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Fundação Renascer: Sobrou dinheiro e faltou educação

Fundação ligada à Igreja Renascer é acusada de desviar R$ 2 milhões que deveriam ter sido usados em programa de alfabetização de adultos

OS ALVOS DA DENÚNCIA
À esquerda, os fundadores da Renascer, Estevam e Sônia Hernandes. No detalhe, o bispo José Bruno, ex-vice-presidente da Fundação Renascer. O Ministério Público quer que a igreja devolva o dinheiro ao Ministério da Educação

A Igreja Apostólica Renascer em Cristo está entre as instituições religiosas que mais crescem no país.

Fundada na sala da casa de Sônia e Estevam Hernandes, bispa e apóstolo da igreja, tornou-se em 24 anos um conglomerado de mais de 800 templos (espalhados pelo Brasil, por países da América Latina e Estados Unidos), escola, gravadora e emissoras de rádio e TV.

Os eventos promovidos pela igreja reúnem milhares de pessoas. Mas, assim como os fiéis, proliferam na Justiça as ações contra a Renascer e seus dirigentes.

A última delas vem do Ministério Público Federal (MPF), que acusa a Fundação Renascer, uma entidade assistencial ligada à igreja, de desviar R$ 1.923.173,95 recebidos do governo federal graças a dois convênios celebrados com a Fundação Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do Ministério da Educação.

Os acordos foram assinados em 2003 e 2004 e previam a alfabetização de 23 mil jovens e adultos e a formação de 620 professores. As dúvidas começaram em 2007, quando auditores da FNDE e da Controladoria-Geral da União (CGU)investigaram a aplicação dos repasses das verbas do Ministério da Educação para ONGs integrantes do programa Brasil Alfabetizado.

Ao ser submetida à auditoria, a Fundação Renascer, para justificar gastos, apresentou uma lista de nomes de professores e alunos que teriam participado do programa de alfabetização. A lista não continha, porém, nenhum número de documento, como CPF, que comprovasse a existência das pessoas mencionadas. Foi rejeitada pela auditoria.

O caso foi então remetido para o Ministério Público Federal em São Paulo. A Fundação Renascer enviou ao MPF um cronograma de aulas de educação religiosa – recheado de erros de português – para tentar atestar a existência do curso.

O roteiro incluía temas como “conhecer a Bíblia”, “a importância da fé e da fidelidade como filhos de Deus” e “a história de Neemias”. Indicou também testemunhas, que foram ouvidas pelo Ministério Público. Somente duas conseguiram comprovar que houve um curso de alfabetização e mesmo assim para apenas 300 alunos, muito longe dos 23 mil estabelecidos pelos convênios assinados com a FNDE.

Outras testemunhas disseram ainda que o dinheiro do convênio depositado na conta da Fundação Renascer era sacado em espécie por pessoas não identificadas. Na ação, o procurador Sérgio Suiama pede que os responsáveis pela Fundação Renascer sejam condenados a devolver à FNDE os R$ 2 milhões relativos ao convênio, percam os direitos políticos por cinco anos e não possam mais assinar contratos com a União.
Documentos apresentados pela igreja para comprovar gastos foram rejeitados por auditoria do governo

“Eles não conseguiram comprovar que o dinheiro da FNDE realmente foi usado para alfabetizar adultos. Mesmo que uma pequena parte tenha frequentado aulas de religião, isso é irregular”, diz Suiama.

Segundo Suiama, os temas das aulas mostram que a Renascer pode ter usado verba pública para difundir as crenças da igreja. “O cronograma das aulas de religião complica ainda mais a situação, pois o dinheiro do convênio nunca poderia ter sido usado para promover proselitismo religioso. A Constituição determina que o Brasil é um estado laico, não pode patrocinar nenhuma prática religiosa”, diz Suiama.

O principal alvo da ação do Ministério Público é o deputado estadual bispo José Bruno (DEM-SP), que era vice-presidente da Fundação Renascer e assinou os convênios com a FNDE em 2003 e 2004.

Hoje fora da Renascer para montar sua própria igreja, o deputado José Bruno diz que jamais trabalhou no programa de alfabetização da fundação e só assinou os convênios porque os verdadeiros responsáveis, a bispa Sônia (presidente da fundação) e o apóstolo Estevam Hernandes, estavam ausentes. “Eu assinei os convênios porque Estevam e Sônia estavam fora do país”, diz ele. “Eu nunca toquei esse projeto e isso consta inclusive no depoimento de uma testemunha que diz que nunca tratou de assuntos desse programa comigo.” Segundo a CGU, Bruno teria atrapalhado o trabalho dos fiscais que foram verificar o destino do dinheiro dos convênios e evitou fornecer documentos à auditoria.

A Renascer, em nota, refutou “qualquer acusação de malversação de verbas públicas” e disse ter havido “apenas entendimentos errôneos da FNDE com relação a valores”. Disse que alfabetizou mais de 15 mil pessoas e anexou fotos com cenas de salas que supostamente seriam a prova da realização do programa de alfabetização. Quanto ao ensino religioso, afirmou que as cartilhas baseadas em assuntos da Bíblia “trouxeram resultados que superaram outras técnicas”. Disse ainda que as dúvidas levantadas sobre o trabalho da fundação vêm de “denúncias desleais, acusações sem provas” feitas por “pessoas sob suspeição absoluta” que teriam “claros interesses próprios em prejudicar a igreja”.

A bispa Sônia e o apóstolo Estevam foram presos em 2007 ao tentar entrar nos Estados Unidos com US$ 56 mil escondidos em uma Bíblia e um porta-CDs – eles haviam declarado ao Fisco americano que entrariam com apenas US$ 10 mil. Em dezembro do ano passado, eles foram condenados pela Justiça Federal a quatro anos de prisão e multa de R$ 150 mil cada um por evasão de divisas. Apresentaram recurso contra a condenação.

Fonte: Época

Um ano após desabamento, terreno da igreja Renascer segue vazio no Cambuci

Decisão da Justiça suspendeu obras de reconstrução da sede na zona sul de São Paulo


Terreno em que funcionava a sede da igreja Renascer no Cambuci continua vazio/Daia Oliver/R7

Um ano após o desabamento do teto da Igreja Renascer em Cristo no Cambuci, zona sul de São Paulo, o terreno da sede continua vazio e as famílias das vítimas ainda não foram indenizadas. Na tragédia, ocorrida no dia 18 de janeiro de 2009, nove pessoas morreram e cerca de cem ficaram feridas. Além da própria sede da Renascer, casas de uma vila nos fundos da igreja também foram destruídas.

Na tarde do sábado (16), a reportagem do R7 foi até o local do desabamento e constatou a paralisação das obras da igreja. O terreno está vazio desde o início de dezembro, quando a Justiça paulista concedeu uma liminar ao Ministério Público estadual suspendendo o alvará da Prefeitura de São Paulo que autorizava a reconstrução. No seu pedido, a promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo disse que a igreja descumpriu exigências técnicas nos últimos anos em relação à sede, como um número de pessoas superior ao permitido durante os cultos.

A assessoria da Renascer informou que irá entrar com recurso pedindo o retorno das obras. O R7 tentou falar com a assessoria da Lucena Arquitetura, responsável pelo projeto de reconstrução da Renascer, mas nenhum dos nossos telefonemas foi atendido.


Terreno em que funcionava a sede da igreja Renascer no Cambuci continua vazio/Daia Oliver/R7

Além do terreno continuar vazio, um ano após a tragédia no Cambuci as famílias das vítimas ainda não foram indenizadas. Em nota, a Renascer informou que “todos os temas relacionados ao acidente encontram-se sub judice [em segredo de Justiça]” e que por isso não poderia comentar o assunto, mas confirmou que nenhuma indenização foi paga. Mesmo assim, a igreja afirma ter custeado todas as despesas médicas dos feridos, os enterros dos mortos e a reforma de algumas das casas atingidas pelo desabamento.

Ao menos 12 vítimas do desabamento da igreja Renascer, ocorrido há exato um ano, estão com processos em andamento do Tribunal de Justiça de São Paulo para conseguir indenização após a tragédia que matou nove pessoas e deixou mais de cem pessoas feridas.

De acordo com o advogado Ademar Gomes, representante das vitimas, os processos foram a única forma encontrada pelas pessoas que tiveram ferimentos ou perderam parentes na tragédia, uma vez que nenhum acordo foi estabelecido com a igreja. "Sem conciliação, as vitimas não tiveram outro caminho", afirmou o advogado.

Entre as pessoas que aguardam indenização estão parentes de vítimas, que entraram com os pedidos separadamente. Ainda de acordo com o advogado, os valores de indenização pedidos variam de R$ 5.000 a R$ 500 mil, de acordo com o dano sofrido no desabamento da igreja.

Além das pessoas que tiveram ferimentos e perderam parentes no desabamento, outras famílias, que moram ao lado de onde ficava o tempo, na região do Cambuci, no centro de São Paulo, também reclamam que não receberam ressarcimento dos danos causados em suas residências.

Esse é o caso de Norma Cristina Ribeiro, 53, que afirma ter reformado a casa da mãe com a ajuda dos irmãos. "A queda da igreja provocou danos no telhado, na edícula e no encanamento da casa da minha mãe. Precisamos ficar cerca de 30 dias fora de casa e quando retornamos tivemos que fazer nós mesmos os reparos", afirmou Norma, que vive com a mãe de 81 anos, em uma casa aos fundos do templo.

Outro morador, que pediu para não ter o nome divulgado, afirmou que recebeu uma proposta para que uma construtora, contratada pela Renascer, consertasse os danos em sua casa, mas destaca que após pesquisa, desconfiou da empresa e, por isso, não autorizou a reforma.

Ao todo, oito residências vizinhas à igreja foram interditadas após o desabamento. De acordo com Ana Cláudia Cavalcante, integrante da associação de moradores do bairro e moradora de uma vila localizada ao lado do templo, ao menos cinco casas tiveram danos devido ao desabamento, enquanto as outras foram interditadas por precaução.

Em nota, a assessoria da igreja afirmou que "todas as obras foram efetivadas onde houve consentimento." A Renascer ainda acrescenta que "infelizmente, alguns moradores preferem se opor à solução definitiva, amplamente acordada, e continuar buscando os holofotes da mídia."

Outros imóveis, porém, continuam destruídos. É o caso da edícula nos fundos da casa de Vera Ayb. Os destroços do desabamento ainda estão no local, que continua destelhado e com os vidros quebrados. A proprietária prefere deixar tudo do jeito em que ficou no dia da tragédia enquanto espera uma decisão da Justiça sobre se há ou não responsabilidade da igreja no desabamento.

Gilberto Amatuzzi, presidente da Associação de Moradores do Cambuci, afirma que, como Vera, outros moradores não fecharam acordos com a Igreja e continuam com parte das casas destruída:

- Alguns dos moradores aceitaram a proposta deles, que não cobria tudo o que ocorreu, mas eles acabaram aceitando para poderem voltar a suas casas e a suas vidas. Mas outros ainda esperam o resultado do caso na Justiça para poderem ser indenizados.

Laudo do IC (Instituto de Criminalística) constatou que o desabamento do teto da Igreja Renascer no Cambuci ocorreu por causa da ausência de reforço metálico em uma das tesouras que sustentavam o telhado.

Fontes: R7 - FOLHA

Renascer é impedida de reconstruir templo que desabou em SP

Segundo promotora, alvará não poderia ter sido concedido porque igreja não cumpriu uma série de normas

SÃO PAULO - A Justiça de São Paulo suspendeu nesta quinta-feira, 3, o alvará da Prefeitura que permitia à Igreja Cristã Apostólica Renascer em Cristo reconstruir sua sede na Avenida Lins de Vasconcelos, na zona Sul da capital. No dia 18 de janeiro deste ano, o teto do prédio desabou deixando nove mortos e centenas de feridos.

No pedido feito pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, em ação civil movida pela Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo, a promotora Mabel Schiavo Tucunduva Prieto de Souza sustenta que o alvará não poderia ter sido concedido porque a Igreja Renascer não cumpriu uma série de exigências de normas nos últimos anos.

Caso a decisão seja descumprida, a Igreja Renascer terá que pagar multa diária de R$ 50 mil.

Fonte: O ETADO/ Priscila Trindade

Justiça Federal de SP condena casal Hernandes

Fundadores da Renascer prestarão serviços a entidades filantrópicas.
Crime é de evasão de divisas e cabe recurso em liberdade.

Fundadores da Renascer, Sônia e Estevam Hernandes (Foto: Clayton de Souza/AE)

O juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, condenou o casal Sônia e Estevam Hernandes, fundadores da Igreja Renascer, a quatro anos de reclusão por crime de evasão de divisas. No entanto, o magistrado substituiu a prisão dos réus pela pena de prestação de serviços a entidades filantrópicas. Os dois podem recorrer em liberdade.

Proferida na terça-feira (1º), a sentença de De Sanctis foi divulgada na tarde desta quarta (2).

Em janeiro de 2007, Sonia e Hernandes tentaram entrar nos Estados Unidos com US$ 56 mil não declarados. De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, o dinheiro estava escondido em malas, porta-CD e até uma Bíblia.

A assessoria de imprensa do casal informou, em nota enviada aos jornalistas, que a defesa vai recorrer da sentença. Segundo a assessoria, o advogado do casal, Luiz Flávio Borges D’ Urso, classificou a sentença como “absurda” e já prepara recurso contra a decisão.

Além da prestação de serviços, De Sanctis determinou que os réus paguem 164 dias-multa, tendo cada dia-multa o valor de cinco salários mínimos. Sônia e Estevam também estão proibidos de frequentar determinados lugares pelo tempo da pena aplicada (é a chamada interdição temporária de direitos), como: lojas de luxo, casas de jogos, lotéricas, cassinos e leilão de bens (exceção dos beneficentes).

Diz ainda a sentença do juiz que os dois não podem ir a “países a não ser onde existam templos religiosos próprios e mediante autorização judicial”. No início do processo, o casal havia sido denunciado também pelo crime de falsidade ideológica, mas o próprio Ministério Público Federal retirou essa acusação, mantendo a de evasão de divisas.

Na sentença, o juiz afirma ainda que se forem revogadas as chamadas medidas restritivas de direito (a prestação de serviço a entidades filantrópicas e a interdição temporária de direitos), o casal deve cumprir pena em regime semi-aberto.

Prisão no exterior

Por terem sido pegos no Aeroporto de Miami com os US$ 56 mil escondidos, Sônia e Hernandes tiveram de cumprir pena nos Estados Unidos antes de poder voltar ao Brasil, o que aconteceu no início do mês de agosto.

Após serem presos e julgados, eles foram condenados pelo juiz Federico Moreno do Tribunal Federal do Sul da Flórida a cumprir pena intercalada. No dia 20 de agosto de 2007, Estevam seguiu para a prisão, enquanto Sonia começava a cumprir prisão domiciliar.

No dia 29 de dezembro, ele foi liberado. Em 21 de janeiro de 2008, a bispa seguiu para o regime fechado. Ela foi libertada no dia 7 de junho do mesmo ano. A razão dessa sentença seria manter pelo menos um deles em casa para cuidar dos filhos.

Além da prisão, cada um pagou uma multa de US$ 30 mil à Justiça americana. Eles também tiveram que cumprir dois anos de liberdade vigiada contados a partir da data da divulgação da sentença do juiz americano, dia 17 de agosto. Por isso, só poderiam deixar o país com autorização judicial.

Fonte: G1

Sentença do caso Renascer sai em dias

Julgamento do processo por evasão de divisas de Sonia e Estevam Hernandes terminou, mas juiz adiou decisão.

O que era para ser um julgamento simples se converteu ontem em uma operação da Polícia Federal para buscar uma testemunha que defenderia o casal Estevam e Sonia Hernandes, fundadores da Igreja Renascer.

A defesa tentou postergar e até converter o julgamento em novas diligências para suspender o processo no qual os dois são acusados de crimes de falsidade ideológica e evasão de divisas - em 2007, eles tentaram entrar nos EUA com US$ 56 mil escondidos dentro de malas e de uma Bíblia. O juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal, afastou a possibilidade de adiamento e deve pronunciar a sentença nos próximos dias.

O Ministério Público Federal desistiu de acusar o casal por falsidade ideológica, mas manteve a acusação de evasão de divisas. O advogado Luiz Flávio Borges D"Urso pediu a absolvição de seus clientes, argumentando que não há provas contra o casal no Brasil. "Tecnicamente, para o crime de evasão, o indivíduo precisa ser surpreendido e o dinheiro que eventualmente venha a ser apreendido em quantia acima do valor permitido precisa ser alvo de perícia para saber se não se trata de xerox colorido", disse. A defesa foi entregue por escrito, em 37 laudas. O casal preferiu ficar calado durante a audiência.

A expectativa era que seis testemunhas fossem ouvidas ontem. Duas prestaram depoimento no início da tarde, mas a terceira delas, Sergio Madaleno de Jesus, faltou ao julgamento. A defesa insistiu em ouvi-lo, dizendo que era fundamental ao processo, e desistiu das outras três testemunhas. O juiz De Sanctis decidiu acionar dois policiais federais e dois oficiais de Justiça para procurar a testemunha na rádio e na sede da Igreja Renascer. Também aplicou contra ela multa de 10 salários mínimos e instaurou processo pelo crime de desobediência.

Durante o julgamento, a bispa Sonia demonstrou tensão e chegou a chorar ao lembrar do filho que está internado com graves problemas de saúde.

Fonte: O ESTADO/Eduardo Nunomura

Procuradoria retira denúncia de falsidade ideológica contra casal Hernandes

Processo passa a ser apenas sobre evasão de divisas em 2007.
Quatro testemunhas foram ouvidas em audiência na Justiça Federal de SP.


Fundadores da Renascer chegam ao Fórum Criminal Federal nesta quinta-feira (Foto: Clayton de Souza/AE)

Terminou por volta das 18h desta quinta-feira (26) o segundo e último dia da audiência de instrução dos líderes da Igreja Renascer em Cristo, Sônia e Estevam Hernandes, na 6ª Vara Criminal Federal em São Paulo. A audiência foi sobre o processo que trata de evasão de divisas e falsidade ideológica. Após o término dos depoimentos, a procuradora da república Karen Kahn retirou a acusação de falsidade ideológica e manteve apenas a de evasão de divisas.

A procuradora acredita que, por ser réu primário, o casal deve ser condenado à pena mínima de dois anos. A decisão da Justiça é esperada para os próximos dias.

Das cinco testemunhas de defesa presentes, apenas duas foram ouvidas pelo juiz nesta quinta. A decisão foi tomada pelo advogado que representa o casal, Luiz Flávio Borges D'Urso. O motivo, segundo ele, é que as quatro pessoas já ouvidas - duas no dia anterior - foram suficientes. O casal Hernandes exerceu o direito de permanecer em silêncio durante a audiência.

O casal chegou ao Fórum Criminal Federal, na região da Avenida Paulista, por volta das 14h, e os depoimentos começaram às 14h45. Na audiência de quarta-feira (25), foram ouvidas duas testemunhas de defesa - dois bispos da Renascer que atestaram os "bons antecedentes" dos réus.

O caso se refere ao flagrante da polícia americana, que pegou, em 7 de janeiro de 2007, os dirigentes da Renascer com US$ 56,4 mil escondidos em uma bíblia. Eles cumpriram pena na Flórida (EUA) até conseguirem autorização para retornar ao Brasil.

Para D'Urso, o episódio dos Estados Unidos foi resolvido no próprio país. "Houve um acordo e eles cumpriram a punição de dez meses de privações, sendo cinco meses de prisão em regime fechado”, afirmou o advogado.

Lavagem de dinheiro

Segundo a Agência Estado, Sônia e Estevam estão a um voto de se livrar da acusação de lavagem de dinheiro que lhes é imputada pelo Ministério Público Estadual (MPE). Neste caso, o Ministério Público acusa Estevam e Sônia de terem fundado a Renascer e passado a arrecadar altos valores “às custas de ludibriar fiéis e de deixar de honrar incontáveis compromissos financeiros”.

Prova disso, seria o aumento do patrimônio do casal nos últimos 20 anos.

Dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello e José Antonio Dias Toffoli, da 1ª Turma, já acolheram habeas-corpus impetrado pela defesa do casal e ordenaram o trancamento da ação penal aberta em 2006. A turma é composta por cinco ministros. Se o habeas-corpus em favor deles receber mais um voto favorável, o processo será arquivado.

Segundo a denúncia do MPE, os bispos teriam ocultado bens de origem ilícita. A Promotoria de Justiça sustenta que o crime foi praticado por meio de organização criminosa. É o ponto crucial do julgamento no STF, interrompido pela ministra Cármen Lúcia, que pediu vista dos autos. O Código Penal brasileiro não abriga definição legal para organização criminosa.

Fonte: G1

Casal Hernandes acompanha depoimento de processo que apura sonegação fiscal

Audiência de instrução ouve testemunhas.
Casal foi acompanhar o depoimento e poderá ser ouvido.

O casal Estevam e Sônia Hernandes, fundadores da igreja Renascer em Cristo, deixa o prédio da Justiça Federal em São Paulo após depoimento sobre o processo que apura sonegação fiscal. (Foto: Mastrangelo Reino/Folha Imagem)

Estevam e Sônia Hernandes, fundadores da igreja Renascer em Cristo, foram até a sede da Justiça Federal na tarde desta quarta-feira (25) para acompanhar depoimentos no processo que apura seonegação fiscal.

O casal foi preso no dia 9 de janeiro no aeroporto de Miami depois de tentar passar na alfândega com US$ 56,5 mil, apesar de ter declarado apenas US$ 10 mil.

De acordo com o advogado do casal, Luiz Flávio Borges D'Urso, duas testemunhas de defesa foram ouvidas nesta quarta e outras cinco devem ser ouvidas nesta quinta-feira (26). Somente depois que forem ouvidas todas as testemunhas de defesa é que o juiz poderá decidir se ouvirá o casal ou não. Ainda segundo D'Urso, não há testemunhas de acusação.

Fonte: G1

Líder da Renascer recebe título e evita imprensa

Estevam HernAndes Filho, evita imprensa


SOROCABA - O apóstolo Estevam Hernandes Filho, fundador da Igreja Renascer, evitou falar com a imprensa ao receber o título de Cidadão Sorocabano, hoje à noite, em Sorocaba. Quando chegou cercado pelos seguranças, passou pelos jornalistas sem responder a perguntas sobre as acusações de lavagem de dinheiro e outros crimes pelos quais responde a inquérito.

Polícia responsabiliza igreja e IPT por desabamento do teto da Renascer

A polícia apontou nesta quinta-feira (28) responsáveis pelo desabamento do teto da Igreja Renascer em Cristo, ocorrido em 18 de janeiro. O relatório da polícia diz que houve negligência da igreja e dos técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Segundo o documento, os diretores da igreja contrataram uma empresa sem engenheiro responsável para fazer reformas no telhado em 2008.

Já os técnicos do IPT não teriam feito vistorias. Como a igreja é presidida pelo deputado Geraldo Tenuta Filho, o Bispo Gê, o inquérito pode ser enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que vai decidir se o deputado poderá ser processado. A defesa diz que o laudo da polícia científica isenta a igreja de qualquer responsabilidade. O desabamento da igreja, em janeiro, matou nove pessoas e deixou mais de cem feridos.




Responsabilidades

O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, que representa a Igreja Renascer em Cristo, disse nesta quinta que o laudo do Instituto de Criminalística (IC) “isenta” a igreja de responsabilidades sobre o acidente. A Renascer disponibilizou para a imprensa o laudo com as conclusões dos peritos do IC. A Secretaria da Segurança Pública informou que o delegado responsável pelo inquérito não irá comentar o laudo.

“O inquérito terá um novo rumo porque, na minha avaliação, esse laudo isenta de responsabilidade direta a igreja”, afirmou D’Urso. O laudo divulgado pela igreja aponta como uma das causas do desabamento a ausência de reforço metálico em uma das tesouras que sustentavam o telhado. “Sob aspecto conceitual, entendem os signatários que o tratamento dispensado à maior parte da estrutura (reforços metálicos) deveria ter sido empregado também na tesoura T14, para garantir a homogeneidade de comportamento estrutural do conjunto”, afirma o documento.

O reforço das tesouras ocorreu em uma reforma realizada durante 2000 na sede da Igreja. “Através dos documentos analisados, ensaios de laboratório e outros articuladamente expostos, concluem os peritos que o desabamento ocorreu em face de uma somatória de falhas observadas na reforma da estrutura no decorrer do ano 2000, tendo em vista a ausência de reforço metálico na tesoura T14, o que não foi observado pelos responsáveis e empresas contratadas na época para executar, fiscalizar e atestar os serviços”, diz o relatório.

O IPT teria emitido um relatório, em fevereiro de 2000, atestando que as tesouras T1 a T14 haviam sido reforçadas com vigas metálicas. A imprensa procurou o IPT, mas o instituto não havia se pronunciado até a publicação da reportagem.

Peritos pedem mais prazo para concluir laudo sobre desabamento na Renascer

O inquérito policial que apura as causas do desabamento do teto da sede da Igreja Renascer em Cristo no Cambuci (região central de São Paulo) deve ficar pronto só em abril ou maio. Peritos do IC (Instituto de Criminalística) pediram mais três semanas para realizar exames nas peças retiradas do local do acidente, ocorrido em janeiro.


Desabamento do teto da sede da Renascer deixou 9 mortos e mais de cem feridos; Após um mês, ninguém ainda foi responsabilizado

A expectativa era de que o laudo ficasse pronto até amanhã (6). A Polícia Civil já ouviu mais de 90 pessoas no inquérito.

O teto da igreja desabou por volta das 19h do dia 18 de janeiro, em um horário de transição entre dois cultos. Nove mulheres morreram e mais de cem pessoas ficaram feridas.

Além das vítimas da tragédia, moradores de casas próximas à sede da igreja também foram afetados e tiveram de deixar suas casas --interditadas pela Defesa Civil Municipal para os trabalhos da perícia.

Subprefeitura lacra sede da Rede Gospel em SP

Emissora de TV no Cambuci pertence à Renascer em Cristo. Igreja diz que trabalhar para regularizar imóvel.

A Subprefeitura da Sé, da região central de São Paulo, interditou nesta terça-feira (10) a sede da emissora de TV Rede Gospel, que pertence à Fundação Evangélica Trindade, administrada pela Igreja Renascer em Cristo.

O imóvel, situado no número 1.410 da Avenida Lins de Vasconcelos, no Cambuci, foi lacrado na segunda vistoria feita por técnicos da subprefeitura em fevereiro. Há dez dias, o local foi multado em R$ 9 mil por não entregar a documentação exigida pela administração municipal. Na nova fiscalização, nesta terça, segundo a assessoria da subprefeitura, os documentos novamentes não foram entregues e o local foi lacrado.

Espécie de púlpito eletrônico do casal de líderes da igreja, Sonia e Estevan Hernandes, a sede da Rede Gospel abriga os estúdios do canal e os arquivos de fitas de vídeo. Pelo menos 40 pessoas trabalham diariamente no local.

Segundo o advogado José Fernando Cedeño de Barros, nomeado há dois anos interventor judicial da Rede Gospel, após denúncias do Ministério Público, o imóvel não tem saída de emergência. “Trata-se de uma verdadeira tumba”, diz.

A Renascer divulgou nota afirmando que trabalha atualmente para terminar obras no local e regularizar o imóvel e manterá a Rede Gospel no ar, com material gravado.

Justiça nega pedido do Ministério Público para impedir cultos da Renascer em SP

A Justiça negou o pedido de liminar (decisão provisória) do Ministério Público contra a igreja Renascer que pedia o impedimento da realização de cultos em seus 108 templos na cidade de São Paulo ou qualquer outro local sem alvará ou licença de funcionamento da prefeitura.

A promotora de Justiça de Habitação e Urbanismo Mabel Tucunduva entrou na sexta-feira (30) com uma ação civil pública contra a igreja na tentativa de obrigá-la a regularizar todos os templos na cidade. No dia 18 de janeiro deste ano, o teto da sede da igreja, no bairro do Cambuci (região central de São Paulo), desabou matando nove mulheres e deixou mais de cem feridos.

O Ministério Público chegou a estabelecer uma multa de R$ 2 milhões por culto ou evento irregular. Segundo a Promotoria, a ação é resultado de inquérito após o desabamento em que foi apurado que os templos da Renascer estão em situação irregular por não possuírem licença ou alvará. Além disso, depois do acidente a igreja realizou cultos em locais irregulares, apesar de o presidente da igreja, bispo Geraldo Tenuta Filho, ter assumido dois dias após o acidente, durante audiência no Ministério Público, o compromisso de não realizar cultos em locais sem licença da prefeitura.

Tucunduva argumentou que templo principal da igreja, onde houve o acidente, funcionou ao menos 13 anos sem licença, somados todos os períodos em que não houve renovação do alvará. As investigações da Promotoria mostraram ainda que a Renascer não realizou uma série de obras necessárias para garantir a segurança do público.

Laudo de técnicos do Ministério Público que vistoriaram o local do acidente na semana passada atesta, por exemplo, a existência de cadeiras soltas, embora a Renascer tenha se comprometido, em audiência realizada na Promotoria em 1999, a adotar providências para que todas cadeiras fosse fixadas no chão até o final de agosto daquele ano.

A ação foi recebida pela 2ª Vara da Fazenda Pública, que negou ainda na sexta-feira a concessão de liminar. A Justiça pediu que Tucunduva esclarecesse quais os templos não apresentavam condições legais para funcionamento. A promotora argumentou que a prefeitura comunicou ao Ministério Público que todos os templos da Renascer estão em situação regular e pediu que a Justiça reconsiderasse o pedido.

Nesta segunda-feira, o juiz Marcus Vinicius Onodera negou novamente a concessão de liminar. Segundo o magistrado, a medida poderia ser inconstitucional e esbarraria em dificuldades logísticas para ser aplicada. Ele insistiu que a Promotoria teria de listar quais os templos estariam em situação irregular.

" O artigo quinto da Constituição que: "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias'. O deferimento da tutela de urgência para a cessação de todos os templos, sem a adequada descrição de quais não possuem condições de funcionamento, esbarraria em possível violação a essa garantia constitucional. Sem essa descrição específica, a liminar também esbarraria em enormes dificuldades fáticas e logísticas; fatos que levariam à ineficácia da medida", disse o juiz em sua decisão.

Deputado atestou segurança de Igreja

Vitor Sorano

O deputado estadual José Antônio Bruno (DEM), engenheiro civil, bispo e vice-presidente da Igreja Renascer em Cristo, assinou o documento que garantia as condições de estabilidade e manutenção do sistema de segurança do templo da Avenida Lins de Vasconcelos, no Cambuci, região central da capital. Em declaração ao Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), em 20 de agosto de 2007, ele assegurou que a igreja mantinha as mesmas condições de uso desde a concessão do primeiro alvará, em 2000.

O Contru regularizou o templo em 15 de julho de 2008. Cerca de um ano antes, em 20 de julho de 2007, o órgão exigira a declaração de Bruno, o pagamento de uma taxa e um atestado técnico das instalações elétricas. Pouco depois de um ano da assinatura da declaração, o telhado passou por reforma total. Em setembro, a Etersul trocou 1,6 mil telhas que teriam amianto.

No dia 18 deste mês, o telhado ruiu, nove mulheres morreram e mais de cem pessoas ficaram feridas. A obra, irregular, foi apresentada pelo deputado como argumento de que não houve negligência. "O telhado todo foi trocado no ano passado", disse ele, um dia após a tragédia.

A reportagem teve acesso ao documento assinado por Bruno - folha 109 do processo administrativo iniciado em 2005. O alvará inicial tinha laudo do Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT), que, em 2000, confirmava as condições de segurança. O documento, entretanto, determinava a realização de manutenções periódicas.

A declaração de Bruno era uma das últimas exigências para renovar a licença. Para assiná-la, basta ser representante legal do proprietário - não é necessário registro no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea). O Contru cobrou o documento pela primeira vez em 19 de agosto de 2005, após a Renascer pedir a renovação. A declaração só foi entregue dois anos depois. A Prefeitura, nesse período, aplicou duas multas, mas não interditou o imóvel.

LEGISLAÇÃO

A legislação não exigia que a Prefeitura fizesse nova vistoria nem que o responsável apresentasse provas atualizadas das condições de segurança. Mabel Tucunduva, responsável pelo inquérito no Ministério Público Estadual (MPE), questionou o método. "Diante dos antecedentes, das reclamações de vizinhos e do fato de o imóvel ter passado tanto tempo sem licença, deveria ou não deveria (ter aceitado apenas a declaração do vice-presidente da Igreja)? Seria prudente ir um pouco mais a fundo", afirmou, em 21 de janeiro.

A Renascer defende a integridade de Bruno e afirma que ele assina como representante da Igreja. O deputado não foi convocado para depor na polícia nem no MPE. A Secretaria Municipal de Habitação, questionada sobre prazos, multas e eventual interdição, não se pronunciou.

Nota do Editor:

Nunca vi um país que tenha tanto político safado como este. Pelo amor de Deus.

Associação de moradores faz abaixo-assinado por desapropriação de terreno da Renascer

A Associação de Preservação de Cambuci e Vila Deodoro deve se reunir nesta sexta-feira (30) para organizar um abaixo-assinado para pressionar a Prefeitura de São Paulo a desapropriar o terreno onde fica a sede da igreja Renascer em Cristo, no Cambuci, região central de São Paulo.

O terreno é o mesmo onde ficava o templo da igreja, cujo teto desabou no último dia 18, provocando nove mortes e deixando mais de cem pessoas feridas.

Além do abaixo-assinado, os vizinhos da igreja planejam buscar o apoio de ONGs (organizações não-governamentais) ligadas à cidade de São Paulo. A reunião deve acontecer amanhã de manhã.

Fato é que a destinação do local preocupa os vizinhos, principalmente os de uma vila que fica ao lado do prédio. Algumas casas fazem divisa com as paredes dos fundos e da parede esquerda da estrutura.

Em geral, os vizinhos afirmam que a relação com a igreja nunca foi pacífica. Eles reclamam que a tranquilidade da vila foi quebrada com a presença dos fiéis no entorno.

Em entrevista coletiva concedida um dia após o acidente, o Ministério Público de São Paulo admitiu que já recebeu inúmeras reclamações dos moradores em relação à igreja, especialmente devido ao trânsito e à movimentação de carros na região.

"Uma coisa óbvia é o seguinte: se você tem capacidade aí para 3.000 pessoas, teria de ter um estacionamento para cerca de 1.000 carros, pelo menos. E é claro que aí [no prédio] não tem. Com isso, ocupam as ruas do entorno e muitas vezes temos dificuldades entrar em casa", afirmou Maurício Bonafonte, 44, que já morou em outras casas da vila e hoje prepara a reforma de uma delas, onde pretende morar com a mulher e os filhos.

Outro ponto de discórdia é um portão lateral criado pela igreja --que dá acesso ao batistério e ao altar. Ele fica dentro da rua particular e foi colocado ali, segundo os moradores, de forma arbitrária pela Renascer.

Memorial do cinema

Uma das ideias dos moradores seria transformar o prédio da igreja Renascer em um memorial ao cinema. A proposta é homenagear Antonio Vituzzo, um aficionado colecionador de equipamentos e diversos produtos relacionados ao cinema nacional, que conseguiu reunir cerca de 4.000 peças, entre projetores, rolos de filmes, câmeras, máquinas fotográficas e fotos de diversos artistas da época.

Igreja tem emissora de TV em sede irregular

Prédio no Cambuci nunca passou por vistoria do Corpo de Bombeiros

Rodrigo Brancatelli e Bruno Tavares

Instalada em um galpão com reboco aparente, sem molduras nas janelas, com cara de abandonado, a sede da emissora de TV Rede Gospel está há dois anos e meio com a documentação irregular e nunca passou por vistoria do Corpo de Bombeiros, como determina a legislação municipal. O imóvel fica no número 1.410 da Avenida Lins de Vasconcelos, na região central, a cerca de 300 metros da Igreja da Renascer em Cristo cujo teto desabou há menos de duas semanas e matou nove mulheres. Voltada para o público evangélico neopentecostal, a TV pertence à Fundação Evangélica Trindade, administrada pela Renascer.

Espécie de púlpito eletrônico do casal de líderes da Igreja, Sonia e Estevam Hernandes, a sede da Rede Gospel abriga desde julho de 2006 os estúdios do canal e os arquivos de fitas de vídeo. Pelo menos 40 pessoas trabalham diariamente no local. Segundo o advogado José Fernando Cedeño de Barros, nomeado há dois anos interventor judicial da Rede Gospel depois de denúncias do Ministério Público (MP), o imóvel não tem saída de emergência e muito menos janelas. "Trata-se de uma verdadeira tumba", diz. "Do ponto de vista jurídico, a Fundação Trindade, tentáculo da Igreja Renascer, não encontra a mínima condição de funcionamento: ausência de documentação fiscal ou, na melhor das hipóteses, documentação fiscal irregular, balanço inexistente e contas com saldo negativo."

No primeiro semestre do ano passado, depois de um pedido do MP, a Justiça de São Paulo determinou que o Corpo de Bombeiros fizesse uma inspeção de emergência. O Estado obteve um ofício da Polícia Militar que exemplifica a condição do imóvel - em resumo, a Fundação Trindade nunca obteve auto de vistoria dos bombeiros nem elaborou projeto técnico para conseguir as autorizações necessárias para o funcionamento dos estúdios. "Em razão da anterior ocupação ser de um comércio de veículos e atualmente ser uma Fundação Evangélica, com grande número de concentração de pessoas, sem o devido projeto técnico, o responsável deve adequar os equipamentos necessários de prevenção e proteção a combate de incêndios", diz o documento. "Até que se adote tal providência, a edificação estará irregular perante esta corporação."

A edificação continua irregular até hoje perante os bombeiros, pois ainda não obteve auto de vistoria. Procurada pela reportagem, a Secretaria de Coordenação de Subprefeituras confirmou que não há licença de funcionamento para o endereço. Segundo a Assessoria de Imprensa da Renascer, "já houve adiantamento de várias medidas necessárias para a aprovação do auto de regularização. Detectores de fumaça, pinturas de sinalização, extintores bem localizados, tudo já está instalado e em funcionamento; falta, contudo, um ou outro detalhe, pequeno. Assim, será possível chamar a vistoria".

Ainda de acordo com a assessoria, em novembro do ano passado, a Rede Gospel entrou com os primeiros documentos nos bombeiros, mas ainda não concluiu o processo. Esse não é o único problema da Fundação Trindade. Em setembro de 2007, a Justiça decretou a intervenção da entidade e o afastamento de seu presidente, Estevam Hernandes Filho. Na opinião do juiz Marco Aurélio Costa, da 2ª Vara da Família, há indícios de que a Fundação Trindade se converteu no "grande motor propulsor de arrecadação de dinheiro de fiéis da Renascer".

Na ação penal, o juiz também afirma que "é exposta a ligação íntima da Fundação com outras empresas, todas conexas com a Igreja Renascer, o que a coloca na condição de instrumento utilizado pelos seus dirigentes para a consecução de seus propósitos delituosos".

Bispos da Renascer tinham entrada vip irregular

Vizinhos da Igreja Renascer em Cristo informaram, ontem, que o casal Sônia e Estevam Hernandes --fundadores da igreja-- tinham uma "passagem vip" e irregular para acessar o palco da sede do Cambuci (zona central de SP), cujo telhado desabou no último dia 18. A entrada era feita pela Vila Deodoro, que fica ao lado, a partir de uma área pública, que teria sido usada sem autorização.

O local servia antes para crianças brincarem. Era uma espécie de garagem aberta, que fazia divisa com o estacionamento da igreja. Um fiscal da Subprefeitura da Sé verificará a irregularidade hoje.

A Associação de Preservação do Cambuci e da Vila Deodoro já havia denunciado o problema ao Ministério Público e à prefeitura mas, em cinco anos, a área ainda não foi devolvida à população. O Ministério Público informou que a ordem já foi dada e deveria ter sido cumprida, mas que a fiscalização é de competência do Contru (Departamento de Controle do Uso de Imóveis), ligado à Secretaria de Habitação.

O presidente da associação, Gilberto Amatuzzi, 56 anos, afirmou que a abertura da passagem preferencial é apenas uma das batalhas enfrentadas pelos moradores com representantes da igreja.

"A entidade nasceu para brigar com a Renascer. Em dez anos, já reclamamos de barulho, de excesso de circulação de pessoas e carros e do muro que desabou. Agora, vamos brigar para que o templo não seja reconstruído naquele local", disse Amatuzzi.

Os moradores envolvidos na "briga" querem que a área seja desapropriada pela prefeitura. Eles acreditam que o bairro não comporta o movimento dos fiéis, que tomam as ruas que cercam o templo, e, por isso, organizarão um abaixo-assinado.

Laudo

O laudo que apontará as causas do desabamento deve ficar pronto em, no máximo, 60 dias, segundo o perito do IC (Instituto de Criminalística) José Manoel Dias Alves. O prazo, porém, depende do andamento dos depoimentos. Até ontem, mais de 35 pessoas tinham sido ouvidas.

Ministério Público

A Renascer negou, ontem, que tenha desrespeitado ordem do Ministério Público ao realizar cultos no clube Homs, que não tem alvará. A igreja afirmou que o acordo valia apenas para a sede e o entorno, no Cambuci. O Ministério Público disse que tomará as medidas cabíveis.

Outro lado

A Renascer reconheceu a irregularidade denunciada pelos moradores da Vila Deodoro. Afirmou que vai providenciar a devolução da área usada hoje como garagem, mas pediu paciência aos vizinhos em função da tragédia que matou nove pessoas e deixou mais de cem feridas após o desabamento do telhado da sede no Cambuci.

A igreja assegurou que todas as medidas necessárias já estão sendo tomadas, mas nega que tenha se apropriado da área. A Renascer também não admite que a passagem era de uso exclusivo do casal Hernandes ou do jogador Kaká, como comentaram alguns vizinhos. Eles entrariam pela porta da frente, sem incômodo à vizinhança.

O acesso irregular, segundo informou a igreja, era de "serviço". Por lá, passariam pessoas com equipamentos necessários para a realização dos cultos.

Associação de moradores quer transformar local de prédio da Renascer em memorial do cinema

A Associação de Preservação de Cambuci e Vila Deodoro tem um projeto para transformar o prédio da igreja Renascer, no Cambuci (centro de São Paulo), em um memorial ao cinema. O teto da estrutura desabou no último dia 18 matando nove pessoas e ferindo cerca de 120.

A estimativa é que todo o trabalho de demolição do que sobrou do templo deva se prolongar pelos próximos dez dias. Hoje um dos moradores que está com a casa interditada visitou o local.

O projeto depende de uma série de fatores, o principal deles é definir qual a destinação que a Renascer dará ao local.

A proposta é homenagear Antonio Vituzzo, um aficionado colecionador de equipamentos e diversos produtos relacionados ao cinema nacional, que conseguiu reunir cerca de 4.000 peças, entre projetores, rolos de filmes, câmeras, máquinas fotográficas e fotos de diversos artistas da época.

Fato é que a destinação do local preocupa os vizinhos, principalmente os de uma vila que fica ao lado do prédio. Algumas casas fazem divisa com as paredes dos fundos e da parede esquerda da estrutura. Os mais apreensivos são os moradores de uma vila composta por cerca de 40 sobrados que fica no número 319 da rua Robertson, esquina da rua Lins de Vasconcelos.

As casas --divididas por números que começam no 2, única dica para que o Correios entregue corretamente as correspondências-- estão lá há mais de 50 anos, segundo os moradores.

O comerciante Roberto David Rocha Paiva, 40, não teve a casa destruída, mas diz se solidarizar com os vizinhos. "Não dá pra dormir direito desse jeito, não é porque a minha não foi atingida que ficarei tranquilo", disse. Ele afirma que não quer mais a igreja na região. "É muita bagunça, não quero mais esse transtorno", afirma.

Em geral, os vizinhos afirmam que a relação com a igreja nunca foi pacífica.

O administrador de empresas Maurício Bonafonte, 44, já morou em outras casas da vila e hoje prepara a reforma de uma delas, onde pretende morar com a mulher e os filhos.

"Uma coisa óbvia é o seguinte: se você tem capacidade aí para 3.000 pessoas, teria de ter um estacionamento para cerca de 1.000 carros, pelo menos. E é claro que aí [no prédio] não tem. Com isso, ocupam as ruas do entorno e muitas vezes temos dificuldades entrar em casa", afirma.

Ele destaca que a tranquilidade da vila --onde crianças jogam bolas, brincam na rua particular e onde alguns até fazem churrascos nas calçadas e festas juninas, entre outros-- foi quebrada com a presença dos fiéis no entorno.

Discórdia

Uma discórdia dos moradores é um portão lateral criado pela igreja --que dá acesso ao batistério e ao altar.

Ele fica dentro da rua particular e foi colocado ali, segundo os moradores, de forma arbitrária pela Renascer. Segundo os moradores trata-se do local onde os bispos Estevan Sonia Hernandez entravam --cercados de seguranças-- quando ministravam cultos no local. Também foi o local por onde entrou o craque do Milan, Kaká, para se casar, em 2005.

MP vai à Justiça contra Renascer por não cumprir acordo

O Ministério Público (MP) divulgou na noite desta segunda-feira (26) nota à imprensa afirmando que irá propor medidas judiciais cabíveis contra a Igreja Apostólica Renascer em Cristo, em decorrência de um culto realizado no domingo (25) no Club Homs, na capital paulista.

Segundo o MP, o clube não tem alvará de funcionamento e a Igreja Renascer teria descumprido acordo firmado com o próprio MP na última terça-feira, em que se comprometia a não realizar cultos em locais improvisados.


Ainda segundo a nota, as medidas serão tomadas com base no descumprimento do acordo e após a conclusão da análise de documentos entregues pela igreja e pelo Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) da Prefeitura de São Paulo à promotora de Justiça Mabel Tucunduva de Souza.

A assessoria da igreja informou que a Renascer tinha alvará para realizar o culto e, desde 2005, o Club Homs tem permissão de funcionamento concedida pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Ainda segundo a igreja, o acordo firmado entre a Renascer e o MP previa a não realização de cultos "só nas proximidades do local do acidente". Procurada, a assessoria do Contru disse não poder se pronunciar sobre o assunto, uma vez que a ação corre em sigilo na Justiça.

O Club Homs recebeu pelo menos quatro notificações de multa por realizar eventos antes de apresentar alvará de funcionamento. O clube estava proibido de realizar qualquer tipo de evento. Neste domingo (25), ao G1, a assessoria do Club Homs disse que só vai se pronunciar após o fim do prazo de cinco dias dado pela prefeitura.

Prefeitura de SP multa novamente clube que "abriga" cultos da Renascer

A prefeitura de São Paulo aplicou duas multas ao clube Homs na tarde deste domingo devido a realização de cultos da igreja Renascer, cujo teto da sua sede desabou no último domingo (18), causando a morte de nove pessoas e deixando uma centena de feridos. O local já havia sido multado nesta sexta-feira (23) em cerca de R$ 34,5 mil por falta de alvará de funcionamento.

Segundo a assessoria da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, o clube não poderia realizar eventos porque foi intimado na sexta a apresentar o alvará de funcionamento em um prazo de cinco dias.

Assista ao vídeo do momento do desabamento do telhado da Igreja Renascer
Veja a cobertura completa sobre o desabamento na Renascer

O clube, localizado na avenida Paulista, foi multado em R$ 1.800 às 15h deste domingo por realizar um culto sem a permissão da prefeitura e novamente às 17h recebeu outra multa de R$ 1.800 pelo mesmo motivo. Na noite deste sábado (24), o clube já havia sido multado pelos fiscais da prefeitura em R$ 1.800 devido à realização de um casamento no local.

A assessoria da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras não soube informar quando acaba o prazo do clube para a apresentação do alvará de funcionamento, mas vai apurar se os cinco dias são corridos ou úteis.

Demolição

A demolição do que restou da sede da igreja Renascer, no Cambuci (centro de São Paulo), foi suspensa no final da manhã deste domingo após a retirada da viga que ameaçava cair sobre as casas vizinhas. De acordo com a Defesa Civil, mesmo com a retirada da viga, ainda há preocupação de que a parede atinja os imóveis.

"Risco iminente de desabar não há mais, mas é uma parede de 12 metros. Agora, ela está alinhada. Mas ainda há preocupação", disse o coronel Orlando Rodrigues Camargo Filho, coordenador da Defesa Civil.

Para retirar a viga, na manhã deste domingo, a Defesa Civil isolou uma vila ao lado do templo. O aposentado Ney Gomes, 90, precisou deixar sua casa. "Espero que amanhã não precise sair mais", desabafou. Ao todo, oito casas e parte de um comércio das redondezas da igreja ainda permanecem interditados.

Para evitar o desabamento sobre as casas, a empresa contratada para a demolição prendeu um cabo de aço na parede, que está sendo demolida aos poucos. Um funcionário da empresa, içada por um guindaste, usa uma marreta para derrubar os tijolos, de cima para baixo.

Por conta do risco, os trabalhos, que se iniciaram na sexta-feira (23) à tarde, foram prolongados até o início da noite de sábado, e na manhã deste domingo. Segundo o secretário municipal de Subprefeituras, Andrea Matarazzo, os trabalhos no final de semana foram autorizados.

"Avisaram a subprefeitura, que autorizou. É preciso minimizar ao máximo os riscos", disse.
O trabalho de demolição deve ser retomado somente nesta segunda-feira, a partir das 8h.

Clube Homs, que ia "abrigar" Renascer, está irregular

A Prefeitura de São Paulo multou ontem o clube Homs, na av. Paulista, por falta de alvará de funcionamento. O clube havia sido o local escolhido pela Renascer para receber amanhã os fiéis que frequentavam a sede no Cambuci, que desabou no domingo passado.

Além da multa, de R$ 34.537,71 (R$ 2 por metro quadrado), o clube tem cinco dias para apresentar os documentos para regularizar o imóvel sob o risco de nova multa e de interdição. O clube informou que cancelou os cultos da Renascer previstos para amanhã.

Em documento assinado no Ministério Público, a Renascer se comprometeu a não realizar eventos em locais não autorizados pelo município. O clube informou que está sem alvará porque passa por reformas.

Ontem, a Assembleia de Deus, local onde foi realizado quarta-feira um culto da Renascer com a presença de cerca de 5.000 pessoas, foi multada em R$ 22.039,40 pela Subprefeitura da Mooca também por falta de alvará. Segundo a Secretaria das Subprefeituras, o alvará da igreja venceu em novembro de 2007.

Edna Andrade de Souza, advogada da Assembleia de Deus, disse ontem que a igreja tem toda a documentação que comprova a regularidade do imóvel. "A igreja está legalmente munida de documentos para manter o funcionamento. A multa é passível de recurso."

Imagens mostram desabamento do teto do templo da Renascer

Câmera de segurança ficava em uma parede no fundo da igreja. Bombeiros também registraram imagens durante os resgastes.

Um documento exclusivo: uma câmera de segurança registrou a tragédia na Igreja Renascer em Cristo, no Cambuci, que nesta sexta-feira (23) completou cinco dias. O Jornal Nacional obteve as imagens gravadas com exclusividade. O equipamento estava instalado na parede do fundo, sobre o altar e mostra as fileiras do meio para a frente do templo.



A gravação começa no fim de um dos cultos de domingo passado (18). No início das imagens, a igreja está lotada. No altar, um pastor. O culto termina. Algumas crianças vão para o altar enquanto os outros fiéis deixam a igreja pelas portas laterais.

De repente, o teto vem abaixo de uma só vez. Um nuvem de poeira sobe. O desabamento ocorre pouco antes das 19h.

Com a imagem parada, dá para ver os momentos mais dramáticos: primeiro, as pessoas olhando para cima, apavoradas. Depois, a estrutura do teto cai e começa a correria. Nos 15 segundos seguinte, só se vê poeira.

Quando a poeira baixa, um casal de mãos dadas anda sobre os escombros. O homem olha para cima. As imagens mostram o desespero de quem não foi atingido e tenta ajudar as pessoas soterradas.

O pastor tira um pedaço de madeira do caminho e arranca a gravata. Um rapaz usa outros pedaços que caíram do teto para escorar uma parede. Em seguida, traz uma cadeira. O pastor fala pelo telefone e leva a mão à cabeça. Ao fundo, quem escapou ajuda a socorrer os feridos.

As imagens terminam logo depois que o pastor abraça um dos rapazes que ajudam no resgate. A reportagem do Jornal Nacional também teve acesso ao vídeo que o Corpo de Bombeiros gravou na noite que o teto do templo caiu, enquanto as equipes vasculhavam os escombros à procura de vítimas.

As imagens gravadas pelos bombeiros vão ajudar a esclarecer as causas do desabamento. A polícia já ouviu 35 pessoas. E neste sábado (24), os peritos começam a montar um quebra-cabeça. Eles vão juntar os pedaços de madeira dos escombros para reconstituir as 14 tesouras – estruturas em forma de triângulo que sustentavam o telhado. Desta forma, esperam identificar onde e por que o telhado desabou.

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