Ex-DJ se proclama 'chefe' de Madagascar; presidente renuncia

Líder da oposição ocupou palácio presidencial horas antes de Ravalomanana anunciar que deixará o cargo


Após dois meses de pressão, presidente de Madagascar renuncia; ex-DJ e líder da oposição se proclama 'chefe'

ANTANANARIVO - O presidente de Madagascar, Marc Ravalomanana, apresentou sua renúncia nesta terça-feira, 17, e transferiu seus poderes para um "diretório militar", segundo afirmaram fontes ligadas ao presidente. A saída ocorre após quase dois meses de pressões da oposição, que o acusou de desvio de dinheiro público e de violar a Constituição. O líder opositor Andry Rajoelina, um ex-DJ de 34 anos, se proclamou chefe de uma "alta autoridade de transição" para governar Madagáscar após entrar nos escritórios presidenciais, em Antananarivo, ocupadas na segunda-feira por militares golpistas.

Rajoelina foi deposto da prefeitura da capital após retirar apoio ao governo

O Exército de Madagascar tradicionalmente mantém-se neutro durante confrontos políticos, mas desta vez está apoiando Rajoelina, que desde o início do ano vem liderando manifestações contra o governo. A população está descontente com Ravalomanana, principalmente por causa do alto índice de pobreza na ilha do Oceano Índico.

A tensão começou a piorar em janeiro, quando o governo bloqueou o sinal de uma emissora de rádio da oposição. A atitude gerou confrontos entre partidários do governo e da oposição que terminaram com vários mortos. Dias depois, soldados abriram fogo contra partidários da oposição, matando mais de 100 pessoas. O incidente custou ao presidente boa parte de seu apoio entre os militares, pois eles afirmam que ele deu a ordem para se disparar nos manifestantes.

Um porta-voz do presidente Ravalomanana disse que ele entregou o poder aos militares. A oposição do país afirmou que Rajoelina será o líder de um governo de transição, que o país passará por novas eleições nos próximos 24 meses e que a Constituição será reescrita. Rajoelina era prefeito da capital e foi afastado do cargo depois de romper com o governo, o que levou a um aumento dos protestos. Líder de duas empresas de comunicação, o jovem político foi eleito com 63% dos votos.

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