As perdas nas exportações agrícolas do Brasil devem chegar a US$ 15 bilhões em 2009, segundo o gerente da administradora de fundos de investimento Sparta, Victor Abou Nehmi Filho.
Junto com o aumento dos custos ao produtor durante 2008, a crise financeira mundial deve brecar a tendência de crescimento das áreas de cultivo, o que deverá gerar uma produção menor e, em conseqüência, um recuo de 20% nas receitas com exportações agrícolas.
As perdas do agronegócio somadas às dos setores da aviação e mineral, deixarão o superávit da balança comercial brasileira próximo do zero.
Como exemplo, o analista cita o preço da soja, negociada no mês de julho a US$ 16,6 por bushel (27,2 quilos) e o projeta a US$ 9 para maio de 2009.
Mas a falta de crédito somada ao aumento dos custos, à queda na área de plantio, ao uso de menos tecnologia e à possibilidade de clima desfavorável podem ocasionar perdas de até 15 milhões de toneladas de grãos de acordo com análise do assessor da Coopermibra (cooperativa do noroeste do Paraná) José Pitoli.
Para o analista, as perdas acentuadas só poderiam ser evitadas com mais R$ 4,4 bilhões em créditos para incentivo ao plantio.
Os produtos mais atingidos no próximo ano devem ser o algodão, com perda de 27% da área plantada, e o milho safrinha, com redução de 10% da área.
BNDES estuda refinanciar dívida do setor agrícola
O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, confirmou nesta sexta-feira que a instituição estuda refinanciar a dívida de produtores agrícolas inadimplentes que adquiriram máquinas e equipamentos utilizando crédito do banco. Coutinho não deu maiores detalhes sobre valores, e nem explicou se o BNDES vai renegociar, de forma indireta, a dívida do setor com bancos privados.
"Tem um pedaço de inadimplência que estamos examinando como poderemos apoiar e refinanciar. Em breve, a gente anunciará", afirmou Coutinho, em curta entrevista após participar de assinatura de contrato de liberação de R$ 31,5 milhões para a rede BrasilCord, que reúne bancos públicos de sangue de cordão umbilical e placentário.
Coutinho negou que a renegociação da dívida do setor agrícola esteja relacionada ao agravamento da crise financeira. Segundo ele, sempre há um nível de inadimplência relativamente alto do setor. O executivo, no entanto, não especificou o patamar dessa falta de pagamento.
O assunto vem sendo tratado em reuniões pelos ministérios da Fazenda e da Agricultura, o BNDES e os bancos privados. A intenção é analisar cada caso, e contemplar apenas as dívidas mais graves, sem a criação de uma linha específica.
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