Sarkozy nega envolvimento no escândalo L'Oreal e diz ser vítima de calúnia

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, negou nesta terça-feira ter recebido doações irregulares de campanha, em 2007, da herdeira do grupo L'Oréal, Liliane Bettencourt. 


Presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse ser vítima de calúnia/Philippe Wojazer-01ºjul.10/Reuters

O presidente, que já viveu uma dura derrota este ano com o caso Clearstream, disse ser vítima de "calúnia que só visa a denegrir".

"Gostaria que o país se apaixonasse pelos grandes problemas atuais como a saúde, a organização da saúde, a aposentadoria, como criar crescimento, ao invés de embalar-se com o horror da calúnia, que só tem um objetivo, denegrir sem nenhum apoio na realidade", afirmou Sarkozy, em uma mesa redonda sobre medicina nas proximidades de Brie-Comte-Robert, sul de Paris.

A acusação foi feita na véspera pela ex-contadora de Bettencourt, identificada como Claire T., que disse ao site Mediapart que o gestor da multimilionária, Patrice de Maistre, teria repassado 150 mil euros em efetivo para a campanha presidencial de Sarkozy. O dinheiro teria entregue ao amigo de Maistre, Eric Woerth, então tesoureiro da União do Movimento Popular (UMP, direita) e da campanha de Sarkozy.

Woerth foi ministro de Orçamento por três anos e agora está à frente do Ministério do Trabalho como peça-chave do governo, a cargo da reforma do sistema de aposentadorias, uma das mais polêmicas implementadas pelo presidente.

O presidente francês lamentou que atualmente "há mais interesse pela pessoa que cria um escândalo do que pela pessoa que cura, que trabalha ou que constrói".

O próprio Woerth, cuja renúncia é vista como iminente pela imprensa francesa, também negou terminantemente ter recebido dinheiro ilegal de Bettencourt. "Nunca recebi no plano político o mínimo euro que não fosse legal", afirmou.

Gravações feitas ilegalmente por um mordomo revelam o conteúdo das conversas entre Bettencourt e seus conselheiros financeiros, com tópicos que vão de contas secretas na Suíça à doação de uma ilha de luxo privada para um amigo.

Nestas gravações aparece ainda o nome da mulher de Woerth, Florence, em conversa sobre operações financeiras para a herdeira da L'Oreal sonegar impostos. Os interlocutores dão a entender que o próprio Woerth, então ministro do Orçamento, estaria consciente das operações, a ponto de uma parte da fortuna de Bettencourt ser administrada, desde 2007, pela sua mulher.

ANO DIFÍCIL

Sarkozy enfrenta um ano difícil para sua imagem. Em janeiro deste ano, a justiça francesa absolveu o ex-premiê Dominique de Villepin, principal acusado no caso Clearstream de conspiração e manipulação política para sabotar a candidatura de Sarkozy à Presidência em 2007.

O veredicto representa um golpe contra Sarkozy, que não fazia segredo sobre considerar Villepin um de seus maiores inimigos quando os dois faziam parte do governo do ex-presidente Jacques Chirac (1995-2007).

Villepin, ex-premiê de Chirac, e outras quatro pessoas foram acusados de tramar um plano que consistia em levar à justiça uma lista falsa de personalidades com contas ocultas no Clearstream, organismo financeiro de Luxemburgo. Entre elas, estava Sarkozy, então ministro do Interior, que aparece com os nomes Stephane Bocsa e Paul de Nagy. O nome completo do francês é Nicolas Paul Stephane Sarkozy de Nagy-Bocsa.

Sarkozy, que ao explodir o escândalo no fim de 2006 havia prometido "pendurar o responsável num gancho de açougue", era um dos 41 autores civis do processo contra Villepin.

Sarkozy apoia ministro envolvido em escândalo financeiro com herdeira da L'Oréal

O presidente francês Nicolas Sarkozy entrou em cena para apoiar seu ministro do Trabalho, Eric Woerth, encarregado da delicada reforma das aposentadorias, acusado de estar no centro de um "conflito de interesses" no caso da fortuna da herdeira da L'Oréal.

O chefe de Estado teve a "oportunidade de reafirmar toda sua confiança em Eric Woerth para conduzir a reforma previdenciária" e ele o encorajou "a continuar seu trabalho", declarou nesta quarta-feira o porta-voz do governo, Luc Chatel, no fim do Conselho dos ministros.

Sarkozy também tentou pôr um fim à polêmica embaraçosa de Woerth, um dos ministros mais proeminentes da maioria governante: ele conduz atualmente a reforma da segunda parte do mandato do presidente, que enfrenta uma forte oposição.

O caso entre a herdeira da grande empresa de cosméticos L'Oréal, Liliane Bettencourt, e sua filha fez com que o ministro sofresse, por vários dias, acusações de envolvimento num "conflito de interesse" pela oposição que reclama uma investigação judicial.

Gravações reveladas na semana passada sugerem possíveis fraudes fiscais na gestão da fortuna da mulher mais rica da França. O nome de Woerth, ex-ministro do Orçamento de 2007 a março de 2010, aparece nas escutas.

Elas deixam entender que ele estaria consciente das operações, a ponto de uma parte da fortuna de Bettencourt ser administrada, desde 2007, pela sua esposa.

A oposição denuncia um "conluio" entre o poder e grandes fortunas e inúmeros dirigentes exigiram a demissão de Eric Woerth. A direção do Partido Socialista pediu, na noite de terça-feira (22), "solenemente" ao presidente Sarkozy que tudo fosse esclarecido.

O ministro do Trabalho repetiu que nem ele ou sua mulher têm nada com que se preocupar, excluindo a possibilidade de se demitir.

Sua esposa, Florence, negou estar consciente de uma possível fraude e assegurou que ela não havia "absolutamente nenhum" conhecimento sobre a totalidade do patrimônio da herdeira Bettencourt, em entrevista para o Parisien nesta quarta-feira.

A confusão começou com o envolvimento da herdeira Bettencourt e sua filha Françoise, que acusa um fotógrafo de tentar abusar financeiramente de sua mãe, de 87 anos, para obter mais de um bilhão de euros (R$ 2,2 bilhões) em doações.

Herdeira da L'Oréal nega ter sido pressionada por causa da fortuna

A multimilionária Liliane Bettencourt, herdeira da companhia de cosméticos L'Oréal, enfrentou nesta sexta-feira na televisão francesa a polêmica que gira em torno do controle de sua fortuna. Ela negou ter sofrido pressões para se desfazer de parte do dinheiro.

Liliane, 87, assegurou que Jean-François Banier, o artista e fotógrafo acusado pela filha da herdeira, Françoise Bettencourt-Meyers, de ter se aproveitado de sua mãe para obter presentes avaliados em cerca de 1 bilhão de euros, não a pressionou.

As declarações de Liliane foram feitas no dia seguinte ao início de um processo em um tribunal francês para elucidar se Banier abusou de sua fraqueza ou não.

Precisamente, a defesa de sua filha alega que a herdeira da L'Oréal não está em condições de administrar sua fortuna, calculada em cerca de 17 bilhões de euros (em torno de R$ 38 bilhões) e que por isso foi manipulada por Banier, razão pela qual exige que lhe seja imposta uma tutela.

O processo aberto ontem contra Banier foi adiado sem data de reatamento porque o tribunal estimou que precisa de tempo para examinar o conteúdo das gravações de conversas privadas apresentadas pela filha de Liliane e nas quais se aponta a existência de supostos delitos fiscais.

"Sei muito bem que uma filha pode ter ciúmes de sua mãe. Eu também era ciumenta quando via meu pai rodeado de mulheres", disse a herdeira na entrevista, quando perguntada pelo interesse de Françoise em demonstrar que Banier e outras pessoas poderiam querer se aproveitar de sua fortuna.


Fontes: FOLHA - Efe - AFP

Nenhum comentário:

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails