Um ano após desabamento, terreno da igreja Renascer segue vazio no Cambuci

Decisão da Justiça suspendeu obras de reconstrução da sede na zona sul de São Paulo


Terreno em que funcionava a sede da igreja Renascer no Cambuci continua vazio/Daia Oliver/R7

Um ano após o desabamento do teto da Igreja Renascer em Cristo no Cambuci, zona sul de São Paulo, o terreno da sede continua vazio e as famílias das vítimas ainda não foram indenizadas. Na tragédia, ocorrida no dia 18 de janeiro de 2009, nove pessoas morreram e cerca de cem ficaram feridas. Além da própria sede da Renascer, casas de uma vila nos fundos da igreja também foram destruídas.

Na tarde do sábado (16), a reportagem do R7 foi até o local do desabamento e constatou a paralisação das obras da igreja. O terreno está vazio desde o início de dezembro, quando a Justiça paulista concedeu uma liminar ao Ministério Público estadual suspendendo o alvará da Prefeitura de São Paulo que autorizava a reconstrução. No seu pedido, a promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo disse que a igreja descumpriu exigências técnicas nos últimos anos em relação à sede, como um número de pessoas superior ao permitido durante os cultos.

A assessoria da Renascer informou que irá entrar com recurso pedindo o retorno das obras. O R7 tentou falar com a assessoria da Lucena Arquitetura, responsável pelo projeto de reconstrução da Renascer, mas nenhum dos nossos telefonemas foi atendido.


Terreno em que funcionava a sede da igreja Renascer no Cambuci continua vazio/Daia Oliver/R7

Além do terreno continuar vazio, um ano após a tragédia no Cambuci as famílias das vítimas ainda não foram indenizadas. Em nota, a Renascer informou que “todos os temas relacionados ao acidente encontram-se sub judice [em segredo de Justiça]” e que por isso não poderia comentar o assunto, mas confirmou que nenhuma indenização foi paga. Mesmo assim, a igreja afirma ter custeado todas as despesas médicas dos feridos, os enterros dos mortos e a reforma de algumas das casas atingidas pelo desabamento.

Ao menos 12 vítimas do desabamento da igreja Renascer, ocorrido há exato um ano, estão com processos em andamento do Tribunal de Justiça de São Paulo para conseguir indenização após a tragédia que matou nove pessoas e deixou mais de cem pessoas feridas.

De acordo com o advogado Ademar Gomes, representante das vitimas, os processos foram a única forma encontrada pelas pessoas que tiveram ferimentos ou perderam parentes na tragédia, uma vez que nenhum acordo foi estabelecido com a igreja. "Sem conciliação, as vitimas não tiveram outro caminho", afirmou o advogado.

Entre as pessoas que aguardam indenização estão parentes de vítimas, que entraram com os pedidos separadamente. Ainda de acordo com o advogado, os valores de indenização pedidos variam de R$ 5.000 a R$ 500 mil, de acordo com o dano sofrido no desabamento da igreja.

Além das pessoas que tiveram ferimentos e perderam parentes no desabamento, outras famílias, que moram ao lado de onde ficava o tempo, na região do Cambuci, no centro de São Paulo, também reclamam que não receberam ressarcimento dos danos causados em suas residências.

Esse é o caso de Norma Cristina Ribeiro, 53, que afirma ter reformado a casa da mãe com a ajuda dos irmãos. "A queda da igreja provocou danos no telhado, na edícula e no encanamento da casa da minha mãe. Precisamos ficar cerca de 30 dias fora de casa e quando retornamos tivemos que fazer nós mesmos os reparos", afirmou Norma, que vive com a mãe de 81 anos, em uma casa aos fundos do templo.

Outro morador, que pediu para não ter o nome divulgado, afirmou que recebeu uma proposta para que uma construtora, contratada pela Renascer, consertasse os danos em sua casa, mas destaca que após pesquisa, desconfiou da empresa e, por isso, não autorizou a reforma.

Ao todo, oito residências vizinhas à igreja foram interditadas após o desabamento. De acordo com Ana Cláudia Cavalcante, integrante da associação de moradores do bairro e moradora de uma vila localizada ao lado do templo, ao menos cinco casas tiveram danos devido ao desabamento, enquanto as outras foram interditadas por precaução.

Em nota, a assessoria da igreja afirmou que "todas as obras foram efetivadas onde houve consentimento." A Renascer ainda acrescenta que "infelizmente, alguns moradores preferem se opor à solução definitiva, amplamente acordada, e continuar buscando os holofotes da mídia."

Outros imóveis, porém, continuam destruídos. É o caso da edícula nos fundos da casa de Vera Ayb. Os destroços do desabamento ainda estão no local, que continua destelhado e com os vidros quebrados. A proprietária prefere deixar tudo do jeito em que ficou no dia da tragédia enquanto espera uma decisão da Justiça sobre se há ou não responsabilidade da igreja no desabamento.

Gilberto Amatuzzi, presidente da Associação de Moradores do Cambuci, afirma que, como Vera, outros moradores não fecharam acordos com a Igreja e continuam com parte das casas destruída:

- Alguns dos moradores aceitaram a proposta deles, que não cobria tudo o que ocorreu, mas eles acabaram aceitando para poderem voltar a suas casas e a suas vidas. Mas outros ainda esperam o resultado do caso na Justiça para poderem ser indenizados.

Laudo do IC (Instituto de Criminalística) constatou que o desabamento do teto da Igreja Renascer no Cambuci ocorreu por causa da ausência de reforço metálico em uma das tesouras que sustentavam o telhado.

Fontes: R7 - FOLHA

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