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Hamas: os judeus são bactérias

A reação do Hamas prova que, para esses palestinos, os judeus não têm direito nem mesmo a seu quarteirão em sua cidade mais sagrada

Israel reinaugurou nesta segunda-feira um dos seus marcos mais importantes em Jerusalém: a sinagoga Hurva.

O templo, do século 18, fica no quarteirão judaico da cidade e havia sido destruído pelas tropas da Legião Árabe em 1948, em sua campanha para tornar Jerusalém “livre de judeus”. Por causa da reconstrução da sinagoga, o grupo fundamentalista islâmico Hamas anunciou que promoveria um “dia de fúria”.

Na opinião dessa organização palestina, que defende a aniquilação de Israel, a obra é a face visível do plano israelense para destruir a mesquita de Al Aqsa, velha mentira contada no mundo árabe-islâmico para reforçar a ideia segundo a qual os judeus conspiram contra os lugares sagrados muçulmanos.

A campanha do Hamas, que certamente terá apoio de muitos “humanistas” que se intitulam “antissionistas”, enquadra-se na tentativa crescente de demonizar Israel. Desta vez, porém, os judeus não estão construindo assentamentos ilegais. Desta vez, os judeus estão atuando dentro no minúsculo quarteirão de Jerusalém sob sua jurisdição, e não em algum “território palestino”. Desta vez, os judeus estão tentando somente preservar sua memória histórica, no coração do território mais sagrado do judaísmo.

Nada disso, porém, parece importar na retórica palestina construída pelo Hamas para justificar a barbárie contra os judeus – retórica, aliás, idêntica à de Yasser Arafat, que ousou questionar os laços dos judeus com Jerusalém.

A reação do Hamas prova que, para esses palestinos, os judeus não têm direito nem mesmo a seu quarteirão em sua cidade mais sagrada. Afinal, em sua opinião, os judeus não passam de bactérias que precisam ser eliminadas, como disse um ministro do Hamas na entrevista que pode ser vista abaixo:



Fonte: O ESTADO / Marcos Guterman

Opinião BGN

A retórica de paz dos árabe-palestinos é só da boca para fora. A busca de um Estado palestino parece ser apenas um passo ou um pretexto na luta pela expulsão dos judeus da região. Em tempo, o dicurso do clérigo lembra as idéias de Hitler no Mein Kampf.

( Opinião de um leitor da matéria no ESTADO e que encampamos )

Chanceler israelense ameaça ‘derrubar regime sírio na próxima guerra’

 Israel ameaça Síria com guerra e derrubada de regime

Líderes da oposição pediram a demissão de Lieberman (foto de arquivo)

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, ameaçou nesta quinta-feira “trucidar” o Exército da Síria e derrubar o presidente do país, Bashar al-Assad, em caso de uma guerra entre os dois países.

“Você e sua família perderão o poder”, afirmou Lieberman, acrescentando ainda que a Síria deve abandonar seus sonhos de recuperar a região das Colinas do Golã, ocupadas por Israel.

As ameaças agravam ainda mais a escalada verbal entre os dois países verificada nos últimos dias.

A recente escalada verbal entre os dois países começou no início da semana com uma declaração do ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, que disse que se não houver um acordo de paz com a Síria, “poderá haver uma guerra generalizada”.

Em resposta, o ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid Moallem, declarou que os israelenses devem parar de se comportar como “bandidos” e afirmou que “os israelenses sabem que a próxima guerra pode atingir suas cidades”.

O ministro sírio também disse que Israel “está plantando as sementes de um clima de guerra, ameaçando atacar o Irã, o Líbano e a Faixa de Gaza”.

‘Provocações desnecessárias’

Líderes políticos da esquerda e da oposição classificaram as ameaças de Lieberman contra a Síria como “irresponsáveis e insensatas” e pediram que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu demita seu chanceler por fazer “provocações desnecessárias”.

Além de ameaçar derrubar o regime sírio, Lieberman também anunciou que a Síria deve “abrir mão do sonho de reaver as colinas do Golã, isso não vai acontecer”.

A devolução das colinas do Golã, ocupadas por Israel durante a guerra de 1967, é a condição fundamental da Síria para qualquer acordo de paz com Israel.

A última ameaça ao regime sírio por parte de um líder israelense importante ocorreu poucos meses antes da guerra de 1967 e foi feita por Itzhak Rabin, então chefe do Estado Maior do Exército israelense e que seria posteriormente primeiro-ministro do país, de 1974 a 1977 e de 1992 até seu assassinato, em 1995.

‘Chute’

O historiador Moshe Maoz, especialista no mundo árabe, disse à rádio estatal de Israel que as ameaças de Lieberman são “gravíssimas”.

“Trata-se de uma provocação de extrema gravidade, principalmente quando vem de um ministro das Relações Exteriores, que supostamente deveria procurar caminhos diplomáticos, é uma catástrofe”, afirmou Maoz.

O deputado Eitan Kabel, do partido Trabalhista, exigiu que o premiê Netanyahu demita “imediatamente” o ministro das Relações Exteriores.

“Não é possivel que uma pessoa insensata e irresponsável como Lieberman ocupe uma posição tão importante em uma situação tão delicada”, afirmou.

“Lieberman ultrapassou todos os limites e um primeiro-ministro razoável deveria dar um chute nele”, disse Kabel.

O Partido Trabalhista faz parte da coalizão governamental liderada por Netanyahu.

Fonte: BBC

The War Between the U.S. and Iran has Begun, in Yemen

Yemen is not only a new front on the war against islamofascism, but the U.S.-Sunni coalition has begun to fight a proxy war against Iran, in the Saada region of Yemen.



The Sunni governing majority, backed by Saudi Arabia and the United States is fighting certain clans of the Shi’te minority, backed by Iran.

Not only is the Yemeni government involved in two internal wars, but it continues to be confronted with internal political strife that may one day lead to the repartitioning of the country. If our entry into these Southwestern Arabian conflicts are poorly planned and executed, the current strategic advantage we hold over Iran and Al-Qaeda, will become FUBAR.

Yemen is an extremely complex nation, suffering from what many believe to be irreversible economic and social issues, and deeply rooted ethnic and political divides. The geopolitical landscape Southwestern Arabia is more enigmatic then in Pashtunistan.

Aside from the extremism, poverty, social discrimination, social exclusion, unemployment, social injustice and social integration issues facing Yemen, it is possible that the Yemenis face the most crippling drug addiction rates of any nation on earth, and it is threatening to set its development back an entire generation.

The video below is possible one of the most disturbing substance dependency stories someone  have ever seen. Imagine if 90% of the population of the United States was high on cocaine, constantly.

Short-term effects? Compulsive use may result in manic behavior with grandiose delusions or in a paranoid type of illness, sometimes accompanied by hallucinations.


Video: A Nation On Drugs - Yemen

Source: RIGHTSPHERE

Arqueólogos egípcios localizam dois túmulos de 2.500 anos

Uma equipe de arqueólogos egípcios descobriu dois túmulos construídos há 2.500 anos, os mais antigos encontrados até o momento no sítio arqueológico de Saqara, a 25 quilômetros ao sul do Cairo.

Os mausoléus estão enterrados e têm gravuras em vários de seus muros, segundo detalha uma nota do Conselho Supremo de Antiguidades (CSA), divulgada nesta segunda-feira (4).

Uma das duas construções é a de maior dimensão encontrada na região e inclui inúmeros corredores, quartos e salas, explicou Zahi Hawas, secretário-geral do CSA.

Este túmulo é precedido por duas grandes fachadas, parte em deterioração e outra de tijolo, conforme o comunicado.

Dois dos quartos que estão lotados de material de construção e de terra conduzem a uma sala em que no interior foram localizadas diversas ossadas e vasilhas de cerâmica.

Em outra sala pequena foi descoberto um poço com uma profundidade de sete metros.

Na parte norte do túmulo também foram encontradas várias múmias de falcões que estão em um bom estado de conservação.

Conforme Hawas, o túmulo foi utilizado em mais de uma ocasião e provavelmente depredado no século 5º depois de Cristo.

Na segunda sepultura, de menores dimensões, embora também composta por várias salas, foram encontradas inúmeras vasilhas de cerâmica.

O especialista em arqueologia mostrou satisfação com as descobertas, que seriam uma prova de que a região de Saqara, onde fica a pirâmide escalonada de Zoser, ainda "guarda muitos segredos".

Fontes: FOLHA - Efe

Dubai inaugura maior prédio do mundo

Torre Burj Dubai tem mais de 800 metros de altura. Inauguração ocorre em meio a crise do emirado.

Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, inaugura nesta segunda-feira (4) a torre Burj Dubai, considerada o novo prédio mais alto do mundo.

A estrutura tem mais de 800 metros de altura e 160 andares.



A inauguração ocorre pouco mais de um mês depois de o emirado ter pedido moratória do pagamento da dívida da estatal Dubai World e é vista como uma tentativa de reativar o otimismo local.

A construção do prédio começou durante o "boom" econômico da última década e envolveu cerca de 12 mil trabalhadores. A data da inauguração já havia sido adiada duas vezes desde o início da construção, em 2004.


Trabalhadores dão os retoques na torre Burj Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, nesta segunda-feira (4). (Foto: AP)





O prédio, considerado o maior do mundo com mais de 800 metros, deve ser inaugurado hoje sob forte esquema de segurança. (Foto: AP)




Sombra da Torre Dubai é vista sobre a cidade nesta segunda-feira (4). 



Fontes: G1- TV Globo - AP

Temperatura sobe a 400ºC em região da Jordânia

O fenômeno foi descoberto por acaso quando ovelhas entraram no terreno enquanto estavam pastando


AMÃ - As autoridades jordanianas investigam a partir desta qaurta-feira, 7, o que motivou um repentino aumento da temperatura até 400ºC em um local próximo a Amã, informaram fontes oficiais.

China e países árabes planejam eliminar dólar do comércio de petróleo, diz 'Independent'

Países estariam em negociações secretas para adotar uma cesta de moedas que incluiria euro, yuan e iene, entre outras.


Os países do Golfo Árabe, junto a China, Rússia, França e Japão, estariam planejando substituir o dólar por uma cesta de moedas nas transações de petróleo, segundo reportagem do jornal britânico The Independent, publicada nesta terça-feira.

Bons empregos e cosmopolitismo atraem brasileiros a Dubai

Emirado permite ter padrão de vida semelhante ao da classe alta do Brasil.
Estrangeiros vão a festas 'ocidentalizadas' e pouco interagem com locais.


Beatriz Carosini está no emirado há 5 meses (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Quando a designer paulistana Beatriz Carosini resolveu deixar o Brasil para encarar sozinha um trabalho num país muçulmano, ela pensou que tudo seria muito difícil. Mas o que ela encontrou quando chegou em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, foi uma vida até que bem parecida com a que ela tinha em São Paulo.

"Achei que teria que mudar o jeito de vestir, de me locomover, que seria tudo muito diferente. Mas na verdade não mudei quase nada. Me visto como me vestia no Brasil, como praticamente do mesmo jeito e ando sozinha pelas ruas - até me sinto mais segura aqui," disse em entrevista ao G1, por telefone.

Beatriz está em Dubai há cinco meses. Ela foi, por indicação de dois amigos, trabalhar em uma agência de publicidade.

Assim como ela, Paulo Foerster também foi morar no emirado a trabalho e não se arrepende. "Os brasileiros que vêm pra cá são muito valorizados e reconhecidos, não são vistos como se estivessem tomando o emprego de alguém, pelo contrário."

Quem também avalia bem a experiência profissional é o publicitário Bruno Santiago, de 31 anos. Ele saiu do Brasil em 2006, quando foi trabalhar no Bahrein. De lá, foi para Dubai, transferido pela empresa. "O mercado não é tão competitivo. Se você tem alguma vantagem, já sai na frente de muita gente. Eu cheguei com 12 anos de experiência e, se no Brasil eu teria um nível de cargo, o nível aqui é muito maior", explica ele.


Paulo fez um safari pelo deserto com os amigos (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Paulo diz que ficou sabendo de um colega que estava bem em Dubai e resolveu mandar o currículo para uma empresa - ele trabalha como diretor de arte e webdesigner. "Em 15 dias a empresa agilizou todo o processo para a minha mudança", conta.

Bruno aconselha que quem quiser tentar um emprego no país escolha uma boa empresa de Recursos Humanos."Há empregos que podem ter regras que limitem sua saída do país. O ideal é conhecer alguém que lhe indique um a vaga ou escolher uma boa empresa de RH", disse. Uma exigência é saber inglês. O árabe e o francês são vantagens qualitativas.

Experiências

Os brasileiros entrevistados falaram empolgados da vida que têm por lá. A convivência com uma cultura diferente, segundo eles, amplia a visão de mundo. "Você conhece muita gente de muitos lugares diferentes", conta Beatriz.

O número de estrangeiros é muito grande no país, algo entre 70% e 80%.

Outra vantagem do emirado são as facilidades de consumo. “Você não paga impostos sobre quase nada, e os bens são muito baratos. De um ano pra cá, por causa da crise, os aluguéis diminuíram muito o valor, cerca de 40%”, disse Paulo.

Bruno explica que, trabalhando na mesma área em que trabalhava no Brasil, consegue viver uma vida com um pouco mais de luxo. "Ter um bom carro, viajar para esquiar, coisas de classe alta no Brasil."


Entardecer é visto na ferrovia Sheikh Zayed, na última quinta-feira (17), em Dubai (Foto: Kamran Jebreili/AP)

Vida social

Festas nos moldes ocidentais acontecem muito em apartamentos, casas e em hotéis, onde é permitido o consumo de bebida alcoólica. Os estrangeiros precisam de uma autorização formal do governo para comprar bebida, em casas especializadas.

A gastronomia reflete o cosmopolitismo, com restaurantes de todos os tipos e nacionalidades.

A interação entre os cidadãos do emirado e os estrangeiros não é intensa, por causa da diferença cultural. Mas também não é inexistente. Beatriz conta que já frequentou a casa de seu chefe árabe e já foi a outros eventos em que havia cidadãos do emirado, mas não é algo freqüente.

Bruno Santiago (na guitarra, à esquerda), com sua banda em Dubai. (Foto: Arquivo pessoal)

Há dois anos no emirado, Bruno diz que, às vezes, a falsa sensação de liberdade incomoda.

"Você pode sair, ir para bares e pubs, mas isso é um pouco idealizado, você acaba parecendo que está nos mesmos lugares sempre. Acho a cidade linda, mas ao mesmo tempo você vê que tudo é muito artificial, às vezes dá a sensação de estar morando numa cidade de lego e tudo se torna muito previsível. Não há o elemento surpresa, a espontaneidade dos outros lugares."

Mas os brasileiros geralmente se adaptam bem, e Bruno até formou com amigos uma banda , que toca rock/pop nacional nas festas brasileiras que acontecem a cada dois meses. "Eu gosto de Dubai. Enquanto valer a pena, ainda morarei aqui."

Fontes: G1 - AP - Reuters

Jornalista que lançou sapatos em Bush deixa a prisão

Muntazer al-Zaidi cumpriu nove meses de prisão. Segundo um irmão, ele fará tratamento médico.

O jornalista iraquiano Muntazer al- Zaidi, que jogou seus sapatos na direção do ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em dezembro de 2008, em Bagdá, foi libertado nesta terça-feira (15), após nove meses de prisão.

Repórter do pequeno canal de televisão privado Al-Bagdadia, al-Zaidi tentou acertar Bush durante uma coletiva de imprensa da qual participava também o premiê iraquiano Nuri Al Maliki.

Desde então, ele ganhou fama em todos os países árabes e seu rosto apareceu em camisas vestidas por milhares de manifestantes de Rabat ao Cairo, passando por Gaza e Londres. Muitos de seus compatriotas o consideram um herói.

Al-Zaidi estava na base militar de Muthanna, zona oeste de Bagdá. Toda a sua família o recepcionou. Segundo um de seus irmãos, o jornalista será levado a um país árabe (não divulgado) para receber tratamento médico. A família diz que ele foi torturado na prisão.

O jornalista foi sentenciado a três anos de prisão por “insultar a um presidente de um país estrangeiro”. O Tribunal de Apelação reduziu a pena para um ano de dentenção e a Justiça local considerou como atenuantes para sua libertação as circunstâncias em que o incidente se produziu e estado psicológico do jornalista.



Fontes: G1 - Agências

Luta pela identidade islâmica 'emerge' do Hamas em Gaza

Guardiães da moral religiosa tentam impor suas opiniões à população.
Governo do território consegue detê-los. Mas até quando?

Uma verdadeira luta está emergindo do movimento do Hamas, que domina esta faixa costeira da Palestina, e que diz respeito à extensão e à natureza de sua identidade islamista. Guardiões da moral religiosa, alguns autoindicados, outros de dentro do governo, têm buscado impor suas opiniões nos últimos meses.

Até o momento, oficiais de alto escalão do governo os pararam, mas ainda não está claro por quanto tempo mais eles conseguirão.

São muitos os exemplos da batalha. O mais ameaçador ocorreu em meados de agosto, quando um grupo extremista, os Guerreiros de Deus, tomou à força uma mesquita na cidade de Rafah, ao sul, chamando o Hamas de impuro e colaboracionista. Eles declararam leis religiosas severas.

As forças do Hamas cercaram a mesquita e, após um conflito violento que durou a noite inteira, mataram mais de vinte pessoas, incluindo o líder do grupo, e prenderam outras 155, segundo representantes do Hamas. O Ministério do Interior está agora monitorando mesquitas e patrocinando palestras públicas contra o extremismo muçulmano.

Outros casos não envolveram violência, mas muita coerção. O presidente da suprema corte decretou, este verão, que advogadas do sexo feminino deveriam usar a hijab (véu que cobre a cabeça) no tribunal. Um comitê organizado pelo ministério de assuntos religiosos enviou homens para as praias a fim de instruir aos banhistas que não toquem uns aos outros em público e cubram o corpo. Várias professoras e diretoras de escolas para meninas mandaram as alunas se vestirem com longos casacos e usarem a hijab, em vez das saias jeans dos últimos anos.

Todas essas regras já foram revertidas. O primeiro-ministro Ismail Haniya pediu que o presidente da suprema corte, Abed al-Raouf Halabi, cancelasse sua ordem envolvendo as advogadas, e ele obedeceu.

O ministro da educação, Mohammed Asqoul, disse que qualquer exigência nova em relação ao uniforme escolar era "um ato individual".

"O governo e o Hamas não têm nada a ver com isso", disse ele. "Sou contra esse tipo de ordem, já que não há necessidade de impor a hijab numa sociedade conservadora".

Khalil al-Hayya, experiente líder político do Hamas, disse: "Nem o governo nem o Hamas chegaram a decisão alguma sobre essas ordens. Somos um movimento de resistência islâmica que nunca vai obrigar ninguém a ir contra sua vontade. O conselho é a melhor tática".

O doutor Iyad el-Serraj, psiquiatra e observador local, disse haver poucas dúvidas de que Gaza, há muito tempo um lugar conservador do ponto de vista religioso e social, estava cada vez mais conservador. Sem instrução partindo de cima, a grande maioria das mulheres usam vestes religiosamente modestas, e cada vez mais homens usam barba. Não se vende bebida alcoólica aqui.

Serraj atribui a mudança a vários fatores, além do fato de que essa expressão de identidade é cada vez mais comum pelo Oriente Médio muçulmano. O Hamas, observou ele, está no poder há mais de dois anos. Aqueles em posições de nível intermediário de poder, assim como aqueles que aspiram a esses postos, querem ser notados e promovidos.

Em segundo lugar, disse o psiquiatra, com a economia completamente enguiçada devido ao bloqueio de Gaza por parte de Israel, há pouca coisa a fazer e um horizonte limitado para avanços e desenvolvimento. Nessas circunstâncias, sugeriu ele, o fundamentalismo encontra um terreno fértil.

Porém, o Hamas, apesar de favorecer a lei e o comportamento islâmico, tem muitas razões para recuar. Seu rival, a Autoridade Palestina na Cisjordânia, liderada pelo Fatah, usa qualquer indício de imposição de leis religiosas como evidência de que o Hamas não é capaz de administrar um governo moderno e responsável. O Hamas é rotulado como uma organização terrorista pelos Estados Unidos, União Europeia e Israel, e está buscando legitimidade para ser líder do movimento palestino.

O Hamas rejeita o direito de Israel de existir e permanece doutrinariamente comprometido com sua destruição. No entanto, seus líderes afirmaram diversas vezes que, se Israel deixasse todas as terras tomadas na guerra de 1967, o Hamas poderia aceitar um estado palestino limitado à Cisjordânia, Gaza e leste de Jerusalém, dependendo dos termos de um cessar-fogo.

Um líder linha-dura em Gaza disse que o Hamas está se iludindo se pensa que a moderação pode levar a uma aceitação internacional. "O mundo nunca vai nos reconhecer e nunca terminará o estado de sítio", disse ele, sob condição de anonimato. Ele acrescentou que talvez a imposição de leis religiosas "os assuste e os force a acabar com o estado de sítio". Para o pequeno número de palestinos relativamente laicos em Gaza, o crescente movimento em direção a uma vida mais islâmica é profundamente preocupante.

Ahmed Shawa, de 18 anos, contou que, quando pediu a amigos uma massagem nas costas na praia, um homem usando roupas civis interveio. Ele disse que não poderia haver toques entre os jovens e instruiu Shawa a colocar uma camisa. Quando ele e os amigos pediram uma explicação, o homem disse: "A forma como vocês se portam é satânica. Vocês convidam o diabo a brincar nas suas mentes".

Shawa, que joga basquete, também contou que recentemente estava indo para casa a pé, vindo do estádio, quando foi parado por um homem usando roupas no estilo palestino. O homem mandou que ele não usasse shorts ou camisetas sem manga. Quando Shawa argumentou, o homem o ameaçou, dizendo: "Da próxima vez, vou usar o outro método".

O comitê da moral, que envia esses homens pelas ruas, é contra a mistura dos sexos, contra o uso de roupas "femininas" por homens e contra a venda de cartazes, livros, revistas e DVDs que violam leis morais severas. Os homens visitam cafés, pedindo que os donos não sirvam às mulheres a shisha tradicional, usada para o fumo na região.

No início do ano letivo, no final de agosto, várias garotas do ensino médio foram mandadas para casa para cobrir suas cabeças e usar o pano conhecido como jilbab. Nas áreas mais abastadas da Cidade de Gaza, muitos ficaram insatisfeitos.

"É a primeira vez, em toda a minha vida, que cubro meu cabelo e uso uma jilbab. Me sinto sufocada", disse Domoua al-Ali, 16 anos. Assim que ela saiu da escola, Domoua e sua amiga, Dinah Nasrallah, 17 anos, abriram os botões da jilbab e orgulhosamente exibiram seus jeans apertados, depois transformaram a hijab num lenço de pescoço. Elas zombavam da professora de religião, que explicou a ordem desta forma: "É Deus quem pede hijab, não a diretora. Como vamos proibir o que Ele pediu?"

Do lado de fora da escola Ahmed Shawqi, outro círculo de garotas era liderado por Aziza Doghmosh, 16 anos. Ela também tirou a hijab assim que saiu da escola e reclamou da professora. "Minha professora disse que quando usamos uma saia ou blusa apertada, o diabo brinca na mente dos homens", disse ela. As amigas riam.

Apenas 20 garotas, entre as mais de 800, não obedeceram ao novo código de vestimenta na primeira semana de aulas, mas o número aumentou na segunda semana. No entanto, na parte leste da Cidade de Gaza, mais conservadora e menos abastada, todos obedeceram, mesmo depois que a regra foi oficialmente cancelada.

Fonte: G1 - The New York Times/Taghreed El-Khodary e Ethan Bronner

Hamas ataca radicais que declararam Estado islâmico em Gaza


Membros do Khund Ansar Allah protegem o líder do grupo, Abdel Latif Moussa, após a oração que deu origem a confrontos em Gaza

Militantes islâmicos radicais de um grupo pan-árabe desafiaram o domínio do grupo islâmico Hamas sobre a faixa de Gaza ao declarar nesta sexta-feira um "emirado islâmico" no território, levando a confrontos que mataram ao menos oito pessoas.

Pelo menos 40 pessoas ficaram feridas nos confrontos registrados na faixa de Gaza entre a polícia do grupo radical islâmico Hamas e do grupo radical sunita Khund Ansar Allah ("Os Guerreiros de Deus"), inspirado na rede terrorista Al Qaeda. Entre os feridos, há pelo menos três crianças, segundo fontes policiais.

O incidente aconteceu na tarde desta sexta-feira nos arredores da mesquita de Iben Taymeya, na cidade de Rafah, no sul da faixa de Gaza, na fronteira com o Egito. Os confrontos começaram logo após o fim das orações da sexta-feira (dia sagrado muçulmano), quando policiais do Hamas cercaram a mesquita depois que o xeque Abdelatif Moussa, líder espiritual do grupo islâmico radical sunita, declarou o estabelecimento de um emirado islâmico em Gaza, disseram testemunhas.

Moussa --conhecido pelos seguidores pelo nome de guerra ao estilo da Al Qaeda Abu al Nour al Maqdessi-- criticou durante as orações na mesquita o Hamas por não implementar a sharia (lei islâmica) e anunciou que seu grupo está realizando esforços para impô-la.

"Após confiar em Alá (Deus) e levando em conta as razões para a vitória e a consolidação, declaramos o nascimento de um novo emirado islâmico ao lado da santa Jerusalém", disse Moussa, um clérigo de meia idade com uma barba longa, que estava vestindo um manto vermelho. Ele fez a declaração cercado por quatro homens mascarados, armados com fuzis que usavam o que pareciam ser cintos com explosivos.

"Faço um apelo aos milicianos das Brigadas Qassam para que se unam a nós", disse o clérigo, advertindo que se o Hamas e seu governo não implementarem a sharia no território palestino "se transformarão em um partido islâmico fraco". O Hamas, que vencera a eleição parlamentar de 2006, tomou à força o controle de Gaza em 2007, em meio a conflitos com o grupo palestino laico Fatah, do presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, que desde então controla apenas a Cisjordânia.

Embora o Khund Ansar Allah ("Guerreiros de Deus') tenha reunido apenas algumas centenas de homens para o evento no qual o emirado foi declarado, a iniciativa foi vista como mais um desafio à visão do Hamas de um estado islâmico palestino por parte de grupos militantes pan-árabes alinhados à rede terrorista Al Qaeda.

O Hamas informou que suas forças de seguranças invadiram as fortalezas do movimento, incluindo a mesquita onde Moussa tinha anunciado a criação de um Estado teocrático.

Segundo as testemunhas, a polícia do Hamas rodeou a mesquita e deteve durante um tempo Moussa e seus seguidores. Mais tarde começou um confronto armado entre a polícia e os milicianos da Jihadi Salafi, ao qual se seguiu uma troca de tiros no qual foram lançadas várias bombas no bairro de Al Barazil, no oeste da cidade.

Segundo fontes policiais, as forças do Hamas demoliram à tarde a casa do xeque Moussa, atualmente em paradeiro desconhecido.

Na manhã desta sexta-feira, o líder do Hamas e ex-primeiro-ministro da ANP Ismail Haniyeh negou as acusações de Israel de que grupos extremistas islâmicos estrangeiros operam na faixa de Gaza.

"Não há nenhuma organização fanática estrangeira em Gaza que atue contra os americanos", assegurou Haniyeh, acrescentando: "Gaza não precisa de homens, temos os nossos".

Radicais

O Khund Ansar Allah e uma série de outros grupos pequenos e clandestinos tentam impor uma versão mais rigorosa da lei islâmica em Gaza e criticam o Hamas por não fazê-lo. Eles também se enfureceram com o Hamas por respeitar um cessar-fogo com Israel durante os últimos sete meses.

Os líderes do Hamas têm dito que pretendem dar o exemplo e não impor as suas opiniões sobre os outros. Dizem também que sua luta violenta é contra Israel, e não contra o mundo ocidental. Os apelos dos grupos mais radicais por uma guerra santa global minam as tentativas do Hamas de parecer mais moderado aos olhos ocidentais --mas podem servir a esse propósito caso os grupos sejam reprimidos.

O Khund Ansar Allah chamou a atenção pública em junho após ter reivindicado a responsabilidade por uma tentativa fracassada de atacar Israel a partir de Gaza.

O grupo alega inspirar-se na Al Qaeda, mas nenhum vínculo foi confirmado com a rede liderada pelo saudita Osama bin Laden.

Em julho, três extremistas muçulmanos do grupo refugiaram-se em um edifício no sul de Gaza, entregando-se ao à polícia do Hamas só após um longo confronto.

Não há dados precisos sobre o número de membros do Khund Ansar Allah e dos outros grupos extremistas semelhantes em Gaza.

Atualização: 06;57 BRT

Gaza, 15 ago (EFE).- O xeque Abdel-Latif Moussa, líder espiritual do grupo radical pró-Al Qaeda Ansar Jund Alá (Guerreros de Deus), morreu hoje em confrontos entre seus seguidores e as forças do Hamas na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza.

Além de Moussa, outras 19 pessoas morreram e cerca de 120 ficaram feridas nos choques armados, que começaram na tarde de ontem e se estenderam ao longo da noite, segundo informou o chefe dos serviços de emergência na Faixa, Muawiya Hassanein.

Fonte: FOLHA - Efe - AP

O que pode virar história e o que pode cair no esquecimento no Oriente Médio

Gustavo Chacra

DIRETO DE BEIRUTE

Em dez dias, tivemos uma série de eventos no Oriente Médio que deveriam ser históricos.

1. O discurso de Barack Obama
2. A eleição libanesa
3. A eleição iraniana
4. A retomada do diálogo direto EUA-Síria
5. O discurso de Netanyahu

O primeiro realmente marcou a maneira como os muçulmanos observam os Estados Unidos. Mas apenas no curto prazo. As críticas aqui no mundo árabe ao presidente americano começaram no domingo, quando ele elogiou o discurso de Benjamin Netanyahu, premiê de Israel

A eleição libanesa foi democrática, livre e, agora, ainda temos que aguardar como terminarão as negociações para a formação do governo

A retomada do diálogo EUA-Síria começou com o encontro entre Bashar al Assad e o enviado especial de Obama, George Mitchell. Ainda é cedo para dizer qual será o resultado e o foco da conversa foi o Iraque, não Líbano, Israel e palestinos.

Netanyahu expressou uma posição já conhecida no mundo árabe. O próprio premiê sabe que é impossível seus vizinhos aceitarem esta proposta.

Portando, sobra o Irã. Ninguém sabe como terminará. Pode ir do extremo de os protestos se intensificarem a ponto de derrubarem o regime, à realização de novas eleições, passando pela manutenção do status quo anti ou o endurecimento do regime. É o único que pode marcar história. O resto, em breve, cairá no esquecimento. Pelo visto, até o discurso de Obama.

Premiê de Israel diz que concordaria em paz com Estado palestino desmilitarizado

Desde que assumiu, Benjamin Netanyahu era contra um Estado palestino. Admissão de negociar novo Estado é fruto de pressão norte-americana.


Benjamin Netanyahu, aceita discutir a existência de um Estado Palestino (Foto: Baz Ratner/AFP )

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, admitiu discutir a existência de um Estado Palestino com a condição "sine qua non" para a paz que o território que abrigar este seja "desmilitarizado".

A atual postura a favor da negociação do novo Estado é fruto de pressão norte-americana. Assim, o discurso deste domingo parece ser uma tentativa de pôr fim à maior diferença nas relações EUA-Israel em uma década. Mas outros atritos parecem prováveis devido a sua recusa em ceder com relação aos assentamentos.

Desde que assumiu o poder, no fim de março, Netanyahu, chefe da coalizão de direita, vem resistindo aos apelos do presidente dos EUA, Barack Obama, e outros para aceitar que a saída nas negociações de paz seria a criação de um "Estado" palestino ao lado de Israel.

"Não podem nos exigir de antemão um Estado palestino sem que (a comunidade internacional) nos garanta antes que o território que ficar em mãos dos palestinos esteja desmilitarizado", disse Netanyahu num discurso na Universidade de Bar-Ilan, próxima a Tel Aviv. "Se recebermos garantias, estaremos dispostos a aceitar um Estado palestino desmilitarizado ao lado do Estado judeu", afirmou Netanyahu.

O premiê também exigiu que a solução para o conflito no Oriente Médio se baseie no "reconhecimento sincero" por parte dos palestinos de que Israel é "um Estado nacional judeu".

O primeiro-ministro disse ainda que, em seu conceito da paz, Jerusalém será a "capital unificada de Israel" e condicionou qualquer acordo a que o problema dos refugiados palestinos seja resolvido "fora das fronteiras do Estado de Israel".

Netanyahu afirmou que o conflito israelense-palestino "começou há 50 anos, antes de o Exército de Israel estar em Judéia e Samaria (nomes bíblicos da Cisjordânia)", e ressaltou que isso "não está relacionado com os assentamentos" judaicos.

Em outro trecho do discurso, o premiê pediu ao mundo árabe que colabore com israelenses e palestinos na busca de soluções para o conflito do Oriente Médio, que, segundo disse, deveria começar pelo alcance de uma "paz econômica".

"A paz econômica não é alternativa à paz diplomática, mas é um componente importante dela", declarou o primeiro-ministro, que disse que as negociações poderiam acontecer "em qualquer lugar: em Damasco, Beirute e também em Jerusalém".

Condenação do discurso

Um porta-voz do presidente palestino Mahmoud Abbas disse que Netanyahu não avançou o suficiente. Os palestinos resistem há muito tempo aos chamados por declarar que Israel é um Estado judaico. "O que fez é negar todos os princípios que a comunidade internacional considera básicos para conseguir uma solução pacífica entre israelenses e palestinos", comentou o chefe de gabinete do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Rafik al-Husseini.

O movimento islâmico Hamas também condenou o discurso do primeiro-ministro israelense e considerou inaceitáveis as condições impostas para a criação de um Estado palestino.

Assentamentos

Benjamin Netanyahu confirmou sua recusa em congelar totalmente o avanço dos assentamentos, como solicitado por Washington, seguindo os termos do "mapa do caminho" para a paz, traçado em 2003.

"Não temos a intenção de construir novos assentamentos ou desapropriar terras para novos assentamentos, mas é necessário permitir que os colonos vivam vidas normais, permitir que pais e mães criem seus filhos como famílias em todo o mundo", afirmou.

Em discurso no dia 4 de junho voltado a reparar as relações dos EUA com os muçulmanos, Obama disse que a construção dos assentamentos precisa parar.

Netanyahu, que lidera a coalizão governista de viés direitista, reiterou sua disposição em reunir-se com líderes árabes e exortou os palestinos a retomarem as conversações de paz.

Não ficou claro de imediato se Abbas vai aceitar o chamado de Netanyahu pelar retomada das conversações. Abbas já disse anteriormente que as negociações com Israel não poderão ser retomadas enquanto Netanyahu não aceitar a meta da solução de dois Estados e não interromper a construção de assentamentos.

Um congelamento dos assentamentos racharia a coalizão governista que chegou ao poder em Israel em março passado.

Fonte: France Presse - AFP - G1

Eleições no Irã




Leia sobre as eleições de hoje no Irã, nos seguintes links:

Irã adia fechamento dos colégios diante de grande participação

Mir Hussein Mousavi, o reformista que desafia Ahmadinejad

Mohsen Rezaei, de apoiador a crítico do governo iraniano

Mehdi Karroubi, o mais liberal dos oponentes a Ahmadinejad

Grande participação de jovens e mulheres marca eleição no Irã


Eleição para presidente no Irã é marcada pela grande participação de jovens e mulheres

A participação elevada, principalmente de jovens e mulheres, e a ausência de incidentes graves foram os destaques das eleições que acontecem nesta sexta-feira no Irã, onde mais de 46 milhões de eleitores escolhem o próximo presidente do país.

Desde a abertura dos colégios eleitorais, às 8h (0h30 em Brasília), as longas filas, as aglomerações às portas das mesquitas e das escolas onde é possível votar, e o ambiente festivo marcam o dia na República Islâmica.

Por volta do meio-dia (local), cerca de cinco milhões de eleitores já tinham votado, conforme anunciou à imprensa oficial o ministro do Interior, Sadek Mahsuli, que acrescentou que as autoridades esperam uma participação recorde em eleições do Irã.

Os iranianos decidem nesta sexta-feira se reelegem o atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad, ou se preferem que ele seja substituído por um dos três candidatos da oposição: o independente pró-reformista Mir Hossein Mousavi, o clérigo Mehdi Karubi e o conservador Mohsen Rezai.

As previsões indicam que a disputa mesmo se dará entre Ahmadinejad e Mousavi, que foi primeiro-ministro do Irã entre 1981 e 1988.

A taxa de participação dos eleitores é considerada um fator chave para permitir a realização de um segundo turno, ou até mesmo que Mousavi, um conservador moderado, vença no primeiro turno e se transforme na segunda pessoa mais poderosa do país depois do guia supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Na eleição de 2005, quando Ahmadinejad, praticamente um desconhecido até o momento, venceu o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsandjani para surpresa de todos, a participação foi de 60%.

Votos

Na entrada dos colégios do norte da capital Teerã, a maioria dos eleitores dizia que seu voto seria em Mousavi, que conseguiu despertar uma nova esperança entre os jovens e principalmente entre as mulheres, que compareceram às urnas em massa.

"Espero derrotar Ahmadinejad", disse Mahnaz Mottaghi, 23, depois de depositar seu voto em uma mesquita no centro de Teerã.

Do lado de fora do mesmo local de votação, Abbas Rezai, 29, disse que ele, sua esposa e sua cunhada havia votado em Ahmadinejad.

"Teremos ele como presidente por mais um mandato, com certeza", disse.

No sul, a região mais pobre da capital, a maioria dos eleitores se inclinava por Ahmadinejad, mas também havia um grande número de partidários dos candidatos reformistas e do conservador Rezai.

Ahmadinejad recebe mais apoio nas zonas rurais, enquanto Mousavi é popular nos núcleos urbanos e nas regiões onde vivem as minorias do país, como os curdos ou os armênios.

Segundo o Ministério do Interior, os colégios deverão fechar às 18h (10h30 de Brasília), mas tudo indica que o prazo se estenderá por várias horas, com o limite fixado em meia-noite (local).

Os resultados finais, que devem ser validados pelo poderoso Conselho de Guardiães, serão anunciados 24 horas depois do fechamento dos colégios.

Candidatos no Irã defendem maior diálogo com EUA

Os quatro candidatos à Presidência do Irã, que realiza eleições nesta sexta-feira, disseram em debates na televisão que dialogariam com os Estados Unidos caso fossem eleitos.

O conservador Mahmoud Ahmadinejad, que busca um segundo mandato e é conhecido por suas posições duras em relação a EUA e Israel, disse que estaria disposto a se encontrar com o presidente americano Barack Obama, caso fosse reeleito.

O ex-primeiro-ministro reformista Mir Hossein Mousavi, que lidera as intenções de voto, segundo pesquisas, declarou em uma conferência de imprensa que negociaria com os EUA, embora tenha dito que não desistiria do programa nuclear do Irã.

Os dois outros candidatos, o ex-chefe da Guarda Revolucionária Mohsen Rezai, o ex-presidente do Parlamento Mehdi Karubi, também declaram em campanhas que dialogariam com o governo americano.

Ambos acusaram Ahmadinejad de guiar a política externa iraniana em terrenos perigosos, com uma posição de confronto contra o Ocidente, especialmente os EUA.

Portas abertas

Segundo o analista político iraniano Sharif Emam Jomeh, a postura mais amistosa dos candidatos se deve ao fato de Obama ter aberto as portas ao diálogo com países da região, incluindo Irã e Síria, dois países que estavam no isolamento durante a administração do ex-presidente George W. Bush.

"Há uma disposição da população em geral de querer ver o Irã menos isolado internacionalmente. Um discurso amistoso em relação aos EUA e Ocidente atrairá mais votos", salientou Jomeh.

Entretanto, as posições dos quatro candidatos diferem em como chegar a um maior diálogo com Washington.

Mousavi declarou que definitivamente negociaria com o governo americano e que a 'paz com qualquer país beneficiaria os interesses do Irã'.

Mas ele advertiu que uma reaproximação entre os dois países só seria viável caso Obama mudasse a política americana em relação ao Irã.

'Todos, no entanto, defendem o direito iraniano à tecnologia nuclear, inclusive os reformistas', completou Jomeh.

A administração Obama disse em diversas oportunidades que gostaria de conversar com o Irã, mas também deixou claro que o programa nuclear iraniano e seu programa de mísseis eram uma ameaça na região.

Os EUA e outros países ocidentais acusam Teerã de tentar desenvolver armas nucleares, mas o governo iraniano alega que seu programa tens fins pacíficos, para geração de energia.

'Mousavi se comprometeu a um diálogo desde que o país não tivesse que pagar altos custos como ser impedido de ter acesso às tecnologias avançadas', explicou Joumeh.

O reformista também condenou os crimes contra judeus durante o Holocausto, dizendo que qualquer matança de pessoas inocentes deveria ser repudiado.

Ele, no entanto, condenou Israel pela 'ocupação e mortes de palestinos, e que o mundo deveria agir em prol do povo palestino'.

'O discurso de Mousavi por sim só é muito diferente das posições de Ahmadinejad, que em 2005 chamou o Holocausto de mito, causando uma condenação internacional', disse o analista iraniano.

Ahmadinejad

O linha-dura Ahmadinejad recentemente declarou que se encontraria com Obama para discutir interesses mútuos e problemas mundiais nas Nações Unidas.

Segundo Joumeh, esta é uma nova tática do presidente iraniano para amenizar sua imagem de intransigente e conservador.

'Ele quer atingir o público jovem, cansado do isolamento do país perante o Ocidente. Mas creio que isso não convencerá o eleitorado, devido a suas retóricas antiamericanas dos últimos anos, e que causaram enormes danos à imagem do país'.

Para o analista, só o fato do conservador Ahmadinejad mostrar interesse em aproximar o Irã dos EUA já é uma mudança, dado o tabu que existe entre os iranianos sobre as intenções dos americanos.

Em 1953, Washington liderou um golpe contra o democraticamente eleito e popular primeiro-ministro Mohammad Mosaddeq, que buscou nacionalizar as refinarias de petróleo do país.

'O golpe claramente atrasou o desenvolvimento político do Irã, e é por isso que muitos iranianos até hoje se ressentem dos EUA', explicou Joumeh.

Em seu discurso no Cairo, no dia 4 de junho, dirigido ao mundo islâmico, o presidente Obama reconheceu o papel americano no golpe contra Mosaddeq, fato inédito até o momento.

'Esta doutrina antiamericana é a base de Ahmadinejad, e grande parte de seu eleitorado era motivado com discursos inflamados contra os EUA e Israel. Será interessante ver como ele levará adiante sua nova postura, se for reeleito'.

Os eleitores iranianos estão indo às urnas nesta sexta-feira para eleger o próximo presidente do país. Se houver a necessidade de segundo turno, será realizado no dia 19 de junho.

Resultado de eleição presidencial pode mudar relações entre EUA e Irã

As eleições presidenciais desta sexta-feira no Irã podem marcar um ponto de inflexão nas difíceis relações entre a República Islâmica e os Estados Unidos, depois de o presidente americano, Barack Obama, já ter oferecido um novo começo a Teerã.

Desde que chegou ao poder, em janeiro, Obama buscou cumprir a promessa feita nas eleições de tentar abrir um diálogo com o Irã, um dos países que o ex-presidente George W. Bush (2001-2009) incluiu no famoso "eixo do mal" e com o qual os EUA não têm relações diplomáticas desde 1979.

Obama chegou a enviar uma mensagem direta às autoridades e ao povo iraniano: um vídeo gravado por ocasião do ano novo persa em que ofereceu um "novo começo", caso o Irã decida cumprir seus compromissos internacionais.

Atitude parecida teria sido impensável durante o mandato de Bush, que sempre se negou a ter qualquer tipo de diálogo bilateral enquanto o Irã não abrisse mão do apoio ao terrorismo, da ameaça a Israel e de seu programa nuclear.

O atual presidente americano sempre insistiu que não tem "ilusões" sobre a natureza do regime iraniano e reconheceu que uma normalização das relações, caso realmente se consiga, seria algo muito difícil e levará tempo.

Obama antecipou, após uma reunião em 18 de maio com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que, até o fim do ano, será possível determinar o caminho que guiará a aproximação.

Se não forem alcançados avanços, segundo Obama, os EUA considerariam o endurecimento das sanções atuais, mas, em todo caso, é preciso esperar o resultado das eleições no Irã.

A disputa principal ocorre entre o presidente Mahmoud Ahmadinejad, que busca a reeleição após quatro anos de contínuo confronto com o Ocidente, e o ex-primeiro-ministro reformista Hussein Mousavi, que são apontados pelas pesquisas como favoritos.

Mousavi afirma que, se vencer, aproveitará a oferta de aproximação americana; já o que será feito por Ahmadinejad é menos claro.

A situação foi complicada pelo episódio protagonizado pela jornalista americano-iraniana Roxana Saberi, detida em abril e que, após um julgamento de um dia, foi condenada a oito anos de prisão por espionagem.

Os EUA lançaram mão de todo seu aparato diplomático, com a secretária de Estado, Hillary Clinton, à frente, e conseguiram que, em um julgamento de apelação, a pena fosse reduzida e tivesse seu cumprimento adiado, o que permitiu que Saberi deixasse o Irã no mês passado.

Uma aproximação nas relações entre Teerã e Washington representaria um verdadeiro marco nos laços entre os dois países, inexistentes desde que estudantes radicais tomaram a Embaixada dos EUA no Irã em 1979 e fizeram 63 pessoas de reféns durante 444 dias.

Em 1986, veio à tona o escândalo sobre as conversas secretas entre Washington e Teerã para o envio de armas à República Islâmica, em troca de ajuda na libertação de reféns americanos no Líbano, que geraram a maior crise do governo de Ronald Reagan.

A relação ficou ainda pior quando um porta-aviões americano lançou por engano um míssil contra um avião de passageiros iraniano em 1988.

A Guerra do Golfo, onde o Irã adotou uma posição neutra, abriu a primeira possibilidade de aproximação. Em setembro de 2000, a então secretária de Estado, Madeleine Albright, reuniu-se com o chanceler iraniano, Kamal Kharrazi, na ONU, a primeira conversa desse tipo desde 1979.

A chegada ao poder de George W. Bush, que colocou Teerã junto a Pyongyang e Bagdá no "eixo do mal", e as denúncias da CIA (agência de inteligência americana) de que o Irã preparava um programa nuclear, colocaram fim a esses contatos.

As conversas só seriam recuperadas, ainda que de forma moderada, após a invasão do Iraque, quando os embaixadores dos dois países em Bagdá se reuniram em maio de 2007 para discutir sobre a segurança do Irã.

Qualquer outro contato foi condicionado à renúncia do Irã ao seu programa nuclear. O resultado das eleições pode representar a melhor oportunidade até agora para uma aproximação de dois velhos inimigos.

Fontes: FOLHA- AP - REUTERS - EFE

Hillary Clinton diz que o Irã sofrerá represálias se atacar Israel

Hillary Clinton, a secretária de Estado americana, disse, em entrevista para a TV ABC que foi neste domingo (7), que o Irã irá sofrer "sérias represálias de várias potências atômicas caso lance um ataque nuclear contra Israel". "Parte do que queremos deixar claro aos iranianos é que sua busca por armas nucleares só provocará mais insegurança", disse.

O Estado judaico, único país do Oriente Médio a possuir a bomba atômica, acusa Teerã de desenvolver secretamente um arsenal nuclear. O Irã diz que suas centrais visam apenas a produção de energia elétrica e insiste em que nunca teve intenção de atacar outros países.

Na semana passada, em seu discurso ao mundo muçulmano, o presidente Barack Obama já havia afirmado que o problema do programa nuclear iraniano é mundial e que pode dar início a uma corrida armamentista no Oriente Médio. "Quando uma nação busca uma arma nuclear, o risco de haver ataque aumenta para todas as nações."

"Eu entendo os que protestam porque alguns países terem armas e outros não. Nenhuma nação pode escolher quem tem armas nucleares. Por isso eu reafirmo que o compromisso americano é o de ter um mundo livre de armas nucleares. E qualquer país, incluindo o Irã, pode ter acesso a um poder nuclear pacífico, desde que conforme as responsabilidades estabelecidas pelo Tratado de Não Proliferação", disse Obama.

Na ocasião, o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, classificou o discurso como "insuficiente". O aiatolá disse que Obama não irá mudar a "cara feia, detestável e rude" do seu país somente "com slogans."

FOLHA

Obama vence Ahmedinejad na eleição libanesa

Gustavo Chacra

O presidente dos EUA, Barack Obama, derrotou Mahmoud Ahmedinejad no Líbano. Ou, pelo menos, este é o sinal que será interpretado em Washington em Teerã depois da vitória da coalizão governista 14 de Março, segundo resultados extra-oficiais divulgados pela imprensa libanesa aqui em Beirute.

Esta aliança é composta por sunitas e facções cristãs, contando com o apoio dos EUA e da Arábia Saudita e contra a influência síria e iraniana no território libanês. Não simpatizam com Israel, mas aceitam uma acomodação com o Estado vizinho. Tudo o que Obama poderia pedir neste momento em que busca a paz no Oriente Médio.

Os cristãos da Frente Patriótica e os xiitas do Hezbollah e da Amal, que integram a coalizão 8 de Março, saem derrotados na disputa parlamentar, apesar de vitoriosos entre os eleitores de suas religiões. Mas não terão o controle do Parlamento. Tudo o que Ahmedinejad não queria cinco dias antes de disputar a reeleição para presidente do Irã.

Dentro do Líbano, o cenário possui uma complexidade bem maior. A 14 de Março venceu, mas alguns de seus integrantes, como o próprio premiê Fuad Siniora e o líder druso Walid Jumblat, indicaram que não pretendem isolar a oposição e, segundo analistas, estariam dispostos a formar um governo de coalizão.

Como o ministério libanês, segundo a lei, precisa ser distribuído de forma sectária, provavelmente os ministros xiitas, depois de negociações que devem se estender pelas próximas semanas, serão do Hebollah e da Amal. Os dois da oposição e ambos próximos ao Irã.

No final, mesmo derrotado, o Hezbollah deve integrar o governo. Exatamente como agora e também como ocorreu depois das eleições de 2005. No fundo, nada muda no país dos Cedros. Aqui, a opção a um governo composto por todos os grupos sectários é a guerra civil. Por enquanto, esta alternativa possui poucos defensores.

Hezbollah depende de cristãos para sua coalizão ter maioria

O Hezbollah não tem como possuir a maioria no Parlamento libanês. Das 128 cadeiras, por lei, os xiitas podem possuir apenas 27 (leia post anterior). Destas, o Hezbollah tem um acordo com a Amal (outra organização xiita) para cada um ficar com mais ou menos a metade. Segundo analistas, o Hezbollah deve ter apenas 11 – no máximo 14. Cerca de 10%. Dizer que o Hezbollah pode conquistar a maioria no Parlamento libanês é mentira.

Logo, no Líbano, não existe a possibilidade de acontecer o mesmo que nos territórios palestinos, quando o Hamas conquistou, literalmente, a maioria das cadeiras no Parlamento. O que pode ocorrer no Líbano é uma vitória da aliança da qual o Hezbollah faz parte. A maioria dos deputados desta coalizão será composta por cristãos da Frente Patriótica do ex-general Michel Aoun. Para completar, independentemente do resultado, o primeiro-ministro será sunita, como prevêem acordos no Líbano, que também obrigam o presidente ser cristão maronita e o presidente do Parlamento, xiita.

O problema, como alertam aqui em Beirute, será a leitura do resultado em Washington. Certamente, parte da imprensa americana e mesmo autoridades da Casa Branca poderão ler que o Hezbollah tomou o poder no Líbano. Mais do que isso, que o país passou para as mãos do Irã.

O ex-presidente Jimmy Carter, que está como observador da eleição, disse hoje pretende explicar para Barack Obama que o Hezbollah representará apenas 10% do Parlamento, mesmo em caso de vitória de seu bloco.

Discurso de Obama não é suficiente, diz líder supremo do Irã

Aiatolá Ali Khamenei afirma que presidente americano deve dar 'passos práticos', e não com 'slogans


Khamenei discursou durante aniversário da morte do fundador da República Islâmica

TEERÃ - O líder supremo da Revolução Islâmica iraniana, aiatolá Ali Khamenei, disse nesta quinta-feira, 4, que o discurso dirigido ao mundo muçulmano pronunciado pelo presidente dos Estados Unidos no Cairo não é "suficiente".

Em cerimônia por ocasião do 20º aniversário da morte do fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini, reiterou que é necessário mais do que palavras, e que Washington deve dar "passos práticos". "Os esforços da nova Administração americana para mudar a cara feia, detestável e rude dos Estados Unidos não pode ser conseguida apenas com slogans", afirmou, junto ao túmulo de seu antecessor.

Obama prometeu aos muçulmanos um novo começo e disse que a única solução para o conflito no Oriente Médio é a coexistência de dois Estados, um israelense e outro palestino, onde os dois povos vivam em paz e segurança. "Buscarei pessoalmente este resultado com toda a paciência que esta tarefa requer", prometeu Obama, em seu discurso no Cairo ao mundo muçulmano, no qual lançou uma chamada a todas as partes envolvidas para cumprir suas "responsabilidades" a fim de acabar com o conflito no Oriente Médio.

No Cairo, Obama pede aliança entre EUA e o mundo islâmico

Em discurso histórico, presidente cita o Corão e afirma que ciclo de desconfiança e discórdia deve terminar


Discurso do presidente americano é ‘ponto alto’ de visita ao Oriente Médio

CAIRO - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu por um "novo começo" das relações entre os EUA e o mundo muçulmano nesta quinta-feira, 4, durante esperado discurso no Egito, onde afirmou ainda que juntos, ambos podem enfrentar a violência do extremismo por todo o mundo e avançar na busca pela paz no Oriente Médio. Citando os três livros sagrados da região, o Corão, a Torá e a Bíblia, ele pediu um futuro de "interesse mútuo e respeito mútuo".

"Venho aqui para buscar um novo começo entre os Estados Unidos e os muçulmanos em todo o mundo; um começo baseado em interesses e respeito mútuos; um começo baseado na verdade de que os Estados Unidos e o Islã não são únicos; e de que não precisam competir entre si. Pelo contrário, eles se sobrepõem e dividem princípios comuns - princípios de Justiça e progresso, tolerância e dignidade de todos os seres humanos", afirmou. "Enquanto nossas relações são definidas pelas nossas diferenças, daremos poder aos que semeiam o ódio antes da paz, aos que promovem o conflito em vez da cooperação", afirmou Obama na Universidade do Cairo. "Este ciclo de desconfiança e discórdia deve terminar".

Seu discurso na capital egípcia já era esperado como o ponto alto de seu giro pelo Oriente Médio, que tem o objetivo de tentar reduzir as tensões entre seu país e os países árabes ou islâmicos. Obama afirmou que os Estados Unidos "não estão nem nunca estarão" em guerra contra o Islã, mas advertiu que seu país fará de tudo para enfrentar extremistas que representem uma ameaça à segurança do país.

Obama disse que as tensões que marcam as atuais relações entre os Estados Unidos e os muçulmanos em todo o mundo "estão enraizadas em forças históricos que vão além de qualquer debate político atual" e que são exploradas por uma minoria de muçulmanos extremistas.O presidente americano citou os ataques de 11 de setembro de 2001 como um exemplo da exploração dessas tensões e diz que ela somente trouxe mais medo e desconfiança.

Citando um trecho do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, o presidente americano declarou reconhecer que não é possível haver uma mudança nas relações do dia para a noite, mas prometeu fazer esforços para o diálogo e o respeito mútuo. Segundo ele, sua convicção de que os Estados Unidos e o mundo islâmico podem viver em harmonia advém de sua experiência pessoal, como descendente de uma família queniana que incluía gerações de muçulmanos, além de ter passado parte da infância na Indonésia, o maior país islâmico do mundo.

Obama afirmou ver como parte de suas responsabilidades como presidente dos Estados Unidos "a luta contra estereótipos negativos do Islã em qualquer lugar onde eles apareçam", mas advertiu de que "os mesmos princípios devem ser aplicados para as percepções dos muçulmanos sobre os Estados Unidos". O presidente americano comentou que durante sua passagem pela Turquia deixou claro que "os Estados Unidos não estão - nem nunca estarão - em guerra contra o Islã", mas que o país confrontará sem descanso "os extremistas que representam uma ameaça grave à nossa própria segurança". Segundo Obama, o extremismo explorou a tensão entre o mundo muçulmano e o Ocidente, e o Islã não é parte do problema, mas da busca pela paz.

O líder advertiu que os EUA "nunca tolerarão" a violência extremista, citando os atentados de 11 de setembro de 2001. Porém admitiu que o país seguiu um caminho errado, com suas duras táticas para combater o terror. "O quanto antes os extremistas estejam isolados e malvistos nas comunidades muçulmanas, o mais rápido estaremos todos mais seguros", previu.

Falando aos jovens muçulmanos, Obama admitiu que há dificuldades para a aproximação, mas se mostrou esperançoso. "Há muito a temer, muita desconfiança. Porém se nós escolhermos ser guiados pelo passado, nunca avançaremos". Obama também propôs uma série de iniciativas para promover saúde, educação e investimento em comunidades muçulmanas. Obama fez também uma chamada aos países muçulmanos para um maior respeito aos direitos humanos e, precisamente, aos direitos da mulher.

Obama também lembrou seu compromisso de retirar as tropas americanas do Iraque até 2011 e sua nova estratégia para o Afeganistão, onde disse que sua intenção não é manter tropas eternamente. O líder norte-americano disse ainda que o Irã tem o direito de utilizar energia nuclear para fins pacíficos, de acordo com os tratados internacionais.

Reaproximação com o Irã

O presidente também renovou sua oferta de diálogo com os iranianos. "Será difícil superar décadas de desconfiança, porém procederemos com coragem, retidão e decisão", garantiu. "Mas está claro para todos que, em relação a armas nucleares, nós chegamos a um ponto crucial", avaliou. "Não é simplesmente sobre os interesses da América. É sobre evitar uma corrida de armas nucleares no Oriente Médio, que poderia levar essa região e o mundo para um caminho bastante perigoso".

Washington rompeu sua relação com O Irã em 1979, ano da Revolução Iraniana e da invasão à embaixada norte-americana em Teerã. Em março, Obama enviou um vídeo aos iranianos, propondo um novo início nas relações bilaterais. O principal ponto de discórdia dos países atualmente é o programa nuclear iraniano. Os EUA suspeitam que o país tenha a intenção de produzir armas nucleares, porém o governo iraniano garante ter apenas fins pacíficos, como a produção de energia.

Israel e palestinos

No que pode ser um momento decisivo de sua presidência, Obama falou no Cairo sobre mudanças na política norte-americana para o Oriente Médio, com a intenção de evitar a desconfiança mútua, defendendo a criação de um Estado palestino. Na Universidade do Cairo, Obama ressaltou a aliança entre os EUA e Israel, incontornável segundo ele, e rejeitou como "ignorantes" os que negam o Holocausto.

Porém em uma ruptura clara com seu antecessor, George W. Bush, Obama também criticou a recusa do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em parar de expandir os assentamentos judaicos na Cisjordânia. Os palestinos são contrários a essa expansão pois querem essas terras como parte de seu futuro Estado independente.

Discurso de Obama é um 'bom começo', diz porta-voz palestino

O discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao mundo muçulmano nesta quinta-feira, 4, foi um "bom começo" para uma nova política norte-americana no Oriente Médio, disse um porta-voz do presidente da Palestina, Mahmoud Abbas. O Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza e não reconhece Israel, avaliou o discurso como mostra de uma "mudança palpável" na política externa norte-americana, porém também notou contradições.

"Seu pedido para interromper a colonização e para a fundação do Estado Palestino e referência ao sofrimento dos palestinos... é uma clara mensagem a Israel de que uma paz justa está na base do Estado Palestino com Jerusalém como sua capital", disse o porta-voz da ANP Nabil Abu Rdainah. "Damos as boas-vindas ao discurso e a seu apoio aos palestinos. Achamos que o discurso de Obama, seriamente, tentou definir as relações entre o Ocidente e o mundo árabe", disse o assessor presidencial e chefe de negociação da ANP, Saeb Erekat.

Erekat lembrou, no entanto, que, "discursos à parte, o povo quer ver resultados no terreno", e perguntou: "o que acontecerá na próxima semana ou no próximo mês, quando Israel não parar de construir nos assentamentos judaicos?".

Para o Hamas, a fala de Obama "é um discurso que se apoia nos sentimentos e está cheio de cortesias que nos faz pensar que se tratava de melhorar a imagem dos EUA no mundo", afirmou o porta-voz do grupo Fawzi Barchum à AFP. "Contém muitas contradições, ainda que reflita uma mudança palpável".

Obama reiterou, em seu discurso na capital egípcia, que Israel deve parar a ampliação dos assentamentos judaicos e facilitar o comércio e a vida cotidiana dos palestinos nos territórios ocupados, como passo prévio para a solução de dois Estados, que considerou a única possível para o conflito da região. "Buscarei pessoalmente este resultado com toda a paciência que esta tarefa requer", prometeu Obama em seu discurso, que foi dirigida, principalmente, ao mundo muçulmano e na qual pediu que todas as partes envolvidas cumpram suas responsabilidades.

Israel

O governo de Israel manifestou nesta quinta-feira a esperança de que o histórico discurso proferido pelo presidente ajude a levar a "uma nova era de reconciliação" com o mundo árabe. Em sua primeira reação ao discurso, o governo israelense afirma compartilhar a esperança de Obama de que a abertura americana ao mundo muçulmano marque "o começo do fim" do conflito e leve o mundo árabe a normalizar as relações com o Estado judeu.

A declaração israelense não faz menção aos pedidos de Obama para que seja interrompida a atividade de colonização judaica nos territórios palestinos ocupados nem à pressão do presidente americano pela criação de um Estado palestino independente.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeita as exigências de Obama. O governo israelense afirmou que "fará todo o possível" para expandir a paz pela região, mas sem deixar de preservar sua segurança.

Pode não ter sido perfeito, mas Obama fez um dos melhores discursos possíveis

Gustavo Chacra

Para se ter uma idéia do impacto do discurso de Barack Obama, Ahmed Yousef, principal assessor de política internacional do Hamas, descreveu as palavras do presidente dos Estados Unidos aqui no Cairo como um “momento Martin Luther King”. Um ex-cônsul de Israel nos Estados Unidos classificou como um “espetacular discurso na visão israelense”.

Obama conseguiu, em menos de uma hora, tocar na maioria dos temas que dominam o debate aqui no Oriente Médio. Nestes meses que passei entre países árabes, Israel e Turquia, posso garantir que o presidente delineou uma visão muito próxima do que o campo moderado das ruas árabes e muçulmanas pensa.

Primeiro, o presidente defendeu a importância do islamismo, eliminando todo o tipo de estereótipo existente no Ocidente, onde cresce a islamofobia. Ele mostrou que conhece o assunto e o respeita, mais inclusive do que países europeus, como a França, ao deixar claro que mulheres devem ter o direito de usar o hijab se quiserem – os franceses proíbem, assim como outros símbolos religiosos como crucifixo e kipá, em escolas. O líder americano soube explicar, por outro lado, os motivos que levaram os americanos a terem uma visão equivocada dos muçulmanos, citando o 11 de Setembro.

O conflito no Afeganistão e agora no Paquistão foi colocado como uma prioridade. Admitiu publicamente que a Guerra do Iraque foi uma opção dos EUA. Mas foi na questão palestina que o presidente mais chamou a atenção.

Obama insistiu, mais uma vez, que não pode tolerar a construção de novos assentamentos por Israel nos territórios ocupados. Descreveu a humilhação diárias por que passam os palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Ao mesmo tempo, mostrou que as ações do Hamas, lançando inócuos foguetes em crianças dormindo e explodindo ônibus com senhoras idosas, não alcançam nenhum objetivo. Aconselhou os palestinos a seguirem os movimentos de igualdade de negros e brancos nos EUA nos anos 1960 e, anos mais tarde, na África do Sul.

Dos países árabes, afirmou que eles precisam dizer em público o que falam a portas fechadas, quando dizem que Israel é uma realidade. O mesmo vale para os israelenses em relação aos assentamentos. Sua política, a partir de agora, é dizer em público o que conversa privadamente.

Os direitos das mulheres também teve importância no discurso. Este é um dos tópicos mais discutidos no mundo islâmico. A questão das microfinanças, na qual crédito é concedido para mulheres de baixa renda poderem desenvolver atividades econômicas empreendedoras, recebeu destaque – vale lembrar que as microfinanças são conhecidas por seu sucesso em países muçulmanos, como Bangladesh.

Talvez Obama tenha deixado a desejar quando discutiu a importância da democracia. O presidente não teve coragem de bater de frente com as ditaduras travestidas de repúblicas ou de monarquias no Oriente Médio. Por que não falar que Hosni Mubarak deve deixar de reprimir a oposição no Egito e respeitar a Justiça? Ou que o rei Abdullah, da Arábia Saudita, deveria pelo menos permitir que as mulheres dirijam? Se israelenses e palestinos recebem recados diretos, os governos árabes também deveria ser advertidos.

Membros da oposição do Egito boicotaram o discurso de Obama na Universidade do Cairo. Nos portões da universidade, onde estive agora de manhã (aqui no Egito), havia apenas 20 manifestantes pedindo o “fim do cerco a Gaza” e para “parar a ocupação israelense”. Disseram que um protesto dos opositores ocorreria na praça Tahrir, no centro do Cairo. Quando passei por esta área, diante do Museu Egípcio, não havia ninguém, a não ser alguns turistas perdidos, militares de branco e poucos carros circulando. Hoje, os egípcios, como os árabes e muçulmanos, pararam para ver Obama falar.

A minha crítica é que, apesar do tempo restrito, Obama não mencionou a Síria, a perseguição dos curdos na Turquia e dos Bahá’í no Irã.

Obama chega à Arábia Saudita

Presidente americano inicia giro pelo Oriente Médio para discutir paz entre Israel e palestinos, Irã e petróleo.


Rei Abdullah recebe Obama em Riad

O presidente dos EUA, Barack Obama, chegou nesta quarta-feira, 3, à Arábia Saudita para conversas com o rei Abdullah, na véspera de um aguardado discurso que fará no Cairo na esperança de melhorar a imagem do seu país no mundo islâmico. Obama e o rei devem conversar a respeito do conflito árabe-israelense, das aberturas diplomáticas dos EUA para o Irã e do preço do petróleo.

Obama, que é filho de um muçulmano e passou parte da infância em um país islâmico, a Indonésia, tenta reparar os danos à imagem dos EUA provocados pelas políticas de seu antecessor, George W. Bush, especialmente devido às guerras no Iraque e Afeganistão e aos abusos contra presos na chamada "guerra ao terrorismo". Bush, teve uma relação difícil com essa parcela de 1,5 bilhão de pessoas pelo mundo.

Obama disse acreditar que a colaboração entre o governo americano e a Arábia Saudita "produzirá resultados". Segundo o presidente, "era muito importante vir a este lugar, onde começou o Islã, e discutir com ele muitos dos assuntos que enfrentamos no Oriente Médio". "Tenho confiança em que, colaborando, EUA e Arábia Saudita podem conseguir progressos em uma série de assuntos e interesses mútuos", afirmou.

Já o rei Abdullah ressaltou os laços "históricos e estratégicos" entre EUA e Arábia Saudita, que se remontam, segundo lembrou, ao mandato de Franklin Roosevelt e ao rei Abdulaziz, nos anos 30. O soberano também elogiou o presidente americano, ao qual considerou como "um homem distinto que merece estar nesta posição".

Os EUA esperam que os sauditas se envolvam nas negociações de paz entre Israel e os palestinos. Os sauditas, por sua vez, mostram-se temerosos com a atitude de Washington frente a Teerã e temem que os iranianos desenvolvam armas nucleares. Washington e Riad também possuem temas bilaterais a serem negociados. Com a crise americana, os sauditas, principais exportadores de petróleo do mundo, viram a renda da monarquia cair. O comércio entre os dois países é de US$ 67,3 bilhões. Não se sabe se Obama tocará na questão dos direitos humanos.

No Egito, Obama, além de fazer o esperado discurso, também pode pressionar Mubarak a abrir mais o regime. O líder egípcio reprime opositores laicos e religiosos e tenta emplacar seu filho Gamal como sucessor. O Egito, apenas atrás de Israel, é o país que recebe maior ajuda militar dos EUA. Depois da passagem pelo Oriente Médio, Obama segue viagem para a Europa.

Logo após o desembarque de Obama, a TV Al Jazira divulgou uma gravação do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, em que ele diz que Obama havia plantado as sementes "da vingança e do ódio" contra os EUA no mundo islâmico. Bin Laden disse que o novo presidente segue os passos do seu antecessor George W. Bush, e alertou os norte-americanos a se prepararem para as consequências das políticas da Casa Branca.

O governo saudita reagiu à mensagem, qualificando-a como "um ato de desespero", nas palavras do funcionário do Ministério do Interior Nial al-Jubeir. "Eles continuam fazendo seus comunicados, enquanto se escondem em uma caverna."

Na véspera, o número dois da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, atacou Obama antes da visita. Para ele, as "mensagens sangrentas" do norte-americano continuam a chegar aos muçulmanos. O líder extremista disse que os muçulmanos não serão enganados pelas "campanhas de relações públicas" ou por visitas que são uma "farsa", nem por "palavras elegantes".

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