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Lula deve sancionar lei de mudanças climáticas hoje

Lei Climática aprovada com alguns vetos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sancionar nesta segunda-feira (28) a lei que institui a Política Nacional de Mudanças Climáticas no país, com três vetos ao texto aprovado pelo Congresso Nacional.

O presidente manteve a meta de redução das emissões de gases de efeito estufa no país entre 36,1% e 38,9% até 2020, mas o governo ganhou tempo para discuti-la antes de torná-la oficial.

A lei prevê a edição de decreto presidencial para estabelecer como a meta será atingida, com o seu detalhamento específico a ser cumprido por cada setor da economia do país.

O decreto, segundo o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), deve ser editado pelo governo federal em fevereiro de 2010 --quando vai oficializar a meta brasileira. Até lá, o governo vai discutir com setores da sociedade civil e governos estaduais a redução nos gases de efeito estufa.

Minc disse que, apesar de internacionalmente a Cúpula sobre Mudanças Climáticas de Copenhague ter sido considerada um fracasso, o Brasil vai "fazer a sua parte" ao cumprir as metas prometidas durante o encontro.

"Não interessa se Copenhague não terminou bem. O Brasil ficou bem na fita, vamos fazer a nossa parte, cumprir as nossas metas. Vamos fazer o dever de casa", disse o ministro.

Entre os vetos determinados por Lula ao texto da Política Nacional de Mudanças Climáticas, está o que retira a palavra "abandono" de um artigo que previa o abandono " paulatino de uso de fontes energéticas que usem combustíveis fósseis".Sob a pressão do Ministério de Minas e Energia, Lula decidiu retirar a expressão do texto. Se ela fosse mantida, o país estaria impedido no futuro de utilizar combustíveis fósseis na produção de energia.

Outro veto retira do texto a possibilidade de se contingenciar recursos do governo utilizados para a redução dos gases. Segundo a área técnica do Executivo, o contingenciamento de recursos orçamentários só pode ser autorizado por meio de lei complementar --e não por lei ordinária, como é o caso da Política Nacional de Mudanças Climáticas.

O terceiro veto de Lula à lei, segundo Minc, retira do texto a prioridade para o uso de pequenas usinas hidrelétricas na produção de energia. Pelo texto original, o governo deveria desestimular a produção de energia pelas médias e grandes usinas. Por pressão do Ministério de Minas e Energia, Lula retirou do texto a prioridade para as pequenas usinas.


"As hidrelétricas de médio e grande porte também são energia renovável. O texto dava a entender que as médias e grandes não seriam estimuladas", explicou Minc.

Comentário do BGN

Os vetos foram acertados. Fica evidente que faltou aos congressistas a inteligência necessária para a formulação de tão importante projeto. Melhor o eleitor votar de forma mais inteligente na próxima vez, evitando-se assim a eleição de políticos de QI baixo.

Fonte: FOLHA/GABRIELA GUERREIRO

Doutrina antiterrorismo seria útil na questão climática, defende articulista

Teoria do evento de baixa probabilidade e alto impacto seria aplicável.
Leia artigo de Thomas Friedman, publicado no ‘New York Times’.


Evidentemente, Dick Cheney jamais aceitaria tal aplicação de sua doutrina (Foto: Doug Mills/The New York Times)

Em 2006, Ron Suskind publicou "The One Percent Doctrine", um livro sobre a guerra dos Estados Unidos contra o terrorismo após o 11 de Setembro . O título foi tirado da avaliação do então vice-presidente Dick Cheney: “Se existe 1% de chance de que cientistas paquistaneses estejam ajudando a al-Qaeda a construir ou desenvolver uma arma nuclear, temos de tratar a questão como certa”. Cheney sustentava que os Estados Unidos tinham de confrontar um novo tipo de ameaça, um “evento de baixa probabilidade e alto impacto”.

Quando vejo um problema que tem apenas 1% de probabilidade de ocorrer e é irreversível e catastrófico, eu faço um seguro...

Logo após a publicação do livro de Suskind, o jurista Cass Sunstein, que na época estava na Universidade de Chicago, apontou que Cheney parecia estar endossando o mesmo “princípio de precaução” que também motivava os ambientalistas.

... Levar a sério as mudanças climáticas é isso

Sunstein escreveu em seu blog: “Segundo o princípio da precaução, é adequado responder agressivamente a eventos de baixa probabilidade e alto impacto – como as mudanças climáticas. De fato, pode-se compreender que outro vice-presidente – Al Gore – defende o princípio da precaução para as mudanças climáticas (embora ele acredite que as chances de acontecer um desastre sejam muito maiores de 1%)”.

Dick Cheney jamais aceitaria essa analogia, é claro. De fato, muitas pessoas, as mesmas que defenderam a doutrina do 1% de Cheney em relação às armas nucleares, agora nos dizem para não nos preocuparmos com o catastrófico aquecimento global – quando, na verdade, as chances de desastre são muito maiores que 1%, se as coisas forem mantidas como estão.

Mas o instinto de Cheney é exatamente a base adequada para lidar com a questão do clima – e toda essa controvérsia do “ climagate ”.

O “climagate” foi deflagrado em 17 de novembro, quando uma pessoa não identificada hackeou e-mails e arquivos de dados da Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia, um dos principais centros de ciências climáticas do mundo. Depois, postou os arquivos na internet.

Em pouco tempo, eles revelaram alguns importantes climatologistas aparentemente “recauchutando” dados para mostrar um aquecimento global mais forte e excluir pesquisas com conclusões diferentes.


Charge na 'Nature' ironiza 'Climagate' (Foto: reprodução Nature)

Francamente, acho muito decepcionante ler um importante cientista do clima escrevendo que ele usou um “truque” para “esconder” uma suposta queda na temperatura ou que omitiu pesquisas discordantes do público. Sim, a comunidade que nega o aquecimento global, financiada pela grande indústria do petróleo, publicou vários tipos de estudos pseudo-científicos por anos – e o mundo nunca fez um grande barulho em torno disso. No entanto, essa não é uma desculpa para que climatologistas sérios não obedeçam aos padrões científicos.

Pingos nos is

Dito isto, falemos sério: a evidência de que nosso planeta, desde a Revolução Industrial, tem estado em uma ampla tendência de aquecimento fora dos padrões de variação normais – com fases periódicas de micro-resfriamento – tem sido documentada por uma variedade de centros de pesquisa independentes.

Como relatou recentemente o “New York Times”: “Apesar das recentes flutuações na temperatura ano após ano, que alimentaram alegações de resfriamento global, uma tendência contínua de aquecimento global não dá sinais de acabar, segundo uma nova análise da Organização Mundial de Meteorologia . Os anos 2000 provavelmente correspondem à década mais quente nos registros modernos.”

Instinto de Cheney é exatamente a base adequada para lidar com a questão do clima

Isso não é complicado . Sabemos que nosso planeta é envelopado por um lençol de gases do efeito estufa que mantêm a Terra em uma temperatura confortável. À medida que bombeamos mais dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa no lençol, vindos de carros, prédios, agricultura, florestas e indústria, mais calor fica preso ali.

O que não sabemos, porque o sistema climático é bastante complexo, é que outros fatores podem, com o tempo, compensar o aquecimento causado pelo homem, ou a rapidez com que as temperaturas podem aumentar, derreter mais gelo e aumentar o nível do mar.

É um jogo de azar. Nunca estivemos aqui antes.

Só sabemos duas coisas: uma é que o CO2 que lançamos na atmosfera permanece ali por muitos anos, então é “irreversível” em tempo real (com exceção de alguns avanços na geoengenharia); a outra é que o acúmulo de CO2 tem o potencial de liberar um aquecimento “catastrófico”.

Quando vejo um problema que tem apenas 1% de probabilidade de ocorrer e é “irreversível” e potencialmente “catastrófico”, eu faço um seguro. Levar a sério as mudanças climáticas é isso.

Nada a perder

Se os americanos se prepararem para as mudanças climáticas construindo uma economia de energia limpa, mas as mudanças climáticas acabarem sendo um alarme falso, qual seria o resultado?

Durante um período de transição, os preços de energia seriam mais altos.

Porém, gradualmente, eles estariam dirigindo carros elétricos movidos a bateria e cada vez mais suas casas e fábricas teriam energia eólica , solar e nuclear, além de biocombustíveis de segunda geração.

Eles dependeriam menos dos ditadores do petróleo que grudaram um alvo em suas costas; o déficit da balança comercial melhoraria; o dólar se fortaleceria; e o ar que os americanos respirariam seria mais limpo. Resumindo, como país, os Estados Unidos seriam mais fortes, mais inovadores e mais independentes em relação à energia que consomem.

No entanto, se os americanos não se prepararem, e as mudanças climáticas acabarem sendo uma verdade, a vida neste planeta poderia virar um inferno, literalmente. É por isso que eu defendo a maneira Cheney de encarar a questão climática – nos preparando para 1%.

Fontes: Thomas L. Friedman/ The New York Times - G1

Dilma e Serra em Copenhague

José Goldemberg

Os dois principais candidatos à sucessão do presidente Lula participaram da Conferência do Clima que se reuniu durante as duas últimas semanas em Copenhague. O que isso significa é que preocupações com o clima deixaram de ser privilégio dos especialistas e amantes da natureza para entrar na agenda política. Os candidatos prepararam seus discursos não só para impressionar os participantes da conferência, mas, principalmente, os eleitores brasileiros, sobretudo aquela parte do eleitorado que não se preocupa apenas com Bolsa-Família.

A ministra Dilma Rousseff apresentou no caderno Aliás de 13 de dezembro suas visões sobre o problema e o governador José Serra expressou as dele na apresentação que fez, juntamente com o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, na terça-feira, dia 15, em concorrida sessão na capital dinamarquesa.

A ministra repetiu no seu artigo a posição histórica do governo federal, que não muda há muitos anos, incluindo o período do governo Fernando Henrique Cardoso:

Os países industrializados são os que têm de reduzir primeiro suas emissões por causa da "dívida acumulada com o planeta" (responsabilidade histórica). A Convenção do Clima e o Protocolo de Kyoto são intocáveis porque isentam os países em desenvolvimento de reduzir suas emissões.


Os países industrializados têm de pagar pelas ações necessárias nos países em desenvolvimento - nunca fica claro se é por meio de financiamentos (o que o Banco Mundial já faz) ou de concessões a "fundo perdido" que não são reembolsáveis.

Essas colocações são obsoletas e foram superadas pelos fatos. Em 1992, quando a Convenção do Clima foi adotada, os países em desenvolvimento emitiam menos de um terço das emissões mundiais. Hoje emitem metade e estão crescendo a 4% ao ano, principalmente por causa da China, que já é o maior emissor mundial. Cerca de metade das emissões mundiais ocorreu desde 1980, de modo que a "responsabilidade histórica" é difícil de justificar. Além disso, as "ações necessárias" não são do tipo que foi preciso para enviar um homem à Lua, mas tecnologias simples e disponíveis.

No caso brasileiro, aliás - em que a maioria das emissões se origina no desmatamento da Amazônia -, não é necessária nenhuma tecnologia nova, mas a presença do poder público na região, regularização da propriedade da terra e estimular alternativas de desenvolvimento que não sejam predatórias.

No caso da China, isentá-la de assumir compromissos de reduzir suas emissões (que, por sinal, ela já está fazendo com o uso mais eficiente de energia) é também difícil de justificar.

A posição tradicional do Itamaraty, que a ministra agora endossa, sempre se baseou na tentativa de manter coeso o "Grupo dos 77" (que tem mais de 120 países), incluindo os mais pobres da África e da Ásia, como Sudão e Tuvalu, que realmente necessitam de assistência técnica e financeira. Usá-los como desculpa para não reduzir as emissões na China, na Índia, na África do Sul e em outros países com economia pujante pode ser boa política no tabuleiro político das Nações Unidas, mas reflete uma falta de compreensão real da gravidade dos problemas que estão sendo criados pelo aquecimento global.

É por essas razões que a retórica da ministra de que o Brasil está no grupo dos países dos quais se esperam ações voluntárias (mas que, apesar disso, apresentou em novembro as metas de reduzir as emissões em nosso país entre 36,1% e 38,9% do que se estima que elas serão em 2020) é um exercício de futurologia e impressiona pouco. Em primeiro lugar, a precisão dos números (até com casas decimais) tenta passar uma imagem de segurança técnica que inexiste nessa área. Em segundo lugar, o governo federal só fez isso depois de um amplo movimento nacional que o forçou a abandonar o seu imobilismo - e seria generoso da parte da ministra reconhecer isso. Em terceiro lugar, a insistência na palavra "voluntárias" acaba por desorientar as pessoas. Se as metas são mesmo para valer, qual é a diferença entre metas voluntárias e "legalmente vinculantes", que é a linguagem dos tratados internacionais?

Em contraste, o discurso do governador Serra, tal como o do governador Schwarzenegger, é exemplo de discurso adulto, que reconhece claramente que estamos todos contribuindo para o aquecimento do planeta e precisamos tomar providências concretas e efetivas para evitá-lo, independentemente do que os outros estão fazendo e tampouco exigindo que nos paguem por fazer o que não é mais do que nossa obrigação com a saúde do planeta.

O governador Serra não condicionou suas ações a benesses internacionais, mas explicou que a lei adotada em São Paulo pretende reduzir as emissões do Estado em 20% (abaixo do nível de 2005) até 2020, por meio de um conjunto de políticas públicas que, ao contrário de frear o desenvolvimento paulista, vai estimulá-lo pela adoção de tecnologias mais modernas, mais eficientes e, portanto, menos poluentes.

A ministra tenta dar às propostas do Brasil (feitas em novembro) o papel de desencadear ações de outros países e atribuir, portanto, ao Brasil um papel de liderança no processo. As medidas em preparação nos outros países (como China, Índia e EUA) são bem conhecidas há vários meses e o Brasil foi um retardatário nas discussões, exceto pelos progressos na redução do desmatamento da Amazônia, que são mérito da então ministra Marina Silva.

Liderar teria sido reunir os principais emissores entre os países em desenvolvimento - que se contam nos dedos - e apresentar uma proposta comum, assumindo as suas responsabilidades e se afastando de retórica inútil de "culpar os outros".

José Goldemberg, professor da Universidade de São Paulo, foi secretário do Meio Ambiente da Presidência da República em 1992, durante a Conferência do Clima no Rio de Janeiro


Fonte: O ESTADO

Acordo climático traz à tona falhas da ONU

As principais negociações aconteceram entre aproximadamente 30 países


Um tímido acordo climático foi alcançado no sábado (19) depois que duas semanas de negociações se recuperaram após quase caírem por terra. O resultado deixou clara a vulnerabilidade do processo da ONU, que depende de um consenso, e pode marcar a diminuição da importância do órgão.

As principais negociações aconteceram entre aproximadamente 30 países, e o mais importante resultado envolveu apenas cinco deles: Estados Unidos, China, Brasil África do Sul e Índia. O acordo final não tem força legal e deixa em aberto a adesão dos países. O resultado fica distante da convenção climática ampla da ONU (Organização das Nações Unidas).

"Não acho que seja o fim para o papel ambiental da ONU, mas é um novo modelo dentro do arcabouço," disse Jennifer Morgan, diretora do programa de energia e clima do Instituto dos Recursos Mundiais.

Ela apoiou "absolutamente" o papel dos chefes de Estado. Líderes mundiais voaram para Copenhague para participar dos últimos dias de reuniões, e o presidente Barack Obama foi importante para conseguir acabar com o impasse. "Acho que essa é a história dessa conferência. Os chefes de Estado chegaram aqui e fizeram um acordo um pouco independente do processo da ONU. [Mas] ainda haverá muitos papéis importantes para a Convenção Climática da ONU."

O secretariado de mudanças climáticas da ONU ajudaria a monitorar as ações de países em desenvolvimento para controlar as emissões de gases causadores do efeito estufa, uma das questões mais complicadas da conferência da ONU, disse Morgan, como exemplo de papéis que a comissão poderá desempenhar.

Decisões da ONU têm de ser feitas por unanimidade entre países diferentes como os EUA e pequenas ilhas do Pacífico como Tuvalu, que tem apenas 12 mil habitantes. Essa regra ameaçou inviabilizar a conferência de Copenhague, que aconteceu de 8 a 17 de dezembro --alguns países em desenvolvimento insistiram que qualquer texto fosse revisado numa sessão plenária com os 193 países-membros.

Fontes dizem que os anfitriões dinamarqueses estavam relutantes em fazer isso, com medo de que levaria muito tempo para o grupo criar uma versão preliminar do texto, algo que poria a perder vários dias de negociações. Na última noite, uma sessão plenária ilustrou claramente o problema que é chegar a uma opinião unânime sobre uma versão final do texto.

A intervenção direta do secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, foi necessária para resgatar o Acordo de Copenhague. Ban mediou o acordo para que países que estavam relutantes em assiná-lo, como a Venezuela e a Bolívia, participassem.

A decisão de sábado apoiou o objetivo de se criar um fundo anual de 100 bilhões de dólares até 2020 para ajudar os países pobres a lutar contra as mudanças climáticas. Ela também aceitou a opinião científica de que é importante limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius. Não houve metas de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa e nenhum compromisso de que todos os países um dia vão assinar o tratado que sucederá o Protocolo de Kyoto.

Economias

A principal autoridade ambiental da ONU, Yvo de Boer, disse que era exatamente o trabalho das Nações Unidas criar uma solução para um problema global, que pode causar um impacto aos países menos poderosos politicamente. "Pode-se argumentar que seria muito mais eficiente apenas abordar as mudanças climáticas nos encontros do Grupo dos 20," cujos membros são responsáveis pela maioria das emissões de carbono, disse ele.

"[Mas] não está certo do ponto de vista tanto ambiental quanto da igualdade", porque isso excluiria muitos países, "que já estão na linha de frente das mudanças ambientais".

Parte da razão de ser da ONU, disse de Boer, "é assegurar que abordemos temas globais como as mudanças climáticas de modo igualitário, levando em conta as preocupações de todos." A contagem regressiva para um acordo na sexta-feira envolveu 28 países, dizem fontes, inclusive países desenvolvidos como os EUA, a Europa e outros países emergentes grandes, como a Índia, a China e pequenos ilhas-Estado como Granada e as Maldivas.

O agrupamento acabou por se concentrar nas maiores economias, um grupo de negociações climáticas que lembrava o Fórum das Maiores Economias, um grupo que o ex-presidente americano George W. Bush reuniu para discutir o tema paralelamente à ONU e que muitos acusam de ter impedido um acordo mais amplo antes.

O resultado incompleto de Copenhague demonstra "uma fraqueza inerente" do processo de negociação sobre o meio ambiente da ONU, disse Andrew Light, coordenador de política internacional de clima no Centro para o Progresso Americano. "Precisamos começar a buscar outras opções, ou pelo menos começar a usar alguns fóruns alternativos," disse ele, sugerindo o G20 e o Fórum das Maiores Economias.

Mas muitos países apoiaram com veemência o papel das Nações Unidas, exatamente porque ela preservou sua voz. "Não se pode chegar a um acordo que envolva apenas um número limitado de países," disse o embaixador brasileiro responsável por mudanças climáticas, Sergio Serra.

"Talvez em algumas ocasiões isso possa ser um motor para mobilizar os outros, mas eles nunca vão fazer um acordo sozinhos, porque o acordo não terá legitimidade. Portanto, a ONU continuará no centro de tudo isso."

"O processo da ONU é seguro," disse Dessima Williams, chefe da aliança de pequenos países-ilha. "Acho que houve questões de confiança, mas não acho que o processo desandou. O que é necessário agora é remendar alguns buracos e, sim, construir um pouco de confiança em torno do resultado da conferência."

Fontes: FOLHA - Reuters / GERARD WYNN

Acordo sobre clima dá vitória limitada a Obama

Obama disputou a presidência dos EUA em 2008 prometendo mudanças na política climática.

COPENHAGUE (Reuters) - O acordo sobre o clima negociado pelos Estados unidos e outros países com grandes emissões de carbono vai permitir que o presidente norte-americano, Barack Obama, clame uma vitória limitada, mas suficiente para dar novo fôlego a seus esforços para aprovar projetos no Congresso.

Depois de duas difíceis semanas de intensas negociações entre representantes de 193 países, Obama chegou à conferência nas horas finais e fechou os detalhes de um acordo em um encontro pessoal com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao.

Os dois homens representam os países que lideram a emissão mundial de dióxido de carbono --o gás do efeito estufa, que os cientistas temem que possa arruinar o planeta.

Autoridades dos Estados Unidos foram rápidas em destacar que esse acordo, o qual ainda requer duras negociações sobre seus detalhes nos próximos 12 meses, ficou aquém do que os cientistas acham que os países precisam fazer para evitar inundações e secas potencialmente catastróficas, resultantes do aquecimento global.

Mas Obama disputou a presidência dos EUA em 2008 prometendo mudanças, depois de oito anos de antagonismo do governo Bush em relação à obrigação de reduzir emissões de carbono. O novo presidente dos EUA pode dizer que cumpriu uma grande promessa de campanha, a de começar a controlar o aquecimento do mundo.

A seus críticos, Obama também pode dizer que arrancou algumas concessões de grandes nações em desenvolvimento, a China, a Índia e a África do Sul. Pela primeira vez um acordo internacional vai incorporar promessas de redução de carbono desses países.

Isto poderá tirar dos congressistas republicanos um argumento essencial, de que o Congresso não deveria impor limites às empresas dos EUA quando grandes poluidores como a China atuam sem restrições e podem, portanto, retirar empregos do país.

O senador democrata John Kerry, que está tentando unir número suficiente de republicanos e de democratas indecisos para a aprovação de um projeto sobre clima no Senado, disse que o "Acordo de Copenhague" conseguido por Obama rompeu o impasse internacional e "criou as condições para um acordo final e para que o Senado aprove no primeiro semestre do ano que vem importantes leis no país."

Isso pode acontecer, mas várias outras questões têm de ser definidas, incluindo:

-- O Congresso tem de encerrar o debate sobre reformas na saúde, que vem dominando a atenção dos legisladores. Se as divergências se estenderem demais, a questão levará muito tempo para ser aprovada em 2010 e ficará muito perto das eleições de novembro, de renovação do Congresso, para que o Senado se debruce sobre o polêmico projeto sobre o clima.

-- No ano que vem os norte-americanos vão esperar uma melhora da economia e a criação de empregos. Se isso não acontecer, haverá muitos políticos que ficarão com receio de um revés político se debaterem uma lei sobre clima que poderia conduzir a uma maior elevação dos preços da energia.

-- Mais republicanos precisam envolver-se. Alguns ambientalistas esperam que Obama vá pessoalmente se aproximar de seu oponente na campanha presidencial de 2008, o senador John McCain, que costumava ser um líder na legislação sobre mudanças climáticas, mas ultimamente tem feito pouco, a não ser criticar.

Como vários países avaliam os detalhes desse pacto antes do encontro do próximo ano no México, todos os olhares se voltarão para alguns dos aspectos mais controversos. Eles incluem o monitoramento e verificação dos programas de redução de carbono de vários países, questão sobre a qual Obama insistiu, para que se comprove se China, Índia e outros cumprem suas promessas.


Fonte: Reuters / Richard Cowan

“Não existe aquecimento global”, diz representante da OMM na América do Sul

Leiam esta entrevista pulicada no UOL.

Carlos Madeiro

Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos

Em entrevista ao UOL, Molion foi irônico ao ser questionado sobre uma possível ida a Copenhague: “perder meu tempo?” Segundo ele, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU. O metereologista defende que a discussão deixou de ser científica para se tornar política e econômica, e que as potências mundiais estariam preocupadas em frear a evolução dos países em desenvolvimento.

UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?
Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.


UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?
Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O Oceano Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.



UOL: Esse resfriamento vai se repetir, então, nos próximos anos?
Molion: Naquela época houve redução de temperatura, e houve a coincidência da segunda Guerra Mundial, quando a globalização começou pra valer. Para produzir, os países tinham que consumir mais petróleo e carvão, e as emissões de carbono se intensificaram. Mas durante 30 anos houve resfriamento e se falava até em uma nova era glacial. Depois, por coincidência, na metade de 1976 o oceano ficou quente e houve um aquecimento da temperatura global. Surgiram então umas pessoas - algumas das que falavam da nova era glacial - que disseram que estava ocorrendo um omem era responsável por isso.


UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.
Molion: Depende de como se mede.

UOL: Mede-se errado hoje?
Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.

UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?
Molion: Há. Há umas seis semanas, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.

UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?
Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.

UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?
Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.


UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?
Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.

UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?
Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões?Não vai mudar absolutamente nada no clima.

UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?
Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que “abana o rabo” para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.

UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?
Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.

UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?
Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.


UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?
Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.


UOL: Mas o mar não está avançando?
Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.

UOL: O senhor viu algum avanço com o Protocolo de Kyoto?
Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.


UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?
Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.


UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?
Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.

Verdade Inconveniente : Al Gore Mente Descaradamente em Copenhague

Existem muitos tipos de verdade. Al Gore teve ontem que encarar uma muito incoveniente.


Al Gore foi pego na mentira

O ex-vice-presidente americano, que se tornou uma figura improvável para o movimento verde após narrar o documentário vencedor do Oscar "Uma Verdade Inconveniente", se enrolou ontem em uma nova polêmica.

Al Gore, falando na Conferência de Copenhague , afirmou que uma recente pesquisa mostrou que o Ártico poderia ficar totalmente sem gelo dentro de cinco anos.

Em seu discurso, Gore afirmou na conferência: "Estes números são fresquinhos. Alguns dos modelos sugerem ao Dr. [Wieslav] Maslowski que há 75 por cento de chance de que toda a calota polar do ártico poderá, durante os meses de verão, ficar completamente sem gelo dentro de cinco a sete anos."
"Não sei como ele chegou neste valor", Dr. Lapenda afirmou. "Eu nunca tentaria estimar a probabilidade de qualquer coisa de forma tão precisa."

O gabinete de Al Gore admitiu mais tarde que os 75 por cento foi uma figura utilizada pelo Dr. Maslowksi como uma figura da "estimativa" há vários anos em uma conversa com o Al Gore.

Um erro constrangedor que lanca mais mais uma sombra negra sobre a conferência, que já sofre com a controvérsia dos e-mails da Universidade de East Anglia, que mostra como os cientistas haviam manipulado registros de temperaturas para fortalecer seu argumento de que as atividades humanas estariam causando o aquecimento global.

A imprensa brasileira para variar, continua dormindo. Enquanto o jornal o globo noticiou a mentira de Al Gore , nenhum veículo reportou o desmentido pelo cientista.

Leia o original contendo o desmentido do cientista: Times OnLine: Inconvenient truth for Al Gore as his North Pole sums don't add up

Fontes: anovaordemmundialcom - Times OnLine

Cúpula de Copenhague acaba com texto mínimo, e ainda assim sem unanimidade

Presidência da COP 15 anunciou apenas ter 'tomado nota' de documento.
Arranjo foi duramente criticado por países como Venezuela, Cuba e Sudão.

A cúpula da ONU sobre mudança climática ( COP 15 ), realizada em Copenhague, chegou a um "acordo de mínimos" neste sábado (19), ainda assim após superar a oposição de vários países e após um intenso debate que se prolongou durante toda a noite.

A Presidência da conferência anunciou que havia "tomado nota do acordo de Copenhague de 18 de dezembro de 2009", que incluirá uma lista dos países contrários ao texto.

O acordo de Copenhague contra o aquecimento climático, validado neste sábado, é uma etapa essencial para um futuro pacto, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. A ONU recorreu a essa fórmula para tornar operacional o acordo, que foi duramente criticado como ilegítimo por países como Venezuela, Nicarágua, Cuba, Bolívia e Sudão.

"Talvez não seja tudo o que esperávamos, mas essa decisão da conferência das partes é uma etapa essencial", declarou Ban à imprensa.

Para que pudesse se transformar em um acordo das Nações Unidas, o texto deveria ser adotado por unanimidade pelos 193 países presentes na conferência.

Em entrevista à Globo News, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, criticou o acordo."O resultado foi  um dos dias mais tristes da minha vida" , disse, atacando os Estados Unidos e a direção dinamarquesa da conferência.

"O texto deixa muito a desejar", disse, alegando que pelo menos houve avanços na questão do controle do aumento da temperatura do mundo e na questão das florestas, que foram incluídas no acordo . Segundo ele, os Estados Unidos são os grandes responsáveis pelo que chamou de "fiasco" . "É difícil", disse.

Acordo de mínimos

O texto estava sendo negociado desde quinta-feira (17) e foi fechado na sexta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Ele praticamente invadiu uma reunião com dirigentes de China, Índia, África do Sul e Brasil (grupo batizado de Basics).

Trata-se de um acordo de mínimos, após o fracasso de 12 dias de negociações em Copenhague para conseguir um texto ambicioso que suceda o Protocolo de Kyoto, o único tratado que obriga 37 nações industrializadas a reduzir suas emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros cinco gases-estufa .

O acordo, de caráter não vinculativo, está muito longe das expectativas geradas em torno da maior reunião sobre mudança climática da história, e não determina objetivos de redução de gases do efeito estufa.

No entanto, estabelece uma contribuição anual de US$ 10 bilhões entre 2010 e 2012 para que os países mais vulneráveis façam frente aos efeitos da mudança climática, e US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 para a mitigação e adaptação. Parte do dinheiro, US$ 25,2 bilhões, virá de EUA, UE e Japão . Ninguém sabe quem vai bancar o resto.

Intenção

Este acordo, uma carta de intenções elaborada na véspera pelos chefes de Estado e de governo de 30 países industrializados, emergentes e em desenvolvimento, foi apresentado durante a madrugada ante o plenário da conferência.

"O fato de 'reconhecer' dá um estatuto legal suficiente para que o acordo seja ooperacional sem a necessidade de uma aprovação pelas partes", explicou Alden Meyer, diretor da ONG americana Union of Concerned Scientists.

Muitos países admitiram que o conteúdo do acordo é insuficiente , mas o aceitam como meio de fazer a negociação avançar.

O texto se chocou com a oposição de um núcleo radical de países - Cuba, Venezuela, Bolívia e Sudão - que ameaçava sua adoção, obrigatoriamente por consenso, depois de uma noite de duros debates.

A conferência da ONU varou a madrugada discutindo a carta de intenções proposta na véspera pelos Estados Unidos, China, Índia, África do Sul e Brasil.

Críticas

O texto do acordo também estabelece que os países deverão providenciar "informações nacionais" sobre de que forma estão combatendo o aquecimento global, por meio de "consultas internacionais e análises feitas sob padrões claramente definidos".

O acordo final, costurado de última hora pelos líderes mundiais, foi considerado o "pior da história" , segundo o delegado do Sudão, Lumumba Stanislas Dia-Ping, cujo país preside o G77, que reúne os 130 países em desenvolvimento.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no entanto, qualificou o compromisso de significativo, embora insuficiente . "Não é suficiente para combater a ameaça da mudança climática, mas é um primeiro passo importante", declarou ele antes de deixar Copenhague.

Como Obama, muitos países admitiram que o conteúdo do texto alcançado é insuficiente, mas aceitaram o documento como uma forma de fazer avançar na negociações, tirando o processo do estancamento.


"Um passo à frente é muito melhor do que um passo atrás", afirmou o representante da Noruega.


Frustração

Antes do anúncio do acordo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confessou sua frustração em relação às negociações e garantiu que o Brasil está disposto a fazer sacrifícios para financiar os países pobres.


"Vou dizer isso com franqueza e em público, o que não disse ainda em meu próprio país, que sequer disse a minha equipe aqui, que não foi apresentado nem diante de meu Congresso. Se for necessário fazer mais sacrifícios, o Brasil está disposto a colocar dinheiro para ajudar os outros países ".

Lula condicionou a contribuição a um sucesso concreto em Copenhague: "Estamos dispostos a participar nos mecanismos financeiros se alcançarmos um acordo sobre uma proposta final nesta conferência".

Mas o "acordo" que saiu é uma carta de intenções, com conteúdo mínimo, e mesmo assim sem consenso.

Vídeos relacionados

Depois de 15 dias de negociações e debates, representantes de mais de 190 países fecharam um acordo, mesmo sem unanimidade. A proposta limita o aumento da temperatura da Terra em 2º C.



O presidente anunciou a proposta americana, mas disse que é insuficiente. Junto com Brasil, China, Índia, e África do Sul, o país assumiu o compromisso de reduzir as emissões, sem caráter obrigatório.



O ex-Secretário Executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, diz estar decepcionado com os rumos tomados pelos líderes mundiais na Cop-15. Ele esperava melhor acordo para o clima.



Fontes: G1 - TV Globo

Sarkozy diz que países apresentarão seus planos de redução de CO2 em 2010

Presidente francês anunciou ainda ajuda anual até 2020 para países em desenvolvimento.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse em entrevista coletiva nesta sexta-feira (18) que todos os países industrializados concordaram em apresentar por escrito apenas em 2010 planos concretos para diminuir as emissões de CO2 (dióxido de carbono) e, dessa maneira, combater as mudanças climáticas.

O anúncio frustrou a expectativa de que um documento fosse assinado pelos mais de cem líderes durante a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), que começou no dia 7 de dezembro e terminou nesta sexta-feira (18). A cúpula tinha o objetivo de firmar um acordo para a redução das emissões de gases do efeito estufa, na tentativa de conter o aumento da temperatura na Terra

O presidente contou que a chanceler alemã, Angela Merkel, organizará negociações em Bonn, no prazo de “seis meses”, para preparar a próxima conferência sobre o clima, no México, no final de 2010.

- A ausência de um objetivo para a redução em 50% das emissões de gases do efeito estufa até 2050, algo necessário para limitar a elevação da temperatura do planeta a 2°C, é uma "decepção".

Ele explicou que o acordo sustenta que todos os países concordaram em apresentar por escrito em janeiro de 2010 seus planos para cortar as emissões de CO2 (dióxido de carbono).

Sarkozy também falou que todos os países assinaram um plano para ajudar os países em desenvolvimento com US$ 100 bilhões (R$ 178,3 bilhões) por ano até 2020, algo que já fez parte das discussões durante a cúpula.

Já o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou que chegou um acordo com o Brasil, a Índia, a África do Sul e a China para adotar medidas para que a temperatura global não suba mais de 2ºC, mas o acordo não estabelece metas comuns para a redução de gases causadores do efeito estufa, como o CO2 (dióxido de carbono), considerados os responsáveis pelo aquecimento global. Cada país deve listar as medidas a serem tomadas para reduzir essas emissões.

O acordo também não é vinculativo, ou seja, não tem força de lei internacional ou estabelece punições para quem não alcançar esses objetivos. Obama disse que o acordo é “significativo”, mas "insuficiente" e indica apenas o primeiro passo para resolver o problema.

Aparentemente, o compromisso deixa de lado outros participantes da conferência. Não há garantia de aprovação por parte de todas as 193 nações participantes. A ausência dos países da União Europeia foi considerada particularmente significativa.

Hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu durante várias horas com os representantes de outras potências emergentes - África do Sul, Índia e China -, que ao lado do Brasil formam o chamado grupo Basic. Depois, Obama e sua secretária de Estado, Hillay Clinton, se uniram ao grupo. .

A ONU (Organização das Nações Unidas) pediu que os líderes mundiais não deixem Copenhague nesta sexta-feira. Lula e o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, deixaram a Dinamarca durante a noite.

Fontes: R7 - Agências

Líderes mundiais anunciam em Copenhague acordo fraco e decisão sobre o clima fica para 2010

Acordo fraco e decisão em 2010 decepciona a todos.

COPENHAGUE - As duas semanas que reuniram chefes de Estado e representantes de 193 nações para a Conferência do Clima em Copenhague pode ter terminado nesta sexta-feira, depois de um dia conturbado, com um acordo fraco sem valor de lei e adiando para a Conferência de 2010, que será no México, todas as decisões importantes, como as discussões sobre o prolongamento da vigência do Protocolo de Kioto.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que fez nesta sexta-feira um discurso enfático cobrando ações dos países ricos, voltou para casa sem ver o milagre que mencionou em seu discurso realizado.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que passou menos de 24 horas na Dinamarca, considerou o acordo significativo, mas disse que o caminho para um pacto mais ambicioso ainda vai demorar e vai depender de uma maior confiança entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Segundo ele, o documento serve como base para uma ação internacional contra as mudanças climáticas.

Os países que assinarem o documento (e estão incluídos EUA, China, Índia, África do Sul e Brasil) vão se comprometer a declarar suas metas de emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa.

- Será muito difícil e ainda levará tempo (para um acordo mais ambicioso) - disse Obama.

No início da noite desta sexta-feira, Lula e Obama se preparavam para deixar Copenhague. Mais cedo, líderes disseram que a ONU pediu para que os líderes mundiais ficassem mais tempo na cúpula. Além de Lula e Obama, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown e o presidente russo Dmitry Medvedev também deixaram a COP-15.

O primeiro-ministro do Japão deve embarcar de volta para seu país esta noite, de acordo com sua assessora de imprensa. O premier chinês Wen Jiabao deixou a reunião de manhã e não confirma se voltará ao Bella Center para continuar as reuniões.


Fonte: O Globo

EUA e emergentes chegam a acordo climático

Saída antecipada de Lula coloca em dúvida se o País aceitou os termos do acordo entre os países.



Saída de Lula coloca acordo em dúvida. Foto: Staff/Reuters

O oficial do governo caracterizou o acordo, que náo tem força de lei, como um primeiro passo, mas disse que não era o suficiente para combater o aquecimento global.

Detalhes não estão claros, mas as nações devem ter acertado que cada país informe suas emissões por meio de "comunicações nacionais", com possíveis consultas internacionais. Além disso, os líderes também concordaram com a formação de um mecanismo de financiamento e em limitar o aquecimento global a 2º Celsius.

Segundo o jornal The New York Times, a negociação "está aquém das expectativas". O blog do jornal britânico The Guardian também considera que Copenhage aponta para uma solução frágil. O espanhol El País enfatiza: "Estados Unidos e China fecham acordo vago que, ao menos, salva a cara dos mais de 110 chefes de Estado e de Governo que compareceram a Copenhage".

Reação brasileira

A posição brasileira sobre o acordo foi de "decepção", nas palavras de Sérgio Guerra, embaixador da delegação brasileira em Copenhgaue. "Estamos muito decepcionados. Não é o acordo que esperávamos", disse o diplomata.

Mesmo o trato não tendo agradado ao governo brasileiro, Guerra considera que ele possibilita que as negociações prossigam no ano que vem e tragam resultados mais concretos. "Pelo menos é um acordo que nos permitirá salvar algo e seguir negociando no ano que vem os números que não puderam ser fechados."

Comentário do BGN


Estão circulando informes que algum tipo de acordo foi alcançado e que não seria desprezível, apesar das notícias disponíveis até este momento.  Confira mais tarde neste blog.



Fonte: O ESTADO - Reuters - AP

Após reunião com EUA, Índia, China e África do Sul, Lula deixa COP 15

Presidente já está a caminho de Brasília.
Obama insistiu em verificação de todas as ações de corte de gás-estufa.



Após reunião com o presidente americano Barack Obama, o indiano Manmohan Singh, o chinês Weng Jiabao e o sul- africano Jacob Zuma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas da ONU, em Copenhague.

Ele está voando de volta para Brasília e não falou com a imprensa antes de partir.

Segundo informações de uma fonte da delegação brasileira que não quis se identificar, mas estava presente, a reunião começou na tarde desta sexta-feira (18) sem o presidente Obama.

Os líderes do chamado Basic (grupo formado por Brasil, África do Sul, Índia e China) mantinham uma reunião entre eles.

Já com a presença de Obama, o principal ponto de divergência entre as partes foi a questão da verificação de ações de redução de emissões de gases do efeito estufa sem financiamento externo.

A China aceitaria inspeção de programas financiados com dinheiro externo; Estados Unidos insistiram em verificação de todo e qualquer projeto

Os EUA defendem essa verificação ampla, alegando a necessidade de transparência . Em seu discurso nesta sexta, ele disse que não “faz sentido” financiar projetos sem transparência. “Não sei como terão um acordo internacional se não compartilhamos informação", disse.

Países em desenvolvimento, como a China, rejeitam a verificação de todas e quaisquer ações por questão de soberania.


Obama deixa reunião, Lula vai embora: Estados Unidos e China não se entenderam sobre fiscalização de programas de redução de gases-estufa (Foto: Dennis Barbosa/G1)

Discutiu-se, ainda sem conclusão, a criação de um sistema de fiscalização que fosse aceitável para todos. Outro ponto menor de diferença foi a adoção ou não do limite de 2°C de aquecimento global em relação ao período pré-industrial.

A conversa foi “franca e construtiva”, de acordo com a mesma fonte. Obama, ao deixar a reunião, foi questionado por uma jornalista da Rede Globo se as negociações avançaram e ele fez um sinal com os dedos indicando que teriam avançado “um pouco”.

Após a reunião com os Basic, Obama estaria em novo encontro com Nicolas Sarkozy (França), Angela Merkel (Alemanha), José Manuel Durão Barroso (União Europeia) e Fredrik Reinfeldt (Suécia). A informação é do governo francês, mas as reuniões de alto nível da COP 15 ocorrem em espaço fechado à imprensa.

Negociadores dos países participantes da reunião seguem trabalhando em um novo texto que será apresentado à plenária da conferência para análise dos outros países, informou o integrante da delegação brasileira.


Fonte: G1/Dennis Barbosa

Índia, China, África do Sul, Brasil e EUA acertaram núcleo de acordo

Embaixador brasileiro narrou reunião do grupo Basic com Obama.
China aceitou fórmula de verificação de reduções de gases-estufa.

O presidente americano Barack Obama, o indiano Manmohan Singh, o chinês Weng Jiabao, o sul-africano Jacob Zuma e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acertaram uma fórmula consensual para verificação das ações de mitigação (corte de gases-estufa).

O texto está sendo redigido de uma forma que reflita o consenso, ou seja, o mecanismo de verificação não pode ser considerado invasivo pelos chineses.

“Será uma declaração política na forma de uma decisão da COP”, disse o embaixador Sérgio Serra, negociador do Brasil.

A proposta será levada a plenário. Lá, pode não ser aceita, segundo Serra. Ele considera, no entanto, que há grande chance de que seja, já que concilia o principal ponto de discórdia entre China e EUA.

Não há menção a metas de redução de gases-estufa. "Certamente é um resultado decepcionante", disse o embaixador Serra.

Lula está voando de volta para Brasília e não falou com a imprensa antes de partir.

Fonte: G1/ Dennis Barbosa

Obama pede união e diz que EUA não vão se intrometer em outros países

Obama confirmou o comprometimento dos EUA em ajudar a construir o fundo para ajudar a mitigar mudanças climáticas nos países pobres


Presidente dos EUA, Barack Obama, ao chegar em Copenhague; ele pede união e disse que EUA não vão se intrometer em outros países

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou, em discurso na conferência do clima de Copenhague nesta sexta-feira (18), que não "vim para conversar, mas para agir", chamando a si a responsabilidade. Mas também que os países precisam "agir juntos, com compromissos".

Ele também disse que os Estados Unidos não vão se "intrometer" em outros países, buscando tranquilizar o mal-estar gerado após Hillary Clinton pedir transparência dos países em desenvolvimento nesta quinta-feira (17). Houve reclamações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em discurso logo anterior, além do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao. Por outro lado, Obama disse que é preciso "dividir informações".

Obama confirmou o comprometimento dos EUA em ajudar a construir o fundo para ajudar a mitigar mudanças climáticas nos países pobres, de US$ 100 bilhões anuais até 2020, como falado por Hillary. Mas também disse que todos devem participar deste fundo.

Ele também lembrou que as mudanças climáticas não estão em dúvida, e que é preciso tomar ações coletivas. "Está no nosso interesse agirmos juntos com compromissos", afirmou.

Além disso, como ainda há uma situação econômica grave no mundo para realizar investimentos, "precisamos decidir se queremos agir logo".

Atraso

De acordo com ele, "depois de meses de negociações e vários dias discutidos, as metas deveria estar claras". Chama assim a atenção de que agora sobrou para os líderes mundiais resolverem a questão.

Obama também ressalta que "nenhum país vai conseguir tudo o que quer", abordando o conflito entre os países em desenvolvimento querendo que os ricos paguem preços mais altos, o que ele "compreende", e os países ricos exigindo mais dos pobres e emergentes.

"Sabemos dessas dificuldades porque estamos presos a essas fórmulas há muitos anos", considera ele. "Essas discussões são feitas há duas décadas". Mesmo assim, ele ressalta que só fazem piorar a mudança climática.

"Podemos fazer um mundo melhor aos nossos filhos e netos, ou retroceder, e seguir assim por décadas sabendo que a mudança climática segue irreversivemente".

Como atividades em seu país, ele deu foco para a questão energética: "Estamos colocando a população para trabalhar, aumentando a eficiência energética nas residências e empresas e buscando energia limpa".

"Estamos convencidos de que a maneira como usamos nossa energia pode ajudar", disse.


Fonte: FOLHA

Após boicote, premiê chinês se encontra com Obama a portas fechadas

Divergências travam acordo

Uma exaltação diplomática envolve o final da 15ª Conferência do Clima (COP-15) em Copenhague nesta sexta-feira (18), com o presidente Barack Obama se encontrando com o premiê da China a portas fechadas, enquanto líderes mundiais fazem pressão para salvar o acordo de aquecimento global, em meio a profundas divisões entre nações ricas e pobres. Hoje, o premiê chinês Wen Jiabao boicotou a reunião com demais países.

Nem Obama ou o premiê chinês Wen Jiabao ofereceram quaisquer compromissos para cortar as emissões de gases-estufa que causam o aquecimento global --tema principal da conferência. Wen boicotou a reunião com 20 países, enviando um emissário do governo chinês.

Com as negociações sobre o clima em desordem, Obama e Wen se reuniram por quase 1 hora, e até a tarde de hoje tinham dado alguns passos em direção a um acordo, segundo informou um alto funcionário da administração Obama, falando sob condição de anonimato.

"Estamos prontos para ter isso [o acordo] pronto hoje, mas deve haver movimentos de todos os lados para reconhecimento de que é melhor para nós agir do que falar", disse Obama, insistindo na alternativa de um monitoramento transparente das promessas de cada país nas respectivas reduções de emissão.

Wen disse a delegados que uma redução da intensidade de carbono entre 40% e 45% vai exigir "esforços extremos". "Vamos honrar nossa palavra com ações reais", disse Wen.

Abandonando quaisquer esperanças de alcançar um acordo global, um grupo de por volta de 25 países elaborou uma declaração de duas páginas definindo os elementos críticos --dentre eles, a mobilização de US$ 30 bilhões nos próximos três anos para ajudar países pobres a combater a mudança climática, em uma escala que chega a US$ 100 bilhões por ano até 2020.

Documento

Os jornalistas Claudio Angelo e Luciana Coelho, correspondentes da Folha em Copenhague, obtiveram hoje a versão preliminar da declaração política que será o único resultado da conferência do clima de Copenhague. O texto ainda deve sofrer mudanças antes de ser assinado hoje, último dia da cúpula, mas alguns de seus principais pontos são:

- Nome do acordo: ainda não existe. O texto fala em Copenhague X, onde o X pode ser "declaração".


- Redução de emissões dos ricos: Ficam estabelecidos dois anos-base: 1990 e 2005, como forma de acomodar o interesse dos EUA. As metas de redução agregadas ainda estão em aberto.


- Redução de emissões dos emergentes: não há detalhamento. O texto fala que as ações de mitigação deverão ser refletidas nos inventários nacionais de gases-estufa, a serem produzidos de dois em dois anos. "Esclarecimentos podem, a pedido, ser fornecidos pela parte a que diz respeito". A auditagem do cumprimento será doméstica, para acomodar o interesse dos emergentes.


- Financiamento: há números, US$ 30 bilhões para ações entre 2010 e 2012, US$ 100 bilhões em 2020, vindos de "uma ampla variedade de fontes."


- Implementação: o acordo deve entrar em vigor em 2016.



Cúpula terminará sem acordo


A 15ª Conferência da Mudança do Clima da ONU (COP-15) acabará sem acordo entre países ricos e emergentes. Líderes optaram por fazer apenas uma declaração política, segundo fontes ouvidas pela Folha.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que há dois dias tenta mediar com o francês Nicolas Sarkozy uma saída do impasse, declarou-se "frustrado" em sessão plenária com líderes mundiais, em discurso antes da declaração final. Na plateia estão Barack Obama, Gordon Brown, Wen Jiabao, Angela Merkel e outros.

Lula fez também uma oferta de doação para um fundo global de combate à mudança climática, como antecipado pela Folha na última quarta-feira.

O secretariado da ONU responsável pela convenção do clima estuda convocar um novo encontro no próximo semestre, uma espécie de COP-15 "bis". Esta, segundo fontes que tiveram acesso à proposta, deve acontecer fora das mãos da presidência dinamarquesa.

A avaliação geral no Bella Center, sede do evento, é que a Dinamarca foi um redundante fracasso, dizem delegações de países emergentes e europeus ouvidas pela Folha. A crise de confiança provocada pela apresentação abrupta de uma proposta unilateral logo no início da conferência é uma das principais razões para o naufrágio da cúpula

A versão de declaração que circula pelo Bella Center, resultante de horas de reunião entre os principais líderes mundiais, não estabelece metas de corte de gases-estufa para 2020. Fala-se apenas em uma redução de 50% das emissões até 2050 e genericamente de um fundo de US$ 100 bilhões para o mesmo ano, sem dizer de onde vem o dinheiro nem como ele será usado.

Em discurso duro, feito de improviso e longamente aplaudido, Lula enumerou as ações do Brasil e disse que o país estaria disposto a contribuir para um fundo se isso salvar a conferência.

"Não sei, se não fizemos até agora, um anjo ou um sábio descerá e colocará na nossa cabeça a inteligência que faltou até agora", afirmou Lula. "Todos nós poderíamos oferecer um pouco mais se tivéssemos assumido boa vontade nos últimos tempos."

O presidente também ressaltou os esforços dos países emergentes. "No Brasil tem muitos pobres, na África tem muitos pobres, na China e na Índia tem muitos pobres."

Já o americano Barack Obama, que tomou seu lugar no púlpito, criticou os países que não aceitam se submeter à verificação de suas ações --crítica velada à China. Os países desenvolvidos usam esse argumento para justificarem sua inação.

Minutos antes, Lula havia reclamado da "intrusão nos países em desenvolvimento e países pobres".

Fonte: FOLHA - AP

Marina Silva diz que impasse continua e critica líderes mundiais

Marina Silva concede entrevista e fala sobre a COP-15

Em meio à viagem de retorno ao Brasil, a senadora Marina Silva (PV-AC) concedeu entrevista por telefone à Agência Senado. Ela falou de Portugal, onde aguardará cinco horas para tomar um voo de retorno ao Brasil, após cinco dias em Copenhague, Dinamarca, dedicada à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas - COP-15.

Após informar que até o momento de sua saída fez contato com os principais negociadores para saber sobre o andamento das discussões, a senadora disse que o momento é de impasse e que permanece a dúvida sobre a manutenção do Protocolo de Kyoto, que obriga os mais desenvolvidos a reduzirem as emissões de CO2.

Para Marina Silva, quanto ao fundo internacional a ser criado para subsidiar ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, "está havendo um olhar equivocado" dos líderes mundiais. Ela observa que os países desenvolvidos se dispuseram a gastar US$ 14 trilhões para combater a crise econômica mundial, investindo em um modelo predatório de desenvolvimento, mas não são capazes de investir US$ 200 bilhões ao ano em ações que levam à mudança desse modelo.

- Lideranças tão poderosas para decidir sobre economia não são capazes de tomar uma decisão para salvar o planeta - lamentou, referindo-se à falta de acordo em relação ao fundo mundial para as mudanças climáticas e aos cortes de emissões de gases de efeito estufa.

Marina Silva disse que esperava que, com a chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Copenhague, o Brasil pudesse se reposicionar. Referindo-se à ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, afirmou que a chefe da delegação brasileira adotou "posição equivocada", ao defender a não participação do Brasil com recursos para financiar ações de adaptação dos países mais pobres.

Segundo Marina, tais recursos "poderão ser mobilizados" para que países da África e as ilhas sujeitas ao desaparecimento possam investir em ações de adaptação. E os países emergentes como Brasil, China, Índia, México e África do Sul também deveriam se comprometer em financiá-lo, já que também seriam beneficiados por ele.


- Tem que ser proativo. É essencial que ser efetivo naquilo que podemos fazer e não adotar, como o Brasil tem feito, uma postura dúbia. Quando interessa, reivindicam status de países desenvolvidos, e quando não interessa querem ser tratados como os países pobres - concluiu a senadora, para quem os países emergentes, entre os quais o Brasil, também têm responsabilidade quanto às emissões de gases de efeito estufa.

Ela admitiu, no entanto, que o Brasil já fez diferença ao apresentar uma meta de redução de emissões entre 36,1% e 38,9%, embora com a ressalva de tal meta estar vinculada apenas nas projeções de emissões até 2020.

Indagada sobre a oportunidade de o Brasil também ser beneficiado com recursos do fundo internacional, Marina disse que o fundo deverá ser criado de modo a "integrar duas possibilidades de ajuda". No curto prazo, seriam beneficiados os países pobres, mais ameaçados pelas mudanças climáticas. No longo prazo, o Brasil poderá ser beneficiado, com o financiamento de ações de mitigação dessas mudanças.

Fonte: Cristina Vidigal / Agência Senado

COP 15 é conduzida 'por reprimidos de meia idade', diz líder do Radiohead



 Thom Yorke durante show do Radiohead no Festival Latitude, em Henham Park (19/07/2009)

No dia em que a maior parte dos ativistas das organizações não-governamentais foram obrigados a ficar de fora, o cantor Thom Yorke, líder do Radiohead, se passou por jornalista e “invadiu” a reunião da ONU sobre mudança climática em Copenhague.

Yorke afirmou à BBC Brasil que a decisão foi de última hora, para “manter a esperança” depois de ter ficado preocupado com o andamento das negociações, que atravessavam “uma grande nuvem espessa”.




“Isso me irrita porque os princípios básicos são princípios básicos. É um monte de homens reprimidos de meia idade, que enxergam através das suas próprias esferas de interesses particulares, e não veem o processo como um todo”, disse o músico britânico.

Conhecido por seu interesse em assuntos ambientais – Yorke foi editor convidado de uma edição especial sobre mudança climática da revista do jornal britânico The Observer –, o cantor criticou a atuação da delegação americana.

“Realmente fiquei irritado com a forma que o governo americano tentou ontem (quarta-feira) reduzir as propostas sobre a mesa. Achei isso absurdamente imprestável.”

O cantor afirmou estar preocupado com o afastamento das ONGs da reunião de Copenhague. Nesta quinta-feira, em uma decisão muito criticada pelos ambientalistas, a organização da reunião autorizou apenas poucos representantes das principais organizações entrarem no Bella Center.


“Fica muito fácil fazer um trabalho de marketing verde com elas do lado de fora.”

Apesar de tudo, Yorke disse estar otimista sobre um acordo na reunião. “Eles podem pelo menos fazer o básico”, disse.

Antes de se despedir, com seus cabelos desgrenhados e calça vermelha, Yorke brincou: “Vamos ver quanto tempo vai durar até eles me descobrirem...”

Fonte: BBC

Merkel: notícias de Copenhague não são boas

Chanceler alemã diz esperar que chefes de estado impulsionem acordo.
Já os chineses dizem não ver possibilidade de acordo.


Chanceler alemã, Angela Merkel, reconheceu nesta quinta-feira (17) que as notícias sobre uma possibilidade de acordo em Copenhague 'não são boas' (Foto: JOHN MACDOUGALL/AFP)

Restando dois dias para o final da Conferência do Clima da ONU, em Copenhague, os chefes de estado e líderes das negociações dão mostras de descrença na possibilidade de acordo. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou nesta quinta-feira (17), em Berlim, que as notícias procedentes de Copenhague não são boas.

Já integrantes da comitiva chinesa na Dinamarca deram declarações aos participantes da cúpula de que não é virtualmente possível chegar a um acordo operacional ainda nesta semana.

Apesar de reconhecer que as notícais não são boas, a chanceler alemã manifestou o desejo de que os mais de 100 chefes de estado e de governo possam salvar as negociações sobre o clima. "As notícias que nos chegam não são boas", disse.

"No momento, as negociações não parecem promissoras, mas, com certeza, espero que a presença de mais de 100 chefes de estado e de governo dê o impulso necessário ao evento", acrescentou.

Merkel viaja nesta quinta-feira (17) para a capital da Dinamarca, assim como a maioria dos demais chefes de estado e de governo.

Chineses sugeriram declaração política no lugar de acordo


As divergências entre países ricos e pobres a respeito das maneiras de lutar contra o aquecimento global provocaram até agora uma paralisação das negociações.

"Muitas pessoas no mundo estão na expectativa para ver se conseguimos chegar a uma solução", completou a chanceler alemã.

A posição de um integrante da comitiva chinesa, que pediu para não ter seu nome revelado, não parece ser a mesma.

Ele afirmou que os chineses já sugeriram no lugar do acordo "uma curta declaração política de algum tipo."

Segundo o integrante da comitiva, que não quis se identificar, o que parece incomodar a China é uma questão de procedimento. Na quarta-feira (16), o país declarou estar ao lado de outras nações em desenvolvimento e que rejeita acordos parciais e que o processo tem que ser inclusivo.

Fonte: G1 - Agências

Carbono negro envolve o planeta e é o ‘novo’ gás-estufa

Substância resulta de combustão incompleta, que forma fuligem.
Nasa divulga imagem do ‘black carbon’ envolvendo a Terra.



O lado negro do carbono: BC entra no rol de gases-estufa, segundo pesquisas recentes (Foto: Nasa)

A Nasa, a agência espacial americana, divulgou nesta quarta-feira (16) imagem do planeta Terra envolto por carbono negro, componente da fuligem que, indicam estudos recentes, também contribui para o aquecimento global . O “black carbon” (BC) é constituído de partículas marrons originárias da combustão incompleta de madeira, biomassa e combustíveis fósseis.

O monóxido de carbono (CO), diferente do “primo” dióxido de carbono (CO2), não tem nenhuma participação no efeito estufa. Mas a forma impura de carbono (o carbono negro), tem.

Segundo a Nasa, a presença e o impacto do carbono negro são particularmente marcantes na Ásia. Nas grandes cidades, os aerossois BC afetam o sistema respiratório, levando elementos de diferentes graus de toxicidade até os pulmões.


Fontes: NASA - G1 -

Japão anuncia 'financiamento climático' de US$ 15 bilhões só para países pobres

Iniciativa é divulgada logo após divulgação de fundo antidesmate.
Recursos para conter corte de florestas seriam de US$ 3,5 bilhões.

O governo do Japão anunciou nesta quarta-feira (16) que vai direcionar US$ 15 bilhões (cerca de R$ 26 bilhões) para financiamento público e privado de projetos na área ambiental de países pobres.

O anúncio ocorreu horas depois da divulgação de que um grupo de seis países (mais uma vez Japão, além de Austrália, França, Noruega, Grã-Bretanha e Estados Unidos) comprometeu-se a doar US$ 3,5 bilhões para o combate de curto prazo ao desmatamento.

As iniciativas fazem parte do jogo que domina a reta final da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas . Ainda não é possível assegurar que os recursos financeiros de fato chegarão ao seu destino. Os EUA, por exemplo, deixaram claro hoje que sua parte no fundo antidesmate só sai se houver um "acordo político ambicioso" em Copenhague.


Fonte: G1

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