Cháves cada vez mais ameaçador contra televisão de oposição
O ditador comunista Hugo Cháves, voltou a ameaçar o único canla de TV que se posiona como opositor. Ele afirmou que o proprietário da emissora seria um fugitivo da justiça e conspirador.
Cháves em seu habitual teatro televisivo, cobrou providências ao procurador-geral da República, para que leve adiante uma ação criminal contra Guillermo Zuloaga, proprietário da Globovisión, que ora está no exterior em função das ameaças constantes que sofria quando se encontrava na Venezuela e porque foi emitido um mandado de prisão contra ele.
Cháves ainda foi mais longe: ameaçou desapropriar os bens de Zuloafa, caso ele não retorne à Venezuela.
Zuloaga, que foi acusado de usura e conspiração, nega os crimes e disse que os promotores somente executam uma ação de vingança sob as ordens de Chávez. O proprietário do canal de TV criticou o presidente venezuelano em um fórum em Washington e disse que ele é uma ameaça à democracia na região, segundo informado pela Folha.
Cháves não é a única ameaça à imprensa livre. Nos últimos tempos, a liberdade de imprensa tem sido ameaçada ou severamente atingida pelos outros governos esquerdistas da América Latina,e assim existem problemas na Argentina, Bolívia, Equador, Nicarágua e até no Brasil, onde o atual governo vem há tempos tentando aprovar controles sobre a imprensa.
BGN
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Paraguai resiste bravamente
Quem diria que esse pequeno colegiado, um punhado de legisladores de um país espremido entre gigantes, conseguiria frustrar o avanço do espaçoso comandante Chávez
Mac Margolis - O ESTADO DE S PAULO
Logo mais, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve concluir a devolução ao Paraguai do canhão Cristão, capturado por tropas brasileiras ao tomar a Fortaleza de Humaitá em 1868, na Guerra da Tríplice Aliança.
Bem que os vizinhos podem precisar dele. Há meses, o diminuto país é alvo da artilharia pesada de Hugo Chávez. Mesmo com sua economia em frangalhos e a oposição aos calcanhares, o líder venezuelano está empenhado como nunca em fortalecer a marca do seu Socialismo do Século 21.
No mês passado visitou Irã, Síria, Líbano, Portugal e Ucrânia, e fechou o giro com um beija-mão dos irmãos Castro. Agora deve relançar a ofensiva para conquistar uma vaga plena no Mercosul. Já se renderam ao canto bolivariano três dos quatro integrantes titulares do mercado comum sul-americano, Brasil, Uruguai e Argentina. Só falta o Paraguai.
Ou, melhor, o Senado paraguaio. Dominado pelo Partido Colorado, que mandou a ferro e fogo no país durante seis décadas, o Senado trava oposição ácida ao presidente Fernando Lugo, este sempre simpático à causa de Chávez.
Além do veto à Venezuela, a maioria dos 45 senadores também barrou a entrada do Paraguai na União das Nações Sul-Americanas, a Unasul, pacto de inspiração chavista criado para tocar assuntos das Américas longe da sombra dos EUA.
Quem diria que esse pequeno colegiado, um punhado de legisladores de um país espremido entre gigantes, conseguiria frustrar o avanço do espaçoso comandante Chávez e se tornar firewall da democracia continental?
O mundo inteiro conheceu os heróis chilenos, os 33 mineiros resgatados das trevas. Apresentam-se agora "los 45", os legisladores paraguaios na última trincheira entre o continente e o abismo diplomático.
Atrás da resistência há uma desconfiança corrosiva. Mercosul com Venezuela, alega o Parlamento paraguaio, seria um cavalo de Troia para Chávez, que já atropelou a democracia venezuelana e ainda sonha com a evangelização do continente.
Já a Unasul é vista como um projeto de interesse estratégico brasileiro, além de um palanque de conveniência para os libelos bolivarianos.
Há quem diga que a exclusão da Venezuela do Mercosul é um equívoco que acaba punindo a nação inteira pelos pecados do seu mandatário. Mais dia menos dia, argumenta-se, Chávez irá embora enquanto o povo e seu país ficarão.
Soa bonito, mas o raciocínio está mais furado do que a Fortaleza de Humaitá. O Mercosul não é um mero Lego geográfico, senão um contrato entre povos, pousado sobre instituições e erguido com princípios, valores e práticas compartilhados.
Entre eles: "a plena vigência das instituições democráticas" , segundo o Protocolo de Ushuaia de 2005, "condição indispensável para a existência e o desenvolvimento do Mercosul".
A Venezuela até assinou o protocolo e desmoralizou a democracia.
Mac Margolis - O ESTADO DE S PAULO
Logo mais, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve concluir a devolução ao Paraguai do canhão Cristão, capturado por tropas brasileiras ao tomar a Fortaleza de Humaitá em 1868, na Guerra da Tríplice Aliança.
Bem que os vizinhos podem precisar dele. Há meses, o diminuto país é alvo da artilharia pesada de Hugo Chávez. Mesmo com sua economia em frangalhos e a oposição aos calcanhares, o líder venezuelano está empenhado como nunca em fortalecer a marca do seu Socialismo do Século 21.
No mês passado visitou Irã, Síria, Líbano, Portugal e Ucrânia, e fechou o giro com um beija-mão dos irmãos Castro. Agora deve relançar a ofensiva para conquistar uma vaga plena no Mercosul. Já se renderam ao canto bolivariano três dos quatro integrantes titulares do mercado comum sul-americano, Brasil, Uruguai e Argentina. Só falta o Paraguai.
Ou, melhor, o Senado paraguaio. Dominado pelo Partido Colorado, que mandou a ferro e fogo no país durante seis décadas, o Senado trava oposição ácida ao presidente Fernando Lugo, este sempre simpático à causa de Chávez.
Além do veto à Venezuela, a maioria dos 45 senadores também barrou a entrada do Paraguai na União das Nações Sul-Americanas, a Unasul, pacto de inspiração chavista criado para tocar assuntos das Américas longe da sombra dos EUA.
Quem diria que esse pequeno colegiado, um punhado de legisladores de um país espremido entre gigantes, conseguiria frustrar o avanço do espaçoso comandante Chávez e se tornar firewall da democracia continental?
O mundo inteiro conheceu os heróis chilenos, os 33 mineiros resgatados das trevas. Apresentam-se agora "los 45", os legisladores paraguaios na última trincheira entre o continente e o abismo diplomático.
Atrás da resistência há uma desconfiança corrosiva. Mercosul com Venezuela, alega o Parlamento paraguaio, seria um cavalo de Troia para Chávez, que já atropelou a democracia venezuelana e ainda sonha com a evangelização do continente.
Já a Unasul é vista como um projeto de interesse estratégico brasileiro, além de um palanque de conveniência para os libelos bolivarianos.
Há quem diga que a exclusão da Venezuela do Mercosul é um equívoco que acaba punindo a nação inteira pelos pecados do seu mandatário. Mais dia menos dia, argumenta-se, Chávez irá embora enquanto o povo e seu país ficarão.
Soa bonito, mas o raciocínio está mais furado do que a Fortaleza de Humaitá. O Mercosul não é um mero Lego geográfico, senão um contrato entre povos, pousado sobre instituições e erguido com princípios, valores e práticas compartilhados.
Entre eles: "a plena vigência das instituições democráticas"
A Venezuela até assinou o protocolo e desmoralizou a democracia.
Chávez promove general acusado de ser 'chefão das drogas'
Além de participar do tráfico de cocaína, o general dá declarações dizendo que o Exército não aceitará vitória da oposição em 2012
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, irá promover Henry Rangel, acusado pelos Estados Unidos de ajudar as guerrilhas colombianas a traficar cocaína (Eitan Abramovich/AFP)
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, irá promover um alto militar acusado pelos Estados Unidos de ajudar as guerrilhas colombianas a traficar cocaína.
O general Henry Rangel, atualmente chefe de operações estratégicas, chegará ao topo da hierarquia militar no próximo sábado, quando passa a ocupar o cargo de general chefe das Forças Armadas.
Rangel se envolveu em outra polêmica nesta semana, quando um jornal venezuelano publicou uma entrevista na qual ele teria afirmado que o Exército não aceitaria uma vitória da oposição na eleição presidencial de 2012. Rangel estava se referindo ao que as forças armadas fariam caso a oposição vencesse, defendendo o Exército de militares leais a Chávez, ao invés da vitória da oposição.
Em um discurso ao vivo, transmitido por emissoras de rádio e televisão, Chávez disse que as declarações foram analisadas fora do contexto e elogiou Rangel por seu patriotismo: "Vamos promovê-lo de general-major para general-chefe", anunciou o ditador. Chávez também criticou José Miguel Insulza, presidente da OEA (Organização dos Estados Americanos), que classificou os comentários de Rangel como "inaceitáveis".
Em 2008, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos descreveu Rangel e outro importante comandante, Hugo Carvajal, como "chefões das drogas", acusando-os de ajudar materialmente as atividades de narcóticos dos rebeldes das Farc, na Colômbia. Ambos negaram as acusações.
Chávez brincou que mudará seu sobrenome para cumprir as regras da Real Academia Espanhola, que entre outras normas eliminará as conjunções "ch" e "ll" a partir de dezembro. "Ficaram sabendo da eliminação do 'Ch', então passarei a me chamar ávez", afirmou o caudilho, em meio a risadas de seus colaboradores, que participavam de uma conselho de ministros.
A reforma ortográfica elaborada pela academia espanhola, que será publicada no fim deste ano, deixa o alfabeto espanhol com 27 letras e dita uma série de novas normas de escrita.
Fontes: VEJA - Agências
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, irá promover Henry Rangel, acusado pelos Estados Unidos de ajudar as guerrilhas colombianas a traficar cocaína (Eitan Abramovich/AFP)
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, irá promover um alto militar acusado pelos Estados Unidos de ajudar as guerrilhas colombianas a traficar cocaína.
O general Henry Rangel, atualmente chefe de operações estratégicas, chegará ao topo da hierarquia militar no próximo sábado, quando passa a ocupar o cargo de general chefe das Forças Armadas.
Rangel se envolveu em outra polêmica nesta semana, quando um jornal venezuelano publicou uma entrevista na qual ele teria afirmado que o Exército não aceitaria uma vitória da oposição na eleição presidencial de 2012. Rangel estava se referindo ao que as forças armadas fariam caso a oposição vencesse, defendendo o Exército de militares leais a Chávez, ao invés da vitória da oposição.
Em um discurso ao vivo, transmitido por emissoras de rádio e televisão, Chávez disse que as declarações foram analisadas fora do contexto e elogiou Rangel por seu patriotismo: "Vamos promovê-lo de general-major para general-chefe", anunciou o ditador. Chávez também criticou José Miguel Insulza, presidente da OEA (Organização dos Estados Americanos), que classificou os comentários de Rangel como "inaceitáveis".
Em 2008, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos descreveu Rangel e outro importante comandante, Hugo Carvajal, como "chefões das drogas", acusando-os de ajudar materialmente as atividades de narcóticos dos rebeldes das Farc, na Colômbia. Ambos negaram as acusações.
Mudança de nome
Chávez brincou que mudará seu sobrenome para cumprir as regras da Real Academia Espanhola, que entre outras normas eliminará as conjunções "ch" e "ll" a partir de dezembro. "Ficaram sabendo da eliminação do 'Ch', então passarei a me chamar ávez", afirmou o caudilho, em meio a risadas de seus colaboradores, que participavam de uma conselho de ministros.
A reforma ortográfica elaborada pela academia espanhola, que será publicada no fim deste ano, deixa o alfabeto espanhol com 27 letras e dita uma série de novas normas de escrita.
Fontes: VEJA - Agências
Hugo Chávez apronta de novo
Hugo Chávez aprontou mais uma. vou explicar rs.
Imagine-se como um pequeno ou médio empreendedor. Durante anos, guardando dinheiro, desejando montar um negócio próprio, e eis que de repente surge uma oportunidade de ouro.
Sim, você consegue tornar-se um franqueado de uma marca famosa, dentro de um shopping e então parte para a abertura de uma loja, onde você deposita todas as suas economias.
Como todo empreendedor, você trabalha duro, afinal precisa pagar a taxa de administração do shopping, a fatia do franqueador e os diversos impostos.
Quando você está quase chegando no momento de começar a ter algum lucro, eis que surge um ladrão sorrateiro, travestido de presidente de um país e ele cobiça seu negócio e seu capital. Sim, um belo dia, ele acorda e decide que em nome do povo, vai tirar tudo de você, ou seja, roubar você.
Pois isto aconteceu ontem, na Venezuela!!! Sim, meus caros, Hugo Chávez, resolveu expropiar o maior shopping de Carcas, em nome da Revolução Bolivarista, alegando interesse popular.
Um verdadeiro assalto praticado em nome de uma ideologia furada.
Abaixo,a matéria publicada no Estadão:
A aquisição forçada do Sambil soma-se a outras centenas de expropriações ordenadas pelo presidente Chávez nos últimos três anos para impulsionar seu projeto de socialismo na Venezuela. A Fedecámaras, a maior cúpula empresarial do país, condenou a decisão, afirmando que a medida de inspiração socialista de Chávez, "arruína a economia do país e aumenta o desemprego".
Imagine-se como um pequeno ou médio empreendedor. Durante anos, guardando dinheiro, desejando montar um negócio próprio, e eis que de repente surge uma oportunidade de ouro.
Sim, você consegue tornar-se um franqueado de uma marca famosa, dentro de um shopping e então parte para a abertura de uma loja, onde você deposita todas as suas economias.
Como todo empreendedor, você trabalha duro, afinal precisa pagar a taxa de administração do shopping, a fatia do franqueador e os diversos impostos.
Quando você está quase chegando no momento de começar a ter algum lucro, eis que surge um ladrão sorrateiro, travestido de presidente de um país e ele cobiça seu negócio e seu capital. Sim, um belo dia, ele acorda e decide que em nome do povo, vai tirar tudo de você, ou seja, roubar você.
Pois isto aconteceu ontem, na Venezuela!!! Sim, meus caros, Hugo Chávez, resolveu expropiar o maior shopping de Carcas, em nome da Revolução Bolivarista, alegando interesse popular.
Um verdadeiro assalto praticado em nome de uma ideologia furada.
Abaixo,a matéria publicada no Estadão:
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, decretou ontem a expropriação de um gigantesco shopping center de Caracas que o governo tentou tomar quando o prédio ainda não tinha sido inaugurado, em 2008. Segundo o decreto presidencial, publicado no Diário Oficial, "a aquisição forçada do imóvel, do conjunto de melhorias e dos demais bens do Centro Comercial Sambil, localizado a poucas quadras do palácio de governo, entrou em vigência na quarta-feira (ontem)".
O shopping center, uma construção de mais de 130 mil metros quadrados com lojas e estacionamentos, será parte da Corporação de Comércio e Fornecimento Socialista, um "canal de comercialização" dos produtos fabricados por empresas do Estado, muitas delas expropriadas do setor privado, criada como uma "rede de distribuição e serviços para o povo".
O shopping chamou a atenção de Chávez semanas antes de sua inauguração, em dezembro de 2008. O presidente disse na ocasião que o estabelecimento provocaria problemas de trânsito e sua construção seria incoerente com a visão de um governo socialista. A decisão do presidente deixou em um limbo legal e financeiro os proprietários das 305 lojas e das 10 salas de cinema que o shopping teria. A maioria já tinha franquias e muitos não tinham como mudar de ramo.
Chávez ironiza oposição por falar em vitória na eleição da Venezuela
"Se quiserem, podem continuar ganhando de mim desse jeito", disse. Partido do presidente conseguiu 165 vagas, mas perdeu maioria qualificada.
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, comenta o resultado das eleições parlamentares durante entrevista coletiva nesta segunda (27) no Palácio Miraflores, em Caracas (Foto: Jorge Silva / Reuters)
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ironizou nesta segunda-feira (27) os partidos de oposição de seu país, por terem discursado afirmando terem vencido as eleições parlamentares realizadas no país no domingo (26).
"Se quiserem, podem continuar ganhando de mim desse jeito", brincou, em entrevista coletiva à imprensa internacional, no Palácio presidencial de Miraflores.
Segundo Chávez, a oposição é formada por "partidinhos", por serem grupos pequenos em comparação com o seu Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
O grupo chavista conquistou a maioria das 165 vagas de deputado na Assembleia Nacional do país, mas deixou de ter mais de dois terços das cadeiras, considerados "maioria qualificada", que permite aprovar a maior parte das mudanças no país. Opositores do presidente alegaram terem sido vencedores por terem tirado do governo esta maioria de dois terços e por terem tido mais votos nacionalmente.
O presidente disse que, se a oposição acha que é maioria, pode tentar revogar seu mandato com um novo referendo, disse, mencionando que ainda tem quase três anos de governo. "Os magos do mundo ao contrário estão tentando convencer o mundo de que ganharam. Eles são tão habilidosos que é capaz de convencerem alguém de que ganharam, e que agora vão derrubar Chávez", ironizou o presidente, rindo. "Se chamam isso de fracasso, continuarei fracassando."
Chávez reafirmou que o PSUV conquistou 98 das 165 cadeiras na Assembleia Nacional. Oficialmente, o Conselho Nacional Eleitoral só confirmou a conquista de 95 vagas até a noite desta segunda-feira (27), mas o órgão ainda não havia registrado os ganhadores de 7 vagas para deputado. A oposição conquistou 67 vagas, segundo o presidente, que mostrou um mapa do país, apontando que seu partido foi vitorioso em mais regiões de que a oposição.
Ele também atacou o fato de a oposição ter divulgado ter tido mais votos de que o partido de Chávez nacionalmente. A união da oposição teve mais de 50% dos votos totais, mas conquistou menos vagas no congresso porque a lei eleitoral divide a votação por "circuitos", regiões, e suas representações.
"É preciso lembrar que foi uma eleição circuital, local. Agora, há analistas manipulando as informações para criar uma mentira", disse, citando o argumento da oposição de que o governo adulterou a lei eleitoral para ganhar mais força na Assembleia apesar de ter menos votos nacionalmente. "As eleições de ontem foram locais, dividida em circuitos, conforme predeterminado pela Constituição", disse. Dos 87 circuitos eleitorais, segundo Chávez, seu partido ganhou em 56.
"Se eles [a oposição] acham que têm maioria, porque vão esperar eu terminar o meu mandato? Que venham logo, 'come on'", disse, em inglês.
A entrevista coletiva começou com duas horas e meia de atraso, e o presidente começou citando mensagens que havia recebido por seu Twitter. Em seguida, leu trechos de um livro de poesia sobre Símon Bolívar. Ele falou por mais de 45 minutos antes de permitir que fosse feita a primeira pergunta sobre a votação.
Segundo Chávez, a eleição seguiu a Constituição do país, que disse ser "profundamente democrática". Ele reclamou que veículos de comunicação e analistas de outros países atacam seu governo e dizem não haver democracia no país.
"Não sei até quando eles vão dizer que estamos caminhando para a ditadura. Já faz onze anos que dizem isso. outros são mais ousados e já nos chamam de ditadura. Vocês que vêm de toda a parte do mundo, olhem e ouçam. Este é um projeto infinitamente democrático. Nós amamos a democracia, o governo do povo", disse o presidente venezuelano.
O presidente disse ter recebido mensagens de parabenização de líderes de vários países do mundo, e alegou que a vitória do seu partido ficou clara internacionalmente.
Fonte: G1 - TV Globo - Agências
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, comenta o resultado das eleições parlamentares durante entrevista coletiva nesta segunda (27) no Palácio Miraflores, em Caracas (Foto: Jorge Silva / Reuters)
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ironizou nesta segunda-feira (27) os partidos de oposição de seu país, por terem discursado afirmando terem vencido as eleições parlamentares realizadas no país no domingo (26).
"Se quiserem, podem continuar ganhando de mim desse jeito", brincou, em entrevista coletiva à imprensa internacional, no Palácio presidencial de Miraflores.
Segundo Chávez, a oposição é formada por "partidinhos", por serem grupos pequenos em comparação com o seu Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
O grupo chavista conquistou a maioria das 165 vagas de deputado na Assembleia Nacional do país, mas deixou de ter mais de dois terços das cadeiras, considerados "maioria qualificada", que permite aprovar a maior parte das mudanças no país. Opositores do presidente alegaram terem sido vencedores por terem tirado do governo esta maioria de dois terços e por terem tido mais votos nacionalmente.
O presidente disse que, se a oposição acha que é maioria, pode tentar revogar seu mandato com um novo referendo, disse, mencionando que ainda tem quase três anos de governo. "Os magos do mundo ao contrário estão tentando convencer o mundo de que ganharam. Eles são tão habilidosos que é capaz de convencerem alguém de que ganharam, e que agora vão derrubar Chávez", ironizou o presidente, rindo. "Se chamam isso de fracasso, continuarei fracassando."
Chávez reafirmou que o PSUV conquistou 98 das 165 cadeiras na Assembleia Nacional. Oficialmente, o Conselho Nacional Eleitoral só confirmou a conquista de 95 vagas até a noite desta segunda-feira (27), mas o órgão ainda não havia registrado os ganhadores de 7 vagas para deputado. A oposição conquistou 67 vagas, segundo o presidente, que mostrou um mapa do país, apontando que seu partido foi vitorioso em mais regiões de que a oposição.
Ele também atacou o fato de a oposição ter divulgado ter tido mais votos de que o partido de Chávez nacionalmente. A união da oposição teve mais de 50% dos votos totais, mas conquistou menos vagas no congresso porque a lei eleitoral divide a votação por "circuitos", regiões, e suas representações.
"É preciso lembrar que foi uma eleição circuital, local. Agora, há analistas manipulando as informações para criar uma mentira", disse, citando o argumento da oposição de que o governo adulterou a lei eleitoral para ganhar mais força na Assembleia apesar de ter menos votos nacionalmente. "As eleições de ontem foram locais, dividida em circuitos, conforme predeterminado pela Constituição", disse. Dos 87 circuitos eleitorais, segundo Chávez, seu partido ganhou em 56.
"Se eles [a oposição] acham que têm maioria, porque vão esperar eu terminar o meu mandato? Que venham logo, 'come on'", disse, em inglês.
Democracia
A entrevista coletiva começou com duas horas e meia de atraso, e o presidente começou citando mensagens que havia recebido por seu Twitter. Em seguida, leu trechos de um livro de poesia sobre Símon Bolívar. Ele falou por mais de 45 minutos antes de permitir que fosse feita a primeira pergunta sobre a votação.
Segundo Chávez, a eleição seguiu a Constituição do país, que disse ser "profundamente democrática". Ele reclamou que veículos de comunicação e analistas de outros países atacam seu governo e dizem não haver democracia no país.
"Não sei até quando eles vão dizer que estamos caminhando para a ditadura. Já faz onze anos que dizem isso. outros são mais ousados e já nos chamam de ditadura. Vocês que vêm de toda a parte do mundo, olhem e ouçam. Este é um projeto infinitamente democrático. Nós amamos a democracia, o governo do povo", disse o presidente venezuelano.
O presidente disse ter recebido mensagens de parabenização de líderes de vários países do mundo, e alegou que a vitória do seu partido ficou clara internacionalmente.
Comentário
As ironias de Chávez, mostra que ele sentiu o golpe no estômago.
Fonte: G1 - TV Globo - Agências
Governo e oposição da Venezuela dizem ter vencido pleito parlamentar
Governo perdeu maioria qualificada, mas ainda é majoritário na Assembleia. Chávez vê 'socialismo aprofundado', e opositores celebram representação.
A reação não é das mais comuns após uma eleição, mas, a considerar os discursos do governo e da oposição depois da publicação dos resultados da votação do domingo (26), na Venezuela, todos ganharam e ninguém perdeu. As primeiras declarações tanto dos chavistas do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) quanto dos partidos opositores foram de comemoração pelos resultados, considerados uma vitória pelos dois lados.
Os candidatos ligados ao presidente Hugo Chávez ganharam a maioria das cadeiras da Assembleia Nacional, que foi escolhida nessas eleições. O PSUV elegeu 95 dos 165 deputados, e manteve a maioria no Parlamento. A oposição, em contrapartida, conquistou 61 lugares no Congresso do país, e conseguiu retirar do governo a maioria qualificada de mais de dois terços da Casa -também chamada, simplificadamente, de 'maioria absoluta' por analistas e jornalistas locais-, que permitia a Chávez fazer as principais mudanças nas leis do país sem ter de negociar.
Até o meio dia desta segunda-feira (27) ainda não havia sido finalizada a contagem dos votos, e sete vagas da Assembleia continuavam indefinidas.
Logo que foi divulgado o primeiro boletim oficial do Conselho Nacional Eleitoral, durante a madrugada, o presidente Hugo Chávez declarou que a vitória do seu partido foi suficiente para aprofundar o socialismo no país. Segundo o presidente, o resultado foi "uma nova vitória do povo", e ele parabenizou a todos os eleitores.
Durante a tarde do dia da eleição, Chávez havia declarado que todos os votos seriam respeitados e que o governo aceitaria o resultado das urnas. O presidente convocou uma entrevista coletiva para a tarde desta segunda-feira, no Palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.
Enquanto Chávez comemorava a manutenção de uma maioria simples no Parlamento, a oposição comemorava sua volta ao Poder Legislativo depois de cinco anos. Na eleição de 2005, os partidos de oposição do país boicotaram a votação numa tentativa de deslegitimar o governo Chávez. A medida fez com que os opositores não tivesses nenhuma força parlamentar desde então.
"Não tínhamos nenhuma representação, e agora temos mais de um terço dos votos da Assembleia", comemorou uma diretora de campanha da oposição, em entrevista ao G1.
Além da conquista de vagas no Parlamento, a oposição declarou ter saído vitoriosa na contagem geral dos votos nacionais.
Segundo a Mesa da Unidade, organização que agrupa os partidos de oposição, o grupo conquistou 52% dos votos totais da eleição. "No voto popular para a Assembleia Nacional, os candidatos apresentados pela Unidade receberam 52% dos votos", disse Ramón Guilherme Azerdo, líder da oposição.
Mesmo com mais votos, a oposição conquistou menos cadeiras na Assembleia porque a votação no país é feita por representação regional. Os opositores conseguiram votações expressivas em regiões mais populosas, enquanto o governo foi mais votado em mais regiões com menos pessoas.
A oposição voltou a denunciar, na manhã de segunda-feira, a mudança na lei eleitoral que permitiu essa forma de representação na Assembleia. Por mais que a estrutura da votação tivesse sido definida na constituição do país, da qual a oposição fez parte, os opositores acusaram o governo de acelerar a mudança para se favorecer na eleição deste ano. O governo diz que era o momento adequado de incorporar algo que está na lei do país.
Os novos deputados assumem seus cargos daqui a três meses, e a oposição promete fiscalizar o governo para evitar que o presidente Chávez tente acelerar mudanças no país aproveitando que ainda tem maioria absoluta na Assembleia.
Apesar de uma grande discussão ideológica e partidária estar ligada à eleição na Venezuela, o clima político praticamente desapareceu das ruas um dia depois da votação. O G1 constatou que não há movimentações relacionadas às eleições na região central de Caracas, capital do país, que parece estar em ressaca política.
Mesmo na imprensa local, o processo de discussão das eleições se dá de forma lenta, se recuperando de uma longa madrugada de espera pelos resultados.
O primeiro boletim do Conselho Nacional Eleitoral com resultados da votação foi divulgado durante a madrugada, mais de oito horas após o fim da votação. Declarações anteriores do CNE indicavam que poderiam ser divulgados resultados até duas horas após a votação, mas o processo foi muito mais demorado para só divulgar números após haver resultados definitivos.
Além da comemoração partidária de conquistas na eleição, governo e oposição comemoram a grande participação de eleitores na escolha da Assembleia. Quase 70% dos 17,5 milhões de pessoas habilitadas a votar participaram, um total de quase 12 milhões de votos.
Trata-se de um número recorde para eleições legislativas. Na votação de 2005, quando a oposição fez o boicote, apenas 255 da população votou. Em 2000, a participação ficou em torno de 50%.
O líder cubano Fidel Castro acusou nesta segunda-feira (27) os Estados Unidos de impedirem que o presidente venezuelano Hugo Chávez conseguisse os dois terços de cadeiras nas eleições parlamentares, apesar de seu aliado ter obtido uma 'grande vitória'.
"O inimigo conseguiu uma parte de seus propósitos: impedir que o Governo Bolivariano contasse com o apoio dos dois terços do Parlamento. O império talvez acredite que obteve uma grande vitória", afirmou Fidel em mais um artigo divulgado no site oficial Cubadebate.cu.
No entanto, acrescentou, a participação dos eleitores na votação de domingo "subiu para o recorde de 66,45% e o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, no poder) obteve 94 deputados de um total de 165, apesar de ter de compartilhar o poder com a oposição".
"A Revolução Bolivariana tem hoje o Poder Executivo, ampla maioria no Parlamento e um partido capaz de mobilizar milhões de lutadores pelo socialismo", escreveu o líder comunista em seu texto intitulado "O que eles querem é o petróleo da Venezuela".
"Os Estados Unidos contam na Venezuela com fragmentos de Partidos, com medo da Revolução e grosseiras ambições materiais. Não poderão recorrer ao golpe de Estado, como fizeram no Chile em 1973 e em outros países da América", acrescentou.
O ex-presidente cubano ressaltou ainda que o partido de Chávez venceu as eleições, "apesar de um grupo de bastardos personagens que, na companhia de mercenários da imprensa local escrita e falada, chegaram a negar, inclusive a liberdade de imprensa na Venezuela durante a campanha eleitoral".
Fontes: G1 /Daniel Buarque - AFP
A reação não é das mais comuns após uma eleição, mas, a considerar os discursos do governo e da oposição depois da publicação dos resultados da votação do domingo (26), na Venezuela, todos ganharam e ninguém perdeu. As primeiras declarações tanto dos chavistas do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) quanto dos partidos opositores foram de comemoração pelos resultados, considerados uma vitória pelos dois lados.
Os candidatos ligados ao presidente Hugo Chávez ganharam a maioria das cadeiras da Assembleia Nacional, que foi escolhida nessas eleições. O PSUV elegeu 95 dos 165 deputados, e manteve a maioria no Parlamento. A oposição, em contrapartida, conquistou 61 lugares no Congresso do país, e conseguiu retirar do governo a maioria qualificada de mais de dois terços da Casa -também chamada, simplificadamente, de 'maioria absoluta' por analistas e jornalistas locais-, que permitia a Chávez fazer as principais mudanças nas leis do país sem ter de negociar.
Até o meio dia desta segunda-feira (27) ainda não havia sido finalizada a contagem dos votos, e sete vagas da Assembleia continuavam indefinidas.
Eleita, a candidata oposicionista Mara Corina Machado posa para fotos com eleitores. (Foto: AP)
Logo que foi divulgado o primeiro boletim oficial do Conselho Nacional Eleitoral, durante a madrugada, o presidente Hugo Chávez declarou que a vitória do seu partido foi suficiente para aprofundar o socialismo no país. Segundo o presidente, o resultado foi "uma nova vitória do povo", e ele parabenizou a todos os eleitores.
Durante a tarde do dia da eleição, Chávez havia declarado que todos os votos seriam respeitados e que o governo aceitaria o resultado das urnas. O presidente convocou uma entrevista coletiva para a tarde desta segunda-feira, no Palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.
Volta da oposição
Chavistas celebram o resultado eleitoral na madrugada desta segunda-feira (27). (Foto: AP)
Enquanto Chávez comemorava a manutenção de uma maioria simples no Parlamento, a oposição comemorava sua volta ao Poder Legislativo depois de cinco anos. Na eleição de 2005, os partidos de oposição do país boicotaram a votação numa tentativa de deslegitimar o governo Chávez. A medida fez com que os opositores não tivesses nenhuma força parlamentar desde então.
"Não tínhamos nenhuma representação, e agora temos mais de um terço dos votos da Assembleia", comemorou uma diretora de campanha da oposição, em entrevista ao G1.
Além da conquista de vagas no Parlamento, a oposição declarou ter saído vitoriosa na contagem geral dos votos nacionais.
Segundo a Mesa da Unidade, organização que agrupa os partidos de oposição, o grupo conquistou 52% dos votos totais da eleição. "No voto popular para a Assembleia Nacional, os candidatos apresentados pela Unidade receberam 52% dos votos", disse Ramón Guilherme Azerdo, líder da oposição.
Mesmo com mais votos, a oposição conquistou menos cadeiras na Assembleia porque a votação no país é feita por representação regional. Os opositores conseguiram votações expressivas em regiões mais populosas, enquanto o governo foi mais votado em mais regiões com menos pessoas.
A oposição voltou a denunciar, na manhã de segunda-feira, a mudança na lei eleitoral que permitiu essa forma de representação na Assembleia. Por mais que a estrutura da votação tivesse sido definida na constituição do país, da qual a oposição fez parte, os opositores acusaram o governo de acelerar a mudança para se favorecer na eleição deste ano. O governo diz que era o momento adequado de incorporar algo que está na lei do país.
Os novos deputados assumem seus cargos daqui a três meses, e a oposição promete fiscalizar o governo para evitar que o presidente Chávez tente acelerar mudanças no país aproveitando que ainda tem maioria absoluta na Assembleia.
Demora e ressaca
Apesar de uma grande discussão ideológica e partidária estar ligada à eleição na Venezuela, o clima político praticamente desapareceu das ruas um dia depois da votação. O G1 constatou que não há movimentações relacionadas às eleições na região central de Caracas, capital do país, que parece estar em ressaca política.
Mesmo na imprensa local, o processo de discussão das eleições se dá de forma lenta, se recuperando de uma longa madrugada de espera pelos resultados.
O primeiro boletim do Conselho Nacional Eleitoral com resultados da votação foi divulgado durante a madrugada, mais de oito horas após o fim da votação. Declarações anteriores do CNE indicavam que poderiam ser divulgados resultados até duas horas após a votação, mas o processo foi muito mais demorado para só divulgar números após haver resultados definitivos.
Participação
Além da comemoração partidária de conquistas na eleição, governo e oposição comemoram a grande participação de eleitores na escolha da Assembleia. Quase 70% dos 17,5 milhões de pessoas habilitadas a votar participaram, um total de quase 12 milhões de votos.
Trata-se de um número recorde para eleições legislativas. Na votação de 2005, quando a oposição fez o boicote, apenas 255 da população votou. Em 2000, a participação ficou em torno de 50%.
Fidel acusa EUA de impedir que Chávez tivesse maioria qualificada
O líder cubano Fidel Castro acusou nesta segunda-feira (27) os Estados Unidos de impedirem que o presidente venezuelano Hugo Chávez conseguisse os dois terços de cadeiras nas eleições parlamentares, apesar de seu aliado ter obtido uma 'grande vitória'.
"O inimigo conseguiu uma parte de seus propósitos: impedir que o Governo Bolivariano contasse com o apoio dos dois terços do Parlamento. O império talvez acredite que obteve uma grande vitória", afirmou Fidel em mais um artigo divulgado no site oficial Cubadebate.cu.
Partidária de Chávez espera pelos resultados eleitorais na madrugada desta segunda-feira (27) em Caracas. (Foto: AP)
No entanto, acrescentou, a participação dos eleitores na votação de domingo "subiu para o recorde de 66,45% e o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, no poder) obteve 94 deputados de um total de 165, apesar de ter de compartilhar o poder com a oposição".
"A Revolução Bolivariana tem hoje o Poder Executivo, ampla maioria no Parlamento e um partido capaz de mobilizar milhões de lutadores pelo socialismo", escreveu o líder comunista em seu texto intitulado "O que eles querem é o petróleo da Venezuela".
"Os Estados Unidos contam na Venezuela com fragmentos de Partidos, com medo da Revolução e grosseiras ambições materiais. Não poderão recorrer ao golpe de Estado, como fizeram no Chile em 1973 e em outros países da América", acrescentou.
O ex-presidente cubano ressaltou ainda que o partido de Chávez venceu as eleições, "apesar de um grupo de bastardos personagens que, na companhia de mercenários da imprensa local escrita e falada, chegaram a negar, inclusive a liberdade de imprensa na Venezuela durante a campanha eleitoral".
Comentário
Para os comunistas, tudo é culpa dos EUA. Patético e doentio isto.
Fontes: G1 /Daniel Buarque - AFP
Após votar, Chávez cita Lula para defender seu governo
"Lula disse: todos os anos há eleições, e quando não há eleições, Chávez a inventa. Na Venezuela há excesso de democracia", disse
Venezuelanos encontram filas nos colégios eleitorais neste domingo/Foto: REUTERS
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, após votar na tarde deste domingo para as eleições legislativas do país, citou o colega Luiz Inácio Lula da Silva, ao argumentar que seu governo é "o mais democrático" do país "senão do mundo".
Ao falar sobre o pleito, em coletiva de imprensa, Chávez reiterou que a participação cidadã em seu país, diferentemente das acusações que o chamam "de tirano ou ditador", é plena.
"Aqui a democracia é plena, os grupos de cidadãos organizados podem dizer [o que querem]. Um senhor no Equador disse que vai tirar [o presidente Rafael] Correa, podem dizer, há liberdades. Podem dizer que vão tirar Chávez, mas quem decide é que o povo. Isso é a democracia", enfatizou.
"Uma vez, Lula disse (...) que na América Latina não existe uma democracia como a venezuelana", continuou Chávez, aproveitando a ocasião para enviar cumprimentos ao Brasil e ao colega que "tem feito um ótimo trabalho".
"Lula disse: todos os anos há eleições, e quando não há eleições Chávez a inventa, na Venezuela há excesso de democracia", lembrou líder venezuelano.
Ao iniciar suas declarações, Chávez recordou também que "há 20 anos, eu vi com estes olhos quando a direita roubou os votos descaradamente da esquerda".
Iniciada às 6h locais (7h30 no horário de Brasília), as eleições deste domingo têm como objetivo eleger os 165 membros da Assembleia Nacional, que assumem em janeiro do próximo ano para mandato de cinco anos, e os 12 representantes do país no Parlamento Latino-americano (Parlatino).
Além dos colégios na Venezuela, que permanecem abertos até às 18h locais (19h30 no horário de Brasília), cidadãos residentes em outras nações também podem participar. Foram instaladas seções em 126 representações diplomáticas em 85 países.
Segundo pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente, os candidatos do Psuv devem obter entre 50% e 54% dos votos. Caso os prognósticos se confirmem, eles perdem a maioria qualificada que têm atualmente.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela garantiu que os incidentes registrados desde o início das eleições legislativas do país já foram controlados ou solucionados. "Temos alguns pequenos incidentes e devemos reconhecer que para este momento, em comparação com outros processos eleitorais, foram completamente controlados, e atendemos todas as ocorrências com celeridade", declarou a presidente do órgão, Tibisay Lucena, após o registro em alguns problemas em pontos distintos do território venezuelano.
Lucena, ao falar com a imprensa, pediu ainda às pessoas que colaborem para a "paz e tranquilidade" do processo. "Todos estamos colaborando e a alegria com a qual se desenvolve o processo deve continuar até o fim do dia", solicitou.
Sobre os centros eleitorais afetados pelas chuvas dos últimos dias, a titular do CNE ressaltou a eficácia das entidades venezuelanas.
"Trabalhamos principalmente no estado de Vargas e no Distrito Capital (...) e, com grande satisfação, podemos dizer que -- graças à ação imediata e oportuna das diferentes instituições (...) -- os inconvenientes foram resolvidos", completou.
Em Vargas, um dos estados mais castigados pelas tempestades, tanto os candidatos governistas, do Partido Socialista Unido da Venezuela (Psuv), quanto os opositores, da Mesa de Unidade Democrática (MUD), conseguiram exercer seu direito ao voto, com tranquilidade.
Néstor Ramirez, coordenador regional do CNE no estado, indicou o registro de alguns incidentes e falhas em cerca de 12 máquinas de votação, que foram respostas imediatamente.
O pleito, iniciado às 6h locais (7h30 no horário de Brasília), teve ainda denúncias de supostas ameaças contra eleitores e candidatos.
De acordo com o jornal El Universal, o postulante opositor Yván Olivares, de Caracas, foi impedido de votar por homens "motorizados, com pedras e fuzis, que fizeram disparos".
No momento, há grandes filas em quase todos os pontos de votação, o que demonstra que o apelo das autoridades e dos candidatos do país funcionou. Nas primeiras horas da manhã, dirigentes de ambos os setores saíram às ruas e pediram à população que participasse do processo antes das chuvas, previstas para esta tarde.
Fontes: ANSA - IG
Venezuelanos encontram filas nos colégios eleitorais neste domingo/Foto: REUTERS
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, após votar na tarde deste domingo para as eleições legislativas do país, citou o colega Luiz Inácio Lula da Silva, ao argumentar que seu governo é "o mais democrático" do país "senão do mundo".
Ao falar sobre o pleito, em coletiva de imprensa, Chávez reiterou que a participação cidadã em seu país, diferentemente das acusações que o chamam "de tirano ou ditador", é plena.
"Aqui a democracia é plena, os grupos de cidadãos organizados podem dizer [o que querem]. Um senhor no Equador disse que vai tirar [o presidente Rafael] Correa, podem dizer, há liberdades. Podem dizer que vão tirar Chávez, mas quem decide é que o povo. Isso é a democracia", enfatizou.
"Uma vez, Lula disse (...) que na América Latina não existe uma democracia como a venezuelana", continuou Chávez, aproveitando a ocasião para enviar cumprimentos ao Brasil e ao colega que "tem feito um ótimo trabalho".
"Lula disse: todos os anos há eleições, e quando não há eleições Chávez a inventa, na Venezuela há excesso de democracia", lembrou líder venezuelano.
Chávez após votar neste domingo/Foto: Reuters
Ao iniciar suas declarações, Chávez recordou também que "há 20 anos, eu vi com estes olhos quando a direita roubou os votos descaradamente da esquerda".
Iniciada às 6h locais (7h30 no horário de Brasília), as eleições deste domingo têm como objetivo eleger os 165 membros da Assembleia Nacional, que assumem em janeiro do próximo ano para mandato de cinco anos, e os 12 representantes do país no Parlamento Latino-americano (Parlatino).
Rosaura Flores e José Francisco López mostram os dedos pintados de azul após votar. (Foto: Daniel Buarque/G1)
Fila para votar na região de Altamira, de classe alta. (Foto: Daniel Buarque/G1)
Além dos colégios na Venezuela, que permanecem abertos até às 18h locais (19h30 no horário de Brasília), cidadãos residentes em outras nações também podem participar. Foram instaladas seções em 126 representações diplomáticas em 85 países.
Segundo pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente, os candidatos do Psuv devem obter entre 50% e 54% dos votos. Caso os prognósticos se confirmem, eles perdem a maioria qualificada que têm atualmente.
Problemas
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela garantiu que os incidentes registrados desde o início das eleições legislativas do país já foram controlados ou solucionados. "Temos alguns pequenos incidentes e devemos reconhecer que para este momento, em comparação com outros processos eleitorais, foram completamente controlados, e atendemos todas as ocorrências com celeridade", declarou a presidente do órgão, Tibisay Lucena, após o registro em alguns problemas em pontos distintos do território venezuelano.
Lucena, ao falar com a imprensa, pediu ainda às pessoas que colaborem para a "paz e tranquilidade" do processo. "Todos estamos colaborando e a alegria com a qual se desenvolve o processo deve continuar até o fim do dia", solicitou.
Sobre os centros eleitorais afetados pelas chuvas dos últimos dias, a titular do CNE ressaltou a eficácia das entidades venezuelanas.
"Trabalhamos principalmente no estado de Vargas e no Distrito Capital (...) e, com grande satisfação, podemos dizer que -- graças à ação imediata e oportuna das diferentes instituições (...) -- os inconvenientes foram resolvidos", completou.
Em Vargas, um dos estados mais castigados pelas tempestades, tanto os candidatos governistas, do Partido Socialista Unido da Venezuela (Psuv), quanto os opositores, da Mesa de Unidade Democrática (MUD), conseguiram exercer seu direito ao voto, com tranquilidade.
Néstor Ramirez, coordenador regional do CNE no estado, indicou o registro de alguns incidentes e falhas em cerca de 12 máquinas de votação, que foram respostas imediatamente.
O pleito, iniciado às 6h locais (7h30 no horário de Brasília), teve ainda denúncias de supostas ameaças contra eleitores e candidatos.
De acordo com o jornal El Universal, o postulante opositor Yván Olivares, de Caracas, foi impedido de votar por homens "motorizados, com pedras e fuzis, que fizeram disparos".
No momento, há grandes filas em quase todos os pontos de votação, o que demonstra que o apelo das autoridades e dos candidatos do país funcionou. Nas primeiras horas da manhã, dirigentes de ambos os setores saíram às ruas e pediram à população que participasse do processo antes das chuvas, previstas para esta tarde.
Fontes: ANSA - IG
Oposição volta a desafiar chavismo nas eleições parlamentares da Venezuela
Após cinco anos, país renova neste domingo as 165 cadeiras de sua Assembleia Nacional
Opositores trazem na camisa a frase 'Lute com seu voto'/Eduardo Mayorca/Efe
SÃO PAULO - A Venezuela renova neste domingo, 26, as 165 cadeiras de sua Assembleia Nacional.
A eleição marca o retorno da oposição partidária à cena política do país. Nas últimas eleições parlamentares, em 2005, os opositores boicotaram a votação, o que deu ao presidente Hugo Chávez o controle pleno do Legislativo.
Unificado sob a Mesa de Unidade Democrática (MUD), o antichavismo lançou candidatos a 162 assentos do Parlamento (três são reservados a candidatos indígenas) e elegeu como bandeira o combate a criminalidade - um dos principais problemas do país.
Segundo analistas, o desafio do chavismo será o relacionamento com essa oposição, que deve ter no Congresso um foco de resistência. " A Venezuela não é uma democracia normal. Pelo histórico de Chávez, dificilmente ele negociaria com a oposição, como seria o correto. Mas também acho improvável que ele opte pela ditadura aberta", diz o professor Sadio Garavini di Turno, da Universidade Central da Venezuela (UCV).
O professor cita como exemplo o corte nas verbas federais para estados governados pela oposição e o fortalecimento das 'comunas' - assembleias populares comandadas por chavistas - como alternativas às ações da oposição no Congresso.
De acordo com as últimas pesquisas, no entanto, Chávez deve obter a maioria de 2/3 necessária para aprovar leis no Congresso. Graças a uma mudança nas regras eleitorais, que redesenhou distritos e deu mais deputados a regiões afeitas ao chavismo, deve haver uma diferença entre o número de deputados eleitos pelo governo e o voto popular.
Segundo o analista da UCV, as regras foram alteradas por causa da queda na popularidade de Chávez. Em agosto, uma pesquisa da consultoria Keller e Associados estimou a aprovação do presidente em 37%, uma queda de 20 pontos percentuais em relação a 2009.
No referendo do ano passado, que permitiu ao líder venezuelano concorrer a um terceiro mandato em 2012, o "sim" ganhou - 54% contra 45%. Nas eleições presidenciais de 2006, Chávez obteve 62,8% dos votos, contra 36,9% do oposicionista Manuel Rosales.
De acordo com Garavini di Turno, a queda na popularidade do chavismo se deve essencialmente a três fatores: queda na receita obtida com petróleo, decorrente da crise mundial de 2009; colapso dos serviços públicos, inchados pelas estatizações; e aumento da violência urbana. Isso fez com que o presidente perdesse o apoio de moradores das áreas pobres das grandes cidades, principalmente na capital, Caracas.
"Chávez teve muito dinheiro. Mais do que ocorreu na ditadura. Mas, em vez de exigir uma contrapartida, como mandar o filho à escola, ele apenas estimulou o assistencialismo e o clientelismo", explica o professor. "Além disso, a ineficiência dos serviços públicos e a violência ajudaram a derrubar sua popularidade", completa.
Em 2009, a Venezuela teve uma taxa de 75 homicídios por 100 mil habitantes, segundo pesquisa divulgada este mês. Em Caracas, o número chega a 200.
Para efeito de comparação, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2007 a taxa do homicídio no País era de 25,4 por 100 mil habitantes. Em Alagoas, o Estado mais violento, esse índice é de 58 por 10 mil. Em São Paulo, está em 15,4 por 100 mil.
Raio X das eleições parlamentares na Venezuela
A eleição deste domingo na Venezuela "tem um certo ar de Brasil", afirma Clóvis Rossi, colunista da Folha, enviado a Caracas.
O presidente Hugo Chávez, assim como Lula, não é candidato, mas é onipresente na campanha e tem aquele estilo de incontinência verbal que o presidente brasileiro adota nas imediações de eleições.
"Se fosse no Brasil, no entanto, Chávez correria sério risco de virar candidato nanico: ele acaba de atacar a cerveja", destaca o jornalista.
A oposição venezuelana quer obter nas eleições legislativas pelo menos um quinto das cadeiras em jogo, para evitar a marcha ao socialismo de Chávez. Para tanto, precisaria de dois quintos da Assembleia Nacional.
"São esses, na prática, os números cabalísticos em jogo na eleição porque até a oposição assume que o partido de Chávez fará a maioria --e com certeza vai festejar com muita cerveja", afirma Rossi.
Fontes: O ESTADO DE S PAULO/Luiz Raatz - FOLHA
Opositores trazem na camisa a frase 'Lute com seu voto'/Eduardo Mayorca/Efe
SÃO PAULO - A Venezuela renova neste domingo, 26, as 165 cadeiras de sua Assembleia Nacional.
A eleição marca o retorno da oposição partidária à cena política do país. Nas últimas eleições parlamentares, em 2005, os opositores boicotaram a votação, o que deu ao presidente Hugo Chávez o controle pleno do Legislativo.
Unificado sob a Mesa de Unidade Democrática (MUD), o antichavismo lançou candidatos a 162 assentos do Parlamento (três são reservados a candidatos indígenas) e elegeu como bandeira o combate a criminalidade - um dos principais problemas do país.
Segundo analistas, o desafio do chavismo será o relacionamento com essa oposição, que deve ter no Congresso um foco de resistência. " A Venezuela não é uma democracia normal. Pelo histórico de Chávez, dificilmente ele negociaria com a oposição, como seria o correto. Mas também acho improvável que ele opte pela ditadura aberta", diz o professor Sadio Garavini di Turno, da Universidade Central da Venezuela (UCV).
O professor cita como exemplo o corte nas verbas federais para estados governados pela oposição e o fortalecimento das 'comunas' - assembleias populares comandadas por chavistas - como alternativas às ações da oposição no Congresso.
De acordo com as últimas pesquisas, no entanto, Chávez deve obter a maioria de 2/3 necessária para aprovar leis no Congresso. Graças a uma mudança nas regras eleitorais, que redesenhou distritos e deu mais deputados a regiões afeitas ao chavismo, deve haver uma diferença entre o número de deputados eleitos pelo governo e o voto popular.
Chávez diz que aproveitou campanha para "treinar" para reeleição
Queda na popularidade
Segundo o analista da UCV, as regras foram alteradas por causa da queda na popularidade de Chávez. Em agosto, uma pesquisa da consultoria Keller e Associados estimou a aprovação do presidente em 37%, uma queda de 20 pontos percentuais em relação a 2009.
No referendo do ano passado, que permitiu ao líder venezuelano concorrer a um terceiro mandato em 2012, o "sim" ganhou - 54% contra 45%. Nas eleições presidenciais de 2006, Chávez obteve 62,8% dos votos, contra 36,9% do oposicionista Manuel Rosales.
De acordo com Garavini di Turno, a queda na popularidade do chavismo se deve essencialmente a três fatores: queda na receita obtida com petróleo, decorrente da crise mundial de 2009; colapso dos serviços públicos, inchados pelas estatizações; e aumento da violência urbana. Isso fez com que o presidente perdesse o apoio de moradores das áreas pobres das grandes cidades, principalmente na capital, Caracas.
"Chávez teve muito dinheiro. Mais do que ocorreu na ditadura. Mas, em vez de exigir uma contrapartida, como mandar o filho à escola, ele apenas estimulou o assistencialismo e o clientelismo", explica o professor. "Além disso, a ineficiência dos serviços públicos e a violência ajudaram a derrubar sua popularidade", completa.
Violência urbana
Em 2009, a Venezuela teve uma taxa de 75 homicídios por 100 mil habitantes, segundo pesquisa divulgada este mês. Em Caracas, o número chega a 200.
Para efeito de comparação, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2007 a taxa do homicídio no País era de 25,4 por 100 mil habitantes. Em Alagoas, o Estado mais violento, esse índice é de 58 por 10 mil. Em São Paulo, está em 15,4 por 100 mil.
Eleição na Venezuela tem ar de Brasil
A eleição deste domingo na Venezuela "tem um certo ar de Brasil", afirma Clóvis Rossi, colunista da Folha, enviado a Caracas.
O presidente Hugo Chávez, assim como Lula, não é candidato, mas é onipresente na campanha e tem aquele estilo de incontinência verbal que o presidente brasileiro adota nas imediações de eleições.
"Se fosse no Brasil, no entanto, Chávez correria sério risco de virar candidato nanico: ele acaba de atacar a cerveja", destaca o jornalista.
A oposição venezuelana quer obter nas eleições legislativas pelo menos um quinto das cadeiras em jogo, para evitar a marcha ao socialismo de Chávez. Para tanto, precisaria de dois quintos da Assembleia Nacional.
"São esses, na prática, os números cabalísticos em jogo na eleição porque até a oposição assume que o partido de Chávez fará a maioria --e com certeza vai festejar com muita cerveja", afirma Rossi.
Fontes: O ESTADO DE S PAULO/Luiz Raatz - FOLHA
Eleições parlamentares na Venezuela colocam à prova revolução de Chávez
Eleições na Venezuela domingo
A popularidade do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e de seu projeto de revolução serão avaliados nas urnas neste domingo, quando mais de 17 milhões de venezuelanos são esperados nas urnas para definir a recomposição do Parlamento, governado durante cinco anos por uma maioria governista.
Há 11 anos no poder, Chávez voltou a fazer uso de sua popularidade para conseguir votos. "Chávez sabe que estão em jogo as eleições de 2012, que junta a escolha simultânea para governadores, prefeitos e presidente", afirmou o analista político Javier Biardeau, professor da Universidade Central da Venezuela.
Durante a campanha, o presidente percorreu vários Estados do país em caravanas que foram seguidas por milhares de simpatizantes, convertendo esta eleição parlamentar, uma vez mais, em um plebiscito sobre sua futura candidatura à reeleição, em 2012, e sobre o projeto de construção do chamado "socialismo do século 21".
"Imagine se um esquálido (opositor) voltasse a governar em Miraflores (sede do governo)? Tomariam de volta tudo o que a revolução deu para vocês, coisa que não é nenhum favor do governo e sim um direito do povo, de viver com dignidade. Por isso, enquanto Chávez for presidente, continuarei trabalhando sem descanso com os deputados da revolução", afirmou o presidente.
Para este domingo, Chávez pediu a seus simpatizantes "uma vitória por nocaute" para defender o "socialismo bolivariano". "Não menos de dois terços (do Parlamento), esse é o calibre da vitória", afirmou Chávez, na semana passada, durante um comício de campanha.
De acordo com pesquisas de opinião, a base governista deverá conquistar a maioria das cadeiras do Parlamento. No entanto, o chavismo corre o risco de perder a maioria qualificada das 165 vagas em disputa, o que permitiria à oposição frear a aprovação de leis que permitam radicalizar o projeto da revolução bolivariana.
Se o governo conquistar a maioria simples, entre 99 e 109 das vagas no Parlamento, estará obrigado a negociar com a oposição para a aprovação de leis orgânicas e nomeação de representação das Cortes dos país.
Com 110 parlamentares, o governo alcança a maioria qualificada e poderá aprovar leis estruturais sem o apoio dos opositores. Cenário desejado pelo governo.
Se obtiver pelo menos 125 vagas --cenário quase improvável de acordo com as pesquisas -, o governo poderá interpretar este resultado como um sinal de que deve pisar o acelerador das reformas. "A cifra mágica para a radicalização será 125 deputados. Se consegue isso tem luz verde para seguir", afirmou Javier Biardeau.
A oposição, por sua vez, também vê o pleito legislativo como uma oportunidade para disputar o poder com o chavismo, na esteira do descontentamento de alguns setores que antes simpatizavam com o governo.
"Vamos conquistar o que o país está esperando: uma Assembleia Nacional multicolor, que governe para todos", afirmou o candidato opositor Julio Borges, membro da Mesa da Unidade Democrática, grupo que reúne as candidaturas dos partidos opositores.
Para o analista Edgardo Lander, a volta da oposição ao Parlamento fortalece o sistema democrático representativo do país e fragiliza o chamado "braço golpista" da oposição, que a seu ver, foi determinante para levar os legisladores anti-chavistas a se retirarem da disputa eleitoral de 2005, entregando o controle absoluto da Assembleia Nacional à maioria governista.
"Este grupo descartava por completo a via eleitoral e o trabalho político. A lógica desse setor era que tinha que derrubar Chávez e buscar apoio do Departamento de Estado dos Estados Unidos", afirmou.
Para o analista político Javier Biardeau, o novo Parlamento passará a ser uma "caixa de ressonância" das diferentes correntes políticas do país. A seu ver, os parlamentares governistas, que legislaram durante cinco anos sem adversário político, "terão que reconhecer que há uma diversidade de forças além do chavismo no Parlamento, que terão voz política e que além disso estarão apoiados por todos os meios de comunicação privados", afirmou.
Edgardo Lander acredita que a oposição tende a se fortalecer nestas eleições, porém, considera "pouco provável" que a oposição consiga organizar uma candidatura unitária capaz de fazer frente à liderança do presidente venezuelano. Esse cenário, no entanto, pode ser alterado, caso a oposição conquiste uma maior quantidade de votos nas eleições legislativas em relação ao governo.
"Se isso ocorre, pode haver maiores riscos para a candidatura à reeleição presidencial em 2012, mas ainda assim, é improvável uma derrota de Chávez", afirmou.
De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral, 150 observadores internacionais e 60 convidados de partidos políticos estrangeiros acompanharão o pleito deste domingo. Mais de 12 mil centros de votação serão protegidos por cerca de 250 mil militares. O voto na Venezuela é facultativo.
Fonte: FOLHA - BBC / CLAUDIA JARDIM
A popularidade do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e de seu projeto de revolução serão avaliados nas urnas neste domingo, quando mais de 17 milhões de venezuelanos são esperados nas urnas para definir a recomposição do Parlamento, governado durante cinco anos por uma maioria governista.
Há 11 anos no poder, Chávez voltou a fazer uso de sua popularidade para conseguir votos. "Chávez sabe que estão em jogo as eleições de 2012, que junta a escolha simultânea para governadores, prefeitos e presidente", afirmou o analista político Javier Biardeau, professor da Universidade Central da Venezuela.
Durante a campanha, o presidente percorreu vários Estados do país em caravanas que foram seguidas por milhares de simpatizantes, convertendo esta eleição parlamentar, uma vez mais, em um plebiscito sobre sua futura candidatura à reeleição, em 2012, e sobre o projeto de construção do chamado "socialismo do século 21".
"Imagine se um esquálido (opositor) voltasse a governar em Miraflores (sede do governo)? Tomariam de volta tudo o que a revolução deu para vocês, coisa que não é nenhum favor do governo e sim um direito do povo, de viver com dignidade. Por isso, enquanto Chávez for presidente, continuarei trabalhando sem descanso com os deputados da revolução", afirmou o presidente.
Para este domingo, Chávez pediu a seus simpatizantes "uma vitória por nocaute" para defender o "socialismo bolivariano". "Não menos de dois terços (do Parlamento), esse é o calibre da vitória", afirmou Chávez, na semana passada, durante um comício de campanha.
De acordo com pesquisas de opinião, a base governista deverá conquistar a maioria das cadeiras do Parlamento. No entanto, o chavismo corre o risco de perder a maioria qualificada das 165 vagas em disputa, o que permitiria à oposição frear a aprovação de leis que permitam radicalizar o projeto da revolução bolivariana.
Se o governo conquistar a maioria simples, entre 99 e 109 das vagas no Parlamento, estará obrigado a negociar com a oposição para a aprovação de leis orgânicas e nomeação de representação das Cortes dos país.
Com 110 parlamentares, o governo alcança a maioria qualificada e poderá aprovar leis estruturais sem o apoio dos opositores. Cenário desejado pelo governo.
Se obtiver pelo menos 125 vagas --cenário quase improvável de acordo com as pesquisas -, o governo poderá interpretar este resultado como um sinal de que deve pisar o acelerador das reformas. "A cifra mágica para a radicalização será 125 deputados. Se consegue isso tem luz verde para seguir", afirmou Javier Biardeau.
OPOSIÇÃO
A oposição, por sua vez, também vê o pleito legislativo como uma oportunidade para disputar o poder com o chavismo, na esteira do descontentamento de alguns setores que antes simpatizavam com o governo.
"Vamos conquistar o que o país está esperando: uma Assembleia Nacional multicolor, que governe para todos", afirmou o candidato opositor Julio Borges, membro da Mesa da Unidade Democrática, grupo que reúne as candidaturas dos partidos opositores.
Para o analista Edgardo Lander, a volta da oposição ao Parlamento fortalece o sistema democrático representativo do país e fragiliza o chamado "braço golpista" da oposição, que a seu ver, foi determinante para levar os legisladores anti-chavistas a se retirarem da disputa eleitoral de 2005, entregando o controle absoluto da Assembleia Nacional à maioria governista.
"Este grupo descartava por completo a via eleitoral e o trabalho político. A lógica desse setor era que tinha que derrubar Chávez e buscar apoio do Departamento de Estado dos Estados Unidos", afirmou.
Para o analista político Javier Biardeau, o novo Parlamento passará a ser uma "caixa de ressonância" das diferentes correntes políticas do país. A seu ver, os parlamentares governistas, que legislaram durante cinco anos sem adversário político, "terão que reconhecer que há uma diversidade de forças além do chavismo no Parlamento, que terão voz política e que além disso estarão apoiados por todos os meios de comunicação privados", afirmou.
Edgardo Lander acredita que a oposição tende a se fortalecer nestas eleições, porém, considera "pouco provável" que a oposição consiga organizar uma candidatura unitária capaz de fazer frente à liderança do presidente venezuelano. Esse cenário, no entanto, pode ser alterado, caso a oposição conquiste uma maior quantidade de votos nas eleições legislativas em relação ao governo.
"Se isso ocorre, pode haver maiores riscos para a candidatura à reeleição presidencial em 2012, mas ainda assim, é improvável uma derrota de Chávez", afirmou.
De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral, 150 observadores internacionais e 60 convidados de partidos políticos estrangeiros acompanharão o pleito deste domingo. Mais de 12 mil centros de votação serão protegidos por cerca de 250 mil militares. O voto na Venezuela é facultativo.
Fonte: FOLHA - BBC / CLAUDIA JARDIM
A decadência do patriarca
MAC MARGOLIS
Imagine o seguinte. A economia nacional está em recessão profunda. Apagões crônicos escurecem casas, fábricas e lojas. A inflação anual passa dos 30%, uma das piores taxas do mundo. Idem para a violência, que transformou a capital num campo de batalha. É um quadro para debelar qualquer governo e alegrar seus desafetos políticos. Mas, na Venezuela de Hugo Chávez, que preside há mais de uma década com um rolo compressor na mão e Simon Bolívar na cabeça, as regras sempre foram diferentes.
No próximo domingo, estimados 70% dos 17,5 milhões de eleitores venezuelanos votarão para um novo Parlamento em meio a uma das piores crises econômicas, políticas e sociais em mais de uma década. O desarranjo deve ser visto nas urnas, galvanizando os inimigos de Chávez e frustrando seus devotos. A crise já jogou os índices de aprovação do comissário do socialismo do século 21 para a faixa de 40%, o pior nível desde que assumiu o poder, em 1999. Mas não soltem o obituário bolivariano ainda.
A julgar pelas pesquisas de intenção de voto, o Partido Unido Socialista da Venezuela (PSUV), de Chávez, perderá espaço na legislatura unicameral de 167 assentos, mas não deve sofrer um colapso. O veterano analista político Luis Vicente León, do instituto Datanalisis, prevê um páreo embolado, com 52% dos votos para candidatos do governo e 48% para os opositores.
Para a acidentada oposição venezuelana, é um grande avanço. Ou melhor, "receber 50% dos votos é um golpe duro para Chávez", disse Diego Arria, ex-embaixador venezuelano nas Nações Unidas e crítico frequente de Chávez, que reagiu desapropriando sua fazenda em nome da revolução.
O resultado pode diluir o controle que Chávez exerce na legislatura, onde o governo manda e desmanda, triturando a Constituição a contento. No entanto, diante da tímida união dos partidos de oposição e da nova partilha dos distritos eleitorais, que joga a favor dos governistas, até uma derrota nominal no voto popular pode terminar em vitória chavista. Que seja assim, mesmo após 11 anos de crises, encrencas e atrito permanente, é o mistério do hemisfério.
Desde que assumiu o poder, em 1999, Chávez faz o que quer na nação de 29 milhões de habitantes. Padrinho de um fracassado golpe militar nos anos 90, o "comandante" Chávez trocou o paiol pelo palanque e encantou o país cansado da ladainha de uma elite política notoriamente corrupta e descompromissada com a maioria desassistida.
Governou desde então com uma mescla de intimidação, favor, boa lábia e disfunção partidária, premiando aliados e sufocando o resto. De 11 pleitos, ele e seus aliados venceram 10, até mesmo 2 vezes a reeleição presidencial e um voto de confiança movido pela oposição. Em 2007, em sua única derrota, perdeu um referendo para eliminar a restrição constitucional a repetidas reeleições, mas ganhou outro dois anos depois, abrindo o caminho para permanecer eternamente no poder.
Durante o caminho, Chávez teve uma mão da oposição, que boicotou a última eleição parlamentar, em 2005, com o argumento - perfeitamente plausível - de que a votação seria fatalmente comprometida por fraudes e intimidação. A ação resultou em um pacto de suicídio coletivo em que o PSUV de Chávez ganhou o controle absoluto do Parlamento e, agora, detém 138 dos 167 assentos, um carimbo virtual ao projeto bolivariano.
Apanhando, a oposição aprendeu e agora está de volta à política. Promete conquistar adeptos em Caracas e em outras grandes cidades, onde falta luz e sobra crime, manchando a marca bolivariana. Chávez, bom soldado que é, já montou a retaguarda, acionando o Congresso para redesenhar o mapa eleitoral e aumentar a representatividade das áreas rurais, ainda simpáticas ao governo. Na nova matemática eleitoral, mesmo que a oposição conquiste uma maioria simples - digamos, 51% dos votos - o domínio do governo no Congresso continua intocado. Só a partir de 56% é que os oposicionistas conseguem ultrapassar o bloco chavista.
O plano B da oposição é bem mais factível: eleger deputados suficientes - o número mágico é 57, dizem - para derrubar a supermaioria governista de dois terços do Congresso, privando Chávez de seu rolo compressor. Compartilhar o poder e negociar reformas, porém, não faz parte da cartilha bolivariana. E aí mora o perigo.
O novo Parlamento toma posse só em janeiro. São cem dias para o governo "derrotado" fazer o que bem entender, seja retalhar o que resta da Constituição, seja criar uma Assembleia Nacional paralela ao estilo cubano, com presidente, conselho e leis próprios, para blindar sua autoridade. Qualquer que seja o desfecho, a perspectiva é de mais confronto e crise. Os críticos do experimento bolivariano sempre alardearam a ameaça para América Latina de um Chávez poderoso, mas se esqueceram de avisar sobre o patriarca em decadência.
Economia do país está entre as piores do mundo
A revista The Economist prevê uma queda de 5,5% no PIB venezuelano em 2010 - a Grécia, que quase foi à falência este ano, terá uma queda de 3,9%.
Outras avaliações, como a do Morgan Stanley, são ainda mais sombrias e apontam um retrocesso de 6,2% da economia. A inflação também é desanimadora. No ranking de 57 países feito pela revista britânica ninguém chega perto da Venezuela. O índice de preços ao consumidor atingiu 31% - apenas outros dois países têm inflação acima de dois dígitos: Índia e Egito. A estagflação é ainda mais notável porque a Venezuela é a oitava produtora de petróleo do mundo.
(Informações de Cristiano Dias - O ESTADO DE S PAULO)
Fonte: MAC MARGOLIS - O Estado de S.Paulo
Imagine o seguinte. A economia nacional está em recessão profunda. Apagões crônicos escurecem casas, fábricas e lojas. A inflação anual passa dos 30%, uma das piores taxas do mundo. Idem para a violência, que transformou a capital num campo de batalha. É um quadro para debelar qualquer governo e alegrar seus desafetos políticos. Mas, na Venezuela de Hugo Chávez, que preside há mais de uma década com um rolo compressor na mão e Simon Bolívar na cabeça, as regras sempre foram diferentes.
No próximo domingo, estimados 70% dos 17,5 milhões de eleitores venezuelanos votarão para um novo Parlamento em meio a uma das piores crises econômicas, políticas e sociais em mais de uma década. O desarranjo deve ser visto nas urnas, galvanizando os inimigos de Chávez e frustrando seus devotos. A crise já jogou os índices de aprovação do comissário do socialismo do século 21 para a faixa de 40%, o pior nível desde que assumiu o poder, em 1999. Mas não soltem o obituário bolivariano ainda.
A julgar pelas pesquisas de intenção de voto, o Partido Unido Socialista da Venezuela (PSUV), de Chávez, perderá espaço na legislatura unicameral de 167 assentos, mas não deve sofrer um colapso. O veterano analista político Luis Vicente León, do instituto Datanalisis, prevê um páreo embolado, com 52% dos votos para candidatos do governo e 48% para os opositores.
Para a acidentada oposição venezuelana, é um grande avanço. Ou melhor, "receber 50% dos votos é um golpe duro para Chávez", disse Diego Arria, ex-embaixador venezuelano nas Nações Unidas e crítico frequente de Chávez, que reagiu desapropriando sua fazenda em nome da revolução.
O resultado pode diluir o controle que Chávez exerce na legislatura, onde o governo manda e desmanda, triturando a Constituição a contento. No entanto, diante da tímida união dos partidos de oposição e da nova partilha dos distritos eleitorais, que joga a favor dos governistas, até uma derrota nominal no voto popular pode terminar em vitória chavista. Que seja assim, mesmo após 11 anos de crises, encrencas e atrito permanente, é o mistério do hemisfério.
Desde que assumiu o poder, em 1999, Chávez faz o que quer na nação de 29 milhões de habitantes. Padrinho de um fracassado golpe militar nos anos 90, o "comandante" Chávez trocou o paiol pelo palanque e encantou o país cansado da ladainha de uma elite política notoriamente corrupta e descompromissada com a maioria desassistida.
Governou desde então com uma mescla de intimidação, favor, boa lábia e disfunção partidária, premiando aliados e sufocando o resto. De 11 pleitos, ele e seus aliados venceram 10, até mesmo 2 vezes a reeleição presidencial e um voto de confiança movido pela oposição. Em 2007, em sua única derrota, perdeu um referendo para eliminar a restrição constitucional a repetidas reeleições, mas ganhou outro dois anos depois, abrindo o caminho para permanecer eternamente no poder.
Durante o caminho, Chávez teve uma mão da oposição, que boicotou a última eleição parlamentar, em 2005, com o argumento - perfeitamente plausível - de que a votação seria fatalmente comprometida por fraudes e intimidação. A ação resultou em um pacto de suicídio coletivo em que o PSUV de Chávez ganhou o controle absoluto do Parlamento e, agora, detém 138 dos 167 assentos, um carimbo virtual ao projeto bolivariano.
Apanhando, a oposição aprendeu e agora está de volta à política. Promete conquistar adeptos em Caracas e em outras grandes cidades, onde falta luz e sobra crime, manchando a marca bolivariana. Chávez, bom soldado que é, já montou a retaguarda, acionando o Congresso para redesenhar o mapa eleitoral e aumentar a representatividade das áreas rurais, ainda simpáticas ao governo. Na nova matemática eleitoral, mesmo que a oposição conquiste uma maioria simples - digamos, 51% dos votos - o domínio do governo no Congresso continua intocado. Só a partir de 56% é que os oposicionistas conseguem ultrapassar o bloco chavista.
O plano B da oposição é bem mais factível: eleger deputados suficientes - o número mágico é 57, dizem - para derrubar a supermaioria governista de dois terços do Congresso, privando Chávez de seu rolo compressor. Compartilhar o poder e negociar reformas, porém, não faz parte da cartilha bolivariana. E aí mora o perigo.
O novo Parlamento toma posse só em janeiro. São cem dias para o governo "derrotado" fazer o que bem entender, seja retalhar o que resta da Constituição, seja criar uma Assembleia Nacional paralela ao estilo cubano, com presidente, conselho e leis próprios, para blindar sua autoridade. Qualquer que seja o desfecho, a perspectiva é de mais confronto e crise. Os críticos do experimento bolivariano sempre alardearam a ameaça para América Latina de um Chávez poderoso, mas se esqueceram de avisar sobre o patriarca em decadência.
A revista The Economist prevê uma queda de 5,5% no PIB venezuelano em 2010 - a Grécia, que quase foi à falência este ano, terá uma queda de 3,9%.
Outras avaliações, como a do Morgan Stanley, são ainda mais sombrias e apontam um retrocesso de 6,2% da economia. A inflação também é desanimadora. No ranking de 57 países feito pela revista britânica ninguém chega perto da Venezuela. O índice de preços ao consumidor atingiu 31% - apenas outros dois países têm inflação acima de dois dígitos: Índia e Egito. A estagflação é ainda mais notável porque a Venezuela é a oitava produtora de petróleo do mundo.
(Informações de Cristiano Dias - O ESTADO DE S PAULO)
Fonte: MAC MARGOLIS - O Estado de S.Paulo
Chávez adverte que triunfo eleitoral de opositores seria ruína da ''revolução''
Apenas uma semana separa a Venezuela da eleição parlamentar que pode dar novo fôlego ao presidente Hugo Chávez ou precipitar a decadência do venezuelano, que está há 11 anos ininterruptos no poder.
Campanha. Chávez discursa em ato eleitoral em Caracas/Reuters
Na história recente da América do Sul, apenas dois líderes governaram por tanto tempo: o chileno Augusto Pinochet (1973-1990) e o paraguaio Alfredo Stroessner (1954-1989) - dois ditadores.
Mais do que escolher os 167 novos membros da Assembleia Nacional - única instância parlamentar de um país que extinguiu o Senado, em 1999 -, os venezuelanos devem mostrar o grau de polarização da vida política do país até as eleições presidenciais de 2012, às quais Chávez já se lançou como candidato, apesar de sua popularidade, que já foi de 75% em 2006, não passar hoje de de 44%, segundo o Datanálisis.
Atualmente, quase todos os parlamentares venezuelanos são chavistas. A oposição boicotou as eleições legislativas, há cinco anos, pregando a abstenção e acusando a Justiça eleitoral do país de fraude. Agora, mudou sua estratégia e espera conquistar entre 57 e 50 cadeiras. Um avanço como esse tiraria de Chávez a maioria de dois terços e o obrigaria a negociar ou apostar ainda mais na radicalização.
O líder venezuelano sabe que, se perder o controle do Legislativo, seu plano socialista "começará a desmoronar", como ele mesmo disse na sexta-feira, em um comício eleitoral em Caracas. "É preciso manter a hegemonia para, assim, garantir a continuidade da gloriosa revolução bolivariana", disse Chávez.
O teste eleitoral que se aproxima voltou a polarizar as opiniões de analistas e eleitores. Os que veem em Chávez um líder socialista e carismático ressaltam o fato de ele ter participado e vencido três eleições presidenciais. Líder de uma tentativa de golpe de Estado, em 1992, ele resistiu a outro movimento golpista em 2002.
Seu partido saiu vitorioso em duas eleições regionais, controla 17 dos 24 Estados venezuelanos e governa 80% das cidades do país. Até mesmo o direito de disputar um número ilimitado de eleições foi garantido por plebiscito, nas urnas, sob a chancela de observadores internacionais independentes.
No entanto, o extenso currículo eleitoral não é, por si só, garantia de que exista uma democracia plena na Venezuela. Ao contrário, a oposição acusa Chávez de afastar-se cada vez mais do modelo democrático, atacando a liberdade de imprensa e a independência dos poderes, perseguindo juízes, prendendo opositores e sindicalistas, arruinando a economia e permitindo que o país bata todos os recordes de insegurança - o número de assassinatos pulou de 4 mil, em 1999, para 16 mil, em 2009.
"Eleições não são o único termômetro da democracia. É preciso saber como Chávez construiu o cenário que permitiu que ele garantisse todas essas vitórias", disse ao Estado Carlos Correa, do Centro de Direitos Humanos e Liberdade de Expressão da Universidade Andrés Bello, de Caracas. "Por outro lado, não se pode dizer que atitudes, como a tomada pela oposição há cinco anos, boicotando uma eleição parlamentar, seja algo correto sob o que consideramos uma democracia saudável."
Na Venezuela, não há debates eleitorais televisionados nem horário eleitoral gratuito. Como ferramenta de propaganda, o governo usa o fato de parte da imprensa privada ter apoiado o golpe de 2002 para cassar concessões, criar leis que impedem a publicação de notícias negativas e negar entrevistas aos jornalistas locais ou estrangeiros.
Nas raras vezes em que é confrontado por uma pergunta crítica, Chávez esquece o assunto em debate e passa a atacar a imprensa de forma geral e, invariavelmente, o jornalista com quem está falando.
"Qualquer um que fale contra o governo é imediatamente classificado como traidor e lacaio do império americano. A estratégia do governo tem sido a de radicalizar cada vez mais, criminalizando a oposição, como se não houvesse alternativa honesta ao que temos hoje", disse Correa.
Fonte: João Paulo Charleaux - O Estado de S.Paulo
Campanha. Chávez discursa em ato eleitoral em Caracas/Reuters
Na história recente da América do Sul, apenas dois líderes governaram por tanto tempo: o chileno Augusto Pinochet (1973-1990) e o paraguaio Alfredo Stroessner (1954-1989) - dois ditadores.
Mais do que escolher os 167 novos membros da Assembleia Nacional - única instância parlamentar de um país que extinguiu o Senado, em 1999 -, os venezuelanos devem mostrar o grau de polarização da vida política do país até as eleições presidenciais de 2012, às quais Chávez já se lançou como candidato, apesar de sua popularidade, que já foi de 75% em 2006, não passar hoje de de 44%, segundo o Datanálisis.
Atualmente, quase todos os parlamentares venezuelanos são chavistas. A oposição boicotou as eleições legislativas, há cinco anos, pregando a abstenção e acusando a Justiça eleitoral do país de fraude. Agora, mudou sua estratégia e espera conquistar entre 57 e 50 cadeiras. Um avanço como esse tiraria de Chávez a maioria de dois terços e o obrigaria a negociar ou apostar ainda mais na radicalização.
O líder venezuelano sabe que, se perder o controle do Legislativo, seu plano socialista "começará a desmoronar", como ele mesmo disse na sexta-feira, em um comício eleitoral em Caracas. "É preciso manter a hegemonia para, assim, garantir a continuidade da gloriosa revolução bolivariana", disse Chávez.
O teste eleitoral que se aproxima voltou a polarizar as opiniões de analistas e eleitores. Os que veem em Chávez um líder socialista e carismático ressaltam o fato de ele ter participado e vencido três eleições presidenciais. Líder de uma tentativa de golpe de Estado, em 1992, ele resistiu a outro movimento golpista em 2002.
Vitórias.
Seu partido saiu vitorioso em duas eleições regionais, controla 17 dos 24 Estados venezuelanos e governa 80% das cidades do país. Até mesmo o direito de disputar um número ilimitado de eleições foi garantido por plebiscito, nas urnas, sob a chancela de observadores internacionais independentes.
No entanto, o extenso currículo eleitoral não é, por si só, garantia de que exista uma democracia plena na Venezuela. Ao contrário, a oposição acusa Chávez de afastar-se cada vez mais do modelo democrático, atacando a liberdade de imprensa e a independência dos poderes, perseguindo juízes, prendendo opositores e sindicalistas, arruinando a economia e permitindo que o país bata todos os recordes de insegurança - o número de assassinatos pulou de 4 mil, em 1999, para 16 mil, em 2009.
"Eleições não são o único termômetro da democracia. É preciso saber como Chávez construiu o cenário que permitiu que ele garantisse todas essas vitórias", disse ao Estado Carlos Correa, do Centro de Direitos Humanos e Liberdade de Expressão da Universidade Andrés Bello, de Caracas. "Por outro lado, não se pode dizer que atitudes, como a tomada pela oposição há cinco anos, boicotando uma eleição parlamentar, seja algo correto sob o que consideramos uma democracia saudável."
Na Venezuela, não há debates eleitorais televisionados nem horário eleitoral gratuito. Como ferramenta de propaganda, o governo usa o fato de parte da imprensa privada ter apoiado o golpe de 2002 para cassar concessões, criar leis que impedem a publicação de notícias negativas e negar entrevistas aos jornalistas locais ou estrangeiros.
Nas raras vezes em que é confrontado por uma pergunta crítica, Chávez esquece o assunto em debate e passa a atacar a imprensa de forma geral e, invariavelmente, o jornalista com quem está falando.
"Qualquer um que fale contra o governo é imediatamente classificado como traidor e lacaio do império americano. A estratégia do governo tem sido a de radicalizar cada vez mais, criminalizando a oposição, como se não houvesse alternativa honesta ao que temos hoje", disse Correa.
Fonte: João Paulo Charleaux - O Estado de S.Paulo
Opositor a Chávez morre após oito meses em greve de fome
O produtor rural Franklin Brito morreu ontem à noite em Caracas por complicações decorrentes de oito meses quase ininterruptos de greve de fome.
Brito protestava pela situação de suas terras que, sustentava, haviam sido expropiadas pelo governo Hugo Chávez.
O produtor rural de 49 anos morreu no Hospital Militar de Caracas, onde estava internado por ordem da Justiça e contra sua vontade desde janeiro. "Seguiremos lutando pelas terras", disse à reportagem sua filha, Angela, 20.
Mais tarde, a família, em comunicado, afirmou que Brito será "símbolo e bandeira" dos que lutam contra os "atropelos do poder". Acusaram o governo Hugo Chávez de ignorar as exigências do produtor e vetar assistência médica escolhida por ele.
O caso de Brito se arrastava desde 2005, com várias versões e reações diversas do governo e da Justiça. O produtor rural fez, no período, oito greves de fome e, em 2005, cortou um dedo ante às câmeras de TV.
O governo Chávez diz que não houve expropriação das terras do produtor e que as autoridades fizeram o que podiam para demovê-lo do jejum.
Na semana passada, ele foi visitado pelo ministro da Agricultura, Juan Carlos Loyos, que acusou a oposição de manipulá-lo.
Caracas já havia demonstrado preocupação pela repercussão internacional e interna do tema. Em junho, quando Brito resolveu radicalizar a greve de fome, o governo convocou jornalistas e órgãos como a ONU e a OEA (Organização dos Estados Americanos) para falar do tema.
Earle Siso, diretor do hospital militar onde Brito estava, afirmou à época que o governo estava "respeitando o direito de greve de fome, mas, ao mesmo tempo, e por ordem judicial, preservando sua vida".
Já o vice-presidente Elías Jaua acusou a oposição de orquestrar "uma campanha internacional" contra Chávez, num intento de transformar Brito num mártir das expropriações.
Ontem, um apresentador do canal opositor Globovisión afirmou: "Tomara que a tragédia de Franklin Brito não seja a tragédia de todos os venezuelanos".
A polarizada Venezuela está às vésperas das eleições legislativas de 26 de setembro. Llíderes opositores como integrantes da cúpula católica criticavam o governo pelo caso.
Desde 2005, Brito e governo chegaram a dois acordos, considerados insuficientes pelo produtor.
Em junho, em conversa com a Folha, a filha Angela dissera que o pai recebera o equivalente a US$ 186 mil do governo em tratores e outros artigos agrícolas, mas que desejava devolver a quantia porque exigia que Caracas reconhecesse que se trata de uma indenização pelos danos causados e não "benefícios".
Fonte: FOLHA/FLÁVIA MARREIRO
Brito protestava pela situação de suas terras que, sustentava, haviam sido expropiadas pelo governo Hugo Chávez.
O produtor rural de 49 anos morreu no Hospital Militar de Caracas, onde estava internado por ordem da Justiça e contra sua vontade desde janeiro. "Seguiremos lutando pelas terras", disse à reportagem sua filha, Angela, 20.
Mais tarde, a família, em comunicado, afirmou que Brito será "símbolo e bandeira" dos que lutam contra os "atropelos do poder". Acusaram o governo Hugo Chávez de ignorar as exigências do produtor e vetar assistência médica escolhida por ele.
O caso de Brito se arrastava desde 2005, com várias versões e reações diversas do governo e da Justiça. O produtor rural fez, no período, oito greves de fome e, em 2005, cortou um dedo ante às câmeras de TV.
GOVERNO NEGA EXPROPRIAÇÃO
O governo Chávez diz que não houve expropriação das terras do produtor e que as autoridades fizeram o que podiam para demovê-lo do jejum.
Na semana passada, ele foi visitado pelo ministro da Agricultura, Juan Carlos Loyos, que acusou a oposição de manipulá-lo.
Caracas já havia demonstrado preocupação pela repercussão internacional e interna do tema. Em junho, quando Brito resolveu radicalizar a greve de fome, o governo convocou jornalistas e órgãos como a ONU e a OEA (Organização dos Estados Americanos) para falar do tema.
Earle Siso, diretor do hospital militar onde Brito estava, afirmou à época que o governo estava "respeitando o direito de greve de fome, mas, ao mesmo tempo, e por ordem judicial, preservando sua vida".
Já o vice-presidente Elías Jaua acusou a oposição de orquestrar "uma campanha internacional" contra Chávez, num intento de transformar Brito num mártir das expropriações.
Ontem, um apresentador do canal opositor Globovisión afirmou: "Tomara que a tragédia de Franklin Brito não seja a tragédia de todos os venezuelanos".
A polarizada Venezuela está às vésperas das eleições legislativas de 26 de setembro. Llíderes opositores como integrantes da cúpula católica criticavam o governo pelo caso.
Desde 2005, Brito e governo chegaram a dois acordos, considerados insuficientes pelo produtor.
Em junho, em conversa com a Folha, a filha Angela dissera que o pai recebera o equivalente a US$ 186 mil do governo em tratores e outros artigos agrícolas, mas que desejava devolver a quantia porque exigia que Caracas reconhecesse que se trata de uma indenização pelos danos causados e não "benefícios".
Fonte: FOLHA/FLÁVIA MARREIRO
Caracas é a capital mais perigosa
Violência urbana fora de controle na Venezuela
De meia em meia hora é cometido um homicídio na Venezuela, onde circulam dez milhões de armas
A pouco mais de um mês das eleições legislativas, a 26 de Setembro, Hugo Chávez enfrenta aquele que é, de longe, o maior problema para o seu regime "bolivariano": a violência urbana, que transformou Caracas na mais violenta capital do mundo.
Em 2009, foram assassinadas na Venezuela 19 133 pessoas - o que representa uma taxa de 75 homicídios por cem mil habitantes. A esmagadora maioria das mortes ocorreu na capital.
Um relatório do Instituto Nacional de Estatística venezuelano - o primeiro do género elaborado desde 2003 - admite que a taxa de crimes violentos no país supera a da vizinha Colômbia, onde em 2009 foram mortas 15 817 pessoas. Até Mogadíscio, na Somália, mergulhada em guerra civil, e Bagdad, no Iraque, são capitais menos violentas do que Caracas. A título de comparação: em Bagdad houve 4497 mortes violentas - só de civis - em 2009, e em Moscovo cometem-se 9,6 homicídios por cada cem mil habitantes.
Outro relatório, elaborado pela Comissão Parlamentar de Defesa, reconhece que circulam na Venezuela entre oito milhões e dez milhões de armas ilegais. Este é um dos motivos determinantes para o elevadíssimo número de homicídios registado no país: já este ano, entre Janeiro e Junho, foram ali assassinadas 5186 pessoas, a grande maioria das quais jovens - 72% dos mortos tinha entre 15 e 29 anos. "Em cada meia hora, há um assassínio na Venezuela", assinalava ontem o El Pais.
A economia vai mal: o produto interno bruto venezuelano caiu 3,5% no primeiro semestre de 2010. Mas o que mais preocupa a população é a insegurança: uma recente sondagem indica que 80% dos venezuelanos põe a criminalidade à frente de qualquer outro problema existente no país.
Bem ao seu estilo, Chávez aponta o dedo acusador aos órgãos de informação, acusando-os de "exagerar" as questões do crime. O jornal El Nacional foi já visado pelo Ministério Público após ter publicado uma fotografia que mostrava cadáveres na morgue da capital
Fonte: DN/Pt/PEDRO CORREIA
De meia em meia hora é cometido um homicídio na Venezuela, onde circulam dez milhões de armas
A pouco mais de um mês das eleições legislativas, a 26 de Setembro, Hugo Chávez enfrenta aquele que é, de longe, o maior problema para o seu regime "bolivariano": a violência urbana, que transformou Caracas na mais violenta capital do mundo.
Em 2009, foram assassinadas na Venezuela 19 133 pessoas - o que representa uma taxa de 75 homicídios por cem mil habitantes. A esmagadora maioria das mortes ocorreu na capital.
Um relatório do Instituto Nacional de Estatística venezuelano - o primeiro do género elaborado desde 2003 - admite que a taxa de crimes violentos no país supera a da vizinha Colômbia, onde em 2009 foram mortas 15 817 pessoas. Até Mogadíscio, na Somália, mergulhada em guerra civil, e Bagdad, no Iraque, são capitais menos violentas do que Caracas. A título de comparação: em Bagdad houve 4497 mortes violentas - só de civis - em 2009, e em Moscovo cometem-se 9,6 homicídios por cada cem mil habitantes.
Outro relatório, elaborado pela Comissão Parlamentar de Defesa, reconhece que circulam na Venezuela entre oito milhões e dez milhões de armas ilegais. Este é um dos motivos determinantes para o elevadíssimo número de homicídios registado no país: já este ano, entre Janeiro e Junho, foram ali assassinadas 5186 pessoas, a grande maioria das quais jovens - 72% dos mortos tinha entre 15 e 29 anos. "Em cada meia hora, há um assassínio na Venezuela", assinalava ontem o El Pais.
A economia vai mal: o produto interno bruto venezuelano caiu 3,5% no primeiro semestre de 2010. Mas o que mais preocupa a população é a insegurança: uma recente sondagem indica que 80% dos venezuelanos põe a criminalidade à frente de qualquer outro problema existente no país.
Bem ao seu estilo, Chávez aponta o dedo acusador aos órgãos de informação, acusando-os de "exagerar" as questões do crime. O jornal El Nacional foi já visado pelo Ministério Público após ter publicado uma fotografia que mostrava cadáveres na morgue da capital
Fonte: DN/Pt/PEDRO CORREIA
Santos toma posse e descarta conflito com a Venezuela
Novo presidente da Colômbia promete 'diálogo direto' com o país vizinho.
Em seu discurso de posse, o novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, descartou a possibilidade de um conflito com a vizinha Venezuela. "A palavra guerra não está em meu dicionário quando penso na relação da Colômbia com seus vizinhos ou com qualquer nação do planeta", discursou.
O novo mandatário afirmou que espera restabelecer relações com os vizinhos venezuelanos e equatorianos por meio de "diálogo direto" o quanto antes, e que, quem fala em guerra, nunca teve a responsabilidade de, como ele já teve, enviar soldados a combate.
O presidente venezuelano Hugo Chávez cortou os laços com a Colômbia no mês passado e anunciou o envio de tropas para a fronteira quando o governo do agora ex-mandatário Álvaro Uribe, aliado próximo dos EUA, disse que a Venezuela tolera acampamentos da guerrilha esquerdista em seu território.
O mais recente atrito entre os dois países foi visto como uma última rusga entre líderes ideologicamente opostos, que durante muito tempo antagonizaram sobre as guerrilhas e a presença militar norte-americana na Colômbia.
Fontes: G1 - Agências - TV Globo
Santos discursa em Bogotá, observado pelo ex-presidente Álvaro Uribe. (Foto: AFP)
Em seu discurso de posse, o novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, descartou a possibilidade de um conflito com a vizinha Venezuela. "A palavra guerra não está em meu dicionário quando penso na relação da Colômbia com seus vizinhos ou com qualquer nação do planeta", discursou.
O novo mandatário afirmou que espera restabelecer relações com os vizinhos venezuelanos e equatorianos por meio de "diálogo direto" o quanto antes, e que, quem fala em guerra, nunca teve a responsabilidade de, como ele já teve, enviar soldados a combate.
O presidente venezuelano Hugo Chávez cortou os laços com a Colômbia no mês passado e anunciou o envio de tropas para a fronteira quando o governo do agora ex-mandatário Álvaro Uribe, aliado próximo dos EUA, disse que a Venezuela tolera acampamentos da guerrilha esquerdista em seu território.
O mais recente atrito entre os dois países foi visto como uma última rusga entre líderes ideologicamente opostos, que durante muito tempo antagonizaram sobre as guerrilhas e a presença militar norte-americana na Colômbia.
Fontes: G1 - Agências - TV Globo
Venezuela atrasa pagamentos e afugenta empresas brasileiras
Braskem adia investimentos de US$ 3,5 bilhões em dois projetos em território venezuelano; empreiteiras enfrentam problemas com uma lei que permite ao governo confiscar máquinas ou tomar obras públicas que estejam paralisadas ou atrasadas
A vida das empresas brasileiras na Venezuela não está fácil e pode piorar. A Braskem, que havia fechado duas joint ventures com a estatal venezuelana Pequiven, para dois projetos no valor de US$ 3,5 bilhões, mudou seus planos. Das 30 pessoas que a empresa mantinha em Caracas para tocar o projeto, só sobrarão 5. A maioria dos executivos está voltando para o Brasil ou indo para outras filiais da Braskem.
"O governo venezuelano não cumpriu sua parte nos investimentos", disse ao Estado uma fonte próxima ao projeto. A Braskem e a estatal venezuelana haviam assinado um memorando, em 2007, para criar duas companhias. O projeto da Propilsur foi adiado por um ano, enquanto o da Polimérica, de capital misto, teve o investimento reduzido pela metade.
Empreiteiras brasileiras, como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Correa, que têm bilhões em negócios na Venezuela, também estão prestes a sofrer um duro golpe do governo chavista com a Reforma da Lei de Contratações. A Assembleia Nacional venezuelana aprovou, na quarta-feira, uma lei que permite ao governo confiscar máquinas ou se apoderar de obras públicas que estejam paralisadas ou atrasadas.
Muitas empreiteiras brasileiras estão tocando seus projetos aos poucos ou deixando-os paralisados. A nova lei ainda precisa ser aprovada em segunda turno, mas, como há maioria chavista, deve passar. "Se for aprovada, a lei pode ser um enorme problema para as construtoras brasileiras", disse Fernando Portela, diretor executivo da Cavenbra, Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Venezuela.
A fuga de investimentos e de executivos do país já é aparente nas escolas onde estudam os filhos dos expatriados. Na Escola americana Campo Alegre, na escola britânica e na Hebraica de Caracas, dezenas de alunos estão indo embora. A escola britânica passou a exigir pagamento anual, em vez de semestral, por causa do êxodo de alunos.
Empresas brasileiras que importam seus insumos sofrem com o controle cambial. Em maio, o governo fechou as casas de câmbio e proibiu as empresas de recorrer ao chamado câmbio permuta. Como pelo câmbio oficial têm prioridade produtos essenciais, importadores de produtos, como cosméticos, perfumes e têxteis, correm risco de desabastecimento. Empresas como Boticário, Alpargatas e Hering estariam sendo afetadas, diz ele. No ano passado, a Natura, maior fabricante de cosméticos do Brasil, deixou a Venezuela alegando risco cambial e "desequilíbrio" de instituições.
Crescimento. Segundo José Francisco Marcondes, presidente da Federação de Câmaras de Comércio e Indústria Venezuela-Brasil, a situação no país é delicada. "A Venezuela está em recessão, há questões pré-eleitorais, mas o comércio bilateral cresceu este ano", ressalva.
As exportações do Brasil para o país crescem graças, principalmente, ao comércio de alimentos, que não é tão afetado pelo câmbio. Nos primeiros seis meses do ano, as exportações aumentaram 7% em relação ao mesmo período de 2009. Já as importações brasileiras da Venezuela, aumentaram 135,4% no primeiro semestre. Passaram de US$ 197 milhões para US$ 465 milhões.
O intercâmbio comercial durante o primeiro semestre deste ano totalizou US$ 2,243 bilhões, aumento de 20,7%. A venda de carne bovina desossada e congelada do Brasil cresceu 672%; de bovinos vivos, 84% e de ovos de galinha para incubação, 144%.
Nos "mercales", os supermercados conveniados ao governo, muitos dos alimentos são brasileiros. "Não tem mais frango da Venezuela. Só do Brasil, que vem congelado e não tem gosto de nada", diz Xiomara Pinto, que mora em um barraco em Antímano, bairro de Caracas.
Fonte: O ESTADO DE S PAULO/Patrícia Campos Mello
Construção brasileira. Cartaz identifica a empresa Norberto Odebrecht como responsável por obra no metrô de Caracas
A vida das empresas brasileiras na Venezuela não está fácil e pode piorar. A Braskem, que havia fechado duas joint ventures com a estatal venezuelana Pequiven, para dois projetos no valor de US$ 3,5 bilhões, mudou seus planos. Das 30 pessoas que a empresa mantinha em Caracas para tocar o projeto, só sobrarão 5. A maioria dos executivos está voltando para o Brasil ou indo para outras filiais da Braskem.
"O governo venezuelano não cumpriu sua parte nos investimentos", disse ao Estado uma fonte próxima ao projeto. A Braskem e a estatal venezuelana haviam assinado um memorando, em 2007, para criar duas companhias. O projeto da Propilsur foi adiado por um ano, enquanto o da Polimérica, de capital misto, teve o investimento reduzido pela metade.
Empreiteiras brasileiras, como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Correa, que têm bilhões em negócios na Venezuela, também estão prestes a sofrer um duro golpe do governo chavista com a Reforma da Lei de Contratações. A Assembleia Nacional venezuelana aprovou, na quarta-feira, uma lei que permite ao governo confiscar máquinas ou se apoderar de obras públicas que estejam paralisadas ou atrasadas.
Muitas empreiteiras brasileiras estão tocando seus projetos aos poucos ou deixando-os paralisados. A nova lei ainda precisa ser aprovada em segunda turno, mas, como há maioria chavista, deve passar. "Se for aprovada, a lei pode ser um enorme problema para as construtoras brasileiras", disse Fernando Portela, diretor executivo da Cavenbra, Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Venezuela.
A fuga de investimentos e de executivos do país já é aparente nas escolas onde estudam os filhos dos expatriados. Na Escola americana Campo Alegre, na escola britânica e na Hebraica de Caracas, dezenas de alunos estão indo embora. A escola britânica passou a exigir pagamento anual, em vez de semestral, por causa do êxodo de alunos.
Empresas brasileiras que importam seus insumos sofrem com o controle cambial. Em maio, o governo fechou as casas de câmbio e proibiu as empresas de recorrer ao chamado câmbio permuta. Como pelo câmbio oficial têm prioridade produtos essenciais, importadores de produtos, como cosméticos, perfumes e têxteis, correm risco de desabastecimento. Empresas como Boticário, Alpargatas e Hering estariam sendo afetadas, diz ele. No ano passado, a Natura, maior fabricante de cosméticos do Brasil, deixou a Venezuela alegando risco cambial e "desequilíbrio" de instituições.
Crescimento. Segundo José Francisco Marcondes, presidente da Federação de Câmaras de Comércio e Indústria Venezuela-Brasil, a situação no país é delicada. "A Venezuela está em recessão, há questões pré-eleitorais, mas o comércio bilateral cresceu este ano", ressalva.
As exportações do Brasil para o país crescem graças, principalmente, ao comércio de alimentos, que não é tão afetado pelo câmbio. Nos primeiros seis meses do ano, as exportações aumentaram 7% em relação ao mesmo período de 2009. Já as importações brasileiras da Venezuela, aumentaram 135,4% no primeiro semestre. Passaram de US$ 197 milhões para US$ 465 milhões.
Invasão brasileira.
O intercâmbio comercial durante o primeiro semestre deste ano totalizou US$ 2,243 bilhões, aumento de 20,7%. A venda de carne bovina desossada e congelada do Brasil cresceu 672%; de bovinos vivos, 84% e de ovos de galinha para incubação, 144%.
Nos "mercales", os supermercados conveniados ao governo, muitos dos alimentos são brasileiros. "Não tem mais frango da Venezuela. Só do Brasil, que vem congelado e não tem gosto de nada", diz Xiomara Pinto, que mora em um barraco em Antímano, bairro de Caracas.
Fonte: O ESTADO DE S PAULO/Patrícia Campos Mello
Venezuela corta relações com a Colômbia, afirma Hugo Chávez
Colômbia pediu comissão para apurar se Venezuela abriga guerrilheiros. Tropas venezuelanas estão em alerta na fronteira, afirmou presidente.
Segundo Chávez, o motivo foi o fato de a Colômbia ter solicitado, na OEA (Organização dos Estados Americanos), a formação de uma comissão internacional para verificar a suposta presença de guerrilheiros colombianos em território da Venezuela.
"Não temos outra escolha senão, pela nossa dignidade, cortar totalmente nossas relações com a nação irmã da Colômbia", disse ao vivo na TV estatal, durante entrevista ao lado do craque argentino Maradona, que visita o país e depois declarou apoio à medida de Chávez.
O craque argentino Diego Maradona e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em entrevista nesta quinta-feira (22). (Foto: AFP)
Ele afirmou que as acusações da Colômbia eram uma "agressão" inspirada pelos Estados Unidos e afirmou que estava ordenando "um alerta máximo" ao longo da fronteira de seu país com sua vizinha andina.
"(O presidente da Colômbia, Álvaro) Uribe é um doente e está cheio de ódio. Alerto à comunidade internacional que nós não aceitaremos nenhum tipo de agressão nem de violações à nossa soberania ... eu teria que ir chorando para uma guerra na Colômbia, mas teria que ir", alertou.
Pouco depois, o ministro de Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro, deu 72 horas a diplomatas colombianos para abandonarem o país.
Ele também disse que o governo ordenou o fechamento de sua embaixada na Colômbia e o retorno imediato de seus funcionários ao país.
O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, pediu aos dois países que "acalmem os espíritos". Ele disse que Bogotá e Caracas podem superar mais uma crise e ofereceu os serviços da sua organização para as negociações.
O motivo imediato do rompimento, segundo Chávez, foi a atitude da diplomacia colombiana durante reunião extraordinária na OEA. A Colômbia. denunciou a presença na Venezuela de 1.500 guerrilheiros e dezenas de acampamentos, o embaixador colombiano Luis Hoyos pediu "a constituição de uma comissão internacional para visitar esses sítios", onde estariam os rebeldes.
A comissão seria integrada por representantes da ONU, dos países membros da Organização de Estados Americanos (OEA) e da imprensa.
Hoyos afirmou que a Venezuela não deveria questionar a comissão, já que afirma que as denúncias "são mentirosas e fazem parte de uma montagem"
Segundo o representante colombiano, há uma certa urgência em relação aos trabalhos dessa comissão, pelo que deveria ser constituída nos próximos 30 dias, para evitar que guerrilheiros das Farc e do ELN desativem os acampamentos.
O embaixador da Venezuela, Roy Chaderton, rejeitou a possibilidade de criação dessa comissão.
"Seria aberto um precedente curioso (...), pelo que passaríamos a nos dedicar a visitar cada um dos países vizinhos para nos pronunciarmos sobre problemas de ordem interna", disse Chaderton.
Segundo o representante da Colômbia na Organização dos Estados Americanos (OEA), grupos guerrilheiros estão "consolidados" e "ativos" em território venezuelano
Durante reunião do organismo, em Washington, o representante colombiano na OEA, Luis Hoyos, denunciou a "presença consolidada, ativa e crescente destes grupos terroristas no país irmão da Venezuela".
Hoyos apresentou nesta quinta-feira ao organismo continental um extenso dossiê com "coordenadas precisas, dados muito contundentes" que provariam a presença de grupos guerrilheiros colombianos na Venezuela.
Após o anúncio de Chávez, Hoyos qualificou de "errônea" a decisão e partiu para a ironia.
"A Venezuela deveria "romper relações com os grupos criminosos", disse Hoyos.
O embaixador colombiano lamentou que o país "prefira aderir ao expediente de insultar, romper ligações com um governo constituído".
Já o vice-presidente eleito da Colômbia, Angelino Garzón, assegurou que Santos fará todo o possível para restabelecer as relações diplomáticas com a Venezuela.
As relações entre Chávez e o governo conservador de Álvaro Uribe deterioraram nos últimos dois anos.
As últimas acusações colombianas dificultaram ainda mais as relações já prejudicadas em um acordo de 2009 que permitiu que as forças norte-americanas usem as bases militares colombianas (veja gráfico abaixo) para operações antidrogas.
Chávez afirma que o acordo militar ameaça seu país e poderia ser o precursor de uma invasão norte-americana.
A Colômbia é o principal aliado militar dos EUA na América do Sul e recebeu bilhões de dólares em assistência dos EUA para combater os rebeldes, financiados em boa parte pelo tráfico de cocaína.
O assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, lamentou nesta quinta-feira (22) a decisão da Venezuela de romper relações diplomáticas com a Colômbia. Segundo Garcia, o Brasil vai negociar com os dois países uma solução para o impasse. Garcia afirmou, sem dar detalhes, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou aos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Colômbia, Álvaro Uribe, para tratar da questão.
“Eu acho que é lamentável isso, mas temos a convicção que com o estabelecimento do novo governo essas coisas lá possam se recompor imediatamente. O Brasil está ajudando e vai continuar ajudando, através de conversas com as partes”, disse.
Para Marco Aurélio Garcia, com a posse, em agosto, do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, a relação entre os dois países deve melhorar. "Nós temos uma boa percepção de que há disposição dos dois governos num futuro próximo, talvez depois da posse do presidente Santos, de que isso venha a ser resolvido", disse.
"Acho que é há uma tensão que há muito tempo está criada na região. O Brasil tem procurado em várias ocasiões e, com êxito em outros momentos, reduzir essa tensão. Talvez seja a ocasião agora com o começo do governo santos a possibilidade que nós tenhamos um clima de aproximação mais consistente", afirmou Garcia.
Chávez quer um pretexto para a guerra porque seu governo é um fiasco. A ditadura chavista, como toda ditadura, sempre procura criar inimigos externos para desviar a atenção dos problemas internos.
Nada vai melhorar, porque o problema não é a Colômbia e sim a Venezuela de Chavista..
Esperamos que o Brasil não se meta em nova confusão. Inclusive, o ideal seria nem envolver-se nisto, mesmo porque o atual governo brasileiro sempre tomou partido da ditadura venezuelana e assim não é confiável como moderador.
Fontes: G1/Nathalia Passarinho - TV Globo
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou nesta quinta-feira (22) que a Venezuela rompeu relações com a vizinha Colômbia.
Segundo Chávez, o motivo foi o fato de a Colômbia ter solicitado, na OEA (Organização dos Estados Americanos), a formação de uma comissão internacional para verificar a suposta presença de guerrilheiros colombianos em território da Venezuela.
"Não temos outra escolha senão, pela nossa dignidade, cortar totalmente nossas relações com a nação irmã da Colômbia", disse ao vivo na TV estatal, durante entrevista ao lado do craque argentino Maradona, que visita o país e depois declarou apoio à medida de Chávez.
O craque argentino Diego Maradona e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em entrevista nesta quinta-feira (22). (Foto: AFP)
Ele afirmou que as acusações da Colômbia eram uma "agressão" inspirada pelos Estados Unidos e afirmou que estava ordenando "um alerta máximo" ao longo da fronteira de seu país com sua vizinha andina.
"(O presidente da Colômbia, Álvaro) Uribe é um doente e está cheio de ódio. Alerto à comunidade internacional que nós não aceitaremos nenhum tipo de agressão nem de violações à nossa soberania ... eu teria que ir chorando para uma guerra na Colômbia, mas teria que ir", alertou.
Diplomatas
Pouco depois, o ministro de Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro, deu 72 horas a diplomatas colombianos para abandonarem o país.
Ele também disse que o governo ordenou o fechamento de sua embaixada na Colômbia e o retorno imediato de seus funcionários ao país.
OEA
O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, pediu aos dois países que "acalmem os espíritos". Ele disse que Bogotá e Caracas podem superar mais uma crise e ofereceu os serviços da sua organização para as negociações.
O motivo imediato do rompimento, segundo Chávez, foi a atitude da diplomacia colombiana durante reunião extraordinária na OEA. A Colômbia. denunciou a presença na Venezuela de 1.500 guerrilheiros e dezenas de acampamentos, o embaixador colombiano Luis Hoyos pediu "a constituição de uma comissão internacional para visitar esses sítios", onde estariam os rebeldes.
A comissão seria integrada por representantes da ONU, dos países membros da Organização de Estados Americanos (OEA) e da imprensa.
Hoyos afirmou que a Venezuela não deveria questionar a comissão, já que afirma que as denúncias "são mentirosas e fazem parte de uma montagem"
Segundo o representante colombiano, há uma certa urgência em relação aos trabalhos dessa comissão, pelo que deveria ser constituída nos próximos 30 dias, para evitar que guerrilheiros das Farc e do ELN desativem os acampamentos.
O embaixador da Venezuela, Roy Chaderton, rejeitou a possibilidade de criação dessa comissão.
"Seria aberto um precedente curioso (...), pelo que passaríamos a nos dedicar a visitar cada um dos países vizinhos para nos pronunciarmos sobre problemas de ordem interna", disse Chaderton.
Segundo o representante da Colômbia na Organização dos Estados Americanos (OEA), grupos guerrilheiros estão "consolidados" e "ativos" em território venezuelano
Durante reunião do organismo, em Washington, o representante colombiano na OEA, Luis Hoyos, denunciou a "presença consolidada, ativa e crescente destes grupos terroristas no país irmão da Venezuela".
Hoyos apresentou nesta quinta-feira ao organismo continental um extenso dossiê com "coordenadas precisas, dados muito contundentes" que provariam a presença de grupos guerrilheiros colombianos na Venezuela.
Reação
Após o anúncio de Chávez, Hoyos qualificou de "errônea" a decisão e partiu para a ironia.
"A Venezuela deveria "romper relações com os grupos criminosos", disse Hoyos.
O embaixador colombiano lamentou que o país "prefira aderir ao expediente de insultar, romper ligações com um governo constituído".
Já o vice-presidente eleito da Colômbia, Angelino Garzón, assegurou que Santos fará todo o possível para restabelecer as relações diplomáticas com a Venezuela.
Relações tensas
As relações entre Chávez e o governo conservador de Álvaro Uribe deterioraram nos últimos dois anos.
As últimas acusações colombianas dificultaram ainda mais as relações já prejudicadas em um acordo de 2009 que permitiu que as forças norte-americanas usem as bases militares colombianas (veja gráfico abaixo) para operações antidrogas.
Chávez afirma que o acordo militar ameaça seu país e poderia ser o precursor de uma invasão norte-americana.
A Colômbia é o principal aliado militar dos EUA na América do Sul e recebeu bilhões de dólares em assistência dos EUA para combater os rebeldes, financiados em boa parte pelo tráfico de cocaína.
Lula ligou para Chávez e Uribe, diz assessor da Presidência
O assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, lamentou nesta quinta-feira (22) a decisão da Venezuela de romper relações diplomáticas com a Colômbia. Segundo Garcia, o Brasil vai negociar com os dois países uma solução para o impasse. Garcia afirmou, sem dar detalhes, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou aos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Colômbia, Álvaro Uribe, para tratar da questão.
“Eu acho que é lamentável isso, mas temos a convicção que com o estabelecimento do novo governo essas coisas lá possam se recompor imediatamente. O Brasil está ajudando e vai continuar ajudando, através de conversas com as partes”, disse.
Para Marco Aurélio Garcia, com a posse, em agosto, do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, a relação entre os dois países deve melhorar. "Nós temos uma boa percepção de que há disposição dos dois governos num futuro próximo, talvez depois da posse do presidente Santos, de que isso venha a ser resolvido", disse.
"Acho que é há uma tensão que há muito tempo está criada na região. O Brasil tem procurado em várias ocasiões e, com êxito em outros momentos, reduzir essa tensão. Talvez seja a ocasião agora com o começo do governo santos a possibilidade que nós tenhamos um clima de aproximação mais consistente", afirmou Garcia.
Comentário
Chávez quer um pretexto para a guerra porque seu governo é um fiasco. A ditadura chavista, como toda ditadura, sempre procura criar inimigos externos para desviar a atenção dos problemas internos.
Nada vai melhorar, porque o problema não é a Colômbia e sim a Venezuela de Chavista..
Esperamos que o Brasil não se meta em nova confusão. Inclusive, o ideal seria nem envolver-se nisto, mesmo porque o atual governo brasileiro sempre tomou partido da ditadura venezuelana e assim não é confiável como moderador.
Fontes: G1/Nathalia Passarinho - TV Globo
Colômbia entrega provas de guerrilheiros na Venezuela a embaixador na OEA
O Governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, rejeitou as denúncias da Colômbia
Bogotá - O Governo da Colômbia entregou a seu embaixador perante a OEA, Luis Alfonso Hoyos, as supostas provas que tem em seu poder da presença de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e do Exército de Libertação Nacional na Venezuela, para que as apresente amanhã em uma reunião extraordinária do Conselho Permanente do organismo.
O ministro colombiano de Defesa, Gabriel Silva, afirmou hoje que o trabalho de apresentar os documentos, mapas e vídeos que tem como provas da presença dos insurgentes em território venezuelano corresponderá ao embaixador Hoyos.
Silva precisou que a via diplomática que a Colômbia usa nesta ocasião com a Venezuela é uma demonstração de que sempre buscou o diálogo,e se faz presente pelos canais do direito internacional, a espera de que os demais países se comportem da mesma maneira.
O Governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, rejeitou as denúncias da Colômbia, país com o qual mantém as relações bilaterais congeladas há quase um ano.
O embaixador equatoriano perante a OEA, Francisco Proaño, renunciou hoje ao cargo para não se ver obrigado a convocar a reunião solicitada pela Colômbia, pois, segundo ele, o chanceler de seu país, Ricardo Patiño, queria adiá-la para buscar outras vias para solucionar a nova crise colombo-venezuelana.
Fontes: UOL - Efe
Bogotá - O Governo da Colômbia entregou a seu embaixador perante a OEA, Luis Alfonso Hoyos, as supostas provas que tem em seu poder da presença de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e do Exército de Libertação Nacional na Venezuela, para que as apresente amanhã em uma reunião extraordinária do Conselho Permanente do organismo.
O ministro colombiano de Defesa, Gabriel Silva, afirmou hoje que o trabalho de apresentar os documentos, mapas e vídeos que tem como provas da presença dos insurgentes em território venezuelano corresponderá ao embaixador Hoyos.
Silva precisou que a via diplomática que a Colômbia usa nesta ocasião com a Venezuela é uma demonstração de que sempre buscou o diálogo,e se faz presente pelos canais do direito internacional, a espera de que os demais países se comportem da mesma maneira.
O Governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, rejeitou as denúncias da Colômbia, país com o qual mantém as relações bilaterais congeladas há quase um ano.
O embaixador equatoriano perante a OEA, Francisco Proaño, renunciou hoje ao cargo para não se ver obrigado a convocar a reunião solicitada pela Colômbia, pois, segundo ele, o chanceler de seu país, Ricardo Patiño, queria adiá-la para buscar outras vias para solucionar a nova crise colombo-venezuelana.
Fontes: UOL - Efe
Colômbia pede reunião de emergência da OEA para debater crise com Venezuela
Venezuela exporta subversão contra os vizinhos
Após acusar Caracas de esconder membros das guerrilhas colombianas Farc e ELN e trocar acusações com o governo de Hugo Chávez, a Colômbia pediu à OEA (Organização dos Estados Americanos) que convoque uma assembléia extraordinária para discutir a presença de "terroristas" em território venezuelano.
Em comunicado, o presidente da Colômbia Álvaro Uribe pede que a OEA convoque "o mais breve possível uma reunião extraordinária do Conselho Permanente para examinar a presença de terroristas colombianos" na Venezuela.
O texto foi divulgado aos jornalistas pelo secretário de Informação e Imprensa do país, César Mauricio Velásquez.
O comunicado oficial acrescenta que o pedido "está antecedido por inúmeros esforços fracassados para a solução deste grave problema por meio do diálogo direto com a Venezuela e das ocasiões nas quais se comunicou esta situação à OEA e a seu secretário-geral [José Miguel Insulza]".
De acordo com a Presidência colombiana em diversos momentos "o governo da Colômbia entregou informações ao governo da Venezuela e o tema foi abordado em reuniões privadas dos presidentes".
Uribe deixa claro ainda em seu comunicado que já pediu para outros países ajudarem a intermediar o diálogo com Caracas, entre eles a Espanha, Cuba e o Brasil.
O comunicado assinala também que, "segundo foi acordado na reunião de Cancún de 22 de fevereiro de 2010, os dois governos aceitaram a facilitação, acompanhados pelo Brasil, México e República Dominicana".
De acordo com o texto, o presidente dominicano, Leonel Fernández, chegou a ir à fronteira entre Colômbia e Venezuela para tratar do assunto, mas sua ação "foi desautorizada pelo governo da Venezuela".
Três semanas antes de deixar o governo da Colômbia, o presidente Álvaro Uribe agravou a crise diplomática com a Venezuela ao denunciar que Caracas esconde guerrilheiros em seu território. Em resposta, Hugo Chávez convocou seu embaixador em Bogotá, negou as acusações, exigiu provas e afirmou que o líder colombiano é "mafioso".
Em reação, Chávez convocou seu embaixador em Bogotá e disse que o presidente colombiano é "mafioso"/Fernando Llano/AP
"É uma patranha do governo burguês da Colômbia, governo apátrida da Colômbia. Não vou cair em provocações", declarou o venezuelano em um ato transmitido nesta sexta-feira em rede nacional de rádio e TV.
Essa ação "obedece ao desespero de Uribe, que está de saída, mas não significa que vamos ficar calados", continuou Chávez, referindo-se ao mandato do presidente colombiano, que será encerrado em 7 de agosto. Ele "é um mafioso e é capaz de qualquer coisa porque está cheio de ódio", completou.
As relações bilaterais entre Colômbia e Venezuela foram "congeladas" em julho de 2009 por Caracas, depois do anúncio de um acordo de cooperação militar entre Bogotá e Washington que Chávez considerou uma "ameaça para a segurança regional".
Chávez indicou que as acusações de Uribe constituem um obstáculo a qualquer iniciativa do presidente-eleito na Colômbia, Juan Manuel Santos, de tentar retomar as relações bilaterais entre os dois países.
"Isso que está ocorrendo é o desespero do grupo da extrema-direita que rodeia Uribe para tentar gerar um grande conflito e impedir Santos de voltar a estabelecer relações respeitosas com sua irmã Venezuela", afirmou Chávez.
"Acreditamos sinceramente que o novo governo da Colômbia tem agora um grande obstáculo que é o velho governo", afirmou o presidente.
Chávez disse ainda esperar que o "novo presidente da Colômbia honre seu posto (...) apesar de seu passado" e assegurou que o restabelecimento das relações bilaterais é "bom" para todos.
Ainda na quinta-feira o ministério da Defesa da Colômbia anunciou à imprensa que possuía "provas contundentes" da presença de líderes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional) no país fronteiriço.
Segundo o titular da pasta, Gabriel Silva, estava "confirmada" a presença de diversos guerrilheiros, como Carlos Marín Guarín, apelidado de Pablito, do ELN, e Germán Briceño, o Grannobles, e Jorge Briceño, chamado de Mono Jojoy, estes dois últimos das Farc, na Venezuela.
Chávez destacou ainda que espera manter melhores relações com o futuro presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e disse esperar ainda que ele não siga as linhas políticas da atual administração, já que são "evidentes" as diferenças entre ambos.
"A Venezuela está com as mãos abertas para receber o novo governo, mas estamos em alerta e esperamos que a extrema direita da Colômbia esteja realmente de saída", enfatizou Chávez.
O governo venezuelano convocou seu embaixador em Bogotá, Gustavo Márquez, e nas próximas horas deverá anunciar "medidas políticas e diplomáticas" em resposta às "agressões" feitas pela administração do presidente colombiano, Álvaro Uribe.
"Chamamos o embaixador Gustavo Márquez para que venha a consultas em Caracas e se una à avaliação de uma série de medidas políticas e diplomáticas que serão tomadas nas próximas horas para rejeitar a agressão do governo colombiano", disse em entrevista coletiva o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro.
"O que Uribe quer com isto? Por que a poucos dias de entregar a Presidência arremete com todo seu ódio, com seus falsos escândalos midiáticos, contra a Venezuela?", questionou Maduro.
O chanceler disse ainda que "todas as vezes" em que Bogotá fez denúncias sobre a presença de guerrilheiros colombianos em território venezuelano, tanto os militares quanto a polícia "comprovaram a falsidade das acusações".
De acordo com uma nota oficial divulgada ontem pela Colômbia, os líderes seriam Iván Márquez; Rodrigo Granda, conhecido como Ricardo; Timoleón Jiménez, conhecido como Timochenko; e Germán Briceño, conhecido como Grannobles (das Farc); assim como Carlos Marín Guarín, conhecido como Pablito (do ELN)". Segundo a Presidência colombiana, também estão na Venezuela "outros integrantes do grupo terrorista ELN".
Iván Márquez é membro do secretariado (comando central) das Farc, e em 2007 foi recebido em Caracas pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, quando este, a pedido de seu homólogo colombiano Alvaro Uribe, mediava uma troca de reféns da guerrilha por rebeldes presos.
Rodrigo Granda, considerado o "chanceler" das Farc, foi libertado por Uribe em 2007 para facilitar essa tentativa de troca. Timoleón Jiménez também faz parte do secretariado das Farc e foi o encarregado de anunciar, em 2008, a morte por causas naturais de seu fundador, Manuel Marulanda "Tirofijo". Germán Briceño é o irmão do chefe militar das Farc, "Mono Jojoy".
Fontes: FOLHA - Agências
Após acusar Caracas de esconder membros das guerrilhas colombianas Farc e ELN e trocar acusações com o governo de Hugo Chávez, a Colômbia pediu à OEA (Organização dos Estados Americanos) que convoque uma assembléia extraordinária para discutir a presença de "terroristas" em território venezuelano.
Em comunicado, o presidente da Colômbia Álvaro Uribe pede que a OEA convoque "o mais breve possível uma reunião extraordinária do Conselho Permanente para examinar a presença de terroristas colombianos" na Venezuela.
O governo de Álvaro Uribe acusou a Venezuela de esconder líderes das guerrilhas colombianas Farc e ELN/William Fernando/AP
O texto foi divulgado aos jornalistas pelo secretário de Informação e Imprensa do país, César Mauricio Velásquez.
O comunicado oficial acrescenta que o pedido "está antecedido por inúmeros esforços fracassados para a solução deste grave problema por meio do diálogo direto com a Venezuela e das ocasiões nas quais se comunicou esta situação à OEA e a seu secretário-geral [José Miguel Insulza]".
De acordo com a Presidência colombiana em diversos momentos "o governo da Colômbia entregou informações ao governo da Venezuela e o tema foi abordado em reuniões privadas dos presidentes".
Uribe deixa claro ainda em seu comunicado que já pediu para outros países ajudarem a intermediar o diálogo com Caracas, entre eles a Espanha, Cuba e o Brasil.
O comunicado assinala também que, "segundo foi acordado na reunião de Cancún de 22 de fevereiro de 2010, os dois governos aceitaram a facilitação, acompanhados pelo Brasil, México e República Dominicana".
De acordo com o texto, o presidente dominicano, Leonel Fernández, chegou a ir à fronteira entre Colômbia e Venezuela para tratar do assunto, mas sua ação "foi desautorizada pelo governo da Venezuela".
CRISE DIPLOMÁTICA
Três semanas antes de deixar o governo da Colômbia, o presidente Álvaro Uribe agravou a crise diplomática com a Venezuela ao denunciar que Caracas esconde guerrilheiros em seu território. Em resposta, Hugo Chávez convocou seu embaixador em Bogotá, negou as acusações, exigiu provas e afirmou que o líder colombiano é "mafioso".
Em reação, Chávez convocou seu embaixador em Bogotá e disse que o presidente colombiano é "mafioso"/Fernando Llano/AP
"É uma patranha do governo burguês da Colômbia, governo apátrida da Colômbia. Não vou cair em provocações", declarou o venezuelano em um ato transmitido nesta sexta-feira em rede nacional de rádio e TV.
Essa ação "obedece ao desespero de Uribe, que está de saída, mas não significa que vamos ficar calados", continuou Chávez, referindo-se ao mandato do presidente colombiano, que será encerrado em 7 de agosto. Ele "é um mafioso e é capaz de qualquer coisa porque está cheio de ódio", completou.
RETOMADA DE RELAÇÕES
As relações bilaterais entre Colômbia e Venezuela foram "congeladas" em julho de 2009 por Caracas, depois do anúncio de um acordo de cooperação militar entre Bogotá e Washington que Chávez considerou uma "ameaça para a segurança regional".
Chávez indicou que as acusações de Uribe constituem um obstáculo a qualquer iniciativa do presidente-eleito na Colômbia, Juan Manuel Santos, de tentar retomar as relações bilaterais entre os dois países.
"Isso que está ocorrendo é o desespero do grupo da extrema-direita que rodeia Uribe para tentar gerar um grande conflito e impedir Santos de voltar a estabelecer relações respeitosas com sua irmã Venezuela", afirmou Chávez.
"Acreditamos sinceramente que o novo governo da Colômbia tem agora um grande obstáculo que é o velho governo", afirmou o presidente.
Chávez disse ainda esperar que o "novo presidente da Colômbia honre seu posto (...) apesar de seu passado" e assegurou que o restabelecimento das relações bilaterais é "bom" para todos.
ACUSAÇÕES
Ainda na quinta-feira o ministério da Defesa da Colômbia anunciou à imprensa que possuía "provas contundentes" da presença de líderes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional) no país fronteiriço.
Segundo o titular da pasta, Gabriel Silva, estava "confirmada" a presença de diversos guerrilheiros, como Carlos Marín Guarín, apelidado de Pablito, do ELN, e Germán Briceño, o Grannobles, e Jorge Briceño, chamado de Mono Jojoy, estes dois últimos das Farc, na Venezuela.
Chávez destacou ainda que espera manter melhores relações com o futuro presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e disse esperar ainda que ele não siga as linhas políticas da atual administração, já que são "evidentes" as diferenças entre ambos.
"A Venezuela está com as mãos abertas para receber o novo governo, mas estamos em alerta e esperamos que a extrema direita da Colômbia esteja realmente de saída", enfatizou Chávez.
EMBAIXADOR
O governo venezuelano convocou seu embaixador em Bogotá, Gustavo Márquez, e nas próximas horas deverá anunciar "medidas políticas e diplomáticas" em resposta às "agressões" feitas pela administração do presidente colombiano, Álvaro Uribe.
"Chamamos o embaixador Gustavo Márquez para que venha a consultas em Caracas e se una à avaliação de uma série de medidas políticas e diplomáticas que serão tomadas nas próximas horas para rejeitar a agressão do governo colombiano", disse em entrevista coletiva o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro.
"O que Uribe quer com isto? Por que a poucos dias de entregar a Presidência arremete com todo seu ódio, com seus falsos escândalos midiáticos, contra a Venezuela?", questionou Maduro.
O chanceler disse ainda que "todas as vezes" em que Bogotá fez denúncias sobre a presença de guerrilheiros colombianos em território venezuelano, tanto os militares quanto a polícia "comprovaram a falsidade das acusações".
LÍDERES
De acordo com uma nota oficial divulgada ontem pela Colômbia, os líderes seriam Iván Márquez; Rodrigo Granda, conhecido como Ricardo; Timoleón Jiménez, conhecido como Timochenko; e Germán Briceño, conhecido como Grannobles (das Farc); assim como Carlos Marín Guarín, conhecido como Pablito (do ELN)". Segundo a Presidência colombiana, também estão na Venezuela "outros integrantes do grupo terrorista ELN".
Iván Márquez é membro do secretariado (comando central) das Farc, e em 2007 foi recebido em Caracas pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, quando este, a pedido de seu homólogo colombiano Alvaro Uribe, mediava uma troca de reféns da guerrilha por rebeldes presos.
Rodrigo Granda, considerado o "chanceler" das Farc, foi libertado por Uribe em 2007 para facilitar essa tentativa de troca. Timoleón Jiménez também faz parte do secretariado das Farc e foi o encarregado de anunciar, em 2008, a morte por causas naturais de seu fundador, Manuel Marulanda "Tirofijo". Germán Briceño é o irmão do chefe militar das Farc, "Mono Jojoy".
Fontes: FOLHA - Agências
Hugo Cháves: Louco por uma guerrinha
Chávez deu armas às Farc. Agora, fala todo dia em uma guerra com os Estados Unidos e a Colômbia. Tudo jogo de cena, mas o triste é que a destruição da Venezuela continua
BANGUE-BANGUE
Chávez lança foguetes: mentiras e mais mentiras/Ariana Cubillos/AP
Quando começa uma ditadura? Até agora, essa era a principal pergunta que pairava sobre a Venezuela.Eleito e reeleito pelo voto popular, o tenente-coronel Hugo Chávez Frías tem torpedeado sistematicamente as instituições democráticas para implantar o que chama de "socialismo do século XXI" - uma mistura do pior que têm a oferecer o populismo, o ultranacionalismo e o esquerdismo em suas manifestações mais infantis.
Ao longo de dez anos, com um típico surto de hiperatividade nas últimas semanas , os principais requisitos para um regime totalitário foram se acumulando: imprensa acuada, Judiciário cooptado, opositores exilados, economia estatizada, Legislativo domesticado e educação ideologizante.
Chávez tem apelo, em especial entre as camadas da população que nunca se sentiram representadas, e usou - muito mal, mas usou - o dinheiro do petróleo para simular melhorias para os mais desvalidos. Também é hábil na manipulação cínica do antiamericanismo, como demonstrou ao transformar o caso das armas que saíram do arsenal venezuelano direto para as mãos dos bandidos pseudoesquerdistas da vizinha Colômbia em crise diplomática sobre a atuação de forças americanas no país em operações de repressão ao narcotráfico.
Quando não seduz pelo populismo e pelas benesses, ele usa milícias que atacam opositores - depois, finge condenar exageros, como no caso do ataque à Globovisión, baseado na premissa absurda de que gangues armadas poderiam agir em plena capital do país sem o seu beneplácito. Tudo isso é conhecido, e a ópera-bufa da semana passada só relembrou como é triste ver Chávez e seus chavetes destruir o projeto democrático.
Mas, enquanto a primeira dúvida vai se esclarecendo, da pior maneira possível, outra questão, tão ou mais dramática que a primeira, surge no ar. A Venezuela é um estado que promove o terrorismo? Poderia, ainda, estar afundando no pântano do tráfico de drogas?
As peças necessárias para compor a resposta a essas perguntas têm brotado aos borbotões desde que o guerrilheiro Raúl Reyes, então considerado o número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), foi morto em uma ação do Exército colombiano em território do Equador. Seus notebooks, encontrados entre os escombros do ataque, revelaram-se uma fantástica caixa de Pandora que tem exposto em detalhes a atuação das Farc, que alia o discurso esquerdista à prática do narcotráfico, e sua ampla rede de colaboradores.
Aos 600 gigabytes de informação fornecidos involuntariamente por Reyes, soma-se volume quase semelhante de vídeos, fotos e e-mails encontrados em outros laptops. Depoimentos de ex-guerrilheiros e de pilotos capturados também compõem um quadro detalhado. Alguma dúvida sobre a conclusão? Se houver, esclareça-se: Chávez dá dinheiro, guarida, armas, assistência médica e incansável apoio político às Farc, bando que controla 60% da produção e do tráfico de cocaína na Colômbia.
Nas mensagens trocadas entre a elite do grupo ele é chamado de Angel, ou Anjo. Entre as "bondades" angelicais está o caso dos lança-foguetes antitanque que haviam sido vendidos pela Suécia ao Exército venezuelano e - surpresa, surpresa - aparecem em poder das Farc. Com capacidade de perfurar um muro de concreto, os projéteis podem explodir aviões e helicópteros, justamente os principais instrumentos usados na campanha que tem acuado os narcoterroristas.
Diante da prova irrefutável do crime, Chávez recorreu à tática habitual do contra-ataque: congelou relações diplomáticas com a Colômbia, insultou o presidente Álvaro Uribe, suspendeu o comércio bilateral e transformou o uso de bases militares colombianas por forças americanas na questão central. Nem é preciso dizer que o governo brasileiro aquiesceu com prazer.
Em face da ameaça representada por uma força clandestina de vários milhares de militantes que espalham a extorsão, o sequestro e o tráfico de cocaína nas proximidades das fronteiras nacionais, e da ação antidrogas de até 800 militares sob comando do governo Obama, Brasília optou sem hesitar pela condenação à segunda opção.
Apesar de terem constituído um mesmo país, a Grande Colômbia, e terem compartilhado o mesmo herói libertador, Simon Bolívar, e trajetórias históricas cheias de percalços, Colômbia e Venezuela ocupam hoje polos opostos. No século XX, enquanto a Colômbia esteve apenas dez anos sob regime ditatorial, a Venezuela enfrentou sete ditaduras que consumiram mais de meio século. Em compensação, a Colômbia teve uma guerra civil terrível e, depois de um período de estabilidade, viveu um flagelo nacional com a violência inominável instaurada quando floresceram os grandes chefes do tráfico de cocaína.
Nas décadas de 80 e 90, o país quase afundou por completo na autodestruição. Quando Bogotá esteve sitiada, viajar em estradas rumo ao interior era certeza de sequestro. Políticos eram assassinados - ou consumidos pelo poder de corrupção da droga. Plomo o plata - bala ou dinheiro.
Para muitos colombianos de então, a Venezuela era o vizinho estável onde poderiam tentar recomeçar a vida. A recuperação do país foi esboçada em 1999, com a assinatura do Plano Colômbia. Desde então, os americanos ajudam - com dinheiro, armas, treinamento e inteligência - os policiais e militares colombianos a combater os plantadores de coca e os guerrilheiros que lhes dão proteção.
O sucesso é incontestável: o número de sequestros caiu 85%, a economia cresceu e o investimento externo quintuplicou. A produção de cocaína resiste, mas atualmente a droga não sai mais diretamente da Colômbia para a distribuição nos Estados Unidos e na Europa. Adivinham que país se transformou na principal plataforma de saída dos aviões clandestinos carregados de coca?
Em outros campos a Venezuela de hoje também parece a Colômbia voltando no tempo. A economia está sendo destruída. Entre os motivos estão congelamento de preços, expropriações e aparelhamento ideológico da grande, e quase exclusiva, fonte de renda, o petróleo.
A corrupção supera até os conhecidos padrões latino-americanos. Faltam produtos de primeira necessidade - e, cada vez mais, os de segunda e terceira também: importar qualquer coisa virou um inferno. A inflação deve chegar a 36% neste ano, a maior da região. Para encher, mesmo que tropegamente, as prateleiras dos supermercados, o país depende, ironicamente, da Colômbia.
Caracas, e não Bogotá, é a cidade mais perigosa da América do Sul. Em dez anos de Chávez, 1 milhão de venezuelanos de nível superior e técnico emigraram. Muitos foram para a Colômbia. Infelizmente, quando a maioria dos venezuelanos descobrir o embuste de Chávez, terá de confrontar um sistema construído para a sua perpetuação no poder. Todo mundo sabe como é duro acabar com uma ditadura.
Fonte: Veja / Duda Teixeira e Juliana Cavaçana
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