O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou nesta quinta-feira (22) que a Venezuela rompeu relações com a vizinha Colômbia.
Segundo Chávez, o motivo foi o fato de a Colômbia ter solicitado, na OEA (Organização dos Estados Americanos), a formação de uma comissão internacional para verificar a suposta presença de guerrilheiros colombianos em território da Venezuela.
"Não temos outra escolha senão, pela nossa dignidade, cortar totalmente nossas relações com a nação irmã da Colômbia", disse ao vivo na TV estatal, durante entrevista ao lado do craque argentino Maradona, que visita o país e depois declarou apoio à medida de Chávez.
O craque argentino Diego Maradona e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em entrevista nesta quinta-feira (22). (Foto: AFP)
Ele afirmou que as acusações da Colômbia eram uma "agressão" inspirada pelos Estados Unidos e afirmou que estava ordenando "um alerta máximo" ao longo da fronteira de seu país com sua vizinha andina.
"(O presidente da Colômbia, Álvaro) Uribe é um doente e está cheio de ódio. Alerto à comunidade internacional que nós não aceitaremos nenhum tipo de agressão nem de violações à nossa soberania ... eu teria que ir chorando para uma guerra na Colômbia, mas teria que ir", alertou.
Diplomatas
Pouco depois, o ministro de Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro, deu 72 horas a diplomatas colombianos para abandonarem o país.
Ele também disse que o governo ordenou o fechamento de sua embaixada na Colômbia e o retorno imediato de seus funcionários ao país.
OEA
O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, pediu aos dois países que "acalmem os espíritos". Ele disse que Bogotá e Caracas podem superar mais uma crise e ofereceu os serviços da sua organização para as negociações.
O motivo imediato do rompimento, segundo Chávez, foi a atitude da diplomacia colombiana durante reunião extraordinária na OEA. A Colômbia. denunciou a presença na Venezuela de 1.500 guerrilheiros e dezenas de acampamentos, o embaixador colombiano Luis Hoyos pediu "a constituição de uma comissão internacional para visitar esses sítios", onde estariam os rebeldes.
A comissão seria integrada por representantes da ONU, dos países membros da Organização de Estados Americanos (OEA) e da imprensa.
Hoyos afirmou que a Venezuela não deveria questionar a comissão, já que afirma que as denúncias "são mentirosas e fazem parte de uma montagem"
Segundo o representante colombiano, há uma certa urgência em relação aos trabalhos dessa comissão, pelo que deveria ser constituída nos próximos 30 dias, para evitar que guerrilheiros das Farc e do ELN desativem os acampamentos.
O embaixador da Venezuela, Roy Chaderton, rejeitou a possibilidade de criação dessa comissão.
"Seria aberto um precedente curioso (...), pelo que passaríamos a nos dedicar a visitar cada um dos países vizinhos para nos pronunciarmos sobre problemas de ordem interna", disse Chaderton.
Segundo o representante da Colômbia na Organização dos Estados Americanos (OEA), grupos guerrilheiros estão "consolidados" e "ativos" em território venezuelano
Durante reunião do organismo, em Washington, o representante colombiano na OEA, Luis Hoyos, denunciou a "presença consolidada, ativa e crescente destes grupos terroristas no país irmão da Venezuela".
Hoyos apresentou nesta quinta-feira ao organismo continental um extenso dossiê com "coordenadas precisas, dados muito contundentes" que provariam a presença de grupos guerrilheiros colombianos na Venezuela.
Reação
Após o anúncio de Chávez, Hoyos qualificou de "errônea" a decisão e partiu para a ironia.
"A Venezuela deveria "romper relações com os grupos criminosos", disse Hoyos.
O embaixador colombiano lamentou que o país "prefira aderir ao expediente de insultar, romper ligações com um governo constituído".
Já o vice-presidente eleito da Colômbia, Angelino Garzón, assegurou que Santos fará todo o possível para restabelecer as relações diplomáticas com a Venezuela.
Relações tensas
As relações entre Chávez e o governo conservador de Álvaro Uribe deterioraram nos últimos dois anos.
As últimas acusações colombianas dificultaram ainda mais as relações já prejudicadas em um acordo de 2009 que permitiu que as forças norte-americanas usem as bases militares colombianas (veja gráfico abaixo) para operações antidrogas.
Chávez afirma que o acordo militar ameaça seu país e poderia ser o precursor de uma invasão norte-americana.
A Colômbia é o principal aliado militar dos EUA na América do Sul e recebeu bilhões de dólares em assistência dos EUA para combater os rebeldes, financiados em boa parte pelo tráfico de cocaína.
Lula ligou para Chávez e Uribe, diz assessor da Presidência
O assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, lamentou nesta quinta-feira (22) a decisão da Venezuela de romper relações diplomáticas com a Colômbia. Segundo Garcia, o Brasil vai negociar com os dois países uma solução para o impasse. Garcia afirmou, sem dar detalhes, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou aos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Colômbia, Álvaro Uribe, para tratar da questão.
“Eu acho que é lamentável isso, mas temos a convicção que com o estabelecimento do novo governo essas coisas lá possam se recompor imediatamente. O Brasil está ajudando e vai continuar ajudando, através de conversas com as partes”, disse.
Para Marco Aurélio Garcia, com a posse, em agosto, do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, a relação entre os dois países deve melhorar. "Nós temos uma boa percepção de que há disposição dos dois governos num futuro próximo, talvez depois da posse do presidente Santos, de que isso venha a ser resolvido", disse.
"Acho que é há uma tensão que há muito tempo está criada na região. O Brasil tem procurado em várias ocasiões e, com êxito em outros momentos, reduzir essa tensão. Talvez seja a ocasião agora com o começo do governo santos a possibilidade que nós tenhamos um clima de aproximação mais consistente", afirmou Garcia.
Comentário
Chávez quer um pretexto para a guerra porque seu governo é um fiasco. A ditadura chavista, como toda ditadura, sempre procura criar inimigos externos para desviar a atenção dos problemas internos.
Nada vai melhorar, porque o problema não é a Colômbia e sim a Venezuela de Chavista..
Esperamos que o Brasil não se meta em nova confusão. Inclusive, o ideal seria nem envolver-se nisto, mesmo porque o atual governo brasileiro sempre tomou partido da ditadura venezuelana e assim não é confiável como moderador.
Fontes: G1/Nathalia Passarinho - TV Globo

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