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Obama oficializa fim da missão de combate dos EUA no Iraque

Cinquenta mil soldados continuam em tarefas de apoio e treinamento. Segundo presidente, agora o foco é economia.

Presidente americano anuncia o fim da missão de combate no Iraque, da Casa Branca (Foto: Reuters)

Obama, declarou oficialmente o fim da missão de combate americana no Iraque, em um discurso no Salão Oval da Casa Branca na noite desta terça-feira (31). Obama enfatizou que a principal missão do país neste momento é restaurar a economia e colocar os milhões de americanos que perderam o emprego para trabalhar. "É hora de virar a página", disse o presidente, da mesma mesa em que George W. Bush anunciou o início da guerra, em 2003.

"Esta noite, anuncio que a missão de combate americana no Iraque acabou. A Operação Iraque Livre está finalizada, e os iraquianos agora têm responsabilidade por sua segurança e pela segurança de seu país. Essa era minha promessa quando fui candidato a este posto", disse Obama.

O presidente enfatizou que os EUA pagaram um preço muito alto para colocar o futuro do Iraque na mão de seus cidadãos. "Mandamos nossos homens e mulheres para fazerem esse enorme sacrifício e gastamos enormes recursos em um momento de orçamento apertado dentro do país."

Menos de 50 mil soldados americanos permanecem no Iraque, em tarefas de apoio e treinamento; Ao menos 100 mil deixaram o país, invadido em 2003 pelo ex-presidente George W. Bush, para capturar um arsenal de armas de destruição em massa que jamais foi encontrado.

O presidente destacou que os líderes do Iraque devem formar rapidamente um novo governo: "esta noite, encorajo os responsáveis iraquianos a avançar com urgência para formar um governo que seja representativo de todos os iraquianos". "Quando o governo estiver formado, não haverá dúvidas, os iraquianos terão um parceiro forte: os Estados Unidos", acrescentou.

Quase um trilhão de dólares foram gastos e mais de 4,4 mil soldados americanos e ao menos 100 mil civis morreram desde 2003. Uma pesquisa recente da rede CBS mostrou que 72% dos americanos acham que a guerra não compensou as perdas de vidas de americanos.

Obama disse que em agosto do ano que vem, a transição será no Afeganistão. Segundo ele, agora os EUA estão aptos a aplicar mais recursos no Afeganistão devido à mudança no Iraque, e que o ritmo da retirada norte-americana naquele país dependerá das condições em terra, mas começará na data prevista, em julho de 2011.


Fontes: G1 - CNN

Após ignorar direitos humanos no Iraque, EUA se recusam a julgar responsáveis

Violadores continuam impunes

Iniciada após a invasão das tropas americanas em março de 2003, a Guerra do Iraque foi marcada por graves violações de direitos humanos, cujos responsáveis em grande parte permanecem protegidos pelo governo dos Estados Unidos.

Embora alguns casos tenham recebido maior destaque na mídia, como o escândalo na prisão de Abu Ghraib e o uso de tortura e detenções de inocentes em Guantánamo, os mais de sete anos de combate registraram um número recorde de sistemáticos abusos, indicam instituições que monitoram o conflito.

A soldada Lynndie England abusa de presos com coleiras caninas nas imagens vazadas pela imprensa dos EUA/AP/Washington Post

Em entrevista à Folha, pesquisadores de duas das maiores organizações mundiais de direitos humanos --Human Rights Watch (HRW) e Anistia Internacional (AI)-- apontaram o uso de tortura, confissões sob coerção, execuções sem julgamento, mortes de civis, detenções sem acusação alguma e estupros como práticas constantes das tropas americanas e iraquianas.

Além disso, as duas entidades concordam que o governo de Barack Obama manteve as mesmas diretrizes de seu antecessor, George W. Bush, ao recusar investigações e impedir que as vítimas processem militares alegando riscos à segurança nacional.

De acordo com a AI os poucos julgamentos de oficiais americanos foram em grande parte conduzidos somente por tribunais militares e não corte civis, o que prejudica a transparência dos vereditos.

A avaliação de Said Boumedouha, pesquisador da divisão da AI para o Oriente Médio e Norte da África, é taxativa: "Basicamente não existe um mecanismo internacional ou órgão mundial que tenha realmente pressionado os Estados Unidos para julgar os responsáveis pelos abusos cometidos no Iraque".

ABU GHRAIB

Ainda em maio de 2004, reportagens publicadas pela revista "The New Yorker" e o programa de TV 60 Minutes vazaram dados de um relatório militar sobre práticas de tortura cometidas na prisão de Abu Ghraib, que abrigava detidos de guerra no Iraque.

O documento de 53 páginas assinado pelo major-general Antonio M. Taguba indicava que os detidos eram submetidos a sessões de eletrochoques, abusos sexuais e ferimentos por substâncias químicas, alem de serem forçados a práticas de masturbação e sodomia com lanternas e vassouras.

A Convenção de Genebra, criada em 1949 logo após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), estipula as bases das leis internacionais sobre direitos humanos e determina que civis só podem ser mantidos prisioneiros de guerra enquanto representarem uma potencial ameaça.

Detidos são encapuzados e empilhados; escândalo em prisão revelou práticas de tortura dos Estados Unidos/AP/The New Yorker

Criado para proteger pessoas que, por motivos de ocupação ou conflito se veem nas mãos de um país terceiro, o acordo foi sistematicamente violado em muitos de seus artigos pelos EUA durante os sete anos da Guerra do Iraque.

Abu Ghraib foi apenas um dos casos que se tornaram mais públicos, apontam analistas.

"A maioria das violações ocorreram contra sunitas da parte central e das Províncias do norte, além das cidades de Bagdá e Mosul, presos e torturados por serem membros ou simpatizantes de grupos que lutaram contra as forças americanas ou iraquianas", diz Boumedouha, da AI.

O pesquisador lembra ainda que o uso indiscriminado da pena de morte é preocupante no Iraque. "O governo diz que ainda há 1.254 pessoas no corredor da morte, e que nos últimos anos cerca de 250 foram mortas, mas nossas fontes apontam números maiores. Não se sabe quantos foram realmente executados", diz.

RESPONSÁVEIS

Andrea Prasow, conselheira-sênior para assuntos de contra-terrorismo da Human Rights Watch (HRW), lembra que a responsabilização é um dos fatores mais cruciais da Convenção de Genebra, algo que os EUA também vêm ignorando nos últimos anos.

"Estamos profundamente desapontados com a falta de justiça. A administração Obama decidiu seguir os padrões de Bush, impedindo que civis vítimas de abusos abram processos contra oficiais, mantendo estes assuntos como segredos de segurança nacional", indicou.

Prasow lembrou que a procuradoria-geral dos EUA recentemente deu um mandato ao procurador-federal John Durham para investigar os interrogadores que possam ter violado as políticas estabelecidas pelo Exército durante a guerra.

Soldado americano ataca grupo de prisioneiros de guerra em Abu Ghraib; abusos vieram à tona ainda em 2004/The Washington Post/AP

"Mas ele não recebeu autonomia para questionar as pessoas que criaram tais políticas. Se os EUA querem aprender com seus próprios erros, é difícil admitir uma investigação deste tipo", avalia.

A pesquisadora da HRW diz que é "moralmente errado" não processar pessoas acusadas crimes durante o conflito e que os EUA não estão fazendo "quase nada" para averiguar os registros de graves abusos ocorridos durante os mais de sete anos da guerra.

Prasow argumenta que a falta de justiça vista até agora não significa que a responsabilização dos acusados seja impossível.

"É claro que esperamos que o governo americano possa tomar algum tipo de atitude, mas até hoje não vimos indicação alguma de que seja este o caso", conclui.

Fonte: FOLHA/JEFFERSON PUFF

'Civis não deveriam ser maiores vítimas', diz brasileira no Iraque

Na Cruz Vermelha desde 1995, brasileira viverá próximos anos em Bagdá. Médica italiana fala ao G1 sobre trabalho no país, após sete anos de guerra.

Enquanto as últimas tropas de combate americanas deixam o Iraque neste mês, para uma categoria de profissionais o trabalho pode estar apenas começando. Focados nos esforços de estabilização e assistência aos iraquianos, os trabalhadores que atuam em organizações de ajuda humanitária têm papel fundamental na reconstrução do país devastado por sete anos de guerra.

“O que pra nós é mais importante é trabalhar na conscientização de que civis não deveriam ser maiores vítimas”, diz a brasileira Graziella Piccolo, integrante do Comitê Internacional da Cruz Vermelha no Iraque, que se prepara para mudar para Bagdá antes do fim do ano.

Responsável pela comunicação da missão da organização no Iraque desde abril do ano passado, ela divide o tempo hoje entre Amã, capital da Jordânia, e visitas semanais a várias cidades iraquianas atingidas pelo conflito. A retirada das tropas, afirma, não deve afetar diretamente o trabalho.

A brasileira Graziella Piccolo (de verde), da Cruz Vermelha, atende familiares de presos em posto americano em Basra, em agosto de 2009 (Foto: Arquivo pessoal)

“Temos diálogo com diferentes atores envolvidos num conflito armado. Faz parte da forma de atuar. Isso independe da presença de um número A ou B de tropas. Se a situação se degenerar de uma forma que ninguém gostaria ou se houver uma rejeição à nossa presença, os movimentos serão reduzidos e vamos ter que questionar nossa presença ou não. Mas a retirada não é causa disso. Trabalhamos em vários contextos onde você tem que cruzar a linha de fogo”, diz.

Na organização desde 1995, Graziella sabe do que está falando. A missão no Iraque é sua sétima na Cruz Vermelha. Antes, enfrentou a rebelião indígena e camponesa em Chiapas, no sul do México; esteve na conflitada Croácia recém-independente; viu de perto a guerrilha do Sendero Luminoso no Peru, os conflitos no Uzberquistão-Quirguistão, a briga entre grupos insurgentes em Uganda, na África, e a guerra no Afeganistão.

Neste meio tempo, ela conheceu o marido, o médico italiano Luca Falqui, que faz parte das equipes da Cruz Vermelha que trabalham nas prisões. Os dois se casaram em Cabul. O fato de ter estado no Afeganistão até dezembro de 2008, hoje o principal foco da política de segurança americana, fez diferença para a brasileira, já acostumada a toques de recolher e a circular em regiões conflituosas sem escolta ou coletes de segurança -uma das regras da organização para aproximar os profissionais da população atingida.


Usando véu que deixa apenas o rosto à mostra, Graziella Piccolo participa de seminário de autoridades religiosas islâmicas professores de direito em Najaf (Foto: Arquivo pessoal)

“Mas cada contexto é único e o Iraque também tem sua situação particular. Houve eleições, mas o governo não se formou completamente. Este momento de vácuo [político], dificulta um pouco, causa muita frustração nas pessoas. Houve uma redução dos conflitos em relação a 2006 a 2007, mas em junho e julho tiveram atentados importantes”, relata Graziella. O último mês de julho foi considerado o mais violento no Iraque desde 2008.

“Blocos de concreto”

Coordenadora de operações da organização Médicos Sem Fronteiras, a médica italiana Freya Raddi acompanhou a mudança sofrida pelo Iraque nos anos de guerra durante duas missões ao país, em 2004 e 2008.

“Comparada com a cidade que eu conheci em 2004, Bagdá mudou muito: é uma cidade que pode ser descrita como 'blocos de concreto', erguidos para 'proteger' a população da crescente violência sectária em 2006 e 2007. Isso mudou a paisagem da cidade, mas como sempre, os iraquianos reagiram positivamente pintando os muros”, conta.

A primeira missão de Freya no Iraque foi também a sua primeira na organização, quando atuou coordenando a equipe responsável pela administração e finanças em Bagdá. Nos anos seguintes, a médica também teve a oportunidade de trabalhar em Basra, a segunda maior cidade iraquiana, onde o Médicos Sem Fronteiras inaugurou um centro para atender a população, em 2008.

Posto da organização Médico Sem Fronteiras em Bagdá (Foto: Divulgação)

“Nas áreas mais afetadas pela violência, a população sofre não apenas pela falta de serviços básicos, como água potável e eletricidade, mas também pelo risco de serem atingidas por algum atentado. Ameaças de bombas estão presentes todo dia e ele têm de lidar com revistas constantes, frustração e medo”, recorda.

Também para a italiana, que esteve novamente no Iraque este ano, a retirada das forças americanas não devem impedir o trabalho das organizações humanitárias, a despeito da situação “ainda volátil” devido a não formação de um governo e os recentes atentados que se seguiram à saída das tropas. “Nós continuamos o trabalho que estamos fazendo desde que eu retornei do Iraque em 2008, mantendo-se vigilantes com a situação de segurança, como em todos os conflitos que atuamos”, diz.

Reconstrução

Otimistas quanto à capacidade de reconstrução do país, tanto Graziella Piccolo quanto Freya Raddi citam a população iraquiana como prova da capacidade de resistência após sete anos de conflito.

“É um povo fascinante. O Iraque foi o berço da cultura no Oriente. Tem lugares que podem se desenvolver de uma foram rápida, avançada. O norte do país é muito avançado, Bagdá tem sua grandiosidade. Apesar de terem enfrentado um período de fuga de cérebros, os iraquianos têm um nível de formação e educação muito altos”, diz a brasileira.


“A vida continua no Iraque, o povo segue tocando suas vidas. A força do povo iraquiano para tentar ter uma vida normal é impressionante”, corrobora a italiana.


Fonte: G1/ Amauri Arrais

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