Fernando Sarney teria uma conta em paraíso fiscal/Foto por Arquivo/Agência Estado 03.07.2009O Ministério da Justiça confirmou nesta quinta-feira (25) que o governo suíço localizou e bloqueou uma conta com R$ 23,5 milhões do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A notícia do rastreio e bloqueio da conta foi publicada nesta quinta pelo jornal Folha de S. Paulo.
O Ministério da Justiça disse também que os indícios sobre a existência de contas da família Sarney no exterior, administradas por offshores, em paraísos fiscais, apareceram em investigações da Polícia Federal. Eduardo Ferrão, advogado do empresário, disse que não vai tratar do assunto. No final da tarde, em contato telefônico, ele foi discreto.
- Como o inquérito está sob sigilo, não vou me manifestar.
Segundo a Folha de S. Paulo, a conta na Suíça está em nome da empresa Lithia. Nos registros bancários, disse o jornal, o empresário era o único autorizado a movimentar a conta. O bloqueio teria acontecido quando Fernando Sarney tentava, de acordo com informações do jornal, transferir recursos da Suíça para o principado do Liechtenstein, um paraíso fiscal entre a Áustria e a Suíça.
O Ministério da Justiça confirma que as autoridades suíças fizeram um bloqueio administrativo da conta do filho mais velho do senador Sarney, que é quem dirige as empresas da família. Esse procedimento antecede o bloqueio de caráter criminal, se o governo brasileiro provar junto à Suíça que o dinheiro não declarado à Receita também é proveniente de operações financeiras envolvendo corrupção ou fraudes bancárias.
Filho de Sarney não declara conta que tem no exterior, diz jornal
Documentos enviados ao governo brasileiro por autoridades chinesas comprovam que o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mantém uma conta corrente no exterior não declarada à Receita Federal. A informação foi publicada na edição de 07 de março do jornal Folha de S.Paulo.
A conta, operada pessoalmente pelo empresário, estaria em um paraíso fiscal, em nome de uma offshore (empresa com sede fora de seu país de domicílio) sediada no Caribe.
No começo de 2008, Fernando Sarney teria usado esse canal para realizar uma transferência no valor de R$ 1,7 milhão (US$ 1 milhão) a uma agência do banco HSBC em Qingdao, na China. A autorização da transação teria sido assinada pelo empresário.
Fernando Sarney foi um dos alvos da operação Boi Barrica da Polícia Federal, que o indiciou por lavagem de dinheiro, fraude e formação de quadrilha. Em meio às denúncias que resultaram da investigação, o empresário obteve liminar na Justiça impedindo o jornal O Estado de S. Paulo de publicar informações sobre a operação.
A imposição de censura ao diário ocorreu em meio à pressão para que José Sarney renunciasse à presidência do Senado. O autor da decisão foi o desembargador Dácio Vieira, que é próximo à família Sarney. O jornal está sob censura desde 31 de julho.
Segundo a Folha, durante a operação Boi Barrica, depois rebatizada de Faktor, a Polícia Federal interceptou e-mails que faziam referência ao envio de R$ 1,7 milhão para a China.
Em 2009, Fernando Sarney negou a existência da conta no exterior. Com a transferência autorizada por ele, as autoridades chinesas conseguiram rastrear o dinheiro e confirmaram que os recursos foram creditados na conta da empresa Prestige Cycle Parts & Accessories Limited. Os investigadores brasileiros ainda não sabem qual é a finalidade do depósito.
Fonte: AE
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