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Debate religioso não afeta Estado laico, diz tucano

Serra disse que questão foi trazida pela 'sociedade' e negou que debate em torno do tema seja estratégia eleitoral

Cerimônia. Serra chegou com 15 minutos de atraso à missa na Basílica de Aparecida; Alckmin fez a primeira leitura/JF Diorio/AE

APARECIDA - Em visita à Basílica de Aparecida, ontem, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, negou que haja uma "banalização" do debate sobre religiosidade no Brasil em razão das eleições presidenciais.

"Essa é uma questão que foi introduzida pelas pessoas, não pelos partidos nem pelos candidatos. Numa campanha, os candidatos apresentam o que fizeram e sua visão de mundo, e as pessoas vão se interessando. Os valores acabam aparecendo também", disse ele, que participou da missa ao lado da mulher, Monica.

Durante a missa na basílica, que reuniu mais de 35 mil pessoas, segundo a organização, foram distribuídos os textos produzidos em agosto pela comissão representativa do Conselho Episcopal Regional Sul, da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com críticas ao governo e aos candidatos que apoiam o aborto. O documento elencava ações propostas pelo governo no passado rumo à descriminalização do aborto e recomenda o voto em candidatos e partidos que são contra a prática.

Para o presidenciável, o tema da religião, mais presente nesta eleição que nas disputas anteriores, aparece no debate não por causa de uma "estratégia" eleitoral, mas porque o Brasil coloca essa questão". Serra disse não haver "nada de estranho" em discutir a questão da religiosidade na eleição. Também afirmou que o assunto não "macula" o Estado brasileiro, que é laico.

No dia seguinte à ida da adversária Dilma Rousseff (PT) à basílica, o tucano comungou. Numa menção tácita à questão do aborto, defendeu a infância, falou sobre o seu programa para gestantes, o Mãe Brasileira, e chegou a dizer: "Cada coraçãozinho novo que bate no Brasil a cada dia é uma esperança que se renova".

Também criticou o Plano Nacional de Direitos Humanos proposto pelo governo. "É uma coleção de absurdos", afirmou, citando a restrição ao uso de imagens religiosas em repartições públicas. "Se já tem uma imagem, por que tirar?", questionou.

Direitos humanos. 

Depois, mencionou a forma como o tema fora tratado no plano. "Se a questão do aborto faz parte dos direitos humanos, e você for contra, você está restringindo os direitos humanos", criticou. Serra também foi questionado por um jornalista, que se disse argentino, sobre o passado de Dilma.

O tucano afirmou: "Não cabe a mim ficar perscrutando a vida de um candidato". E completou: "Me preocupo mais com o que pensa e com o que diz e propõe para amanhã".

Fonte: O ESTADO DE S PAULO/Julia Duailibi

Aparecida se prepara para fazer parte do roteiro de viagens do Vaticano

Romeiros estrangeiros já são recebidos no Santuário por padres bilíngues. Expectativa é de aumento considerável de visitas durante o ano.

Aparecida, cidade situada a 180 quilômetros de São Paulo, recebe anualmente cerca de 10 milhões de fiéis. A partir de 2011, esse número deverá aumentar, já que a cidade vai entrar para o roteiro de viagens do Vaticano.

No dia 12, missa solene acontece às 10h (Foto: Erasmo Ballot/Divulgação Santuário Nacional)

Para receber turistas de outros países, porém, alguns investimentos serão necessários. Com a visita do papa Bento 16 à cidade, em maio de 2007, Aparecida já ganhou novos hotéis: agora são 31 mil leitos. Mas os profissionais da hotelaria ainda precisam se preparar para atender as exigências do turismo internacional.

Dentro da Basílica, o trabalho está um pouco mais adiantado. Já há pessoas para atender gente de todo lugar do mundo. Se o turista for americano, a conversa é com o padre Roni. Ele traduz textos na internet e faz a comunicação com os romeiros estrangeiros.

“A língua universal é o inglês. Então é fundamental que o Santuário conheça e domine um pouco a língua inglesa pra poder acompanhar, orientar e, no meu caso como padre, até celebrar em inglês pra essas romarias, caso isso seja necessário”, explicou.

Se o turista for de país vizinho, quem o recebe é Zenilda da Cunha. É ela quem faz a comunicação e o acompanhamento dos grupos de língua espanhola. “Quando eles encontram alguém que pode se expressar, falar como eles realmente, eles ficam super desenvolvidos, soltos”, falou a monitora.

Acolhidos na própria língua para se sentir em casa, os romeiros estrangeiros podem rezar e apreciar as obras de arte espalhadas pela Basílica. Isso deve levar mais fiéis ao Santuário, e mais lucro ao comércio da cidade. “É sem dúvida nenhuma, 10 mil vezes maior do que a Copa. Porque a Copa de 2014 dura 30 dias, isso vai durar para o resto da vida”, disse o presidente do Sindicato dos Hotéis e Restaurantes da cidade, Ernesto Elache.

Festa da Padroeira

Nesta terça-feira (12), dia de Nossa Senhora Aparecida, a cidade terá programação variada para os fiéis. A comemoração começa às 5h, com o replicar dos sinos e uma queima de fogos. O ponto alto da festa será a Missa Solene, que acontece às 10h e terá a participação do cantor Daniel e do ator Murilo Rosa, que irá recitar um poema. A comemoração se encerra com um show do padre Fábio de Melo.

O Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida possui infraestrutura para acolhida dos romeiros, como banheiros e lanchonetes, mas não dispõe de alojamento. Algumas famílias costumam acampar nos bosques, onde há banheiros, bebedouros, mas não chuveiros.

Para os fiéis que vão de ônibus de excursão para Aparecida, a administração da Basílica orienta que seja verificada a procedência da companhia que oferece o transporte e as condições mecânicas do veículo para evitar surpresas indesejáveis durante a viagem.

Os padres orientam os idosos e crianças a portar um crachá de identificação com nome completo, endereço e um telefone de contato. Pessoas que tomam medicação controlada não devem esquecer seus remédios.


Confira o cronograma das atividades:



Fontes: G1- TV Globo

Evangélicos fazem campanha contra Dilma no Espírito Santo

Posição sobre o aborto motiva protesto de grupos religiosos capixabas

VITÓRIA - O Fórum Político Evangélico do Espírito Santo e a Associação dos Pastores Evangélicos da Grande Vitória (APEGV), anunciaram que vão fazer campanha contra a candidata petista, Dilma Roussef, no Espírito Santo. Hoje, estima-se que um terço da população capixaba seja evangélica, o que significa cerca de 1,2 milhão de pessoas.

Segundo o pastor Enock de Castro, presidente da APEGV, a posição foi tomada depois de uma consulta às diversas igrejas associadas às duas entidades. "Entre 80% e 90% dos evangélicos tendem a votar em José Serra. O risco é grande de vermos alguns princípios religiosos serem afetados. Há uma posição da Dilma em defesa do aborto, da união civil entre pessoas do mesmo sexo e proibição de proferir religião em órgãos públicos, que são coisas que não podemos aceitar", disse ao justificar a posição.

Já o presidente do Fórum Político Evangélico do Espírito Santo, Lauro Cruz, afirmou que a postura tucana preocupa menos. "O posicionamento histórico de Dilma gera apreensão. Ela é a favor do aborto, embora tenha negado isso. A postura de Serra preocupa menos do que a de Dilma e dos males vamos escolher o menor", frisou.

Outro ponto apontado pelas lideranças evangélicas capixabas contra a petista foram as alianças políticas firmadas pelo PT para viabilizar a candidatura da ex-ministra. "Ao lado dela estão José Sarney, Jader Barbalho, Renan Calheiros e José Dirceu. Não são políticos confiáveis", comentou Cruz.

No primeiro turno as duas entidades evangélicas apoiaram a candidata do PV, Marina da Silva, e chegaram mesmo a subir no palanque dela quando esteve em Vitória, no final de setembro. "Esperamos um posição neutra da Marina", afirmou Castro.

Outra entidade evangélica capixaba, a Convenção das Assembleias de Deus, foi ainda mais longe e assegurou apoio ao tucano. "Quando aceitamos um membro avaliamos sua conduta. Alguém para presidir uma família tão grande como a brasileira tem que ter uma raiz, que é a família. Na campanha, José Serra se apresentou junto com a família. É assim que tem que ser e vamos orientar os fiéis nesse sentido", disse Osmar de Moura, presidente da Convenção.

Católicos.

Já a Igreja Católica, por meio da Arquidiocese de Vitória, lançou um documento oficial assinado pelo Arcebispo Luiz Mancilla Vilela, condenando quem apoia questões como o aborto, a violação à liberdade de expressão e religiosa.

"Não vote naqueles que defendem um falso conceito de direitos humanos, por exemplo, colocando como se fosse direito: a violação da liberdade de expressão, o direito de matar o ser humano no seio materno, o direito de adoção de crianças quando faltam as qualidades de mãe ou de pai, o direito de violar a liberdade religiosa impedindo que cada religião use os seus símbolos sagrados. Estes não merecem o seu voto de católico.", escreveu o Arcebispo.

No domingo da eleição, alguns padres católicos chegaram mesmo a pregar contra o voto em Dilma Roussef durante a homilia das missas matinais. Um dos exemplos foi a Igreja de Santa Rita, localizado na Praia do Canto, um bairro nobre da capital capixaba.

No Espírito Santo, houve uma vitória apertada da candidata petista: Dilma conquistou 37,25% dos votos válidos, o que corresponde a 717.417 votos; Serra obteve 35,44%, o que equivale a 685.590 votos, e Marina Silva (PV), recebeu 26,26% dos votos capixabas, ou seja, 505.734 votos.

Fonte: O ESTADO DE S PAULO/Ernesto Batista

Padre faz manifesto emocionante contra o PT

Santa Missa Canção Nova Pe. José Augusto em 05/10/2010

O padre José Augusto,fez um manifesto emocionante em favor da vida e contra as políticas defendidas pelo PT e contra o projeto petista de implantação de um regime ditatorial no Brasil. Assista aos vídeos.



Fonte: YOUTUBE

Leonardo Boff: "João Paulo II e Bento XVI afastaram a Igreja do mundo"

Em entrevista, o teólogo diz que os dois últimos papas retrocederam em relação ao diálogo aberto por João Paulo I

O teólogo Leonardo Boff é um dos maiores críticos brasileiros ao comportamento recente da Igreja Católica. Expoente da Teologia da Libertação, foi expulso da Igreja nos anos 80, por criticar sistematicamente a hierarquia da religião.

Doutor em Filosofia e Teologia pela Universidade de Munique, Boff falou a ÉPOCA sobre os principais motivos da grande perda de fiéis da Igreja Católica para as evangélicas e pentecostais no Brasil e fez críticas ao movimento carismático, comandado pelos padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo.

"Eles são animadores de auditório. Isso não leva ninguém à transformação. É um Lexotan". 


ÉPOCA – O Papa Bento XVI reconheceu, no último dia 10, a enorme perda de fiéis da Igreja Católica no Brasil e a rápida expansão das evangélicas e pentecostais. A que se deve isso?

Leonardo Boff - São três causas. Primeiro, a Igreja não consegue ter padres suficientes pra atender fiéis, por causa do celibato. São 17 mil, e teriam de ser uns 120 mil. As pentecostais ocupam esse vazio. Elas vão ao encontro das demandas do povo.

O povo não é dogmático, vai pro centro espírita, vai pra macumba... Em segundo lugar, a grande desmoralização que a igreja sofreu com os padres pedófilos. É a maior crise desde a Reforma Protestante. É uma crise grave, porque se desmoralizou e perdeu o conteúdo ético.

A maneira como o Vaticano se comportou foi desastrosa. Tentou encobrir e depois disse que era um complô internacional. Só quando começaram a aparecer muitos casos que o papa disse que tinha que punir. Mas, mesmo assim, não mostrou solidariedade com as vítimas e nem como mudar isso. Só pensa na Igreja. Em terceiro lugar, o fato de a Igreja ter uma visão muito abstrata da realidade. Uma linguagem que o povo não entende direito.

ÉPOCA – O senhor acredita que nas últimas décadas houve um retrocesso na modernização da Igreja Católica?

Boff - João Paulo II e Bento XVI abortaram as inovações de João Paulo I e afastaram a Igreja do mundo. A Igreja não tem dialogo com as outras igrejas. Falta uma reconciliação com o mundo moderno.

Desde o século XVI que a Igreja vive em briga com ele. A igreja se abriu a isso e João Paulo II, com sua visão medieval, abortou tudo isso. A Igreja não tem mais poder político. Só tem poder moral. Reforçou a estrutura hierárquica tradicional. Marginaliza mulheres, e os fiéis têm a representatividade de garis. A igreja dos anos 60 aos 80, quando surgiram a Teologia da Libertação e os movimentos de base, foi abortada. Isso tornou a igreja antipática.

ÉPOCA – O que os católicos encontram nas outras igrejas que não encontram na Católica?

Boff - O povo quer uma mensagem compreensível e simples. As evangélicas utilizam os instrumentos do mercado e são muito calcadas em cima da prosperidade. Há uma grande manipulação das expectativas e do sentimento religioso do povo. Mas, ao mesmo tempo, elas são formas de ordenar a sociedade. Muitas famílias que viviam nas drogas e na bebedeira se estruturaram, se inseriram na sociedade. Fator de ordem.


ÉPOCA – Bento XVI disse que os padres não estão evangelizando suficientemente os fiéis e que as pessoas se tornam influenciáveis e com uma fé frágil. O senhor concorda?

Boff - O problema não é evangelizar. É a maneira como se faz. O catecismo e outros símbolos imutáveis são engessados, não falam no fundo das pessoas. É um cristianismo fúnebre.

O padre Marcelo Rossi está imitando as pentecostais. Há um vazio de evangelização, é a relação pessoa e Deus. É melhor escutar o padre Rossi do que escutar a Xuxa, mas é a mesma coisa. Eles são animadores de auditório. Isso não leva ninguém à transformação. É um Lexotan. Depois volta a lógica dura da vida. É uma evangelização desgarrada da vida concreta.

ÉPOCA – O papa  não ser muito favorável aos líderes mais carismáticos, como Marcelo Rossi e Fábio de Melo. Isso não complica as coisas?

Boff - O Vaticano e os bispos não gostam de ter sombra ao lado deles. E Roma não gosta disso. Por isso quer enquadrá-los. Eles são modernos e mercadológicos. Por outro lado, não levam as pessoas a refletirem sobre os problemas do mundo. O padre Rossi nunca fala dos desempregados e da fome. Só convida a dançar. Ele louva as rosas, mas esquece o jardineiro que as rega.

ÉPOCA – Qual seria a melhor forma de atrair quem anda distante da Igreja Católica?

Boff - A melhor forma é aquilo que a Igreja da Libertação faz desde os anos 70. Reunir cristãos pra confrontar a página da Bíblia com a da vida. Uma evangelização ligada ao cotidiano e às culturas locais. Uma coisa no Nordeste, outra na Coreia. Essa visão proselitista é ofensiva à liberdade humana.

ÉPOCA – Essa tendência de crescimento das outras igrejas se reflete em outros países tradicionalmente católicos. Ela é universal?

Boff - É um fenômeno mundial chamado imigração interna do cristianismo. Muitos cristãos da Europa que estudaram estão migrando de igreja. Não aceitam esse tipo de igreja. O cristianismo na Europa é agônico.

A Alemanha, por exemplo, que tem o imposto religioso, o destina para a luta contra a aids. É outra visão. Tanto que a maior religião do mundo já é a mulçumana, que cresce muito na África. É simples. Não tem padre, nem bispo. Atrai muito mais as pessoas.

Fonte: Época/Leopoldo Mateus

Homem fuma Bíblia e Corão para saber 'qual queima melhor'

Ele fez cigarros com as páginas dos dois livros e postou seu vídeo no YouTube

A "piada" do professor de Direito pode lhe custar o emprego (Reprodução)

"A Bíblia ou o Corão, qual queima melhor?" Essa foi a questão que um australiano se propôs a responder no YouTube, depois da polêmica provocada por um pastor americano que ameaçou queimar o livro sagrado dos muçulmanos no dia 11 de setembro. Em seu vídeo, Alex Stewart - membro de um grupo de ateus de Brisbane - rasgou algumas páginas e as enrolou formando um cigarro, que foi tragado em seguida. "É apenas um maldito livro", diz.

A gravação foi postada na internet durante o final de semana, mas o YouTube apressou-se em retirá-lo do ar. Diante da nova polêmica, o professor de Direito foi suspenso pela Universidade Tecnológica de Queensland, onde trabalha. "A universidade está muito descontente e decepcionada com o fato de que este tipo de incidente tenha acontecido", declarou à imprensa o vice-reitor, Peter Coaldrake.

Stewart defende-se dizendo que pretendia apenas exercer o direito à liberdade de expressão, mas disse ter consciência de que pode perder o emprego. "O vídeo era uma piada, claro", disse ele, explicando que o conteúdo verde que usou para montar os cigarros era grama cortada, e não maconha. "As pessoas fazem essas coisas o tempo todo e se há gente realmente chateada com isso, é porque isso foi levado a sério demais."

Reação 

Grupos islâmicos pediram aos muçulmanos para não reagir às provocações, mas criticaram a atitude do professor. "Nós condenamos isso. Este tipo de coisa serve apenas para criar desunião e desarmonia", declarou o xeque Muhammad Wahid, presidente da Associação Islâmica da Austrália, que disse que o futuro de Stewart deve ser decidido pela universidade. A Igreja Católica não comentou o caso.



Fontes: Veja - Agências

Agentes do FBI visitam pastor evangélico que planeja queimar o Alcorão

Agentes do FBI (polícia federal americana) visitaram nesta quinta-feira o pastor evangélico de uma pequena igreja da Flórida (EUA) que planeja queimar o Alcorão em 11 de setembro.


Jornalista assista vídeo do pastor Terry Jones, que já admite desistir da idéia, se EUA pedirem/Karen Bleier/AFP

Os planos de queimar 200 cópias do livro sagrado do islamismo --religião que Jones considera um perigo mundial-- já atraiu duras críticas de Washington e o próprio presidente Barack Obama pediu mais cedo na televisão que o pastor desista deste "ato destrutivo".

O FBI passou cerca de meia hora conversando com Terry Jones, mas o porta-voz da igreja, Wayne Sapp, não comentou o que foi discutido. Os agentes também não falaram com a imprensa ao deixar a igreja.

No começo desta semana, Jones disse que agentes o tinham visitado duas vezes desde que anunciou seus planos, em julho, e que a última visita tinha sido há duas semanas.

Jones divulgará um comunicado mais tarde nesta quinta-feira em resposta à visita do FBI e ao comunicado do presidente implorando para que cancele seus planos, disse seu porta-voz.

POLÊMICA

O pastor Jones disse nesta quinta-feira que cancelará o ato se a Casa Branca fizer o pedido direto a ele. Os planos de queimar 200 cópias do livro sagrado do islamismo, religião que Jones considera um perigo mundial, atraiu duras críticas de Washington e o próprio presidente Barack Obama pediu mais cedo na televisão que ele desistisse do "ato destrutivo".

Jones, líder da pequena igreja evangélica Dove World Outreach Center, na cidade de Gainesville, disse ao jornal "USA Today" que não foi contatado pela Casa Branca, Pentágono ou Departamento de Estado sobre seu projeto de transformar o 11 de setembro em uma data anual de protesto contra o islamismo. Se fosse contatado, afirmou ao jornal, "definitivamente voltaria a pensar". "Isto é o que nós estamos fazendo agora. Não acho que uma chamada deles seja algo que queiramos ignorar."

Jones protagoniza há anos uma dura campanha contra o islamismo, que rendeu até mesmo o livro "Islam Is of the Devil" ("Islã É do Demônio", em tradução livre). Nele, Jones conta que a religião islâmica é um risco à liberdade de todas as nações e tem como preceito a opressão e a violência. Sua causa, contudo, ganhou o mundo após começar a divulgar na internet a proposta para a data anual de queima do Alcorão e levou o alto escalão dos Estados Unidos a reagir.

INTERPOL EM ALERTA

A Interpol alertou aos governos do mundo todo nesta quinta-feira para o aumento no risco de ataques terroristas caso o pastor evangélico Terry Jones leve à frente o Dia Internacional para a Queima do Alcorão.


"Se a queima do Alcorão pelo pastor for mesmo realizada, há grande probabilidade de novos ataques contra pessoas inocentes", disse a Interpol em um comunicado divulgado nesta quinta-feira.

O ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik, teria pedido à agência que alertasse o mundo todo sobre 'o crescimento da ameaça terrorista' no nono aniversário dos ataques 11 de Setembro ocorridos em Nova York e Washington em 2001.

"Considerando que fomos alertados sobre uma ameaça significativa contra a segurança pública, é nosso dever garantir que essa informação seja repassada às autoridades de todo o mundo para que tomem as medidas adequadas", disse o secretário-geral da Interpol, Ronald K. Noble.

Segundo ele, não há detalhes sobre que tipos de atentados poderiam ocorrer, mas a queima do Alcorão pode ter "consequências trágicas".

A Interpol pediu ainda que qualquer país que receba informações sobre ameaças específicas entre em contato com sua sede, que estará "24 horas em alerta".

APELO

Mais cedo, em entrevista ao programa da rede ABC "Good Morning America", o presidente americano, Barack Obama, criticou os planos do pastor Jones e disse que o evento servirá como uma "bonança para o recrutamento" de terroristas pela Al Qaeda.

Obama pediu ainda a Jones que ouça "os melhores anjos" e cancele a campanha prevista para o próximo sábado, exatos nove anos após os atentados terroristas em Nova York e Washington.

"Se ele estiver ouvindo, eu espero que entenda que o que ele está propondo fazer é completamente contrário aos nossos valores como americanos", disse Obama. "Este país é construído na noção de liberdade e tolerância religiosa", continuou o presidente.

"Eu apenas quero que ele entenda que esta pegadinha que ele está planejando pode colocar em grande risco nossos homens e mulheres de uniforme", defendeu Obama, repetindo argumento do general David Petraeus, comandante das tropas internacionais no Afeganistão.

"Olhe, isto é uma bonança para o recrutamento da Al Qaeda. [...] Se o plano for realizado, pode servir de incentivo para indivíduos terroristas se explodirem para matar outros", alertou Obama, em um tom mais direto do que costuma usar em questões nacionais. "Eu espero que ele ouça aqueles melhores anjos e entenda que isto é um ato destrutivo."

A reação de Obama é apenas a mais recente entre o alto escalão em Washington. Nesta terça-feira, a Casa Branca declarou publicamente estar preocupada com a queima do Alcorão e alertou que o projeto coloca em risco as tropas americanas no Afeganistão e pode ser usada por terroristas como campanha contra os EUA. As críticas vieram também do chefe da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Anders Fogh Rasmussen, da secretária de Estado, Hillary Clinton, e do secretário de Justiça, Eric Holder. A lista de críticos inclui ainda a Índia, o Vaticano e a Liga Árabe.

Fontes: FOLHA - AFP

Pastor diz que desistiu de queimar exemplares do Alcorão nos EUA

Polêmica manifestação estava marcada para 11 de setembro na Flórida. Jones diz ter feito acordo para deter construção de mesquita no Marco Zero.

O pastor Terry Jones dá entrevista nesta quarta-feira (9) em frente a sua igreja em Gainesville, no estado americano da Flórida. (Foto: AP)

O pastor evangélico norte-americano Terry Jones anunciou nesta quinta-feira (9) que desistiu do ato público em que cerca de 200 exemplares do Alcorão, livro sagrado do Islã, seriam queimados no próximo sábado na pequena cidade de Gainesville, na Flórida.

Diante de sua igreja, o reverendo afirmou que sua decisão se segue a um acordo negociado com líderes islâmicos americanos, que inclui que não sejam mais construídos uma mesquita e de um centro cultural islâmico previstos para o Marco Zero de Nova York, local dos ataques terroristas de 11 de Setembro.

Os responsáveis pela obra, no entanto, disseram que não há acordo nenhum para a mudança do lugar da construção.

Jones -que não respondeu a perguntas dos jornalistas- disse que vai a Nova York no sábado para conversar sobre o tema com o imã da cidade.

A construção tem opositores, que a consideram ofensivas às famílias da vítima dos atentados realizados em 2001 pela rede terrorista da al-Qaeda.

Pressão internacional e interna

O recuo de Jones ocorre após grande pressão internacional contra o ato que, segundo ele, tinha o objetivo de protestar contra o radicalismo islâmico e sua crescente influência na agenda política americana.

O anúncio da queima dos livros gerou protestos do governo americano, de governos estrangeiros e de várias entidades.

O governo dos EUA chegou a emitir nesta quinta-feira um alerta sobre risco de atentados terroristas em represália ao protesto.

O secretário de Defesa, Robert Gates, disse que o ato iria colocar em risco as tropas americanas e aliadas que lutam contra terroristas em países como Afeganistão, Paquistão e Iraque. A Interpol também advertiu sobre possíveis ataques.

Mais cedo, o próprio presidente dos EUA, Barack Obama, havia apelado para que Jones desistisse do protesto. Para o democrata, ele serviria de estímulo para que terroristas recrutassem militantes.

Paquistaneses queimam bandeira americana em protesto contra os planos de pastor de queimar exemplares do Alcorão. (Foto: Khalid Tanveer/AP)


Fontes: G1 - Agências

Ativistas de extrema-direita causam pancadaria no Reino Unido

Cerca de 700 pessoas participaram da manifestação contra imigração e o Islã

Policiais dispersam protesto da EDL no centro de Bradford; direitistas agrediram outro grupo/Phil Noble/28.08.2010/Reuters

Cerca de 700 ativistas de extrema-direita entraram em confronto com a polícia na tarde deste sábado (28) no centro da cidade de Bradford, informou o jornal britânico The Guardian.

O protesto foi organizado pela Liga de Defesa Inglesa (EDL, na sigla em inglês) e os participantes jogaram tijolos e bombas de fumaça em um grupo que se manifestou contra o racismo em um evento organizado pela Unidos contra o Facismo.

Mais de 1.600 policiais de 13 forças foram mobilizados para controlar a situação e ocorreram cinco prisões no local.

No último ano, o EDL tem organizado protestos em diversas cidades pelo Reino Unido. Entre os slogans que os participantes diziam estavam alguns que faziam alusão clara a muçulmanos como:

- Tirem os homens-bomba muçulmanos de nossas ruas.

Um residente de Bradford, Mohammed Khan, de 29 anos, disse ao Guardian que os ativistas apenas estavam buscando problemas.

- Nós queremos mostrar para as pessoas no Reino Unido que Bradford é um lugar unido e tranquilo, onde asiáticos, brancos – todos – convivem. Ninguém aqui quer estas pessoas. Eles estão apenas tentando dividir esta cidade e provocar problemas.

Fontes: R7 - Agências

EUA investigam Igreja Universal por remessas de R$ 420 milhões

A Igreja Universal do Reino de Deus é investigada nos EUA sob suspeita de ter praticado os crimes de lavagem de dinheiro e conspiração, similar ao que o Código Penal brasileiro chama de formação de quadrilha.

Dois doleiros brasileiros disseram a promotores americanos ter remetido ilegalmente o equivalente a R$ 420 milhões do Brasil para Nova York, no período entre 1995 e 2001. As remessas eram na razão de R$ 5 milhões por mês, segundo a dupla.

O depoimento dos doleiros foi feito no âmbito de um acordo de delação premiada em Nova York. É uma negociação na qual criminosos tentam reduzir suas penas oferecendo informações que podem ajudar a desvendar novos crimes.

Os investigadores americanos tentam descobrir o que a Universal teria feito com esses recursos nos EUA.

A apuração é feita em caráter sigiloso e tem entre os seus alvos o bispo Edir Macedo e a tesoureira da igreja em Nova York, Regina da Silva.

Silva já foi indiciada pela Promotoria de Nova York noutra investigação sob acusação de ter praticado os crimes de apropriação indébita, falsificação de documentos, falso juramento e fraude.

Ela simulou ter feito assembleias em duas igrejas da Universal (Brooklyn e Queens) para levantar empréstimo de US$ 22 milhões.

DOLEIROS

A investigação americana sobre a igreja é um subproduto da maior operação já feita pela PF contra doleiros, realizada em 2004. Chamada de Farol da Colina (referência à empresa americana que abrigava a conta dos doleiros, a Beacon Hill), ela resultou na prisão de 62 doleiros.

Numa casa de câmbio em São Paulo, a Diskline, a PF achou um CD com arquivos de computador que fazia referência a uma suposta funcionária da Universal, batizada de "Ildinha/Fé".

Ilda, segundo investigação do Ministério Público Federal, "era encarregada de levar as malas de dinheiro para a empresa Diskline".

A casa de câmbio Diskline era a fachada de dois dos maiores doleiros do país, segundo a PF: Marcelo Birmarcker e Cristina Marini Rodrigues. São eles que fizeram o acordo de delação em Nova York e contaram ter remetido perto de R$ 420 milhões para os EUA a mando da igreja.

Bimarcker e Marini Rodrigues operaram três contas no Merchants Bank de Nova York, nas quais teria passado dinheiro sem origem da Universal. Eram contas abertas em nome de empresas criadas em paraísos fiscais: a Milano Finance Inc., Pelican Holding Group e Florida Financial Group.

CONTA CONGELADA

As três contas movimentaram US$ 851 milhões apenas em quatro anos, entre 1998 e 2002, segundo perícia feita pela PF. Quando a polícia deflagrou a Farol da Colina, uma corte de New Jersey determinou que o saldo das três contas fosse congelado. À época, em 2004, os doleiros tinham US$ 1,32 milhão.

A Promotoria de Nova York começou a investigar as supostas remessas da Universal por uma razão simples: dinheiro sem origem da igreja teria passado por um banco que opera naquela cidade, o Merchants.

Pode parecer uma motivação fraca para uma investigação dessa envergadura, mas foi por essa razão que o deputado Paulo Maluf (PP-SP) virou réu numa ação em Nova York e teve sua prisão internacional decretada.

OUTRO LADO

O advogado criminalista da Universal Antônio Sérgio de Moraes Pitombo disse, segundo a reportagem da "Folha" que não pode se manifestar sobre a investigação porque se trata de um caso de cooperação internacional entre Brasil e EUA, cujas informações são confidenciais. Ele confirma, porém, que a apuração existe.

"Não posso me manifestar sobre o mérito do processo, mas é preciso tomar muito cuidado com a palavra de colaboradores que cometeram crimes e estão tentando reduzir suas penas", afirmou Pitombo, segundo a reportagem.

Ainda de acordo com a "Folha", o advogado diz que o volume de remessas citado pelos doleiros não faz sentido. "Remessas na proporção de R$ 5 milhões por mês são inverossímeis".



Fonte: FOLHA/MARIO CESAR CARVALHO - G1

Justiça manda fechar sede da Igreja Mundial em SP

Falta de segurança e de alvará definitivo são alguns dos motivos apontados pela juíza que determinou interdição

Restrição. Igreja está localizada na única área de zoneamento residencial do Brás/Leonardo Soares/AE

A Justiça determinou na segunda-feira (23) o fim dos cultos na sede da Igreja Mundial do Poder de Deus localizada no Brás, região central de São Paulo.

Falta de segurança e de alvará definitivo, obstrução ao trânsito e lotação acima da permitida estão entre as irregularidades cometidas no templo, segundo a juíza Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi, da 13ª Vara da Fazenda Pública.

A decisão atende a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual (MPE), a pedido de um grupo de moradores vizinhos do templo. No processo, a vizinhança também acusa a prefeitura de ignorar as denúncias de desrespeito à lei do silêncio e de lotação acima de 8.040 pessoas.

Aos domingos, quando caravanas de todo o País começam a chegar ao Brás ainda de madrugada para o culto das 9 horas, cerca de 15 mil pessoas lotam o antigo galpão, de 110 mil metros quadrados, conforme relato feito aos promotores. A Igreja Mundial é uma das cinco maiores pentecostais do País.

A reportagem tentou contato com seus representantes na tarde de ontem, mas não obteve retorno. Após culto, à noite, um representante da igreja afirmou que somente o departamento jurídico vai se pronunciar sobre o assunto.

Vizinhos filmaram 31 horas de culto e juntaram 212 fotos

Uma câmera digital foi o principal instrumento dos moradores do Condomínio Fontana Liri para obter a liminar que determinou o fechamento da Igreja Mundial do Poder de Deus no Brás. Foram 31 horas de filmagens e 212 fotos com imagens que retrataram um templo sempre superlotado, com as saídas de emergências obstruídas e ausência de fiscalização nos dias de cultos.

"Foi um verdadeiro documentário. Cada domingo era a vez de um morador ir disfarçado ao culto fotografar os absurdos", conta um dos vizinhos que denunciaram o funcionamento irregular do templo na Prefeitura. "Mas tudo o que nós falávamos para a Prefeitura era ignorado. Parecia que estávamos inventando que ninguém conseguia sair de casa no domingo. Aí mostramos ao Ministério Público o que realmente acontece, com nossa garagem obstruída por ônibus de caravana, com os camelôs nas calçadas, com gente amontoada na igreja", acrescenta o morador.

A mobilização dos vizinhos incluiu reuniões conjuntas entre representantes da igreja, do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) e do MP. "Um dia um segurança da igreja percebeu que eu estava lá dentro acompanhando o culto, com a máquina digital. Fui colocada para fora na hora", conta uma enfermeira, também moradora do condomínio na frente da igreja.

Sem socorro. 

Os vizinhos do templo resolveram mobilizar-se contra a Igreja Mundial após uma tentativa de socorro esbarrar no trânsito da Rua Carneiro Leão. Niob de Lourdes Fonseca, de 57 anos, morreu no dia 7 de setembro de 2008, meia hora após se engasgar com um pedaço de pernil. "Coloquei ela no meu carro, mas o trânsito estava parado, era dia de culto. Meu marido ainda tentou ir pela calçada, mas, quando chegamos ao hospital, ela já estava morta", conta uma enfermeira que mora no mesmo condomínio.

Moradores ainda contam que acionaram, sem sucesso, a Guarda Civil Metropolitana para alertar sobre a presença de camelôs nas calçadas do entorno. "Quando os carros e ônibus ficavam parados em cima das calçadas, ligávamos para a CET. E nunca nada foi feito", relata outro vizinho, que foi três vezes aos cultos de domingo e conseguiu fotografar uma saída de emergência bloqueada por um caminhão de som. Ele também fazia as filmagens da janela do seu quarto, no sexto andar, durante os cultos realizados às quartas-feiras.

Ranking. 

Em maio, o Estado mostrou que, com uma média de cinco representações por mês, os templos religiosos de São Paulo lideraram o ranking de queixas de barulho feitas ao Ministério Público em 2009. Desde a implementação das regras do Programa de Silêncio Urbano (Psiu), em 1994, foi a primeira vez que eles superaram bares e casas noturnas em reclamações.

Hoje são cerca de 22 mil templos na capital paulista. Uma das representações foi feita pelos moradores do Brás contra a Igreja Mundial. Em outro caso, no Tatuapé, zona leste, vizinhos conseguiram lacrar um templo da Assembleia de Deus na Rua do Oratório após reclamações no MP e na Prefeitura. É comum ainda que vizinhos de paróquias onde são realizados casamentos nos fins de semana acionem o MP.

No Jardim Lusitânia, ao lado do Parque do Ibirapuera, na zona sul, por exemplo, o trânsito causado nas noites de sábado pelos casamentos da Igreja Santo Ivo, no Largo da Batalha, é motivo frequente de queixas.

Outras reclamações terminaram em entendimento entre as partes, antes de chegarem à Justiça. Foi o caso do templo da Igreja Universal em Moema, cujos pastores colocaram portas com proteção acústica após vizinhos acionarem  om MP.

Fontes: O ESTADO DE S PAULO/DIEGO ZANCHETTA - IG

A nova reforma Protestante

Inspirado no cristianismo primitivo e conectado à internet, um grupo crescente de religiosos critica a corrupção neopentecostal e tenta recriar o protestantismo à brasileira

EM CONSTRUÇÃO
Ilustração de um monumento em forma de cruz

Irani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.

Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema.

Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.

Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas).

Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo.

A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade” . Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.

Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia.

“O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”

SÍMBOLO
O cirurgião Irani Rosique (sentado, de camisa branca, com a Bíblia aberta no colo). Sem cargo de clérigo, ele mobiliza 2.500 pessoas no interior de Rondônia

Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos.

A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970.

Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”.

Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”

Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada.

“As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”

Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI.

“Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”

“É lisonjeador saber que nos consideram ‘pensadores’. Mas o grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência. É de ética e honestidade”
RICARDO AGRESTE, pastor da Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera, em Campinas, São Paulo

Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país.

Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”

No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis.

Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas.

A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos.

Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

Sites como Pavablog, Veshame Gospel, Irmãos.com, Púlpito Cristão, Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica.

De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.

“O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar. É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”
VALTER RAVARA, “ecocapelão”, criador do Instituto Gênesis 1.28 e da Bíblia verde

A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular.

O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos.

“A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”

Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.

A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence.

A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.

DA WEB ÀS RUAS
Blogueiros que organizam a Marcha pela ética, um movimento de protesto incrustado dentro da Marcha para Jesus, promovida pela Renascer

O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”.

Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo.

“No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”

A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante.

Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele.

Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”. 



Fonte: Época/Ricardo Alexandre

Igreja nos EUA convoca queima do livro sagrado dos mulçumanos

Alcorão será destruído no aniversário do ataque terrorista às Torres Gêmeas

Uma igreja cristã da Flórida está organizando o "dia internacional da queima do Alcorão" em 11 de setembro, no nono aniversário do ataque terrorista às Torres Gêmeas, iniciativa que grupos muçulmanos afirmam ser parte de um aumento da “islamofobia”(preconceito aos muçulmanos) nos Estados Unidos.

Premiê israelense recorre à Bíblia para reivindicar Jerusalém

Destruída como capital dos judeus pelos romanos no século 1º da nossa era, Jerusalém foi uma cidade cristã sob seus sucessores bizantinos

Netanyahu: "Jerusalém é citada 142 vezes no Novo Testamento, e nenhum dos 16 nomes árabes de Jerusalém é citado no Alcorão"/Yossi Zamir/Efe

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, recorreu nesta quarta-feira à Bíblia para reafirmar o direito de seu país a Jerusalém, cidade disputada por judeus e palestinos.

Numa sessão parlamentar por ocasião dos 43 anos da conquista israelense de Jerusalém Oriental, que então pertencia à Jordânia, Netanyahu disse que o nome "Jerusalém" e sua versão hebraica "Sion" aparecem 850 vezes no Velho Testamento, cânone mais sagrado dos judeus.

"Sobre quantas vezes Jerusalém é mencionada nas escrituras sagradas de outros credos, recomendo que vocês chequem", disse ele.

Citando a Bíblia, Israel costuma se referir a Jerusalém como sua capital "eterna e indivisível" --designação que não é reconhecida internacionalmente, já que os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como capital do seu eventual Estado.

Disputa histórica

Destruída como capital dos judeus pelos romanos no século 1º da nossa era, Jerusalém foi uma cidade cristã sob seus sucessores bizantinos, até cair no domínio dos árabes muçulmanos, no século 7º. Cruzados europeus a recuperaram por mais um século, antes de outros 700 anos de controle islâmico --até que os britânicos derrotassem os turcos otomanos, em 1917.

Em 1947, quando os britânicos preparavam a descolonização, a ONU (Organização das Nações Unidas) propôs que a cidade ficasse sob controle internacional, como um "corpus separatum". A proposta acabou sepultada sob a guerra de criação de Israel --o Estado judeu ficou com a parte oeste, e a Jordânia manteve o leste da cidade até a Guerra dos Seis Dias (1967), quando toda ela passou ao controle judaico.

Atualmente, 750 mil pessoas vivem num município com limites definidos por Israel, mas sem reconhecimento internacional. Dois terços da população são de judeus, e o restante é de muçulmanos palestinos.

Jerusalém também é considerada a terceira cidade mais sagrada do Islã, atrás de Meca e Medina, porque ali fica a mesquita de Al Aqsa, numa praça venerada por judeus por conter os vestígios de dois templos de épocas bíblicas.

Aula de religião

Pressionado por um parlamentar da minoria árabe de Israel, Netanyahu ofereceu uma aula de religião comparada.


"Já que o senhor perguntou: Jerusalém é citada 142 vezes no Novo Testamento, e nenhum dos 16 nomes árabes de Jerusalém é citado no Alcorão. Mas numa interpretação ampliada do Alcorão do século 12, uma passagem faria referência a Jerusalém."

Netanyahu não citou, no seu discurso, as negociações indiretas com os palestinos sob mediação dos EUA, retomadas após um hiato de 18 meses.

Mas ele prometeu que Israel preservará Jerusalém inteira para si, assegurando a liberdade de culto em seus templos --embora, nos últimos anos, Israel tenha várias vezes proibido muçulmanos de rezarem em Al Aqsa.

Cristãos da Cisjordânia também se queixam de dificuldades de acesso às igrejas hierosolimitas.


"Não há prejuízo, nem pretendo prejudicar, a conexão de outros com Jerusalém", disse Netanyahu. "Mas confronto a tentativa de prejudicar, complicar ou ofuscar a conexão única que nós, o povo de Israel, temos com a capital de Israel."


Fontes: FOLHA - Agências

Parlamento aprova proibição do véu islâmico

O parlamento federal belga aprovou hoje um projeto de lei que proíbe o uso de véu islâmico em todos os locais públicos, faltando ainda o voto do Senado para a interdição entrar em vigor.

A atual crise política e a iminente dissolução das assembleias, com o cenário de eleições antecipadas, deverá todavia adiar o processo legislativo, sendo provável que o texto agora aprovado pela câmara só seja apreciado na próxima legislatura.

O texto, que já havia sido aprovado há um mês, a 31 de Março, em sede de comissão parlamentar, foi aprovado hoje pela câmara do parlamento federal praticamente por unanimidade, com apenas duas abstenções.

A lei não inclui qualquer referência explícita à "burqa" ou ao "niqab", nem tão pouco a "peças de vestuário", mas prevê que o código penal belga passe a considerar crime (passível de uma multa ou pena de prisão de um a sete dias) uma pessoa apresentar-se em locais públicos com "a cara coberta ou dissimulada total ou parcialmente, de tal forma que não seja identificável".

O texto contempla algumas exceções, isentando categorias como motociclistas, bombeiros e soldadores.

Se o Senado aprovar em breve o projeto de lei, o véu facial ou o niqab (que deixa aparecer somente os olhos) deixarão de ser tolerados a partir do próximo verão na via pública, edifícios público e comércio em todo o país.

Fonte: DN-Pt
Texto revisado para o PtBr

Milagres e milhões

Com promessas de cura e até de ressurreição, o apóstolo Valdemiro Santiago transformou sua Igreja Mundial num novo império evangélico.

De chapéu, uma de suas marcas, o apóstolo Valdemiro Santiago comanda um culto para 50 mil pessoas em
São Bernardo do Campo, São Paulo, em janeiro

– Uma das histórias que mais me impressionou (sic) foi de um homem que morreu. Como se diz no Nordeste, ele estava na pedra. A família já tinha recebido atestado de óbito. A filha dele chegou em mim na igreja, me abraçou e disse: “Se o senhor disser que ele está vivo, ele viverá”. O que houve ali foi pela fé dela. Comovido, respondi: “Então, está vivo”. Quando ela voltou para casa, estavam se preparando para velar o corpo e receberam a notícia de que o homem havia voltado à vida. Os médicos tentaram justificar, mas não conseguiram entender como o coração dele voltou a bater. Foi uma ressurreição.

O relato acima foi feito em 2009 pelo líder evangélico Valdemiro Santiago de Oliveira numa de suas raras entrevistas, concedida a uma publicação evangélica chamada Eclésia.

Alto, negro, extrovertido, de fala rouca cheia de erros de português e forte sotaque mineiro, Valdemiro, de 46 anos, é o criador, líder absoluto e autoproclamado “apóstolo” da Igreja Mundial do Poder de Deus.

Caçula entre as neopentecostais, a igreja foi fundada em 1998, em Sorocaba, interior de São Paulo. Mineiro de Palma, região de Juiz de Fora, Valdemiro gosta de se definir como “homem do mato” ou “um simples comedor de angu”.

Na pregação diária de bispos e pastores e no boca a boca de milhares de fiéis, é reverenciado como milagreiro. Além de afirmar ressuscitar os mortos, cultiva a fama de curar aids, câncer, cegueira, surdez, tuberculose, hanseníase, paralisia, alergias, coceiras e dores em qualquer parte do corpo e da alma.

Num domingo com três cultos, Valdemiro chega a apresentar mais de 30 testemunhos de cura. ÉPOCA tentou falar com Valdemiro durante dois meses. As solicitações foram feitas por meio de assessores e bispos e diretamente a ele, na saída de cultos. Em duas ocasiões, ele prometeu dar entrevista, mas nunca agendou.

Dissidência da Igreja Universal do Reino de Deus, a Mundial é a menos organizada das evangélicas. Seus templos têm instalações precárias. A pregação é classificada por alguns como “primitiva”. Há gritos, choros e performances espalhafatosas.

Até suas publicações são visivelmente mais pobres que as das concorrentes. Apesar de fazer quase tudo no improviso, a Mundial já é considerada o maior fenômeno religioso do Brasil desde a criação da Igreja Universal, em 1977, sob a liderança do bispo Edir Macedo. Mais que isso, a Mundial começa a se firmar como ameaça ao império que a Universal ergueu no campo das neopentecostais.

Carismático, intuitivo, meio desafiador, meio fanfarrão, Valdemiro comanda uma estrutura que, de acordo com números da igreja, reúne 2.350 templos, cerca de 4.500 pastores e tem sedes em mais 12 países.

Só em aluguéis de imóveis para cultos a Mundial gasta R$ 12 milhões por mês, segundo estima o diretor de compras da igreja, Mateus Oliveira, sobrinho de Valdemiro.

Em número de templos, a Mundial superou duas de suas três concorrentes neopentecostais: a Internacional da Graça, do missionário R.R. Soares, e a Renascer, do casal Estevam e Sônia Hernandes.

Nos últimos dois anos, a Mundial praticamente multiplicou por dez seu tamanho (em 2008, eram 250 templos). Mantido o atual ritmo de crescimento, ela ultrapassaria a Universal até 2012. A igreja de Edir Macedo afirma ter 5.200 templos e 10 mil pastores.

Uma característica nova na expansão da Mundial está naquilo que o sociólogo Ricardo Mariano, estudioso de religião na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, chama de “pescar no próprio aquário evangélico”.

Estudos sugerem que a maior parte dos seguidores da Mundial veio de outras neopentecostais, principalmente da Universal. Poucos eram do meio católico, tradicional fornecedor de fiéis para denominações evangélicas. “Calculo que mais de 50% dos membros da Mundial saíram da Universal, uns 30% da Internacional da Graça e o resto das demais evangélicas ou outras religiões”, diz Paulo Romeiro, professor de teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e autor de um livro sobre a igreja.

Na cúpula da Mundial, a presença de ex-membros da Universal é expressiva. Estima-se que 90% dos bispos e até 80% dos pastores tenham sido formados por Edir Macedo. O próprio Valdemiro tem origem na Universal, onde atuou por 18 anos. O apetite com que a Mundial avança sobre a Universal aparece até na distribuição geográfica dos templos. Valdemiro tem predileção por instalar igrejas em imóveis que já foram ocupados pela Universal.

Parte do encanto de Valdemiro está na imagem messiânica que ele construiu em torno de si, contando histórias mirabolantes. A mais espetacular está no livro O grande livramento: ele descreve um naufrágio que sofreu em Moçambique em 1996, quando ainda era da Universal. Valdemiro diz que ele e três conhecidos foram vítimas de uma sabotagem, que fez a embarcação afundar a 20 quilômetros da costa. A partir daí, a história ganha ares cinematográficos.

Valdemiro na época pesava 153 quilos (anos depois, ele faria uma cirurgia de redução de estômago). Ele diz que deu os únicos três coletes aos colegas e começou a nadar a esmo. Diz ter nadado oito horas “contra forte correnteza”, “ondas gigantes” e cercado por “tubarões-brancos assassinos” e “barracudas agressivas”.

Na travessia, prossegue sua narrativa, um pedaço de sua perna foi arrancado e seus olhos foram queimados por “águas-vivas gigantes”. Quando finalmente chegou à praia, diz ele, dormiu na areia e acordou nos braços de dois estranhos, “africanos seminus”. “Tive a clareza de que os anjos do Senhor haviam me visitado e me dado o livramento”, diz. Dos três companheiros, dois morreram e um foi resgatado. Na época, jornais noticiaram o naufrágio, mas muita gente na igreja duvidou do relato. Um bispo foi à África fazer uma sindicância, mas isso não sanou as dúvidas.

Valdemiro também conta outros três causos de “livramento”. Diz que, numa ocasião, caiu do 8º andar de uma obra, mas nada sofreu. Afirma também que, passeando de carro “na África”, uma bomba de um campo minado explodiu “arremessando nosso carro uns 3 metros para o alto”. Diz ainda que sofreu uma tentativa de assassinato, mas os “matadores profissionais” erraram os cinco tiros. “Assustados, jogaram o rifle para dentro do carro e fugiram”, afirma.

Na multidão, uma fiel dá R$ 20 à Mundial. Nos grandes cultos, as doações são recolhidas por mais de 200 voluntários (à esq.). Depois, as sacolinhas são entregues numa cabine improvisada, de onde saem malas cheias (à dir.)

Além dos “livramentos”, a Mundial ostenta ainda outras três distinções em relação às concorrentes. A principal é a ênfase na cura. Diferentemente da Universal, que cresceu preconizando o exorcismo, ou da Renascer, que concentra o foco na prosperidade, a Mundial promete soluções divinas para doenças terrenas.

O discurso não é novo. Nos anos 50, milagres de cura eram o mote da Igreja do Evangelho Quadrangular e da igreja O Brasil para Cristo, de Manoel de Mello. Valdemiro remasterizou o tema.

Para dar credibilidade ao discurso, às vezes recorre ao médico Wandemberg Barbosa, que sobe ao altar para dizer que a medicina não explica certos fenômenos. “Há casos que só podem ser milagres”, diz Barbosa. “Tomo cuidado com o que falo porque existe a fiscalização do CRM (Conselho Regional de Medicina), mas Valdemiro não provoca a descrença na medicina. Ele nunca manda ninguém interromper o tratamento.”

Outra característica que distingue a Mundial é a sacralização do suor. A cada culto, Valdemiro passa quase três horas no altar. Ali, ele grita, canta, ri, chora, pula, se ajoelha e sua. Sobretudo sua. Quando a reunião termina, seu suor é disputado pelos fiéis.

Mais de 200 chegam a cercá-lo. Tremendo, chorando, eles usam toalhinhas fornecidas pela igreja para coletar alguma umidade. Depois, esfregam o pano no próprio corpo, em fotos ou documentos. “A valorização do suor, que ocorre com vários líderes da Mundial, é uma novidade completa entre os protestantes”, diz o sociólogo e teólogo Ricardo Bitun, da Universidade Mackenzie. “Valdemiro é corajoso ao permitir que o público toque em seu corpo. Nenhum outro líder evangélico faz isso”, afirma o sociólogo Antônio Flávio Pierucci, da Universidade de São Paulo (USP).

O terceiro elemento distintivo da Mundial é a composição de uma cúpula majoritariamente negra. Os bispos Josivaldo Batista, o segundo na hierarquia, e Roberto Damásio, o terceiro, também são negros.

Valdemiro fala com orgulho sobre a presença de negros na direção da igreja. E afirma já ter sido discriminado por sua cor.

Eis o que diz o jornalista Ronaldo Didini, ex-homem de confiança de Edir Macedo que hoje trabalha como consultor de mídia para Valdemiro: “Uma vez, numa reunião de lideranças da Universal, Valdemiro foi indicado para liderar a igreja no Paraná. Macedo foi contra, dizendo que a sociedade paranaense era elitizada e que não mandaria um negro para lá. Quem defendeu o Valdemiro foi o Honorilton (Gonçalves), hoje presidente da Record. Mas não adiantou”. Por meio de sua assessoria, a Universal afirmou que tem vários pastores e bispos negros e que a acusação de discriminação contra Valdemiro é improcedente.

A Mundial não vive só de inovação. Noutros aspectos, aproveita o know-how dos concorrentes, como a prática de distribuir bens em nome de terceiros para esconder o enriquecimento das lideranças.

“A Mundial cresceu muito. Então há coisas que o apóstolo coloca no nome de outros. Eu já tive veículos da igreja em meu nome”, diz Jorge Lisboa, obreiro e assessor da Mundial, presença frequente no altar ao lado de Valdemiro.

“O primeiro carro que o apóstolo comprou pela igreja colocou no meu nome. Muita coisa é assim. Sabe por que o R.R. Soares está estacionado? Porque dedicou tudo à família. O dirigente tem de confiar nos outros. Se comprar dez emissoras de rádio, tem de colocar em nome de pessoas diferentes.” O missionário R.R. Soares não respondeu aos pedidos de entrevista de ÉPOCA.

A prática descrita por Lisboa é confirmada pelo advogado Fausto Bossolo, membro da Mundial e assessor do vereador José Olímpio (PP), representante da igreja na Câmara Municipal de São Paulo. “Como é que você vai declarar isso no Imposto de Renda? A Igreja Evangélica tem um crescimento absurdo e a demanda é muito grande”, diz ele. “Então é complicado colocar (tudo) no nome de uma pessoa só. Você tem uma casa e daqui a um ano tem 20. E aí? Como fica?”

Concorrência Evangélica






No culto em São Bernardo, um bebê é levado de mão em mão sobre o público até o altar, onde depois recebeu a bênção de Valdemiro.

Como outras igrejas neopentecostais, a Mundial também não se acanha em pedir ofertas. Apesar do perfil pobre do público, os pregadores não hesitam em estabelecer valores altos para as contribuições.

Valdemiro já pediu até 30% da renda do fiel, o que foi batizado de “trízimo” : “Você vai dizer para Deus o seguinte: ‘Senhor, 70% de tudo o que o Senhor me der neste mês é meu. E 30% são da sua obra’”, disse. Depois, associou o “30” à “Santíssima Trindade”.

Apesar de dizer que não faz distinção entre doadores, a Mundial qualifica as ofertas em categorias: ouro (R$ 300), prata (R$ 100) e bronze (R$ 50). “Quando Jesus nasceu, recebeu três presentes: ouro, incenso e mirra. Qual foi o mais importante?”, disse Valdemiro num culto. E respondeu: “O ouro!”.

O ex-pastor Rafael Ferreira, um dos raros dissidentes da Mundial, dá detalhes das táticas de arrecadação: “Em Mato Grosso havia uma meta de R$ 1 milhão por mês, além dos R$ 500 mil para pagar a TV. Eu era responsável pelos depósitos. Todo dia ia ao Bradesco do centro de Cuiabá e depositava de R$ 80 mil a R$ 100 mil na conta da igreja”.

Ferreira atuou por três anos na Mundial. Ele conta como eram os “cursos de pregação”: “O bispo Sidney Furlan mandava a gente subir no altar e orientava sobre o que falar para comover o povo. Dizia que era preciso fazer um teatrinho, um sensacionalismo para o povo acreditar que a igreja era responsável pelas curas e milagres”.

Ferreira, que se diz ex-homossexual, foi expulso da Mundial em dezembro. Ele pede R$ 1 milhão na Justiça por discriminação e calúnia. Os representantes da igreja em Cuiabá não quiseram comentar suas afirmações.

Problemas com a Justiça não são uma novidade para a Mundial. No começo do mês, três pastores da igreja foram presos pela Polícia Rodoviária em Mato Grosso do Sul. Com eles foram apreendidos sete fuzis, que, segundo a polícia, saíram da Bolívia e seriam entregues para traficantes no Rio de Janeiro.

O próprio Valdemiro já foi apanhado em situação parecida. Em abril de 2003, o Ford Mondeo que dirigia foi parado numa blitz em Sorocaba. No carro, havia 26 cartuchos de munição e três armas: uma carabina calibre 22 e espingardas calibres 12 e 15.

“Ele disse que era caçador. Falou que tinha morado na África, onde caçava elefantes”, diz o policial Danilo Ramos, que atuou no flagrante.

Na casa do apóstolo, “um lugar sujo, nos fundos de um quintal”, segundo Ramos, os policiais acharam mais duas espingardas ilegais. Na delegacia, Valdemiro afirmou que ganhava “aproximadamente R$ 500 por mês” e não tinha imóvel nem dinheiro no banco. Passou a madrugada preso. Em 2005, foi condenado a dar três cestas básicas a uma instituição de caridade.

Ainda em 2003, Valdemiro voltou a esbarrar na ilegalidade. Ao renovar a carteira de motorista, usou o RG 16.717.037, que pertence a uma mulher nascida em Paraibuna, no interior de São Paulo. A habilitação, com o número de RG errado, venceu em 2008. Não consta que ele tenha tido problema por ter circulado com um documento com informação falsa.

Valdemiro já pediu até 30% da renda do fiel – o que foi batizado de “trízimo”

Com o crescimento da Mundial, o padrão de vida de Valdemiro mudou radicalmente, embora ele continue cultivando a imagem de interiorano simplório diante dos fiéis. Valdemiro mora num condomínio de luxo em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo.

Quando precisa se deslocar, usa dois helicópteros e um jato Citation Excel, de R$ 18,5 milhões, alugado há cinco meses.

O helicóptero menor é um Bell Jet Ranger 206B3, avaliado em R$ 1,3 milhão. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ele já pertenceu à apresentadora Xuxa. Hoje, está em nome de uma factoring chamada Athenabanco, que diz ter vendido o aparelho à Mundial no fim de 2008, em 12 parcelas. “O pedido de transferência para a igreja está na Anac há dois meses, mas o processo é lento”, diz Robinson Leite, diretor da Athenabanco.

O helicóptero grande é um Agusta A109-C, comprado pela Mundial em setembro de 2009, por R$ 5,1 milhões. Potente, luxuoso e seguro, o Agusta é um dos aparelhos mais cobiçados do mercado.

Para embarques e desembarques perto de casa, Valdemiro usa o heliponto de Amilcare Dallevo, dono da Rede TV!. É uma situação provisória (que Dallevo prefere não comentar). Em pouco tempo, Valdemiro deverá construir seus próprios helipontos. A amigos, disse que vai construir um perto de sua casa e outro perto do enorme templo que está erguendo na Zona Sul de São Paulo.

A frota de aeronaves já parece insuficiente para o apóstolo. Há algumas semanas, corretores foram acionados para tentar vender o Agusta por US$ 2,5 milhões. “O plano de Valdemiro é comprar um Agusta Grand, o mais sofisticado da marca, que custa uns US$ 7 milhões”, diz um profissional do mercado. O avião também pode estar com os dias contados. “Eu já disse para o Valdemiro que ele precisa comprar um jato intercontinental. A igreja está em expansão na África”, afirma Ronaldo Didini.

Em seu próprio nome, o patrimônio de Valdemiro é bem menor. Com a mulher, a bispa Franciléia, ele é sócio de uma empresa de comunicação e de uma gravadora de CDs, que trabalham para a igreja.

Franciléia é uma loira de 44 anos. Com joias e roupas chamativas, ela acompanha Valdemiro nos cultos e ora chorando. Ainda é sócia da editora que publica livros da Mundial. Oficialmente, a renda do casal sai apenas da venda dos livros e CDs. Os outros bens de Valdemiro são um Fusca 1969, uma moto 125 cilindradas e uma picape Dodge RAM 2.500 avaliada em R$ 100 mil.

O motor do crescimento acelerado da Mundial é sua estratégia de mídia, considerada a mais agressiva entre os evangélicos.

Até dois anos atrás, a Mundial disputava fiéis pela TV em pé de igualdade com os concorrentes, alugando pequenas faixas da programação. Em agosto de 2008, deu um salto. Valdemiro fechou um acordo com a família Saad, do Grupo Bandeirantes de Comunicação, e passou a ocupar 22 horas diárias da grade da Rede 21, canal UHF com alcance nacional. O negócio, que garantiu presença avassaladora da Mundial na TV, foi articulado por Didini, que ficou com o cargo de gestor de conteúdo da emissora.

A Mundial tem também acordos com a Rede TV! – em que ocupa três horas e meia da programação diária – e com a CNT – oito horas por dia. Transmite por satélite para cinco países da África. No rádio, mantém operações em vários Estados. As mais relevantes no Rio e em São Paulo, onde a Mundial arrendou uma emissora FM para transmitir 24 horas por dia.

Valdemiro cultiva uma imagem de frugalidade. Mas tem um padrão de vida sofisticado. Um helicóptero Agusta (foto inferior, à esq.), um Bell (foto maior) e um jato Citation de R$ 18,5 milhões (foto superior, à esq.) ficam a sua disposição

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Um policial exibe fuzis apreendidos com pastores da Igreja Mundial em Mato Grosso do Sul. O próprio Valdemiro já foi preso com armas ilegais

Ainda que a cúpula da Mundial mantenha segredo sobre a movimentação financeira da igreja, todos concordam que o gasto mais relevante é com mídia.

Um membro da cúpula afirmou que o desembolso total nessa rubrica está em torno de R$ 13 milhões por mês. “No Canal 21, o apóstolo deve estar pagando uns R$ 7 milhões, daí para mais. Na Rede TV! foi renovado por R$ 1,9 milhão. E na CNT uns R$ 800 mil”, diz o assessor Jorge Lisboa sobre os três principais contratos. Para filmar eventos externos, a Mundial contratou a produtora de TV Casablanca, a maior do setor no Brasil.

A nova ambição de Valdemiro é política. Seguindo a tendência de outras igrejas, ele quer criar sua própria bancada em Brasília e eleger um representante seu em cada Assembleia Legislativa do país. “A estratégia do apóstolo é lançar só um federal e um estadual por Estado. É para não ter competição interna”, diz Irio Rosa, escalado para ser candidato a deputado estadual no Paraná pelo nanico PSC (Partido Social Cristão).

A legenda, cujos maiores expoentes são o senador Mão Santa (PI) e o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, deverá lançar a maioria dos candidatos da Mundial. Rosa, exibido constantemente na TV da Mundial, admite que mal conhece o Paraná.“Eu queria sair candidato por Brasília, mas o apóstolo não deixou. Então, faz um ano que estou morando em Curitiba”, diz.

Um dos colaboradores mais importantes de Valdemiro fará dobradinha com Rosa no Paraná. É o executivo Ricardo Arruda Nunes, ex-presidente do desativado Banco de Crédito Metropolitano, conhecido como o banco da Igreja Universal.

Nunes diz ser hoje responsável pela “estratégia financeira” da Mundial. Ele já foi investigado pela Polícia Federal e pela Procuradoria da República por suas supostas relações com empresas-fantasmas que teriam sido criadas pela Universal para lavar dinheiro. Agora, prestador de serviços para a Mundial, frequenta os cultos de Valdemiro todo domingo.

Em janeiro, Valdemiro Santiago quase recebeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu altar. A ocasião era um culto no Paço Municipal de São Bernardo do Campo, com público estimado em 50 mil pessoas.

Lula chegou a confirmar presença, mas não apareceu, porque teve uma crise de hipertensão. Para representá-lo, compareceram dois petistas: o prefeito Luiz Marinho e o senador Aloizio Mercadante. “Eu não conhecia Valdemiro”, disse Mercadante. “É mesmo impressionante. Ele prega de forma muito direta, autêntica e popular. Lembra as manifestações que a gente fazia aqui neste mesmo lugar com os trabalhadores, um movimento forte, espontâneo e que incomoda as elites.”

Mercadante prometeu articular um encontro de Valdemiro com Lula. Até a semana passada, nenhuma reunião tinha sido agendada.

Valdemiro procura cultivar contatos com políticos de diversas tendências. Mantém boas relações com o tucano Marconi Perillo, senador por Goiás, e com Ivo Cassol (PP), governador de Rondônia. “Imagine uma pessoa íntegra, boa, verdadeira. É ele, Valdemiro. Ele faz coisas que só Deus pode fazer”, diz Cassol.

Ele costuma recebê-lo em sua fazenda, em Rondônia, para pescar. Entre os políticos de destaque, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), é o único com quem Valdemiro tem relacionamento dúbio. Em 2008, Valdemiro pediu votos para Kassab. No ano passado, quando a sede da Mundial no Brás, centro de São Paulo, foi lacrada por falta de segurança e excesso de barulho, Kassab passou a ser tratado como inimigo.

A sede do Brás é um galpão enorme e antigo, que funcionava como fábrica da família Matarazzo. Ocupa uma área de 43.000 metros quadrados e foi comprado pela igreja por R$ 60 milhões em 60 parcelas.

O embargo ocorreu porque o imóvel tinha fiação exposta, piso e teto comprometidos e não contava com saídas de emergência, além de produzir muito barulho. Enquanto providenciava reformas, Valdemiro dizia que o fechamento era uma “perseguição dos poderosos à obra de Deus”. Várias vezes ameaçou retaliar Kassab nas urnas.

A sede, que ficou 53 dias lacrada, é a principal fonte de renda da Mundial. “O fechamento da nossa igreja provocou um prejuízo de milhões e milhões de reais”, disse Valdemiro num culto em fevereiro, enquanto pedia mais ofertas aos seguidores.

De todos os assuntos relacionados à vida de Valdemiro, um dos mais polêmicos e misteriosos é sua saída da Universal.

Valdemiro é o único dissidente de Edir Macedo que prosperou criando sua própria igreja. Depois de ocupar posições de destaque em São Paulo, Paraíba, Pernambuco e em Moçambique, Valdemiro rompeu com a Universal em 1997.

Sua importância pode ser medida pelas participações societárias que acumulou. No último ano de Universal, tinha em seu nome duas TVs e três rádios FM da igreja.

Há várias versões para a ruptura. Alguns dizem que Valdemiro foi expulso por desviar dinheiro da Universal. Outros dizem que ele discordou de Edir Macedo na nomeação de um bispo. Há quem diga que ele caiu em desgraça porque brigou com autoridades de Moçambique e atrapalhou a expansão da igreja por lá.

Sua saída não foi amigável. “Sabe o que o Macedo fez com ele? Deu R$ 50 mil e um Gol velho. Jogou na mesa. Foi assim que o Macedo fez, ó: ‘Se você ficar, vou te dar uma liderança forte, um Audi, tudo. Se sair, leva R$ 50 mil e um Gol velho’”, afirma Didini, que deixou a Universal na mesma época. “Ganhei R$ 100 mil quando saí. O cara (Valdemiro) foi um líder, trabalhou 18 anos lá, deu a vida pela igreja e só levou R$ 50 mil.”

Parte importante do sucesso da Mundial é resultado da crise da Igreja Universal. Lideranças evangélicas dizem que a Universal começou a enfrentar problemas quando Edir Macedo passou a dedicar a maior parte de sua atenção à TV Record. “Ele deixou de ser igrejeiro, virou empresário e foi morar nos Estados Unidos, longe dos fiéis”, afirma o ex-bispo Marcelo Pires, que atuou na Universal e hoje move processos judiciais contra a igreja. “O seguidor da Universal nem vê mais o Edir pregando. Como não sente o carinho de seu líder, procura outras igrejas.”

Há também o desgaste provocado pelas denúncias recentes de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito contra líderes da Universal.

Desde a criação da Mundial, Edir Macedo nunca manifestou nenhum tipo de temor sobre a concorrente.

Dias atrás, ele publicou um post em seu blog em que cita pela primeira vez a Mundial. Edir Macedo reproduziu a carta de uma fiel que teria passado pela igreja de Valdemiro. Ela diz que na Mundial viu sua vida espiritual “caindo a cada dia”. Os parceiros de Valdemiro comemoraram. Para eles, Edir Macedo passou um atestado de preocupação.

Acima, Valdemiro com o prefeito Luiz Marinho (à esq.) e o senador Mercadante, que representaram Lula em São Bernardo. Abaixo, com Kassab em 2005, citado nos templos como inimigo da Mundial



Fonte: Revista Época / Mariana Sanches e Ricardo Mendonça. Com Juliana Arini, de Cuiabá (MT)

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