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Militares que moram em favelas são expulsos de casa pelo tráfico

O tenente-coronel Cláudio Tavares Casali, disse que a Secretaria de Segurança foi informada das ameaças


Soldados do Exército descansam em acampamento improvisado próximo ao Complexo do Alemão/Joel Silva/Folhapress

Em represália à ação no Complexo do Alemão, soldados do Exército que participam da ocupação dizem que estão sendo expulsos das favelas onde moram por traficantes ligados à facção criminosa Comando Vermelho. A informação é de reportagem de Rogério Pagnan e Joel Silva publicada na Folha desta quinta-feira

De acordo com soldados ouvidos pela Folha, pelo menos cinco deles receberam ordem de criminosos para não voltar para casa e desde sexta estão acampados no quartel improvisado próximo ao Complexo do Alemão.

O Exército participa da ocupação do Alemão desde a semana passada com cerca de 800 homens -todos são lotados no Rio.

O tenente-coronel Cláudio Tavares Casali, disse que a Secretaria de Segurança foi informada e, agora, a polícia deve iniciar a investigação.

Os militares que se sentirem ameaçados, segundo ele, estão sendo retirados da linha de frente e utilizados em outros serviços.


Fonte: FOLHA

Tropa do Exército no Alemão cria perfil no Facebook

Exército recebe apoio da população

Com forte apoio da população nas ruas, o Exército quer estender essa popularidade para as redes sociais. Desde sexta-feira (26), início da operação no Complexo do Alemão, a Brigada de Infantaria Pára-Quedista, que cerca o conjunto de favelas no Rio, tem perfil no Facebook.

Na página da Brigada, são colocadas informações sobre a operação no Alemão. No domingo (28), quando foi postada a foto do general Sardenberg, comandante do batalhão, dentro do Complexo, usuários comemoraram o êxito da ação.


"Vocês são meus heróis, moro bem próximo e senti-me acuada, com medo. Torço para que obtenham êxito o quanto antes, quero minha vida de volta," comentou a usuária Ana Cláudia Bezerra.

Até ontem, 48 pessoas seguiam o perfil. Segundo o major Fabiano Lima, oficial de comunicação social da Brigada, a intenção é aproximar a força militar da população. O site da Brigada teve 10 mil acessos desde sexta-feira, volume semelhante ao que é registrado num período de um ano.


"As pessoas estão aplaudindo os comboios do Exército que circulam pela região. Há reconhecimento e um apoio à operação", observa o major.

A tropa que está no Alemão têm aparato semelhante ao de operações de guerra. Os militares estão alojados numa fábrica desativada da Coca-Cola nas proximidades do conjunto de favelas.

Foi criada uma estrutura com chuveiros, barracas, banheiros químicos e kits de alimentação para o repouso dos 1.447 militares envolvidos na operação -- 800 nos pontos de acesso.


Soldados do Exército patrulham rua do Complexo do Alemão, no Rio, após operação que resultou na fuga de traficantes/André Penner/AP

É ali que está concentrada toda a alimentação dos soldados que cercam os 44 acessos ao Complexo do Alemão. São 10 mil kits de ração humana, única refeição permitida aos militares. Quantidade suficiente para uma semana.

"Os militares só circulam entre a base e os pontos de acesso. Eles não podem ficar por aí. Então, toda a alimentação é provida pelo Exército", disse comandante do 20º Batalhão Logístico da Brigada, tenente coronel Claudio Penkel.

O kit conta com café da manhã, almoço, jantar e ceia noturna. Os militares podem escolher, no cardápio, entre feijoada, carne seca com abóbora e frango com legumes. De sobremesa, rapadura e jujubas.


"Na última operação próxima a favelas, soldados consumiram sorvetes caseiros vendidos numa comunidade. Todos passaram mal, com infecção intestinal. Então, orientamos para que não aceitem nada na rua", acrescenta Penkel.

A ração humana vem pré-cozida. Pode ser cozinhada num kit que conta com fósforo, uma pequena estrutura de alumínio usada como forno, e álcool gel.

Na hora do banho, os militares têm que ter uma dose de paciência. São apenas 16 chuveiros que usam água fornecida pelos bombeiros, mantida em um resevatório ao lado da base de operações. As fardas sujas são entregues numa pequena lavanderia montada no local.

Com o forte calor dos últimos dias, aumentou também o consumo de água. São 4.500 litros de água mineral por dia, o equivalente a 3 litros por cada militar.

A rotina nos próximos meses não deverá ser muito diferente, já que o governador do Rio, Sérgio Cabral, anunciou que o Exército permanecerá no Alemão até a instalação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).


"Nossa missão não tem prazo para acabar", disse Penkel.

Fonte: FOLHA

A nova organização militar do Brasil

O general do Exército José Carlos de Nardi assumiu nesta segunda-feira como o primeiro chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Brasil.


O PRIMEIRO CHEFE: O ministro da Defesa, Nelson Jobim (à esq.) acompanha a posse do primeiro chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general do Exército José Carlos de Nardi

O clima quente na disputa eleitoral entre PT e PSDB pela Presidência esconde os pontos em que os dois partidos concordam.  Um dos temas em que há mais consenso é a Defesa, uma questão de Estado que envolve a proteção de patrimônios como a Amazônia, o aquífero Guarani, instalações nucleares e a camada de petróleo do pré-sal.

No fim de agosto, o Congresso aprovou um projeto de lei complementar fazendo modificações na Defesa. Um debate polêmico era esperado, mas o projeto passou com tranqüilidade pela Câmara e pelo Senado. Nesta segunda-feira (6), ocorreu em Brasília uma cerimônia simbólica que marcou o início da chamada “Nova Defesa”.

O general gaúcho José Carlos de Nardi, que estava na reserva, tomou posse nesta segunda como o primeiro Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, um cargo novo que tem como objetivo fazer Aeronáutica, Exército e Marinha trabalharem de forma conjunta, e não mais combinada. A diferença é que no novo formato há um comando único para todas as operações, enquanto no anterior cada parte das Forças Armadas tinha seu comando próprio.

Natural de Farroupilha (RS), o general De Nardi tem 66 anos, foi adido militar do Brasil no Chile e comandante da 6ª Divisão de Exército (Porto Alegre), do Comando Militar do Oeste, em Campo Grande (MS), e do Comando Militar do Sul, em Porto Alegre (RS).

O Chefe do Estado-Maior Conjunto estará na mesma hierarquia dos comandantes de Forças, uma ponto que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, fez questão de reforçar na cerimônia de posse nesta segunda. “Eles estão na mesma linha hierárquica”, disse Jobim. “Na área de emprego das Forças, a competência é do Estado Maior, e na área de preparo, é dos comandantes”, afirmou.

O projeto de lei complementar que estabeleceu a Nova Defesa era um desejo do ministro Jobim. Em entrevista a ÉPOCA em abril, ele afirmou que buscou o consenso fazendo reuniões com PT, PMDB, DEM e no Instituto Fernando Henrique Cardoso, ligado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Na entrevista, Jobim disse não esperar grandes mudanças no setor de Defesa, seja eleita a petista Dilma Rousseff ou o tucano José Serra.

O projeto levou para o ministro da Defesa, um civil, responsabilidades que estavam sob o comando dos militares, como a escolha dos secretários militares e a formulação da proposta orçamentária, que será feita em conjunto com as Forças. A escolha dos comandantes das Forças e também do chefe do Estado Maior também passará pelo ministro, que indicará nomes ao Presidente da República.

O projeto também estendeu à Aeronáutica e à Marinha o poder de polícia que o Exército já tinha em regiões de fronteira. Até aqui, se um avião da Força Aérea se deparasse com uma aeronave usada para o tráfico de drogas, era obrigada a esperar a ação da Polícia Federal. Agora, poderá efetuar a prisão.

Nelson Jobim: "Com Dilma ou Serra, a defesa não muda"

O ministro da defesa, Nelson Jobim, desfruta uma situação única no governo Lula. Homem de confiança do presidente numa das áreas mais sensíveis da Esplanada, Jobim mantém estreitas relações com o candidato da oposição ao Planalto, José Serra (PSDB).

A dupla militância permite a previsão de que, em assuntos de Defesa, o Brasil manterá as diretrizes atuais caso a eleição seja vencida por Serra ou pela ex-ministra Dilma Rousseff.

“Fiz reuniões com PT, PMDB, DEM e com o ex-presidente Fernando Henrique”, diz Jobim, ao explicar as mudanças na área militar, como a subordinação ao poder civil, aprovadas no Congresso. Nesta entrevista a ÉPOCA, Jobim faz um balanço dos acordos internacionais do país e das medidas para tentar organizar a aviação no Brasil.

ENTREVISTA - NELSON JOBIM


QUEM É
Formado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tem 64 anos


A CARREIRA NO EXECUTIVO E NO JUDICIÁRIO
Assumiu o Ministério da Defesa em julho de 2007. Antes, foi ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso e presidente do Supremo Tribunal Federal

A CARREIRA NO CONGRESSO
Foi deputado federal entre 1987 e 1995. Exerceu as funções de sub-relator da Assembleia Nacional Constituinte, de líder do PMDB na Câmara e de relator da Revisão Constitucional em 1993

ÉPOCA – Como vai ficar a defesa nacional do Brasil no futuro?
Nelson Jobim – Os políticos e os governos civis viam a defesa com certa distância. Na época da Constituinte, a defesa se confundia com repressão política. Com isso, militares tinham de tomar certas decisões que, a rigor, eram decisões de governo civil. Exemplo: quais as hipóteses de emprego (das Forças Armadas) que politicamente interessam ao país? Isso é um misto de política internacional com defesa. Cabe ao poder civil definir o que os militares devem fazer em termos de defesa. Os militares decidem a parte operacional.

ÉPOCA – Isso aconteceu no governo Lula?
Jobim – Tudo é um processo. Não acontece assim, bum! Começou no governo Fernando Henrique, com a criação do Ministério da Defesa, em 1999, nas condições possíveis naquele momento. No governo Lula, avançou-se um pouco no início, com o ministro Viegas (José Viegas, primeiro ministro da Defesa de Lula). Os avanços mais doutrinários são consolidados pelo vice-presidente (José Alencar) que o sucedeu e, depois, pelo Waldir Pires. Quando assumi, decidi que precisávamos realizar uma mudança de concepção para dar mais musculatura ao Ministério da Defesa.

ÉPOCA – Como assim?
Jobim – O orçamento, por exemplo. Antes, as Forças (Marinha, Exército e Aeronáutica) se acertavam entre si dentro do limite fixado pelo Ministério do Planejamento. O ministro (da Defesa) não tinha participação. Também foi aprovado na Câmara o projeto de alteração da Lei Complementar nº 97. O Estado-Maior de Defesa passa a ser o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. Será chefiado por um oficial de quatro estrelas escolhido pelo presidente, indicado pelo ministro da Defesa. Vai ter a mesma precedência dos comandantes de Força. Ao assumir, vai para a reserva. Hoje, ele volta para a Força de origem.

ÉPOCA – Qual é o problema?
Jobim – Dá constrangimentos. Às vezes, precisa tomar decisão contrária ao interesse da Força de origem e tem dificuldade. Outra mudança é na política de compras, que hoje é fixada pelas Forças, mas será fixada pelo ministério em função do que o poder civil considera relevante. Precisamos de monitoramento e controle, mobilidade e presença. O monitoramento deve ser feito, por satélite, na Amazônia Legal e na Plataforma Continental, onde o Brasil tem soberania.


ÉPOCA – São planos de longo prazo?
Jobim – Ah, uns 20 anos...

ÉPOCA – O senhor, então, não espera grandes mudanças se o próximo presidente for Dilma Rousseff ou José Serra?
Jobim – Eu não espero.

ÉPOCA – A Defesa está acima das questões políticas?
Jobim – Tudo que estou falando foi discutido com todos os partidos. Fiz reuniões com o PT, o PMDB e com o DEM. Fui ao Instituto Fernando Henrique Cardoso. Estava cheio de gente lá, todos os ministros dele, todos meus colegas, e várias outras pessoas, intelectuais também.

ÉPOCA – Não há ideologia nessa área?
Jobim – Eu quis descolar, mostrar que não é um programa do governo. É um programa do Estado.

ÉPOCA – O que mais mudou?
Jobim – Tem uma mudança doutrinária. Saímos do conceito de operações combinadas para o conceito de operações conjuntas. Na combinada, cada Força tem seu comando próprio. Na conjunta, tem um comando só para as três Forças. O comandante da operação vai depender do teatro de operações. Se for a Amazônia, o comandante da operação vai ser do Exército. Se for no mar, vai ser um almirante.

ÉPOCA – O que, de fato, interessa ao Brasil em termos de defesa?
Jobim – O Brasil não é um país com pretensões territoriais, não vamos atacar ninguém. Então, devemos ter um poder dissuasório. Temos três coisas fundamentais. Uma é energia, que tem o pré-sal e também energia alternativa, energia limpa, entre elas a energia nuclear. Segundo, o Brasil tem as maiores reservas de água potável do mundo: a Amazônia e o Aquífero Guarani. E, terceiro, temos a maior produção de grãos. São coisas que, progressivamente, o mundo vai demandar mais.


Fonte: Época/Eumano Silva

Senado aprova poder de polícia para Forças Armadas nas fronteiras

Proposta dá ao ministro da Defesa poder de indicar chefes militares. Projeto de iniciativa do Executivo segue para sanção presidencial.

Sessão do Senado que aprovou nesta quarta (4) o patrulhamento de áreas de fronteira pelas Forças Armadas (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (4) um projeto que dá poder de polícia para as Forças Armadas nas regiões de fronteiras. O projeto segue agora para sanção presidencial. A proposta foi enviada pelo Executivo ao Congresso em dezembro do ano passado.

Pelo texto, será permitido às Forças Armadas fazer patrulhamento, revista de pessoas, veículos, embarcações e aeronaves e prisões em flagrante. Essas atividades são permitidas tanto nas fronteiras terrestres quanto nas águas intermas e marítimas.

O texto do projeto não estabelece a área de patrulha de fronteira. De acordo com a Constituição, porém, a área de fronteira terrestre equivale a uma faixa de 150 quilômetros de largura.

A possibilidade de patrulhamento em rios, lagos e no mar também dá poderes às Forças Armadas para coibir o tráfico de drogas. Segundo o Ministério da Defesa, desde que a Lei do Abate entrou em vigor, traficantes trocaram o transporte de drogas em pequenos aviões na Amazônia por embarcações nos rios Solimões e Negro, por exemplo.

A Lei do Abate permite a derrubada de qualquer aeronave que entre no espaço aéreo brasileiro e não obedeça às orientações de pouso dos pilotos da Força Aérera Brasileira nos casos de abordagem.


Terras indígenas

Ainda na Câmara, que aprovou o projeto em março, os deputados incluíram uma emenda de Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) enfatizando que o poder de polícia independe da “posse, propriedade ou finalidade” da terra. Com isso, Pannunzio acredita estar autorizado o patrulhamento de terras indígenas pelas Forças Armadas.

O projeto faz outras alterações na estrutura nacional de Defesa do país e aumenta o poder do ministro da Defesa. Caberá a ele e não mais ao presidente da República a indicação dos comandantes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha. O texto aprovado pelo Senado é o mesmo votado pela Câmara.

Fonte: G1

Marina critica falta de transparência na compra de caças

Durante a visita que fez à Embraer, em São José dos Campos, nesta segunda-feira (12), a candidata do PV à presidência da república, Marina Silva, criticou o modo como o governo brasileiro tratou o acordo para a compra de novos caças... Leia aqui

EUA enterra soldado morto há mais de 90 anos

Corpo de combatente da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) estava na França

O Exército dos Estados Unidos enterrou nesta segunda-feira (12) o corpo do militar Thomas D. Costello, morto durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918)./Win McNamme/AFP

Os restos do soldado foram encontrados em 2006, na França, onde ele foi enterrado próximo à cidade de Jaulny, após morrer numa batalha contra forças inimigas na região. A ossada do militar foi sepultada com honras militares no Cemitério Nacional de Arlington, em Washington.


Fontes: R7 - Agências

José Goldemberg: “O Brasil quer a bomba atômica”

Para o físico, ao defender o direito nuclear do Irã, Lula deixa a porta aberta para fazer a bomba

O Brasil aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) em 1998, durante o governo FHC. O tratado tem 189 signatários. Entre as exceções estão Israel, Paquistão, Índia e Coreia do Norte – países detentores de arsenais nucleares.

Desde 2008, os Estados Unidos pressionam o Brasil a assinar o Protocolo Adicional do TNP. Mais restritivo, o protocolo obriga os países a abrir quaisquer instalações suspeitas à inspeção. O Irã não aderiu e construiu uma usina secreta, revelada em 2009.

O Brasil se recusa a assinar o protocolo e defende o direito do Irã de ter a energia nuclear – oficialmente apenas para fins pacíficos. Para o físico José Goldemberg, uma autoridade internacional em assuntos de energia, essas são evidências, somadas a outras, de que o Brasil busca a posse de armas nucleares.

ENTREVISTA - JOSÉ GOLDEMBERG


QUEM É
Gaúcho de Santo Ângelo, José Goldemberg, de 82 anos, é físico nuclear


O QUE FEZ
Foi reitor da Universidade de São Paulo (1986-1990), ministro da Educação (1991-1992), secretário federal da Ciência e Tecnologia (1990-1991) e do Meio Ambiente (1992)

PRÊMIOS
Prêmio Volvo do Meio Ambiente (2000) e Prêmio Planeta Azul (2008), o “Nobel” do Meio Ambiente

ÉPOCA – Por que o senhor afirma que o governo Lula vê com simpatia a posse da bomba?
José Goldemberg – Motivos não faltam. Eles vão desde o apoio ao programa nuclear do Irã até as declarações de membros do primeiro escalão, como o vice-presidente José Alencar. Ele defende o desenvolvimento de armas atômicas. Parece uma volta aos tempos da ditadura.


ÉPOCA – Qual era a posição dos militares com relação à construção da bomba?
Goldemberg – O governo Geisel fez o acordo nuclear com a Alemanha. Era caríssimo. Previa a construção de oito reatores com grau crescente de nacionalização. Cobria todas as etapas da tecnologia nuclear, incluindo o enriquecimento e o reprocessamento de urânio. Lê-se na ata de uma reunião do Conselho de Segurança Nacional, em 1975, que o projeto era para fins pacíficos, mas seria mantida aberta a opção militar. Do ponto de vista técnico fazia sentido. Para quem domina o ciclo nuclear pacífico, o militar não é tão diferente. Claramente, em 1975, o governo deixou a porta aberta para fazer armas nucleares.


ÉPOCA – O programa não andou.
Goldemberg – A Alemanha iria repassar a tecnologia de supercentrífugas para enriquecer urânio, mas os EUA vetaram. Em troca, os alemães ofereceram outra tecnologia, experimental e duvidosa, a das centrífugas a jato. Aí veio a crise dos anos 1980, tornando o programa nuclear inviável. Das oito usinas, só Angra 1 saiu do papel (em 1984). No governo Sarney, em 1986, revelou-se a existência do poço cavado pelos militares para testes nucleares subterrâneos na Serra do Cachimbo, no Pará. Em 1988, a nova Constituição proibiu o uso da energia nuclear para fins militares. Em 1990, o governo Collor contrariou os militares ao desativar o programa nuclear do Exército e da Força Aérea. A Marinha continuou enriquecendo urânio, nominalmente para fins pacíficos – e sonhando com o submarino nuclear. Em 1998, o governo Fernando Henrique aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear.


ÉPOCA – O que prevê o TNP?
Goldemberg – Foi criado em 1968 para impedir a proliferação de armas nucleares. Sua posse ficou restrita às potências que já as possuíam: EUA, União Soviética, Inglaterra, França e China. O TNP visa o desarmamento nuclear e o uso pacífico da energia nuclear. Até hoje deu certo. Nenhuma bomba foi usada desde 1945. Os americanos cogitaram usar na Guerra da Coreia (1950-1953) e na Indochina, em 1954, para evitar a derrota francesa. A Crise dos Mísseis de 1962 foi o auge da Guerra Fria. Os EUA e a União Soviética tinham 65 mil ogivas. Hoje, EUA e Rússia têm 2 mil cada um.


ÉPOCA – Como é a fiscalização do TNP?
Goldemberg – É feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ela tem acesso às instalações nucleares oficiais dos signatários – não às secretas.


ÉPOCA – Como assim?
Goldemberg – A AIEA só pode fiscalizar instalações oficiais. O TNP não permite à AIEA investigar instalações suspeitas. Os EUA temiam o desenvolvimento de programas nucleares secretos no Iraque, no Irã e na Coreia do Norte. Em 1997, criou-se o Protocolo Adicional do TNP. Ele autoriza inspecionar qualquer instalação passível de uso nuclear – como o reator secreto do Irã, revelado em 2009.

ÉPOCA – O Brasil apoia o direito do Irã de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos. Há relação com o protocolo?
Goldemberg – Claro. Desde 2008, os EUA pressionam o Brasil a assinar o Protocolo Adicional. O governo se recusa. O Irã de hoje poderá ser o Brasil de amanhã.

ÉPOCA – O secretário de Assuntos Estratégicos, Samuel Guimarães, diz que “foi um erro assinar o TNP” porque a Constituição brasileira já proíbe o uso militar do átomo.
Goldemberg – Ele tem razão. Mas, se um dia algum governo decidir mudar a Constituição, não abrirá nenhum precedente. A Constituição de 1988 é a oitava desde a Independência e acumula 62 emendas. Em comparação, os EUA têm a mesma Constituição desde 1776, só com 27 emendas, e a Inglaterra nem Constituição escrita tem. Quando pressionam Brasília a assinar o protocolo, as potências devem estar olhando com atenção nosso histórico constitucional.

”O silêncio de Lula encoraja a desconfiança de que o Brasil teria intenções de fazer armas nucleares para exercer sua soberania”

ÉPOCA – Ter o submarino nuclear na defesa do pré-sal é o argumento do ministro da Defesa, Nelson Jobim, contra a assinatura do protocolo.
Goldemberg – Não assinar o protocolo pode tornar o Brasil alvo de sanções internacionais, como as impostas ao Irã pelas Nações Unidas (ONU).

ÉPOCA – Nossa economia é muito maior e mais diversificada que a do Irã. Neste cenário, qual sanção teria efeito contra o Brasil?
Goldemberg – A ONU pode congelar os bens e as contas bancárias brasileiras no exterior, paralisar o comércio externo e barrar transferências de tecnologia. Se nossa economia é maior e estamos mais integrados ao mundo, isso nos torna mais vulneráveis às sanções, não menos.

ÉPOCA – O vice-presidente José Alencar disse o seguinte: “Arma nuclear usada como instrumento dissuasório é de grande importância para um país com 15.000 quilômetros de fronteiras e um mar territorial com petróleo na camada pré-sal. Dominamos a tecnologia nuclear. Temos de avançar nisso aí”.
Goldemberg – Alencar pode dizer o que quiser. Ele foi eleito, não é um político nomeado. Mas não concorrerá às eleições. Está doente e no fim da vida. O que me preocupa é ver o ministro da Defesa e o secretário de Assuntos Estratégicos, auxiliares diretos do presidente da República, se manifestarem contra o Protocolo Adicional. Em nenhum momento o presidente veio a público desautorizá-los. O silêncio de Lula encoraja a desconfiança de que o Brasil teria intenções de fazer armas nucleares para exercer sua soberania. O Brasil quer a bomba.

ÉPOCA – Alencar vê a posse da bomba como uma via de acesso ao assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Ele citou o exemplo do Paquistão, um país pobre, mas com assento em vários organismos internacionais.
Goldemberg – Não me parece que passe pela cabeça de alguém de bom-senso ceder ao Paquistão uma vaga no Conselho de Segurança. O Paquistão é uma fonte de preocupação. Está em guerra civil. Suas instituições estão desmoronando e parte do território caiu sob controle da guerrilha islâmica e da rede Al Qaeda. Se o Paquistão deixar de existir, quem será o primeiro a tentar pôr as mãos numa de suas bombas? Osama Bin Laden.


ÉPOCA – Temos gente para fazer a bomba?
Goldemberg – Sim, muita. A tecnologia não é nova. Havendo vontade governamental e recursos, bastaria alguns anos.


ÉPOCA – Não basta ter a bomba. É preciso meios de lançá-la.
Goldemberg – O governo retomou o projeto de lançador de satélites. Se existisse, poderia levar ogivas.


Fonte: ÉPOCA/Peter Moon

Brasil anuncia instalação de 11 bases na fronteira

Governo deve gastar R$ 56 milhões no projeto que começa a ser implantado neste ano


Cumprimento entre o presidente Lula (à esq.) e a do Paraguai, Lugo, em Ponta Porã (MS) nesta segunda-feira (3); Brasil irá construir bases policiais/Norberto Duarte/AFP

O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, anunciou nesta segunda-feira (3) um novo projeto conjunto da Polícia Federal com a Força Nacional que prevê a instalação de 11 bases ao longo das fronteiras brasileiras com todos os seus vizinhos da América do Sul.

A intenção é unir o projeto da Polícia Especializada de Fronteira (Pefron) - da Força Nacional de Segurança Pública - ao projeto Sentinela, da Polícia Federal.

As bases serão instaladas nos Estados do Amapá, Amazonas, Pará, Roraima, Acre, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, em um total de investimentos de R$ 60 milhões em 2010, para aquisição de lanchas, helicópteros, inteligência e policiais para que o tráfico de drogas e armas seja combatido.

"Nós vamos unir os dois projetos e criar quadros com policiais da Força Federal e da Força Estadual para preparar para o enfrentamento ao crime na fronteira, principalmente para ter maior controle de armas e drogas", disse o ministro, em entrevista em Ponta Porã (MS), onde acompanha o encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente do Paraguai, Fernando Lugo.

Barreto ainda disse que o governo brasileiro está em processo de comprar aeronaves não tripuladas israelenses com objetivo de monitorar plantações de maconha e estabelecimentos para refino da cocaína, facilitando o combate ao narcotráfico.

- Será uma cooperação técnica com os países vizinhos, e em conjuntos com as inteligências para o combate ao tráfico na fronteira. Vamos dar uma resposta muito concreta à entrada de ilegais nas nossas fronteiras. E aí, com as bases, o nosso interesse é em empreender cooperação com o país vizinho, a fim de combatermos em conjunto estes crimes que atingem os dois países.

O ministro também disse que a ação integrada já desenvolvida pela Polícia Federal, para atuar nas regiões das fronteiras com Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. De acordo com o ministro, 506 policiais já estão em fase de treinamento presencial e por ensino à distância, para estabelecer estratégias distintas para cada fronteira.

Somente em Mato Grosso do Sul, onde o tráfico de drogas e armas tem como uma principais portas de entrada, a fronteira com o Paraguai tem 1.364 mil km e com a Bolívia 3.423 mil km.

Perto do início da tarde, os presidentes participavam do encerramento do seminário empresarial "Brasil-Paraguai: Perspectivas de Comércio e Investimentos na Fronteira", no Centro de Convenções de Ponta Porã.

Violência e tráfico assustam região de fronteira

Mesmo com o forte redirecionamento de bases militares e policiais para as regiões de fronteira, elas ainda são um ponto de passagem de drogas, tráfico e contrabando. Cada vez mais profissional, já que o “romantismo” dos sacoleiros dos anos 80 deu lugar a quadrilhas cada vez mais organizadas e que passam de tudo pelas fronteiras do país.

Armas são alguns dos itens mais perigosos que furam os bloqueios nos limites do país. A questão foi reacendida na última semana, quando um atentado contra o senador paraguaio Robert Acevedo (Partido Liberal Radical Autêntico) na cidade irmã de Ponta Porã, Pedro Juan Caballero, chamou a atenção para possíveis elos de facções criminosas brasileiras com paraguaias.

Uma outra hipótese, a de que os homens que atacaram Acevedo sejam pistoleiros contratados também não apaga as questões sobre a facilidade de cometer atos irregulares na região e a falta de policiamento.

Do lado paraguaio, a região de Pedro Juan Caballero está em uma área que recebeu um reforço policial do país, já que o Departamento no qual se localiza, Amambay, está sob o estado de exceção decretado pelo presidente Lugo para combater a guerrilha do EPP. Os paraguaios acusam, inclusive, o Brasil de colaborar com a guerrilha, de caráter socialista e que tem colaborado na expulsão de lavradores brasileiros, por abrigar três homens acusados de participar do grupo.

O Brasil nega as acusações e refutou o Paraguai na última semana ao afirmar que não há provas que liguem os três a atividades recentes do EPP. O Paraguai apresentou apenas artigos de jornal implicando os três paraguaios que têm refúgio no Brasil, de acordo com autoridades brasileiras.

Fontes: R7 -AE

Câmara aprova projeto que reestrutura as Forças Armadas

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira o projeto de lei complementar do Poder Executivo que reestrutura as Forças Armadas e unifica as operações da Marinha, da Aeronáutica e do Exército.

Aprovado por 328 votos a 5, o projeto reestrutura o Ministério da Defesa, reorganiza o preparo, o emprego e uso das Forças Armadas tanto nas suas funções constitucionais tradicionais como subsidiárias --garantia da lei e da ordem e a questão da defesa civil.

O projeto, que será agora apreciado pelo Senado, cria o Estado-Maior das Forças Armadas e dá ao ministro da Defesa poderes de direção. "Centraliza nas mãos do ministro da Defesa a escolha dos comandantes das três forças e a promoção dos oficiais generais", disse o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), relator da matéria em plenário. Segundo o ele, o projeto também centraliza as compras das Forças armadas.

Jungmann explicou ainda que o texto aprovado dá poderes de polícia à Marinha e à Aeronáutica nas áreas de fronteira, uma vez que o Exército já tinha esse prerrogativa. Para o parlamentar, a aprovação do projeto é uma grande conquista para reduzir a violência, o crime organizado e aumentar o combate às drogas e ao tráfico de armas.

Outra novidade, de acordo com Jungmann, é que o Congresso passa a ser co-responsável pela política de defesa. "Agora, o Congresso terá co-responsabilidade, porque a estratégia nacional de defesa será votada na Casa e será atualizada de quatro em quatro anos, no meio do mandato do presidente da República".

O projeto cria, segundo Raul Jungmann, o livro branco da defesa nacional, onde será publicada e atualizada a situação das Forças Armadas, tais como composição das Forças Armadas, equipamentos, "dando total transparência para que amigos e potenciais inimigos e o povo saiba qual a situação da defesa nacional e das Forças Armadas".

Fonte: FOLHA

Além do Haiti, Brasil está presente em outras 13 missões de paz pelo mundo

Especialistas ressaltam importância da presença brasileira nessas ações. Veja quais países recebem os mais de 1,3 mil militares do Brasil.


Militares do Exército passaram seis meses em missão de paz no Timor Leste (Foto: Arquivo Pessoal)

São mais de 1,3 mil brasileiros, homens e mulheres do Exército, envolvidos em 14 missões de paz que acontecem, atualmente, pelo mundo. A que conta com o maior número de brasileiros - mil, ao todo - é a do Haiti. Outros 900 militares ainda serão enviados ao país. Essa é única missão coordenada pelo Brasil. A operação, chamada Minustah, começou em 2004 com a proposta de auxiliar na estabilização do Haiti e atuar como força policial. Hoje, depois do terremoto que atingiu o país há um mês, a missão passa a ter um caráter ainda mais humanitário.


Tenente-coronel Nelson Santana da Silva, comandante do 8º Batalhão de Polícia do Exército (Foto: Raul Zito/G1)

“A Organização das Nações Unidas (ONU) tem entre seus propósitos manter a paz em seu sentido mais amplo. E esse é o objetivo das missões de paz. Quando essas operações tiveram início, na década de 50, sobretudo no período da Guerra Fria, tropas eram mantidas em zonas de conflito, em geral depois do cessar-fogo, para garantir a manutenção da paz. Nesse caso, a função das tropas era, de forma imparcial e com o consentimento das partes envolvidas, manter as partes conflitantes separadas fisicamente. Com o fim da Guerra Fria, as operações passaram a ser mais abrangentes, a fim de construir a paz. É assim nossa missão no Haiti”, diz ao G1 Celso Lafer, ex-ministro das Relações Exteriores e professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

Lafer explica que o Haiti não ameaça a paz internacional, mas ainda assim precisa da presença de militares que atuem na reconstrução do país, de forma multidisciplinar. “A ideia é trabalharmos em uma atuação de natureza humanitária, principalmente depois da ocorrência do terremoto”, afirma.


Exército presta atendimento médico em missão no Timor (Foto: Arquivo Pessoal)

Para quem atua em uma missão de paz, as dificuldades da rotina em um país em conflito são as mais diversas. Foi assim com o tenente-coronel Nelson Santana da Silva, comandante do 8º Batalhão de Polícia do Exército, de São Paulo. Silva cumpriu missão no Timor Leste pelo 4º Batalhão de Polícia do Exército, de Olinda (PE), durante seis meses. “Foi uma missão de tropa de Polícia do Exército. Ficamos lá de agosto de 2001 a janeiro de 2002. Nós fomos o quinto contingente brasileiro a atuar no Timor”, diz.

Silva era capitão e durante a missão foi promovido a major. Ele comandava a tropa de Polícia do Exército da Força de Manutenção da Paz da ONU. “A nossa companhia cumpria as missões de polícia voltadas especialmente para os militares e civis da ONU. Fazíamos escolta de comboios, escolta de autoridades, revista de pessoal, perícia criminal, escolta e custódia de presos, patrulhamento ostensivo, entre outras coisas”. Essas, no entanto, eram as funções oficiais da equipe. “Extraoficialmente nós ainda reconstruímos uma escola e auxiliamos com apoio de saúde um ‘orfanato’ de crianças abandonadas pelas mães”, conta.


Inspeção do Comando de Operações Terrestres no Timor Leste (Foto: Arquivo Pessoal)

objetivo específico da missão no Timor é a manutenção da disciplina entre os militares que operam no país, mas, para o tenente-coronel, os meses longe da família representaram mais do que o cumprimento de tarefas.

“A gama de sensações a que somos submetidos desde quando somos selecionados até o nosso retorno ao Brasil é imensa. Com a seleção, nos sentimos reconhecidos profissionalmente pelo Exército, pela família e pelos amigos. Com o retorno, sentimos o sabor único da missão bem cumprida. Durante a missão somos gratificados todos os dias. No Timor Leste, a precariedade material e afetiva das pessoas era gritante. Toda vez que auxiliávamos alguém provendo segurança, fornecendo alimento, tratando a saúde, realizando um parto e até salvando vidas, sentíamos o quanto valia a pena estar ali.”

O maior desafio para Silva foi a distância da família e do Brasil. “Quando conseguíamos contato telefônico era o júbilo. Quando recebíamos correspondências ou conseguíamos uma vídeoconferência era a glória. Nós nos apegávamos aos filmes, à música e à culinária brasileira de corpo e alma”, diz.

Durante os seis meses de missão, o militar conseguiu ver a mulher, que viajou para encontrar com ele, mas seus filhos não puderam ir. “Cada militar tem 18 dias de dispensa para serem tirados em duas etapas de nove dias: a primeira após três meses de missão e a segunda após cinco meses. A distância do Timor foi um obstáculo quase intransponível neste sentido. E aliado ao alto valor das passagens, praticamente impediu visitas pela família.”

Treinamento


Após treinamento, equipe se despede do Recife rumo à missão de paz no Timor, em 2001 (Foto: Arquivo Pessoal)

O preparo de um militar que vai integrar uma missão de paz, segundo Lafer, é bastante trabalhoso. “Envolve o conhecimento do país e das dificuldades por que ele passa, o domínio da língua, e competência para lidar com os problemas específicos com os quais cada operação se confronta. No Haiti, um grande problema é a logística de entrega de comida e água, por exemplo, e é preciso experiência para lidar com escombros, por isso os Bombeiros estão a caminho.”

Os treinamentos para as Missões de Paz são coordenados pelo Comando de Operações Terrestres, de Brasília, e são realizados efetivamente pelos Comandos Militares de Área. São geralmente três meses de instrução intensiva.

O preparo envolve treinamentos de tiro, educação física, cursos voltados para o ambiente operacional com cursos de inglês, de administração de conflitos e negociação, de Direito Internacional Humanitário, além de palestras sobre os hábitos e costumes e sobre a história do conflito do país em que ocorrerá a missão.

Protagonismo no cenário mundial

Além do aspecto da solidariedade, participar de missões de paz pode trazer bons retornos para o Brasil diante do cenário internacional. “Se o país contribui para resolver certas questões tópicas, ele aumenta também sua credibilidade e confiabilidade. Isso é sempre um ativo nas negociações internacionais. Conduzir ou participar de missões de paz corresponde à dimensão dos objetivos gerais do Brasil, interessado na maneira como funciona o mundo”, afirma Lafer.

Para André de Carvalho Ramos, professor de Direitos Humanos e Direito Internacional da Faculdade de Direito da USP, a longo prazo, a atuação em missões de paz favorece o objetivo maior de garantir a dignidade humana e inclui o Brasil em diálogos internacionais. “O Brasil começa a construir um certo protagonismo na esfera internacional, e isso fortalece os interesses brasileiros em outros campos. O país passa a ter capacidade de participar de diálogos internacionais não só no que diz respeito à segurança, mas quanto à economia, clima, porque há inter-relação entre os temas”, diz.

O embaixador Gelson Fonseca Junior também defende a importância da presença brasileira em missões de paz. "A paz interessa a todos, principalmente em um mundo globalizado como o nosso. Todo o sistema, seja política, social ou economicamente, funciona melhor se você for capaz de evitar focos de conflito", afirma.

Entidades de manutenção da paz

A Minustah é uma das 11 missões com participação brasileira sob a proteção da Organização das Nações Unidas (ONU). Outra três missões, essas de desminagem humanitária, são realizadas sob a égide da Organização dos Estados Americanos (OEA). De acordo com especialistas, a única diferença entre as entidades é o fato de a primeira ter caráter mundial, enquanto a segunda é regional.

“A OEA, criada em 1948, três anos depois da criação da ONU, tem também o objetivo de auxiliar na manutenção da paz, mas de forma regional, nas Américas. A existência da OEA torna mais fácil a mobilização porque envolve países afins, com proximidade geográfica e histórica”, afirma Ramos.

De acordo com o Exército, as missões da OEA e da ONU têm diferenças operacionais. Enquanto que as da primeira destinam-se à preparação de pessoal especializado em trabalhos de desminagem, supervisionando a limpeza de áreas minadas, as missões da ONU estão relacionados à manutenção da paz e a segurança, assistência e monitoração de processos políticos, treinamento de policiais e desarme e reintegração de ex-combatentes.

Para o professor Ramos, a tendência é que as missões de paz se apliquem cada vez mais aos conflitos internos, e menos no âmbito mundial. “Antes, a preservação da paz visava à ausência da guerra. Hoje há conflitos internos, dentro do próprio Estado, de proporções graves, que também ameaçam a paz. A paz tem um novo conceito, mais amplo, e corresponde também a ter uma vida digna, sem a violação dos Direitos Humanos”, diz.

Fonte: G1/Nathália Duarte

Forças Armadas têm gays, mas que isso não fique explícito, diz general da reserva

Indicado a tribunal militar disse que tropa não obedece militar homossexual. Declaração em audiência do Senado gerou manifestações de entidades.

General Raymundo Nonato de Cerqueira Filho

O presidente do Clube Militar, General da reserva Gilberto Figueiredo, manifestou nesta quinta-feira (4) apoio à declaração do General Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, indicado para ministro do Superior Tribunal Militar.

Na quarta (3), Cerqueira Filho disse que os soldados não obedecem a comandantes homossexuais.

"Concordo com o general Cerqueira. Como opção pessoal, particular, ninguém tem nada a ver com isso. Mas no desempenho das atividades, não entendo como seria possível [um militar assumir a homossexualidade]. (...) Há homossexuais nas Forças Armadas, isso não é de hoje. Como opção particular, quando sai do quartel, com discrição, pode exercer a opção que bem entender. Mas que isso não fique explícito", afirmou ao G1 o general Figueiredo, presidente do Clube Militar, cujos integrantes são, na maioria, oficiais da reserva.



Segundo ele, o desempenho das atividades por um militar homossexual é "difícil de ser respeitado". "Entre nós (militares) ainda é tema de chacota [o homossexualismo], de piada, de brincadeira. Uma pessoa que se sujeita a essa resistência toda fica difícil de ser respeitada, de ser entendida."

O general Figueiredo, na reserva há sete anos, disse que conheceu diversos casos de homossexualismo quando estava em atividade e afirmou que alguns militares chegaram a ser afastados porque assediaram sexualmente outros oficiais.

"Talvez os casos passados de assédio que aconteceram, marcaram essa resistência do militar em admitir esses casos. Tem que ser discutido sim, tem que ter um estudo sério. Mas a minha opinião é que no dia de hoje, dentro do contexto cultural das Forças Armadas, isso não dá certo. (...) Esse tema é meio tabu, mas é praticamente consensual dentro das Forças Armadas essa posição [de que o homossexualismo não seja aceito]."

Declaração

O general Cerqueira Filho, indicado para ocupar uma vaga de ministro do Superior Tribunal Militar (STM), participou de audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Cerqueira Filho e o almirante Álvaro Luiz Pinto, também indicado ao STM, participavam da audiência quando foram questionados pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e Eduardo Suplicy (PT-SP) sobre o tema.


“Vossas excelências são favoráveis ao ingresso de homossexuais em qualquer das forças e acham que essa polêmica tem razão de ser?”, indagou Demóstenes. Suplicy quis saber se os dois militares defendiam a exclusão de homossexuais das Forças Armadas.

Em sua resposta, o general Cerqueira Filho disse que iria responder "de uma maneira sincera". "Não é que eu seja contra o homossexual, cada um tem que viver sua vida. Entretanto, a vida militar se reveste de determinadas características que, em meu entender, tipos de atividades que, inclusive em combate, pode não se ajustar ao comportamento desse tipo de indivíduo", afirmou.

Manifestações

A declaração gerou manifestações contrárias por parte de entidades.

O ex-sargento do Exército Fernando de Alcântara Figueiredo, envolvido no primeiro caso assumido de um casal gay na história das Forças Armadas brasileiras, atualmente integrante da ONG Tortura Nunca Mais e do Instituto Ser, classificou a declaração do general Cerqueira Filho como "retrógrada e infeliz" e disse que o militar "está muito mal informado".


"Isso mostra que ele desconhece a história. Alexandre, o Grande, era homossexual e a tropa obedecia. Trabalhei 15 anos nas Forças Armadas e nunca fui desrespeitado", afirmou.

Alexandre, o Grande, foi rei da Macedônia há mais de 2.300 anos e é lembrado por sua habilidade em estratégias militares por ter comandado uma das maiores expansões territoriais do mundo antigo. Algumas fontes históricas e filmes sobre a época relatam a homossexualidade de Alexandre.


O ex-sargento também afirmou que há diversos casos de homossexualismo nas Forças Armadas, mas os militares temem assumir. "Meu caso não é específico e isolado, tem várias demandas desse tipo e precisamos trazer isso para a sociedade, que a intransigência é coisa comum nas Forças Armadas. (...) Numa situação de batalha, o meu sangue como homossexual é tão importante quanto o de um heterossexual. O que dita o caráter não é a vida íntima. É muita hipocrisia. Eu mesmo conheço generais que são homossexuais."

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou nota nesta quinta-feira (4) na qual condena as declarações do general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho. "É lamentável que este tipo de discriminação ainda continue existindo nos dias de hoje nas Forças Armadas brasileiras", disse o presidente nacional da entidade, Ophir Cavalcante.

O presidente da Ordem acrescentou que para a carreira militar o que se deve exigir é disciplina, treinamento e a defesa do país, nos termos da Constituição, independentemente de sua opção sexual. “A defesa do país tem que ser feita por homens e mulheres preparados, adestrados e treinados para este fim, independente da opção sexual de cada um."

A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), com sede em Curitiba (PR), também criticou a declaração. O presidente da entidade, Toni Reis, disse ainda que a capacidade de liderança de uma pessoa não está na sua sexualidade. "É uma fala equivocada, discriminatória. A autoridade de uma pessoa não está em qual lado ela sente prazer, mas na sua capacidade de liderança. Eu conheço diversos heterossexuais que não têm capacidade de liderança."

Para Reis, o general precisa "rever seus conceitos". "Ele está indo contra a Constituição Federal, que diz que todos são iguais."

Fonte: G1/ Mariana Oliveira

Exército fecha contrato de R$ 6 bilhões para compra de 2.044 blindados

Fabricante será Iveco, do grupo Fiat; trabalhos começam em 2012.
Produção deve ser entregue em até 20 anos e substituirá Urutus.


Veículo da Iveco começa a ser produzido em 2012 (Foto: Divulgação/Iveco)

O Exército assinou nesta sexta-feira (18) contrato de R$ 6 bilhões com a montadora italiana Iveco, pertencente ao grupo Fiat, para a produção de 2.044 blindados em um período de aproximadamente 20 anos, informaram a empresa e o Exército.

"Para o Exército Brasileiro, este projeto significa aumentar a operacionalidade da Força Terrestre, incrementando sua capacidade de atuação nas diversas missões onde a utilização desse tipo de veículo é adequada", disse a força militar em nota no seu site.

Segundo a Iveco, os blindados, conhecidos como Veículos Blindados para o Transporte de Pessoal Médio Sobre Rodas (VBTP-MR), substituirão os atuais modelos Urutus, usados atualmente pelos militares brasileiros.

A fabricação dos blindados deve começar em 2012 e terminar em 2030. Segundo a Iveco, a produção envolverá 110 fornecedores diretos e até 600 indiretos no Brasil.

"O VBTP-MR será uma família de veículos de transporte de 18 toneladas, equipada com motor diesel, tração 6x6 e capacidade anfíbia, capaz de transportar 11 militares", disse a Iveco. O acordo é resultado de uma licitação vencida pela Iveco em 2007. Os veículos serão produzidos no Brasil.

Reforço

Nos últimos anos, o país tem buscado reequipar suas Forças Armadas e já fechou acordos para compra de helicópteros e submarinos franceses, além de uma parceria com a França para a parcela convencional de um submarino nuclear.

A Força Aérea lançou em 2008 o programa F-X2 para a compra de 36 caças de multiemprego para substituir a frota da Aeronáutica. São finalistas do processo a norte-americana Boeing, com o F-18 Super Hornet; a francesa Dassault, com o Rafale; e a sueca Saab, com o Gripen NG.

O anúncio do vencedor da disputa, inicialmente previsto para este ano, deve ser feito somente em 2010.

Fonte: G1

Jobim diz que mudança na Defesa é instrumento de civilidade

O ministro informou que enviará ao Congresso projeto para criação de curso de formação em Defesa para civil

País está em momento político real para viabilizar a civilização da Defesa, disse Jobim/Wilton Junior/AE

RIO DE JANEIRO - Ao comentar o projeto de lei complementar que dá poderes de polícia à Marinha e à Aeronáutica, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse nesta sexta-feira, 6, que o fortalecimento do ministério servirá como instrumento de civilidade. Para Jobim, o País está "em um momento político efetivo e real no sentido de viabilizar a civilização do ministério da Defesa".

Proposta é um modelo moderno

Roberto Godoy

Exército não é polícia - até que seja convocado para tratar da preservação da lei e da ordem. É um modelo moderno. Mas, antes disso, é preciso ter certas garantias.

A Lei 97 trata de dar cobertura jurídica ao eventual envolvimento da tropa em operações críticas, como a intervenção em áreas urbanas conflitadas. Isso acontece no Haiti, onde o contingente de 1.200 combatentes brasileiros, sob mandato da ONU, cumpre a missão de pacificação das zonas mais tensas do país. Na Força Internacional, é o grupo com melhor saldo de sucessos e o mais bem aceito pela população.

A avaliação pelos severos códigos militares das ações de campo é garantia necessária. A Aeronáutica tem experiência a contar da Lei do Abate, que permite, em situação extrema, que uma aeronave hostil ou em voo ilícito seja derrubada a tiros.

Em operação conjunta com a Polícia Federal o Esquadrão Flecha, da Força Aérea, participou da apreensão, no primeiro semestre de 2008, de 1,3 tonelada de drogas contrabandeadas a partir da fronteira oeste. As prisões e autuações foram feitas pela PF. Agora, com ganho de tempo e maior agilidade, poderão ser executadas pelos militares - não apenas no caso da FAB, mas, com ajustes a cada situação, também pelo Exército e pela Marinha.

Outra modificação em benefício da modernização da estrutura da Defesa, a criação do Estado-Maior Conjunto, deve ser entendida como ferramenta de integração dos comandos, tanto nas situações de crise como na gestão de recursos para as missões do tempo de paz.

Fonte: O ESTADO

Gilmar Mendes apoia poder de polícia às Forças Armadas

Projeto de Lei fortalece o cargo de ministro da Defesa, que assume o comando operacional militar

Para o presidente do STF, Forças Armadas devem monitorar fronteiras contra entrada de drogas/Marcos Arcoverde/AE

RIO DE JANEIRO - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, disse nesta sexta-feira, 6, que considera uma boa iniciativa o projeto de Lei Complementar 97, que prevê dar mais poder de polícia às Forças Armadas. Mendes aproveitou para pedir maior integração entre as forças de segurança no combate ao crime.

"O Brasil tem que deixar de tratar este tema de forma compartimentada. Há uma crise na área de segurança pública. A droga vem de fora. Há um grande problema nas fronteiras. As Forças Armadas têm condições de monitorá-las. Por que não há algum tipo de integração?", questionou.

Governo Lula quer dar poder de polícia às Forças Armadas

Projeto prevê que Exército, Marinha e Aeronáutica possam revistar pessoas e fazer prisões em operações na fronteira

As Forças Armadas deverão ganhar mais poder de polícia e proteção legal para realizar operações típicas de manutenção e garantia da lei e da ordem. Essas mudanças fazem parte da proposta de novo texto para a Lei Complementar 97 - a que o Estado teve acesso. Em operações de vigilância na fronteira e demais ações ordenadas pelos poderes constituídos, Exército, Marinha e Aeronáutica podem revistar pessoas, veículos e instalações e fazer prisões em flagrante delito.

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