CELSO AMORIM, O MEGALONANICO, E LULA FAZEM DO BRASIL O LÍDER DO “BLOCO DOS SUJOS”

Reinaldo Azevedo

À diferença do que sugere Celso Amorim, o Megalonanico, a questão não é saber se o Brasil mantém ou não relações comerciais com ditaduras. O que importa é como essa relação se estabelece, a sua proximidade e o que o governo pretende com isso. Na fila em que se encontra este patético Obiang Nguema Mbasogo, há quantos outros facinorosos? No que diz respeito aos direitos humanos, qual é a mensagem que o Brasil tem passado ao resto do mundo?

Uma coisa é manter relações comerciais; outra, muito distinta, é fornecer palco à bandidagem. E essa tem sido a política do Itamaraty. “Tem empresa com mais de US$ 1 bilhão investidos. Não é pouca coisa (…). O exemplo tem muito mais força do que a pregação moralista”, diz Amorim. É uma fala de pura delinqüência política. Um bilhão de reais justificam o silêncio cúmplice do Brasil? Não se diz uma miserável palavra em defesa dos direitos humanos. A que exemplo se refere o ministro? Em que a postura do Brasil servirá “de exemplo” a Mbasogo? Ele não conseguiria responder.

O lugar que o Brasil ambiciona no mundo não será conquistado com essa política. Ao contrário. Cada vez mais, o que o mundo percebe é a incongruência entre o tamanho da economia brasileira e o de sua política externa, que não se compromete com os valores essenciais das democracias ocidentais. Ao contrário: cumplicidade vira pragmatismo; liberdade para matar é tomada como autodeterminação; atos terroristas são tomados como resistência.

A fala de Amorim repete a estupidez proclamada ontem por um certo Norton Rapesta, diretor do Departamento de Comércio e Investimentos do Itamaraty: “O fato de o Brasil se aproximar [da Guiné Equatorial], trazendo o seu exemplo, pode ser uma contribuição política. A gente tem de ser pragmático. (…)” Quando a gente tinha ditadura no Brasil, ninguém ia negociar com a gente?”

Rapesta se refere à ditadura militar brasileira. Sim, os demais países negociavam “com a gente”. Mas os ditadores brasileiros não eram tratados como interlocutores de uma suposta nova ordem global. Entendeu, Rapesta, ou quer que desenhe? Não custa lembrar a fala de de Jimmy Carter, então presidente dos EUA, em sua visita ao Brasil, em março de 1978:

“Hoje estamos todos nos unindo num esforço global em prol da causa da liberdade humana e do Estado de Direito. Esta é uma luta que só será vitoriosa quando estivermos dispostos a reconhecer as nossas próprias limitações e a falarmos uns com os outros com franqueza e compreensão”.

Se o Brasil anseia por um lugar honrado no chamado concerto das nações, não será se abraçando aos Mbasogos da vida por causa de qualquer bilhão “de uma empresa” ou dos ridículos US$ 45 milhões que exportados àquele país no ano passado. Até porque tais justificativas são obviamente, fantasiosas. A aproximação com gente dessa estirpe tem o objetivo de fazer o país líder de um grupo de nações, nem que seja do Bloco dos Sujos.

Trata-se de uma política externa asquerosa.

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