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União Europeia autoriza cultivo de batata transgênica

A última autorização de cultivo de um OGM na UE foi a do milho da Monsant

A Comissão Europeia autorizou nesta terça-feira (2) o cultivo de uma batata geneticamente modificada, do grupo alemão Basf, em sua primeira medida deste tipo nos últimos 12 anos na União Europeia (UE), onde os transgênicos geram fortes polêmicas.

Bruxelas também aceitou a comercialização na Europa de três variedades de milho transgênico da empresa Monsanto, derivados de MON 863, informa um comunicado do Executivo europeu.

Esta decisão foi menos surpreendente, já que a Comissão autoriza com frequência a importação de produtos OGM (organismos geneticamente modificados) para comercialização.

A verdadeira novidade se refere à autorização da batata Amflora, um tubérculo concebido pela BASF, destinada à utilização industrial para a fabricação de amido e para a alimentação de animais.

A última autorização de cultivo de um OGM na UE foi a do milho da Monsanto, o MON 810, em 1998.

Fontes: FOLHA - France Presse

Brasil se torna o segundo maior produtor de transgênicos do mundo

Brasil só é superado pelos EUA

O Brasil se tornou, pela primeira vez, o segundo maior produtor de transgênicos no planeta, com 21,4 milhões de hectares plantados, segundo dados fornecidos pelo Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (Isaaa, na sigla em inglês) nesta terça-feira (23).

Com isso, o Brasil plantou 16% dos 134 milhões de hectares de transgênicos cultivados em 2009 no mundo.

Plantação de soja transgênica na cidade de Ronda Alta, interior do Rio Grande do Sul / Juca Varella -17.jan.04/Folha Imagem

No ranking, feito com dados relativos ao ano de 2009, o país ultrapassou a Argentina --cujo plantio chegou a 21,3 milhões de hectares-- e fica atrás dos Estados Unidos (com 64 milhões).

O crescimento brasileiro foi 35,4% maior em relação a 2008 (quando o país registrou 5,6 milhões de hectares).

"Trata-se do maior índice de crescimento entre os 25 países produtores de transgênicos, especialmente em razão da rápida adoção do milho transgênico", afirma a Isaaa, em comunicado.

A base de produtos geneticamente modificados plantados no Brasil reside na soja (71%), no milho (31%) e no algodão (16%), segundo a entidade.

Os principais Estados produtores que adotaram tecnologia transgênica são Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Piauí, Maranhão e Tocantins.

"Em 2009, 14 milhões de agricultores plantaram 134 milhões de hectares de lavouras transgênicas em 25 países, bem acima dos 13,3 milhões de agricultores e 125 milhões de hectares (7%) em 2008. Notadamente, em 2009, treze dos quatorze milhões de agricultores, ou 90%, foram pequenos agricultores com recursos escassos em países em desenvolvimento", afirma o relatório da Isaaa.

Brasil pode convencer África a aceitar transgênicos, diz assessora dos EUA

A parceria diplomática e científica entre o Brasil e os EUA pode ajudar a vencer a resistência dos países africanos aos transgênicos e abrir caminho para que vegetais geneticamente modificados tenham "um impacto positivo para a segurança alimentar do mundo".

É o que diz a bióloga Nina Fedoroff, 67, assessora especial de ciência da secretária de Estado Hillary Clinton.


Máquina pulveriza agrotóxicos em lavoura de soja transgênica em Ronda Alta, RS; assessora dos EUA propõe convencer africanos / Juca Varella/Folha Imagem

Originalmente indicada por Condoleezza Rice para o cargo, ela se abstém de criticar o governo George W. Bush, ao contrário de muitos cientistas norte-americanos, mas afirma que o presidente Barack Obama foi quem mais abraçou o conceito de "diplomacia científica".

Segundo ela, trata-se de usar a colaboração internacional entre pesquisadores como forma de fortalecer a ação conjunta sobre temas controversos, como os transgênicos --ou o aquecimento global e a explosão populacional, duas de suas grandes preocupações.

Fedoroff esteve em São Paulo na semana passada para tentar ampliar as parcerias na área de ciência e desenvolvimento entre norte-americanos e brasileiros.

Em entrevista à Folha, reconheceu que é muito difícil fazer com que o público dos EUA se importe o suficiente com as mudanças climáticas para levá-lo a agir.

Ela diz que estudos sobre a biologia das plantas cultivadas podem ser um caminho "semitecnológico" para minimizar o carbono na atmosfera e ataca os que rejeitam os transgênicos.

"Não existe nenhum risco real. Os riscos, depois de 13 anos de plantio comercial, continuam sendo hipotéticos."


Fonte: FOLHA / REINALDO JOSÉ LOPES

Safra de grãos pode bater recorde em 2010, afirma Conab

Produção pode chegar a 141,6 mi de toneladas devido às melhores condições climáticas, diz levantamento

BRASÍLIA - O primeiro levantamento de intenção de plantio para a safra 2009/10, divulgado nesta quarta-feira, 7, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), prevê uma produção entre 139,1 milhões de toneladas e 141,6 milhões de toneladas de grãos. "Nossa expectativa é que não tenhamos tantos problemas climáticos como no ano passado. Isso ajuda o Brasil a se aproximar do recorde de 144,1 milhões de toneladas", comparou, por meio de nota à imprensa, o presidente da Conab, Wagner Rossi.

Produtores rurais criticam governo, atacam os sem-terra e pedem respeito às leis

A presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), divulgou carta criticando o governo e atacando os movimentos de trabalhadores sem terra. Na carta, Abreu se solidariza com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, que disse que as invasões de terras são ilegais e pediu investigação sobre o suposto repasse de recursos públicos para entidades sem terra.

No documento, Abreu diz que o "MST é uma entidade ilegal que pratica crimes em série". "Seus líderes comandam grupos que sequestram, vandalizam, torturam e matam."

A presidente do CNA critica ainda a suposta complacência do governo com essas associações. "Lamentavelmente, o MST conta com a complacência de autoridades do governo federal e recebe financiamento público para suas ações ilegais."

Ela diz ainda que "quem financia as jornadas de crime e de terror do MST é o cidadão brasileiro honrado, que tem a cultura dos direitos e dos deveres".

A carta afirma ainda que o "MST tornou-se uma das maiores fontes da insegurança jurídica que pesa sobre o Brasil e que impõe prejuízos incalculáveis a todos nós, brasileiros".
"Nenhuma nação avança quando falta confiança na força que emana das regras livremente construídas e respeitadas. Nós, produtores rurais, assim como todos os brasileiros, precisamos de estabilidade e de respeito às leis para trabalhar e produzir", diz Abreu.

Nota do Editor:

O MST é um foco de instabilidade neste país e atua ao arrepio das leis e do Direito. Claro, com a complacência de gente do governo e apoio de setores comunistas da Igreja.

Crise faz Índia desistir de produzir álcool no Brasil

Por causa da desaceleração econômica, a Indian Oil, a Hindustan Petroleum e a Bharat Petroleum arquivaram planos de investir em fazendas de cana-de-açúcar no Brasil para a produção de álcool.

"O projeto se mostrava viável e estratégico para a indústria de energia indiana. No entanto, em decorrência das restrições de recursos, as empresas públicas do país não contemplam mais, no momento, qualquer projeto no Brasil para produzir álcool", disse o ministro do Petróleo da Índia, Murli Deora.

A Indian Oil, a Hindustan e a Bharat Petroleum haviam planejado, em conjunto, comprar ou arrendar usinas com o objetivo de usar o álcool como alternativa para reduzir a dependência de petróleo importado.

As empresas trabalhavam em propostas para adquirir fatias de 15% a 35% em duas companhias -a Louis Dreyfus Commodities Bionergia e a Infinity Bio-Energy. As companhias indianas também pretendiam ficar com 50% da Rezek Energia. Na busca de possíveis sócios, a consultoria The Jai Group também identificou a Goiasa.

Em visita do ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento) à Índia no ano passado, o governo indiano estimou que o investimento das companhias do país pudesse chegar a US$ 600 milhões. A capacidade inicial de produção esperada era de 500 milhões de litros. Em 2008, o volume fabricado de álcool no Brasil chegou a 26 bilhões de litros, 15% mais que em 2007.

Perdas

A decisão indiana representa mais um baque para o setor sucroalcooleiro. A diretoria técnica da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) estima perda de R$ 10 bilhões nas duas últimas safras -primeiro, por as cotações do açúcar terem se mantido muito baixas e, mais recentemente, por os preços do álcool não reagirem.

No fim do ano passado, o setor já havia estimado que o número de novas usinas até 2015 tinha caído de 140 para 93.

Empresas da cadeia sucroalcooleira vinham se endividando, em especial desde 2005. A crise financeira do último trimestre de 2008 determinou o congelamento de investimentos que prejudicou não apenas o segmento do açúcar e do álcool, mas também a indústria de máquinas e equipamentos.

Abóboras gigantes viram prato principal no RS

Variedade do fruto chega a pesar 50 quilos e impressiona agricultores. Técnico agropecuário diz que estiagem atrapalhou experiência.



Uma variedade especial de abóbora, que chega a pesar 50 quilos, impressiona os moradores de Porto Mauá (RS). Esse tipo de fruto é bastante cultivado nos Estados Unidos, onde os agricultores fazem concurso para premiar os mais pesados.

A horta é normal pelo menos enquanto os frutos estão em desenvolvimento. Isto porque quando são colhidos o tamanho é surpreendente. Um deles pesou 47 quilos e tem 1,65 de diâmetro. É uma atração para os curiosos, já que as abóboras comuns na região pesam 15 quilos no máximo.

Rafael Bripske, técnico agropecuário, levou as sementes de Santa Catarina e acompanhou a experiência desde o início, do plantio até a colheita. Segundo ele, as abóboras poderiam ser ainda maiores se não fosse a estiagem. “Esperamos que para o próximo ano, ocorrendo boas chuvas, a gente chegue a alcançar os 60 quilos”, disse.

Receita

A experiência rendeu 5 mil quilos de abóbora. Na casa da família Vanzela, a abóbora será o prato principal por muito tempo. Se depender das cozinheiras da família, nada será desperdiçado. “Dá para fazer até pudim de abóbora, rocambole, docinhos caramelizados. Tem mais de 20 receitas”, disse a agricultora Edite Vanzela.

Ela ensina a preparar a abóbora assada com leite condensado, um prato diferente, que é uma delícia. Veja:



Ingredientes

1 abóbora pequena de, no máximo, dois quilos
1 xícara de açúcar
1 lata de leite condensado


Como fazer

Lave bem a abóbora, corte o fruto com casca e coloque em uma panela com água. Ferva por 20 minutos. Em seguida, coloque em uma forma, polvilhe com açúcar e leve ao forno por mais 20 minutos. Depois, é só colocar o leite condensado por cima e a sobremesa está pronta. Pode ser servida quente ou fria.

Processadora de suco de laranja demite mais de 200 em Bebedouro (SP)

Citrosuco vai parar linha de produção da unidade na safra 2009/2010.
Processamento ficará concentrado das unidades de Matão e de Limeira.



Colheita de laranjas em Bebedouro (SP) (Foto: JF Diorio/AE)

A processadora de suco de laranja Citrosuco anunciou, nesta segunda-feira (9), que demitirá 208 funcionários de sua unidade de Bebedouro, em São Paulo. O corte é decorrente da paralisação da linha de produção da unidade durante a safra 2009/2010.

Neste período, o processamento ficará concentrado das unidades de Matão e de Limeira.

De acordo com nota da empresa, a unidade de Bebedouro continuará recebendo “normalmente” a laranja dos produtores da região, e fará armazenamento e movimentação de sucos produzidos pela empresa. “A unidade será mantida em condições de retomar suas operações de produção a qualquer momento que se tornar necessário”, diz a nota.

Alguns funcionários continuarão na fábrica e outros serão transferidos para outras unidades.

Bebedouro

A unidade de Bebedouro foi adquirida em 2004 no processo de compra, pela Citrosuco e pela Cutrale, dos ativos de produção de suco de laranja da Cargill no Brasil. A fábrica do interior paulista já ficou fechada durante boa parte da safra, em 2008, por falta de frutas para serem processadas, justamente no município que no passado foi considerado a capital brasileira da laranja.

A carência de matéria-prima, aliada a um processo interno de rearranjo na produção de suco de laranja, seriam os motivos do encerramento da produção na unidade

A Citrosuco pertence ao Grupo Fischer e tem ainda uma fábrica de suco em Lake Wales, na Flórida (EUA) e outra em Videira (SC), onde também produz suco de maçã. A companhia possui ainda o maior terminal do mundo de escoamento de suco, em Santos (SP), o maior terminal europeu, em Ghent (Bélgica), além de terminais em Wilmington (EUA) e Toyohashi, no Japão. A Citrosuco produz também óleos e essências, álcool a partir do bagaço e polpa cítrica, além do suco de laranja. Na produção de laranja e de suco de laranja, são mais de 6 mil empregados.

Sindicato

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Bebedouro (SP) divulgou comunicado no qual repudia as demissões ocorridas na unidade da Citrosuco. Segundo o documento, o Grupo Fischer, controlador da empresa, agiu com "desrespeito" com o sindicato e "principalmente com os trabalhadores da referida empresa, dispensando os mesmos com uma fria carta recebida em sua residência, trazendo um grande transtorno e desconforto para seus familiares", informa.

Desde sábado, 208 empregados segundo o sindicato, foram demitidos e um total de 1 mil entre diretos e indiretos, contratados para a safra, deverão perder o emprego. O comunicado, assinado pelo presidente da entidade, José Antonio Janotta, informou ainda que irá pedir a interferência do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, junto ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, "para que o mesmo tome medidas em beneficio do setor da citricultura", informou.
A Citrosuco afirmou em nota, no entanto, que ofereceu aos trabalhadores demitidos “um pacote diferenciado de indenização e de benefícios”.

Com informações da Agência Estado

Pesquisa genética tenta evitar crise do cacau

É possível embrulhar numa caixa de presente um pecado mais delicioso do que um chocolate? Bom, ele não precisa ser um prazer que cause culpa --e não é por causa do acúmulo de evidências de que comê-lo pode ser bom para alguns aspectos de saúde.

Uma outra razão para saborear bombons é que quase todo o cacau do mundo cresce em fazendas pequenas em países pobres. Quando você compra chocolate, ajuda os agricultores a alimentar suas famílias. É um bom começo.

Trabalhador manipula sementes de caucau em fazenda na Costa do Marfim; doenças destroem um terço da colheita mundial por ano

A notícia ruim para os "chocólatras" é que a produção de sua iguaria predileta corre o risco de sofrer um colapso. O chocolate é feito de sementes fermentadas e torradas do cacaueiro, planta do gênero Theobroma ("comida dos deuses", em grego).

Nos últimos anos, sua demanda mundial aumentou, mas doenças continuam a destruir cerca de um terço da colheita mundial todos os anos. E a situação pode piorar à medida que pragas do cacaueiro se espalham pelo mundo.

Para piorar, o cacau é natural de florestas tropicais e precisa de umidade, mas plantações têm sido cada vez mais atingidas por secas, que provavelmente ficarão mais frequentes com o aquecimento global.

A boa notícia é que a solução existe, pelo menos segundo a Mars, dona da marca M&M's, empresa que mais vende chocolate no mundo. Cientistas da companhia estão conduzindo agora um estudo sem precedentes sobre a genética do cacaueiro, e os resultados ficarão disponíveis de graça. Não é só generosidade --é impossível vender chocolate se ninguém planta cacau--, mas pode acabar sendo bom para todos.

Encruzilhada africana

Os agricultores só têm duas maneiras de conseguir acompanhar a demanda mundial: aumentar a área da plantio de cacaueiros ou melhorar sua produtividade por hectare. Como a maior parte do cacau é plantado em países pobres --70% sai da África, sobretudo de Gana e Costa do Marfim--, os investimentos para melhorar a planta têm sido muito esporádicos. As linhagens cultivadas são vulneráveis, e poucos agricultores têm dinheiro para fertilizantes ou para pesticidas.

"A produtividade do cacau permanece estagnada há 30 anos", diz Howard Shapiro, agrônomo-chefe da Mars. O resultado é que agricultores têm expandido plantações derrubando e queimando mata. Com isso, a terra ganha nutrientes para sustentar as árvores por algum tempo, mas depois os fazendeiros são obrigados a mudar para outras áreas. "Isso alimenta o desmatamento", diz Jim Gockowski, pesquisador da unidade de Gana do Instituto Internacional para Agricultura Tropical.

Ramos de cacaueiro contaminado pelo fungo vassoura-de-bruxa

Linhagens mais produtivas podem ser a solução. Variedades que reagem melhor a fertilizantes poderiam aumentar o custo/benefício do insumo. A mudança para uma produção mais intensiva, dizem os especialistas, seria boa para os produtores e para as florestas. Mas o desmatamento não é o único problema.

Monoculturas de cacau são vulneráveis a doenças, e o cacau brasileiro foi dizimado na década de 1990 após o fungo vassoura-de-bruxa ter sido deliberadamente levado a algumas fazendas, por causa de disputas locais. Outra doença causada por um fungo, a monília, destruiu plantações na Colômbia e na Costa Rica.

A vassoura-de-bruxa e a monília não chegaram à África nem ao Sudeste Asiático, mas talvez seja só questão de tempo.

"Essas doenças vão se espalhar alguma hora", diz Dennis Garrity, chefe do Centro Agroflorestal Mundial, em Nairóbi (Quênia). Sem árvores resistentes, a maior cultura de exportação da África pode ser devastada em menos de três anos. É por isso que há uma necessidade urgente de estudos em genética. Podem existir cacaueiros selvagens que já tenham desenvolvido resistência a algumas doenças, mas onde?

Origens amazônicas

O registro mais antigo de consumo do cacau por humanos vem da América Central. Por muito tempo, achou-se que o cacaueiro tivesse surgido lá e que só existissem duas ou três variedades genéticas da planta. Esse mito, porém, foi demolido por Juan-Carlos Motamayor, do programa de pesquisa da Mars, sediado na divisão de Miami do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA).

Sua equipe analisou o DNA de mais de 1.200 amostras de cacau coletadas por outros pesquisadores. A primeira descoberta foi que um quarto das amostras estava com classificação errada. Segundo o biólogo David Kuhn, do USDA, o problema é que as sementes de cacau não mantiveram a identidade, pois as variedades têm de ser preservadas como clones implantados em árvores, mais difíceis de organizar do que sementes numa gaveta.

Após excluir as amostras mal-classificadas, os pesquisadores descobriram que as restantes poderiam ser divididas em dez subgrupos genéticos distintos, em vez de três. A maior diversidade era originária do norte da Amazônia, com cada variedade ocupando um local delimitado aproximadamente pelos afluentes do rio Amazonas. Isso é uma evidência forte de que o cacaueiro surgiu ali, não na América Central.

O estudo também deu uma pista sobre onde genes de resistência podem ser encontrados, já que uma dessas variedades vem da mesma área em que o fungo da monília se originou.

O trabalho dos cientistas, afinal, mostrou que os agricultores têm em mãos uma diversidade inesperada. Mas isso foi só o começo. Em junho de 2008, a Mars, aliada ao USDA e à IBM, anunciou uma parceria público-privada para o sequenciamento completo do genoma do cacaueiro. O acesso aos dados do projeto será gratuito.

Cientistas do mundo todo já começaram a procurar cacaueiros mais produtivos e resistentes a secas e doenças. Uma vez que eles sejam identificados, a equipe de Kuhn pretende procurar trechos de DNA responsáveis por essas características. Isso poderá acelerar o desenvolvimento: agricultores poderão testar novas variedades assim que forem criadas.

Novos sabores

"Se conseguirmos maximizar o ganho do cacau, fazendeiros poderão eliminar dois terços de suas árvores de baixa produtividade e usar a terra para plantar fruta e madeira", diz Shapiro. Além de dar ao cacaueiro a sombra de que ele gosta, afirma Garrity, uma cultura extra daria a agricultores colheitas no ano todo. E caso tudo dê certo, a genética pode fazer mais do que salvar o cacau. "Agricultores podem usar marcadores de DNA para criar novos sabores de chocolate", diz Kuhn.

Receita com exportações agrícolas deve cair 20% em 2009, dizem especialistas

As perdas nas exportações agrícolas do Brasil devem chegar a US$ 15 bilhões em 2009, segundo o gerente da administradora de fundos de investimento Sparta, Victor Abou Nehmi Filho.

Junto com o aumento dos custos ao produtor durante 2008, a crise financeira mundial deve brecar a tendência de crescimento das áreas de cultivo, o que deverá gerar uma produção menor e, em conseqüência, um recuo de 20% nas receitas com exportações agrícolas.

As perdas do agronegócio somadas às dos setores da aviação e mineral, deixarão o superávit da balança comercial brasileira próximo do zero.

Como exemplo, o analista cita o preço da soja, negociada no mês de julho a US$ 16,6 por bushel (27,2 quilos) e o projeta a US$ 9 para maio de 2009.

Mas a falta de crédito somada ao aumento dos custos, à queda na área de plantio, ao uso de menos tecnologia e à possibilidade de clima desfavorável podem ocasionar perdas de até 15 milhões de toneladas de grãos de acordo com análise do assessor da Coopermibra (cooperativa do noroeste do Paraná) José Pitoli.

Para o analista, as perdas acentuadas só poderiam ser evitadas com mais R$ 4,4 bilhões em créditos para incentivo ao plantio.

Os produtos mais atingidos no próximo ano devem ser o algodão, com perda de 27% da área plantada, e o milho safrinha, com redução de 10% da área.


BNDES estuda refinanciar dívida do setor agrícola


O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, confirmou nesta sexta-feira que a instituição estuda refinanciar a dívida de produtores agrícolas inadimplentes que adquiriram máquinas e equipamentos utilizando crédito do banco. Coutinho não deu maiores detalhes sobre valores, e nem explicou se o BNDES vai renegociar, de forma indireta, a dívida do setor com bancos privados.

"Tem um pedaço de inadimplência que estamos examinando como poderemos apoiar e refinanciar. Em breve, a gente anunciará", afirmou Coutinho, em curta entrevista após participar de assinatura de contrato de liberação de R$ 31,5 milhões para a rede BrasilCord, que reúne bancos públicos de sangue de cordão umbilical e placentário.

Coutinho negou que a renegociação da dívida do setor agrícola esteja relacionada ao agravamento da crise financeira. Segundo ele, sempre há um nível de inadimplência relativamente alto do setor. O executivo, no entanto, não especificou o patamar dessa falta de pagamento.

O assunto vem sendo tratado em reuniões pelos ministérios da Fazenda e da Agricultura, o BNDES e os bancos privados. A intenção é analisar cada caso, e contemplar apenas as dívidas mais graves, sem a criação de uma linha específica.

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