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Homem queima página do Alcorão durante protesto em Nova York

Ele faz parte de grupo que se opõe a centro islâmico perto do ‘Ground Zero’. Mas outros grupos que apóiam projeto, também presentes, rechaçaram gesto.

Homem queima página do Alcorão enquanto outro manifestante mostra placa com os dizeres: 'Verdadeiros americanos não queimam Alcorões' (Foto: Swoan Parker / Reuters)

Um manifestante queimou uma página do Alcorão, o livro sagrado do islamismo, neste sábado (11) durante protestos a favor e contra a construção de um centro islâmico perto do marco zero, o local onde se erguiam as torres gêmeas destruídas por um ataque terrorista há exatos nove anos.

O fotógrafo da agência Reuters flagrou, atrás dele, um outro manifestante segurando um cartaz com os dizeres “Verdadeiros americanos não queimam Alcorões”. O homem acabou sendo detido pela polícia de Nova York.

O manifestante foi detido pela polícia nova-iorquina (Foto: Swoan Parker / Reuters)

Páginas arrancadas

Em Washington, um grupo cristão composto por seis pessoas arrancou páginas de um exemplar do Alcorão em frente à Casa Branca, para denunciar, segundo afirmam, a "mentira" do islamismo.

"Uma das razões pelas quais fazemos isso é para que a mentira segundo a qual o Islã é uma religião pacífica acabe", declarou Randall Terry, membro do grupo conservador.

Andrew Beacham, que também participava do protesto, leu algumas passagens do Alcorão, interpretadas como chamados ao ódio contra judeus e cristãos, arrancando em seguida páginas inteiras de um exemplar de bolso em inglês do livro sagrado dos muçulmanos.

Promessa

Os atos, isolados, ocorrem no mesmo dia em que o pastor Terry Jones prometeu, em Nova York, que sua igreja não vai mais queimar exemplares do Alcorão, mesmo se uma mesquita for construída no Marco Zero, palco dos ataques terroristas do 11 de Setembro.

O reverendo, líder de uma pequena igreja evangélica do estado americano da Flórida, colocou-se no centro de uma polêmica mundial nos últimos dias ao ameaçar atear fogo a exemplares do livro sagrado do Islã no dia do nono aniversário dos ataques do 11 de Setembro nos EUA.

"Nós definitivamente não vamos mais queimar o Alcorão", disse Jones em entrevista ao programa "Today", da rede NBC. "Nem hoje, nem nunca."

Ele disse que o objetivo de sua igreja, que era revelar "que há um elemento do Islã que é muito perigoso e muito radical", foi cumprido.

 Fontes: G1 - AFP - REUTERS

EUA não estão nem nunca estarão em guerra com o Islã, diz Obama

Declaração foi feita em discurso durante cerimônia pelo 11 de Setembro. Presidente voltou a incitar os americanos à unidade.

Um dia antes de os atentados do 11 de Setembro ao World Trade Center, em Nova York, completarem nove anos, um tributo de luz brilhou em direção ao céu a partir do Marco Zero, onde estavam erguidas as Torres Gêmeas, símbolos dos Estados Unidos. Os raios de luz puderam ser vistos de muito longe em Manhattan. VEJA MAIS FOTOS. (Foto: Mark Lennihan / AP Photo)

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse neste sábado que os EUA não está e nunca estará em guerra com o Islã. A declaração foi feita durante cerimônia no Pentágono, próximo a Washington, para lembrar os nove anos dos atentados do 11 de Setembro.

O democrata afirmou que o verdadeiro inimigo é a rede terrorista da al-Qaeda, autora confessa dos atentados.

"Não foi uma religião que nos atacou naquele dia, há nove anos, foi a al-Qaeda", disse, no local onde caiu um dos aviões sequestrados pelos terroristas, matando 184 pessoas.

O presidente dos EUA, Barack Obama, ao lado do chefe do Estado Maior dos EUA, almirante Michael Mullen, e do secretário de Defesa, Robert Gates, neste sábado (11) no memorial no Pentágono pelas vítimas do 11 de Setembro. (Foto: AP)

Em um breve discurso, Obama voltou a incitar os americanos à unidade, e disse que o país precisa manter os sentimentos que "fazem a América ser o que ela é".

O discurso ocorre em meio à tensão provocada no país pelo debate em torno da construção de uma mesquita no Marco Zero -local dos ataques a Nova York- e pela ameaça de um pastor protestante da Flórida de queimar exemplares do livro sagrado do Alcorão.

Pouco antes da cerimônia, o pastor Terry Jones disse em entrevista à rede NBC que havia definitivamente desistido de seu protesto.

Cerimônias

Também houve cerimônias solenes no Marco Zero, em Nova York,, e no local onde caiu o quarto avião sequestrado pelos terroristas, na Pensilvânia.

Na principal solenidade de Nova York, o vice-presidente Joe Biden e o prefeito Michael Bloomberg participaram do rito anual da leitura dos nomes das 2.753 pessoas mortas no ataque às torres gêmeas do World Trade Center, atingidas por dois aviões.

A cerimônia teve início com um coro de jovens, que cantou o hino nacional em pleno Marco Zero, onde os trabalhos de reconstrução começam a tomar corpo. Muito emocionados, familiares das vítimas exibiam cartazem com fotos de seus entes queridos mortos no ataque.


"Não viemos para chorar, mas sim para relembrar e reconstruir", declarou Biden.

Uma terceira cerimônia aconteceu em Shanksville, na Pensilvânia, onde caiu o voo 93 da United Airlines, cujo alvo até hoje é desconhecido. Informados por telefone sobre os ataques em Nova York, os passageiros tentaram retomar o controle da aeronave e evitaram que os quatro sequestradores a bordo atingissem seu objetivo.

A primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, e sua antecessora, Laura Bush, participaram da solenidade.

Veja fotos das cerimônias que lembram os atentados do 11 de Setembro


Fontes: G1 - Agências - REDE GLOBO

Ataques terroristas de 11 de setembro completam nove anos

Na manhã de 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos viram ícones de sua supremacia econômica e militar serem alvejados por aviões guiados por terroristas.

O segundo avião mergulha para se espatifar na torre sul,enquanto o outro prédio do Wolrd Trade Center já está em chamas/Ftoto:Carmen Taylor/AP

Bolas de fogo e destroços saem da torre sul do World Trade Center após o choque do segundo avião. Os EUA sofriam um golpe nunca antes visto./Foto: Kristen Brochmann/The New York Times.

Com uma gigantesca nuvem de poeira ao fundo,centenas de pedestres correm para fugir da área proxima às torres gêmeas/Foto: Amy Sancetta/AP

Bombeiros cobertos de poeira levam um homem na maca. Mais de 400 pessoas das equipes de resgate morreram na tentativa de salvar vítimas/Foto: Shannon Stapleton/Reuters.

Foi um dia daqueles que dividem o mundo em “antes” e “depois”. Muito do que aconteceria nos oito anos seguintes seria definido por ele.

Até 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos impunham sem grandes sobressaltos sua soberania político-militar em escala global.

Às 8h46 daquela terça-feira em Nova York, um avião chocou-se contra a torre norte do World Trade Center. Dezoito minutos depois, antes que os espectadores do mundo inteiro pudessem entender o que estava acontecendo, a torre sul foi atingida por outra aeronave. Um terceiro avião despencou sobre o Pentágono, em Washington. Um quarto, a caminho da Casa Branca ou do Capitólio, espatifou-se em campo aberto na Pensilvânia, depois que passageiros enfrentaram os sequestradores.

As torres gêmeas do World Trade Center foram construídas para resistir ao impacto de um Boeing, mas ruíram. O maior atentado terrorista da história, orquestrado pelo saudita Osama Bin Laden, líder da rede Al Qaeda, deixou mais de 3 mil mortos naquele dia.

Sob a justificativa de que deveriam evitar fatos semelhantes, os Estados Unidos invadiram o Afeganistão e o Iraque. Iniciaram guerras que marcariam a primeira década do século XXI.

ÉPOCA montou uma edição especial de O Filtro para você relembrar o 11 de setembro. São fotos, infográficos e textos que ajudam a entender os impactos dos ataques que completam nove anos.

Inferno

O maior atentado terrorista da História espalha pavor pelo mundo e põe em risco a paz

O World Trade Center, símbolo da cidade mais conhecida do mundo, cospe fumaça momentos antes de ir abaixo/Foto: Hubert Michael Boesl/AFP


O espetáculo da barbárie

O Pentágono em chamas/Foto: Heesoon Yim/AP

A História já registrou explosões e atentados impressionantes, com milhares de vítimas, mas nunca se viu nada parecido ao ataque da terçafeira 11 a duas das principais cidades dos Estados Unidos. Em pleno período de paz, aviões de passageiros seqüestrados de aeroportos americanos foram desviados de suas rotas e dirigidos, em ataque suicida, contra as torres gêmeas do World Trade Center (WTC), em Nova York, e o prédio do Pentágono, na periferia de Washington, a capital do país.

Depois de atingidas, cada uma por um Boeing, as torres pegaram fogo e desabaram, levantando enormes rolos de fumaça e espalhando detritos num raio de cinco quarteirões. Um pedaço do Pentágono (sede do Departamento de Defesa) também ruiu com o impacto de outra aeronave e, horas depois, ainda ardia em chamas. No final da tarde, possivelmente alcançado pelos destroços do WTC, o edifício da Salomon Brothers, que fica ao lado, desmoronou. A Salomon é uma das principais corretoras de Wall Street.

Os terroristas - até a noite da terça ainda sem identificação - escolheram seus alvos para causar o máximo de destruição física e, simultaneamente, infligir dano moral aos Estados Unidos. As torres gêmeas e o Pentágono são símbolos, respectivamente, do poderio financeiro e militar americano. "Foi o pior ataque contra os Estados Unidos desde Pearl Harbor", declarou o ex-secretário de Estado Henry Kissinger, referindo-se ao bombardeio da base militar americana no Havaí pelas forças japonesas, que determinou a entrada do país na Segunda Guerra Mundial, no século passado.


Até 12 horas depois do atentado não se conhecia o número de mortes. Fontes da polícia de Nova York, no entanto, estimam "em milhares, possivelmente em dezenas de milhares". Apenas nos quatro aviões que explodiram (dois da American Airlines e os demais da United Airlines) havia 266 pessoas, entre passageiros e tripulantes. Os cálculos da polícia nova-iorquina fazem sentido: somente no World Trade Center trabalhavam diariamente 50 mil pessoas. Já o Pentágono abriga 28 mil funcionários. Antes da catástrofe de terça-feira, o pior desastre de Nova York em número de vítimas fora um incêndio no bairro do Harlem, em 1886. Morreram, na ocasião, 150 mulheres que trabalhavam numa tecelagem.

Dois minutos depois do ataque ao Pentágono (que tem esse nome por causa de seu formato arquitetônico), o governo americano decretou o mais radical estado de alerta da história recente americana. A Casa Branca, sede da Presidência, em Washington, foi evacuada. Aos poucos, a polícia isolou os demais prédios federais e despachou os servidores de volta para casa. Até o Congresso interrompeu suas atividades e os principais líderes parlamentares foram levados a local secreto.


Desesperado, um dos ocupantes da torre se atira para a morte/Foto: Richard Drew/AP

Ao longo do território americano, por medida de segurança, foram fechados lugares famosos e atrações turísticas - da sede das Nações Unidas, em Nova York, por exemplo, aos parques da Disney, na Flórida e na Califórnia, incluindo a Sears Tower, em Chicago, o prédio mais alto dos EUA. O alerta estendeu-se às usinas geradoras de eletricidade e aos dutos que transportam petróleo e gás.

Para além dos alertas de segurança, o luto pelos mortos ocasionou o cancelamento de vários eventos. A entrega do Emmy, o mais festejado prêmio para televisão nos Estados Unidos, teve sua cerimônia cancelada. A festa ocorreria em Los Angeles, na Califórnia, no próximo domingo. As primárias dos partidos para a escolha dos candidatos a prefeito de Nova York também foram suspensas. As eleições estão previstas para novembro.

A medida de maior impacto na vida dos americanos, contudo, foi anunciada ainda de manhã, na Costa Leste, pela agência governamental responsável pelo tráfego aéreo. Todos os vôos - naquele momento, 4 mil - receberam ordens para pousar e em seguida os 14 mil aeroportos americanos foram fechados, causando atrasos e tumultos no transporte aéreo mundial. Aviões provenientes de outros países voltaram para os locais de origem ou tiveram de pousar no Canadá, no México e em países do Caribe. Foi a primeira vez na história da aviação que os Estados Unidos ficaram sem nenhum vôo comercial.

Por precaução, o presidente George Bush, que estava na Flórida na terça-feira, foi levado a uma base aérea do Estado de Nebraska, no meio-oeste americano, e depois a Washington. Antes, em pronunciamento feito em Barksdale, Louisiana, Bush, visivelmente abalado, declarou que a "liberdade era o alvo do ataque" e que os responsáveis por "essas ações covardes" seriam perseguidos e punidos. Chocados e enfurecidos, muitos americanos batizaram a terça-feira de "dia da infâmia" e exigiram retaliações. Os ataques, proclamaram, equivaliam a uma "declaração de guerra". "Os Estados Unidos pararam", protestou, por exemplo, Linda Bosfield, uma executiva que trabalha em Manhattan. "Isso é guerra e não pode ser tolerado." Já Robert Kagan, colunista do jornal The Washington Post, um dos principais do país, pediu simplesmente que o governo declare guerra aos terroristas e aos "países que os apóiam".

O ataque provou que os EUA, apesar de ostentarem o título de única superpotência do planeta, são vulneráveis a ações de organizações terroristas. O atentado exigiu uma elevada dose de organização de seus executores. Os terroristas desencadearam a ação de três aeroportos diferentes. Dois dos jatos seqüestrados deixaram o aeroporto de Boston, a uma hora de vôo de Nova York. Viajavam para Los Angeles, na Califórnia. Um vôo da American Airlines, também para Los Angeles, foi desviado do aeroporto de Dulles, em Washington. O aparelho caído em Pittsburgh decolara de Newark rumo a San Francisco, também na Califórnia. Os terroristas devem ter assumido o comando dos aviões seqüestrados, já que seu objetivo era colidir com prédios. Nenhum piloto seria convencido a fazer isso mesmo com uma arma na cabeça. Diante da morte certa, teria optado por jogar o avião em local deserto, sem a presença de civis. É necessário um conhecimento razoável de aviação para levar aparelhos comerciais exatamente até os alvos desejados, como foi o caso dos dois Boeings que alvejaram o WTC e do jato que se espatifou no Pentágono.

Planejamento

Em meio a fumaça e poeira, os escombros dos edifícios destruídos/Foto: Doug Kanter/AFP

O planejamento foi necessariamente cuidadoso. Avner Semesh, ex-oficial de inteligência da polícia antiterror de Israel, apontou alguns detalhes reveladores para Época. Para produzir grandes explosões, foram escolhidos aviões no início de longas viagens. Eram aparelhos de grande autonomia de vôo, portanto com os tanques cheios. Semesh observou ainda que, embora tenham sido atingidas lateralmente, as duas torres do WTC caíram na vertical. Isso indica que poderia haver explosivos previamente colocados dentro dos prédios. José Chacon de Assis, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro, defende tese semelhante. "O modo como o prédio caiu, principalmente a segunda torre, de forma tão vertical, dá a idéia de uma perfeita implosão, conseqüência de explosivos colocados na base do edifício", supõe Chacon de Assis.

Para se ter uma idéia do impacto, a explosão de um Boeing 767, com 24 mil galões de combustível, é proporcional a 1.000 toneladas de dinamite, comparou Steven Block, professor de física aplicada da Universidade Stanford, na Califórnia. Block estimou que a explosão "derreteu" o núcleo de aço de cada uma das torres, tornando a queda inevitável - e maculando o célebre skyline, a silhueta dos arranhacéus da ilha de Manhattan, cartão postal da cidade.

Foi mesmo um dia de cão para os 8 milhões de nova-iorquinos. Logo após as primeiras explosões, os túneis e pontes que dão acesso a Manhattan foram fechados. O metrô e o serviço de ônibus pararam. Dezenas de milhares de pessoas que já estavam nos locais de trabalho tiveram de abandonar os escritórios. Nas ruas, muitos entraram em pânico e começaram a correr. "Pensei que fosse uma bomba, uma guerra começando", contou o corretor brasileiro Guilherme Castro, que trabalhava no 25o andar de uma das torres do WTC. Castro é um dos 300 mil brasileiros que moram na região.

Coberta de fuligem, uma sobrevivente do atentado busca refúgio em prédio ao lado do World Trade Center/AP

Histórias tristes e de alívio emergiram dos destroços e da névoa de poeira que tomou o sul de Manhattan, onde estavam plantadas as torres do WTC. Christian Duran, por exemplo, estudante e morador da vizinha New Jersey, escapou da morte porque acordou tarde na terça-feira. Ele é funcionário do serviço de entrega de um restaurante ao lado de uma das torres. "É o dia mais feliz e ao mesmo tempo mais triste de minha vida", disse. "Conheço muita gente que trabalhava naquelas torres."

A tragédia americana desencadeou uma onda de revolta e condenação do terrorismo ao redor do globo. "O mundo tem de se organizar porque o terror pode atacar em qualquer lugar, além de fronteiras e acima dos mais poderosos exércitos do mundo", declarou um assustado primeiro-ministro israelense Ariel Sharon.

O líder palestino, Iasser Arafat, e o governo da Arábia Saudita apressaram-se em condenar os atentados e oferecer condolências aos americanos. Grupos radicais palestinos e o saudita Osama Bin Laden estão entre os principais suspeitos pelo ataque.

"Esse terrorismo de massa é o novo mal no mundo", resumiu o primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Para o chefe do governo alemão, Gerhard Schröder, o ataque não foi apenas contra os Estados Unidos. Atingiu todo o mundo civilizado, acrescentou, ao mesmo tempo em que emprestou total apoio ao governo em Washington nas medidas a serem tomadas. Mas uma respeitada organização pacifista alemã está preocupada. Em declaração divulgada pouco depois da tragédia, a organização internacional Médicos para a Prevenção da Guerra Nuclear solicitou ao presidente Bush que mantenha a calma. O grupo, que recebeu o Nobel da Paz em 1985, quer que o governo americano se abstenha de ataques contra algum país eventualmente envolvido na ação terrorista.

Os Estados Unidos já atacaram, em diferentes ocasiões, o Sudão, o Afeganistão e a Líbia por apoio ou proteção dada a terroristas nesses países. Um ataque como esse, dizem os pacifistas, vai levar a uma espiral de violência. "Bush, fique calmo. Não à Terceira Guerra" dizia uma faixa mostrada por manifestantes diante da sede do governo alemão. O chefe de Relações Exteriores da União Européia, Chris Patten, expressou bem o espanto de todo o mundo depois do atentado. "Esse é um daqueles raríssimos dias na vida dos quais se pode dizer que mudaram tudo."

Reflexos no Brasil

FHC solidariza-se com americanos e o governo aumenta a vigilância nos aeroportos do país

"Parece uma guerra", exclamou o presidente Fernando Henrique, incrédulo na frente da TV, no Palácio do Planalto, depois de enviar mensagem de apoio ao colega americano, George Bush. Tal perplexidade expressa o sentimento dos brasileiros diante dos atentados nos Estados Unidos. "Ações terroristas suicidas são a maior ameaça à segurança mundial", sintetizou o ministro da Defesa, Geraldo Quintão, depois de se reunir com comandantes das Forças Armadas. Ele determinou à Aeronáutica maior rigor na fiscalização dos aeroportos. O ministro da Justiça, José Gregori, mobilizou a Polícia Federal para reforçar a proteção à embaixada e aos consulados americanos. Quer atenção redobrada para as bagagens de passageiros de vôos internacionais.

O país parou para acompanhar o drama americano. As ligações telefônicas para os EUA aumentaram 40 vezes. Dos 30 vôos que partiriam para lá, 28 foram cancelados. Os outros dois chegaram a decolar, mas voltaram. O Airbus 330 da TAM decolou às 10h23 de Cumbica para Miami. Retornou 1h40 depois com 57 pessoas a bordo. O comandante Luiz Francisco Postigo soube do atentado aos 40 minutos de vôo. "Teremos de retornar porque há um ataque terrorista em larga escala ocorrendo nos Estados Unidos", informou aos passageiros. Em terra, Vincent, de 39 anos, americano de Michigan, parecia zonzo. "Espero que encontrem quem fez o ataque e retaliem."

Em Brasília, Rio, São Paulo e Recife, a embaixada e os consulados cancelaram o expediente, mas mantiveram plantão para atender às centenas de telefonemas de americanos que residem no Brasil ou visitam o país - cerca de 10 mil. O governo dos EUA recomendou aos que moram aqui que variem horários e rotas de viagens e suspeitem de cartas e pacotes estranhos.

"Quero notícias de meu marido e meu cunhado, que estão nos EUA", gritava Heloisa Fonseca, de 48 anos, na porta da representação americana no Recife. Judia, ela teme ações terroristas nas três sinagogas da cidade. Consulados e a embaixada de Israel cerraram as portas. Em Foz do Iguaçu, o empresário árabe Kamal Osman há três semanas espalhou pela cidade outdoors com as palavras Salam, Shalom e Paz. A maioria dos árabes e descendentes moradores em Foz vem do Vale do Bekaa, no Sul do Líbano, uma das regiões em conflito com Israel.


Infográficos do New York Times e galerias da Neswweek e Magnum

Icones de uma cidade
A experiência da imigração
Como as torres ficaram de pé e cairam
Luta pela sobrevivência
Uma cidade ferida
102 minutos dentro das torres
Fotos da Agência Magnum
As páginas dos jornais e revistas




Vídeos






Fonte: Época - The New York Times - Newsweek - AP - REUTERS

Em 11 de setembro tenso, Obama pede união aos americanos

Obama faz apelo para que americanos relembrem o sentimento de união provocado pelos atentados

Em um clima de tensão religiosa e polêmica, o presidente Barack Obama pediu neste sábado que os americanos aproveitem o nono aniversário dos ataques de 11 de Setembro para relembrar o sentido de união e propósito comum que uniu os Estados Unidos durante a tragédia.

"Se há uma lição a se tirar neste aniversário, é esta: nós somos uma nação --um povo-- unido não apenas pela dor, mas por um conjunto de ideais comuns. E contribuindo de volta às nossas comunidades, servindo as pessoas em necessidade, nós reafirmamos os nossos ideais e desafiamos quem nos faria mal. Nós provamos que o senso de responsabilidade que sentimos um pelo outro não era uma paixão passageira, mas uma virtude duradoura", disse Obama, em seu programa semanal de rádio.

Obama lembrou ainda do dia em que 2.976 pessoas morreram nos ataques contra Nova York e Washington. Ele deve fazer um momento de silêncio às 8h46 (9h46 em Brasília), o momento em que o primeiro dos dois aviões atingiram o World Trade Center em Nova York. Ele também deve participar de uma cerimônia no Pentágono, também alvo de um ataque, e de um evento em Washington.

A primeira-dama Michelle Obama deve se unir a antecessora Laura Bush em Shanksville, Pensilvânia, onde o quarto avião, o voo 93 da United, caiu depois que passageiros impediram os terroristas. O vice-presidente Joe Biden foi a Nova York para participar de cerimônias na cidade.

Mas as cerimônias deste ano acontecem em um clima incomum de tensão religiosa entre islamistas e cristãos. Duas polêmicas sobre a construção de uma mesquita e um centro de cultura islâmica no Marco Zero, local do ataque a Nova York em 2001, e também a ameaça de um pastor protestante do estado da Flórida de queimar o Alcorão, livro sagrado do islã afetam o clima do Dia Nacional de Homenagem e Lembrança.

Obama, que já condenou publicamente duas vezes o plano do pastor, admitiu que "este é um tempo de dificuldade para nosso país".

"E muitas vezes é nesses momentos que alguns tentam alimentar a amargura, nos dividir com base em nossas diferenças, para nos cegar para o que temos em comum. Mas neste dia, somos lembrados de que nós não cedemos a esta tentação. Estamos ao lado um do outro. Nós lutamos lado a lado. Não nos permitimos ser definidos pelo medo, mas pela esperança que temos pelas nossas famílias, pela nossa nação, e por um futuro melhor", disse Obama.

"Por isso, vamos lamentar por aqueles que perdemos, homenagear aqueles que se sacrificaram, e fazer o nosso melhor para representar os valores que compartilhamos. Neste dia e em cada dia que se segue".

POLÊMICAS

Depois de confirmar que abandonou seus planos de queimar cópias do Alcorão "hoje e para sempre", segundo a rede de TV CNN, o pastor evangélico americano Terry Jones foi da pequena Gainesville, na Flórida, para Nova York para tentar convencer o imame Feisal Abdul Rauf a mudar o local de um polêmico centro cultural islâmico e mesquita previstos para serem construídos a apenas dois quarteirões do local dos atentados de 11 de Setembro na cidade.

Responsável pelo projeto, Rauf negou nesta sexta-feira que tenha encontro marcado com o pastor da Flórida e ressaltou que os planos para o centro comunitário não mudaram. "Eu estou preparado para considerar um encontro com qualquer um que está seriamente comprometido em obter a paz. Nós não temos nenhum encontro do tipo planejado no momento", disse o imame.

O projeto da mesquita e centro cultural, orçado em US$ 100 milhões, opôs republicanos e democratas e dividiu até mesmo os familiares das vítimas do ataque às Torres Gêmeas, que matou quase 3.000 pessoas, entre elas cerca de 60 muçulmanos. Enquanto uns defendem a liberdade religiosa e o direito à construção --como Obama--, outros --como a republicana Sarah Palin-- dizem que se trata de desrespeito aos mortos pela Al Qaeda.

A maioria da população ficou do lado de Palin. Pesquisa divulgada quarta-feira pelo "Washington Post" mostra que dois terços dos americanos se opõem à construção. Enquanto 82% daqueles que são contra citam a localização como principal problema, 14% afirmam que se oporiam a uma construção como essa em qualquer parte do país. A pesquisa concluiu que 49% dos americanos têm uma visão negativa do islã.

Jones protagoniza há anos uma dura campanha contra o islamismo, que rendeu até mesmo o livro "Islam Is of the Devil" ("Islã É do Demônio", em tradução livre). Nele, Jones conta que a religião islâmica é um risco à liberdade de todas as nações e tem como preceito a opressão e a violência. Sua causa, contudo, ganhou o mundo após começar a divulgar na internet a proposta para a data anual de queima do Alcorão.

Após grande destaque na imprensa americana e mundial, Jones afirmou na quinta-feira que a condição para cancelar seus planos --condenados duramente ao redor do mundo e por todo o alto escalão dos EUA-- era que Rauf mudasse o local de construção da mesquita. Ele chegou a anunciar que o acordo havia sido concretizado, informação negada pouco depois pelos lideres muçulmanos.

Na sexta-feira, em uma sequência de confusas mensagens sobre seus planos, Jones disse que suspenderia os planos da queima do Alcorão se conseguisse um encontro com Rauf. Horas depois, voltou atrás e deu um ultimato de duas horas para que os muçulmanos concordassem em mudar a mesquita de lugar.

No fim do dia, Jones falou diante de um grande número de jornalistas de todas as partes do mundo que transmitiam as últimas informações ao vivo da frente da igreja que não haverá queima do livro sagrado muçulmano neste sábado. Ele ressaltou, contudo, que ainda "estamos muito confiante de que vamos encontrá-lo e continuamos convencidos, em razão das diferentes fontes de que dispomos e que não podemos mencionar no momento, de que este encontro ocorrerá amanhã". 

 Fontes: FOLHA - Agências

Apoio de Obama a mesquita no Marco Zero gera polêmica

Famílias das vítimas do 11 de setembro se dizem 'atônitas' com a atitude. Pesquisa aponta que 68% dos americanos é contra o projeto da mesquita.

O apoio do presidente americano, Barack Obama, à construção de uma mesquita e um centro cultural islâmico perto do Marco Zero, em Nova York, gerou polêmica neste sábado (14) nos Estados Unidos, onde familiares das vítimas dos atentados de 11 de setembro se declararam "atônitas" com a atitude.

"O presidente declarou obsoletos nossas memórias do 11 de setembro e o caráter sagrado do Marco Zero", criticou a organização "Famílias do 11/9 para uma América Forte e Segura", que reúne familiares de vítimas do ataque contra o World Trade Center, que deixou cerca de 3.000 mortos em 11 de setembro de 2001.

Conselho municipal aprovou a construção de uma mesquita em uma rua próxima ao Marco Zero. (Foto: AP)

"Estamos atônitos", indicou o grupo, considerando que Obama "abandonou os Estados Unidos no local onde o coração dos Estados Unidos se rompeu há nove anos, e onde seus verdadeiros valores estavam à vista de todos".

"Agora, este presidente declara que as vítimas do 11/9 e suas famílias devem suportar outra carga. Devemos nos manter calados no último lugar nos Estados Unidos onde o (atentado do) 11/9 ainda é lembrado", destacou a organização.

Na sexta-feira (13), ao participar de um jantar de quebra do jejum do Ramadã oferecido na Casa Branca, Obama fez um discurso a favor da liberdade de culto.

"O direito de construir um local de oração e um centro comunitário em uma propriedade privada em Lower Manhattan está de acordo com as leis e normas locais", lembrou o presidente.

Foi o primeiro comentário público de Obama a respeito desta questão - que desde maio, quando o conselho municipal aprovou a construção de uma mesquita em uma rua próxima ao Ground Zero, vinha gerando acaloradas discussões na cidade.

Neste sábado, Obama voltou a abordar o tema junto à imprensa. "Neste país, tratamos todo mundo de maneira igualitária, e de acordo com a lei, sem levar em conta a raça ou a religião", disse o presidente na Flórida, onde passa o fim de semana com a mulher e as filhas.

A declaração de Obama carrega um potencial risco político, a pouco menos de três meses das eleições legislativas. Uma pesquisa da CNN/Opinion Research divulgada recentemente revelou que 68% dos americanos é contra a construção da polêmica mesquita, enquanto apenas 29% se diz a favor do projeto.

A oposição republicana não perdeu tempo: o congressista Peter King, de Nova York, acusou o presidente de ter "cedido a favor do politicamente correto". Para o representante republicano, a comunidade muçulmana "abusa" de seus direitos e "ofende gratuitamente" muitas pessoas com este projeto.

O Centro para as Relações Islâmico-Americanas, por sua vez, saudou a intervenção de Obama, afirmando que suas palavras devem "servir de alento àqueles que combatem a crescente islamofobia" no país.

Os defensores do projeto nova-iorquino argumentam que a "Casa Córdoba", como se chamariam a mesquita e o centro comunitário muçulmano, ajudaria a sobrepujar os estereótipos que prejudicam a comunidade muçulmana de Nova York desde 11 de setembro de 2001.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, disse que as declarações de Obama foram uma "defesa elevada e clara da liberdade de culto".


Fontes: G1- Agências

TV divulga imagens aéreas inéditas das Torres Gêmeas no 11 de Setembro

Fotos foram tiradas a partir de helicópteros da polícia de Nova York. Elas mostram Manhattan envolta em fumaça e cinzas após atentado.

Imagem aérea do atentado às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001, feita pelo Departamento de Polícia de nova York. (Foto: AP)

As imagens, que mostram a fumaça e as cinzas engolfando Manhattan após o ataque terrorista de 2001, foram divulgadas pela rede de TV americana ABC. (Foto: AP)

A rede teve acesso a um total de 2.779 fotos, que foram usadas na investigação dos ataques. Muitas delas foram tiradas por helicópteros da polícia e nunca haviam sido publicadas. (Foto: AP)

Fontes: G1 - AP

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