até agora sobre como os EUA veem a negociação brasileira e turca com os iranianos sobre seu programa nuclear.


"Achamos que ganhar tempo para o Irã, permitir que o Irã evite a unidade internacional a respeito do seu programa nuclear, torna o mundo mais perigoso, e não menos", disse Hillary em discurso no Instituto Brookings.


"Sem dúvida, temos sérias discordâncias com a política diplomática do Brasil em relação ao Irã", disse Hillary. "Mas nossa discordância não mina nosso comprometimento de ver o Brasil como um país amigo e parceiro", completou, questionada sobre como Washington enxergava o papel do Brasil na diplomacia global. "Nós queremos uma relação com o Brasil que resista ao teste do tempo", acrescentou.

Hillary afirmou ainda que o Irã estaria apenas usando o Brasil para ganhar tempo e evitar sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).


"Nós dissemos (aos brasileiros) que não concordamos com isso, que pensamos que os iranianos estão usando o Brasil, nós achamos que é hora de ir ao Conselho de Segurança", disse Hillary, ao responder questões de jornalistas sobre a nova estratégia de segurança da administração Barack Obama, divulgada nesta quinta-feira

Hillary alegou que o acordo firmado com o Irã sob mediação do Brasil e da Turquia apenas serve para dar mais tempo para o país persa atingir suas ambições nucleares e impede a unidade da comunidade internacional em responder ao Irã. Ela continuou, dizendo que atitudes desse tipo tornam o mundo mais perigoso.

Hillary disse que a visão dos EUA --não compartilhada pelo Brasil-- é de que o Irã só vai concordar em negociar sobre seu programa nuclear após o impor sanções mais duras contra o país.

ONU

Também em visita ao Brasil, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o Irã precisa se empenhar mais para afastar as preocupações internacionais. "No coração da crise parece haver uma séria falta de confiança no Irã", disse ele.

Ban, que participa de um evento da ONU no Rio, disse a jornalistas que o Irã, embora afirme não desejar armas nucleares, "declarou que vai continuar o processo de enriquecimento" de urânio mesmo com o intercâmbio de combustível nuclear.

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU já concordaram com a adoção de novas sanções ao Irã, inclusive Rússia e China, que antes relutavam por causa das suas intensas relações econômicas com Teerã.

O apoio russo às sanções causou evidentes atritos entre os dois governos, e o chanceler russo, Sergei Lavrov, não escondeu sua frustração com o comportamento da República Islâmica. "Para nosso grande pesar, durante anos - não só meses - a resposta do Irã a esses esforços foi insatisfatória, para falar em termos brandos", declarou.

Lavrov disse no entanto que o acordo mediado por Brasil e Turquia seria um avanço importante, caso viesse a ser implementado. Segundo uma nota do governo russo, ele mais tarde telefonou para o seu colega iraniano, Manouchehr Mottaki, a quem prometeu uma "cooperação ativa em levar adiante o processo de negociação."

Entenda o caso

Os Estados Unidos acusam o Irã de querer desenvolver armas atômicas, algo que é negado pelos iranianos, que afirmam que seu programa nuclear tem apenas fins pacíficos.

O acordo tripartite, firmado no dia 17 de maio em Teerã com Brasil e Turquia, determina que o Irã envie 1.200 quilos de seu urânio enriquecido a 3,5%, em troca de 120 quilos de urânio enriquecido a 20% na Rússia ou França --suficiente para a produção de isótopos médicos em seus reatores e muito abaixo dos 90% necessários para uma bomba. O urânio enriquecido seria devolvido ao Irã no prazo de um ano.

A troca aconteceria na Turquia, país com proximidades com Ocidente e Irã, e sob supervisão da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e vigilância iraniana e turca.

Com este acordo, o Irã pretendia tranquilizar a comunidade internacional sobre seu programa nuclear.

No entanto, no dia seguinte ao acordo, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas acertaram uma série de sanções contra o país, jogando por terra os esforços realizados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan, para resolver a crise por meio de negociações.

Um projeto de resolução, elaborado por Estados Unidos e apoiado por França, Rússia, China e Reino Unido, prevê sérias sanções contra o Irã, que ficará proibido de investir no exterior em certas atividades delicadas, terá seus navios inspecionados em alto mar, e sofrerá embargo sobre a compra de armas pesadas.

Na ocasião, Hillary Clinton agradeceu aos esforços de Brasil e Turquia, mas destacou as diversas reservas de Washington sobre o acordo tripartite, com a intervenção direta de Lula.

Sanções

A proposta de resolução do Conselho de Segurança da ONU com sanções contra o Irã, elaborada pelos EUA, Rússia e China prevê punições a bancos e outras empresas do país, além da criação de um regime internacional de inspeções em navios suspeitos de transportar cargas relacionadas aos programas nuclear e de mísseis.

O documento de dez páginas "pede aos Estados que adotem medidas adequadas para proibir (...) a abertura de novas agências, subsidiárias ou escritórios de representação de bancos iranianos" caso haja razões para supor que tais bancos estejam vinculados a atividades de proliferação nuclear.

O esboço também aponta "a necessidade de exercer vigilância sobre transações que envolvam bancos, inclusive o Banco Central do Irã, de modo a evitar que tais transações contribuam para a proliferação de atividades nucleares sensíveis" ou para o desenvolvimento de sistemas para o lançamento de armas atômicas.

A quarta rodada de sanções ao Irã ampliaria o embargo armamentista já em vigor contra o país, incluindo novas categorias de armamentos pesados.

Vários diplomatas ocidentais do Conselho de Segurança disseram que o órgão da ONU, com 15 países, deve votar a resolução no começo de junho.

 Fontes:  FOLHA -  Agências

Alencar volta a defender desenvolvimento de arma nuclear com fins pacíficos

Alemcar faz declaração polêmica

O presidente em exercício, José Alencar, voltou a defender hoje o desenvolvimento de artefatos nucleares como mecanismo de dissuasão. Segundo ele, mesmo as armas nucleares podem ter fins pacíficos.

"Alguns países defendem que o próprio artefato nuclear é instrumento de dissuasão", disse Alencar, quando chegava ao Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para uma bateria de exames e sessão de quimioterapia. "Eu vejo a energia nuclear para fins pacíficos."

Ele defendeu também a posição brasileira de valorizar o diálogo em relação ao programa nuclear do Irã. "É um isolamento a favor do diálogo."

De acordo com ele, o Irã é "um país de responsabilidades" por ser o berço da civilização ocidental. "O nome do nosso país cresceu. É mais uma amostra que é um país a favor da paz", disse.

Sobre as críticas à posição brasileira, o presidente em exercício disse que "naturalmente, há países que são mais céticos em relação ao Irã".

Acordo

Brasil e Turquia mediaram um acordo com o Irã, no dia 17 em Teerã, segundo o qual Teerã enviará ao exterior 1.200 quilos de seu urânio de baixo enriquecimento em troca de 120 quilos de combustível nuclear para um reator de pesquisas médicas no país.

Tanto Brasil como Turquia definiram o acordo como avanço das negociações e um sinal claro de que não havia necessidade das sanções.

As potências reagiram com ceticismo ao acordo e os Estados Unidos afirmaram que era apenas uma estratégia do Irã para tentar se esquivar de novas sanções. Os países argumentaram ainda que o acordo não inclui o fim do enriquecimento de urânio a 20% em território iraniano, o que vai contra resolução do próprio conselho.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva advertiu nesta quarta-feira que haverá um retrocesso na questão nuclear iraniana se o Conselho de Segurança da ONU não tiver disposição para negociar uma saída diplomática.

"Agora depende do Conselho de Segurança da ONU sentar-se com disposição para negociar, pois se você se senta sem vontade de negociar, vai haver um retrocesso", disse Lula, durante uma conferência sobre a economia brasileira em Madri.

As declarações de Lula vêm um dia depois dos Estados Unidos apresentarem ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) uma proposta de sanções contra o programa nuclear do Irã.

As novas sanções contam com o apoio da Rússia e China, os membros permanentes mais relutantes do Conselho de Segurança.

Uma quarta rodada de sanções seria uma derrota aos esforços diplomáticos do Brasil, que conseguiu, junto a Turquia, um acordo nuclear com Irã.


Fonte: FOLHA/DANIEL RONCAGLIA

Reino Unido possui 225 ogivas nucleares, diz chanceler britânico

Reino Unido divulgou quantidade de ogivas

Revelando pela primeira vez informações oficiais atualizadas sobre seu arsenal nuclear, o Reino Unido confirmou que possui 225 ogivas, numa manobra que visa mais clareza sobre as armas atômicas que o país detém.

Em discurso no Parlamento, o chanceler britânico William Hague informou o número oficial, e disse que "é chegada a hora de ser mais aberto sobre as armas que nós possuímos". Anteriormente oficiais teriam informado que o país detinha 160 ogivas em operação.

Membro permanente do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), o Reino Unido é uma das nações que possuem armas nucleares no mundo.

O chanceler britânico William Hague (foto de arquivo)anunciou tamanho do arsenal nuclear britânico/Evan Vucci/AP

EUA

Ainda no mês passado, durante a conferência sobre o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), os Estados Unidos confirmaram o tamanho de seu arsenal nuclear, com 5.113 ogivas.

O Pentágono anunciou no fim de setembro de 2009 o arsenal nuclear americano estava composto por 5.113 ogivas nucleares, informação considerada até então "secreta".

O governo americano indicou que estas seriam suas ogivas nucleares ativas, mas que possui também outras milhares de armas nucleares desativadas.

Os EUA haviam divulgado o número de ogivas estratégicas operacionalmente instaladas em 1.968 no final de 2009 -- bem menos que as 10 mil de 1991. É a primeira vez, no entanto, que o total geral é revelado. De acordo com dados divulgados pelo Pentágono, o arsenal americano foi reduzido em 84%, de um total de 31.225 armas nucleares que o país possuía em 1967.

Segundo a Federação de Cientistas Americanos, órgão sem fins lucrativos, o número não inclui as armas nucleares desativadas, que aguardam desmontagem -- estimadas em cerca de 4.600.

Para analistas, ao revelar as informações durante a conferência para a revisão do TNP, os EUA tentam demonstrar que trabalham para diminuir seu arsenal nuclear, tentando, dessa forma, persuadir outros países a endurecer o controle da proliferação de tais armas.

"É enormemente importante para os Estados Unidos conseguirem dizer: 'Olhem, estamos cumprindo nossas obrigações sob o TNP'", disse Hans Kristensen, diretor do Projeto de Informação Nuclear da Federação dos Cientistas Americanos. Só assim, segundo ele, Washington conseguirá convencer outros países a adotar novas medidas para limitar a proliferação.

Fontes: FOLHA- Agências

Carta do Irã à agência nuclear da ONU está cheia de lacunas, diz Hillary

Documento não responde a todas as preocupações, disse diplomata. Teerã notificou AIEA na véspera sobre o acordo para troca de urânio.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou nesta terça-feira (25) que a carta que o Irã entregou à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre o acordo fechado com o Brasil e Turquia sobre a troca de urânio está cheia de lacunas.


"Há uma certa quantidade de lacunas que não respondem às preocupações da comunidade internacional", afirmou Hillary Clinton durante o encontro "Diálogo Estratégico e Econômico sino-americano" que acontece durante dois dias em Pequim.

O Irã notificou na segunda-feira a AIEA, em Viena, do acordo a três estabelecido entre Irã, Brasil e Turquia, sobre a troca de urânio. Com a carta, Teerã pretende tranquilizar a comunidade internacional sobre seu programa atômico.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, durante entrevista nesta terça-feira (25) em Pequim. (Foto: AFP)

O documento, assinado pelo chefe da Organização de Energia Atômica iraniano, Ali Akbar Salehi foi entregue durante uma reunião na residência na Áustria do diretor geral da AIEA, o japonês Yukiya Amano.

Do encontro, de 40 minutos, participaram diplomatas brasileiros e turcos, países que são membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

O pacto entre Irã, Turquia e Brasil, de 17 de maio passado, foi assinado em Teerã durante visita do presidente brasileiro, Luiz Inacio Lula da Silva, e do chefe do governo turco, Recep Tayyip Erdogan. Prevê o intercâmbio na Turquia de 1.200 quilos de urânio enriquecido a 3,5% contra 120 quilos de combustível enriquecido a 20% repassado pelas grandes potências e destinado ao reator nuclear de pesquisa médica de Teerã.

Fontes: G1- AFP

Brasil quer participar com Turquia nas negociações de potências sobre Irã

Brasil quer continuar inserido nas negociações

O Brasil deseja participar, ao lado da Turquia, das negociações do chamado grupo 5+1, formado pelos cinco membros do Conselho de Segurança da ONU --Reino Unido, China, Rússia, Estados Unidos e França-- mais a Alemanha, sobre o programa nuclear iraniano.

As declarações foram dadas nesta terça-feira em Madri por Marco Aurélio Garcia, assessor para Assuntos Internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O acordo assinado ontem determina que o Irã envie 1.200 quilos de seu urânio enriquecido a 3,5%, em troca de 120 quilos de urânio enriquecido a 20% na Rússia ou França --suficiente para a produção de isótopos médicos em seus reatores e muito abaixo dos 90% necessários para uma bomba. O urânio enriquecido seria devolvido ao Irã no prazo de um ano.

A troca acontecerá na Turquia, país com proximidades com Ocidente e Irã, e sob supervisão da AIEA e vigilância iraniana e turca.

A troca de urânio iraniano em solo exterior era tema da proposta feita pelo grupo dos 5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha) em outubro passado, sob mediação da AIEA. Na época, o Irã rejeitou a proposta por falta de garantias da entrega do urânio enriquecido e, em fevereiro passado, iniciou o enriquecimento de urânio a 20% em seu próprio território.

Sanções

Anteriormente nesta terça-feira, em uma aparente reação ao acordo nuclear selado ontem pelo Irã, os Estados Unidos anunciaram um acordo com a Rússia e a China sobre novas sanções contra o Irã a respeito de seu programa nuclear, e disseram que irão submeter uma resolução nesta terça-feira à ONU.

"Nós chegamos a um acordo de esboço da resolução, com a cooperação da Rússia e da China", disse a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, a respeito do diálogo entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha.


"Nós pretendemos enviar o documento do Conselho de Segurança da ONU hoje", acrescentou Hillary em texto divulgado pelo Departamento de Estado americano.

Os EUA e seus aliados acusam o Irã de usar seu programa civil de produção de energia nuclear para desenvolver armas atômicas, acusação que o governo iraniano nega.

O Irã já sofreu três rodadas de sanções por causa do seu programa nuclear, apesar de insistir no caráter pacífico de suas atividades.

A proposta assinada em Teerã foi feita no ano passado pela ONU sob a premissa de que o Irã abandonaria o enriquecimento de urânio e ficaria mais distante de purificar o material radiativo até o grau necessário para o uso em armas.

Mas, após anunciar o acordo com Brasil e Turquia, o Irã informou que não pretende abandonar suas atividades de enriquecimento de urânio.

Turquia e Brasil

Anteriormente nesta terça-feira, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, pediu em Madri que a comunidade internacional apoie o acordo alcançado com o Brasil e o Irã para o enriquecimento de urânio iraniano em território turco.

"Eu apelo à comunidade internacional que apoie a declaração final em nome da paz mundial", declarou o primeiro-ministro durante coletiva de imprensa à margem da cúpula União Europeia-América Latina. "Nós devemos parar de falar em sanções contra o Irã", afirmou.

Ontem, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, disse que o acordo "fecharia o caminho" para a possibilidade que a comunidade internacional imponha novas sanções ao regime iraniano.

Além disso, o chefe da diplomacia brasileira acrescentou que o acordo representaria o princípio para abordar "outras questões sobre o conflito nuclear".

Amorim destacou que foi a primeira vez em que o Irã se comprometeu por escrito a enviar urânio ao exterior para recuperá-lo tempo depois, como já propuseram Rússia, Estados Unidos e Reino Unido em novembro do ano passado.

Nesta ocasião, explicou o ministro brasileiro, o Irã recebeu as garantias que pedia para fechar um acordo.

Análise: acordo com Irã dá protagonismo global a Brasil e Turquia
SIMON CAMERON-MOORE/Reuters

Ao convencer o Irã a aceitar o intercâmbio de material nuclear, eventualmente reduzindo os temores de que o país possa desenvolver armas nucleares, Brasil e Turquia se colocavam de maneira praticamente inédita no centro de uma disputa global.

Os dois países podem ter obtido uma grande conquista diplomática com o acordo assinado nesta segunda-feira em Teerã. Ou podem ver o fato ser minimizado por grandes potências, temerosas de que as concessões sejam poucas e tardias demais para afastar as preocupações relativas ao programa nuclear iraniano.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, fizeram uma aposta com o seu prestígio internacional, condicionando-o ao cumprimento dos compromissos assumidos pelo Irã.

Brasil e Turquia ocupam vagas temporárias no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), e cobiçam um papel maior na arena internacional. Mas críticos dizem que Lula e Erdogan podem ter superestimado suas capacidades na abordagem ao Irã.

Turquia

"A Turquia assumiu um grande risco porque isso pode se revelar muito constrangedor", disse Faruk Logoglu, ex-embaixador turco em Washington. "O Irã é um jogador muito astuto neste jogo."

Os Estados Unidos acham que o Irã tentará se aproveitar das incertezas e divisões que opõem, de um lado, as potências ocidentais, e, de outro, a Rússia e a China, que relutam em aceitar novas sanções. Os céticos de Washington podem ver o acordo com o Irã como mais uma manobra, na qual Turquia e Brasil seriam ingenuamente instrumentalizados.

O desespero de Erdogan para superar o impasse entre o Ocidente e o Irã e para impedir mais sanções da ONU ao país vizinho, no entanto, é compreensível.

A Turquia está se recuperando vigorosamente da recessão, e Erdogan, um líder islâmico moderado, aposta nisso para tentar conquistar um terceiro mandato no ano que vem.

As sanções ao Irã afetariam duramente a Turquia. O país tem um comércio de US$ 11 bilhões com a República Islâmica, de onde compra quase 30% de seu gás.

A rivalidade histórica entre Turquia e Irã teria deixado o Irã relutante em ceder a Erdogan todo o crédito por um eventual acordo. O envolvimento de Lula eliminou tais restrições.

Agenda de Lula

Como líder de um país distante e economicamente blindado dos impactos de uma crise no Irã, e já no fim de seu segundo mandato, Lula tem bem menos a perder do que Erdogan.

Seu governo costuma ser criticado pela política externa tímida em certos aspectos, que evita o confronto em questões de direitos humanos.

Em 2009, Lula disse que o tumulto pós-eleitoral no Irã era parte de uma disputa política rotineira, ao contrário de outras potências mundiais, que criticaram duramente o governo iraniano.

Mediar um acordo com o Irã pode ajudar o Brasil a demonstrar sua musculatura diplomática como líder do mundo em desenvolvimento, além de ajudar Lula a se tornar um ativista global contra a pobreza depois que deixar a Presidência, em janeiro.

Mas Lula também corre o risco de se distanciar do governo dos Estados Unidos, já descontente com sua posição a respeito do Irã. Caso a aposta dele fracasse, ele pode ser criticado por sua inexperiência em grandes questões internacionais.

Fontes: FOLHA - Efe - Reuters

Potências acertam resolução com sanções contra o Irã

EUA acusam o Irã de esconder informações sobre seu programa nuclear. Esboço de resolução circulará entre membros do Conselho de Segurança.

Hillary Clinton/Reuters

As principais potências mundiais concordaram com um esboço de resolução com sanções contra o Irã que circulará entre os membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas nesta terça-feira (18), disse a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.


"Planejamos passar um esboço de resolução para todo o Conselho de Segurança hoje", afirmou Hillary em um texto divulgado pelo departamento de defesa. O texto vem no dia seguinte ao fechamento de um acordo de troca de urânio enriquecido do Irã com a participação do Brasil e da Turquia. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir nesta terça-feira.

'Brasil errou', diz analista americano sobre o acordo nuclear com Irã

Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o acordo firmado para enriquecimento de urânio do Irã na Turquia foi uma vitória da diplomacia. Já para o físico e analista norte-americano David Albright, foi um erro.

"O Irã tem um histórico de não cumprir acordos, e podemos ver isso hoje, já que eles continuarão enriquecendo urânio a 20%. [...] Acho que foi um erro. O governo brasileiro conseguiu uma pequena concessão do Irã, mas que provavelmente não vale a pena. O Brasil arrisca piorar suas relações com os Estados Unidos", disse em entrevista ao G1 o presidente do Instituto para Ciência e Segurança Internacional (ISIS, na sigla em inglês), organização de Washington que monitora a proliferação nuclear.

Segundo o texto do documento assinado em Teerã e anunciado nesta segunda (17), o Irã enviará 1.200 kg de urânio de baixo enriquecimento para a Turquia, que devolverá o material enriquecido até um ano depois para um reator de pesquisas do Irã. Esses são quase os mesmos termos de um acordo esboçado em outubro passado e apoiado por EUA, Rússia e França, com revisão da Agência Internacional de Energia Atômica.

"Mas não é idêntico", argumenta Albright. "Há diferenças sérias. Uma delas é que, em outubro, o montante do urânio pouco enriquecido que o Irã enviaria para fora era entre 70% e 80% do total. Hoje deve ser cerca de 50%. Outra coisa é que o acordo original era um termo para tentar alavancar a confiança e estimular mais as negociações. Esse acordo é basicamente para acabar com as sanções, e nesse sentido ele é quase destrutivo para o processo de negociação."

Como resposta ao acordo, a Casa Branca informou que acredita que está havendo progresso na definição de novas sanções contra o Irã e que o acordo precisa ser submetido à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e que só depois disso ele poderá ser aceito pela comunidade internacional.

"[O acordo] definitivamente não atende às preocupações fundamentais, que são as de que o Irã parece buscar armas nucleares e se recusa a cooperar com a AIEA. É legal, mas é como uma atração secundária. E certamente não há porque parar de se discutir sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU."

'Experts' em política internacional discordam sobre acordo com Irã

O acordo feito por Brasil e Turquia com o Irã, que prevê a troca de combustível nuclear, ainda precisa de tempo para produzir efeito nas relações iranianas com o Ocidente, afirmam brasileiros especialistas em política internacional ouvidos pelo G1.

Para Cristina Soreanu Pecequilo, da Unesp, o acordo é positivo por abrir a possibilidade de diálogo em uma mesa de negociações até agora travada. Para Samuel Feldberg, da USP, o diálogo, neste caso, é inócuo.

“A partir do momento em que você conseguiu chegar a um termo em uma negociação quando essa negociação estava absolutamente parada, a gente tem que levar em conta a possibilidade que isso dê certo”, afirma Cristina. “O acordo pode levar a uma nova dinâmica. Seria o momento de as outras potências estarem envolvidas positivamente nisso”, acredita.

Feldberg, do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP, discorda. “Sem dúvida nenhuma, podemos dizer que a via diplomática está aberta. Mas qual o problema de negociar, se você não vai cumprir com o que for combinado?”, questiona.


“No meu entender, esse acordo é uma rota de fuga. O Irã encontrou no Brasil um instrumento para adiar ao máximo possível a imposição de sanções. Mas do ponto de vista da efetividade e da capacidade de influenciar os acontecimentos ou o comportamento do Irã, ele é completamente inócuo”, afirma.

O acordo prevê que o Irã envie 1.200 kg de urânio de baixo enriquecimento para a Turquia, que devolverá o material enriquecido para um reator de pesquisas no Irã. Para o funcionamento do reator, o urânio precisa estar enriquecido a uma porcentagem mais alta do que a necessária para a simples geração de energia elétrica – mas ainda longe dos 90% de enriquecimento necessários para a construção de uma arma nuclear.

A base do acordo é a mesma de uma proposta feita pela ONU em outubro de 2009, que previa, no entanto, o envio do urânio iraniano para a França e a Rússia. Na ocasião, o Irã chegou a concordar, mas só se a troca ocorresse em seu território – o que a ONU considerou inaceitável.

Para Feldberg, os valores do acordo de outubro estão desatualizados. “O Irã continuou enriquecendo urânio de lá para cá. Qualquer quantidade que for negociada com o mesmo objetivo já está defasada”, afirma. “Por todos os lados em que se analisa não há sentido em se anunciar esse acordo como uma vitória ou uma realização importante”, acredita.

Para o coordenador de Relações Internacionais da Faculdade Rio Branco, Alexandre Uehara, é preciso aguardar para fazer qualquer análise real dos benefícios do acordo.

“Queremos acreditar que vá para frente. Mas precisamos esperar um pouquinho mais. É difícil acreditar neste momento que eles vão interromper o enriquecimento ou abandonar a tecnologia para o enriquecimento”, afirma.

Para Uehara, a posição do Irã é complicada. “Não concordo com a política externa do Irã, é claro, mas olhando a posição do país, ele realmente está bastante acuado. É um país que não tem boas relações com os Estados Unidos e que está cercado por um posicionamento estratégico militar americano. Tem Israel próximo, que tem uma forte aliança com os Estados Unidos. De um lado, um Iraque ocupado por americanos. Do outro, a ação militar americana no Afeganistão”, explica.

“Isso faz com que, preocupado com sua própria sobrevivência, ele veja a possibilidade de ter armas nucleares como defesa de uma maneira interessante”, afirma Uehara. “É claro que ao agir assim, ele também cria tensões maiores e a possibilidade de conflito aumenta”, explica.

Para Cristina Pecequilo, a pressão sobre o Irã é maior do que a que foi feita contra a Coreia do Norte. “O que a gente está vendo é uma pressão desproporcional sobre o Irã, diferente daquela que foi exercida sobre a Coreia do Norte. O que o Irã hoje faz é tentar negociar termos favoráveis a ele similares aos que a Coreia do Norte teve”, afirma.

Ela acredita, que para isso, o Brasil e, principalmente, a Turquia são de grande ajuda. “A Turquia tem um papel muito importante, porque é um país islâmico, que faz a ponte entre o Ocidente o Oriente”, acredita.

Participação brasileira

Tanto ela quanto Uehara classificam como positiva a mediação brasileira do problema nuclear.

“Hoje você tem um espaço no sistema internacional para que potências regionais como o Brasil e a China tenham espaço na negociação. Diplomaticamente, elas agregam credibilidade quando existe uma certa saturação nas negociações com os Estados Unidos e a Rússia. As grandes potências deveriam ver isso como algo positivo”, afirma Cristina.

“O Brasil daqui para frente será cada vez mais chamado a participar de questões internacionais. Não é uma questão de opção, mas de como fazer para agir de maneira responsável. O Itamaraty tem sido muito competente nessa função”, acredita Uehara.

Samuel Feldberg, no entanto, não vê a participação do país com os mesmos bons olhos. “O Brasil não precisava se envolver nessa polêmica. O Brasil não tem nada a ganhar. Não tem questões comerciais importantes a serem resolvidas, não depende do petróleo do Irã, não tem nada a ganhar. E o custo desse envolvimento é extremamente alto. O Brasil certamente vai ouvir dos Estados Unidos quando ficar comprovado que o Irã não tomou nenhuma atitude”, afirma.

Fontes: G1/Giovana Sanchez - Agências

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