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Moradores de São Luiz do Paraitinga tentam recuperar acervo musical

Cidade tenta salvar acervo

Moradores de São Luiz do Paraitinga (SP) tentam neste sábado recuperar um dos maiores acervos musicais da cidade, que pertence ao compositor Paulo Baroni. A casa do músico foi uma das atingidas pela cheia que deixou 2.400 desalojados na cidade.

Liberada na última quinta-feira, após vistoria do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), a casa de Baroni ainda não foi aberta.

De acordo com o cientista social Bruno Ferreira, 34, amigo do músico, o compositor procurou antes encontrar um galpão onde pudesse depositar as obras que serão resgatadas.

"Hoje à tarde, um grupo de moradores vai entrar na casa para tentar recuperar tudo o que for possível", afirmou Ferreira. "Há no imóvel muitos cadernos com partituras de antigas marchinhas de São Luiz, além de discos, fitas e VHSs. Por isso, todo o pessoal que vai entrar na casa foi orientado sobre como proceder."

Parte do acervo de Paulo Baroni vem de sua família, que é paulistana. Ele é neto de maestro e filho de percussionista. Mas, radicado em São Luiz do Paraitinga desde os anos 1980, o compositor tem registros de boa parte dos eventos musicais que marcaram a cidade, como os festivais de marchinhas e os Carnavais.

Ainda conforme Ferreira, outro acervo que a cidade tentará recuperar é o do artista plástico Helder dos Santos, considerado um dos principais pintores do município. Grande parte de sua obra, arquivada no Espaço Cultural Caipira, foi danificada. Outros quadros estavam em casas de moradores também afetadas pela cheia.


"O Helder nos disse que vai trabalhar na recuperação dos quadros que conseguirmos resgatar", disse Ferreira. "Estamos tentando buscar um patrocínio para isso."

Em São Luiz do Paraitinga, 146 imóveis estão interditados. Na próxima terça-feira (12), uma equipe do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) fará vistoria no local.

Fonte: FOLHA

Técnicos encontram dificuldades para religar luz em São Luiz do Paraitinga (SP)


Moradores limpam ruas de São Luiz do Paraitinga após enchente; parte do patrimônio histórico ficou destruído/Joel Silva/Folha Imagem

Técnicos da Elektro, concessionária que distribui energia em São Luiz do Paraitinga (182 km de São Paulo), encontram dificuldades para restabelecer o fornecimento de energia na cidade devido a obstáculos enfrentados para chegarem aos locais.

Cerca de cem consumidores continuam sem luz devido à enchente que atingiu a cidade no começo do ano, o que representa 2% dos clientes da concessionária.

"A maior dificuldade é o acesso. Tem muitas casas demolidas e algumas áreas restritas pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). No centro histórico, a rede elétrica está debaixo dos escombros e nós esperamos a liberação da Defesa Civil para acessar a fiação", afirmou Márcio Ribeiro, consultor institucional da Elektro.

São 108 técnicos trabalhando para o restabelecimento da energia. As equipes também encontram dificuldades para efetuar os reparos nas fiações em Cunha e Lagoinha, já que bloqueios em várias estradas e acessos. As regiões afetadas ficam nas áreas rurais das cidades e várias pontes foram destruídas. Cerca de 60 consumidores estão sem energia nas duas cidades.

A cidade teve grande parte do patrimônio histórico destruído com o temporal. Mais de 2.000 pessoas estão desalojadas e foram para a casa de parentes e amigos, pois a prefeitura não tem lugar para todos.

Nesta quinta-feira é feita a limpeza das ruas de Paraitinga por funcionários da prefeitura. Há muito barro e escombros nas ruas.

O rio Paraitinga chegou a ficar dez metros acima do nível normal e alagou 50% da cidade, causando a destruição de vários prédios do centro histórico. Os desabrigados foram levados para igrejas, casas de voluntários e pousadas da região.

Moradores de São Luiz do Paraitinga limpam ruas e imóveis após enchente; técnicos encontram dificuldades para religar luz/oel Silva/Folha Imagem

De acordo com a Defesa Civil Estadual, desde 1º de dezembro de 2009, 17 municípios foram atingidos pelas chuvas na região do Vale do Paraíba. Seis pessoas morreram, nove ficaram feridas e uma está desaparecida. O número de desabrigados --que foram para abrigos públicos-- chegou a 4.609, e os desalojados --que foram para casa de parentes e amigos-- é de 5.858 pessoas. Cunha e São Luiz do Paraitinga decretaram estado de calamidade pública.

Doações

Cerca de 1.500 litros de água e leite, mais de meia tonelada de alimentos não-perecíveis, 2.000 cestas com peças de roupas e calçados e 1.400 produtos de higiene e limpeza serão enviados hoje pela PM (Polícia Militar) aos moradores da cidade de São Luiz do Paraitinga (182 km de SP).

Até as 10h desta manhã foram contabilizados em todos os quartéis da PM 5 mil litros de água, 159 mil quilos de alimentos não-perecíveis, 30 mil peças de roupas e mil colchões.

Imóveis

Cerca de 300 edificações sofreram danos na pela enchente do dia 1º de janeiro em São Luiz do Paraitinga (182 km de São Paulo), de acordo com a vistoria realizada por quatro técnicos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) do Estado.

Das 470 edificações tombadas como patrimônio histórico, 80 foram avaliadas e praticamente metade delas precisará passar por obras de restauração, incluindo 28 casas que ficavam no entorno do coreto da cidade. A igreja matriz e a capela das Mercês foram destruídas, e o prédio da prefeitura terá que ser restaurado. A biblioteca da cidade ruiu completamente. Alguns imóveis foram liberados para a limpeza e outros interditados.

Recursos

O governador José Serra (PSDB) visitou na manhã de quarta-feira (6) as cidades paulistas de São Luiz do Paraitinga e de Cunha, afetadas por temporais que causaram destruição nos primeiros dias do ano.

Serra disse que as cidades estão em fase de limpeza e avaliando as perdas. "É uma fase de tomar pé da situação. O Estado vai reconstruir uma escola e reformar dois postos de saúde, um deles que foi ao chão", disse.

Ele informou que a Sabesp (companhia estadual de saneamento) concedeu isenção aos consumidores nas contas de água dos próximos meses. O governador também disse que destinou R$ 10 milhões para investir principalmente em estradas rurais que foram danificadas pela chuva, especialmente em Cunha.

Fonte: FOLHA

São Luiz do Paraitinga parece ter sido bombardeada, diz general do Exército

Cem homens da corporação trabalham na cidade afetada por alagamento.
Eles também ajudam a polícia a evitar a ocorrência de saques.


Cidade parece cenário de guerra, segundo general do Exército. (Foto: Juliana Cardilli/G1)

O general Araújo Lima, coordenador dos trabalhos do Exército em São Luiz do Paraitinga, cidade a 182 km da capital, devastada pelas chuvas, disse nesta quarta-feira (6) que a cidade parece ter sido bombardeada e que o cenário é semelhante ao de uma guerra.

“Já tive experiência em outras situações da calamidade, mas aqui se parece com uma guerra. É uma destruição como se tivesse havido um bombardeio. Mas aqui o inimigo é o tempo”, afirmou ele, que já esteve em situações de conflito em Angola e no Timor Leste.

Cerca de cem homens do Exército estão na cidade dando apoio ao trabalho da polícia e da Defesa Civil – que acionou a corporação. Inicialmente, foram enviadas aeronaves e embarcações para o resgate de pessoas ilhadas, ainda no dia 1º e no dia 2. Os oficiais também ajudaram a restabelecer os meios de comunicação de emergência para o contato externo da cidade, que ficou isolada.

“Estamos vivendo uma situação em que todos têm dever de ajudar. Eu sobrevoei a área no sábado (2) e só dava para ver os telhados das casas”, afirmou Lima.

Cidade ainda tem entulho espalhado pelas ruas. (Foto: Juliana Cardilli/G1)

Além do trabalho de resgate, os homens do Exército também deram apoio à polícia para o monitoramento da área. “Estamos com uma tropa de cerca de 50 homens patrulhando a cidade, porque houve o registro de alguns saques. É um trabalho de cooperação com a polícia para preservar o patrimônio dos moradores”, disse o general. De acordo com ele, a partir da tarde desta quarta o contingente de oficiais irá ser reduzido na cidade.

Com o nível da água mais baixo, muitas casas que estavam alagadas desde o dia 1º foram liberadas, e os moradores começaram a avaliar os danos. Móveis estragados e entulho estavam espalhados por toda a cidade, além da lama que ainda cobre muitas ruas. Desde cedo, caminhões circulam pelas áreas acessíveis recolhendo os materiais que serão jogados fora.

Segundo o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), 300 imóveis foram afetados pela enchente.

Fonte: G1/ Juliana Cardilli

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