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Grupo Sílvio Santos financiou 9 parlamentares

A Valor Online, publicou matéria sobre políticos que receberam doações legais do Grupo Silvio Santos, durante a campanha eleitoral. Ei-la,abaixo:

Cristiane Agostine - Valor Online

O Grupo Silvio Santos, por meio da Liderança Capitalização, gastou nestas eleições pelo menos R$ 1,59 milhão para financiar a campanha de candidatos. De acordo com dados registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dez postulantes a deputado federal e dois concorrentes a deputado estadual receberam recursos da empresa. Destes, nove foram eleitos nesta eleição.

Das empresas do grupo, apenas a Liderança Capitalização Sociedade Anônima aparece entre as empresas doadoras no TSE. O valor da doação a campanhas pode ser ainda maior, já que os candidatos que disputaram o segundo turno das eleições ainda não entregaram suas prestações de conta.

Assim como as demais empresas que fazem parte do patrimônio empresarial de Silvio Santos, a Liderança Capitalização foi dada como garantia para a obtenção de empréstimo para salvar o Banco Panamericano, após fraude que causou prejuízo ao banco de R$ 2,5 bilhões. O patrimônio de Silvio é estimado em R$ 2,7 bilhões, segundo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A empresa doou recursos para candidatos de diferentes partidos: DEM, PTB, PV, PSB, PMDB, PR e PMN. O maior volume de recursos foi destinado ao deputado reeleito Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que recebeu R$ 301,3 mil. Na sequência aparecem Armando Vergílio (PMN-GO), que recebeu R$ 300 mil, Jovair Arantes (PTB-GO), com R$ 250 mil e Walter Ihoshi, com R$ 145 mil.

Dos doze candidatos que receberam recursos da empresa, seis disputaram o cargo em São Paulo, Estado que concentra a atividade empresarial de Silvio Santos. Também receberam recursos três candidatos de Goiás, um da Bahia, um de Sergipe e outro de Minas Gerais.

O grupo Silvio Santos, por meio de sua assessoria, informou ontem ter feito as doações que considerou "pertinentes", de acordo com as regras determinadas pela legislação eleitoral. Segundo a assessoria do grupo , as doações fazem parte da política da empresa.

O próprio Silvio Santos já foi candidato. Em 1989, o apresentador e empresário disputou a Presidência da República pelo nanico Partido Municipalista Brasileiro. Silvio chegou a fazer algumas gravações para a propaganda eleitoral, pedindo votos aos eleitores, mas sua candidatura foi impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral, por ter sido registrada fora do prazo legal.


 Comentário

Uma coisa digna de nota é que nenhum candidato petista recebeu doação de Sílvio Santos. O homem não é nada bobo, afinal apoiar um partido que tenta destruir sistematicamente nossas liberdades não é nada inteligente.

Campanha de Dilma deve ao menos R$ 20 milhões: PT pede doações em nome de Dilma

Buraco nas contas da campanha eleitoral tiram sono do PT

O buraco nas contas da campanha eleitoral de Dilma Rousseff, situa-se numa faixa entre R$ 20 e R$ 30 milhões. Sem ter como levantar tal verba, os tesoureiros da campanha estão correndo atrás de doações junto às grandes empresas. Comenta-se que a campanha tenha custado R$ 17O milhões.

o tesoureiro da campanha de Dilma, José de Filippi Jr tem encaminhado um panfletoàs empresas, onde cita, entre outras coisas, os débitos gerados pela campanha no segundo turno.

Acontece, que o texto cita em certo trecho ´´presidente eleita´´.o que alguns poderiam interpretar como uma forma de intimidação aos destinatários. Segundo de Filippi Jr, teriam sido enviadas cartas para 8 mil empresas e apenas 400 teriam feito doações, isto até o fim do processo eleitoral.

Filippi disse que, além das gráficas, falta pagar institutos de pesquisas, produtoras dos programas de TV e rádio, entre outros débitos.

PSDB

A campanha de Serra terminou com um déficit de R$ 20 milhões e o partido corre atrás de doações para cobrir o rombo.

Pela lei, os candidatos podem continuar após as eleições arrecadando doações para quitar dívidas contraídas e não pagas até o dia da votação. Se naõ conseguirem quitar as dívidas até 30 de novembro, a lei permite que as dívidas sejam assumidas pelos partidos.

Doações pela internet

As doações pela internet não decolaram. Ambos os partidos arrecadaram muito pouco e as quantias foram irrisórias. Isto talvez porque sendo a primeira eleição permitindo esta possibilidade, a novidade passou desapercebida para a maioria dos eleitores. A divulgação da possibilidade de doações de pessoas físicas, deixou muito a desejar.

Fonte: BGN

Construtoras ajudaram a eleger mais da metade dos congressistas

As empreiteiras mais que triplicaram o volume de doações para os políticos que se elegeram para o Congresso neste ano em relação a 2006, informou o Blog do Noblat. Leia abaixo:

Dos congressistas eleitos, 54% receberam recursos das construtoras em 2010, um total de R$ 99,3 milhões, informa reportagem de Silvio Navarro e Breno Costa, publicada neste domingo pela Folha.


Levantamento feito pela Folha nas prestações de contas disponíveis no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostra que 306 congressistas que assumirão mandatos em fevereiro (264 deputados e 42 senadores) receberam contribuições de construtoras.


Há quatro anos, as empreiteiras declararam ter doado R$ 32,6 milhões (valores corrigidos pela inflação). A conta tem apenas uma ressalva: este ano foram disputadas 27 vagas a mais no Senado do que em 2006, quando foi eleito apenas um senador para cada Estado.


As empreiteiras superaram com folga outros tradicionais doadores, como bancos, mineradoras e empresas ligadas ao agronegócio.

Por que o PT foi tão raivoso nas últimas eleições?

Muitas pessoas tem perguntado porque o PT e seus militantes mostraram-se tão agressivos durante a campanha eleitoral. A resposta pode estar no fator surpresa, causado pela ocorrência do 2º turno.

O PT e seus militantes acreditaram piamente na propaganda que dizia que Lula teria 80% de aprovação e nas pesquisas, no mínimo, indecentes que colocavam Dilma como eleita no 1º turno. Em função disto, na noite do dia 3 de outubro, quando as urnas mostraram que haveria 2º turno, as hostes petistas foram tomadas de assombro e pânico. A raiva petista nasceu como reação ao pânico que suas lideranças e militãncia sentiram naquela noite. Isto porque todos sabiam, que 2º turno é outra eleição.

O fato é que a esquerda imaginava que não existisse mais oposição neste país; afinal a oposição fora tão fraca durante boa parte do governo Lula. Mas a oposição nunca deixou de existir, muito embora os partidos políticos ditos de oposição, não tenham feito bem seu trabalho.

De repente, descobriu-se que a oposição existia e que estava por todos os lugares; na rua, na Igeja, na internet,enfim em vários estratos da sociedade. Descobriu-se que a unanimidade governista, tão querida das esquerdas, era mentira. Enfim, um mito desfeito.

Quando a oposição mostrou as caras, e de forma tão convicente, pois nasceu em meio ao povo, o susto foi grande. Penso que até os partidos de oposição ficaram com medo, pois sabiam que não tinham controle de todo o contingente oposicionista que repentinamente resolveu mostrar as caras.

Evidente que a raiva petista, não se explica somente pelo pânico causado pelas surpresas da campanha eleitoral. Todos conhecem o caldo de cultura reinante no partido e entre suas diversas militâncias; um caldo de cultura que incentiva ao confronto, ao enfrentamento.

No fim das contas, Dilma se elegeu mas o preço foi alto, pois o Brasil do dia 1º de novembro, amanheceu dividido. Uma divisão alimentada pelas políticas intransigentes deste governo.

O Brasil amanheceu dividido e ferido. Hoje se sabe que 44% da população está contra este e contra o futuro governo,  e por razões ideológicas,vale ressaltar. Portanto, a esquerda querer impor sua vontade sem levar em conta esta realidade, só vai fazer aumentar o descontentamento da população.

Cabe aos partidos de oposição, inclinar-se aos anseio desta gigantesca parcela oposicionista da população brasileira e fazer oposição de verdade ou então novas forças políticas nascidas em meio ao povo, assumirão o processo.

Ainda temos esperança que o PSDB não cometa suicídio político e saiba atender aos anseios de toda a massa oposicionista, e com muita humildade, pois é evidente que 44% não reflete o tamanho do partido e sim o tamanho da oposição.

Artigo: BGN

O direito de voto

Editoria do blog

Andamos refletindo sobre o direito do voto. Pensamos: o voto como todo direito, dá àquele que o goza, inclusive, o direito de não usufluir dele ou exercê-lo. Ora, este simples raciocínio remeteu-me à questão do voto facultativo.

Em todas as democracias, o voto é entendido como um direito e assim é facultativo ao cidadão exercê-lo ou não, pois quando se tem um direito , tem-se o direito de não desejar usufluir do mesmo. Entende-se assim que o Estado forçar a aplicação de um direito, é uma violência e por conseguinte, desrespeito ao exercicio do livre-arbítrio.

Até mesmo a teologia judaíco-cristã ensina que Deus concedeu ao homem o livre-arbítrio, ou seja, o homem é livre para decidir seguir ensinamentos de Deus ou a ser rebelde. Fica claro que Deus, respeita o livre-arbítrio das criaturas.

O Estado brasileiro inovou ao garantir o direito de voto e ao mesmo tempo coagir o cidadão a votar, sob pena de sanção legal. Assim um direito tão importante, fica maculado pela ação discricionária do Estado, que em forçando a participação do eleitor no processo eleitoral, desrespeita o direito que todo cidadão tem de não desejar exercer seu direito.

O Voto facultativo, gera o fenômeno do voto de qualidade. Com o voto facultativo, somente participa do processo eleitoral quem realmente se interessa e ainda ajuda a combater várias mazelas existentes em nosso sistema eleitoral.

Talvez se tivéssemos voto facultativo, estarámos hoje, comemorando a eleição de José Serra, candidato de acordo com o perfil ideológico defenido por este blog.

Bem, toda esta divagação, fez com que eu ficássemos curioso sobre se haveria alguma PEC tranmitando no Congresso, introduzindo na legislação o voto facultativo. Eis o que descobrimos:

Abaixo, reprodução do site do Senado Federal

A CCJ ainda tem na lista de matérias que aguardam decisão quatro propostas que alteram a Constituição para introduzir o voto facultativo, para todos os eleitores ou, no caso da PEC 1/09, do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), apenas para as pessoas com deficiência ou dificuldade de locomoção. 

O voto facultativo geral é assunto das PECs 39/04, do ex-senador Sérgio Cabral, e 28/08, da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), que acatou sugestão da Associação Comunitária de Chonin de Cima, de Governador Valadares (MG). 

Por sua vez a PEC 14/03, do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), pretende retirar a questão do texto constitucional, transferindo-a para a legislação ordinária. Assim seria mais fácil mudar para o voto facultativo.
- O país já amadureceu suficientemente para instituir o voto facultativo. O eleitor está preparado para essa nova fase de liberdade. Isso valoriza o eleitor e o processo eleitoral - afirma Alvaro Dias.

Para o senador, cabe à classe política estimular o eleitor a participar das eleições, evitando-se as altas taxas de absenteísmo que normalmente ocorrem em países em que o voto não é compulsório.
- Nós temos de assumir uma posição motivadora do eleitorado e dar liberdade para o eleitor não votar. O voto espontâneo é mais consciente.
Já para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o voto facultativo "aumenta a alienação" e privilegia o eleitorado de maior poder aquisitivo.
- O voto facultativo elimina do exercício do voto as pessoas que têm dificuldade de se locomover. Vai passar a ser a votação de quem tem carro. O voto obrigatório favorece a participação da população de baixa renda e de baixo nível de informação, e é importante que ela participe - argumenta.

O relator das quatro propostas, que tramitam juntas, Demostenes Torres (DEM-GO), apresentou relatório pela rejeição delas. Para ele, o fim do voto obrigatório "nunca foi objeto de campanha convincente e consistente por parte da sociedade brasileira" e o assunto deve ser tratado dentro de uma "ampla reforma político-partidária". 

Comentário:
Os políticos populistas têm medo do voto facultativo, porque els perdem a massa de manobra alienada que de outra forma eles poderiam instrumentalizar.


Fonte: BGN

PSDB não muda cúpula partidária este ano

Mandato de Sérgio Guerra à frente do partido, que terminaria em outubro, foi prorrogado por seis meses

Christiane Samarco - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O PSDB não fará mudanças na direção partidária este ano. O mandato da Executiva Nacional, tendo à frente o senador Sérgio Guerra (PE), terminaria no fim de outubro, mas foi esticado por mais seis meses, até maio de 2011. A prorrogação foi decidida sem alarde, quando a avaliação predominante no partido era a de que o candidato tucano a presidente, José Serra, estava diante da perspectiva de derrota iminente, já no primeiro turno.

A cúpula partidária avaliou que tocar a sucessão interna em plena ressaca eleitoral seria inconveniente, ainda que houvesse uma virada positiva e Serra saísse vitorioso da disputa presidencial.

Hoje, a avaliação predominante nos bastidores é de que o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, eleito senador com uma das maiores votações proporcionais do País, só não será o futuro presidente do PSDB se não quiser. Ninguém acredita que Serra queira se abrigar na direção partidária depois de perder a disputa eleitoral, como ocorreu em 2002.

"Mesmo perdendo a eleição, vamos querer virar esta página", diz um importante dirigente tucano. Sérgio Guerra, que disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados e ganhou, já avisou a vários companheiros que não tem interesse em continuar no cargo.

Aécio, que é apontado como presidente ideal por vários dirigentes, também não mostra entusiasmo com a ideia. Diz que não é hora de abrir este debate e que Sérgio Guerra vem conduzindo o partido de forma "extremamente correta e com grande empenho pessoal".

Além da Executiva Nacional, os mandatos das direções municipais e estaduais também serão prorrogados. A ideia é renovar primeiro os comandos do partido nos municípios, o que deve ser feito em fevereiro, para no mês seguinte eleger as novas direções em cada Estado.

A sucessão na Executiva Nacional fica por último, mas um dirigente do partido diz que o princípio que determinou o adiamento é o mesmo nas três esferas: permitir que as direções renovadas se encarreguem de realizar campanhas para filiar novos quadros e mobilizar o partido para as eleições seguintes.

Como os dirigentes do PSDB têm dois anos de mandato e o prazo de filiação partidária para os candidatos ao Executivo (prefeito, governador e presidente) e ao Legislativo é de pelo menos um ano, o tucanato avalia que a prorrogação vem bem a calhar.

Os novos dirigentes terão seis meses até outubro, quando fecha o prazo de filiação dos candidatos às eleições municipais de 2012, para organizar o partido e começar a escalar o time que disputará as prefeituras e câmaras municipais pelo PSDB.

Decepção com Dilma será inevitável, diz 'The Guardian'

BBC

Os eleitores brasileiros optaram pela continuidade do "lulismo" através de Dilma Rousseff, mas a decepção com a próxima presidente será inevitável, na avaliação de um editorial publicado nesta terça-feira pelo diário britânico "The Guardian".

"Inevitavelmente, ela decepcionará. Após dois mandatos, Lula tem o status de uma entidade divina no país", afirma o editorial.

O jornal comenta que Lula conseguiu tirar 20 milhões de brasileiros da pobreza extrema, elevar 30 milhões à classe média e reduzir o desemprego a níveis recordes, em "uma mudança que os brasileiros puderam sentir".

Para o Guardian, Dilma é uma "tecnocrata de estilo rápido e direto" e assumirá a Presidência "em circunstâncias diferentes e com habilidades diferentes".

"As questões administrativas de sua Presidência não devem lhe apresentar dificuldade, mas as políticas poderão. A bajulação e a sedução não são seu melhor papel, apesar de chegar ao poder com maiorias nas duas casas do Congresso", diz o texto.

O jornal afirma ainda que o boom econômico vivido pelo Brasil pode também trazer desafios, com a ameaça de desindustrialização caso o país se acomode como exportador de commodities e não invista em seu setor manufatureiro.


"Para isso, o país precisa combater os problemas mais difíceis, como salários, aposentadorias, sistema tributário e dívida pública, os quais Lula mostrou pouco desejo de reformar", diz o Guardian.

Para o jornal, o trabalho de Dilma foi facilitado, mas ela deve enfrentar uma "lua-de-mel" com os eleitores mais curta do que a que Lula teve. Ainda assim, o diário conclui seu editorial afirmando que "a questão importante é que a visão de uma nação que tira milhões da pobreza enquanto sua economia cresce seja mantida viva".

PAÍS DIFERENTE

Também em editorial, o diário econômico britânico Financial Times adota linha parecida ao afirmar que os próximos quatro anos "serão mais difíceis" para Dilma do que foram os primeiros anos de Lula.

Para o jornal, apesar de "continuidade ser a palavra da hora no Brasil", Dilma e Lula são pessoas com personalidades muito diferentes, o que deve deixar o país também diferente sob o novo comando. "Seria uma coisa ruim se não fosse diferente", diz o editorial.

Para o FT, o carisma de Lula e "sua capacidade para praguejar contra algo de manhã e elogiar à tarde" permitiram a ele superar obstáculos como os escândalos de corrupção durante seu governo.

O jornal avalia que Dilma poderá ter dificuldades para manter coesa sua coalizão, "a não ser que Lula mexa seus pauzinhos nos bastidores, o que poderá trazer seus próprios problemas".

O editorial adverte ainda sobre os perigos da frágil recuperação econômica mundial, do aumento dos gastos públicos e dos juros altos, que ajudam a inflar o fluxo de divisas para o país, num momento em que as autoridades brasileiras se dizem preocupadas com a "guerra cambial".

O diário comenta ainda que Dilma terá também mais dificuldades do que Lula em sua política externa. "Uma coisa é Lula abraçar o presidente do Irã em nome da 'paz e do amor'. Outra coisa seria a 'dura' Dilma tentar o mesmo e sair incólume", diz o jornal.

Para o FT, "o Brasil sem Lula pode ser tornar mais turbulento e menos popular". "Mas isso também poderia mostrar que o país está se tornando mais aberto, democrático e maduro", conclui o jornal.

Dilma pode; o que fará?

SÉRGIO DÁVILA - FOLHA DE S. PAULO

Os norte-americanos vão hoje às urnas renovar parte de seu Congresso. Se as pesquisas estiverem corretas, a oposição republicana deverá conquistar a maioria na Câmara dos Representantes (deputados federais), atualmente nas mãos da situação democrata, e chegar perigosamente perto do equilíbrio no Senado.

Sem a "supermaioria" -60 dos 100 assentos do Senado, maioria simples na Câmara- com que contou em parte dos dois primeiros anos de mandato, o democrata Barack Obama deve ver sua agenda reformista empacar. Historicamente, nos EUA, presidentes estreantes perdem cadeiras nas primeiras eleições legislativas que enfrentam.

Obama prometia ser diferente também nisso. Só que não previu a persistência da crise econômica que herdou de seu antecessor, o republicano George W. Bush, crise que teima em manter o desemprego na casa dos 10%. Hoje, 1 em 5 norte-americanos em condições de trabalhar está parado em casa.

Parte dessa multidão ociosa vira alvo fácil de discursos mais radicais como o do Tea Party, que tem sua estrela na ex-governadora do Alasca Sarah Palin. Esse movimento de direita tenta grudar em Obama a responsabilidade por tudo de ruim que acontece no país. Deve ajudar a virar três cadeiras democratas no Senado para os republicanos.

Mas só a economia e as patacoadas de Palin não explicam tudo. Barack Obama presidente é vítima de Barack Obama candidato. "As expectativas [criadas pela campanha] eram impossivelmente altas", disse ontem um graduado assessor obamista ao jornal britânico "Guardian".

É o oposto do que aconteceu com Dilma Rousseff, eleita no domingo por 55,8 milhões de brasileiros. Seu desempenho na campanha foi tão mediano, as propostas tão ausentes, as promessas tão vagas, que só se pode esperar que ela seja melhor presidente do que foi candidata.

Assim como Obama, Dilma governará um país em que, até outro dia, pessoas iguais a ela sofriam forte discriminação.

Também como Obama, Dilma terá a caneta e o Congresso nas mãos -mas terá mais poder. Nos EUA, funciona o sistema de freios e contrapesos criado para inibir a gula do Executivo. No Brasil, a Presidência da República é o maior partido político de fato, e os outros Poderes tendem a gravitar em direção a ela.

Em seu discurso de agradecimento, anteontem à noite, Dilma exortou os pais a dizer às filhas "Sim, a mulher pode!", adaptando o mote da campanha obamista "Yes, we can!" ("Sim, nós podemos!", em inglês).

De fato, Dilma poderá. Resta saber o que "a mulher de Lula" fará com esse poder.

Lula ressuscitou a oposição

Augusto Nunes - Veja

“Eu gostaria de uma eleição plebiscitária, ou seja: nós contra eles, pão pão, queijo queijo”, desafiou em outubro de 2009 o presunçoso, em êxtase com taxas de popularidade anabolizadas por comerciantes de porcentagens.

Bastaria ensinar ao país que Dilma Rousseff era o codinome com que disputaria a própria sucessão para que o jogo começasse com o placar já assinalando 80% a 4%. Um oceano de brasileiros felizes contra a poça de insatisfeitos profissionais, imaginou o campeão da bazófia. A goleada estava garantida.


“A maior obra de um governo é eleger o sucessor”, avisou em fevereiro passado o chefe de Estado ao abandonar o emprego para virar chefe de facção e animador de palanque. Nos oito meses seguintes, o governante fora-da-lei atropelou a Constituição, debochou da Justiça Eleitoral, afrontou o Ministério Público, zombou dos adversários.

Presidente de todos os brasileiros, açulou a radicalização maniqueísta, abençoou a beligerância das milícias, colocou a administração federal a serviço de uma candidatura ─ tudo para transformar em herdeira uma formidável nulidade. Conseguiu. Ganhou a eleição. Mas vai sair do governo menor do que parecia ao entrar. E não foi pouco o que perdeu.

O país redesenhado pelas urnas do dia 31 informou que a estratégia do “nós contra eles” foi uma má ideia. Disfarçado de Dilma Rousseff, Lula sepultou os sonhos presidenciais de José Serra. Mas ressuscitou, com dimensões especialmente impressionantes, a oposição que não houve em seus oito anos de reinado.

No mundo dos ibopes e sensus, os que não se ajoelham no altar de Lula nunca ultrapassaram a fronteira dos 5%. Sabe-se agora que somam 45% do eleitorado. O Brasil insatisfeito é infinitamente maior que Serra, muito mais combativo que o PSDB. E está disposto a resistir energicamente ao prolongamento da Era da Mediocridade.

 
Popularidade não rima com voto, reiterou a paisagem eleitoral. No Brasil das pesquisas, Lula vai beirando os 100% de aprovação (ou 103%, se a margem de erro for camarada). Na vida como ela é, a unanimidade foi rebaixada a 56% dos votos válidos. A dupla Lula-Dilma venceu na metade superior do mapa. Foi derrotada na metade muito mais desenvolvida. Os 10 Estados que elegeram candidatos do PSDB e do DEM abrangem 53% do eleitorado.

Se o PSDB não assimilar a partitura composta pela resistência democrática, que destaca enfaticamente valores éticos e morais, vai perder o bonde da história.

Os eleitores que não compraram a dupla Lula-Dilma também rejeitam partidos que só agem ─ e com dolorosa timidez ─ quando começa a temporada de caça ao voto. Se os líderes tucanos não aprenderem a opor-se o tempo todo, e desde já, logo não terão ninguém a liderar. Os descontentes descobriram que podem viver sem eles. E saberão o que fazer.

Após derrota de Serra, Gabeira defende "clareza" na oposição

Gabeira diz que oposição tem que ter clareza em suas posições e propostas

A oposição precisará ter mais mais clareza em suas posições e propostas durante o futuro governo de Dilma Rousseff (PT), algo que faltou durante a campanha e os dois mandatos do também petista Luiz Inácio Lula da Silva, avaliou nesta segunda-feira (1) o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), segundo colocado na eleição para o governo fluminense.

A afirmação condiz com sua postura na disputa eleitoral. Diferente do presidenciável tucano José Serra, que chegou a pôr Lula em um de seus primeiros jingles e programas eleitorais na TV, Gabeira, durante a campanha, sempre se afirmou como candidato de oposição ao governo federal e à aliança formada pelo PT e o PMDB, do governador reeleito Sérgio Cabral (PMDB).

"Faltou clareza para a oposição, que acabou incorporando algumas plataformas do governo atual", disse Gabeira ao Terra, referindo-se a propostas de José Serra para ampliar programas implantados por Lula, como o Bolsa Família e o ProUni. "Daqui para frente, será preciso desenhar com nitidez uma política de oposição que denuncie o aparelhamento do Estado, a falta de sustentabilidade ambiental nas decisões econômicas, a própria corrupção e a propaganda vazia sobre feitos inacabados", escreveu em seu site o deputado, que apoiou a candidata à presidência de seu partido, Marina Silva, no primeiro turno, e, no segundo, fez campanha para Serra - cujo PSDB o apoiara na campanha estadual.

Durante a campanha, Gabeira também criticou duramente Lula, classificando-o duas vezes como "mestre em pôr a culpa na vítima". A primeira foi em julho, quando o presidente ofereceu abrigo à iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento em seu país, mas dizendo que "a aceitaria no Brasil 'se esta mulher está causando incômodo'". A segunda, já no segundo turno, em outubro, após Serra ter sido agredido por militantes do PT durante uma caminhada em Campo Grande (zona oeste do Rio) e Lula insinuou que o tucano tivesse simulado. Nas duas ocasiões, Gabeira ainda lembrou a tentativa de Lula de equiparar presos políticos de Cuba a criminosos.

Fonte: João Pequeno - Terra

Juristas criticam primeiro discurso de Dilma depois de eleita

O advogado José Carlos Dias disse que declaração foi reconhecimento de erros como os ocorridos na própria adminstração da petista na Casa Civil

Fausto Macedo - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Causou polêmica entre juristas e advogados renomados o trecho do pronunciamento da presidente eleita Dilma Rousseff(PT) em que ela promete valorizar a transparência na administração pública e garante que não haverá compromisso com o erro, o desvio e o mal feito.

"Até parece que a oposição foi eleita", disse o advogado José Carlos Dias, criminalista há mais de 40 anos. Para ele, o discurso da petista, feito logo após ser declarada vencedora pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), "soa, ainda que de forma indireta, como uma admissão de irregularidades no governo".

"Tudo o que ela (Dilma) está propondo fazer é absolutamente contrário ao que o governo fez durante todo esse período, governo do qual ela participou", avalia José Carlos Dias. "É um reconhecimento de que houve tais erros em sua própria administração porque Erenice (Guerra, sucessora de Dilma na Casa Civil) estava lá na ante sala dela e Dilma a aceitava."

Dias considera que a eleita apresentou ao País um "discurso padrão". "Precisa ver se depois ela vai cumprir essas promessas. Quem trabalhou tantos anos no governo Lula precisará fazer uma transformação total para poder realmente atuar do jeito que propõe."

Para o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), "o entusiasmo (de Dilma) não deve ceder à cultura até aqui enraizada". "É uma sinalização alvissareira e que, se realmente observada, implicará dias melhores para essa nossa sofrida República", anota o ministro. "Em sã consciência todos nós temos que admitir que há uma página a ser virada. Somente a hipocrisia é que realmente pode levar-se a pensar que tudo está bem."

"Vamos apostar, nós cidadãos brasileiros preocupados com a coisa pública, vamos apostar nossas fichas no que ela realmente veiculou", diz o ministro. "Ela disse, inclusive, que realmente lutará pela liberdade de opinião e de expressão. Assim é que se quer em uma República verdadeiramente democrática."

Luiz Fernando Vidal, presidente da Associação Juízes para a Democracia, considera que o discurso de Dilma não fugiu do esperado. "Nesse sentido é obvio que todo administrador público tem o dever de se pautar por esse dever de transparência. Acho que, de certa forma, expressa algum compromisso de se colocar esse dever de transparência acima de interesses de momento, partidários e políticos circunstanciais."

Para o magistrado, "só o tempo é que vai dar elementos para saber se esse compromisso é efetivo ou não".

Sobre o fato de Dilma dizer que não haverá compromisso com o erro, o presidente da Associação dos Juízes para a Democracia faz uma observação. "Acho que o erro é um acontecimento previsível, esperado, em qualquer administração pública, muito embora seja sempre indesejado. Nesse sentido eu creio que ela expressa essa ideia de que não deseja o erro e que o erro será reparado."

Para Vidal, "é uma obrigação" dar respaldo aos órgãos de controle e de fiscalização, conforme anunciado por Dilma. "É uma obrigação. Acho que também podemos fazer uma leitura aí de um compromisso dela no sentido de que a máquina do governo vai ser usada para garantir a independência desses meios institucionais. A leitura é essa: o compromisso com a independência."

O jurista Miguel Reale Júnior, também ex-ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso, disse. "Uma coisa é a declaração, outra coisa é a realidade. Tivemos o exemplo do caso Erenice durante a campanha, em que a candidata resumiu o episódio à responsabilidade de um filho de um assessor."

Para Reale Júnior, "ela (Dilma)minimizou ao máximo fatos gravíssimos ocorridos na sua gestão, entre 2007 e 2009, e depois na gestão de sua sucessora (Erenice Guerra), promoveu a minimização dos graves acontecimentos".


"Importante não é saber quem é que fez o lobby, mas quem tomou a decisão que atendeu o lobby", argumenta o advogado.

Reale Júnior também considera obrigação dar respaldo à atuação dos órgãos de fiscalização. "A expectativa é que ela se lembre do que diz no discurso. Fica como uma marca, um ponto a ser intensamente cobrado da futura presidente. Respaldar a autonomia e a independência desses órgãos de controle e de fiscalização, é isso que tem que ser respaldado. E não é bem o que aconteceu, seja com a Polícia Federal ou dentro da Receita, onde houve efetivamente escamoteamento, ocultação das responsabilidades por tanto tempo. Uma coisa é discurso, outra é realidade."

Trincheira: Oposição comandará dez Estados

O tamanho da oposição

 A oposição sai destas eleições com uma bancada menor no Congresso, contudo, o PSDB reagiu com força nos estados e elegeu o maior número de ogvernadores, no caso, oito. E não somente isto: comandará os maiores colégios eleitorais do Brasil e os estados economicamente mais pujantes.  O DEM conseguiu o governo de dois estados e assim a oposição controlará 10 estados.

Veja a posição de cada um dos partidos no País a partir de 1º de janeiro de 2011:

PSDB: 8 governadores.

Geraldo Alckmin (SP), Antonio Anastasia (MG), Beto Richa (PR), Siqueira Campos (TO), no primeiro turno. Marconi Perillo (GO), Simão Jatene (PA), Teotônio Vilela (AL) e José de Anchieta Júnior (RR), no segundo turno.

PSB: 6 governadores.

Eduardo Campos (PE), Renato Casagrande (ES), Cid Gomes (CE), no primeiro turno, Ricardo Coutinho (PB), Camilo Capiberibe (AP) e Wilson Martins (PI), no segundo turno.


PMDB: 5 governadores.

Sérgio Cabral (RJ), Silval Barbosa (MT), André Puccinelli (MS), Roseana Sarney (MA), no primeiro turno, e Confucio Moura, no segundo.

PT: 5 governadores.

Tarso Genro (RS), Jaques Wagner (BA), Marcelo Déda (SE), Tião Viana (AC), no primeiro turno, e Agnelo Queiroz (DF), no segundo.

DEM: 2 governadores.

Raimundo Colombo (SC) e Rosalba Ciarlini (RN), no primeiro turno.


PMN: Omar Aziz (AM), no primeiro turno.

Foram reeleitos: Jaques Wagner (PT-BA), Cid Gomes (PSB-CE), Roseana Sarney (PMDB-MA), André Puccinelli (PMDB-MS), Eduardo Campos (PSB-PE), Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Marcelo Déda (PT-SE), José de Anchieta Júnior (PSDB-RR), Teotônio Vilela (PSDB-AL), Omar Aziz (PMN-AM), Silval Barbosa (PMDB-MT), Antonio Anastasia (PSDB-MG), Wilson Martins (PSB-PI).

 Conclusões

A oposição ao novo gorverno petista deverá ser de tipo diferente, pois até agora, não tem sido oposição de verdade. A falta de uma postura mais contundente, custou a eleição ao PSDB.

Está na hora de o partido encarar de frente aos desafios que se avizinham e mostrar ser uma alternativa sedutora aos eleitores.

José Serra - Pronunciamento final Eleições 2010

Discurso de agradecimento de José Serra

“Minha mensagem de despedida para vocês não é um adeus, é um até logo”

Os eleitores brasileiros falaram e nós recebemos com respeito e humildade a voz do povo nas urnas.Disputei com muito orgulho a Presidência da República. Quis o povo que não fosse
agora, mas digo aqui, de coração, que sou muito grato aos 43 milhões de brasileiros e brasileiras que votaram em mim, que colocaram um  adesivo, uma camiseta, que carregaram uma bandeira com o Serra 45. Meu imenso “muito obrigado” a todos vocês.

Quero agradecer também aos milhões de militantes que lutaram, nas ruas e na internet, em defesa de nossa mensagem, de um Brasil soberano, democrático e propriedade do seu povo. Vou carregar comigo cada olhar, cada abraço, cada palavra, cada mensagem de estímulo em vibração, inclusive no meu twitter.

Ao lado dos 43 milhões de votos que recebemos, tivemos a eleição de dez governadores que nos apoiaram. Mas a maior vitória que conquistamos nessa caminhada não foi mérito meu, mas de vocês. Pode parecer estranho para um candidato que não ganhou a eleição, mas vim  aqui não para falar de minha frustração, vim falar da esperança.

Neste meses duríssimos, quando enfrentamos forças terríveis, você alcançaram uma vitória estratégica. Cavaram uma grande trincheira, construíram  uma fortaleza, consolidaram um campo político em defesa da liberdade e  da democracia no Brasil. Em defesa das grandes causas econômicas e  sociais do país.

Nossa campanha trouxe ao cenário eleitoral uma  juventude que ama o Brasil, que ama a liberdade. Ao longo da campanha  vi em muitos jovens, em centenas, em milhares deles, o jovem que fui um
dia, sonhando e lutando por um país melhor, mais justo, democrático. Onde os políticos fossem servidores e não se servissem do povo. Vocês não imaginam quanta energia tirei daí, como isto jogou para adiante mesmo nos momentos mais difíceis.

Para os que nos imaginam derrotados, saibam de uma coisa: apenas começamos a lutar de verdade. Vamos dar nossa contribuição ao país em defesa da  pátria, da liberdade,da democracia, do direito que todos tem de falar e serem ouvidos. Da integridade da vida pública.

Essa será nossa  luta nos próximos anos. Por isso, minha mensagem de despedida para  vocês não é um adeus, é um até logo. A luta continua.

Fonte: BGN

As consequências da vitória de Dilma

Pelo modo como Dilma foi escolhida por Lula, quem tem força política não tem cargo; quem tem cargo não tem força política; quem vai mandar? Dilma ou Lula?

Leôncio Martins Rodrigues - O Estado de S.Paulo
SÃO PAULO - A perspectiva de mais quatro anos de governo presidido por alguém que veio da guerrilha e do PDT de Brizola eleva os temores das classes empresariais e das tendências políticas liberais de que tenhamos um significativo fortalecimento do intervencionismo estatal e do autoritarismo.

É um pouco cedo para previsões, tanto mais que o programa da candidata e o esforço de responder ao que o eleitor desejava ouvir não trouxeram muitos elementos para esclarecimentos do que seria um governo tendo Dilma como presidente. Mas podemos refletir com um pouco mais de segurança sobre algo que logo deverá estar à vista e resulta do próprio processo personalista e autoritário da escolha da candidata vitoriosa. A questão básica pode ser resumida na pergunta que sempre está no centro das disputas políticas: quem vai mandar? Dilma ou Lula? Da resposta a essa questão - que normalmente, no presidencialismo, não precisa nem ser formulada - podem resultar complicações institucionais que dificultarão o bom andamento da máquina administrativa federal.

No presidencialismo, quem legitima e legalmente exerce o poder é o escolhido pelo voto segundo certas regras das disputas. Ele - ou ela, no nosso caso - é o número um. Não há dois números um. Mas a eleita não tem força político-eleitoral, quaisquer que sejam suas qualificações administrativas para o exercício do cargo máximo. Na situação criada pelo modo como Dilma foi escolhida e oferecida ao eleitorado, quem tem força política não tem cargo; quem tem cargo não tem força política. Há uma contradição entre o institucional e o político. O que deve prevalecer? O formal ou o real? O legal ou o legítimo? Quem deve ser o chefe? O criador ou a criatura? Ou não haveria chefe?

Uma saída seria a constituição de um grupo seleto e relativamente informal de subcomandantes que funcionaria como o cérebro do novo governo, uma espécie de seu birô político. Mas chefia coletiva só acontece quando da morte do grande chefe, quando ainda não está consolidada a relação de forças no grupo interno do poder e o sucessor não foi indicado com antecedência.

A União Soviética depois da morte de Stalin ilustra essa situação. Uma direção coletiva foi formada e exaltada depois da morte do Guia Genial dos Povos. Durou pouco tempo. Logo o poder supremo voltou para as mãos de um só. Políticos não gostam de dividir poder.

Em política, nas ditaduras ou nas democracias, dentro de cada partido ou das facções partidárias, o n.º 1 é um só. Em nossa história recente, houve vices eleitos nas costas do titular que assumiram a Presidência sem votos. Pensamos em José Sarney e Itamar Franco. A letra dos ordenamentos jurídicos que dão o controle do Diário Oficial, quer dizer, da distribuição dos benefícios, acabou por impor-se.

A situação originária desta eleição de 2010 é diferente. Quando votaram em Dilma, os eleitores sabiam que não estariam escolhendo Dilma, mas Lula. A primeira presidente do Brasil estaria lá para expressar a vontade de um homem. Sua candidatura era uma oportunidade que Lula oferecia aos eleitores de lhe darem um terceiro mandato. Os eleitores atenderam o desejo do Lula. Mas o político a quem a maioria dos eleitores gostaria de ver permanecer no Palácio do Planalto estará fora do governo. Poderia ser nomeado para algum ministério, caso quisesse. Mas Lula não pode voltar para uma posição subordinada a Dilma. E ela, ocupando a Presidência, não pode ficar subordinada ao ex-chefe.

Talvez, com a ajuda do novo governo, possam acontecer pressões populistas para encontrar alguma fórmula jurídica que permitiria a Lula voltar mais cedo ao poder. A história latino-americana de países que admiram a "democracia substantiva" mostra vários exemplos de lideranças populistas que gostam de arengar para as massas de palanques presidenciais e que gostam de continuar.

Ocorre que, mantido o quadro constitucional, Dilma passará não apenas a habitar o Palácio da Alvorada como a assinar todos os atos importantes de governo. Por mais que adequadamente assessorada, no final caberá a ela decidir. Se deixar a última palavra para Lula, a ex-chefe da Casa Civil estará desmoralizada e terá dificuldade para impor sua autoridade. Se apenas escutar os conselhos do ex-chefe e a eles fizer ouvidos moucos, estará contrariando o político mais popular do Brasil.

Essas são, obviamente, observações especulativas sobre desenvolvimentos possíveis. Mas, se exemplos do passado têm alguma importância, não parece certo que Dilma se encolherá para um segundo plano, limitando-se a cumprir as ordens de Lula.

Geralmente, com o correr do tempo, as criaturas revoltam-se contra o criador. A história brasileira mostra muitos casos de padrinhos políticos que, impedidos legalmente de disputar um novo mandato, conseguiram eleger sucessores quase totalmente desconhecidos do eleitorado.

Ademar de Barros, então governador de São Paulo, em 1950, lançou o professor da Escola Politécnica da USP Lucas Nogueira Garcez para sucedê-lo. Contudo, uma vez no governo, Garcez afastou-se de Ademar e ajudou a eleger Jânio Quadros. Em 1990, Orestes Quércia lançou seu ex-secretário de Segurança Fleury Filho ao governo do Estado. Fleury foi eleito, mas logo rompeu com Quércia e foi para o PTB; Celso Pitta, um desconhecido, eleito prefeito de São Paulo em 1996 com apoio de Paulo Maluf, logo rompeu com seu tutor.

Não é que os afilhados tenham vocação para a ingratidão e para traição. Acontece que, na área das relações políticas envolvendo personalidades, a questão do comando é essencial. Os políticos amam o poder tanto quanto gostam de ocultar esse amor. De outro modo, não tolerariam as chateações que acompanham o desmedido esforço para chegar lá.

Resultados eleitorais afetam não apenas a distribuição do poder entre os partidos, mas também o rumo da organização partidária, da distribuição do poder e, consequentemente, da partilha interna de benefícios e vantagens entre as várias facções.

Normalmente, os partidos conseguem acomodar os interesses das facções e grupos. Se não estariam perdidos na competição com os adversários. Alguma acomodação entre as muitas tendências internas também deverá ocorrer no PT. E, aqui, uma dificuldade maior será o equilíbrio (ou desequilíbrio) decorrente da separação entre a influência política de Lula e a autoridade presidencial de Dilma cuja dignidade do cargo necessita manter para a salvação da República.

Leôncio Martins Rodrigues, é professor titular aposentado do Depto de Ciência Política da USP e da UNICAMP e também, membro da Academia Brasileira de Ciência

TSE: Ricardo Lewandowsi defende a imprensa livre

Presidente do tribunal, ministro Ricardo Lewandowsi, destacou o papel da imprensa livre no processo eleitoral

CÉLIA FROUFE - Agência Estado

O ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), informou oficialmente às 20h14 deste domingo, 31, que a candidata do PT, Dilma Rousseff, é a nova presidente do Brasil. Até aquele momento, ela contabilizava 55,39% dos votos válidos ante o opositor, o tucano José Serra, que somava 44,61%, e, assim, estava matematicamente eleita. Esta é a primeira vez que o Brasil elege uma mulher presidente da República.

Lewandowski aproveitou ainda o momento para destacar o papel da imprensa no processo. "Quero agradecer especialmente a colaboração da imprensa e dos jornalistas e quero reafirmar a minha convicção de que sem uma imprensa livre não há democracia", afirmou.

Ao anunciar o boletim, o presidente do TSE disse que ele "certamente" já estaria desatualizado. "em função da velocidade da internet, mas às 20 horas, 4 minutos e 15 segundos já podemos anunciar oficialmente a vitória matematicamente apurada da candidata Dilma Rousseff". De acordo com ele, 92,23% das sessões eleitorais já estavam apuradas naquele momento, com índice de abstenção de 21,18%.

"Tenho a grata satisfação de anunciar o sucesso do nosso sistema eleitoral, com tecnologia genuinamente brasileira", comemorou. Segundo ele, em 2002, foi possível anunciar o vencedor às 23 horas e, em 2006, às 21h30.

"Nestas eleições, batemos o recorde em termos mundiais: 20h04. Quero dizer que o resultado reflete a vitória do povo brasileiro e das instituições republicanas, sobretudo da Justiça Eleitoral", disse o ministro.

Dilma é eleita à presidência

Dilma Rousseff (PT) é eleita a primeira mulher presidente do Brasil.

Com 93,25% dos votos apurados, a candidata petista alcançou até o momento 55,43% dos votos válidos, tem 51,5 milhões de votos e matematicamente já não pode ser alcançada pelo tucano José Serra, que, com 44,69%, tem 41,4 milhões.

Votos nulos somam 4,4%, e brancos, 2,3%. A abstenção gira em torno de 21,1%. O eleitorado brasileiro é de 135 milhões de pessoas.

CANDIDATURA

Ex-ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, Dilma foi alçada já em 2008 à condição de candidata pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que começou então a dar as primeiras indicações de que gostaria de ver uma mulher ocupando o posto mais importante da República.

Em 31 de março deste ano, Dilma deixou a Casa Civil para entrar na pré-campanha.

Cresceu nas pesquisas e chegou a ter mais de 50% dos votos válidos em todas elas, mas começou a oscilar negativamente dias antes do primeiro turno, após a revelação dos escândalos de corrupção na Casa Civil e da entrada do tema do aborto na campanha.

Logo no primeiro debate do segundo turno, reagiu aos ataques que vinha sofrendo e contra-atacou Serra. A partir daquele momento, a diferença entre os dois candidatos nas pesquisas parou de cair.

Dilma se torna neste domingo o 40º presidente da República brasileira.

NOME FORTE

Dilma tornou-se um nome forte para disputar o cargo ao assumir o posto de ministra-chefe da Casa Civil, em junho de 2005, após a queda de José Dirceu no escândalo do mensalão.

No comando da Casa Civil, Dilma travou uma intensa disputa com o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, por causa da política econômica do governo. Enquanto ele defendia aperto fiscal, ela pregava aceleração nos gastos e queda nos juros.

Dilma acabou assistindo à queda de Palocci, em março de 2006, devido à quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

Com a reeleição de Lula e sem grandes rivais à altura no PT, Dilma tornou-se, depois do presidente, o grande nome do governo. Apesar do poder acumulado e do protagonismo que passou a exercer ao lado de Lula, até outubro de 2007 Dilma negava que seria candidata.

MINAS E ENERGIA

Sua atuação à frente do Ministério de Minas e Energia rendera-lhe a simpatia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enxergou na subordinada, de perfil discreto e trabalhador, a substituta ideal para o posto de Dirceu.

Ela foi indicada para o ministério logo após Lula se tornar presidente, em 2002. No comando da pasta, anunciou novas regras para o setor elétrico além de lançar o programa Luz para Todos --uma das bandeiras de sua candidatura.

O novo marco regulatório para o setor elétrico --lançado em 2004-- foi considerado a primeira iniciativa do governo Lula, na área de infra-estrutura, de romper com os padrões do governo FHC, marcado pelo "apagão" de 2001.

A principal característica do novo marco foi o aumento do poder do Estado em detrimento da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

ORIGEM

O pai de Dilma, Pedro Rousseff, veio para a América Latina na década de 30 do século passado. Viúvo, deixara um filho, Luben, na Bulgária. Passou por Salvador, Buenos Aires e acabou se instalando em São Paulo. Fez negócios na construção civil e com empreitadas para grandes empresas, como a Mannesmann.

Já estava havia cerca de dez anos no Brasil quando, numa viagem a Uberaba, conheceu a professora primária Dilma Jane Silva, nascida em Friburgo (RJ), mas radicada em solo mineiro. Casaram-se e tiveram três filhos. Igor nasceu em janeiro de 1947, Dilma, em dezembro do mesmo ano, e Zana, em 1951. A família escolheu Belo Horizonte para morar.

Levavam uma vida confortável. Passavam férias no Espírito Santo ou no Rio. Às vezes, viajavam de avião. Não era uma clássica família tradicional mineira. Os filhos não precisavam ter uma religião. Escolhiam uma fé se assim desejassem. O pai frequentava cassinos, gostava de fumar e beber socialmente.

Quando morreu, em 1962, Pedro deixou a família numa situação tranquila. Cerca de 15 bons imóveis garantem renda para a viúva Dilma Jane até hoje. Um dos apartamentos fica no centro de Belo Horizonte.

 Fonte: FOLHA DE S PAULO

Serra confirma favoritismo no Japão

Comparecimento às urnas foi maior que no primeiro turno e Serra levou 70% dos votos

Marcello Sudoh - IPC

O candidato do PSDB José Serra confirmou seu favoritismo entre os brasileiros residentes no Japão obtendo cerca de 70% dos votos válidos no segundo turno das eleições para a presidência da república.

Apurados e divulgados os votos de Tokyo, Nagano, Aichi, Shizuoka, Toyama, Gunma, Ibaraki e Mie, José Serra obteve 4.495 votos contra 1.638 de Dilma Roussef (PT). Os votos em branco somaram 190 e nulos cerca de 120, totalizando pouco mais de 6.470 votantes.

Se comparado ao resultado de primeiro turno, Serra recebeu cerca de 1.200 votos a mais e Dilma perdeu quase 300, contrariando a tendência de voto no Brasil. Outro fato importante foi um comparecimento maior do eleitorado às urnas que no primeiro turno.

O vice-ministro parlamentar das Relações Exteriores, Ikuo Yamahana, esteve visitando as seções de votação no consulado do Brasil, em Tokyo, acompanhado do embaixador do Brasil, Luiz Augusto Castro Neves.

Yamahana perguntou sobre o processo de votação eletrônica e quem eram os brasileiros que trabalhavam nas mesas de votação, atendendo os eleitores. O embaixador Castro Neves explicou como acontecia o voto eletrônico e disse que os mesários viviam no Japão e eram convocados pela Justiça Eleitoral brasileira para o atendimento aos eleitores.

O parlamentar japonês ficou impressionado ao saber que a eleição presidencial por urnas eletrônicas no Japão acontece desde 2002.

Fonte: International Press

FHC vota em SP e diz que previsões mudam

Perguntado sobre pesquisa, disse 'previsão era de chuva e está esse sol'. Ex-presidente afirma esperar que o Brasil saia mais forte das urnas.

Ex-presidente votou na manhã deste domingo em Higienópolis (Foto: Marcelo Mora/G1)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso compareceu para votar neste domingo (31) no colégio Nossa Senhora do Sion, na avenida Higienópolis, região central de São Paulo. Ele foi a pé da sua casa e chegou por volta das 10h50 da manhã.

Antes de votar, ele falou com a imprensa e foi aplaudido pelos eleitores no local. Após sair da seção de votação, ele conversou mais uma vez rapidamente com a imprensa. Perguntado sobre as pesquisas de intenção de voto, que apontam vitória da candidata petista Dilma Rousseff, Fernando Henrique afirmou: “A previsão para hoje era de chuva. Eu estava com um medo danado de que fosse chover, mas olha esse sol todo”.

Ainda ao se referir sobre pesquisas, ele recordou a campanha à Prefeitura de São Paulo, em 1985, quando às vésperas do pleito ele era apontado como o favorito, mas acabou derrota pelo ex-presidente Jânio Quadros. "Pesquisa é pesquisa. Não vou desacreditar as pesquisas, mas estas não captam tudo", afirmou.

Ele disse também esperar que saia "um Brasil mais forte das urnas" e que o futuro presidente trabalhe para construir uma seleção mais preparada para competir com as grandes nações. "O Brasil precisa pensar mais sobre o seu futuro. Acho que seria muito bom, ganhe quem ganhar, que tivesse uma boa visão do Brasil. Precisamos criar uma sociedade, com respeito à democracia, que não tenha abuso de poder por parte de ninguém. Tem muito assunto para ser discutido, mas nada disso foi objeto da campanha", disse.

Independemente de quem for eleito à Presidência, Fernando Henrique Cardoso espera mais colaboração entre o PSDB e o PT, dois dos maiores partidos do país atualmente. "Eu esperava mais cooperação (já nos mandatos de Lula), mas o governo Lula se caracterizou pela intransigência. Espero que isso mude, porque senão não avançaremos politicamente. O Brasil precisa de pontes, mas a ponte precisa ser construída. Por enquanto, o PT e o governo foram dinamitadores de pontes", declarou.

Ao ser questionado sobre a sua relação com o atual presidente, Fernando Henrique disse "não ter mágoa" de Lula. "Ele perdeu a oportunidade de construir uma democracia mais tranquila. Se ele fosse um pouco menos agressivo, se tivesse uma visão mais pluralista, se fosse um pouquinho mais humilde, teria sido melhor". E, antes de terminar, ele revelou, com bom humor: "Já convidei (o Lula) para tomar um café. Um só, porque ele sabe que sou pão-duro".

Fonte: Marcelo Mora - G1

Eleições 2010: Serra vota em SP acompanhado de aliados e defende 'alternância do poder'

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, votou por volta das 11h30 deste domingo no Colégio Santa Cruz, em Pinheiros (zona oeste de São Paulo).

Candidato do PSDB à Presidência, José Serra vota em São Paulo/Nacho Doce/Reuters

Segundo o tucano, o povo vota, escolhe e decide. "O que vamos fazer agora é aguardar essa decisão. Se motivação houve para essa batalha desigual, o elemento fundamental é a confiança que eu sentia nas ruas, no abraço das pessoas."

Ele disse torcer para que hoje, além da "beleza da democracia", haja também a "beleza da alternância do poder".

Na saída, um manifestante, estudante de ciências sociais, mostrava um cartaz com os dizeres: "Serra, o papa é contra a camisinha no combate à Aids?"

Serra votou acompanhado de sua mulher, Mônica, e de seus companheiros de coligação: o governador eleito, Geraldo Alckmin (PSDB), o atual governador Alberto Goldman (PSDB), o prefeito da Capital, Gilberto Kassab (DEM), e o senador eleito por São Paulo Aloysio Nunes (PSDB).

Depois de confirmar seu voto, ele posou para fotos acompanhado dos netos --Antonio e Gabriela--, fazendo com as mãos o gesto que simboliza a vitória.

No primeiro turno, o candidato votou no começo da tarde e estava acompanhado de seu vice, Indio da Costa (DEM-RJ).

Dilma votou em Porto Alegre

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, participou na manhã deste domingo de um café da manhã em Porto Alegre com cerca de 150 líderes políticos das coligações que a apoiaram no Rio Grande do Sul. Por volta das 9h15, ela votou em uma escola, no centro da cidade.

Ao discursar para os correligionários, no hotel Plaza São Raphael, a candidata lembrou que ontem esteve em Minas, onde nasceu, e que hoje foi ao Estado onde fez sua trajetória política. "É como se eu fizesse a trajetória política da minha vida. Aqui fui recebida quando saí das prisões da ditadura".

Dilma afirmou que é um "bálsamo para a alma terminar a caminhada" entre companheiros políticos e amigos.

Ao fazer um balanço para os jornalistas, a candidata disse preferia enfatizar os "bons episódios" da campanha. Questionada se poderia chamar a oposição para seu governo, ela afirmou que pretende governar com a coligação, mas para todos os brasileiros.

"A minha coligação, que me trouxe até aqui, é a coligação com a qual vou governar. Vou governar para todos, conversarei com todos os brasileiros".

Segundo pesquisa Datafolha, Dilma chega ao dia da eleição com 55% dos votos válidos e está dez pontos à frente de José Serra (PSDB). A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.

O Datafolha entrevistou 6.554 pessoas neste sábado, um número maior do que o de outras sondagens recentes. A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela Rede Globo e está registrada no TSE sob o número 37903/2010.


A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, votou na manhã deste domingo no centro de Porto Alegre/Sérgio Moraes/Reuters

Fonte: Breno Costa, Ana Flor e Graciliano Rocha/FOLHA DE S PAULO

135,8 milhões de brasileiros decidem hoje eleição

Fim de uma tensa campanha. Agora chegou a hora do voto

Hoje, das 8h às 17h, 135,8 milhões de brasileiros estão aptos para ir às urnas e escolher quem sucederá o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto: Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB). Em oito Estados e no Distrito Federal, também serão definidos os governadores. Os resultados devem ser divulgados no início da noite, numa apuração rápida.

A campanha foi criticada pela falta de programas de governo, com propostas concretas sobre temas importantes como economia, e muita discussão sobre aspectos morais e religiosos.

O aborto dominou uma parte das discussões. A petista teve de explicar várias vezes a sua opinião, reuniu-se com líderes religiosos, apareceu em igrejas e passou a falar em Deus.

O tucano José Serra também peregrinou por igrejas e leu a Bíblia no horário eleitoral. Na reta final, o Papa Bento 16 aconselhou os padres a bispos a orientarem seus fiéis "em matérias políticas".

Foi também a eleição dos rumores, na internet e em panfletos. Na rede circularam vídeos de apoio, de críticas, engraçados (como "Dilma boy" e "Serra comedor"), correntes contra e a favor dos presidenciáveis e listas de apoio aos candidatos, contestadas de ambos os lados.

A eleição deve ser rápida. A expectativa dos agentes eleitorais é de que cada eleitor demore, no máximo, 30 segundos para votar –onde não houver segundo turno na disputa estadual o tempo deve ser ainda menor. Em 3 de outubro, os eleitores votaram para presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual.

A disputa de segundo turno paga governador ocorre no DF e nos seguintes Estados: Alagoas, Amapá, Goiás, Pará, Paraíba, Piauí, Rondônia e Roraima.

Com menos cargos em disputa, a expectativa é que já se conheçam o novo presidente e os novos governadores por volta das 20h. Serão contabilizados os votos de 420 mil seções eleitorais, onde trabalham 2,2 milhões de mesários, mesmos números do primeiro turno na maior eleição da história brasileira.
Custo

A Justiça Eleitoral estima um gasto de R$ 480 milhões para o pleito. O valor corresponde a R$ 3,56 por eleitor, considerando o total de 135.804.433 votantes. O custo é inferior ao das eleições de 2006 e 2002, que apontaram uma média de R$ 3,58 e R$ 4,31, respectivamente.

O teto estipulado pelo TSE é de gastos de R$ 549 milhões. Esse custo pode ficar menor por conta da decisão dos votantes de escolherem seus governadores em primeiro turno em 18 Estados. Nas últimas eleições gerais, as despesas totalizaram R$ 450 milhões. Em 2002, R$ 495 milhões.

Voto no exterior

Segundo o TSE, 200.392 brasileiros estão aptos a votar em um total de 154 cidades no exterior. O país com o maior número de eleitores brasileiros são os Estados Unidos, com mais de 66 mil pessoas aptas a participar do pleito deste domingo.

Nos EUA, ficam a cidade com o maior número de eleitores brasileiros: Nova York, com 21.076. Na segunda colocação da lista vem Lisboa, em Portugal, com 12.360.


Fonte:UOL

Encerrada votação na Nova Zelândia: Serra venceu

Menos de 10% dos 501 eleitores inscritos no país compareceram para votar no segundo turno

PEQUIM - A eleição presidencial acabou na Nova Zelândia às 2h deste domingo, 31 (horário de Brasília). Quinze horas à frente, o país foi o primeiro a divulgar o resultado, no qual José Serra (PSDB) apareceu como vitorioso.

O tucano obteve 31 votos e a petista Dilma Rousseff, 14. Dos 501 brasileiros que se registraram como eleitores na Nova Zelândia, só 45 votaram ontem.

Fonte: Cláudia Trevisan/O ESTADO DE S PAULO

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