Israel anunciou nesta segunda-feira que irá aliviar o bloqueio à faixa de Gaza, permitindo a entrada de mais produtos na região.
Após o anúncio, a Casa Branca elogiou a medida, que ocorre após duras críticas internacionais ao bloqueio israelense à Gaza, e na véspera da visita do premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, aos Estados Unidos.
O porta-voz da Casa Branca, Tommy Vietor, disse hoje que o novo procedimento "irá representar um progresso significativo nas vidas das pessoas em Gaza", mantendo as armas "longe das mãos do [grupo radical islâmico] Hamas".
O presidente americano, Barack Obama, que receberá Netanyahu na Casa Branca nesta terça-feira, havia dito que o bloqueio é "insustentável" e exigido que a medida fosse significativamente reduzida. Outros líderes mundiais pediram a suspensão total do bloqueio.
A faixa de Gaza, onde vivem cerca de 1,5 milhão de palestinos, é uma região ocupada por Israel desde a a guerra de 1967. Desde 2007, a área é controlada pelo Hamas, e Israel controla a entrada de produtos para tentar impedir o recebimento de armas e explosivos.
As mudanças também foram elogiadas pelo enviado do Quarteto para o Oriente Médio (EUA, União Europeia, Rússia e ONU), o ex-premiê britânico Tony Blair. "As mudanças são significativas e, quando implementadas, terão uma influência dramática no dia a dia da população de Gaza e no setor privado", disse ele.
"Milhares de itens que não eram acessíveis por meios legítimos nos últimos três anos agora poderão entrar em Gaza com facilidade", acrescentou.
BLOQUEIO
As novas regras foram elaboradas após as críticas feitas à Israel pela comunidade internacional devido ao ataque militar israelense a uma frota que levava ajuda humanitária, que matou nove ativistas.
O diretor-geral do Ministério de Relações Exteriores de Israel, Yossi Gal, anunciou a medida nesta segunda-feira, dizendo que o governo fez "sério esforço" para fazer uma "clara distinção entre a necessidade de se manter a segurança de Israel' e 'todo o restante".
A lista inclui itens que poderiam ser usados para construir bombas e explosivos, como fertilizantes, mas tais produtos precisarão de permissão especial para entrar em Gaza.
Materiais de construção como concreto, cabos de aço e asfalto --que Israel teme que poderia ser usado por militantes do grupo islâmico Hamas para construir túneis e fortificações-- também só serão permitidos em coordenação com o governo palestino na Cisjordânia com a ONU e outras agências internacionais que supervisionam projetos de construção na região.
CRÍTICAS
No entanto, o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, qualificou a nova política de "sem valor".
"A questão não é apenas permitir novas mercadorias, mas dar fim ao bloqueio", disse ele.
O ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, disse em reunião a um comitê parlamentar nesta segunda-feira que o bloqueio naval de Israel será mantido para impedir que armas sejam enviadas ao Hamas, de acordo com um funcionário do governo presente no encontro.
O funcionário falou à agência de notícias Associated Press em condição de anonimato.
Sari Bashi, do grupo israelense de defesa dos direitos humanos Gisha, disse que as vantagens para os moradores de Gaza serão limitadas.
"Os habitantes da região podem agora comprar produtos israelenses, mas eles ainda são impedidos de trabalhar e viajar", disse ela.
Fontes: FOLHA - Agências
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