José Mujica espera sair vitorioso
É com clima de "já ganhou" que o ex-guerrilheiro José Mujica espera o resultado do segundo turno da eleição presidencial que o Uruguai realiza neste domingo. Nesta sexta-feira, os seus partidários confirmavam que ele já começara a negociar cargos e alianças, embora nem isso fosse necessário, já que a expectativa é que seu partido conquiste maioria no Parlamento.
De acordo com pesquisa do instituto Factum, 50% dos uruguaios irão votar para a chapa de Mujica e Danilo Astori, da coalizão governista de esquerda Frente Ampla (FA), enquanto 41% irão escolher o ex-presidente liberal Luis Lacalle e seu candidato a vice, Jorge Larrañaga, do Partido Nacional (PN, centro-direita). Outros 9% estão indecisos.
Projetando os indecisos, a Factum calcula que os candidatos da FA devem receber entre 51% e 52% dos votos contra 44% a 45% para os concorrentes do PN, com 3% a 5% de brancos e nulos. "Parece claro que nós não temos grandes expectativas nem incertezas sobre o que se pode esperar no domingo", disse o cientista político Oscar Botinelli, diretor da Factum
Lacalle (à esq.), que já fala em sua derrota nas urnas; e o ex-guerrilheiro Mujica, otimista graças às pesquisas
Os números são similares aos de outro instituto, o Cifra, para o qual Mujica receberá 49,7% dos votos enquanto Lacalle receberá 41,7%, com 5,1% de indecisos e 3,5% entre brancos e nulos. Na projeção de resultados, o diretor da Cifra, Luis Eduardo González, prevê 51% para Mujica-Astori e 45,4% para Lacalle-Larrañaga, com 3,6% dos votos em branco ou nulos.
Uma terceira pesquisa, da firma Interconsult, realizada entre 19 e 22 de novembro em 900 residências de cidades uruguaias com mais de 5.000 habitantes, também tem percentuais similares, com 49,6% das intenções de voto para Mujica; 42,1% para Lacalle; e 3,8% para brancos, considerando 4,5% de indecisos.
Pelas pesquisas, a FA deverá ainda obter, aproximadamente, 16 das 30 cadeiras do Senado e 50 das 99 da Câmara.
Com a divulgação das pesquisas, na quinta-feira, Lacalle já falava como derrotado. "Vão me cobrar a fatura. Analisaremos [a derrota], espero que serenamente, porque um partido tem de aprender a fazer a autópsia depois do fracasso", afirmou Lacalle em entrevista ao jornal uruguaio "La República". Lacalle disse ainda ao jornal "Últimas Noticias" que o partido "é velho amigo da derrota", lembrando que os blancos ficaram "93 anos fora do poder".
Se na chapa presidencial o tom foi de resignação, entre deputados, houve alguma repressão ao clima de vitória dos rivais. "O que cabe é, primeiro, votar domingo e esperar o resultado", disse à agência de notícias France Presse Javier García, deputado e integrante do comando de campanha do PN. "Primeiro precisamos ver quem vai ganhar e, depois, ver por qual diferença", concordou Jaime Trobo, outro deputado do PN, para quem a oferta de Mujica à oposição busca um "impacto eleitoral". "Um governo da FA terá ministros frentistas", insistiu.
Nesta sexta-feira, Mujica se disse disposto a negociar acordos com a oposição sobre diversos temas, como educação, segurança, energia e meio ambiente, e a oferecer alguns ministérios. Por outro lado, na economia, a tendência é que ele mantenha a política do presidente Tabaré Vázquez, que conta com altos índices de aprovação.
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Fontes: FOLHA - France Presse

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