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Detalhes chocantes do socorro aos bancos por parte do Federal Reserve

Senador Bernie Sanders

Bernie Sanders, Senador americano

Em uma audiência do Comitê de Orçamento do Senado, em 2009, solicitamos ao presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, que informasse ao povo americano os nomes das instituições financeiras que receberam um socorro financeiro sem precedentes e em segredo. Pedi que revelasse também quanto receberam e as contrapartidas que teriam sido exigidas para o socorro financeiro. Bernanke recusou-se a fornecer quaisquer informações.

Agora, 1 ano e meio depois, como resultado de uma emenda que conseguimos incluir na Lei de Reforma de Wall Street, começamos a levantar o véu de sigilo que encobre o FED e assim o povo americano, agora tem acesso às informações.

É lamentável que tenha demorado tanto tempo para que isto ocorresse e é uma vergonha que os maiores bancos da América e Bernanke tenham lutado para manter este segredo e assim impedir que se soubesse a verdade. Mas agora os detalhes do socorro financeiro estão publicados no website do FED e esta é uma vitória para o contribuinte americano e para a transparência nas ações de governo.

Importante ressaltar que meu projeto, também exigiu que o Escritório de Contabilidade do Governo, conduzisse uma auditoria completa de todos os empréstimos de emergência que foram fornecidos durante a crise financeira e com o prazo de 21 de julho de 2011 para ser divulgado. A auditoria investigará todos os potenciais conflitos de interesses que possam ter ocorrido nestas operações de socorro.

Na quarta-feira passada, o FED viu-se obrigado a divulgar detalhes sobre como foram emprestados US$ 3.3 trilhões de dólares em empréstimos de emergência; informação que até então era escondida do público. Isto é apenas o começo do processo. Muitas coisa ainda será revelada.

Após anos e anos sendo ignorado pelo FED, o povo americano, finalmente está descobrindo os detalhes incríveis e de fazer cair o queixo, sobre a operação de socorro multitrilionária para socorrer Wall Street e as grandes corporações americanas. Como resultado destas revelações, outros congressistas, juntamente comigo, decidiram acompanhar cuidadosamente, toda a auditoria, objetivando conhecer todos os aspectos sobre como o Federal Reserve funciona e como podemos tornar nossas instituições financeiras mais responsáveis aos interesses do americano comum e das pequenas empresas.

O que descobrimos até agora sobre as mais de 21 mil transações de empréstimos?

Bem descobrimos que o socorro financeiro de US$ 700 bilhões, objeto de lei específica e sancionado pelo Presidente Bush, mostrou-se ser uma troca de bolsos, em comparação aos trilhões de dólares com juros quase zero e outros arranjs financeiros concedidos pelo FED às grandes instituições financeiras deste país. Entre elas podemos citar:Goldman Sachs,que recebeu quase US$ 600 bilhões; Morgan Stanley,que recebeu quase US$ 2 trilhões;Citigroup, que recebeu US$1.8 trilhão; Bearn Stearns, que recebeu quase US$ 1 trilhão e a Merrill Lynch , que recebeu algo em torno de US$ 1.5 trilhão, em empréstimos de curto prazo, fornecidos pelo FED.

Também descobrimos que este socorro trilionário, não limitou-se à Wall Street e aos grandes bancos. Algumas das maiores corporações deste país, também receberam um auxílio substancial. Entre as beneficiadas podemos citar: General Electric, McDonald´s, Caterpillar, Harley Davidson, Toyota e a Verizon.

Mas talvez o mais surpreendente nesta operação, foi descobrir que parte do dinheiro foi utilizado para socorrer corporações e bancos estrangeiros, incluindo-se ai dois grandes bancos europeus - Deutsche Bank e Credit Suisse - os quais eram os maiores beneficiários das operações de compra de derivativos hipotecários por parte do FED.

O Deutsche Banak,vendeu ao FED, mais de US$ 290 bilhões em derivativos. O Credit Suisse, algo emtorno de US$ 287 bilhões em títulos. Será que o FED tornou-se o banco central do planeta?

O FED argumentou que o socorro foi necessário para impedir que a enconomia mundial caisse desfiladeiro abaixo. Ocorre que três anos após o começo da recessão, milhões de americanos continuam desempregados e perderam suas casas, economias e mesmo a condição de enviar seus filhos à Universidade. Enquanto isto, os grandes bancos e as grandes corporações voltaram a obter lucros fabulosos e a pagar a seus executivos, pacotes de compensação milionários sem precedentes; como se a crise financeira que eles começaram não tivesse acontecido.

O que estas revelações nos mostram, entre muitas outras coisas, é que apesar da imensa quantidade de dinheiro do contribuinte,utilizada na operação de socorro,o FED não exigiu nenhuma contrapartida aos beneficiários. Não foi exigida nenhuma ação que ajudasse a reconstruir a economia e a proteger as necessidades do cidadão comum.

Vamos exemplificar: em uma época em que os grandes bancos mantém quase US$ 1 trilhão em reservas suplementares no FED; o FED não exige que estas instituições aumentem o volume de empréstimos às pequenas e médias empresas, como contrapartida pela operação de socorro.

Em um momento no qual grandes corporações são mais lucrativas que em qualquer época passada, o FED não exigiu das empresas socorridas, políticas de criação de empregos e expansão dos investimentos produtivos assim que elas voltassem à lucratividade.

Pretendemos investigar se tais empréstimos secretos, em alguns casos ,tornaram-se apenas um prêmio aos bancos, pois usaram o dinheiro não para reinvestir na economia e sim para emprestar ao governo federal a taxas de juros elevadas, por meio de operações de compra de títulos do Tesosuro. Ou seja, ao invés deste dinheiro ser usado em reinvestimento na economia produtiva, suspeitamos que boa parte deste dinheiro emprestado pelo governo a juro quase zero, acabou sendo usado para a compra de títulos do Tesouro a juros altos, ou traduzindo, dinheiro sem ônus doado a algumas das maiores instituições financeiras deste país. Isto deverá ser investigado com rigor.

Em uma época em que os executivos de Wall Street ganham agora muito mais dinheiro que antes da crise, quanto os grandes bancos que em 2009 pagaram os fundos TARP,objetivando evitar limites nos prêmios pagos aos executivos, receberam em empreéstimos do FED, sem exigências colaterais?

Em uma época na qual milhões de americanos pagam juros escandalosos no uso de seus cartões de crédito, por que o FED não exige das operadoras dos cartões, a queda na taxa cobrada, como compensação pelo socorro governamental concedido?

Os quatro maiores bancos deste país (Bank of America, JP Morgan Chase, Wells Fargo e o Citigroup), emitem a metade de todas as hipotécas neste país. Agora sabemos que estes bancos receberam centenas de bilhões de dólares do FED. Quantos americanos poderiam ter permanecido em suas casas se o FED tivesse exigido que os bancos socorridos, reduzissem os valores dos pagamentos hipotecários como condição para receber tais empréstimos secretos?

Começamos a levantar o véu de sigilo que encobre uma das mais importantes agências do governo deste país. O que estamos percebendo é o incrível poder de um punhado de pessoas, que têm incríveis conflitos de interesses e que ainda assim conseguem uma ajuda incrível do contribuinte. O mesmo contribuinte que tem suas necessidades ignoradas por esta gente.

Bernie Sanders, é Senador pelo Estado de Vermont, EUA. Ele descreve a si mesmo como um socialista. É o primeiro político eleito para o Congresso americano, que se diz socialista. Geralmente, ele se alinha ao Partido Democrata nas votações no Senado. Ele é um Senador sem partido, assim como o Senador Joe Lieberman. Sua carreira política começou em 1971 ao ingressar em um pequeno partido político contrário à Guerra do Vietnã.

Página de Bernie Sanders no website do Senado americano

Fonte: Huffington Post
Traduçãoe edição: BGN - Jack

Câmara dos EUA aprova versão final da reforma do sistema financeiro

A maior reforma na regulação do sistema financeiro norte-americano em décadas ganhou a aprovação final pela Câmara dos Deputados dos Estados Unidos nesta quarta-feira.

Por outro lado, não se espera que o Senado dê seu veredicto até meados de julho.

Após um ano de debates, a Câmara aprovou a legislação que prevê restringir a tomada de risco e investimentos por parte de bancos, definir um órgão para supervisionar companhias de cartão de crédito e hipotecas e aperfeiçoar o modo como o governo lida com firmas financeiras em falência.

Desenvolvido para evitar uma repetição da crise financeira entre 2007 e 2009, que arrastou a economia para uma profunda recessão, o projeto deve pressionar os lucros de bancos e potencialmente forçar mudanças estruturais em algumas das maiores instituições de Wall Street.

A reforma afeta todos os âmbitos do setor financeiro, pois inclui medidas de proteção ao consumidor, maior poder de supervisão ao Governo, regula pela primeira vez os mercados de derivados e limita a possibilidade dos bancos, como ocorreu em anos anteriores, arriscarem seus fundos.

A aprovação da lei, amplamente esperada, também deve somar-se à reforma do sistema de saúde e dar ao Partido Democrata uma importante vitória legislativa antes das eleições parlamentares em novembro.

Agência adverte sobre inconsistências da reforma financeira nos EUA

O presidente da agência de classificação de risco Standard & Poor's, Deven Sharma, advertiu nesta quarta-feira sobre as "inconsistências" da reforma financeira no Estados Unidos.

Ele afirmou ainda que para Wall Street recuperar a confiança é preciso regulação e transparência, mas também é necessário ter capital disponível.

"Acreditamos que é necessário aumentar a regulação do setor, a disciplina dos mercados, a concorrência e a transparência com que fazemos as coisas, porque isso aumenta a confiança dos investidores, mas é imprescindível que não se corte o capital", assegurou Sharma na primeira edição do Fórum de Nova York -- que estreia este ano em sua primeira edição na cidade.

A proposta do fórum é mediar um de debate similar ao que ocorre anualmente em Davos (Suíça), embora dedicado única e exclusivamente à economia.

As agências de classificação foram muito criticadas nos últimos anos por não terem sido capazes de prever a derrubada da dívida vinculada às hipotecas nos Estados Unidos, que foi a origem da crise financeira.

Fontes: FOLHA - REUTERS - Efe

Congresso dos EUA alcança acordo sobre a reforma do sistema financeiro

Acordo deverá ser votado na terça e sancionado pelo presidente Obama. Texto busca, entre outras coisas, uma reestruturação em Wall Street

O Congresso americano anunciou nesta sexta-feira (25) ter alcançado um acordo para uma reforma financeira depois de um longo debate. O acordo deverá agora ser votado na terça-feira e sancionado pelo presidente Barack Obama. A medida, segundo ele, protegerá os consumidores e a economia de crises como a de 2008 e fortalecerá o sistema financeiro.

Depois de uma sessão de cerca de 20 horas, que se prolongou madrugada adentro, os delegados do Senado e da Câmara de Representantes chegaram a um acordo sobre a reforma financeira mais importante dos Estados Unidos desde a crise de 1929, que busca, entre outras coisas, uma reestruturação em Wall Street e uma transparência nas operações bancárias, para evitar outra crise financeira.

O projeto de lei, de 1.400 páginas, inclui grande parte das medidas propostas pelo Governo de Obama e representa uma grande reforma das normas financeiras do país, para tentar tapar as lacunas descobertas durante a grande crise financeira iniciada em 2008.

A reforma tem o objetivo de alterar a regulação do mercado hipotecário, das companhias financeiras e dos cartões de crédito, além de reforçar a supervisão bancária, para sanar os erros que levaram à crise.

Antes que Obama possa sancioná-la, a reforma ainda precisa ganhar a aprovação de ambas as câmaras do Congresso, dando a Wall Street uma última chance de organizar seu exército de lobistas no Capitólio. É esperada uma ação rápida do Parlamento, e a lei pode ir para assinatura de Obama até 4 de julho.

Congressistas conversam no intervalo de debates sobre a reforma financeira, em Washington, nesta quinta-feira (24) (Foto: Jonathan Ernst/Reuters)

Mas a lei ficou realmente mais rígida na jornada que já dura anos pelos corredores do Congresso norte-americano. Os democratas lideraram uma onda de irritação pública contra a indústria que se presenteava com bônus abundantes enquanto grande parte do país passava por dificuldades durante a profunda recessão causada por suas ações.

"Nós nos preocupamos sobre as grandes quantias de dinheiro. Eu me preocupo com as grandes quantias de dinheiro que têm influência corruptiva, mas é tranquilizador saber que quando a opinião pública está engajada, ela ganha", disse o deputado democrata Barney Frank, que presidiu o painel.

A reforma mais abrangente das leis financeiras desde os anos 1930 pretende evitar a repetição da crise financeira de 2007-2009, que iniciou a recessão econômica e levou a resgates de gigantes financeiros com dinheiro público. As instituições financeiras teriam de pagar US$ 19 bilhões para cobrir seus custos.

Os democratas correram para completar seu trabalho antes de Obama viajar nesta sexta-feira ao Canadá para a cúpula do G20. O presidente poderá falar sobre a reforma como modelo para outros países, que tentam coordenar seus esforços para a reforma.

A aprovação da lei, amplamente esperada, também deve somar-se à reforma do sistema de saúde e dar ao Partido Democrata uma importante vitória legislativa antes das eleições parlamentares em novembro.

Objetivos

Há pouco mais de um mês, Obama assegurou que a medida não tinha o objetivo de castigar os bancos, mas de proteger as pessoas de crises como a de 2008 e disse ainda que a medida discutida no Senado inclui "as maiores proteções" para o consumidor vistas até hoje.

Obama disse que, ao longo do processo, o setor financeiro tentou bloquear a medida por meio de grupos de pressão. "O setor financeiro e seus grupos de pressão seguirão lutando" para impor limites ao projeto de lei, disse o presidente.

O que pode mudar

O acordo foi alcançado depois que os legisladores firmaram compromissos sobre a controversa linguagem a respeito de derivativos; os novos limites para a capacidade dos bancos de investir em fundos de hedge e usar seu capital próprio para operações nos mercados; os contornos de uma nova agência de proteção ao consumidor; e a capacidade do governo para lidar com a falência de grandes instituições financeiras.

No fim, a chamada Regra Volcker mostrou ser uma questão menos controversa, após semanas de especulações sobre quais limites os legisladores iriam aprovar para os investimentos dos bancos em fundos de hedge.

A legislação mais ampla vai tratar de todos os aspectos da indústria de serviços financeiros, estabelecendo novas regras para empréstimos hipotecários, ditando o risco que os bancos podem reter em seus balanços financeiros quando concederem empréstimos e dando aos acionistas votos não obrigatórios sobre pagamentos a executivos e benefícios.

Mais poder para o FED

A legislação também vai dar mais poder ao Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) para supervisionar empresas financeiras grandes e complexas e vai se ajustar à criação do Conselho de Supervisão da Estabilidade Financeira, formado por órgãos reguladores financeiros federais.

Além disso, a legislação vai, pela primeira vez, dar aos órgãos reguladores a autoridade para confiscar a dividir grandes empresas financeiras que estejam perto de declarar falência. Isso vai estabelecer uma nova estrutura para desativar empresas que representem um risco para a economia.

Outras decisões incluem um aumento permanente no nível do seguro de depósito federal, uma exigência de que fundos de hedge e de private equity se registrem na Securities and Exchange Comission (SEC) e a criação de um novo Escritório de Seguro Federal dentro do Departamento do Tesouro.


Líderes empresariais dos EUA criticam reforma financeira de Obama

Líderes de algumas das companhias mais importantes do mundo criticaram hoje a reforma financeira promovida pelo Governo do presidente americano, Barack Obama, que, segundo eles, diminuirá a capacidade de inovação e de crescimento do país e o aproximará à situação vivida na Europa.

"Menos Governo e menos impostos", resumiu o magnata da comunicação Rupert Murdoch no primeiro Fórum de Nova York, similar ao realizado todos os anos em Davos, na Suíça, mas dedicado exclusivamente à economia internacional.

Nesta primeira edição, na qual todos os participantes ganharam um iPad de brinde, muitas reuniões se centraram na reforma financeira tramitada nos EUA e no temor do setor privado de que o aumento de regulação e de impostos tire o incentivo à criação de empresas e à inovação.

Murdoch, proprietário da News Corporation, disse que "Washington parece considerar necessário castigar os bancos de uma maneira que não tem a ver com as causas da crise. Reduzir seus lucros é provocar um absoluto caos. O Governo deve garantir que continuarão emprestando dinheiro".

Por sua parte, James Tisch, executivo-chefe da Loews, pediu "uma regulação que represente uma verdadeira solução, não uma solução desenhada por relações públicas".

Já um dos principais magnatas do setor imobiliário internacional, Jerry Speyer, afirmou que "um dos maiores perigos dos EUA é a regulação, porque fará com que as empresas vão embora para o exterior".

"É difícil acreditar que as pessoas que dirigem os grandes bancos de Wall Street não estejam pensando que poderiam fazer o mesmo trabalho da China, de Hong Kong ou de Cingapura", acrescentou o fundador da Tishman Speyer, empresa que controla o Rockefeller Center e o Chrysler Building, em Nova York.


Fontes: G1- Efe

Obama pede reforma financeira para proteger consumidor

O Comitê de Bancos do Senado vai começar a debater o projeto de lei de mais de 1.300 páginas de autoria de Christopher Dodd

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que o Congresso norte-americano precisa conduzir uma ampla reforma financeira para proteger consumidores, manter fortes os bancos e garantir que a economia não caia em outra Grande Depressão. Ontem, em seu programa radiofônico e de internet, Obama disse que é um "vigoroso defensor" do livre mercado, mas afirmou que "o que se viu nos dois últimos anos é que, sem regras razoáveis e claras para deter abusos e proteger famílias, os mercados não funcionam livremente".

A lição central da atual crise financeira, afirmou Obama, é a de que ela custou milhões de empregos e quase causou o colapso do sistema financeiro. "Para nosso risco, nós não prestamos atenção nisso", acrescentou.

O presidente norte-americano afirmou que é necessário ter regras de bom senso que permitam aos mercados funcionar de forma justa e livre, enquanto refreiam as piores práticas da indústria financeira.

O Comitê de Bancos do Senado vai começar a debater o projeto de lei de mais de 1.300 páginas de autoria de Christopher Dodd, presidente do comitê e membro do Partido Democrata. Obama afirma que grupos lobistas já estão se preparando para gastar milhões de dólares para que a legislação não seja aprovada.

"Um líder republicano na Câmara se encontrou com um alto executivo de um dos maiores bancos americanos, e evitar a reforma é parte importante da estratégia do partido para contribuições de campanha", disse Obama.

Fontes: AE- AP

Após anunciar deficit recorde, Obama diz que EUA passam por "década perdida"

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta segunda-feira, ao apresentar a proposta de Orçamento para o ano fiscal 2010-2011, que o país pode classificar os últimos dez anos como uma "década perdida".

Segundo o documento, o deficit fiscal deste ano deve bater novo recorde e recuar levemente em 2011. Os gastos devem avançar 5,7% no atual ano fiscal em comparação com o anterior e outros 3% no ano fiscal 2010-2011, para US$ 3,83 trilhões. O resultado é o aumento do deficit, que no ano fiscal anterior já bateu com folga o recorde ao atingir US$ 1,4 trilhão. Para este ano o deficit deve atingir US$ 1,556 trilhão, e o do ano fiscal 2010-2011 a previsão é de ficar em US$ 1,502 trilhão.

"Estamos em guerra, nossa economia perdeu sete milhões de empregos nos últimos dois anos e nosso Estado está gravemente endividado, o que pode se qualificar como uma década perdida", disse Obama ao apresentar a proposta orçamentária.

O presidente lembrou que o país tem US$ 12 trilhões a mais em dívidas em relação ao começo da década, principalmente por causa da recessão e dos cortes de impostos para classes mais altas promovidos pelo ex-presidente George W. Bush.

"No longo prazo, não podemos ter um crescimento duradouro e sustentável sem colocar a questão fiscal em ordem", apontou.

O presidente americano reconheceu que as propostas no Orçamento não são suficientes para colocar o país no caminho de uma redução consistente do deficit. "Mesmo após dar esses passos, nossa situação fiscal continua inaceitável. Uma década de escolhas irresponsáveis criou um buraco fiscal que não será resolvido com um típico processo orçamentário de Washington que coloca partidarismo e interesses menores acima do interesse nacional."

Segundo ele, os EUA continuam a sofrer os efeitos de uma "profunda e duradoura recessão", mas acrescentou que já surgiram "sinais encorajadores de que a turbulência dos últimos dois anos está perdendo força". "Passar da recessão à recuperação, e por fim à prosperidade, continua no centro dos esforços dessa administração."

Republicanos

O presidente do Comitê Orçamentário do Senado, Kent Conrad, disse em um comunicado que Obama herdou uma confusão fiscal e econômica e avança em uma "estratégia em duas partes" para impulsionar o crescimento no curto prazo enquanto enfrenta desafios de longo prazo.

Já o deputado republicano Paul Ryan, principal representante do partido no Comitê Orçamentário da Câmara, disse que, apesar da "recente retórica de responsabilidade fiscal", o Orçamento apresentado por Obama "não é nada mais que um plano para mais do mesmo".


Fonte: FOLHA

Obama em sérios apuros

Fernando Canzian
Nenhum dos 50 Estados norte-americanos é mais Democrata (no sentido de apoio ao partido de Barack Obama) do que o liberal Massachusetts, terra do clã Kennedy.

Nenhuma vaga no Congresso dos EUA talvez seja mais representativa para os democratas do que a cadeira do senador Edward Kennedy, morto no ano passado.

Mas em uma eleição surpreendente na noite de quarta-feira, um republicano praticamente desconhecido do grande público, Scott Brown, foi eleito para ocupar em breve essa mesma vaga.

A derrota da adversária democrata, Martha Coakley, que contou com apoio escancarado de Obama, é o primeiro grande sinal de deterioração do quadro político a favor do presidente. E pode, daqui em diante, mudar em profundidade o modo como ele conduziu a Presidência até aqui.

Não foi apenas a cadeira de Kennedy que os democratas perderam. No aniversário de seu primeiro ano de mandato, Obama perde também a maioria apertada que tinha no Senado.

Seu projeto mais ambicioso, de reformular todo o sistema de saúde nos EUA a um custo de US$ 1 trilhão em uma década, agora corre o sério risco de ir por água abaixo.

Se isso de fato ocorrer, nada de muito significativo terá sobrado para Obama.

A economia permanece em ruínas, com desemprego em 10% (85 mil demissões em dezembro) e o crédito ao consumo (que representa 70% do PIB do país) continua em queda.

Mas os bancos voltaram a lucrar e a pagar gordos bônus. Mesmo o projeto de controlar esses bônus e ampliar a regulamentação sobre o sistema financeiro vai entrando para as calendas.

Eleitores até então democratas ou independentes ouvidos pelos jornais de Massachusetts e pelas redes de TV locais não cansavam de apontar a situação da economia, em especial o desemprego, como fator preponderante para terem mudado de lado.

Em seus primeiros 12 meses de mandato, Obama também deixou passar a chance (legítima) de depositar no governo do antecessor, George W. Bush, a culpa pelo atoleiro econômico em que está metido. Foi gentil e ingênuo com Bush e com os republicanos, que não teriam perdido essa oportunidade.

Até chamou o ex-presidente, na semana passada, para ajudá-lo a levantar fundos para a reconstrução do Haiti. O mesmo Bush que falhou vergonhosamente em consertar os estragos provocados pelo furacão Katrina, em Nova Orleans, em 2005.

Além da derrota de quarta, vários parlamentares democratas já começam a desistir de tentar a reeleição no pleito legislativo no final deste ano. Alguns, com idade mais avançada e depois de vários mandatos, temem perder e ser obrigados a encerrar suas carreiras políticas com uma derrota.

É assim que se inicia o segundo ano do mandato de Barack Obama.

Se a maré econômica não mudar em 2010, o presidente possivelmente será um aleijado político no seus dois anos restantes.

Fonte: FOLHA / Fernando Canzian

Fernando Canzian, 42, é repórter especial da Folha. Foi secretário de Redação, editor de Brasil e do Painel e correspondente em Washington e Nova York. Ganhou um Prêmio Esso em 2006.Escreve às segundas-feiras.

Os EUA precisam "reafirmar a estabilidade e a liderança", diz o economista Paul Volcker

Paul Volcker, 82, é um dos principais conselheiros econômicos do presidente Barack Obama. A "Spiegel" conversou com ele sobre os desafios econômicos que os EUA enfrentam, se são necessários novos impostos para lidar com o déficit público e como os EUA podem voltar a uma posição de liderança econômica.

Paul Volcker "É surpreendente a velocidade com que as pessoas querem esquecer dos problemas e voltar aos negócios. Esta sensação de que a crise acabou é um grande desafio. A necessidade de reforma com certeza não acabou. É difícil negar que precisamos de uma reforma financeira com vistas para o futuro", diz o ex-presidente do Fed (banco central americano) e conselheiro de Obama

Spiegel: Sr. Volcker, o senhor cresceu durante a Grande Depressão. Que tipo de memórias de infância tem daquela época difícil?
Volcker: Bem, não lembro de muita coisa. Meu pai tinha um emprego estável. Ele era um administrador da cidade naquela época. Nós não éramos ricos, apenas classe média vivendo no subúrbio em expansão de Nova York, e aquilo não era um exemplo dos EUA em depressão. Sei que minha mãe na época não me deixou pegar um emprego de meio período e costumava dizer que tinha gente que precisava daquele emprego mais do que eu.

Spiegel: A situação atual pode ser comparada com a Grande Depressão?
Volcker: Lembro que havia pessoas, chamadas de mendigos e vagabundos, que queriam ser alimentadas. É verdade, hoje também temos pessoas que dependem dos vales de alimentação e de outros benefícios, mas estamos bem longe da Grande Depressão. Estamos numa recessão grande e séria. Hoje temos 10% de desemprego, mas na época estava em torno de 20 a 25%. É uma diferença grande. O desemprego era massivo.

Spiegel: Mas embora tenha mais gente sendo demitida do que admitida, o presidente do Federal Reserve Ben Bernanke diz que a recessão tecnicamente acabou. Você concorda com ele?
Volcker: Sabe, as pessoas ficam muito técnicas ao falar sobre essas coisas. Tivemos um trimestre de crescimento mas não acho que estamos fora do perigo.

Spiegel: Você espera uma recuada?
Volcker: A recuperação é bem lenta e espero que continue bastante lenta e restrita por várias razões e a possibilidade de recaída não pode ser totalmente descartada. Não estou prevendo isso, mas acho que precisamos ser cautelosos.

Spiegel: Qual a diferença entre esse profunda recessão e todas as outras recessões que tivemos desde a Segunda Guerra?
Volcker: O que complica essa situação, em comparação às recessões comuns, é que tivemos esse colapso financeiro além do desequilíbrio econômico. Muito consumo e pouco investimento, muitas importações e poucas exportações. Não estávamos num caminho econômico sustentável e isso precisa ser mudado. Mas essas mudanças não acontecem da noite para o dia, elas não acontecem num trimestre, não acontecem em um ano. Você pode começá-las, mas é um processo que leva tempo. Se não fizermos esse ajusto e inflarmos novamente o consumo, simplesmente caminharemos para uma nova crise.

Spiegel: Como presidente do Conselho de Recuperação Econômica, você sugeriu ao presidente Barack Obama como evitar que isso acontecesse novamente. Ele está seguindo seu conselho?
Volcker: Nós temos vários grupos de trabalho e fizemos recomendações em relação a problemas específicos como programas de aposentadoria e seguridade social. Nós fizemos algumas recomendações de reformas financeiras que não foram aceitas, mas isso faz parte do jogo. O presidente é mais eloquente do que eu posso ser sobre esses assuntos. Fazer alguma coisa ao invés de apenas falar é um problema, mas temos algumas sugestões nesse sentido.

Spiegel: Os EUA não instituíram ainda nenhum tipo de política de reforma. O que vemos é o governo e o Federal Reserve derramando dinheiro na economia. Se olharmos além desse dinheiro, podemos ver que a economia ainda está encolhendo na verdade.
Volcker: O que posso dizer? É verdade. Não atingimos ainda uma recuperação que se sustente. Até agora estamos muito dependentes do apoio do governo. Estamos num sistema de apoio do governo, tanto nos mercados financeiros quanto na economia.

Spiegel: Fazer com que a recuperação chegasse no ponto em que está agora custou muito dinheiro. A dívida nacional provavelmente chegará a US$ 12 trilhões em 2019. Só os juros custam US$ 17 bilhões por ano - pelo menos de acordo com as previsões deste ano. É difícil sustentar isso.Volcker: Você precisa lidar com o déficit e você precisa lidar com ele dentro do tempo. Agora, com a taxa de desemprego ainda muito alta, a capacidade em excesso ainda é evidente, e a economia está dependendo do dinheiro do governo, como já dissemos. Não vamos atacar o déficit com sucesso agora, mas temos de nos preparar para atacá-lo mais tarde.

Spiegel: Os norte-americanos devem se preparar para um aumento nos impostos?
Volcker: Não nesse momento, mas acho que teremos que pensar sobre isso. O atual sistema tributário historicamente transferia cerca de 18 a 19% do PIB para o governo. E sairemos disso tudo com uma relação entre o PIB e os gastos substancialmente maior que isso. Ou teremos de cortar gastos e isso significa reduzir benefícios e com certeza os gastos com defesa numa quantidade que pode não ser possível. Se pudermos fazer, tudo bem. Mas se não pudermos, então teremos de pensar nos impostos.

Spiegel: Que tipos de impostos você tem em mente?
Volcker: Talvez devêssemos falar sobre impostos sobre a energia, que podem se tornar uma grande fonte de rendimentos.


Spiegel: O professor de Harvard Niall Ferguson escreveu uma matéria de capa da "Newsweek" em que ele essencialmente argumenta que os EUA estão em grande perigo por causa da dívida, do crescimento lento e dos gastos altos. Você acha que foi exagerado?
Volcker: O desafio é real. Esse é o tipo de ameaça com o qual precisamos lidar e reafirmar a estabilidade e a liderança. Cresci num ambiente em que os Estados Unidos lideravam, em que eram um poste de segurança.


Spiegel: Naquela época, os EUA eram o maior exportador do mundo e não o maior importador. Os EUA a que você se refere eram o país que mais emprestava dinheiro no mundo e não o que mais tomava emprestado.
Volcker: É verdade. E talvez não tenhamos que fazer todo o caminho de volta até lá, mas temos que retroceder numa área em que existe confiança na estabilidade e na autoridade dos Estados Unidos. E acho que podemos fazer isso, mas temos um desafio, recebemos um sinal de alerta. Há preocupações no nosso grupo de conselheiros sobre como reconstruir a competitividade dos Estados Unidos, que inevitavelmente significa reconstruir, em parte, o setor manufatureiro da economia.

Spiegel: Que parte do setor manufatureiro você imagina?
Volcker: Acho que há muitas oportunidades para assumir a liderança na chamada economia verde. Do ponto de vista técnico, ou seja, no desenvolvimento tecnológico, desenvolvimento de pesquisa, os EUA estão indo bem, mas no que diz respeito a produzir essas coisas, de certa forma os alemães é que fazem tudo!

Spiegel: E muitos norte-americanos tentam culpar os alemães por isso, dizendo que eles dependem muito da indústria de exportação.
Volcker: Devo dizer, eu admiro a Alemanha nessa situação, mesmo com seus custos altos. De certa forma, acho que o custo do trabalho na Alemanha é mais alto do que nos Estados Unidos, mas a Alemanha consegue manter a linha de exportação. A Alemanha é dedicada à exportação, nós nos dedicamos à engenharia financeira e isso não funcionou muito bem. Gostaria que nós tivessemos menos engenheiros financeiros e mais engenheiros mecânicos. Conte-me o segredo de como os alemães fazem isso funcionar.

Spiegel: Talvez a razão seja que os alemães não acreditavam no crescimento dos EUA e na economia forte com sua dedicação ao dinheiro rápido.
Volcker: Acho que parte disso é psicológico. Os alemães jovens e ambiciosos percebem que a indústria da exportação e a engenharia pesada é a vantagem competitiva alemã. Os melhores norte-americanos nem pensam sobre isso. Temos Silicon Valley e todos os tipos de indústrias de alta tecnologia ainda são nosso forte, mas também precisamos de algo mais amplo do que isso.

Spiegel: Buscar fornecedores fora do país [outsourcing] e transferir a produção para o exterior [off-shoring] foram conceitos-chave nas últimas décadas. Você não acha que os tempos do "made in America" estão acabados para sempre?
Volcker: Esta tem sido a mentalidade e temos de mudá-la de alguma forma. Acho que em parte trata-se de uma autocorreção. O glamour de ir para Wall Street não é tão grande hoje quanto era há alguns anos atrás.

Spiegel: Você tem certeza? As empresas de Wall Street estão bem. Os grandes bônus estão de volta.
Volcker: É surpreendente a velocidade com que as pessoas querem esquecer dos problemas e voltar aos negócios. Esta sensação de que a crise acabou é um grande desafio. A necessidade de reforma com certeza não acabou. É difícil negar que precisamos de uma reforma financeira com vistas para o futuro.

Spiegel: Na Alemanha, o governo, mas também o Bundesbank, ainda está esperando uma abordagem norte-americana clara em relação a esse objetivo.
Volcker: Crescei num mundo em que a liderança norte-americana era importante e, acreditava, construtiva. Agora é mais difícil porque não somos mais relativamente tão fotes quanto costumávamos ser. Se você estiver certo ao dizer que alguém está esperando a nossa voz, espero que falemos com clareza.

Spiegel: Você tem sido claro sobre suas ideias. Você acredita de fato que temos de quebrar os grandes bancos para criar um sistema financeiro mais sustentável?
Volcker: Bem, quebrá-lo é difícil. Eu preferia dizer, vamos apenas dividi-lo. Não quero que eles se envolvam em peso nas atividades do mercado de capitais, então minha visão é: nada de fundos hedge. Nada de fundos de equidade. Nada de proprietary trading. Nada de trading in commodities. E isso por si só reduziria o tamanho dos grandes bancos. Então haveria uma redução de tamanho. Igualmente importante, isso os torna mais administráveis e fáceis de lidar quando eles tem problemas.

Spiegel: A atividade bancária deve se tornar entediante novamente?
Volcker: A atividade bancária nunca foi entediante. É um negócio arriscado. Eles continuarão sendo muito ativos. Eles podem analisar o crédito. Pode fazer securitização. Pode conceder muitos empréstimos. Eles podem dar conselhos de fusões e aquisições. Eles podem administrar investimentos. Todas essas são atividades para os clientes. O que eu não quero que eles façam é se equilibrar no topo do arriscado mercado de capitais. Isso também leva a conflitos de interesse.

Spiegel: Mas o governo norte-americano parece ter perdido um pouco o interesse em estabelecer um regime mais duro de regras e regulações para controlar Wall Street. Tudo está perdendo força. Por quê?
Volcker: Eu vou fazer o melhor que posso para lutar contra qualquer tendência de enfraquecer nesse sentido. O que é necessário é um amplo consenso internacional para fazer as coisas acontecerem.

Spiegel: Seu velho amigo alemão, o ex-chanceler Helmut Schmidt, já está ao seu lado. Agora ele está falando sobre o atual sistema econômico como uma espécie de capitalismo predatório que precisa ser domado.
Volcker: Fico feliz que ele fale as coisas. Sou um grande admirador de Helmut Schmidt. Ele foi bastante direto e brutalmente franco de certa forma, o que fez muitas pessoas reagirem adversamente.

Spiegel: Você está falando de alguma situação específica?
Volcker: O famoso incidente que aconteceu em 1979 depois que eu havia me tornado presidente do Federal Reserve...

Spiegel: ? e a inflação nos EUA havia chegado a 12%.
Volcker: Eu estava viajando com o secretário de Tesouro para uma reunião em Belgrado mas por algum motivo foi feito um arranjo, provavelmente por sugestão de Helmut, e paramos em Hamburgo no caminho para Belgrado e fizemos uma reunião. A reunião consistiu sobretudo em Helmut falar por uma hora sobre como "vocês norte-americanos" precisam fazer algo quanto à inflação. Meu secretário do Tesouro ficou um pouco confuso com a força daquilo tudo, mas para mim foi tudo bem uma vez que eu estava planejando o mesmo tipo de política.

Spiegel: Durante seu mandato como presidente do Federal Reserve, o banco sempre foi parte da solução. Hoje com a política de dinheiro fácil do Fed, muitos especialistas o veem como parte do problema.
Volcker: Por causa da dificuldade da situação econômica e da grande quantidade de dinheiro sendo gasta para sustentar a economia, o Fed está recebendo a maior parte das críticas. Com certeza era necessário algum apoio para a economia, mas o simples fato de que foram necessárias medidas de emergência nessa situação não deveria ditar uma abordagem liberal no futuro.

Spiegel: Os legisladores no Capitólio estão pensando em controles mais duros sobre o Federal Reserve.
Volcker: Acho que a perda de independência e autoridade do Federal Reserve seria um problema muito sério para os Estados Unidos. Não só em termos de política monetária mas também em termos do nosso lugar no mundo. As pessoas buscam instituições fortes, confiáveis e acho que o Fed tem sido uma instituição assim. Se isso for perdido ou muito restringido pela legislação, acho que vamos nos arrepender.

Spiegel: Mas o Fed não é o mesmo tipo de instituição que era durante o seu mandato como presidente? Ou agora ele é mais um instrumento governamental? O Fed está administrando o programa TARP e também está comprando títulos do governo.
Volcker: Em certo sentido, o Federal Reserve sempre é um instrumento do governo. É um órgão do governo mas é independente dentro do governo. Mas você está certo no sentido de que parte do problema é que eles se envolveram quantitativamente entrando nos mercados e nesse processo, apoia alguns mercados e não outros. Esta é uma área em que o Federal Reserve nunca quis entrar e uma área na qual a maioria dos bancos centrais não quer entrar. Se você pretende manter sua independência, precisa evitar isso. Intervir em setores específicos do mercado não é o papel apropriado do banco central ao longo do tempo. Isso só poderia se justificar numa emergência extrema.

Spiegel: Então o que você espera no futuro próximo?
Volcker: Como norte-americano, tenho que ser otimista. Mas temos um grande desafio e temos que enfrentá-lo. E, como você sabe, há muitas preocupações quanto à disfunção do sistema político.

Spiegel: Então está ficando difícil ser otimista?
Volcker: É um desafio.

Spiegel: Sr. Volcker, muito obrigado por esta conversa.


Fontes: Der Spiegel / Gabor Steingart e Thomas Schulz- UOL
Tradução: Eloise De Vylder

EUA: deputados aprovam amplo plano de reforma do sistema financeiro

Reforma financeira foi aprovada pela Câmara de Representantes

WASHINGTON -  (AFP) - A Câmara americana de Representantes aprovou nesta sexta-feira um amplo plano de reforma do sistema financeiro para reforçar a regulação, voltar a dar confiança aos consumidores e aos investidores, mais de um ano após a crise do outono de 2008.

O texto foi aprovado por 223 votos contra 202.Intitulado "Reforma de Wall Street e Lei de Proteção dos Consumidores 2009", define novas regras para evitar a repetição de uma crise financeira da extensão daquela que explodiu em setembro de 2008, a pior desde os anos 1930.

A reforma deve ainda passar pelo Senado, provavelmente já em 2010."A cobiça de Wall Street não deveria jamais ter provocado tantos sofrimentos em nosso país. E Washington não deveria nunca mais, como sob a presidência (George W.) Bush, permanecer inerte ante à cupidez", declarou nesta sexta-feira o líder da maioria democrata Steny Hoyer.

Os republicanos, mas também alguns democratas, se opõem ao texto.Entre as medidas apresentadas figura a criação de uma agência financeira de proteção dos consumidores (CFPA) para regulamentar alguns produtos e evitar práticas abusivas.

Fonte: UOL - AFP

Ford anuncia que teve lucro de quase US$ 1 bilhão no 3º trimestre


Lucro é primeiro resultado positivo desde o primeiro trimestre de 2008. (Foto: Paul Sancya/AP)

Operações na América do Norte foram rentáveis pela 1ª vez desde 2005. Entre razões estão ganhos de participação de mercado e corte de custos.

A fabricante de automóveis Ford informou nesta segunda-feira (2) que teve um lucro líquido de US$ 997 milhões no terceiro trimestre do ano, ou US$ 29 centavos por ação, ante perdas de US$ 161 milhões, ou US$ 7 centavos por ação de prejuízo, no ano anterior.

Fim da recessão nos EUA reaviva euforia e Bovespa dispara

Fim da recessão americana

SÃO PAULO - O otimismo do mercado com o crescimento do PIB norte-americano no terceiro trimestre reavivou a euforia dos investidores, levando a bolsa paulista a um de seus melhores dias em 2009.

Recessão nos EUA pode estar acabando, sugere índice

Os números de emprego, vendas, encomendas e estoques melhoraram no mês passado

CHICAGO - A economia dos Estados Unidos pode ter saído da recessão em setembro, de acordo com dados publicados hoje pelo Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) de Chicago, embora o índice que mede a atividade nacional tenha caído em setembro para -0,81, de -0,65 em agosto. A média móvel em três meses do índice subiu para -0,63, de -0,96 em agosto, no oitavo ganho consecutivo, que colocou o dado acima de um marco estatístico acompanhado por economistas. O índice é um compêndio de dados econômicos existentes e estimados, e o Fed de Chicago disse que, em cada uma das últimas quatro recessões, o primeiro mês que esse índice passou de -0,70 "coincidiu de perto com o fim de cada recessão, conforme determinada pelo Birô Nacional de Pesquisa Econômica (NBER)".

Uma pesquisa publicada no mês passado pelo economista do Fed de Chicago Scott Brave sugeriu que o índice havia tido bom desempenho em determinar os períodos de começo da recessão e da recuperação. O Fed de Chicago informou que o índice de atividade de setembro foi prejudicado pela queda nos dados de produção, consumo e imóveis. Os números de emprego, vendas, encomendas e estoques melhoraram no mês passado. O dado de atividade de agosto foi revisado em relação à estimativa original de -0,90. As informações são da Dow Jones.


Fonte: O ESTADO/NATHÁLIA FERREIRA

Dow Jones fecha acima dos 10 mil pontos pela 1ª vez em um ano

Dow Jones ultrapassa 10 mil pontos

O Dow Jones fechou nesta quarta-feira acima dos 10 mil pontos pela primeira vez em um ano. O índice da Bolsa de Nova York atingiu o patamar sete meses depois de chegar ao menor nível em 12 anos, em 6,547.05 no dia 9 de março.

Dell fecha fábrica nos EUA e demite 905 trabalhadores

Dell vai fechar fábrica de desktops

A Dell afirmou que irá fechar uma fábrica de desktops no estado norte-americano da Carolina do Norte no começo do ano que vem, demitindo 905 trabalhadores no processo, numa continuação dos cortes da segunda maior fabricante de PCs do mundo, que busca otimizar seus negócios para lidar com a queda nas vendas e em sua participação de mercado.

EUA vão suspender incentivo a setor automobilístico na segunda-feira

Governo americano vai suspender incentivos

O governo norte-americano informou que suspenderá o programa incentivo à troca de carros velhos por novos na segunda-feira (24), conforme a verba de US$ 3 bilhões se esgota, um mês depois do lançamento da iniciativa.

O programa, que oferece até US$ 4.500 para pessoas que quiserem trocar carros velhos por modelos mais novos e eficientes, terminará na segunda, quando todas as requisições de descontos devem ser submetidas a Washington.

O governo forneceu um grande incentivo temporário tanto para indústria automotiva como para a economia norte-americana. Nas últimas semanas, a Ford Motor e a General Motors aumentaram a produção, já que alguns modelos estavam com a oferta apertada.

Contudo, a natureza temporária da iniciativa provavelmente deve levantar preocupações com a possibilidade das vendas despencarem novamente.

Uma fonte do governo que pediu para não ser identificada disse ontem que o objetivo agora será fornecer um pouso suave às concessionárias e aos consumidores e garantir que o programa acabe de forma bem sucedida.

O Departamento de Transportes informou ter considerado que sobraria capital suficiente para continuar aceitando requisições até o prazo de segunda-feira, baseado em estimativas conservadoras de transações válidas.

O anúncio surge um dia após um grupo que representa cerca de 20 mil concessionárias de carros novos nos Estados Unidos ter alertado que os lojistas que aceitarem vendas adicionais enfrentam risco crescente de não serem ressarcidos pelos descontos concedidos a consumidores.

Até ontem, as concessionárias submeteram pedidos à Washington para quase 457 mil cheques, totalizando US$ 1,9 bilhão, dos quais pouco menos de 40% foram examinados, segundo o departamento. O governo pagou cerca de US$ 145 milhões às concessionárias.

A GM informou que as vendas na duas últimas semanas excederam sua projeção interna em mais de 60 mil veículos, impulsionadas principalmente pelo incentivo do governo.

As vendas de veículos no varejo dos Estados Unidos em agosto devem superar 1 milhão de unidades pela primeira vez nos últimos 12 meses, incentivadas pelos descontos, informou a consultoria J.D. Power & Associates.

"A melhora da confiança do consumidor e a disponibilidade de crédito durante os últimos seis meses se juntaram ao programa [de descontos] para tirar as vendas da indústria dos baixos níveis vistos até agora", afirmou o vice-presidente sênior da consultoria, Gary Dilts.

Fontes: FOLHA - AP

Ford reduzirá pela metade rede de fornecedores

Montadora cortará número de fornecedores de autopeças para 850. Para a Ford, crise na cadeia produtiva 'derrubará' o setor nos EUA.

Ford reduz número de fornecedores para enfrentar a crise (Foto: Mark Duncan/AP)

O vice-presidente de compras globais da Ford Motor, Tony Brown, afirmou nesta quarta-feira (24) que a montadora pretende reduzir o número de fornecedores de longo prazo para 850 até o final de 2009, contra 1.683 no final do ano passado.

Brown disse ainda que os próximos três a quatro meses serão "críticos" para os fornecedores nos Estados Unidos, conforme a General Motors e a Chrysler tentam ampliar a produção.

Ele acrescentou que está monitorando de perto como a situação das duas montadoras em concordata impactará a rede de fornecedores de autopeças do país nos próximos meses.

Para o executivo, o governo dos EUA tomará alguma atitude, se necessário, para impedir um golpe contra a base de fornecedores, o que, segundo a empresa, pode derrubar a indústria automobilística.

A Ford foi a única montadora norte-americana em crise que ainda não usou os recursos disponibilizados pelo governo.

Fontes: G1- Reuters

Suitcase With $134 Billion Puts Dollar on Edge

Commentary by William Pesek

June 17 (Bloomberg) -- It’s a plot better suited for a John Le Carre novel.

Two Japanese men are detained in Italy after allegedly attempting to take $134 billion worth of U.S. bonds over the border into Switzerland. Details are maddeningly sketchy, so naturally the global rumor mill is kicking into high gear.

Are these would-be smugglers agents of Kim Jong Il stashing North Korea’s cash in a Swiss vault? Bagmen for Nigerian Internet scammers? Was the money meant for terrorists looking to buy nuclear warheads? Is Japan dumping its dollars secretly? Are the bonds real or counterfeit?

The implications of the securities being legitimate would be bigger than investors may realize. At a minimum, it would suggest that the U.S. risks losing control over its monetary supply on a massive scale.

The trillions of dollars of debt the U.S. will issue in the next couple of years needs buyers. Attracting them will require making sure that existing ones aren’t losing faith in the U.S.’s ability to control the dollar.

The dollar is, for better or worse, the core of our world economy and it’s best to keep it stable. News that’s more fitting for international spy novels than the financial pages won’t help that effort. It is incumbent upon the U.S. Treasury to get to the bottom of this tale and keep markets informed.

GDP Carriers

Think about it: These two guys were carrying the gross domestic product of New Zealand or enough for three Beijing Olympics. If economies were for sale, the men could buy Slovakia and Croatia and have plenty left over for Mongolia or Cambodia. Yes, they could have built vacation homes amidst Genghis Khan’s Gobi Desert or the famed Temples of Angkor. Bernard Madoff who?

These men carrying bonds concealed in the bottom of their luggage also would be the fourth-largest U.S. creditors. It makes you wonder if some of the time Treasury Secretary Timothy Geithner spends keeping the Chinese and Japanese invested in dollars should be devoted to well-financed men crossing the Italian-Swiss border.

This tale has gotten little attention in markets, perhaps because of the absurdity of our times. The last year has been a decidedly disorienting one for capitalists who once knew up from down, red from black and risk from reward. It almost fits with the surreal nature of today that a couple of travelers have more U.S. debt than Brazil in a suitcase and, well, that’s life.

Clancy Bestseller

You can almost picture Tom Clancy sitting in his study thinking: “Damn! Why didn’t I think of this yarn and novelize it years ago?” He could have sprinkled in a Chinese angle, a pinch of Russian intrigue, a dose of Pyongyang and a bit of Taiwan-Strait tension into the mix. Presto, a sure bestseller.

Daniel Craig may be thinking this is a great story on which to base the next James Bond flick. Perhaps Don Johnson could buy the rights to this tale. In 2002, the “Miami Vice” star was stopped by German customs officers as he was traveling in a car carrying credit notes and other securities worth as much as $8 billion. Now he could claim it was all, uh, research.

When I first heard of the $134 billion story, I was tempted to glance at my calendar to make sure it didn’t read April 1.

Let’s assume for a moment that these U.S. bonds are real. That would make a mockery of Japanese Finance Minister Kaoru Yosano’s “absolutely unshakable” confidence in the credibility of the U.S. dollar. Yosano would have some explaining to do about Japan’s $686 billion of U.S. debt if more of these suitcase capers come to light.

‘Kennedy Bonds’

Counterfeit $100 bills are one thing; two guys with undeclared bonds including 249 certificates worth $500 million and 10 “Kennedy bonds” of $1 billion each is quite another.

The bust could be a boon for Italy. If the securities are found to be genuine, the smugglers could be fined 40 percent of the total value for attempting to take them out of the country. Not a bad payday for a government grappling with a widening budget deficit and rebuilding the town of L’Aquila, which was destroyed by an earthquake in April.

It would be terrible news for the White House. Other than the U.S., China or Japan, no other nation could theoretically move those amounts. In the absence of clear explanations coming from the Treasury, conspiracy theories are filling the void.

On his blog, the Market Ticker, Karl Denninger wonders if the Treasury “has been surreptitiously issuing bonds to, say, Japan, as a means of financing deficits that someone didn’t want reported over the last, oh, say 10 or 20 years.” Adds Denninger: “Let’s hope we get those answers, and this isn’t one of those ‘funny things’ that just disappears into the night.”

This is still a story with far more questions than answers. It’s odd, though, that it’s not garnering more media attention. Interest is likely to grow. The last thing Geithner and Federal Reserve Chairman Ben Bernanke need right now is tens of billions more of U.S. bonds -- or even high-quality fake ones -- suddenly popping up around the globe.

Nota do Editor:

A Bloomberg noticia que dois funcionários do ministério de economia do governo japonês, foram presos na Itália, tentando sair do país com 2 maletas contendo 134 bilhões de dólares em títulos do tesouro americano, em fundos falsos. Aparentemente, os títulos são verdadeiros e caso sejam, significa que o governo japonês estaria tentado se livrar dos títulos por não confiar mais na moeda americana e nem na capacidade do governo americano honrar as dívidas.

Isto tem sérias implicações, pois a quantia apreendida, corresponde a quase 30% do estoque total de títulos em moeda americana em poder do Japão. Trata-se de um terremoto financeiro que logo explodirá.

Talvez seja o começo do fim do reinado do dólar na economia mundial.

Fonte: Bloomberg

(William Pesek is a Bloomberg News columnist. The opinions expressed are his own.)

Obama propõe reforma de regulação financeira e agência de proteção ao consumidor


Segundo Barack Obama, proposta prevê estrutura na qual os mercados financeiros possam funcionar de forma livre e justa

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apresentou nesta quarta-feira sua proposta de reforma do sistema regulatório financeiro do país. A proposta, que vai agora ao Congresso, reorganiza os papéis de algumas das agências de regulação do mercado financeiro, a fim de reforçar a supervisão do governo. Além disso, a proposta deve endurecer os padrões de controle de grandes empresas financeiras e criar uma nova agência dedicada a proteger os consumidores.

"Não escolhemos como essa crise começou. Mas temos uma escolha sobre o legado que essa crise vai deixar", afirmou o presidente americano. "Minha administração propõe hoje uma ampla reforma no sistema regulatório financeiro, uma transformação em escala não vista desde as reformas que se seguiram à Grande Depressão" dos anos 30, afirmou.

O presidente propôs a eliminação do OTS (Escritório de Supervisão Econômica, na sigla em inglês), fundindo-o com o OCC (Escritório do Controlador da Moeda, na sigla em inglês). O plano de eliminar o OTS tem circulado há meses devido a seu papel no caso da seguradora AIG (American International Group), que sofreu prejuízos bilionários e precisou de cerca de US$ 180 bilhões em ajuda do governo para não quebrar.

Obama ainda propôs a criação de uma nova agência de vigilância para proteger os consumidores de "hipotecas, cartões de crédito e outros produtos financeiros enganosos ou perigosos".

A nova agência assumiria alguns dos poderes que hoje ficam a cargo do Fed (Federal Reserve, o BC americano). "A atual crise não é apenas o resultado de decisões feitas pelas mais poderosas empresas financeiras; ela é também o resultado de decisões tomadas por americanos comuns, de adquirir cartões de crédito, levar para casa empréstimos e assumir outras obrigações financeiras."

Obama ainda disse que a reforma, que quer ver completada neste ano, inclui a concessão de mais poderes ao Fed para fiscalizar instituições financeiras que possam colocar em risco o sistema financeiro como um todo, caso quebrem.

"Buscamos criar uma estrutura na qual os mercados financeiros possam realmente funcionar de forma livre e justa, sem a fragilidade na qual os ciclos normais de negócios acarretam o risco de um colapso financeiro", diz o texto.

O documento com a proposta, de 85 páginas, diz: "Precisamos agir agora para restaurar a confiança em nosso sistema financeiro (...) Precisamos construir um novo fundamento para a regulação e a supervisão financeiras que seja mais simples e mais efetivamente garantido, que proteja consumidores e investidores, que recompense a inovação e que seja capaz de se adaptar e evoluir com as mudanças no mercado financeiro".

Obama reconheceu que a proposta deve gerar controvérsia. "Sempre houve uma tensão entre aqueles que depositam sua fé na mão invisível do mercado e aqueles que confiam mais na mão condutora do governo. Essa tensão não é ruim (...) Temos de reconhecer que o livre mercado é a mais poderosa força geradora de nossa prosperidade --mas isso não é um passe livre para ignorar as consequencias de nossas ações."

Fontes: FOLHA - AP

Obama vai fortalecer o Fed e criar conselho de regulação

Administração norte-americana conclui plano de reforma do sistema financeiro, que será apresentado nesta 4ª

Com objetivo de ampliar os limites e a transparência do sistema financeiro norte-americano, a administração de Barack Obama propôs na segunda-feira reforçar o Federal Reserve e criar novas restrições para segmentos complexos, cujo colapso congelou o crédito e atingiu milhares de famílias americanas.

Ao mesmo tempo, a administração gentilmente deixou de lado algumas mudanças regulatórias, deixando aspectos do trabalho, que tem grande fardo político, para o Congresso, que precisa aprovar o projeto.

O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, afirmou que a nova regulação vai eliminar "brechas" no sistema financeiro que encorajaram o comportamento de risco que, em última instância, levou ao colapso.

Sob o plano do governo, todas as grandes instituições financeiras cujo colapso poderia ameaçar a estabilidade do sistema seriam supervisadas pelo Fed. Isso gera um potencial conflito com alguns parlamentares que acreditam que o Fed é sobrecarregado e não é submetido ao controle do Congresso.

"Eu só acho que nós estamos colocando muito nas mãos do Federal Reserve", disse o deputado democrata Paul Kanjorski, membro do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara.

O plano de Obama criaria um conselho de reguladores responsável por uma coordenação mais ampla do sistema financeiro. Autoridades afirmaram que o órgão também ofereceria uma base mais forte para a proteção dos investidores. Oficiais da indústria esperam que a administração proponha uma entidade de proteção ao consumidor, que supervisione produtos que vão de cartões de crédito a pensões.

"Nós tínhamos um sistema financeiro que era fundamentalmente muito instável e frágil, e teve um péssimo papel na proteção dos consumidores e investidores", disse Geithner durante uma conferência em Nova York, na segunda-feira. "Isso são coisas que precisamos mudar."

As propostas regulatórias do governo foram adiantadas por uma coluna assinada por Geithner e Lawrence Summers, diretor do Conselho Econômico Nacional do presidente, no Washington Post. Mais detalhes foram obtidos com o Departamento do Tesouro e fontes da indústria, que vêm discutindo a proposta com o governo. Obama vai revelar o projeto em discurso nesta quarta-feira e Geithner vai apresentá-lo diante do Congresso nesta quinta.

'Ineficiente'

O presidente norte-americano parece ter desistido de uma supervisão mais extensa, que teria consolidado toda a regulação bancária em apenas uma agência. Aqueles que apoiam esta ideia, como o senador democrata Charles Schumer, argumentam que o sistema atual é ineficiente.

Além disso, o texto de Geithner e Summer não trata da regulação do setor de seguros. As seguradoras agora são governadas por comissões do governo, e algumas grandes companhias e parlamentares afirmam que elas precisam de um supervisor federal para evitar a ameaça colocada pelo conglomerado de seguros AIG.

Enquanto diversas disputas sobre o projeto devem aparecer quando ele for ao Congresso, o maior debate vai se concentrar no papel do Federal Reserve.

Kanjorski afirmou que o papel de regulador de risco deveria ser dado ao Departamento do Tesouro. Segundo ele, seria um erro deixar essa responsabilidade com uma entidade que não tem a supervisão do Congresso ou do presidente.

O senador democrata Christopher Dodd se opõe à ideia de dar tamanha autoridade ao Fed e pediu que seja retirada um pouco da autoridade regulatória do banco central. De acordo com o plano de Dodd, o Fed iria se concentrar na sua missão de fazer política monetária, estabelecer o sistema de pagamentos e ser o "último recurso" no caso de um banco quebrar.

Hipotecas

A administração Obama vai ainda propor regras mais duras para as transações fora do sistema bancário. No centro disso estão as hipotecas - e outras operações que contribuíram para a crise de crédito.

Por exemplo, o plano iria exigir que os bancos e outros fiadores que vendem hipotecas para Wall Street que retenham uma fatia de 5% nos empréstimos - uma ideia contida também na legislação para hipotecas aprovada pela Câmara dos Deputados.

O deputado democrata Brad Miller, relator da proposta na Câmara, disse que a parcela de 5% pode soar como pouco. Mas que o requerimento poderia subir rapidamente e se tornar "um poderoso desincentivo" aos concedentes de empréstimos de risco.

Geithner afirmou que o governo vai pedir a outros países que adotem mudanças semelhantes em seus sistemas de regulação. Ele disse que as alterações nos Estados Unidos "terão pouco efeito se nós falharmos em levantar padrões internacionais junto com os nossos."

A preocupação é que, sem regras internacionais mais duras, os bancos norte-americanos poderiam realizar as operações mais arriscadas em países com menor regulação, disse Simon Johnson, ex-integrante do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Fontes: Associated Press - O ESTADO DE S PAULO

American Express vai demitir 4.000 funcionários

da France Presse, em Nova York

O emissor americano de cartões de crédito American Express anunciou nesta segunda-feira uma reestruturação de suas atividades para levantar US$ 800 milhões neste ano, prevendo principalmente a demissão de 4.000 funcionários, ou seja 6% dos efetivos mundiais.

As demissões afetam vários departamentos do grupo e devem viabilizar uma economia de US$ 175 milhões, indicou a American Express em um comunicado.

Estas medidas, que se somam às reveladas mês passado, quando o lucro da empresa caiu 63%, preveem ainda uma redução dos investimentos e dos custos de funcionamento.

Este pacote complementa o plano inicial de reestruturação de economia de US$ 1,8 bilhão apresentado pela empresa em outubro passado.

Obama pressiona Congresso por reforma do sistema de cartões de crédito

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a defender a reforma no sistema de cartões de crédito no país, a fim de coibir práticas abusivas das empresas contra os clientes, como aumentos inesperados nos juros e uma linguagem confusa nos contratos. Em discurso, o presidente pediu que o Congresso aprove, até o fim de maio, mudanças nas regras.

"É tempo de darmos aos nossos consumidores proteções fortes e confiáveis. É hora de de fazermos essa reforma urgente para dar transparência e responsabilidade [a empresas e clientes]", afirmou.

Com o aprofundamento da crise financeira, as empresas de cartões de crédito detectaram que as famílias recorriam com maior frequência aos pagamentos com o meio. Em janeiro de 2009, a dívida contraída com cartões chegava a US$ 963 bilhões, segundo dados do Fed (Federal Reserve, o banco central americano).

A taxa de inadimplência e falta de pagamento cresceu um terço desde finais de 2006 até hoje. Anualmente, as empresas de cartões arrecadam US$ 15 bilhões em multas, o que representa 10% de toda a receita do negócio.

Em abril a Câmara dos Representantes (Deputados) dos EUA aprovou uma legislação que limita o poder das administradoras de cartões em aumentar a taxa de juros no saldo do consumidor. O Senado ainda deve apresentar sua versão da lei.

Na ocasião, Obama falou que o governo deveria promover uma reforma no sistema de cartões de crédito para acabar com o "abusos" dessas empresas. "Sabemos que os cartões são uma fonte importante de financiamento para os cidadãos e para as empresas que geram trabalho, e por isso vamos promover uma nova regulação do setor."

Segundo ele, a proposta visará a melhorar a defesa do consumidor e a responsabilidade das empresas financeiras. Entre as medidas estudadas estão a proibição dos aumentos injustos nos juros cobrados em compras a crédito, assim como comissões e penalizações abusivas que às vezes são aplicadas.

O chefe de Estado americano também quer que as empresas facilitem o acesso dos clientes a seus contratos, especialmente através da internet, e que sejam simplificados os termos nos quais novos produtos são oferecidos.

Na ocasião, Obama afirmou também que a medida prevê que os extratos enviados para pagamento devam ser escritos em linguagem clara. "Não mais letras pequenas, não mais 'termos e condições' confusos", afirmou. Para o presidente, a reforma deve recolher penalizações para as companhias que violem a lei ou para aquelas práticas que danifiquem as economias familiares.

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