Mujica, vencedor desta jornada eleitoral no Uruguai. Um ex-guerrilheiro transformado em floricultor com uma política romântico-pragmática. O primeiro ex-guerrilheiro que chega à presidência de uma república na América do Sul.
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José Mujica vence eleições no Uruguai, diz boca-de-urna
Segundo sondagens, ex-guerrilheiro conquistou entre 50,1% e 51,5% dos votos; Lacalle, entre 44,4% e 46,2%
Mujica confirma favoritismo no 2º turno/Eduardo Di Baia/APMONTEVIDÉU - O candidato de esquerda José Mujica ganhou neste domingo, 29, as eleições do Uruguai com entre 50,1% e 51,5% dos votos, segundo as primeiros pesquisas de boca-de-urna, na frente do conservador Luis Alberto Lacalle, que alcançou entre 44,4% e 46,2% dos votos. Mujica, um ex-guerrilheiro que passou 13 anos de sua vida na prisão, boa parte deles durante a ditadura militar (1973-1985), ganhou o primeiro turno com 48% dos votos.
Pouco antes do anúncio da boca-de-urna, milhares de partidários da esquerda já saíam às ruas em uma festa adiantada. Avenidas de Montevidéu foram tomadas por simpatizantes de Mujica que portavam bandeiras, tocavam cornetas e soavam buzinas de automóveis depois do fim da votação, às 19h30 (horário local). Mujica, um agricultor de 74 anos que foi membro da guerrilha urbana Tupamaro no final dos anos 1960 e início dos 1970, foi para um hotel na costa da capital onde se concentravam partidários da Frente.
"No primeiro turno, em outubro, havia mais incerteza, não se sabia quem iria passar adiante. Neste já está decidido que Pepe (Mujica) vai ser presidente e o fato de Pepe ser presidente vai marcar com fogo a história do Uruguai", disse Cidy Simonena, uma administradora de 33 anos.
Por sua vez o presidente Tabaré Vázquez, um socialista moderado da Frente Ampla, que deixará o poder com popularidade recorde, também votou muito cedo, entre gritos de "volta, volta" de eleitores que estavam na seção, em referência às eleições de 2014. Ao contrário do habitual, Vázquez estava relaxado. Ele permaneceu quase meia hora na seção eleitoral falando com dezenas de pessoas que lhe pediam autógrafos e também respondeu a todas as perguntas da imprensa.
Lacalle, advogado e proprietário de terras de 68 anos, que governou o país adotando políticas neoliberais entre 1990 e 1995, votou mais tarde, rodeado de partidários com bandeiras do PN. Ele disse que, qualquer que seja o resultado da eleição, dialogará com Mujica.
No Uruguai o voto é obrigatório e estão habilitadas a votar 2,5 milhões de pessoas, de um total de 3,3 milhões de habitantes. Milhares de residentes no exterior chegaram nos últimos dias ao país para participar da eleição.
Vázquez, oncologista de 69 anos, levou a esquerda pela primeira vez ao poder na história do Uruguai ao derrotar no primeiro turno Jorge Larrañaga, atual companheiro de chapa de Lacalle.
CONTINUIDADE
O governo da Frente Ampla aplicou uma ordenada política econômica que permitiu ao Uruguai evitar entrar em recessão na atual crise financeira mundial. Também atraiu mais investimentos, ao afastar qualquer temor que uma gestão de esquerda pudesse provocar. Mujica prometeu seguir a mesma política econômica de Vázquez, esboçada pelo ex-ministro e seu candidato a vice, Danilo Astori.
"Não se deve esperar grandes novidades, exceto aquelas que possam derivar de conjunturas políticas distintas, mas na realidade o programa, o compromisso político é de continuidade e afirmação das conquistas que o governo atual obteve", disse Mujica no sábado, falando à imprensa estrangeira.
O candidato também descartou a possibilidade de uma guinada mais à esquerda em política externa e insistiu que sua maior afinidade é com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diante da bem-sucedida gestão da Frente Ampla na área econômica, o próprio Lacalle se absteve de anunciar mudanças drásticas se chegar à Presidência, limitando-se a prever a redução de alguns impostos.
Fonte: O ESTADO - Agências
Favorito à Presidência do Uruguai espera urnas em clima de "já ganhou"
José Mujica espera sair vitorioso
É com clima de "já ganhou" que o ex-guerrilheiro José Mujica espera o resultado do segundo turno da eleição presidencial que o Uruguai realiza neste domingo. Nesta sexta-feira, os seus partidários confirmavam que ele já começara a negociar cargos e alianças, embora nem isso fosse necessário, já que a expectativa é que seu partido conquiste maioria no Parlamento.
De acordo com pesquisa do instituto Factum, 50% dos uruguaios irão votar para a chapa de Mujica e Danilo Astori, da coalizão governista de esquerda Frente Ampla (FA), enquanto 41% irão escolher o ex-presidente liberal Luis Lacalle e seu candidato a vice, Jorge Larrañaga, do Partido Nacional (PN, centro-direita). Outros 9% estão indecisos.
Projetando os indecisos, a Factum calcula que os candidatos da FA devem receber entre 51% e 52% dos votos contra 44% a 45% para os concorrentes do PN, com 3% a 5% de brancos e nulos. "Parece claro que nós não temos grandes expectativas nem incertezas sobre o que se pode esperar no domingo", disse o cientista político Oscar Botinelli, diretor da Factum
Lacalle (à esq.), que já fala em sua derrota nas urnas; e o ex-guerrilheiro Mujica, otimista graças às pesquisas
Os números são similares aos de outro instituto, o Cifra, para o qual Mujica receberá 49,7% dos votos enquanto Lacalle receberá 41,7%, com 5,1% de indecisos e 3,5% entre brancos e nulos. Na projeção de resultados, o diretor da Cifra, Luis Eduardo González, prevê 51% para Mujica-Astori e 45,4% para Lacalle-Larrañaga, com 3,6% dos votos em branco ou nulos.
Uma terceira pesquisa, da firma Interconsult, realizada entre 19 e 22 de novembro em 900 residências de cidades uruguaias com mais de 5.000 habitantes, também tem percentuais similares, com 49,6% das intenções de voto para Mujica; 42,1% para Lacalle; e 3,8% para brancos, considerando 4,5% de indecisos.
Pelas pesquisas, a FA deverá ainda obter, aproximadamente, 16 das 30 cadeiras do Senado e 50 das 99 da Câmara.
Com a divulgação das pesquisas, na quinta-feira, Lacalle já falava como derrotado. "Vão me cobrar a fatura. Analisaremos [a derrota], espero que serenamente, porque um partido tem de aprender a fazer a autópsia depois do fracasso", afirmou Lacalle em entrevista ao jornal uruguaio "La República". Lacalle disse ainda ao jornal "Últimas Noticias" que o partido "é velho amigo da derrota", lembrando que os blancos ficaram "93 anos fora do poder".
Se na chapa presidencial o tom foi de resignação, entre deputados, houve alguma repressão ao clima de vitória dos rivais. "O que cabe é, primeiro, votar domingo e esperar o resultado", disse à agência de notícias France Presse Javier García, deputado e integrante do comando de campanha do PN. "Primeiro precisamos ver quem vai ganhar e, depois, ver por qual diferença", concordou Jaime Trobo, outro deputado do PN, para quem a oferta de Mujica à oposição busca um "impacto eleitoral". "Um governo da FA terá ministros frentistas", insistiu.
Nesta sexta-feira, Mujica se disse disposto a negociar acordos com a oposição sobre diversos temas, como educação, segurança, energia e meio ambiente, e a oferecer alguns ministérios. Por outro lado, na economia, a tendência é que ele mantenha a política do presidente Tabaré Vázquez, que conta com altos índices de aprovação.
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Fontes: FOLHA - France Presse
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